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terça-feira, 31 de maio de 2011

Tucanos são citados em investigação em Campinas

Políticos de SP e Sabesp aparecem em conversas de acusados de desvios. Ricardo Trípoli e Edson Aparecido informam que não conhecem os empresários; Reis Lobo não foi encontrado
MARÍLIA ROCHA – DE CAMPINAS -NATÁLIA CANCIAN – DE SÃO PAULO – Políticos vinculados ao PSDB e à Sabesp, empresa de saneamento do Estado de São Paulo, foram mencionados na investigação do Ministério Público de Campinas que apura supostas fraudes em licitações e pagamento de propina em troca de contratos públicos. Em uma das conversas gravadas, o empresário da Saenge Luiz Arnaldo Mayer, um dos acusados, pergunta a um interlocutor quem estava “intercedendo” nos negócios do empresário José Carlos Cepera, também investigado. A resposta é que seriam Edson Aparecido, Trípoli e “o próprio Lobo”. Edson Aparecido é o atual secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano. Trípoli é o sobrenome do deputado federal Ricardo Trípoli (PSDB). E “Lobo” é o sobrenome do ex-presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, José Henrique Reis Lobo. Em 15 de abril, Mayer relata que teria uma reunião no “Palácio” com um deputado e depois diz a um homem apenas identificado como “Bene” que “algumas coisas na Sabesp dependem do pessoal lá de cima”. A Promotoria destaca, no relatório da investigação, que a menção de irregularidades em contratos públicos da Sabesp ocorre mais de uma vez nas escutas.

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A inundação de Franco da Rocha foi irresponsabilidade da Sabesp

Caso de polícia. Segundo o especialista Julio Cerqueira, a inundação de Franco da Rocha foi irresponsabilidade da SABESP. Uma série de reportagens do Viomundo vem alertando e denunciando desde o ano passado o descaso com que o governo tucano paulista tem tratado a vazão das águas. As evidências apuradas pela reportagem apontam para o fato de que a SABESP (e as empresas consorciadas) para não perder água (dinheiro), deixa de forma irresponsável os níveis das represas quase na totalidade até as épocas das chuvas quando não dá mais para esvaziar sem causar tragédias. A situação merece uma CPI na Assembleia Legislativa de SP. Este blog pretende encaminhar a denúncia contida na reportagem de Conceição Lemes para os Deputados de oposição, mesmo sabendo que poderá ser mais uma para ser arquivada pelos tucanos.

Viomundo - O que você não vê na mídia

Júlio Cerqueira sobre a inundação de Franco da Rocha: Uma irresponsabilidade da Sabesp 

de Conceição Lemes
Na última semana,  Franco da Rocha, a 45 quilômetros da capital paulista, “ganhou” o noticiário nacional. Na quarta-feira, 12,  amanheceu inundada, inclusive a Prefeitura. Em certos lugares, a água subiu 2 metros. A população de 120 mil habitantes ficou ilhada.

Sábado, 16 de janeiro, os moradores começaram a voltar para casa. A remoer-lhes esta dúvida: A Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) agiu corretamente ao abrir as comportas?

“Por telefone, no dia 11 [terça-feira], a Defesa Civil de Franco da Rocha foi comunicada que no dia seguinte [12, quarta-feira] a Sabesp iria abrir as comportas da represa Paiva Castro e liberar 15 metros cúbicos por segundo [15m³/s]”, diz ao Viomundo João Cruz, assessor de imprensa da Prefeitura do município. “Nada mais foi dito.”

“Por telefone?”, esta repórter questionou-o.

“Só por telefone!”

“Foi só esse comunicado à Defesa Civil?”,  a repórter insistiu.

“Só isso. Nada mais.”

“Nem que aumentariam a vazão de 15 m³ para 80 m³/s?”

“Não. Em nenhum momento.”

“No dia 10 [segunda-feira], choveu bastante, mas no 11 deu uma estiada, durante o dia”, prossegue  Cruz. “Fomos dormir com os pontos tradicionais de alagamento quando chove aqui. No dia 12 [quarta-feira], amanhecemos debaixo d’água. A inundação foi devido à abertura das comportas da Paiva Castro e não às chuvas que caíram antes.”

Ou seja, em 11 de janeiro, a Defesa Civil de Franco da Rocha foi comunicada que no dia 12 a Sabesp iria abrir as comportas da represa Paiva Castro. Guarde essa informação.

No dia 12, quarta-feira, em entrevista coletiva, a Sabesp afirmou que a abertura das comportas era necessária.

Para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a Sabesp acertou ao abrir as comportas da represa Paiva Castro. Comunicado da empresa reforçou.

Será? A Sabesp teria agido no momento adequado?

O QUE ACONTECEU EM 2009/2010 NO SISTEMA DO ALTO TIETÊ

As represas liberam água o ano inteiro para os rios envolvidos manterem as suas características. Na maior parte dos meses, em pequenas quantidades.  Porém, por volta de setembro, outubro ou novembro, dependendo do volume represado, começam a soltar progressivamente mais água. É para evitar que as barragens fiquem lotadas na época das chuvas. Quando essa recomendação não é seguida, há dois riscos: 1) rompimento das barragens; 2) abertura das comportas numa época em que os rios estão naturalmente cheios devido às chuvas, causando inundações nas regiões abaixo.

Foi o que aconteceu em janeiro de 2010 com as represas do sistema do Alto Tietê, que o Viomundo revelou (clique aqui para ler) .

“O Pantanal [em 23 de janeiro] inundou, de novo, porque as barragens do sistema do Alto Tietê estão excessivamente cheias para o verão, e a Sabesp abriu as comportas, contribuindo para alagar ainda mais região”, denunciou, na época, ao Viomundo José Arraes. “É uma irresponsabilidade a Sabesp e o Daee terem deixado a cheia chegar, para começarem a descarregar água dos seus reservatórios. É um crime. É um erro tremendo de gerenciamento.”

Arraes é economista, ambientalista, membro do Comitê da Bacia do Alto Tietê, do Subcomitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê e do conselho gestor da APA (Área de Proteção Ambiental) da várzea do Tietê. No final de 2009, ele e outros ambientalistas alertaram à Sabesp e ao Daee [Departamento de Águas e Energia Elétrica], órgãos do governo do Estado de São Paulo, que as barragens do Alto Tietê estavam lotadas demais para o verão.

A de Paraitinga (em Salesópolis), tem capacidade para 37 milhões m³, estava com  92% da sua capacidade. A de Biritiba-Mirim (no município do mesmo nome), 35 milhões m³, estava com 94%. A de Jundiaí (em Mogi das Cruzes), 84 milhões m³ e 97% de cheia. A de Ponte Nova, 300 milhões m³, estava com 73%. A de Taiaçubepa (entre Mogi das Cruzes e Suzano) tem capacidade para 82 milhões m³, estava com 73% de cheia.

Resultado: em janeiro de 2010, a Sabesp teve de aumentar a descarga de água dos seus reservatórios, mesmo o Tietê estando cheio devido às chuvas de verão e à falta de desassoreamento em 2006, 2007 e 2008, como demonstrou reportagem do Viomundo (clique aqui para ler).

A questão do desassoreamento persiste em 2011. Segunda-feira passada, 10 de janeiro, a capital paulista submergiu mais uma vez. Apesar de Ronaldo Camargo, secretário de Administração das Subprefeituras da capital, jogar a culpa em São Pedro (clique aqui para ler), o rio Tietê e vários afluentes transbordaram por falta crônica de capacidade e de limpeza. Diferentemente de 2010, as barragens do sistema do Alto Tietê não tiveram influência nas inundações que atingiram este ano certas áreas do Pantanal, como a Vila Itaim e a Chácara Três Meninas.

“A denúncia do Viomundo deu resultado. Este ano as barragens do sistema do Alto Tietê entraram preventivamente no período chuvoso com 70%  da capacidade de armazenamento, diferentemente do verão passado, quando estavam com 99%”, observa José Arraes. “ Quem passa habitualmente pelas marginais do Tietê, deve ter percebido que, no segundo semestre de 2010, o leito estava mais cheio e não ‘lá no fundo’, como em 2009, quando o rio era apenas uma lâmina de uns 20 centímetros.”

A Sabesp está exigindo na Justiça explicações de Arraes sobre a denúncia que ele fez ao Viomundo em 2010 (clique aqui para ler).

“NÃO HÁ NADA QUE POSSA JUSTIFICAR A DESCARGA DE 80 M3/S”

E o que tem a ver o sistema do Alto Tietê, Zona Leste da capital paulista, com o da Cantareira, Zona Oeste?

Tenham um pouco de paciência. O assunto é complicado. O sistema Cantareira inclui várias barragens:

* Jaguari/Jacareí – 808 milhões m³

* Cachoeira – 79,6 milhões m³

* Atibainha – 96, 2 milhões m³

* Paiva Castro – 7,6 milhões m³

Elas são interligadas por túneis, que funcionam como vasos comunicantes.  A Jaguari-Jacareí descarrega água na Cachoeira, que lança na Atibainha, que, por sua vez, manda para Paiva Castro. Daí, via estação elevatória de Santa Inês, vai para o reservatório de Águas Claras. O destino é a estação de tratamento de água do Guaraú.

Assim, continuamente elas descarregam  água – mais ou menos —  na seguinte.

A explicação que demos para o sistema do Alto Tietê, vale para Jaguari-Jacareí, Cachoeira e Atibainha. Essas três represas não podem estar lotadas na época das chuvas, pois correm o risco de transbordamento ou de rompimento. Recomenda-se que, antes das cheias, soltem progressivamente água, para que fiquem num nível seguro no verão e suas comportas não precisem ser abertas.

Paiva Castro é diferente. Não chega a ser um reservatório de água. É um canal de passagem. Imagine “quatro piscinas”, conectadas por canos. Jaguari-Jaguareí, a maior de todas, é a “piscina olímpica”. Cachoeira, uma “piscina de academia de ginástica”.  Atibainha,” semi-olímpica”. A Paiva Castro é “uma piscina infantil”.

Como essas “piscinas” são integradas e transferem água para outra, dependendo do volume descarregado na “piscina infantil”,  o seu volume pode aumentar muito em poucas horas, mesmo sem chuvas intensas. No dia 10, Paiva Castro estava com 48,67%. No dia 11, saltou para 93,42% . No dia 12, quando atingiu 96,40%, Franco da Rocha amanheceu debaixo d’água.

“A vazão média do rio Juqueri, que é o formador da Paiva Castro, é de 2 m³/s. Esse reservatório repassa para o canal de Santa Inês, em média, 33 m³/s ”, explica o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto, ex- professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica da USP. “Essa operação é feita rotineiramente há mais de 30 anos.”

“As chuvas ocorridas na região são consideradas normais para essa época do ano, como atestam os meteorologistas”, prossegue Cerqueira César. “A série histórica de precipitações apresenta dados de mais de 40 anos.”

“Não há nada, portanto, que possa justificar a descarga de 80 m³/s, a não ser a irresponsabilidade da operadora da Paiva Castro”, é taxativo Cerqueira César.

PAIVA CASTRO NÃO ATINGIU 97%, EMBORA COMUNICADOS E ALCKMIN DIGAM QUE SIM

No site da Sabesp, não há informações transparentes para o público (consumidores, jornalistas, investidores, etc) sobre cada uma das represas dos seus vários sistemas. Atualmente, estão indisponíveis até internamente para os funcionários. Está aberto apenas o dado global, juntando todas as represas do sistema Cantareira. Mesmo assim não é fácil achá-lo.

O jeito foi recorrer ao Google, pois  buscava informações  detalhadas, diárias,  de cada uma das quatro represas. Busca aqui, busca ali, o que procurávamos encontra-se hoje  lá pelo décimo quarto resultado.  Confira antes que desapareça.  Em cima  desses dados, esta repórter montou a tabela:

Atentem aos dias 10, 11 e 12. No dia 10, a  Paiva Castro estava  com 48,67% do seu volume. No dia 11, saltou para 93,42%. No dia 12, para 96,40%.

Para checar, solicitei  à Sabesp o volume das represas Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro também nos dias 1º de outubro de 2010, 1º de novembro, 1º de dezembro e 1º de janeiro de 2011. Comparei as respostas  fornecidas pela Sabesp com os dados  não elencados nos links de suas páginas iniciais e internas,  obtidos com a ajuda do Google.  Todos coincidem, exceto  um. O volume da Paiva Castro do dia 11. O  fornecido pela Sabesp é  97%, enquanto o real é 93,42%. O volume do dia 12 não nos foi enviado.

O printscreen com o recorte  dos dados  obtidos via Google,   exibindo apenas o volume da Paiva Castro nos  dias 10, 11 e 12, confirma isso.

Por sinal, o volume de 97% é citado em vários comunicados da Sabesp à imprensa, inclusive no que é citado o governador Geraldo Alckmin.


É que com 97% há risco de rompimento dessa barragem — o que justifica  a abertura das comportas.

Só que a Paiva Castro não atingiu 97% nem no dia 10, nem no 11,  nem no 12, quando Franco da Rocha acordou ilhada.

Alguém poderia dizer: “Ah, mas no dia 12, chegou perto – 96, 40%”

No dia 12, Franco da Rocha já amanheceu submersa. Então, por que, curiosamente, o volume do dia 11 foi o único que a Sabesp forneceu errado (via e-mail) para o Viomundo?  A Sabesp nos informou 97%. Só que o volume real era 93,42%

Estranhamente algo mais aconteceu nos dias 10 e 11.

TEMPESTADE DA TERÇA, CHUVA DA NOITE DA SEGUNDA OU IRRESPONSABILIDADE?

Aqui, vale a pena recordar  um trecho do comunicado oficial da Sabesp após a coletiva do dia 12, quarta-feira passada. O diretor metropolitano da empresa culpa “tempestade da terça”.

No dia 13, outro informe da Sabesp fala em 96% e  põe a culpa na chuva da segunda-feira pela abertura das comportas:

Dadas as chuvas que aconteceram na noite de 10/01, o volume de água que chegou na represa Paiva Castro fez com que a reservação passasse de 46% para 96% do volume total.

Diante dessa situação, foi necessário abrir as comportas para evitar o rompimento da barragem.

Lembram-se das informações que, lá no início desta reportagem, pedimos para vocês guardarem bem?  São as revelações de João Cruz, assessor de imprensa de Franco da Rocha, ao Viomundo. Elas foram confirmadas pela Defesa Civil e pela Guarda Municipal da cidade. Vale a pena repeti-las aqui.

“Por telefone, no dia 11, a Defesa Civil de Franco da Rocha foi comunicada que no dia seguinte a Sabesp iria abrir as comportas da represa Paiva Castro e liberar 15 m3/segundo”, repetiu-nos várias vezes  João Cruz. “No dia 10, choveu bastante, mas no 11 deu uma estiada, durante o dia. Fomos dormir com os pontos tradicionais de alagamento quando chove aqui. No dia 12, amanhecemos debaixo d’água. A inundação foi devido à abertura das comportas da Paiva Castro e não às chuvas que caíram antes.”

A propósito:

1) Não há elementos para se afirmar que a abertura das comportas se deveu às chuvas, como diz  a Sabesp. Há divergência entre os próprios comunicados da empresa. Um atribui às chuvas do dia 10, outro, às do dia 11.

Qual deles é o correto? Como o diretor diz que a tempestade da terça fez com que a vazão atingisse 80m3/s, se durante o dia 11 a chuva deu uma estiada em Franco da Rocha, segundo João Cruz, que é de lá?

2) A Defesa Civil de Franco da Rocha foi avisada no dia 11 que no dia 12 a Sabesp abriria as comportas da Paiva Castro. Só que as comportas foram abertas no mesmo dia em que foi feita a comunicação.

Como a Defesa Civil poderia ter tomado medidas preventivas em Franco da Rocha se as comportas foram abertas antes do que havia sido comunicado?

Confiram no quadro abaixo. A vazão  de 1 m³/s,  às 8 h, pulou  para 16 m³/s, às 9h. Às 23h, comportas  já estavam jorrando 80 m3/s. A progressão não foi conforme explicação da Sabesp no comunicado em que  cita o governador Alckmin.

As comportas da Paiva Castro foram abertas na seguinte sequência:

Ontem, 17 de janeiro, a represa Jaguari-Jacareí — a maior do sistema Cantareira, com capacidade para 808 mihões m3 —  estava com 100,2% de volume.

“Considerando que Jaguari-Jacareí deve ser operada também para proteger a bacia hidrográfica a jusante  [abaixo] contra inundações, a ocorrência desse nível nessa época do ano, estação chuvosa, não se justifica”, reprova o professor Cerqueira César. “A não ser como mais uma irresponsabilidade da operadora do sistema Cantareira”.

Não se pode entrar na estação chuvosa, repetindo o professor Júlio, com a principal represa cheia, já que vai entrar muita água das precipitações.

Em 1º de janeiro de 2011, Jaguari-Jacareí já estava com 83,97% de sua capacidade (veja a tabela Sistema Cantareira — Volume Operacional). E daí só fez aumentar.

Será que, a exemplo do aconteceu com o sistema do Alto Tietê em 2009/2010, esse procedimento não está equivocado?

Será que se Jaguari-Jacareí estivesse operando com volume compatível para o tempo de chuva, a abertura das comportas de Paiva Castro poderia ter sido evitada?

Será que se os ganhos financeiros da Sabesp não fossem provenientes da venda de água, Jaguari-Jacareí estaria com tanta água na época chuvosa?

São perguntas para as quais não existem, por enquanto, respostas definitivas.

Mas nos parece claro que falta transparência ao gerenciamento das represas paulistas, especialmente quando dependem de transparência e clareza  as ações preventivas da Defesa Civil, de prefeituras e dos próprios moradores das cidades atingidas.

Notem, na reportagem abaixo, que o próprio prefeito de Amparo — uma das cidades atingidas pela vazão de represas do sistema Cantareira — não entende direito o que está acontecendo:

Abaixo, reportagem em que um empresário de Bragança Paulista diz que a Sabesp anuncia uma vazão para a represa de Jaguari (aquela, que atingiu seu limite e passou a verter uma quantidade maior de água nas últimas horas), mas pratica outra:

Infelizmente, é a sociedade que continua pagando a conta em todos os sentidos. Até quando?

Deus (ou a chuva ?) alaga São Paulo, de novo

Conversa Afiada

A culpa é do Lula

Desde as 19h desta terça feira, São Paulo alagou com o transbordamento do rio Tamanduateí.
Clique aqui para ter uma pálida ideia no G1.
Como se sabe, os governantes de São Paulo têm o hábito de não limpar o leito dos rios.
O Rio Tietê, por exemplo, não merece uma limpeza há três anos.
É obra de Deus, ou da chuva, como se sabe.
No Rio, não…
Lá, a culpa é do Lula.
O alagamento fez piorar o que até nas férias já é u desastre: o tráfego na ciade.
É a Chuiça (*) num momento de glória !
Clique aqui para ler Cerra não vai poder mais acusar Deus.

Paulo Henrique Amorim

(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.

Deus (ou a chuva ?) alaga São Paulo, de novo | Conversa Afiada

ROBERTO FREIRE QUER CPI ELEITOREIRA


Roberto Freire (o da esquerda, somente na foto) acha que precisa de CPI sobre as chuvas no Rio. Ele não quer saber porque em SP, o Tietê enche, e o que a SABESP ganha deixando as represas cheias antes da chuva para depois alagar Franco da Rocha, Amparo, Bragança Paulista, Zona Leste de São Paulo, Guarulhos,…

Blog da Dilma 

ROBERTO FREIRE QUER CPI ELEITOREIRA

janeiro 18th, 2011 | Autor: Jussara Seixas

CPI da chuva
Roberto Freire, presidente nacional do PPS e deputado eleito, defendeu nesta segunda-feira a instalação de uma CPI no Congresso para apurar a tragédia provocada pelas chuvas na região serrana do Rio de Janeiro. Vai ser a CPI de um desastre provocado pela natureza, um imenso volume de chuva em uma ” área de risco”. Ou não é um risco construir nas encostas de morros? Nenhum proprietário, engenheiro, construtora, geólogo, geógrafo, urbanista, avaliou o risco de deslizamento do solo da encosta? Não houve ninguém que olhasse os morros da região serrana do RJ e vislumbrasse o perigo de uma imensa desgraça com um maior volume de chuva? Deputado Roberto Freire: há vários culpados por essa tragédia, todos os citados acima e todos os políticos, inclusive do seu partido, que não tomaram nenhuma providência antes da tragédia nessa “área de risco”.

O deputado demagogo, puxa-saco do Serra, quer transformar em culpados seus desafetos políticos – Lula, Dilma, Sergio Cabral. Quer usar a tragédia como palanque eleitoral. Mas se o deputado está a fim de mostrar que é sério, comece criando uma CPI para investigar as tragédias da chuva e os desvios de verbas em São Paulo. As avenidas 23 maio e 9 de julho, a Rodovia Raposo Tavares, as Marginais e as demais ruas da cidade não são consideradas áreas de risco em caso de chuva; inclusive o Alckmin, quando em sua gestão anterior, colocou placas nas Marginais afirmando que as enchentes tinham acabado. As enchentes em SP continuam e afetam cada vez mais a população. O lixo está acumulado nas vias, os bueiros estão entupidos, o rios estão assoreados, dezenas de piscinões não foram construídos e os que existem estão entupidos de detritos. As ruas de SP estão todas esburacadas, em alguns bairros as enchentes destruíram casas e mais casas; pessoas morreram afogadas nas enchentes, até no centro da cidade, e os que sobreviveram perderam tudo. São Paulo é um caso típico de omissão, negligência, mau uso do dinheiro público, incompetência. Serra não fez nada para amenizar o problema das enchentes em SP, aliás desviou verbas do desassoreamento para publicidade. Bastam 10 minutos de chuva para a cidade virar um caos. Cadê os recursos contra as enchentes em SP? Cadê as obras para diminuir as enchentes em SP?

Outra CPI seria muito útil em SP para investigar o cunhado do Alckmin, que desviou verbas da merenda escolar e transporta cadáveres no mesmo carro que distribui merenda nas escolas. Isso não interessa investigar, deputado Roberto Freire? Em 2006, políticos de Pindamonhangaba, no Vale do Paraíba, fizeram um pacto para blindar o tucano Geraldo Alckmin – então candidato à Presidência -, retardando medidas para investigar o escândalo que envolve seu cunhado, Paulo Ribeiro, o Paulão, em suposto esquema de corrupção e tráfico de influência. Um documento subscrito por 11 vereadores da cidade diz expressamente que o prefeito João Ribeiro (PPS), apadrinhado de Alckmin, teria se comprometido a “tomar providências” sobre denúncias de desvios na administração “após as eleições”. O documento trazia detalhes sobre licitações que teriam sido dirigidas em troca de doações para campanhas eleitorais e enriquecimento ilícito de políticos e empresários. Um acontecimento grave de 2006 só veio a público em 2011, após a eleição do Alckmin para governador. A mídia do PIG sabia dessa maracutaia desde 2006 e protegeu o PSDB, o Alckmin e o Serra, candidatos favoritos dos jornalões de SP. Está mais do que na hora de apurar o que ocorreu e por que ocorreu. Por que tudo foi abafado pelos políticos – inclusive do PPS, partido do Roberto Freire – e pela mídia?

Jussara Seixas

ROBERTO FREIRE QUER CPI ELEITOREIRA

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

O que Cerra e o poste fizeram na Zona Leste foi crime eleitoral ?

Conversa Afiada

O Jardim Romano secou e a Vila Itaim alagou
O Domingo Espetacular de ontem exibiu reportagem deste ordinário e ansioso blogueiro sobre a inundação e as mortes em São Paulo.
A ênfase foi sobre a Zona Leste da Capital.
Será que aquilo que testemunhou ali configura um crime eleitoral ?
No bairro do Jardim Romano foram cometidos três crimes, e, na Argentina, acabavam em panelazo e destituição de governantes.
O prefeito autorizou a construção de um conjunto de prédios populares em terreno que o rio Tietê alagaria na primeira chuva.
O prefeito que o sucedeu construiu uma unidade educacional e arrebentou o sistema de dragagem e a tubulação de esgoto.
Este ordinário blogueiro foi duas vezes ao Jardim Romano no verão passado.
Andou de barco pelas ruas do bairro e testemunhou essa conjugação criminosa de detritos do rio e fezes que trafegavam pela casa dos moradores com água pela cintura.
Assim ficou o Jardim Romano ao longo de quatro meses.
O ex-prefeito e então governador, Padim Pade Cerra, chegou ao Jardim Romano de helicóptero e lá ficou 5 minutos.
Quando se deu conta de que poderia ser interpelado, o nosso Putin pegou o helicóptero e se pirulitou.
No verão de 2011, este ordinário blogueiro voltou ao Jardim Romano.
Está um primor.
As autoridades construíram, ali no Jardim Romano, um de 90 piscinões que precisavam construir.
E levantaram um poderoso dique.
Ali no Jardim Romano, não se verá mais alagamento.
No ano passado, Dona Luzinete recebeu este ordinário blogueiro em casa e mostrou como, ao longo de quatro meses, foi obrigada a viver no puxadinho do segundo andar, com banheiro, cozinha e quarto de dormir improvisados.
Este ano, Dona Luzinete está meio feliz.
Porque se deu conta de que o piscinão e o dique do Jardim Romano ajudaram a alagar ruas de Guarulhos, na outra margem do rio, e os vizinhos da Vila Itaim, que ficam logo abaixo no Tietê.
Este ordinário blogueiro foi à Vila Itaim e subiu ao segundo andar de uma casa, onde os bombeiros alojaram precariamente Dona Jandira, que vive numa cadeira de rodas, desde que teve um AVC.
Neide, a filha de Dona Jandira, não acredita que possa tirar a mãe dali nos próximos quatro meses.
É o tempo que ela dá para a água baixar na Vila Itaim.
Os governantes de São Paulo se assustaram com a perspectiva de a imprensa – o Domingo Espetacular e este ordinário blogueiro, por exemplo – transformar o Jardim Romano no Katrina do Padim Pade Cerra.
Se fosse um crime eleitoral, seria concebido assim: transforma-se o Jardim Romano num vilarejo da Holanda, ganha-se a eleição e, quando Guarulhos e a Vila Itaim encherem, o presidente da República, Padim Pade Cerra, faz um comovido pronunciamento no jornal nacional.
Isso, se fosse um crime eleitoral.
Paulo Henrique Amorim
O que Cerra e o poste fizeram na Zona Leste foi crime eleitoral ? | Conversa Afiada

sábado, 15 de janeiro de 2011

Tragédia no Rio e em SP. Iguais e diferentes

Conversa Afiada
Publicado em 13/01/2011
Serra do Mar ou da Morte
O Governo do Rio e as prefeituras da região serrana – especialmente de Teresópolis – são responsáveis pelas 271 mortes.
Deixaram que as áreas de risco continuassem ocupadas.
Não montaram um sistema de defesa civil para áreas próximas ao risco, mesmo depois da tragédia de Angra dos Reis.
Nesta semana, menosprezaram o alerta do serviço de meteorologia que previu “chuvas fortes” desde 16h23 de anteontem.
Com o aquecimento da terra, a incidência de “extremos” de precipitação e temperatura (calor ou frio intenso) será mais frequente – e devastadora.
Ao longo da mortífera Serra do Mar – lembrem-se da tragédia de Santa Catarina -, o Brasil tem 500 áreas de risco.
Clique aqui para ler entrevista com o Ministro Aloizio Mercadante: “Cerra não vai poder dizer mais que a culpa é de Deus”.
Quando o Tupã, o super-computador Craig que o INPE acabou de comprar, estiver a pleno vapor, será possível prever com mais precisão o local da chuva – e o que é mais importante: a intensidade da chuva.
Hoje, os prefeitos de Teresópolis, Petrópolis e Friburgo – cidades que em que os prefeitos deixam ocupar áreas de risco desde quando Pedro II subia a serra no verão – hoje, esses prefeitos poderão sempre dizer que a previsão foi imprecisa.
O que são “chuvas fortes” ?
Daqui a um ano, quando o Tupã localizar melhor onde a chuva vai cair – com intervalos de 5 km e não mais 40 ou 20 km, como hoje – será possível também medir, em milímetros, quanto de chuva vai cair.
Quando o mapa das 500 áreas de risco for integrado ao sistema do Tupã, aí, sim, será o caso de botar muito prefeito e governador na cadeia.
A defesa civil de cada cidade terá uma informação precisa sobre onde vai cair a chuva pesada, qual a área de rico mais vulnerável.
Não haverá desculpa esfarrapada, como agora.
Isso é um sonho ?
Não, isso vai acontecer no Brasil, sim.
Como nos Estados Unidos, onde o serviço de meteorologia anuncia os desastres com antecedência suficiente para a população se proteger.
Todo mundo sabia que o Katrina vinha – e com fúria.
Os ricos e brancos puderam fugir.
Morreram os negros de Nova Orleans,  que não tinham como fugir ou para onde ir.
Em São Paulo, a incompetência e irresponsabilidade do governador e dos prefeitos é diferente.
E igual.
E merece cadeia, como no Rio.
O Governador, por exemplo.
Numa agressão ambiental inadmissível numa democracia, Cerra construiu avenidas marginais à cidade que são plataformas de concreto que não deixam a água passar e aumentam a quantidade de água nos rios.
Os rios de São Paulo – Tietê e Pinheiros – estão sujos desde os anos 60 do século passado.
Mas, o governador Cerra, segundo o governador Alckmin, interrompeu a limpeza dos rios.
E não fez piscinões em quantidade.
São necessários 90 piscinões na cidade de São Paulo.
Quantos Cerra construiu ?
Talvez porque piscinão não dê imagem dramática para o horário eleitoral.
Por conta dos piscinões, numa democracia, Cerra dividiria a cela – se o Brasil fosse uma democracia – com o prefeito/poste, Gilberto Kassab.
Vejam o que os dois fizeram às margens do Tietê, na fronteira com o município de Guarulhos.
Na tragédia do ano passado, o PiG (*), o programa Domingo Espetacular da Record e, aqui, este ansioso blog denunciaram a barbaridade que tinha sido cometida no bairro do Jardim Romano, de maioria nordestina.
Clique aqui para ler o que  este blog ansioso falou sobre o Katrina do Cerra: o Jardim Romano e aqui também.
Uma obra irresponsável destruiu o sistema de drenagem da água do rio Tietê.
A água do rio e os esgotos formavam uma bacia que inundou o bairro por meses.
O que fez a dupla Cerra/Kassab ?
Construiu um piscinão no Jardim Romano e um muro, um dique.
Este ano, o jardim Romano está seco e salvo.
E o que aconteceu em volta ?
Uma catástrofe.
A água que não entra mais no Jardim Romano transbordou para a Vila Itaim e Fiorelli.
Os prefeitos de região serrana do Rio e o Governador Sérgio Cabral não dizem que a culpa é de Deus.
É deles.
Também nenhum deles é candidato a Presidente (eternamente).
A culpa é do governador Cerra, do prefeito Kassab, e da jenial presidência da Sabesp, que abriu as comportas em plena chuva e inundou a cidade de Franco da Rocha.
Cerra e Kassab dizem a mesma coisa há 16 anos – e não remediam os “erros de sempre”, como disse uma manchete da Folha (**) – da Folha !
Clique aqui, amigo navegante, para ver que até o PiG de São Paulo culpa o Cerra pela tragédia deste ano.
Não basta o INPE comprar um supercomputador da Craig, o segundo melhor do mundo para previsão do tempo.
(O primeiro é o americano, da IBM.)
Tem que mudar o pessoal embaixo.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Empreiteira tem incentivo para manter reservatório cheios

Recentemente, após inundar Franco da Rocha com a abertura das barragens, a SABESP afirma que não tinha mais jeito. O mesmo aconteceu no ano passado com a Vila Romana. O problema é que as represas não devem ter esvaziado o excesso nos períodos de chuva, mas antes. Porém, as empresas que distribuem a água para a Sabesp tem incentivos para deixar as represas cheias antes das chuvas. Dane-se a população. O artigo do Viomundo é revelador.

Viomundo – O que você não vê na mídia
12 de janeiro de 2011 às 13:14

Empreiteira tem incentivo para manter reservatório cheios

Post publicado originalmente no Viomundo antigo em 29/01/2010

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por Conceição Lemes

A empresa privada que controla os reservatórios do Alto Tietê tinha incentivos para manter as represas cheias mesmo antes do início do período de chuvas em São Paulo: ela recebe da Sabesp pelo fornecimento de 10 metros cúbicos de água tratada por segundo.

Isso fica claro no anúncio do fechamento do contrato, feito no Diário Oficial do Poder Executivo de 28 de fevereiro de 2009, um sábado.

Está lá, na capa: Estação de Taiaçupeba terá produção ampliada em 50% num prazo de dois anos.

Diz o texto, assinado por Otávio Nunes, da Agência Imprensa Oficial:

“A estação de tratamento de água (ETA) Taiaçupeba, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em Suzano, terá sua produção aumentada em 50% em dois anos, passando dos atuais 10 metros cúbicos por segundo para 15 metros cúbicos. Quando estiver pronta, será a segunda maior da empresa e irá responder por 15% da água consumida na Região Metropolitana de São Paulo. Hoje é a terceira, superada pelas ETAs Guaraú (Sistema Cantareira), com 33 metros cúbicos por segundo, e pela Alto da Boa Vista (Guarapiranga), que trata 14 metros cúbicos por segundo, ambas na capital. Outra novidade: a obra é a primeira da Sabesp feita na modalidade Parceria Pública e Privada (PPP).”

“A ETA Taiaçupeba é responsável pelo tratamento da água proveniente do Sistema Alto Tietê. Hélio Castro conta que todo este manancial é formado por cinco represas que armazenam água do Tietê e de seus afluentes locais, como os rios Jundiaí, Biritiba, Paraitinga e Taiaçupeba, onde está a estação, em Suzano.

A ligação entre as represas e as lagoas de tratamento de Taiaçupeba é feita através de canais e dutos. A obra, iniciada em meados de fevereiro, será tocada pelo consórcio CabSpat, formado pela Galvão Engenharia e Companhia Águas do Brasil (Cab Ambiental). O pool de empresas irá investir R$ 300 milhões nos dois primeiros anos de contrato na ampliação de Taiaçupeba e, também, na construção de 17,7 quilômetros de adutoras (canalização) de 400 a 1,8 mil milímetros de diâmetro e quatro reservatórios para armazenar 70 milhões de litros de água tratada, no processo de disposição final do lodo dos decantadores, na manutenção eletromecânica, na barragem e ainda nos serviços auxiliares de adução e entrega da água. O contrato tem validade de 15 anos”.

“Nos dois primeiros anos de contrato, a parceira receberá da Sabesp valor contratual sobre 10 metros cúbicos por segundo de água tratada. Após a conclusão da obra, prevista para fevereiro de 2011, o pagamento será calculado com base no novo volume de tratamento em Taiaçupeba, de 15 metros cúbicos por segundo.”

“Vantagens da PPP – O engenheiro Hélio Castro aponta as vantagens da modalidade PPP. Ele diz que a Sabesp não precisará arrumar verba para o empreendimento, ganhará experiência para participar de obras em outros países ou Estados brasileiros, dentro do novo modelo de parceria, e o consórcio trará novidades tecnológicas para o setor de tratamento de água. “Além disso, se a Sabesp tocasse sozinha a ampliação de Taiaçupeba pelo modelo tradicional, não conseguiria concluí-la em dois anos, devido aos processos de licitação que seriam realizados no período e que acabariam atrasando a obra. Transtorno que o consórcio não terá, por ser privado”, justifica o superintendente”.

O texto, curiosamente, nada informa sobre o valor do contrato, estimado em quase um bilhão de reais durante 15 anos, mas deixa claro que se trata de um modelo paulista que a Sabesp pretende “exportar” para o restante do Brasil.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

O jornalismo que a velha mídia não fez

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qua, 12/01/2011 - 08:41
Nas enchentes de 2009, a mais importante matéria do período foi da Conceição Lemes, no blog Vi o Mundo.
Nela, o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto mostra que as enchentes foram fruto de duas irresponsabilidades: redução das obras de limpeza do rio Tietê na gestão Serra e não cumprimento das metas de construção de piscinões nos últimos dez anos.
Levei o engenheiro em um Brasilianas sobre defesa civil. Ele foi taxativo: "Qualquer geólogo e qualquer técnico do DAEE sabe disso. Mas os jornais estão escondendo".
A velha mídia escondeu a causa da maior tragédia coletiva da história da cidade.
Cerqueira César: Enchentes em SP refletem falta de governo | Viomundo - O que você não vê na mídia
Matéria trazida do Viomundo antigo. Publicada originalmente  em 20 de dezembro de 2009
por Conceição Lemes

Júlio Cerqueira César Neto: “São Pedro e o lixo jogado na rua não foram os responsáveis pelas enchentes de 8 de setembro e 8 de dezembro em São Paulo”
Filho feio não tem pai. Já se o rebento tem pedigree, sobram candidatos.
O governador de São Paulo, José Serra, é hors concours na área.  Assume como dele a criação do Programa Nacional de DST/Aids, do Ministério da Saúde, considerado um exemplo no mundo. Só que os verdadeiros criadores são a doutora Lair Guerra de Macedo Rodrigues e o professor Adib Jatene.
“Serra, pai dos genéricos? PSDB, criador dos genéricos? Assumir como deles é um embuste!”, disse em junho ao Viomundo, o médico Jamil Haddad, falecido na semana passada, aos 83 anos. Ex- deputado federal, ex-prefeito do Rio Janeiro e ministro da Saúde de outubro de 1992 a agosto de1993, Jamil Haddad é o verdadeiro pai dos genéricos do Brasil.
Em compensação, Serra nunca é pai de perebentos. Inexoravelmente culpa os outros. Tanto que terceirizou a paternidade das inundações em São Paulo. Além do desplante de dizer que o noticiário negativo era obra do que chamou de PT Press,  o governador afirmou que problema da enchente foi a enorme, anormal, atípica chuva.
Para colocar os pingos nos is, o Viomundo entrevistou o engenheiro Júlio Cerqueira César Neto. Durante 30 anos – está com 80 – foi professor de Hidráulica e Saneamento da Escola Politécnica/USP. É considerado um dos grandes especialistas do Brasil nessa área.
Viomundo – Nos últimos dois meses, São Paulo submergiu duas vezes. O prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o governador José Serra (PSDB) culparam principalmente a “quantidade anormal de chuvas no período” e “ lixo jogado na rua pela população”.  São Pedro e o povo são os responsáveis por essas duas inundações históricas?
Júlio Cerqueira César Neto – Não.  Querendo dourar a pílula,  as autoridades lançaram mão de vários parâmetros para confundir a opinião pública. Esses fatores realmente existem.  Porém, São Pedro e a educação sanitária não são os causadores das enchentes de 8 de setembro e 8 dezembro.
Viomundo – São Pedro não teve mesmo culpa no cartório?
Júlio Cerqueira César Neto – Nas duas inundações deste ano, São Pedro está completamente isento. As duas chuvas [8 de setembro e 8 dezembro] não foram catastróficas, elas foram moderadas. Aliás, sempre que acontece uma enchente dessas, o prefeito, o governador, os secretários aparecem dizendo que São Pedro foi o responsável. Nada deixa a população mais irritada do que essa desculpa esfarrapada.
Viomundo – E o lixo jogado na rua?
Júlio Cerqueira César Neto – Prejudica um pouco, mas não é o principal. É só um fator colocado no debate pelas autoridades para confundir a opinião pública, e esconder os verdadeiros responsáveis.
Viomundo – Então quais as causas principais dessas enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Uma delas, o assoreamento do Tietê. Assoreamento é o material sólido que vem na corrente líquida do rio: terra, erosão, lixo, entulho de obra. Na cidade de São Paulo, a declividade do Tietê é muito pequena e a velocidade, muito baixa. É como se o rio estivesse quase parado. Todo material sólido deposita-se, então, no fundo do canal, reduzindo a profundidade. Consequentemente, diminui também a capacidade de transporte de água na hora da chuva. É o que acontece com o Tietê. Em vez de ter espaço para passar, por exemplo, 1.000 metros cúbicos por segundo, só “cabem” 500. Os outros 500 transbordam.
Viomundo – Isso acontece também com os afluentes do Tietê?
Júlio Cerqueira César Neto – Pelo contrário. Eles têm declividade forte e velocidade grande de água e não assoreiam. Consequentemente, das cabeceiras até chegar ao Tietê, eles têm facilidade de transporte de material sólido. E como o Tietê tem velocidade muito baixa, esse material se deposita no canal do próprio Tietê.
Viomundo – Sempre foi assim?
Júlio Cerqueira César Neto – O Tietê sempre teve velocidade baixa. Não dá para modificar isso. É a conformação geológica e topográfica do rio.
Viomundo – Anualmente quanto de resíduos o Tietê recebe?
Júlio Cerqueira César Neto – Na cidade de São Paulo, entre a barragem da Penha [Zona Leste] e o Cebolão [Zona Oeste], aproximadamente 1,2 milhão de metros cúbicos de terra. Se você deixar isso no fundo do rio, a capacidade dele diminui. E o que o Departamento de Águas e Energia Elétrica, o DAEE do governo do Estado de São Paulo, tem feito? O DAEE faz a limpeza, mas tira apenas 400 mil metros cúbicos por ano.
Viomundo – O DAEE tira só um terço.
Júlio Cerqueira César Neto – Deixa, portanto, anualmente uma quantidade muito grande de sedimentos no Tietê, diminuindo capacidade de ele transportar as vazões de enchentes. No dia 8 de setembro, às 16h30m, no Viaduto da Casa Verde, um engenheiro mediu a quantidade de água que passava no rio. Deu 735 metros cúbicos por segundo. Ali, naquele trecho, se o canal do Tietê estivesse limpo, poderia passar mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se o Tietê já transbordou com 735 metros cúbicos é porque  estava assoreado.
Viomundo – Se o Tietê não estivesse assoreado, a inundação de setembro não teria havido?
Júlio Cerqueira César Neto – A inundação aconteceu porque o Tietê estava com mais da metade da sua capacidade obstruída por resíduos depositados no fundo do seu canal e que não foram limpos adequadamente pelo governo do estado.
Viomundo – E no dia 8 dezembro?
Júlio Cerqueira César Neto – Nenhum engenheiro foi lá medir.  Mas pelas consequências a coisa foi muito semelhante à de 8 de setembro. Se a vazão não foi 735 metros cúbicos por segundo, foi de 835, 800, ou algo parecido. Se não houvesse assoreamento, a cidade não teria inundado. Houve inundação, porque o Tietê estava ainda mais assoreado do que em setembro. As causas que levam às enchentes são principalmente o assoreamento e a má limpeza do rio.
Viomundo – Ou seja, tem de se varrer todo dia o lixo da “casa”(rio). Se acumular, com o tempo a gente não passa mais…
Júlio Cerqueira César Neto – Você tem um rio que deveria ter capacidade de 1.000 metros cúbicos por segundo. Se ele está sujo, a capacidade dele fica reduzida para 500,  por exemplo. Assim, se a quantidade de água devido à chuva for de 700 metros cúbicos por segundo, ele extravasa. Não tem jeito. Encheu porque estava assoreado.
Viomundo – Alargar o Tietê, avançando sobre as marginais, resolveria as enchentes?
Júlio Cerqueira César Neto – Não acho que a solução seja por aí. Outro dia vi uma entrevista de um urbanista, dizendo que a prefeitura precisava tirar as marginais da várzea e colocá-las na encosta.  No meu entender, tirar as marginais do lugar é algo totalmente fora de propósito.
Viomundo – E o que fazer?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê foi projetada há 20 anos. Na época, previa-se que a vazão de 1.000 metros cúbicos por segundo seria adequada para os nossos dias. Dez anos depois de iniciada a obra [levou 20 para ficar pronta], verificou-se que os 1.000 metros cúbicos já não seriam suficientes. Eram necessários 1.400. A urbanização foi muito mais intensa e mais rápida do que o imaginado. Ampliar o tamanho da calha não dá mais. A única forma de fazer com que a vazão voltasse a ser de 1.000 metros cúbicos por segundo é fazer piscinões. Infelizmente, pois são um mal necessário.
Viomundo – Por que infelizmente?
Júlio Cerqueira César Neto – Do ponto de vista hidráulico, os piscinões são perfeitos. Retêm o pico das cheias dos afluentes, diminuindo a quantidade de água que chega ao Tietê.  É o único jeito de fazermos com que a vazão do Tietê baixe de 1.400 metros cúbicos por segundo para 1.000. Para isso, o governo do estado de São Paulo, via DAEE, projetou 134 piscinões. Entretanto, nos últimos dez anos, construiu apenas 43.
Viomundo – Um terço…
Júlio Cerqueira César Neto – Pois é. Com isso, não conseguiu baixar a vazão de 1.400 metros cúbicos para 1.000. Ou seja, mesmo que a calha do Tietê estivesse limpa, ela seria insuficiente para uma capacidade de 1.300 metros cúbicos por segundo, por exemplo, que são vazões que ocorrerão daqui para frente, no período chuvoso, que vai principalmente de janeiro a março.
Viomundo – Então até agora não choveu muito mesmo?
Júlio Cerqueira César Neto – As duas enchentes ocorreram com chuvas moderadas. São chuvas do período de estiagem. Ou seja, o pior está por vir.
Viomundo – E como resolver a questão das enchentes a curto prazo?
Júlio Cerqueira César Neto – A calha do Tietê tem duas deficiências importantes e não  há como resolvê-las de pronto. Vamos ter de conviver com a insuficiência da calha por muitos anos ainda.
Viomundo – Por quê?
Júlio Cerqueira César Neto – Primeiro: temos de fazer 91 piscinões.  Se eles levaram [o governo São Paulo] 10 anos para fazer 43, levarão mais 20 para fazer os que faltam. Segundo: o governo do estado não está disposto a gastar mais do que a limpeza [de resíduos da calha] de 400 mil metros cúbicos por ano, quando são necessários  1,2 milhão. São duas deficiências que precisam ser resolvidas. Ou o governo do estado faz mais piscinões e limpa a calha do Tietê ou vamos ter enchentes frequentemente.
Viomundo – O senhor disse que os piscinões são um mal necessário. Gostaria que me explicasse por quê.
Júlio Cerqueira César Neto – Nós temos um sistema que conduz o esgoto doméstico e outro, as águas pluviais. Chama-se sistema separador absoluto. Porém, há 30 anos, a nossa “magnífica” Sabesp constrói redes coletoras de esgoto que jogam o esgoto diretamente no córrego mais próximo. O córrego é do sistema de drenagem e não do sistema de esgotos. Então, todos os córregos da região metropolitana de São Paulo e o próprio rio Tietê – deste eu nem preciso falar para você – são esgotos a céu aberto. Os esgotos saem da rede, entram nos córregos. Portanto, quando se faz um piscinão num córrego desses, você retém não apenas a água da chuva mas a do esgoto também.
Viomundo – Quer dizer que o piscinão é um “esgotão”?
Júlio Cerqueira César Neto – Na prática, os piscinões são verdadeiros esgotos, sim. Ainda mais quando a água fica parada. Daí, sim, ela decanta, formando um lodo no fundo. É uma situação sanitária extremamente desfavorável. Esse é um dos aspectos pelos quais eu não gosto dos piscinões. Na sequência, eles se tornam um tremendo problema; são foco de proliferação de doenças na cidade.
Viomundo – Ou seja, do ponto de vista de saúde pública o piscinão é péssimo?
Júlio Cerqueira César Neto – Sim. Por isso eu digo que é um mal necessário. Só deve ser feito onde não há outra coisa a fazer. Não façam, pelo amor de Deus, piscinões para resolver alagamentos das cidades da região metropolitana, que são as enchentes das prefeituras. Deixem a água correr normalmente.
Viomundo – A curto prazo, o senhor já disse que não tem solução para o Tietê. Se o governo acelerar hoje a limpeza do rio, o resultado não vai aparecer amanhã. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Esse trabalho tem de ser iniciado já. O governo do estado tem de passar a tirar 1,2 milhão metros cúbicos de resíduos do Tietê.  Precisa colocar mais dinheiro no orçamento do ano que vem, porque essas obras não são feitas em uma semana. E esse trabalho de limpeza tem de ser feito o ano inteiro – de janeiro a dezembro. Ininterruptamente. É tirar, tirar, tirar, para evitar o acúmulo de resíduos no fundo do rio.
Viomundo – E se governo do estado de São Paulo não fizer a limpeza diária como tem de ser feita, nem investir os recursos necessários?
Júlio Cerqueira César Neto – Então que avise a população. Avise-a também que a cidade vai inundar. Quanto aos piscinões, em vez de levar 10 anos para fazer os que 91 que faltam, que faça em 5 anos.
Viomundo – E se o governo disser que não pode?
Júlio Cerqueira César Neto – Pode, sim. É só colocar dinheiro.
Viomundo – Isso implica estabelecer as enchentes como prioridade.
Júlio Cerqueira César Neto – Se é que é uma prioridade… Não me parece.  Até agora, o governo de São Paulo não disse a que veio. Na quarta-feira, a Câmara Municipal aprovou o orçamento da Prefeitura. Para 2010, a verba de córregos e galerias para o sistema de drenagem pluvial da cidade foi cortada pela metade. E olha que provavelmente nem o orçamento inicial seria suficiente. Mas não cortaram a verba de publicidade da prefeitura. Com essas atitudes, o  recado que deram é o de que enchente não é um problema importante.
Viomundo – Será que a Prefeitura e o Governo do Estado de São Paulo estão contando  com a ajuda  especial  de São Pedro nos próximos meses?
Júlio Cerqueira César Neto  – Eu não vejo com otimismo a nossa próxima estação chuvosa, não. Janeiro, fevereiro e março são os meses  das grandes chuvas. E nós vamos ter situações piores do que as tivemos em setembro e dezembro.
Viomundo – Há quatro anos, quando foi concluído o bilionário rebaixamento da calha do Tietê, se propagandeou que São Paulo não teria mais enchentes. E agora?
Júlio Cerqueira César Neto – Essa informação de que não teríamos mais enchentes em São Paulo era simplesmente uma mentira. Primeiro, a calha não tem a capacidade que deveria ter. Segundo, faltam 91 piscinões. Terceiro, se o governo não se propuser a tirar do fundo do rio a quantidade necessária de resíduos, nós vamos continuar tendo mais enchentes . Portanto, é mentira que não teríamos mais enchentes aqui.
Viomundo – Mas não tem jeito mesmo de se evitar inundação nesses próximos meses em Sâo Paulo?
Júlio Cerqueira César Neto – A não ser que São Pedro se transforme num anjinho e diga: “Não chova mais na região de São Paulo, a não ser umas gotinhas…” Mas isso a gente não pode esperar, concorda?
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