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quarta-feira, 31 de julho de 2013

"Fora, Alckmin" para a mídia é só o vandalismo!

Nas primeiras manifestações do Passe Livre em junho e nas anteriores, o foco das edições de jornalismo era o vandalismo e o pessoal que não podia se deslocar no trânsito. Quando viram o tamanho da encrenca, a pauta mudou e o foco foi relacionar as manifestações a um Brasil em crise por culpa do governo Dilma. Os atos de vandalismo eram tratados como ação de grupos isolados.
No ato "Fora, Alckmin!" de ontem, a pauta voltou a ser a ação de vândalos. Nenhuma palavra foi dada aos manifestantes que em sua maioria não estava praticando vandalismo. Nenhuma informação sobre o escândalo do Metrô que retira dinheiro de São Paulo para as figuras o PSDB há mais de 20 anos.
Capa da Veja dá no Jornal Nacional.
Capa da IstoÉ ou Carta Capital, só na internet.
Abaixo dois vídeos para a reflexão.
Você não vai ver no Jornal Nacional


segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Lula tem que morrer

Por Celso José de Brum

Não se trata, definitivamente não se trata, de uma conspiração tramada nas sombras da caverna da liga do mal, para assassinar o cidadão Luiz Ignácio Lula da Silva. Mesmo sabendo-se que a inteligência e a criatividade da direita reacionária sejam parcas, até mesmo a direita reacionária, sabidamente inescrupulosa, reconhece que Lula martirizado fica ainda mais forte, muito mais forte. Assim, o que se persegue desesperadamente é a morte do mito, dessa lenda viva chamada Lula.

Para aqueles que estudaram e estudam a História do Brasil e acompanham os acontecimentos dos últimos 50 anos, algumas lições ficaram claras. A sociedade brasileira ainda mantém nítida a marca da desigualdade e as elites, que dominam e controlam a maioria de nossas instituições, ainda se consideram destinadas, por direito divino, a conduzir a massa ignara, esta destinada, também por direito divino, a obedecer e, de vez em quando ou de vez em sempre, levar varadas pedagógicas no lombo. Não é preciso dizer de que lado está a direita reacionária neste drama (ou farsa?) histórico.

Na política, salvo raros momentos, esse quadro foi mais do que evidente. E, para qualquer estudante aplicado de História, nesses raros momentos, em que as elites perderam o controle político,  o Brasil progrediu e assistimos novos caminhos serem abertos.

Foram as elites que articularam o golpe militar de 1964, que vinham tentando desde 1954. Não fosse o tiro no coração de Getúlio Vargas, a ditadura (“ditabranda”, no dizer da Folha) teria sido imposta já em 1954.

A ditadura militar (militar sim, mas, como disse, tramada também pelas elites civis) de 1964, foi o que foi e de suas principais “realizações”, agora se ocupa (e espera-se que seja com ímpeto, força e amor pela justiça) a Comissão da Verdade.

Passada essa idade das trevas, que foi a ditadura militar, as elites trataram de garantir o poder político, o que conseguiram até 2002. No entanto, a política das elites cuidava bem das elites e a massa ignara continuava vítima da fatalidade histórica: afinal é natural que existam os ricos e os pobres e, entre estes, os párias, os miseráveis, os que morrem de fome, tudo isso é muito natural.

Como, na Democracia, votam todos (não só, “como deveria ser”, os filhos das elites) e, de repente os “coronéis” tivessem perdido o controle de seus currais eleitorais, ocorreu uma inesperada reação da massa ignara: a vitória do representante dileto do povão, da gentalha, da plebe, da ralé, enfim, da massa ignara que – para fazer o que dela esperam as elites – deveria conhecer bem o seu lugar, subalterno, dócil, cordial e humilde.

Para o PSDB (uma UDN apoplética, que agora defende os interesses das elites) a vitória de Lula era o seu plano B. O plano A, lógico, era a vitória do seu candidato. O que mais temiam os tucanos era a vitória de Ciro Gomes, que os havia “jurado”, para usar um termo (“jurado”) bem nordestino. As elites e o PSDB  consideravam, primeiro, que a vitória de Lula era um tributo a pagar pela inevitável (e muitas vezes incômoda) Democracia, segundo, que Lula e o PT iriam fracassar. Com o certo e seguro fracasso de Lula e do PT, as elites voltariam ao poder, direito inequívoco, perfeito e natural.

No entanto, o plano aprimorado, esmerado e lapidar (porque não dizer divino, sublime e maravilhoso) do PSDB e das elites foi “por água abaixo”, quando Lula e o PT realizaram uma obra histórica que, nem os mais otimistas, poderiam esperar. E transformaram o Brasil.

Não foi necessário hostilizar as elites, nem foi preciso utilizar nenhuma utopia (como o socialismo, por exemplo). Foi usando as próprias contradições do capitalismo e recuperando brilhantemente, em seus fundamentais princípios, o abalado (pelo governo Fernando Henrique) Plano Real, que o Presidente Lula fez um governo de extraordinárias conquistas e realizações. Provou que era e é possível fazer, da distribuição de renda, fator do desenvolvimento, fez diminuir a miséria extraordinariamente, levou para  a classe média milhões de pessoas, democratizou  (com o Pró-Uni e outras instituições  similares) o acesso dos pobres ao ensino superior, reduziu a inflação e fez baixar os juros básicos,  fez diminuir o chamado risco-Brasil e elevou o país à condição de protagonista no concerto das Nações.

O sucesso de Lula o fez reconhecido internacionalmente. Lula, o filho do Brasil, amado pela plebe, passou a ser odiado por uma certa e poderosa parcela das elites. É curioso que as elites foram muito beneficiadas pelo governo Lula, pelo desenvolvimento do país.

Mas, para setores das elites, é inadmissível que um operário metalúrgico, retirante nordestino, apenas com o diploma do SENAI, possa realizar o governo que realizou, conseguindo êxitos, nunca dantes conseguidos pelos filhos das elites. É por isso que Lula tem que morrer. Lula vivo, ou seja, Lula honrado, é uma ameaça ao direito divino das elites em manter o poder. É preciso matar Lula, portanto, é preciso degradar Lula, é preciso aviltar Lula, é preciso injuriar Lula, é preciso difamar Lula. Para tanto, vale tudo, qualquer torpeza, qualquer sordidez, qualquer vilania, qualquer indignidade. E é isto que está acontecendo, de muitas maneiras.

Tudo e tudo sendo assistido, quase sempre, sob o impassível olhar de parte das esquerdas brasileiras.

Vamos deixar bem claro: Lula, nem ninguém,  está acima da Lei. Mas, é preciso questionar a preferência que se dá ao Lula e ao PT, esquecendo-se ou postergando-se as acusações aos filhos das elites (onde anda a investigação – se é que existe investigação – de tudo quanto foi denunciado – com provas – pelo livro “Privataria tucana”, por exemplo?).

Falava eu, linhas atrás, do impassível olhar de parte das esquerdas brasileiras. Confesso que me aborrece o fato de vestais e catões das esquerdas repetirem os mantras da direita reacionária, como se a direita fosse ética ou como se a ética fosse propriedade da direita.

Lula e os petistas não são anjos, são apenas seres humanos, sujeitos a erros, como todos nós. Mas, com toda certeza, a guerra que a direita reacionária perpetra contra eles, nada tem a ver com democracia ou com defesa dos bons costumes. É só e tão somente pela conquista do poder, que esses fariseus consideram seu, por direito divino. As vestais e os catões das esquerdas, portanto, que entoam os mantras (sobre ética) da hipócrita e safada direita reacionária, portam-se como “colaboracionistas”, para usar um termo terrível, porém, menos ofensivo que “inocentes úteis”.

A direita reacionária sabe que não tem como conquistar o poder “jogando limpo”. Os corifeus da direita (PSDB e associados) não tem propostas e ideias capazes de ganhar o apoio popular. Resta-lhes o indecente e abjeto recurso da desconstrução dos adversários. E Lula é o símbolo, a bandeira, o líder inconteste que encanta e inspira as multidões. Para os corifeus da direita e para as elites, que dominam a maioria de nossas instituições, Lula tem que morrer.

As esquerdas brasileiras  não podem assistir a isso, sem uma reação.

É verdade que essa reação terá que ser legal, dentro das atuais regras do jogo e no âmbito e para fazer avançar a Democracia.

Algumas ações que podem e devem ser implementadas pelas esquerdas:

-Permanente (e não apenas no período eleitoral) conscientização das massas, com reuniões periódicas com todos os segmentos sociais, inclusive com as elites mais avançadas (porque elas existem);

-Criar um “dia nacional da cidadania”, movimento de massas de grande envergadura, para que a direita reacionária saiba com quem está lidando e para que o povão tenha conhecimento de sua força;

-No lugar ou apesar dos milhares ( e quase sempre inócuos) pequenos jornais das esquerdas, criar um jornal de grande porte, um jornal para todo o Brasil. Deverá ser um jornal com uma nova linguagem (nas esquerdas existem talentos para fazer coisas brilhantes) capaz de se tornar o “rei da bancas” em pouco tempo.

Com a união dos recursos das esquerdas, o jornal poderá ser vendido pela metade dos preços dos jornalões.

E será o jornal para divulgar as notícias boicotadas pela grande imprensa, para falar do Brasil que avança e para confrontar as opiniões da grande imprensa, sempre pessimistas e sempre no intuito de criar um clima contrário aos interesses nacionais.

Criar um jornal, para divulgar as verdades sobre o Brasil, é urgente e absolutamente fundamental. E é algo perfeitamente exequível. Sabendo-se que, ao contrário do que é usualmente  praticado pelos jornalões, ter opinião não significa ter de boicotar os fatos, ou seja, é possível fazer o bom jornalismo e ter opinião.

No mais, para finalizar, reitero que as esquerdas brasileiras tem o dever de manter o poder, pelo menos até que a Democracia seja realmente estabelecida entre nós.

O belo símbolo dos míticos 40 anos da travessia do deserto pelo povo hebreu, até chegar à terra prometida, tem que ser lembrado. Os míticos 40 anos foram para que uma nova geração chegasse à terra prometida.

Portanto, é preciso manter o poder, até que se forme uma nova geração e até que a Democracia chegue a todas as instituições brasileiras, ou seja, até que os filhos dos pobres possam se ombrear aos filhos das elites.

Por tudo isso é que, neste momento, é indispensável ter viva a bandeira do povão, aquele que iniciou a travessia de uma sociedade profundamente desigual para uma sociedade participativa: o imortal Presidente Lula.

Celso José de Brum é ex- professor de Sociologia e Estudo dos Problemas Brasileiros, da Unitau

O texto foi recebido por e-mail

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Guerra contra a democracia

Como os Estados Unidos, em nome da "democracia" e da “liberdade”, há cinquenta anos têm financiado, estruturado, arquitetado e apoiado golpes de Estado em toda a América Latina, além de assassinar e torturar seus inimigos.
O documentário de John Pilger (abaixo) mostra ainda os detalhes do golpe contra Chávez em 2002, quando mataram e feriram centenas para culpar o Presidente, e então, torná-lo prisioneiro dos golpistas que diziam que ele renunciara. O golpe durou 24 horas, até que o povo foi às ruas e libertou o Presidente eleito.
Países que agem contra os interesses do Império são direta ou indiretamente ameaçados.
Na Venezuela o golpe contou, para sua orquestração, do papel chave da mídia representante da elite. Um bom exemplo para pensarmos o papel dos meios de comunicação no Brasil, em especial o da Globo que, aliás, odeia o Chavez, sem falar do Lula.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A frágil imagem do competente e preparado

clip_image001Ao fazer a campanha, encontrei uma conhecida que me contou que votaria no Serra porque ele é mais competente e preparado. Expus alguns argumentos que desconstroem essa imagem criada na sua propaganda e reforçada pela imprensa aliada, já há alguns anos. Na falta de tempo para conversar, pois ela estava com pressa, ela disse que ia pensar no que havia dito e me passou o facebook dela para que eu mandasse as informações que fundamentavam minha argumentação.

Os dados que passei para ela, resolvi publicar no Politikei e aproveitar o final da campanha. Pesquisei alguns dos milhares de artigos que publiquei nos meus blogs desde 2010 que pudessem resumir como a imagem de Serra é uma criação de marketing frágil se submetida a pequenas análises.

O caso das enchentes do Rio Tietê no final do governo Serra deixam claro o que quero dizer. O descaso de Serra com a obra herdada de seu antecessor levou São Paulo àquelas imensas enchentes no início de 2010. Lembro que Marta e Erundina eram crucificadas pela mídia quando chovia. Mas apesar das marginais totalmente alagadas por dias em 2010, a culpa segundo a imprensa era da chuva mesmo. Não contaram que Serra havia deixado de realizar a manutenção da obra de Alckmin por 3 anos, deixando metros e metros de terra sobre o leito do rio. Tanto que uma escavadeira caiu, mas não afundou como denunciou o jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog (aqui).

Esse favoritismo por Serra nos grandes meios de comunicação e por governos tucanos não é produto do acaso. O Blog Nas Retinas fez uma bela análise da distribuição das verbas de comunicação feita por Lula. A verba que era centralizada por FHC em poucas centenas de jornais, revistas, rádios e televisão da Região Sudeste, passou a ser distribuída para milhares de meios de comunicação de porte menor no Brasil inteiro, retirando receita de grandes corporações como Globo, Folha, Veja e Estadão que ganhavam muito com anúncios do governo. Os dados detalhados estão no blog (aqui).

Já, Serra, em São Paulo, assim como o faz Kassab, gasta milhões com a Revista Veja que costuma ser muito grata aos dois, oferecendo capas com destaque em momentos de eleição. Uma propaganda nada gratuita paga com dinheiro público como já publiquei em meu próprio blog (aqui).

Essa relação de Serra e do PSDB com essas empresas de comunicação permite blindagem dos acontecimentos reais de seus governos poupando-os de críticas e permitindo que a imagem da competência e preparo se estabeleça. O próprio Azenha que denunciou a história da escavadeira denunciou a lentidão com que a Folha de São Paulo publicou seis dias depois a notícia em ano que Serra concorria à Presidência (aqui).

Notícias aparecem na grande imprensa sem explicar razões como a Exame (também da Abril de Veja) que anuncia o corte de gastos de Alckmin após receber o governo de Serra e novos gastos com desassoreamento do rio (aqui).
São os blogs progressistas que fazem a releitura e a denúncia sobre as notícias. Alckmin teve de cortar gastos porque Serra deixou o Governo quebrado e o novo gasto com o desassoreamento foi resultado da incompetência ou inconsequência de Serra com as obras de prevenção de enchentes (aqui).

Mas a imagem de competência e preparo não se desmancham apenas em questões pontuais. A totalidade das políticas públicas em governos tucanos são temerárias e levaram à precarização da vida do cidadão. Altamiro Borges, jornalista, blogueiro e liderança no movimento de democratização dos meios de comunicação realizou excelente resgate de como o PSDB desmonta a saúde pública pela terceirização utilizando o sóbrio nome de OS´s (Organizações Sociais) para transferir dinheiro do SUS para o setor privado. A pilhagem do dinheiro público por esses meios pode acontecer sem nenhum controle social e o resultado tem sido a piora da saúde pública (aqui).

Privatização, terceirização, conveniamento e organizações sociais. São vários os nomes que os governos tucanos e seus postes utilizam para transferir dinheiro público para o setor privado. Na educação em São Paulo não foi diferente. Serra e Kassab se utilizaram das creches conveniadas para reduzir o número de alunos em toda a rede. De 2005 a 2012 a rede municipal de ensino passou a atender 268 mil alunos a menos. A rede que devia crescer encolheu. Todas as modalidades de ensino caíram, menos as creches que possuem 75% do atendimento conveniado e realizado por entidades que recebem a verba da prefeitura. Mesmo assim, nesse período a rede atende menos 18 mil crianças na educação infantil. Por isso as creches nunca diminuem a demanda. Não houve aumento de vagas na rede, mas transferências das vagas das EMEIs para as creches para facilitar o conveniamento e diminuir a pressão por vagas no Ministério Público. Mesmo assim, o atendimento foi reduzido e o acesso de crianças menores de 2 anos restringido, pois as creches priorizam o atendimento de crianças mais velhas cujo número por professor é maior. Com Serra e Kassab foi a primeira vez desde que o Censo Escolar passou a registrar os dados que a rede municipal encolheu. Os dados do Censo Escolar e do Portal da Prefeitura foram por mim analisados e publicados detalhadamente em meu blog (aqui).

Quando se fala em segurança pública, a coisa piora. O crescimento do PCC em São Paulo que começa a partir das cadeias coincide com a diminuição dos homicídios. Isso porque a venda de drogas passou a ser a grande fonte de renda para a manutenção do crime organizado. Assaltos com homicídios atraíam muito a ação policial e do governo, enquanto o governo não sofre a mesma pressão para o enfrentamento ao tráfico de drogas. Firma-se um pacto entre Estado e crime organizado, desestabilizado em 2006 com a saída de Alckmin para disputar a Presidência. Como afirma a repórter Fátima Souza, que escreveu o livro "PCC, a facção", em troca de exclusividade em entrevistas, o governo de São Paulo pede aos programas policiais não usem a palavra PCC. A entrevista com a escritora pode ser ouvida no blog do Azenha (aqui).

O assunto deixa o Alckmin bem nervoso, como ficou em 2006 quando questionado pela a tv americana NBC. Ele se retirou da entrevista quando questionado da ação policial desmedida em reação aos ataques do PCC, matando jovens na periferia pela simples suspeita. A reportagem pode ser vista no Youtube (aqui).

Em matéria de escrúpulos e ética, também a imagem de Serra é bem frágil, fora da grande mídia que o blinda. Ele é o personagem principal do Livro "A Privataria Tucana", resultado da investigação e rastreamento de documentos realizados pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Com dúzias de documentos obtidos em pesquisas nos cartórios, Amaury rastreia as fraudes nas privatizações comandadas por Serra na era FHC, o favorecimento de amigos, a saída de dinheiro para ser lavado no exterior e o retorno ao Brasil como investimentos. Envolvidos nas armações estão homens de confiança de Serra, parentes, ex-sócio, a filha e o genro. Quando soube que essa investigação iria virar um livro, em 2010 Serra gritava para a imprensa que era o PT investigando seus amigos e que era um "dossiê". A mídia o ajudou bastante a elaborar teses que camuflavam a realidade. O livro lançado em 2011 virou best-seller, mas foi ignorado pela grande imprensa. Um resumo em vídeo passou a circular na internet para romper o bloqueio corporativo (aqui).

A imagem de Serra que vai se desvanecendo aos poucos é um produto de má qualidade por sua própria natureza. Não resiste aos fatos. Nem a mídia a sustenta mais e ninguém defende o voto em Serra, preferindo ocultar ou fazer ataques a seus adversários.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O Rei do Terror

Eu disse que ia ficar pior (leia A baixaria desce a Serra!).

A estratégia não é novidade. No Brasil pós ditadura militar, ainda ingênuo, era comum ouvir pessoas dizendo que tinham medo de votar no Lula e no PT porque não queriam ter de dividir a casa com outra família. O boato sobre esse suposto método “socialista” de resolver o problema habitacional era espalhado pelas forças da direita.

Mesmo naquela época parecia uma estratégia boba, mas em um país que perdera a experiência democrática por tantos anos, funcionava. Porém, hoje, segunda década do segundo milênio cristão, como explicar um candidato que se diz experiente (ao menos em eleições, deveria ser)legitimando como estratégia de marketing o convencimento do eleitor em não votar em alguém por medo. O medo costuma ser a ferramenta dos autoritários e dos terroristas, para manter ou para enfrentar o poder. O medo é o sentimento mais primitivo. Compartilhamos com os répteis a mesma estrutura no cérebro que dispara reações de fuga ou ataque em nós ou nos crocodilos. Evoluímos e desenvolvemos áreas no córtex que nos permitem a racionalidade que nenhum outro mamífera possui. Por sua ancestralidade e por questões de preservação, o medo é capaz de frear a razão. Por ser mais simples e necessário ele é disparado antes que pensemos. Por isso as fobias e a inutilidade de sabermos que um filme de terror é apenas um filme. Mas a razão pode curar fobias, e assistir um filme duas ou mais vezes dissipa o medo.
Segundo a previsão feita em 2010 pelo profeta do apocalipse, José Serra, o Brasil ia acabar em 2012 se Dilma fosse eleita, e ele, o Salvador.
Mas como explicar a estratégia de Serra em 2010 contra Dilma? Ele foi capaz de distribuir um vídeo há uma semana do segundo turno daquele ano que previa um futuro apocalíptico para o país caso a guerrilheira Dilma fosse eleita. Como na sua propaganda da tv, ele poupava Lula, por mero oportunismo, como lhe é peculiar. Quem tiver a paciência de assistir, vai ver o quanto o material soa ridículo, apesar de bem produzido. Talvez tenha surtido efeito em algumas pessoas naquela época em que a grande mídia ostentava maior poder ao auxiliar seu candidato. Hoje é só isso: ridículo.
Mais terror se Dilma fosse eleita
Da mesma forma, ridículos foram os ataques finais da campanha oficial do Mestre do Terror. O vídeo ao lado, com ícones criados pela Revista Veja, amiga de Serra e do Cachoeira, mostrava como Dilma e o PT iam acabar com o Brasil. Segundo os marqueteiros de Serra, era Lula que impedia o PT de acabar com o país, mas com Dilma não ia dar mais para segurar os petistas. Aliás, ela ia trazer os mensaleiros cassados de volta.
 

A mídia fazia campanha para Serra que usava seus ícones na Campanha
 
Hoje parecem ridículos os argumentos de Serra em 2010, já que o país continua em crescimento, bem avaliado no exterior, Dilma bem avaliada no país e o Governo Federal não interferiu no STF e na Procuradoria Geral da República como fazia FHC (leia a matéria de Paulo Henrique Amorim: “Os juízes do Lula e da Dilma. Por que votam contra eles?”).
Então, como Serra permanece com as mesmas estratégias?
A primeira tese, a do simples desespero, poderia explicar. Mas por quê a insistência em um formato de campanha que não tem surtido outro resultado que não o reverso do esperado?
Como seria a propaganda de Serra com cenas reais?
A segunda hipótese é a da fragilidade de sua plataforma. Serra há muito tempo não convence mais ninguém. Sua competência foi desmascarada por sua passagem no Estado e na Prefeitura e a sua propaganda parece mostrar outra cidade muito diferente de São Paulo. A desaprovação de Kassab desmonta qualquer argumento de quem queira dar continuidade.
Talvez não existisse mais nada a Serra que não atacar, atacar e atacar. Mas como os ataques parecem  aumentar sua rejeição, seria burrice?
Saul Leblon na Carta Maior (Serra está entregue às togas) busca explicar também o esgotamento do repertório do tucano e descreve que a soberba é o seu ponto forte, pelo menosprezo que destinou à importância de uma plataforma consistente para concorrer em SP. O raciocínio político tosco seria outro traço que os próprios amigos da Unicamp creditam a ele.
Agora, FHC está incomodado e já questionou o “conservadorismo” de Serra. De tão soberbo, Serra é o grande responsável pela falta de oxigenação do PSDB, tão necessária e sabiamente percebida por Lula ao preferir Dilma e Haddad a antigas lideranças nas disputas de 2010 e 2012.
Mas, eu acrescentaria que Serra além de soberbo, é incapaz de compreender os eleitores no momento da eleição e os cidadãos depois de eleito ou de derrotado. Serra acostumou-se com certo público cativo de São Paulo que tem garantido votos a si e a outros tucanos e associados, por mais lastimável que estivesse o país, o Estado ou o município sob suas administrações na última década.
Essa parcela da população sequer defende o indefensável voto em Serra. Opta por adotar o estilo de seu candidato, atacando adversários com chavões marqueteiros ou midiáticos do momento, por mais inverossímeis que sejam. Muitos nem admitem o voto em Serra e se dizem apartidários apesar da fidelidade. Será a opção desse conjunto de cidadãos por Serra baseada nesse medo ingênuo do PT. Medo, sim. Ingênuo, não. O medo não está em um Brasil apocalíptico, pois já viram que não aconteceu. Muito pelo contrário.
Seu medo do PT também não está baseado, como afirmam, na defesa de um país sem corrupção, pois essas pessoas não são ingênuas. Sabem quem são Serra, Kassab e as figuras do PSDB, DEM ou PSD. Sabem que seus candidatos não são alternativas éticas.
O medo real e que os move é o da mudança e do rompimento. Cresceram em um país que lhes garantiu privilégios na medida que suas conquistas pessoais se deram em um sistema absurdamente desigual. Ignoram completamente as condições sócio-históricas e atribuem suas conquistas a méritos próprios. Distribuição de renda, programas assistenciais, urbanização de favelas, reforma agrária, cotas nas universidades são termos, esses sim que trazem o medo. Pânico que se concretiza na visão da classe C com seus hábitos próprios, comprando carros, frequentando praias, shoppings e aeroportos. Pobres morando na região central. O filho da empregada fazendo universidade e ela cobrando cada vez mais caro para trabalhar. Como será o mundo de seus filhos, pensam eles. Quem sobrará para limpar os banheiros? Esses são os verdadeiros medos.
Mas como o país há séculos se constituiu para poucos, aqueles não são a maioria. Ainda assim, Serra insiste no mesmo discurso de medo para todos, pois subestima os eleitores de quem quer tirar os votos, como despreza o cidadão para quem deveria governar. Serra não percebe que o medo passou e que a Globo, a Folha, a Veja já não tem o mesmo poder, a não ser o de reforçar e alimentar o discurso de seus cativos, uma minoria. Serra não enxerga que esse discurso do terror não se fundamenta. Lula e o PT, e agora também Dilma, começam a se consolidar a cada eleição, não como as representações e estereótipos construídos pela grande mídia e pelos partidos de direita, mas como representantes de um grande projeto de inclusão social e econômica e de políticas sociais para garantias de direitos básicos. Como diz o título dado por Paulo Henrique Amorim, em seu blog, ao artigo de André Singer na Folha sobre o alinhamento do voto dos mais pobres com os candidatos lulistas, “o pobre não é bobo”. Começam a diferenciar a cada pleito, as diferenças entre dois projetos que se acumulam na experiência eleitoral e na vida do cidadão. Então, apostar no medo como estratégia, não é só inócuo, mas um amplificador da rejeição a Serra. Mas assim como a grande mídia, Serra não enxerga quem é esse eleitor, o subestima e o trata como idiota. Se é para ter medo de alguma coisa, é do próprio Serra, um coronel que deita-se com o povo apenas quando lhe quer usar.

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

A baixaria desce a Serra!

Ficha falsa publicada pela Folha dizia “Terrorista/Assaltante de Banco”
Pensei inicialmente em tratar o título acima como uma interrogação. Mas as diversas notícias que já li hoje, não me deixaram dúvidas quanto ao que exclamei. Vai ter baixaria mesmo, montada pela equipe de trucagens de José Serra, e pelo próprio candidato, assim como fez em 2010 contra Dilma. Virei madrugadas desfazendo mentiras e terrorismos eleitorais, naquele ano em que iniciei a atividade paralela de blogueiro e que ingressei na luta pela democratização dos meios de comunicação (oligarquizados por Globo, Veja, Folha e Estadão). Em 2010, para eleger Serra, a Folha publicou uma ficha falsa de Dilma para criar a imagem de terrorista. As redes sociais desmontaram a farsa e a foto de Dilma tirada pelo DOPS se transforme em ícone para a militância.
imageSegurança de Serra acertou bolinha de papel. Serra acusou os petistas.
A Globo tentou vender um ataque petista a Serra, mas foi desmascarada pela Internet que provou que era uma bolinha de papel, e pior, jogada pelo próprio segurança do candidato.
A Veja lançou capas e capas aos sábados contra o governo Lula e o ministério de Dilma para dar o que falar no Jornal Nacional e nas edições de segunda a sexta de Folha e Estadão. Algumas capas da revista, como descobriu a polícia federal, eram encomendadas pelo Cachoeira.
Além da máfia midiática, Serra se usou do que há de mais conservador, moralista, fascista e reacionário nos espaços religiosos. Dos porões de igrejas, com padres ressurgidos da Santa Inquisição, saíram panfletos condenando Dilma que se Presidente faria a liberação do aborto. Como se a discussão, caso acontecesse mesmo, não passasse por um debate nacional. A própria mulher de Serra saiu às ruas para dizer aos eleitores que “Dilma iria matar criancinhas!”. A palhaçada só acabou quando uma ex-aluna de Mônica Serra revelou que a hipócrita professora universitária confidenciara aos alunos o aborto que fizera no Chile. Lá pode?
Folha publica a história do aborto de Monica Serra dias após a divulgação na internet. Na época Serra distribuía santinhos com a sua cara e assinatura em baixo dos dizeres “Jesus é a verdade e a justiça.”
A mesma linha de perseguição moral e religiosa foi lançada contra os homossexuais com as relações entre Serra e algumas igrejas evangélicas. Serra disseminou ódio e, naquele ano, aumentaram os casos de ataque a homossexuais, especialmente na cidade de São
Ataques homofóbicos na Paulista. A campanha eleitoral de 2010 promoveu intolerância
Paulo. A onda de e-mails com ódio religioso, puxou votos de Dilma para Marina, permitindo um segundo turno e chance para Serra.
A coligação de Dilma reagiu tarde, mas reagiu no início do 2º turno. Cadê o Paulo Preto? Dilma jogou no colo de Serra, durante o primeiro debate, o nome do correligionário e amigo do adversário, ligado ao escândalo da DERSA  ocorrido na administração serrista no Estado de São Paulo. Para não responder, Serra fingiu que não o conhecia, para no dia seguinte explicar que não o identificou pelo apelido de Paulo Preto. Foi chumbo contra chumbo.
Serra atrás de Paulo Preto, de quem se esqueceu no debate
Dilma ganhou, mas ficou o ódio puxado por Serra e pelo conservadorismo dos seus aliados que repelem mudanças como a da ascensão das classes D e E para a classe C. Após as eleições, o rastro de Serra estava espalhado pela internet com ataques morais e preconceituosos a nordestinos.
Confesso que tive medo de ver o Brasil dividido, não somente pelas condições entre os que não querem perder privilégios e os que não têm direitos, mas pelo sentimento de ódio. Hoje com aprovação pessoal beirando os 80% e rejeição de apenas 7% ao seu governo, o medo só fica por conta novamente do clima eleitoral já que Serra é candidato. Isso porque o medo é outro sentimento que Serra gosta muito de apresentar às pessoas no lugar de propostas, já que se ele tivesse alguma, a teria implementado após ter passado por tantos cargos, ainda que não tenha permanecido em nenhum deles até o final.
 
imageA Polícia Federal apreendeu dinheiro da empresa de Roseana e do marido, e publicou as fotos em toda a grande imprensa. Do 2º lugar nas pesquisas, sua candidatura desabou. A operação Lunus aconteceu quando o amigo de Serra, Delegado Marcelo Itagiba (acusado de comandar milícias nos morros do Rio e suposta inspiração do “Tropa de Elite 2”) estava na PF para moer adversários de Serra. O caso foi arquivada um ano depois pelo STF, por falta de provas.
imageRegina Duarte tinha medo de que Lula acabasse com tudo o que FHC tinha feito. A esperança venceu o medo e virou realidade.
Seu estilo não deve mudar. Deve ser o mesmo estilo que adota desde 2002, quando usou a Polícia Federal para acabar com a candidatura de Roseana Sarney  que estava em segundo lugar nas pesquisas, à frente de Serra, e quando Regina Duarte tentou vender o seu medo de Lula. A Folha e Veja devem publicar matérias contra Haddad que poderiam ter sido publicadas há um ano, mas que ficaram guardadas ou serão requentadas somente agora para não dar tempo para que sejam esclarecidas. A Globo vai continuar explorando a vaidade dos ministros do STF. Do Estadão não sabemos se haverá novo editorial em apoio a José Serra ou se será velado. As igrejas vão imprimir textos apócrifos para convencer fiéis e desavisados que Haddad não é um “homem de Deus”.
Livro apresenta documentos para contar como as privatizações de FHC geraram o maior processo de lavagem de dinheiro da história do país, protagonizado por sócios, amigos e parentes de Serra. O livro foi um dos mais vendidos e concorre ao Prêmio Jabuti, mas a grande mídia o esconde.
Vai ser assim nossa luta nas próximas duas semanas. Faço esse texto como uma espécie de vacina e alerta contra o que vem por aí. Além de debater propostas para uma cidade melhor do que esta, deixada por Serra e Kassab, vamos ter que ir da defesa para o ataque em vários momentos. Relembrar do Paulo Preto, da Privataria Tucana. Do dinheiro das privatizações das telecomunicações que foi lavado por obra e em favorecimento de amigos e parentes de José Serra. Do mensalão tucano que originou o segundo e que está na gaveta do STF e fora da pauta da grande mídia desde 1998. Enquanto não democratizarmos as comunicações de forma a diminuir o poder e o oligopólio dessas famílias que por décadas manipulam a informação, e garantir pelo controle social o direito de resposta das múltiplas forças políticas que compõem nossa sociedade, a batalha ficará por nossa conta, militância presente, seja nas redes sociais, seja nas ruas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Bolinha de papel, outra vez?


Produção Global: gravata desarrumada, suor de glicerina para parecer com o “povo” e pastas vazias para acusar Lula. Para o Diretor da tv, Boni foi apenas uma questão de tornar as coisa menos “desiguais”.

Temos de ficar atentos! Como alerta o Blog PAG2: “Evento tucano coincide com caminhada petista. Medo é uma redição do ataque da bolinha de papel”
Essa sexta é o último dia para propaganda paga.
Ficam os candidatos à mercê da grande imprensa, como ficou Lula em 1989, quando a Globo fez no Jornal Nacional a sua versão pró-Collor do debate, como denunciou o documentário feito pela BBC de Londres, mas proibido no Brasil desde a estreia, em 1993, por decisão judicial. O documentário “Muito Além do Cidadão Kane” (clique aqui para ver na íntegra) conta quem era Roberto Marinho e como construiu seu império nas relações com o governo militar e suas primeiras intervenções nos primeiros anos da redemocratização. A produção inglesa demonstrou como cortes e manipulações na edição pelo Jornal Nacional do último debate entre Lula e Collor influenciaram a eleição de 1989 para eleger o candidato criado por ela (veja o trecho do documentário aqui). Também contribuiu a armação da imprensa, incluindo a Globo, é claro para associar o PT ao sequestro do Empresário Abílio Diniz. O desmentido só foi publicado depois de color eleito (leia mais na Rede Brasil Atual)
Com o crime prescrito, o ex Capo da Globo, Boni, confessou em 2011, 22 anos depois, que a manipulação se iniciou já na produção do debate, realizado pela Globo. Boni conta que a briga entre Lula e Collor nos últimos debates tinha sido muito “desigual”, pois o primeira era o “povo” e o segundo a “autoridade”. Para promover a justiça, Boni conta como a produção do debate tirou a gravata de Collor, colocou glicerina na testa do candidato para parecer suor e encheu a mesa de pastas vazias com supostas denúncias contra Lula (quem ainda não viu e não acredita, assista aqui).
Esse tipo de manipulação grosseira fica mais difícil de se praticar hoje em dia. Mas eles sempre inovam. Em 2010, Serra armou a história da bolinha de papel para criar um fato político e a Globo deu toda a sustentação. Desmascarada pela internet, a Toda Poderosa ainda forçou a barra com o perito Molina para provar a sua versão pró-Serra. Não vingou, ficou mais chato ainda. Mais vídeos demonstravam que quem jogou a bolinha de papel na cabeça do Serra foi um dos seus seguranças. Se alguém duvida, eu mesmo fiz meu vídeo comprovando (veja abaixo).
O blog PAG2 acendeu a luz vermelha, informando o encontro de tucanos e petistas na manhã dessa sexta a partir das 11 horas. “Serra e seu vice, Schneider, fazem mobilização em frente ao teatro municipal e iniciam uma caminhada pelo centro. Ao meio dia é a vez de Haddad. A tradicional caminhada da vitória, feita pelo PT desde sua fundação, começa na Praça da República, ao lado do evento de Serra.
A caminhada de amanhã terá a participação de Lula e pode ser a bala de prata da campanha tucana. Militantes estão preocupados com possíveis agressões por parte das duas militâncias. Na eleição passado, Serra simulou ter recebido um golpe de um objeto pesado durante caminhada no RJ.
Dirigentes petistas ouvidos agora à noite pedem calma e sangue frio. Câmeras e celulares podem ser úteis na hora descobri culpados pela baderna.

A militância e os eleitores devem ficar atentos, pois realmente pode haver nova armação de última hora, não havendo tempo de desmentidos. A vantagem é que a internet consegue fazer a resistência contra essas máfias midiáticas. Mas canja de galinha não faz mal a ninguém.


 

O blog

domingo, 12 de agosto de 2012

O Triste fim de Policarpo

Por Leandro Fortes na CartaCapital

Na CartaCapital dessa semana há uma história dentro de uma história. A história da capa é o desfecho de uma tragédia jornalística anunciada desde que a Editora Abril decidiu, após a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002, que a revista Veja seria transformada num panfleto ideológico da extrema-direita brasileira. Abandonado o jornalismo, sobreveio a dedicação quase que exclusiva ao banditismo e ao exercício semanal de desonestidade intelectual. O resultado é o que se lê, agora, em CartaCapital: Veja era um dos pilares do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira. O outro era o ex-senador Demóstenes Torres, do DEM de Goiás. Sem a semanal da Abril, não haveria Cachoeira. Sem Cachoeira, não haveria essa formidável máquina de assassinar reputações recheada de publicidade, inclusive oficial.


Capa da edição de número 710 de CartaCapital

A outra história é a de um jornalista, Policarpo Jr., que abandonou uma carreira de bom repórter para se subordinar ao que talvez tenha imaginado ser uma carreira brilhante na empresa onde foi praticamente criado. Ao se subordinar a Carlinhos Cachoeira, muitas vezes de forma incompreensível para um profissional de larga experiência, Policarpo criou na sucursal da Veja, em Brasília, um núcleo experimental do que pior se pode fazer no jornalismo. Em certo momento, instigou um jovem repórter, um garoto de apenas 23 anos, a invadir o quarto do ex-ministro José Dirceu, no Hotel Nahoum, na capital federal. Esse ato de irresponsabilidade e vandalismo, ainda obscuro no campo das intenções, foi a primeira exalação de mau cheiro desse esgoto transformado em rotina, perceptível até mesmo para quem, em nome das próprias convicções políticas, mantém-se fiel à Veja, como quem se agarra a um tronco podre na esperança de não naufragar.

A compilação e análise dos dados produzidos pela Polícia Federal em duas operações – Vegas, em 2009, e Monte Carlos, em 2012 – demonstram, agora, a seriedade dessa autodesconstrução midiática centrada na Veja, mas seguida em muitos níveis pelo resto da chamada “grande” imprensa brasileira, notadamente as Organizações Globo, Folha de S.Paulo, O Estado de S.Paulo e alguns substratos regionais de menor monta. Ao se colocar, veladamente, como grupo de ação partidária de oposição, esse setor da mídia contaminou a própria estrutura de produção de notícias, gerou uma miríade de colunistas-papagaios, a repetir as frases que lhes são sopradas dos aquários das redações, e talvez tenha provocado um dano geracional de longo prazo, a consequência mais triste: o péssimo exemplo aos novos repórteres de que jornalismo é um vale tudo, a arte da bajulação calculada, um ofício servil e de remuneração vinculada aos interesses do patrão.

A Operação Vegas, vale lembrar, foi escondida pelo procurador-geral da República Roberto Gurgel, este mesmo que por ora acusa mensaleiros no STF com base em uma denúncia basicamente moldada sobre os clichês da mídia, em especial, desta Veja sobre a qual sabemos, agora, que tipo de fontes frequentava. Na Vegas, a PF havia detecdado não somente a participação de Demóstenes Torres na quadrilha, mas também de Policarpo Jr. e da Veja. Essa informação abre uma nova perspectiva a ser explorada pela CPI do Cachoeira, resta saber se vai haver coragem para tal.

Há três meses, representantes das Organizações Globo e da Editora Abril fecharam um sórdido armistício com Michel Temer, vice-presidente da República e cacique-mor do PMDB. Pelo acordo, o noticiário daria um descanso para Dilma Rousseff em troca de jamais, em hipótese alguma, a CPI do Cachoeira convocar Policarpo Jr., ou gente maior, como Roberto Civita, dono  da Abril. A fachada para essa negociata foi, como de costume, as bandeiras das liberdades de imprensa e de expressão, dois conceitos deliberadamente manipulados pela mídia para que não se compreenda nem um nem outro.

No dia 14 de agosto, terça-feira que vem, o deputado Dr. Rosinha irá ao plenário da CPI apresentar um requerimento de convocação do jornalista Policarpo Jr.. É possível, no mundo irrreal criado pela mídia e onde vivem nossos piores parlamentares, que o requerimento caia, justamente por conta do bloqueio do PMDB e dos votos dessa oposição undenista sem qualquer compromisso com a moral nem o interesse público.

Será uma chance de ouro de todos nós percebermos, enfim, quem é quem naquela comissão.

O Triste fim de Policarpo - Carta Capital

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Globotrix

Hoje vi o máximo que suportei do Jornal Nacional repercutindo as mentiras da Veja como fizeram nas tentativas de golpe e de virar as eleições. Meu estômago chegou ao limite e mudei o canal para não ouvir o novo contratado da Globo no lugar de Demóstenes, o plastificado Senador Alvaro Dias. Há alguns minutos li o que Azenha escreveu sobre esse mundo paralelo e ficcional em que vivem ainda muitos brasileiros que leem o mundo a partir da tela da Globo e das páginas da Veja - http://www.viomundo.com.br/humor/vai-a-pilula-vermelha-ou-a-azul.html
Então me lembrei desse vídeo que talvez não faça sentido para quem não assistiu Matrix.
Nesse simulacro de realidade imposto pela caixinha de elétrons, LCD ou LED, Gilmar Mendes é apenas um Ministro do Supremo, e não um aliado de Cachoeira, do banqueiro Daniel Dantas, do Demóstenes Dias Contados e da Veja. Pela desnotícia, seu público escravizado jamais saberá que querem salvar Gilmar, salvar a Veja e assim, não chegar na grande imprensa, e, por fim, na Globo e acabar com a Matrix. Como se não houvesse internet e outros meios de informação desplugando as nucas dos Homers Simpsons. É o desespero. É a casa caindo. E eles vão para o tudo ou nada. Vão resistir até o final. Enquanto isso, cada vez mais pessoas escolhem a pílula vermelha... e acordam.

domingo, 27 de maio de 2012

A maior ameaça ao Supremo

Luis Nassif

imagePara se expor dessa maneira, só há uma explicação para a atitude do Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal): tem culpa no cartório.
Gilmar participou de duas armações anteriores com a revista Veja: o “grampo sem áudio” (junto com seu amigo Demóstenes Torres) e o falso grampo no Supremo.
No primeiro caso, pode ter participado sem saber. No segundo foi partícipe direto.
Como se recorda, a revista abriu capa com a informação de que havia sido detectada escuta em uma das salas do Supremo. Serviu para uma enorme matéria sobre a “república do grampo” e para a prorrogação da CPI. Tudo com o objetivo de derrubar a Operação Satiagraha.
Era falso. O relatório da segurança do Supremo – entregue à revista por pessoas ligadas à presidência do órgão – não indicava nada.
Era um relatório banal, que havia captado alguns sinais de fora para dentro. Entregue à CPI, o relatório foi publicado aqui e em pouco tempo engenheiros eletrônicos desmontaram a farsa: como é possível um grampo que capta sinais de fora para dentro? Era isso o que o relatório indicava. O mais provável é que fosse um mero sinal de alguma externa de emissora de televisão. E Gilmar-Veja conseguiram, com essa armação, prorrogar uma CPI!
Nenhum especialista em grampo cairia nessa confusão. Gilmar ou seus homens apenas seguiram o roteiro tradicional da revista para criar escândalo: uma verdade irrelevante (a captação de sinais de fora para dentro), a ocultação do fato relevante (sinais de fora para dentro não têm nenhum significado) e, pronto!, mais um escândalo fabricado - impossível de ser desmentido, já que o acordo com a velha mídia colocava uma barreira de silêncio a todos os abusos da revista.
Àquela altura, Veja mostrava seu enorme despreparo para entender as novas mídias. Não se deu conta de que a blogosfera tinha se convertido em uma alternativa eficaz contra pactos de silêncio. E a denúncia da armação foi difundida.
Agora, com as redes sociais em plena efervescência, com os métodos da revista sendo progressivamente questionados, tenta-se essa jogada, que lança Gilmar Mendes no centro do vulcão.
O que o levou a essa provável armação é óbvio: medo da CPI. Pela matéria da revista, fica-se sabendo que o fato que o ameaça teria sido uma suposta viagem à Alemanha bancada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Na matéria, Gilmar desmente, afirma que vai para a Alemanha como Lula vai a São Bernardo. E diz ter condições de comprovar que pagou as despesas. Que mostre, então (a revista não mostra os comprovantes).
Tem mais.
Até hoje não deu as explicações devidas pelo factóide do tal grampo no Supremo. Quem armou a jogada? Foi o chefe de segurança que contratou e que era especialista em grampos? Foi seu chefe de gabinete? Foi o assessor de comunicação do Supremo?
No dia 30 de abril de 2011, o Estadão divulgou nota informando que Gilmar Mendes contratara, para o STF, o araponga Jairo, homem de confiança de Cachoeira.
Aliás, o próprio Supremo – não fosse o corporativismo rançoso – há muito deveria ter cobrado explicações de seu então presidente. Os mais altos magistrados do país comportam-se como qualquer juiz que não quer julgar, “porque isso não é comigo”, ou procurador que testemunha uma grave ofensa a interesses difusos, mas não se julga responsável por atuar, por não ter sido provocado.
E é a imagem da Suprema Corte que está em jogo, da qual cada Ministro deveria se sentir responsável.
Com seu açodamento, falta de limites e de respeito pela casa, nunca houve Ministro do STF como Gilmar Mendes.
Talvez apenas Saulo Ramos conseguisse superá-lo -  caso tivesse sido indicado por José Sarney.

A maior ameaça ao Supremo - Brasilianas.Org

sábado, 28 de abril de 2012

O desmonte da máfia midiática

Nesta semana vi no Jornal Nacional a matéria que citava a denúncia do site 247 sobre os depósitos milionários na conta do Senador do DEM, Demóstenes Torres nas suas relações espúrias com o bicheiro Cachoeira. Naturalmente, a Globo sempre poupa sua parceira de sacanagens editoriais, a revista Veja que foi pautado esses anos todos pela bandidagem, como tem descoberto a Polícia Federal. A Globo deu o mesmo destaque tanto para os milhões de Demóstenes quanto para procurar, de alguma forma, provar que Agnelo, Governador do DF pelo PT, conhecia Cachoeira. Isso mesmo. A barbeiragem editorial tratou com o mesmo peso a relação criminosa entre um Senador e um bandido, e a informação quanto a um governador petista conhecer ou não o bicheiro amigo da Veja.
O primeiro sinal da decadência desse tipo de jornalismo começa a se delinear quando o JN é obrigado a se pautar por um site de notícias. Mas a derrocada começa de fato, quando as mãos grandes desses barões da comunicação não conseguem mais esconder suas próprias sujeiras, também por causa da internet. A notícia abaixo começa a dar sentido para as tentativas de incriminação de Agnelo. Demóstenes, Cachoeira e Veja tentaram derrubar Agnelo por ser um obstáculo às tentativas de enfiar a Construtora Delta no Governo do Distrito Federal. A Construtora é pivô nos esquemas do bicheiro e do Senador racista que disputava o trono da moralidade, coroado pela Globo e pela Veja. Isso antes da casa cair.

Demóstenes, com Dadá e PJ, tentou derrubar Agnelo
Brasil 247

Demóstenes, com Dadá e PJ, tentou derrubar AgneloFoto: Divulgação

NOVOS DIÁLOGOS DO INQUÉRITO MONTE CARLO REVELAM AÇÃO COORDENADA DO SENADOR GOIANO PARA PRESSIONAR O GOVERNO DO DISTRITO FEDERAL A AGIR EM DEFESA DOS INTERESSES DA EMPREITEIRA DELTA; CASO CONTRÁRIO, HAVERIA MAIS DENÚNCIAS NA VEJA PARA PROVOCAR UM IMPEACHMENT; PJ É POLICARPO JÚNIOR

28 de Abril de 2012 às 22:53

247 – Graças ao trabalho do jornalista Luiz Carlos Azenha, do blog Viomundo, novas peças do quebra-cabeças da Operação Monte Carlo começam a se encaixar.

A partir de diálogos do inquérito vazado pelo 247, Azenha garimpou informações relevantes para a compreensão da crise política no Distrito Federal.

Em 28 de janeiro deste ano, Veja publicou uma reportagem chamada “O PT na Caixa de Pandora”, apontando que o governador Agnelo Queiroz teria agido para derrubar o antecessor José Roberto Arruda.

Um dos personagens citados na reportagem era o senador Demóstenes Torres, que aparentemente pautava a sucursal brasiliense da revista Veja. Ouvido pela revista, o parlamentar goiano declarou que Agnelo teria agido de forma criminosa.

Os diálogos da Operação Monte Carlo, no entanto, revelam que Demóstenes não se pautava pela ética, mas sim pelos interesses comerciais da Construtora Delta.

Num dos grampos, de 30 de janeiro deste ano, Dadá comenta com um interlocutor identificado como Andrezinho que Demóstenes só sentaria com Agnelo para poupá-lo de novas denúncias na revista Veja se seus interesses (da Delta) fossem atendidos.

No mesmo dia, Dadá fala também com Carlinhos Cachoeira, que é explícito na pergunta: “Agora ele cai?” Ou seja: fica claro que o contraventor, sócio da Delta, trabalhou, em conluio com a revista Veja, pela queda do governador do Distrito Federal.

Depois disso, no mesmo dia, há um novo diálogo, entre Cachoeira e o diretor da Delta, Claudio Abreu. “Arrebentou, hein, o bicho arrebentou, hein”, diz Abreu. “Foi bom demais”, responde Cachoeira.

Antes de desligar, Abreu revela ter orientado o jornalista Policarpo Júnior, de Veja.

“Mas eu já tinha falado isso pro PJ lá: “PJ, vai nesse caminho”.

PJ é Policarpo Júnior.

Como diz Reinado Azevedo, Policarpo é f... Ele nunca vai ser nosso.

Clique aqui e leia a íntegra dos diálogos garimpados por Azenha.

sábado, 14 de abril de 2012

Investigar Cachoeira, uma ameaça à liberdade de expressão

Viomundo - por Luiz Carlos Azenha

Por dever de ofício, li o texto de capa de revista que tenta provar que investigar os crimes do Carlinhos Cachoeira, no Congresso, é um atentado à liberdade de expressão.

O que chamou minha atenção foi a frase abaixo, que interpretei como defesa do uso de fontes-bandidas:

Qualquer repórter iniciante sabe que maus cidadãos podem ser portadores de boas informações. As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido. A ética do jornalista não pode variar conforme a ética da fonte que está lhe dando informações. Isso é básico. Disso sabem os promotores que, valendo-se do mecanismo da delação premiada, obtêm informações valiosas de um criminoso, oferecendo-lhe em troca recompensas como o abrandamento da pena.

Registre-se, inicialmente, a tentativa dos autores de usar os promotores de Justiça como escada. Tentam sugerir ao leitor que o esforço da revista, ao dar espaço em suas páginas a fontes-bandidas, equivale ao dos promotores de Justiça.

Sonegam que existe uma diferença brutal: os promotores de Justiça usam a delação premiada para combater o crime. Os criminosos que optam pela delação premiada têm as penas reduzidas, mas não são perdoados. E a ação ajuda a combater um mal maior. Um resultado que pode ser quantificado. O peixe pequeno entregou o peixe grande. Ambos serão punidos.

O mesmo não se pode dizer da relação de um jornalista com uma fonte-bandida. Se um jornalista sabe que sua fonte é bandida, divulgar informações obtidas dela não significa, necessariamente, que algum crime maior será evitado. Parece-me justamente o contrário.

O raciocínio que qualquer jornalista faria, ao divulgar informações obtidas de uma fonte que ele sabe ser bandida, é: será que não estou ajudando este sujeito a aumentar seu poder, a ser um bandido ainda maior, a corromper muito mais?

Leiam de novo esta frase: As chances de um repórter obter informações verdadeiras sobre um ato de corrupção com quem participou dele são muito maiores do que com quem nunca esteve envolvido.

Não necessariamente. Ele não tem qualquer garantia de que as informações são verdadeiras se vieram de um corrupto. Que lógica é esta?

O policial que não estava lá mas gravou a conversa que se deu durante um ato de corrupção provavelmente vai fornecer uma versão muito mais honesta sobre a conversa do que os corruptos envolvidos nela.

O repórter que lida com alguém envolvido em um ato de corrupção sabe, antecipadamente e sem qualquer dúvida, que a informação passada por alguém que cometeu um ato de corrupção atende aos interesses de quem cometeu o ato de corrupção. Isso, sim, é claro, não que as informações sejam necessariamente verdadeiras.

O repórter sabe também que, se os leitores souberem que a informação vem de alguém que cometeu um ato de corrupção, imediatamente perde parte de sua credibilidade. Não é por acaso que Carlinhos Cachoeira, o bicheiro, se transformou em “empresário do ramo de jogos”.

É por saber que ele era um “mau cidadão” que a revista escondeu de seus leitores que usava informações vindas dele. Era uma fonte inconfessável.

Não foi por acaso que Rubnei Quicoli, o ex-presidiário, foi apresentado como “empresário” pela mídia corporativa quando atendia a determinados interesses políticos em plena campanha eleitoral. A mídia corporativa pode torturar a lógica, mas jamais vai confessar que atende a determinados interesses políticos.

Carlinhos Cachoeira não é, convenhamos, nenhum desconhecido no submundo do crime. Vamos admitir que um repórter seja usado por ele uma vez. Mas o que dizer de um repórter usado durante dez anos, por uma fonte que ele sabe ser bandida?

Sim, porque o texto, sem querer, é também uma confissão de culpa: admite que a revista se baseou em informações de um “mau cidadão”. Ora, se a revista sabia tratar-se de um “mau cidadão” e se acreditava envolvida em uma cruzada moral para “limpar a sociedade” de “maus cidadãos”, não teria a obrigação de denunciá-lo?

Concordo que jornalistas não têm obrigação de dar atestado de bons antecedentes a todas as suas fontes.

Mas onde fica a minha obrigação de transparência com meus leitores se divulgo seguidamente informações que sei serem provenientes de um “mau cidadão”? Qual é o limite para que eu seja considerado parceiro ou facilitador do “mau cidadão”?

Se imperar, a lógica da revista será muito conveniente para aqueles policiais presos por associação ao crime.

Tudo o que terão de dizer, diante do juiz: “Ajudei a quadrilha de assaltantes de bancos, sim, doutor, matando e prendendo os inimigos deles. Mas foi para evitar um mal maior, meritíssimo: uma quadrilha que era muito mais bandida”.

À CPI, pois.

Investigar Cachoeira, uma ameaça à liberdade de expressão - Viomundo - O que você não vê na mídi

Demóstenes continua a editar a Veja

Pig na mira da CPI

O Conversa Afiada reproduz comentário do amigo navegante Lenilton:

VEJA: QUEM ESTÁ ALIMENTANDO O PIG.
Nos últimos dias, o grande alimentador das matérias jornalísticas é o senador Demóstenes Torres. Ele, na condição de réu, passou a ter acesso às peças do inquérito Monte Carlo e, agora, vem vazando as informações que interessam a ele e a Cachoeira serem veiculadas pela imprensa amiga, do jeito que é conveniente a esta veicular. Todo circo montado pela Globo em torno dos telefonemas de Protógenes e em torno da Delta, visam unicamente a tirar Cachoeira, Demóstenes e Perillo do centro das discussões e chantagear os integrantes da CPI. Como na Itália, antes da operação Mãos Limpas, a imprensa brasileira tornou-se hoje um monstrengo em que o partidarismo político casou-se com a criminalidade. Ajudou a sepultar a Operação Satiagraha e a operação Castelo de Areia; fez de conta que não viu o livro Privataria tucana e, agora, quer sepultar a Operação Monte Carlo. Assim, protege os seus aliados políticos e seus aliados criminosos, que, são ao mesmo tempo suas fontes e seus patrocinadores.

Demóstenes continua a editar a Veja - Conversa Afiada

Demóstenes e a tragédia da Veja

Blog do Miro - Demóstenes e a tragédia da Veja:

A última edição da Veja é uma metáfora ilustrada ao ato do sujeito que diz, no fundo do elevador:

Por Rogério Tomaz Jr., no blog Conexão Brasília-Maranhão:

- Não fui eu!

O sorriso amarelo e o odor vindo da sua direção o denunciam flagrantemente, mas ele se apressa em negar o fato evidente.

O odor sulfuroso de Veja foi causado pela dupla não sertaneja Demóstenes e Policarpo.

Ao pinçar uma frase – nas mais de 300 horas de gravações – de uma conversa telefônica do contraventor Carlinhos Cachoeira em que este “isenta” o editor Policarpo Jr., a revista armou (e caiu n)uma arapuca para si mesma.

Disse Cachoeira: “o Policarpo nunca vai ser nosso”. O buraco era mais em cima, como explicou o Nassif.

O esforço desavergonhado para livrar a cara do seu repórter especial, responsável por inúmeros “furos” (no sentido jornalístico e no casco do navio que agora começa a virar) nos últimos anos, chama a atenção para a trama na qual está envolvida até os calcanhares (considerando que a revista está agora com a cabeça virada para o seu próprio esgoto).

Na Inglaterra, o jornalismo associado ao crime – de escutas ilegais e obstrução de investigações da Justiça, entre outros delitos – do principal jornal de Rupert Murdoch resultou em prisões e no fechamento do veículo, que funcionava desde 1843 e era o mais lido na terra da rainha.

Aqui, a maior revista em circulação semanal tinha praticamente como “editor especial” um contraventor que operava no submundo político em todos os níveis da República.

Carlinhos Cachoeira controla(va) agentes da Polícia Federal, dirigia o mandato do senador de maior “credibilidade” do País e nomeava secretários no governo tucano de Marconi Perillo em Goiás.

Pautar e editar a Veja era a tarefa menos complicada do “empresário do jogo”.

Vale lembrar, entretanto, que a “murdochização” da imprensa brasileira não é um processo que nasceu ontem, como lembra o Enio Squeff na Carta Maior.

Não sou especialista em Direito Penal, mas não é preciso muito conhecimento ou esforço intelectual para entender que alguém que presta serviços – no caso, “jornalísticos” – a uma associação criminosa, criminoso é, pois.

Daí o desespero da revista da família Civita em tentar tirar o seu Policarpo da reta. Esforço tardio.

Assim como é (novamente) tardia a operação do Democratas (mais conhecido como PFL, PDS ou Arena) para tentar mostrar uma imagem de partido sério e comprometido com o combate à corrupção. Não cola.

Afinal, quando o líder ACM Neto vai discursar na tribuna da Câmara para denunciar os “malfeitos” do seu avô e criador político, Antonio Carlos Magalhães, que disputava com Sarney o título de maior bajulador e beneficiário da ditadura militar que sufocou a democracia brasileira entre 1964 e 1985?

*****

Na História Antiga, Policarpo foi um bispo turco perseguido por Roma. Acabou morto a punhaladas, depois de sobreviver à fogueira. Será que o Policarpo brasileiro terá poderes semelhantes?

Demóstenes, o célebre orador grego, se vendeu a um ministro de Alexandre da Macedônia, quando a Grécia estava sob o domínio deste, o que configurava uma traição da pátria. Após idas e vindas naquele conturbado período, Demóstenes, acuado, suicidou-se com veneno. Como terminará o Demóstenes goiano?

Um velho ditado português diz que os ratos são os primeiros a abandonar o navio em apuros. Neste caso, já há várias ratazanas procurando a saída.

PS: Quando a Veja vai atualizar o expediente e acrescentar o Carlinhos Cachoeira como editor especial?

Altamiro Borges- Demóstenes e a tragédia da Veja

segunda-feira, 9 de abril de 2012

TV Record melou o mensalão. CPI tem que ouvir o Ernani

O programa Domingo Espetacular exibiu uma entrevista que este ansioso blogueiro fez com o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula.
Ernani fez importantes revelações:
- Foi Carlinhos Cachoeira quem mandou filmar o ato de suborno nos Correios que deu origem à crise do “mensalão” (que, segundo Mino Carta, ainda está por provar-se);
- Que quem contou isso a Ernani foi o Carlinhos, que chegou a descrever o tipo de câmera usou na operação clandestina;
- Carlinhos mandou gravar para vingar Demóstenes, porque José Dirceu, chefe da Casa Civil do Governo Lula, impediu que Demóstenes assumisse o cargo de Secretário Nacional de Justiça, o que equivale a vice-Ministro da Justiça;
- Que, como Demóstenes, ele, Ernani, tinha um rádio Nextel para receber mensagens seguras;
- Que viu um repórter da Veja na empresa de genéricos de Cachoeira em Anápolis;
- Que o vídeo de Valdomiro Diniz com Cachoeira tinha o mesmo objetivo: incriminar Dirceu, chefe da Casa Civil.
- Cachoeira entregou o vídeo à Veja dois anos depois, quando Diniz trabalhava com Dirceu.

[Portal Politikei – assista o vídeo no final do Post]

A reportagem do Domingo Espetacular, difundida em rede nacional de tevê aberta – a segunda rede de maior audiência do país – foi o ponto de partida de um post aqui neste ansioso blog já divulgado, em mais detalhes:
Cachoeira filmou corrupção nos Correios para vingar Demóstenes
As imagens em que um diretor dos Correios, Mauricio Marinho, guarda uma propina de R$ 3 mil – divulgadas na Veja e reproduzidas no jornal nacional – foram o início da crise política que resultou na queda do Chefe da Casa Civil do Governo Lula, José Dirceu.
O então presidente do PTB, Roberto Jefferson, que controlava os Correios, considerou que o Governo não o protegeu e ao partido de forma adequada, e deu uma entrevista à Folha (*) em que, pela primeira vez, usou a palavra “mensalão”, associada a Dirceu.
Quem mandou fazer a fita foi Carlinhos Cachoeira, para vingar Demóstenes Torres.
Quem faz essa acusação é Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, que foi derrubado da Prefeitura numa operação de grampos desaparecidos, como os que parecem ter a marca de Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres.
Cachoeira foi preso na Operação Monte Carlo, da Polícia Federal.
Ernani de Paula foi casada com uma suplente de Demóstenes.
Ela assumiria o lugar dele no Senado, se Demostenes saísse do PFL, entrasse no PMDB, e assumisse, como combinado, o  cargo de Secretário Nacional de Justiça, uma espécie de vice-Ministro da Justiça.
Demóstenes não foi nomeado e acredita que Dirceu foi quem vetou o nome dele.
Este ansioso blogueiro entrevistou Ernani de Paula esta semana.
Ele fala deste vídeo e do outro, que deu início ao enfraquecimento de Dirceu: aquele em que Valdomiro Diniz, então funcionário da Loteria do Rio, pede dinheiro a Cachoeira.
O vídeo foi exibido dois anos depois, quando Diniz trabahava com Dirceu.
Ernani de Paula fala também de seu amigo de infância em Mogi das Cruzes, São Paulo, Valdemar da Costa Neto.
Valdemar era do PR, partido de José Alencar, candidato a vice de Lula.
Atingir Valdemar passou a ser um dos objetivos – segundo Ernani –, porque era uma forma de atingir Alencar, Lula e Dirceu, que particiou de reuniões com Valdemar, durante a campanha.
Eis os trechos principais dessa conversa do ansioso blogueiro com Ernani:
Como foi feita a fita em que um funcionário dos Correios recebe uma propina de 5 mil reais de alguém que se passava por um empresário do Paraná e estava interessado em uma concorrência dentro dos Correios?
Essa fita foi produzida pela equipe do Carlos Cachoeira. Que fez essa fita para poder criar uma confusão e ser publicada, como foi. Porque a fita do Waldomiro já tinha sido entregue ( à Veja ) através de um senador do Mato Grosso e detonou um processo de corrupção dentro do palácio com essa fita do Waldomiro. Então esse processo todo foi criado. E não foi o mensalão aquela ideia de que a gente tem do mensalão de que todos os deputados receberam todos os meses. Tanto é que isso não aconteceu. Tivemos um ou outro, enfim… Mas pegaram ícones para que pudessem pegar o governo logo em seu início e enfraquecê-lo.
Então a sua tese é de que a fita do Waldomiro, feita pelo Carlinhos Cachoeira, é do mesmo objetivo, tem a mesma função da fita dos Correios?
Com certeza. Com certeza. Até porque eu sofri isso quando fui prefeito da cidade de Anápolis. Eles usaram não com câmera. Mas usaram com fitas cassete.
De áudio?
De áudio, e depois desmentindo. Quem fez isso? Para ir na CPI para inventar o factóide. Depois de feito o processo.
A versão que existe é de que a fita dos Correios teria sido feita por um empresário, um suposto empresário do Paraná, que queria participar de uma concorrência. Quem fez na verdade a fita dos Correios na sua opinião?
Na minha opinião foi feito por essa equipe do Carlos Cachoeira.
Quem?
O nome não me recordo. … São pessoas que saíram do serviço secreto de Brasília, de espionagem, dessa coisa toda, e estão aposentados, sem ter o que fazer, ficam espionando a vida de todo mundo.
E essa pessoa, essa pessoa é ligada ao Carlinhos Cachoeira?
Sim. Sim. Ligada ao Carlinhos Cachoeira.
É funcionário do Carlinhos Cachoeira?
Não, funcionário eu não posso dizer de carteira assinada. Mas deve ter sido feito um trabalho, um trabalho encomendado por ele. Para quem interessasse. Para poder alimentar uma crise que ela não existia. O tal chamado mensalão, que não existe o mensalão.
Essa reportagem descrevendo esse esquema de corrupção e essa propina dos Correios foi publicada na revista Veja por um jornalista chamado Policarpo. O senhor sabe se o Policarpo tem ligações ou tinha ligações com o Carlinhos Cachoeira?
Eu o encontrei uma vez dentro de sua empresa em Anápolis chamada …. (Vitapan), uma indústria farmacêutica ali no distrito agroindustrial.
O senhor encontrou o Policarpo em uma empresa do…
Do Carlinhos Cachoeira, sim. E o Carlinhos Cacheira disse que ele tinha vindo para conversar com ele. Eu me retirei. Fui embora. Eu perguntei quem era. Ele falou quem era.
O Carlinhos Cachoeira tem que ligação com o senador Demóstenes Torres?
Eles são bastante amigos e hoje, me parece, sócios, né. Porque tudo o que a imprensa tem dito. As fitas gravadas, os recursos. Enfim. Parece que aí há uma sociedade deles.
Qual é a sua preocupação em revelar esses fatos. Qual é o interesse que o senhor pode ter em revelar esses fatos?
Olha, eu conheço e fui prefeito de Anápolis. Uma bela cidade. Tive o prazer de governar lá por trinta meses. Mas eu sofri na pele o que está acontecendo, o que aconteceu no mensalão. Eu nunca pude falar. Eu tive lá problemas de gravações. Depois quem gravou foi e disse em uma CPI que eu teria pego recursos dele. Desmentiu. Eu tenho documento disso, em cartório. E eu sofri na pele. Quem é que fez, lá, esse trabalho? Para mim, são três pessoas fundamentais no processo. Tem aquele que faz o trabalho em campo, no varejo, aquela… O trabalho mais sujo. Subterrâneo. O espião, o esconderijo e tal.
Esse quem é no caso?
Carlinhos Cachoeira. Depois você tem uma equipe que é política. Depois você tem aquela que vai explodir. Um setor da imprensa é importante. E no meu caso específico eu tive um governador de Estado, Marconi Perillo. Que, junto com o Demóstenes, já combinado, por interesses políticos no futuro, não queria que eu fosse candidato a governador, fez uma intervenção no município, aonde o vice-governador sentou na cadeira de prefeito, e eu tive o meu mandato cassado.
O seu mandato foi cassado em Anápolis?
Foi cassado pela Câmara dos Vereadores, mas foi cassado pelo Marconi Perilo primeiro. Só em Goiás acontece uma coisa dessas. Fazer uma intervenção na maior cidade do Estado e ninguém falar nada.
A sua mulher é suplente do senador Demóstenes?
Ela foi suplente por oito anos, mas eu quero deixar claro que ela nunca assumiu nenhum dia do mandato, coisa que a cidade lamentou muito, porque queria ver a sua representante no Senado Federal. Eu acho até que não queriam dar regalias, intimidades, e assumiram, porque não podia, né. Falavam na época. Porque não fica bem um senador passar para um suplente a sua vaga. Fica parecendo que teve negociata, teve isso, teve aquilo. Ela nunca assumiu, porque nunca teve esse tipo de contato conosco, mas agora me parece que era justamente para não ficar sabendo o que acontecia e aconteceu lá.
Existe a versão de que o senador Demóstenes era candidato a um cargo muito importante, o cargo de Secretário Nacional de Justiça, no Ministério da Justiça, no governo Lula, e que esse cargo daria a ele a oportunidade por exemplo para lutar pela legalização do jogo no Brasil…
Exatamente. Como lutou. Teve um trabalho no Congresso nesse sentido.
E ele não foi aceito para ocupar essa função?
Não. Essa negociação política, eu fiquei sabendo de bastidores, até por um deputado federal lá do meu Estado Ele (Demóstenes) estava cotado, e estava muito chateado porque teria de sair do partido (PFL) , se tornando aí uma pessoa importante, um novo líder, talvez. … E depois isso esfriou e não andou e aquela coisa toda… Então veio ali do Palácio, da Casa Civil, algum tipo de veto, alguma coisa que incomodou ou deixou esse pessoal incomodado. Porque era um cargo importante, né.
Nessa interpretação, o senador Demóstenes estaria, nesse episódio dos Correios, se vingando do veto do Zé Dirceu?
Claro, claro. Você vê, eles estavam juntos desde o início, nós estamos sabendo pela imprensa, pelas escutas da Polícia Federal. Não tenha dúvida de que nós tivemos aquele varejo, nós tivemos a parte política que deu o start, no Congresso, no Senado, nós tivemos a mídia, e depois tivemos outras pessoas que foram acionadas de acordo com a necessidade para dar andamento e crescimento nesse tal do mensalão, nessa CPI.

O senhor foi procurado de alguma maneira, conhecendo Anápolis, conhecendo Valdemar da Costa Neto, foi procurado para dar informação ou prejudicar o Valdemar da Costa Neto que se tornou um dos réus do mensalão?

Foi a ex-mulher dele Maria Cristina Mendes Caldeira me procurou através de uma pessoa, um amigo em comum.
O senhor pode dizer quem é esse amigo em comum?
Posso, é um jornalista, chamado Hugo Stuart. Eu o encontrei um dia na Câmara, ele falou: olha, eu estou fazendo determinada matéria, que era enfim sobre esse assunto…
Ele de que órgão de imprensa era?
Era da revista Isto É. Ele falou olha, tem uma pessoa, que é a Maria Cristina, que talvez te ligue. Vá te conhecer. Aquelas coisas. Ela ligou mesmo, me procurou na Fazenda, passou lá dois dias, mas realmente querendo que eu fosse depor contra o Valdemar nesse processo ou num processo de divórcio que ela estava movendo contra ele. Enfim, queria que eu falasse mal do Valdemar para poder alimentar esse processo. Tornei a encontrá-la aqui no escritório de uma pessoa chamada Bolonha Funaro…
Que é considerado um doleiro e que depos numa CPI, na qualidade de doleiro, e se beneficiou de um regime de delação premiada.
Exatamente, exatamente.

E qual era o papel do doleiro?

Pois é, eu também fui procurado por ele … Eu falei que estava indo para a Universidade do meu pai, para capitalizar recursos, e ele tem lá uma financeira. E ele disse que poderia viabilizar isso em algum banco. Então ele foi a Goiânia conversar comigo. Mas eu vi que a intenção dele de verdade era que eu falasse também mal do próprio Valdemar, em qualquer tipo de processo, em qualquer tipo de depoimento.  Logo após essa conversa em Goiânia ele marcou um almoço aqui no Rodeio, em São Paulo, e ele… Toca o telefone, eu vou atender, é um repórter da revista Veja. E logo em seguida, almoçamos e tal… E à noite marcamos um jantar … Mas o mais estranho desse episódio…
Mas só para não interromper. Nós temos aí o doleiro participando da mesma operação para obter depoimentos seus contra o Valdemar Costa Neto.
Para poder cada vez mais configurar que havia o mensalão. O que eu achei mais estranho, depois fechando os fatos, ao longo do tempo, é que a minha mulher, a minha ex-mulher, recebeu um telefonema do senador Demóstenes Torres dizendo que um reporter da Revista Veja teria ido ao gabinete dele para me procurar, para fazer uma matéria. E que ele precisava do meu telefone para passar para o repórter. Muito bem… Ela passou o telefone. A coincidência está no horário do telefonema. Bem na hora em que eu estou à mesa na Rodeio sentado com o Bolonha Funaro toca o telefone do repórter da Veja. Marcamos um jantar à noite. Foram dois repórteres e um diretor que estava sentado a uma mesa que (cujo nome) eu não me recordo, não fui apresentado.
O senhor teme que essa denúncia possa lhe provocar algum tipo de problema pessoal?
Em que sentido? De morte, política?
Qualquer uma.
Olha, hoje eu não faço parte de nenhum partido político. Eu tenho uma história, eu tenho uma vida, esse processo feito por mim lá em Anápolis, eu sei que nem todo mundo acerta aquilo que gostaria. Mas também nem todo mundo erra para fazerem aquilo que fizeram. Eu acho que foi uma grande injustiça. A população da minha cidade, o meu estado merecia, os meus amigos, a minha família, mereciam ter esse esclarecimento. Você não tenha dúvida que isso foi armado. Que isso nunca existou em termos de mensalão. Foi para desestabilizar, foi uma represália. Só que ela pegou num volume, de tal forma, que aí as coisas se complicaram.
O senhor não tem dúvida da relação entre Carlinhos Cachoeira e Demóstenes Torres?
Nenhuma. Muito pelo contrário. Eu estive lá com ele junto. Aliás aquele rádio de que tanto falam…

O Nextel?

Eu tive um na campanha dele em 2006.
Quem lhe deu?
Carlinhos Cacheira. Tive, ele me deu um, era uma cortesia durante a campanha
O senhor chegou a pedir ao empresário Carlinhos Cachoeira, dono de uma empresa de Genéricos, recursos para a sua campanha?
Não. Não. Não o conhecia. Eu conheci o Carlinhos Cachoeira pessoalmente depois de eleito prefeito.
E o senhor não tem dúvidas da relação entre eles e a revista Veja?
Eu acho que não tem mais dúvida. Eu acho que quem duvidar de alguma coisa… Eu não sei se é maliciosamente ou não. Se é comercialmente ou não. Porque o repórter a função dele é buscar as notícias na hora em que ela é produzida. E as fontes às vezes são aquelas não tão republicanas, vamos chamar assim.
E para reforçar. Aquele vídeo famoso, que deu origem ao mensalão, deu origem à denúncia do Roberto Jefferson, contra o José Dirceu, o senhor Marinho recebendo 5 mil reais de propina, aquele vídeo é obra do Cachoeira?
Sim, claro.
Dito por ele?
Ele me contou.
( Ernani de Paula contou também que Carlinhos Cachoeira não só disse que tinha mandado fazer o vídeo dos Correios, como mostrou a ele a camêra que tinha sido usada, uma camera escondida na lapela do paletó. )

Ernani de Paula entregou este documento para provar que que foi derrubado da Prefeitura de Anápolis por gravações depois destruidas. O que, segundo ele, é uma tecnologia tipica de Carlinhos Cachoeira
Policarpo da Veja esteve na Vitapan do Cachoeira

Navalha

NAVALHA

Vão ter que chamar o Ernani de Paula para depor na CPI do Cachoeira, aquela para que o ínclito delegado Protógenes já recolheu o número necessário de assinaturas.

A Renata Lo Prete, que correu da Folha (*) para a televisão (como fazem em desabalada carreira muitos jornalistas da Folha (*) ), vai ter que devolver o Prêmio Pulitzer que recebeu por conta de uma entrevista com Thomas Jefferson, o grande estadista do PiG (**).

O ansioso blogueiro quer ver condenarem o Dirceu.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a  Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Publicado em 09/04/2012 - TV Record melou o mensalão. CPI tem que ouvir o Ernani - Conversa Afiada