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sexta-feira, 26 de outubro de 2012

A frágil imagem do competente e preparado

clip_image001Ao fazer a campanha, encontrei uma conhecida que me contou que votaria no Serra porque ele é mais competente e preparado. Expus alguns argumentos que desconstroem essa imagem criada na sua propaganda e reforçada pela imprensa aliada, já há alguns anos. Na falta de tempo para conversar, pois ela estava com pressa, ela disse que ia pensar no que havia dito e me passou o facebook dela para que eu mandasse as informações que fundamentavam minha argumentação.

Os dados que passei para ela, resolvi publicar no Politikei e aproveitar o final da campanha. Pesquisei alguns dos milhares de artigos que publiquei nos meus blogs desde 2010 que pudessem resumir como a imagem de Serra é uma criação de marketing frágil se submetida a pequenas análises.

O caso das enchentes do Rio Tietê no final do governo Serra deixam claro o que quero dizer. O descaso de Serra com a obra herdada de seu antecessor levou São Paulo àquelas imensas enchentes no início de 2010. Lembro que Marta e Erundina eram crucificadas pela mídia quando chovia. Mas apesar das marginais totalmente alagadas por dias em 2010, a culpa segundo a imprensa era da chuva mesmo. Não contaram que Serra havia deixado de realizar a manutenção da obra de Alckmin por 3 anos, deixando metros e metros de terra sobre o leito do rio. Tanto que uma escavadeira caiu, mas não afundou como denunciou o jornalista Luiz Carlos Azenha, em seu blog (aqui).

Esse favoritismo por Serra nos grandes meios de comunicação e por governos tucanos não é produto do acaso. O Blog Nas Retinas fez uma bela análise da distribuição das verbas de comunicação feita por Lula. A verba que era centralizada por FHC em poucas centenas de jornais, revistas, rádios e televisão da Região Sudeste, passou a ser distribuída para milhares de meios de comunicação de porte menor no Brasil inteiro, retirando receita de grandes corporações como Globo, Folha, Veja e Estadão que ganhavam muito com anúncios do governo. Os dados detalhados estão no blog (aqui).

Já, Serra, em São Paulo, assim como o faz Kassab, gasta milhões com a Revista Veja que costuma ser muito grata aos dois, oferecendo capas com destaque em momentos de eleição. Uma propaganda nada gratuita paga com dinheiro público como já publiquei em meu próprio blog (aqui).

Essa relação de Serra e do PSDB com essas empresas de comunicação permite blindagem dos acontecimentos reais de seus governos poupando-os de críticas e permitindo que a imagem da competência e preparo se estabeleça. O próprio Azenha que denunciou a história da escavadeira denunciou a lentidão com que a Folha de São Paulo publicou seis dias depois a notícia em ano que Serra concorria à Presidência (aqui).

Notícias aparecem na grande imprensa sem explicar razões como a Exame (também da Abril de Veja) que anuncia o corte de gastos de Alckmin após receber o governo de Serra e novos gastos com desassoreamento do rio (aqui).
São os blogs progressistas que fazem a releitura e a denúncia sobre as notícias. Alckmin teve de cortar gastos porque Serra deixou o Governo quebrado e o novo gasto com o desassoreamento foi resultado da incompetência ou inconsequência de Serra com as obras de prevenção de enchentes (aqui).

Mas a imagem de competência e preparo não se desmancham apenas em questões pontuais. A totalidade das políticas públicas em governos tucanos são temerárias e levaram à precarização da vida do cidadão. Altamiro Borges, jornalista, blogueiro e liderança no movimento de democratização dos meios de comunicação realizou excelente resgate de como o PSDB desmonta a saúde pública pela terceirização utilizando o sóbrio nome de OS´s (Organizações Sociais) para transferir dinheiro do SUS para o setor privado. A pilhagem do dinheiro público por esses meios pode acontecer sem nenhum controle social e o resultado tem sido a piora da saúde pública (aqui).

Privatização, terceirização, conveniamento e organizações sociais. São vários os nomes que os governos tucanos e seus postes utilizam para transferir dinheiro público para o setor privado. Na educação em São Paulo não foi diferente. Serra e Kassab se utilizaram das creches conveniadas para reduzir o número de alunos em toda a rede. De 2005 a 2012 a rede municipal de ensino passou a atender 268 mil alunos a menos. A rede que devia crescer encolheu. Todas as modalidades de ensino caíram, menos as creches que possuem 75% do atendimento conveniado e realizado por entidades que recebem a verba da prefeitura. Mesmo assim, nesse período a rede atende menos 18 mil crianças na educação infantil. Por isso as creches nunca diminuem a demanda. Não houve aumento de vagas na rede, mas transferências das vagas das EMEIs para as creches para facilitar o conveniamento e diminuir a pressão por vagas no Ministério Público. Mesmo assim, o atendimento foi reduzido e o acesso de crianças menores de 2 anos restringido, pois as creches priorizam o atendimento de crianças mais velhas cujo número por professor é maior. Com Serra e Kassab foi a primeira vez desde que o Censo Escolar passou a registrar os dados que a rede municipal encolheu. Os dados do Censo Escolar e do Portal da Prefeitura foram por mim analisados e publicados detalhadamente em meu blog (aqui).

Quando se fala em segurança pública, a coisa piora. O crescimento do PCC em São Paulo que começa a partir das cadeias coincide com a diminuição dos homicídios. Isso porque a venda de drogas passou a ser a grande fonte de renda para a manutenção do crime organizado. Assaltos com homicídios atraíam muito a ação policial e do governo, enquanto o governo não sofre a mesma pressão para o enfrentamento ao tráfico de drogas. Firma-se um pacto entre Estado e crime organizado, desestabilizado em 2006 com a saída de Alckmin para disputar a Presidência. Como afirma a repórter Fátima Souza, que escreveu o livro "PCC, a facção", em troca de exclusividade em entrevistas, o governo de São Paulo pede aos programas policiais não usem a palavra PCC. A entrevista com a escritora pode ser ouvida no blog do Azenha (aqui).

O assunto deixa o Alckmin bem nervoso, como ficou em 2006 quando questionado pela a tv americana NBC. Ele se retirou da entrevista quando questionado da ação policial desmedida em reação aos ataques do PCC, matando jovens na periferia pela simples suspeita. A reportagem pode ser vista no Youtube (aqui).

Em matéria de escrúpulos e ética, também a imagem de Serra é bem frágil, fora da grande mídia que o blinda. Ele é o personagem principal do Livro "A Privataria Tucana", resultado da investigação e rastreamento de documentos realizados pelo jornalista Amaury Ribeiro Jr. Com dúzias de documentos obtidos em pesquisas nos cartórios, Amaury rastreia as fraudes nas privatizações comandadas por Serra na era FHC, o favorecimento de amigos, a saída de dinheiro para ser lavado no exterior e o retorno ao Brasil como investimentos. Envolvidos nas armações estão homens de confiança de Serra, parentes, ex-sócio, a filha e o genro. Quando soube que essa investigação iria virar um livro, em 2010 Serra gritava para a imprensa que era o PT investigando seus amigos e que era um "dossiê". A mídia o ajudou bastante a elaborar teses que camuflavam a realidade. O livro lançado em 2011 virou best-seller, mas foi ignorado pela grande imprensa. Um resumo em vídeo passou a circular na internet para romper o bloqueio corporativo (aqui).

A imagem de Serra que vai se desvanecendo aos poucos é um produto de má qualidade por sua própria natureza. Não resiste aos fatos. Nem a mídia a sustenta mais e ninguém defende o voto em Serra, preferindo ocultar ou fazer ataques a seus adversários.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por dentro da Privataria Tucana

Serra usou arapongas pagos com dinheiro público para espionar adversários. Investigando as privatizações de FHC, uma grande lavanderia de dinheiro surge com nomes do círculo mais próximo a Serra.

O objetivo deste artigo e de demais que pretendo publicar é revelar para quem ainda não leu ou não conseguiu comprar o livro, as graves acusações comprovadas pela obra investigativa, “A Privataria Tucana”, que devem servir de base para uma CPI, já com assinaturas suficientes de mais de Deputados, coletadas pelo Deputado Federal Protógenes Queiróz em 21 de dezembro último. Protógenes foi o delegado da Polícia Federal, responsável pela operação Satiagraha que prendeu o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas. O mesmo banqueiro foi solto graças á intervenção do então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, amigo de Serra. Dantas será personagem de destaque no livro.

A Guerra entre Serra e Aécio pela candidatura à Presidência
Amaury Ribeiro Jr. é um jornalista investigativo com muitos prêmios em sua carreira e que chegou a sobreviver a um atentado quando denunciou traficantes envolvidos com assassinatos de jovens nos arredores de Brasília. Em dezembro de 2007, enquanto se recuperava do tiro no abdômen, da cirurgia e da depressão pós-traumática, foi chamado pelo jornal o Estado de Minas, do mesmo conglomerado do Correio Braziliense em que trabalhava. Seu trabalho seria descobrir quais eram os arapongas que vasculhavam a vida do governador mineiro pelo PSDB, Aécio Neves, em seus roteiros amorosos na cidade do Rio de Janeiro. Aécio seria vigiado e seguido por homens de Serra que queria eliminar o concorrente à candidatura à Presidência da República no PSDB. Com um dossiê em mãos contra seu rival tucano, Serra teria chantageado Aécio para abandonar a disputa. Tais informações partiram, na época, da própria assessoria do governo mineiro ao jornal, que conforme Amaury, é Aecista de corpo e alma.

Os arapongas de Serra (pagos com dinheiro público) e o jogo sujo contra adversários dentro e fora do PSDB
Com a pauta em mãos, Amaury buscou informações com seu amigo Idalberto Matias de Araújo, o agente Dadá, do Serviço de Inteligência da Aeronáutica (Cisa), que já o havia ajudado no caso dos traficantes em Brasília. Dadá apurou que o trabalho de campo da campanha serrista para complicar Aécio era chefiado por um homem da Agencia Brasileira de Inteligência (Abin) Luiz Fernando Barcellos. Conta Amaury: “Conhecido como ´agente Jardim´, Barcellos teria sido levado para o grupo de inteligência de Serra pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB/RJ)2, também delegado da Polícia Federal e casado com uma prima do tucano Andrea Matarazzo1, amigo de Serra há muitos carnavais.”
A informação de Dadá veio do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa, que na campanha eleitoral de 2010 foi personagem trazido pelo imprensa serrista para desqualificar as informações bombásticas que o livro de Amaury traria a público. O delegado
trabalhara com Barcellos (Agente Jardim) no núcleo de inteligência que Serra montara com dinheiro público quando ministro da Saúde, dentro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na época de Serra Ministro, Itagiba2 comandava o núcleo, a princípio para investigar os laboratórios acusados de fraudar os medicamentos genéricos. Porém, era pretexto para bisbilhotar funcionários do Ministério, como publicou a imprensa naqueles anos, o que levou à demissão do agente do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI) por Serra conforme Diário Oficial da União da época. O próprio Ministro de FHC, o tucano Paulo Renato, foi alvo de Serra.

As privatizações e os esquemas de lavagem de dinheiro
Amaury entregou ao jornal Estado de Minas um relatório sobre o funcionamento da inteligência
da campanha de Serra, porém, decidiu aprofundar as investigações. Foi quando retomou ao tema pelo qual já se debruçara antes, inclusive quando escrevia para a IstoÉ e para a sucursal de O Globo em São Paulo: “a Era das Privatizações, sob a égide do presidente Fernando Henrique Cardoso, particularmente os negócios que se deram na área das telecomunicações.” Amaury fez “uma varredura em cartórios de títulos e documentos, além de juntas comerciais de São Paulo e do Rio”. Conseguiu mapear como o ex-diretor da área internacional do Banco do
Brasil, Ricardo Sergio de Oliveira, e outros “alunos” com presença expressiva de tucanos paulistas, tratavam as empresas e o dinheiro no Brasil e nos paraísos fiscais do Caribe.

Além do tesoureiro de campanha de Serra, surge seu genro no esquema
Ricardo Sergio, ex-tesoureiro das campanhas eleitorais de Serra e de FHC, operava o dinheiro de forma que ele saía do país como se tratasse de investimentos em empresas estrangeiras e voltava para o Brasil, após passar por paraísos fiscais, também como investimentos externos em empresas nacionais, driblando os órgãos fiscalizadores, tratando-se de uma lavagem, ou melhor, internação de dinheiro. Apesar de parecer se tratar de origens e destinos diferentes, nas duas pontas da operação estava Ricardo Sérgio. Era dessa forma também que atuava a quadrilha da “advogada Jorgina de Freitas, que ganhou notoriedade por fraudar a Previdência Social em mais de R$ 1 bilhão”. Também por documentos da Junta Comercial de São Paulo, na Justiça e nos cartórios de títulos, e documentos da cidade, Amaury encontrou em 2008, novo personagem: Alexandre Bourgeois, genro de Serra, usando a metodologia “bolada pelo ex-tesoureiro do sogro”. Logo após a privatização das empresas de telecomunicações, Bourgeois abriu no mesmo paraíso fiscal, duas empresas offshores, que operavam no mesmo escritório utilizado por Ricardo Sergio nas Ilhas Virgens Britânicas.

Serra e Aécio apresentam as armas: os jornais paulistas e mineiros
O autor de “A privataria tucana” chamou de tolice sua iniciativa de telefonar para a assessoria de imprensa do governador paulista, buscando seu pronunciamento sobre o assunto. Serra tentou barrar a matéria quando ainda estava sendo apurada. Ao descobrir que era conduzida pelo Estado de Minas, “Serra quis falar com a direção do jornal e com a irmã do governador Andrea Neves, sem sucesso”, procurando então, diretamente a Aécio, para aparar arestas. Apesar de ter aparentemente  funcionado, era necessário aplacar “o comando do jornal mineiro, inconformado com a arapongagem de Itagiba e com o artigo ´Pó pará, governador´, plantado pela entourage de Serra em O Estado de S. Paulo, para desgastar o governador mineiro”. Em fevereiro de 2009, o falecido colunista Mauro Chaves, ironizou a intenção de Aécio definir por prévias no PSDB quem seria o candidato. O jornal Serrista dispensou o protocolo e disparou um torpedo para derrubar a pré-candidatura de Aécio.
Divergindo da linha conservadora do jornal, o artigo insinuava uma suposta ligação de Aécio ao “Pó” (cocaína) para expô-lo, “de modo vulgar e dissimulado, o comportamento do rival de Serra e enviar -lhe um recado muito claro”.

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Serra ataca por meio do Estadão e…

O jornal Estado de Minas não engoliu o artigo do Estadão “Pó pará, governador”, ainda mais por acusar as relações entre os jornais mineiros e Aécio, comparando com São Paulo, onde Serra e e outros tucanos seriam, segundo o responsável pelo artigo, “cobrados” pelos jornalões de São Paulo. Por vingança e indignados, os mineiros repeliram “a arrogância de lideranças politicas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador
Aecio Neves” já no início do editorial ”Minas a reboque, não!”, do Estado de Minas, em março de 2010, rejeitando um eventual papel subalterno de Aécio para enfrentar Dilma Rousseff.

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Aécio retruca pelo Estado de Minas: “Minas a reboque, não!”

Cenas dos próximos capítulos: a filha, o primo e ex-sócios de Serra
Muitos outros personagens e maneiras de ganhar dinheiro surgem nos capítulos do livro que revela bastidores do episódio que, segundo o autor,foi um “assalto ao patrimônio público do país por meio das privatizações”. Mais sobre “a filha Veronica Serra, seu genro Alexandre Bourgeois, seu primo politico Gregório Marin Preciado, seus muitos sócios, seus amigos e seus
colaboradores. E outros tucanos de altos poleiros.”

1 “De 1999 a 2001, foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e embaixador do Brasil em Roma, entre 2001 e 2002. Em 2005, entrou na administração municipal de São Paulo como subprefeito da Sé na gestão de José Serra, Assumiu também, em 2006, a Secretaria Municipal de Serviços, como subprefeito da Sé e secretário (de Coordenação das Subprefeituras) na gestão de Gilberto Kassab. A partir de 2008, manteve-se apenas como secretário até o início de setembro de 2009, quando teve seu pedido de demissão aceito por Kassab. Atualmente é Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, do Governo Geraldo Alckmin.” (Wikipédia) – foi acusado pelos movimentos sociais, incluindo pelo militante Padre Júlio Lancelotti de promover políticas de higienização social.
2 Marcelo Itagiba foi acusado na CPI das Milícias “de ter feito campanha na favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, durante sua gestão como Secretário de Segurança Pública, com apoio do grupo paramilitar que controla a região. O relatório final da CPI apontou que a ação das milícias cresceu enormemente durante sua gestão como Secretário de Segurança Pública.” (Wikipédia)

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Os dois pesos da imprensa golpista

Quem não se limita a estar informado pelo monopólio dos meios de comunicação que age como uma quadrilha no eixo Rio/São Paulo tem discernimento suficiente para saber que há um grande esquema golpista. Sabe, por exemplo, que a dobradinha Veja e Globo atuou nas eleições publicando no sábado e reverberando no Jornal Nacional de sábado e segunda, as matérias que eram incrementadas durante a semana pela Folha e Estadão em São Paulo e pelo O Globo no Rio. Em um esquema mafioso eles atacavam a candidatura Dilma e blindavam a candidatura Serra. Quem acompanha blogs e redes informativas alternativas sabe que Civita, il capo da Abril que publica a Veja, mandou recado para a Presidenta que ia derrubar seu governo.
Nesse esquemão que esperou o segundo semestre com o objetivo de desestabilizar o governo Dilma, já conseguiram derrubar ministros sem precisar de uma evidência palatável do ponto de vista investigativo ou jurídico. Sem serem obrigados a ouvir dois lados ou de darem direito de resposta, já que a “ley de medios” que os obrigaria a isso nunca foi para o Congresso, eles publicam o que querem e praticam o que há de pior no jornalismo, se é que podemos chamar assim tal prática.
Se há quem duvide da parcialidade com que age essa mídia corrupta que pretende ser um quarto poder monocrático, lembremos do escândalo do Paulo Preto no governo Serra que estava na IstoÉ desde agosto de 2010, mas só se nacionalizou porque Dilma esfregou o caso na cara do seu adversário no primeiro debate do 2º turno, dois meses depois. Pouparam Serra o quanto puderam. E não há nenhum interesse dessas empresas em limpar o espaço público corrompido, pois sempre há um corruptor do setor privado e é bom que não se chegue neles. Orlando Silva saiu sem qualquer fato além do depoimento à Veja de um bandido condenado pela justiça. Depois foi esquecido pela imprensa, assim como seu Ministério. A bola da vez, o falastrão Lupi, esta sendo acusado de andar de avião. Esse é o furo de reportagem, publicado em conta-gotas e explorado semanalmente pelos inimigos do governo Dilma nos meios de comunicação, apenas para desestabilizar e criar crises com partidos aliados que dão a governabilidade. Se há evidências que sejam encaminhadas para a polícia e para a justiça. Que se apure, e que se julgue e condene, se for o caso. Mas o objetivo não é este. O que se quer é derrubar ministros e criar um clima de caos concentrado em Brasília, é claro. Tanto, que além de não ocupar os noticiários, aliados dessa mídia, como Kassab e Alckmin não precisam faxinar suas administrações.
Em junho, o médico Jorge Roberto Pagura somente pediu a Alckmin a demissão do cargo de secretário estadual de Esporte, Lazer e Juventude de São Paulo porque o Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) abriu sindicância em que o mesmo era suspeito de receber dinheiro público por plantões não cumpridos no Hospital de Sorocaba, no interior de São Paulo, e já estavam presos outros 12 médicos.
Já o secretário de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, é mantido por Alckmin desde maio, mesmo após ser citado pelos líderes do esquema de fraudes em obras públicas de Campinas, conforme os grampos colhidos pelo Ministério Público Estadual de São Paulo. Em um negócio envolvendo a Sabesp, Aparecido atuaria em uma votação a favor do interesse da quadrilha.
Alckmin, depois de impedir uma CPI para investigar as denúncias do deputado Roque Barbiere que afirmou em setembro que 30% de seus colegas vendem emendas parlamentares, poupou seu secretário de Meio Ambiente e deputado licenciado, Bruno Covas (PSDB) de ser sequer ouvido no Conselho de Ética da ALESP, sobre o esquema, após ter declarado que um prefeito teria oferecido propina a ele para o recebimento de emendas, mas encobriu o nome.
Kassab é outro que em abril disse não ver "razão nenhuma" para afastar seu secretário da Saúde, Januário Montone, mesmo sendo este citado na investigação do Ministério Público de São Paulo sobre a "máfia da merenda". Para o Prefeito de São Paulo bastou a atitude do secretário de se colocar à disposição. Para a mesma mídia que julga e condena ministros sem prova, também foi suficiente no caso paulistano.
Kassab também não viu problema algum ao nomear “para a Secretaria de Participação e Parceria Uebe Rezeck, ex-prefeito de Barretos que tem contra si seis condenações judiciais, uma delas confirmada em segunda instância pelo Tribunal de Justiça”. O homem de confiança do Prefeito está desde maio comandando um orçamento de R$ 96 milhões.
Nada disso é de se estranhar já que Kassab, mesmo acusado por enriquecimento ilícito na época em que foi secretário do Planejamento de Pitta e deputado estadual, não deixou de ser vice de Serra e candidato a prefeito eleito posteriormente. Seu patrimônio entre 1994 e 2008 cresceu 50 vezes o que não rendeu nenhuma capa da Veja. Kassab que teve o mandato cassado por um juíz eleitoral por um dia, responde a processo por serem consideradas ilegais as doações feitas pela Associação Imobiliária Brasileira (AIB), construtoras e pelo Banco Itaú. Kassab é responsável, segundo especialistas, por tornar a prefeitura uma aliada da maior especulação imobiliária já feita em São Paulo. Faz sentido. Mas você não vai ver na tevê.

sábado, 29 de outubro de 2011

Queda do ministro serve de alerta

Por Altamiro Borges
O lamentável episódio da queda do ministro Orlando Silva deveria servir de alerta às forças democráticas da sociedade brasileira – que lutaram contra as torturas e assassinatos na ditadura militar e que, hoje, precisam encarar como estratégica a luta contra a ditadura midiática, em defesa da verdadeira liberdade de expressão e da efetiva ampliação da democracia no Brasil.
A mídia hegemônica hoje tem um poder tão descomunal que ela “investiga”, sempre de forma seletiva (blindando seus capachos); tortura (seviciando, inclusive, as famílias das vítimas); usa testemunhas “bandidas” (como um policial preso por corrupção, enriquecimento ilícito e suspeito de assassinato); julga (sem dar espaço aos “acusados”); condena (como nos tribunais nazistas); e fuzila!
Um pragmatismo covarde e suicida
Ninguém está imune ao poder ditatorial da mídia, controlada por sete famílias – Marinho (Globo), Macedo (Record), Saad (Band), Abravanel (SBT), Civita (Abril), Frias (Folha) e Mesquita (Estadão). Como o império Murdoch, hoje investigado por seus subornos e escutas ilegais, a mídia nativa é criminosa, mafiosa, sádica e abjeta. Ela manipula informações e deforma comportamentos.
Não dá mais para aceitar passivamente seu poder altamente concentrado, que, como disse o governador Tarso Genro – pena que não tenha agido com esta visão quando ministro da Justiça –, ruma para um “fascismo pós-moderno”. Essa ditadura amedronta e acovarda políticos sem vértebra, pauta a agenda política, difunde os dogmas do “deus-mercado” e criminaliza as lutas sociais.
Três desafios diante da ditadura midiática
Esta ditadura é cruel, sem qualquer escrúpulo ou compaixão. Ela utiliza seus jagunços bem pagos, sob o invólucro de “colunista” e “comentaristas”, para fazer o trabalho sujo. Muitos são agentes do “deus-mercado”, lucram com seus negócios rentistas; outros são adeptos da “massa cheirosa”, das elites arrogantes e burras. Eles fingem ser “neutros”, mas são adoradores da direita fascistóide.
Enquanto não se enfrentar esta ditadura midiática, não haverá avanços na democracia brasileira, na luta dos trabalhadores ou na superação das barbáries capitalistas. Neste enfrentamento, três desafios estão colocados:
1- Não ter qualquer ilusão com a mídia hegemônica; chega de babaquice e servilismo diante da chamada “grande imprensa”;
2- Investir em instrumentos próprios de comunicação. A luta de idéias não é “gasto”, é investimento estratégico;
3- Lutar pela regulação da mídia e por políticas públicas na comunicação, que coíbam o poder fascista do império midiático.
Chega de covardia diante dos fascistas midiáticos
O criminoso episódio da tentativa de invasão do apartamento do ex-ministro José Dirceu num hotel em Brasília parece que serviu de sinal de alerta ao PT. Em seu encontro nacional, o partido aprovou a urgência de um novo marco regulatório da comunicação. Um seminário está previsto para final de novembro. Já no caso da queda Orlando Silva, o clima é de total indignação e revolta.
Que estes trágicos casos sirvam para mostrar que, de fato, a luta pela democratização da comunicação é uma questão estratégica. Não dá mais para se acovardar diante da ditadura da mídia. O governo Dilma precisa ficar esperto. Hoje são ministros depostos; amanhã será o sangramento e a derrota da própria presidenta e do seu projeto, moderado, de mudanças no Brasil.
Superar a choradeira e a defensiva
A esquerda política e social precisa rapidamente definir um plano de ação unitário de enfrentamento à ditadura midiática. As centrais sindicais e os movimentos populares, tão criminalizados em suas lutas, precisam sair da defensiva e da choradeira. Os partidos progressistas também precisam superar seu pragmatismo acovardado. A conjuntura exige respostas altivas e corajosas!
É urgente pressionar o governo Dilma Rousseff, pautado e refém da mídia, a mudar de atitude. Do contrário, não sobrará que defenda a continuidade deste projeto, moderado, de mudanças no Brasil. A direita retornará ao poder, alavancada pela mídia! Aécio Neves, o chefe de censura em Minas Gerais, será presidente! E ACM Neto, o herói da degola de Orlando Silva, será o chefe da Casa Civil!

Altamiro Borges- Queda do ministro serve de alerta

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domingo, 4 de setembro de 2011

Kassab, a greve do serviço funerário e a mídia

Em resposta a uns colegas servidores municipais, indignados com o tratamento dado pela grande imprensa à nossa greve, deixei um comentário no Facebook para esclarecer aqueles que ainda tem expectativas de apoio dos grandes meios de comunicação. Como creio ser oportuno, republiquei aqui no blog.

“Os grandes meios de comunicação são isso mesmo! A culpa não é do repórter, não! O problema está na linha editorial. As TVs e os jornais determinam as pautas que os jornalistas devem buscar informação. No caso de nossa greve, a pauta focou inicialmente no sofrimento das famílias. Não fosse a greve no serviço funerário, dificilmente a grande mídia teria tanto interesse pelos demais setores. Os repórteres têm a missão de levantar a desgraça que vai virar reportagem. Somente depois de alguns dias que a mídia começou a perguntar sobre a versão do sindicato sobre as negociações e mesmo assim, a maioria sequer divulgou. A edição segue a linha editorial definida pelos donos das mídias. Geralmente eles têm seguido a linha de criminalizar os movimentos sociais, populares e sindicais. Apoiam as terceirizações e privatizações. Defendem as políticas liberais que defendem a proteção do capital e dos bancos. Em momento de crise eles defendem o corte nas políticas sociais como tem acontecido na Europa e EUA e depois criminalizam as revoltas resultantes dessas políticas como fizeram contra os revoltosos da Inglaterra. Quem acompanha a mídia alternativa e blogs progressistas sabe que o governo municipal e estadual têm sido blindado por Folha, Veja, Estadão e Globo, para não falar de outros veículos de comunicação. A Abril tem grandes contratos com o governo do Estado e com a Prefeitura. Globo e Folha se tornaram o que são apoiando a ditadura. O Estadão não foi diferente. Eles defendem o dinheiro. Serviço e servidor público é algo que se opõe ao que eles defendem. Governos como o de Kassab representam os interesses dos mesmos que sustentam esses grandes veículos. Pouco tem sido investigado, por exemplo, pela mídia, sobre as relações da AIB (Associação Imobilliária Brasileira) com Kassab cuja campanha foi financiada em 2008 de forma irregular a ponto de quase ser cassado o seu mandato. Infelizmente, o Ministério Publico não conseguiu provar se a AIB era uma fachada para o sindicato das construtoras, com grandes interesses em mudar o zoneamento da cidade. Por outro lado, o MP conseguiu impedir em 2009 que Kassab aprovasse mudanças no plano diretor. Todas essas informações podem ser pesquisadas na imprensa, mas de forma isolada. Ninguém fez uma reportagem juntando os fatos e trazendo ao público, inclusive exigindo uma investigação maior sobre os incêndios em favelas nos finais de semana, sobre o funcionário contratado pela SEHAB para aterrorizar e espantar moradores das favelas, sobre a especulação imobiliária em São Paulo e a construção das linhas do Metrô de forma a valorizar áreas de interesse das construtoras. Ou seja, a cobertura da grande mídia seguirá a linha editorial de demonstrar como os servidores prejudicam a cidade e os cidadãos com suas greves. Vão insinuar que se trata de um bando de vagabundos intransigentes diante de um bom Prefeito que ofereceu 15%. Vão omitir ou tornar imprecisas as informações do sindicato como a da contraproposta que o Prefeito recusou, tudo isso para preservar Kassab. Enquanto isso, imensa parte da população, cuja formação política se constrói diariamente pelo Jornal Nacional, os Homer Simpson, como Willian Bonner classificou seu público, acabam renovando a imagem negativa sobre o servidor público. E quem sabe, Kassab, apesar de um ser politicamente inexpressivo, continue na vida pública. Um prefeito que surgiu das sombras, cujos principais feitos políticos foram ser um desconhecido vereador eleito pela Associação Comercial de São Paulo, ser Secretário de "Planejamento" do governo Pitta (tá explicado) e responsável pelo Plano Diretor na época (talvez sua maior experiência). De política ele entende, como disse no
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Kassab: Meu governo é de centro-esquerda!
Roda Viva que seu novo partido não é de esquerda, nem de direita, porque, ainda segundo ele, isso não faz diferença. Na mesma entrevista disse que seu governo é de centro-esquerda, apesar de não fazer diferença. Só não disse se estava usando como referência o nazismo, para considerar sua gestão de centro-esquerda. Sobre greve, como informou a Globo, ele entende que não é um instrumento de negociação. O que sabe o Kassab (perdoem-me pela piada) sobre negociação? Talvez saiba sobre aquelas que fez para montar o PSD. Ou para aprovar projetos na Câmara. Com os servidores, Kassab não aprendeu nenhuma lição. Se não aprender nada logo, tudo indica que Kassab será reprovado como Prefeito.”

domingo, 17 de julho de 2011

O beijo do Lula. Ah, se houvesse uma Ley de Medios …

Publicado em 16/07/2011

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Quando era senador (sempre entrou na vaga de alguém; nunca se elegeu diretamente), o Farol de Alexandria frequentava restaurantes de Brasília, como o notório Piantella, com os jornalistas e, especialmente, e de forma singular, com uma repórter da Globo.
Por quinze anos, o PiG (*) escondeu que Fernando Henrique tinha um filho fora do casamento.
(Depois, dois testes sucessivos de DNA, promovidos por um advogado de Daniel Dantas, demonstraram que ele não era o verdadeiro filho.)
Quando primeiro noticiou que ele ia assumir a paternidade, uma colonista (**) da Folha (***) deu a entender que se tratava de um pai amantíssimo, que levou 15 anos para reconhecer o filho.
Um pai generoso.
Um pater famílias.
Quinze anos depois.
Durante oito anos o Nunca Dantes governou com a D. Marisa ao lado.
D. Marisa, sempre discreta, parecia ali, ao lado dele, dizer a todos: ele reconhece como fui importante para ele vencer as barreiras do preconceito e do ódio.
Nesta sexta-feira, Lula beijou uma fã no rosto.
TODOS os jornais do PiG (*) deram destaque.
Desde as edições online, quando, por exemplo, o Estadão disse (e depois recuou) que o beijo era na boca.
Neste sábado, o Estadão publica a foto na primeira página.
O Globo e a Folha (***) nas páginas internas, sempre com destaque.
A intenção é óbvia.
Atingir Lula e seu casamento com D. Marisa.
Flagrá-lo numa “pulada de cerca”.
O beijo não é na boca, mas um beijo desajeitado, acima dos lábios e ao lado do nariz da fã.
Fotos anteriores ao “beijo na boca” do Estadão e a descrição do evento falam que o Lula foi literalmente atacado pelos fãs e teve que sair direto do palanque para o carro.
O beijo se deu numa posição desajeitada, e a foto tirada de um ângulo “falso”.
Se o Ministro Bernardo já tivesse aprovado a Ley de Medios do Franklin Martins – aquela que o Lula passou a cobrar -, o que aconteceria ?
Um “direito de resposta” imediato.
O Lula ou o PT entrava com um direito de resposta para esclarecer a cena.
Já neste domingo, o PiG (*) teria que se retratar ou colocar os pingos nos is.
A foto não compromete o Lula, não atinge seu casamento, é um de 1001 beijos que o Lula dá em fãs ao longo de um dia, e, a rigor, se fosse publicada, não merecia destaque.
A TV estatal – só tem jeito se for estatal – esclarecia a cena, entrevistava a fã, o Lula e falava do processo judicial instaurado contra o PiG (*) , especialmente contra o Estadão.
Na sequência, a tevê estatal exibiria longa reportagem sobre os métodos do Murdoch de fazer jornalismo.
E comparava com os do PiG (*) .
E deixaria clara uma diferença central: o jornal que o Murdoch teve que fechar – o “News of the World”, é um “tab”, um tablóide cheio de detritos de maré baixa.
O PiG (*), não.
Vem cheio de detrito de maré baixa, mas se leva a sério.
Se o Ministro Bernardo não consegue uma Ley de Medios para esclarecer o beijo na fã, imagine divulgar apropriadamente a “agenda positiva“ da Presidenta.
Os senadores do PT foram reclamar da “Comunicação”.
Têm que reclamar das Comunicações.
E reclamar com a fúria que a D. Marisa demonstrará na próxima vez em que encontrar um um jornalista do PiG (*).
Clique aqui para ler “Uma Ley de Medios para o Lula poder falar, extraído do Tijolaço”.
Em tempo: o Nunca Dantes tem razão quando disse que o Globo não sai do Rio e o PiG (*) de São Paulo não sai do ABC. Falta-lhes dinheiro, presidente.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

O padrão Dilma de combater a corrupção: rua !

Publicado em 17/07/2011

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O Globo e a Folha (*) anunciam que a Presidenta mandou mais meia dúzia embora do DNIT e vai ela própria preencher os cargos.
Ou seja, bye-bye Valdemar da Costa Neto.
O Valdemar, provavelmente, passará a fazer parte daqueles que peregrinam ao Palácio do Jaburu, para discutir o futuro do Brasil e do mundo com o (vice) presidente Michel Temer e o nobre deputado Eduardo Cunha.
O padrão Farol de Alexandria para enfrentar denúncias de corrupção era encaminhá-las ao brindeiro Procurador Geral (que, como se percebe, fez escola).
O padrão Lula era deixar estar para ver como é que fica.
Até que, vencido pelo PiG (**) e as evidências, mandava o infeliz embora.
Com a Dilma, parece que o padrão mudou.
Saiu a denúncia de manhã na imprensa, o freguês vai embora para casa à tarde.
Mesmo que o Gilberto Carvalho resista, como tentou fazer com o Pagot.
Como me disse o Mino, num jantar, a Dilma já se deu conta das arapucas.
Daqui a pouco ela chega ao Ricardo Teixeira – com quem não despacha.
Chega ao Teixeira,  com ou sem a ajuda do Ministro dos Esportes – clique aqui para ler o que disse o Mino sobre o Ricardo Teixeira e o Ministro Orlando Silva – até quando ?
O Governo já tem a fórmula para tirar o Teixeira da Copa ?, pergunta-se o Mino.
A Alemanha nomeou o Beckenbauer e a França, o Platini, para o papel de presidente do comitê organizador.
Este ansioso blogueiro sugere o Wilson Piazza.
E o Mino prontamente concorda: ele deve ter pelo menos um avô italiano: Piazza !
E, pelo que se vê no Ministério dos Transportes, um dia a Presidenta chega à Copa.
Atribui-se à Presidenta a frase todo dia você abre os jornais e vê uma crise num ministério.
O que mudou do Lula para ela ?
É que o carisma do Lula parecia abafar, congelar algumas crises dentro da caixa de isopor que ele instalou no centro da Base Aliada.
Saiu o Lula, a caixa de isopor perdeu a eficácia.
A Base Aliada mostrou-se o que é.
Uma central de chantagem.
Chantagem multiplicada, a cada crise, pelo golpismo do PiG (**).
Aumentou a corrupção ?, perguntei ao Mino.
Resposta dele:
Não se esqueça que os tucanos não realizavam obras.
(Diz esse ansioso blogueiro, não se tem notícia de uma única obra com tijolo e cimento que se possa atribuir ao sombrio Governo do Farol de Alexandria.)
Volta o Mino: e os tucanos trabalhavam em Grandes Golpes.
No atacado, como a privatização.
Nada que se compare.
Em tempo: o (vice) Presidente agora tem assento cativo no Estadão. Na pág. A6, o (vice) Presidente nos oferece esta pérola: o Brasil passou incólume pela crise européia. Trata-se de um jenio. A crise mal começou, e o (vice) Presidente enuncia um de seus habituais truísmos. A última dele foi dizer que a Dilma tinha que esperar o Pagot voltar de férias. O PiG (**) resolveu incensar o (vice) e pôr lenha na fogueira ? Ou o (vice), de fato, pensa que é ?  

Paulo Henrique Amorim

Amigo de quem ?

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

domingo, 24 de abril de 2011

Ao PPS convém observar o próprio traseiro

Pulando no galho, feito macaco que quer levar chumbo, o pessoal do PPS, um Partido de Puxa-sacos do Serra, sequer esconde o traseiro sujo para entrar no denuncismo do Estadão. É o que demonstra um dos leitores de Luis Nassif, a respeito da atitude histérica do partido para repercutir o jornalismo de muro que o Estadão anda praticando como já publicamos por aqui. O Estadão criou uma falsa polêmica sobre a contratação de Luis Nassif pela TV Brasil, e o PPS quis criar uma celeuma sobre o uso de dinheiro público na comunicação. O que os correligionários não contam é que uso fazem eles mesmos de cifras dos contribuintes para manter o site da legenda. Mas o leitor do Nassif fez mais que matar a cobra.

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O PPS e o exercício da hipocrisia

Enviado por luisnassif, sab, 23/04/2011 - 10:22

Da parte do Estadão e da Folha, a escandalização do meu contrato com a EBC teve causas, ainda que mesquinhas: retaliação pelas críticas que faço às matérias mais exageradas dos dois veículos.

Da parte do PPS de Roberto Freire – ameaçando convocar Helena Chagas para “dar explicações” – deve-se unicamente à posição servil em relação a José Serra.

Aqui no Blog jamais publiquei comentários sobre as indicações de Freire e Roberto Jungmann para conselhos de estatais paulistas. Mesmo porque, entre os inúmeros vícios deles, não consta o da desonestidade financeira, apenas a intelectual.

Os ataques da bancada ao meu contrato apenas confirmam minha percepção, que se reforçou após o email que recebi de um leitor.

Olá, Nassif

Tenho acompanhado a reação histérica do PPS em relação à contratação da sua empresa pelo governo. A hipocrisia é tão grande, que resolvi te escrever e te passar umas informações importantes sobre a conduta daquele partido por baixo dos panos da pretensa retidão ética.

O deputado Roberto Freire, aquele que volta e meia acusa o governo de aparelhar o Estado, não é a Maria Bethânia, mas produz o site do seu partido com recursos públicos. Mais de meio milhão de reais anualmente, pra ser mais preciso. É que Freire decidiu estatizar a comunicação do PPS?

Pois é, pra manter seu "Portal Nacional", cujas postagens tem em média 20 acessos diários, o PPS utiliza 10 servidores lotados em cargos comissionados na liderança do partido na Câmara dos Deputados.

E é da conta da viúva que sai o dinheiro pra pagar a "equipe" do Portal, cujos salários variam de mais de R$ 9.000 a R$ 4.000 reais. Salários bem superiores aos pagos por agências de notícias de verdade, é bom frisar.

Estou mandando, em anexo, uma lista com todos os cargos em comissão da liderança do PPS na Câmara, com nome do cargo, número de ponto e data de nomeação. Os nomes grifados em verde são daqueles que aparecem apenas para assinar ponto mas trabalham na sede do PPS em Brasília e nem na Câmara ficam. Incluindo aí, o Adão Cândido, secretário de comunicação do partido.

Já os grifados em vermelho são daqueles que, apesar de cumprirem expediente na Câmara, trabalham exclusivamente para a máquina partidária, produzindo o site do PPS. Como técnicos de suporte e de áudio (Lairsson e Saulo) e como "repórteres" do Portal (Diógenes Botelho, Luis Zanini, Nadja Rocha e William Passos, esse último é marido da repórter Roseann Kennedy, da CBN. Aí vc pode conferir com os nomes que assinam as matérias no site.

Detalhe: Eles costumam assinar como "da redação" quando não se trata de notícias sobre os deputados da bancada, mas o site é 100% produzido por gente paga pela Câmara dos Deputados.

Em anexo, também vai a lista com os valores dos salários dos cargos em comissão, que com as gratificações e horas extras (É, nós contribuintes também pagamos as horas extras de quem escreve no site do PPS) são cifras que às vezes até dobram.

119256   ADÃO CÂNDIDO LOPES DOS SANTOS     N093005 - SECRETÁRIO PARTICULAR     CNE09      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

118609   ALDEMIR PEREIRA DA SILVA    N154074 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

116127   ANDERSON SOUSA FERREIRA  N141069 - ASSESSOR TÉCNICO ADJUNTO D           CNE14      Ato do Presidente   DCD de 26/05/2003

112903   ARILDO SALLES DÓRIA              N114060 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO B  CNE11      Ato do Presidente   DCD de 10/03/2003

114847   CLAUDIO VITORINO DE AGUIAR               N071042 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 05/11/2001

118413   DILZA SOARES DE FREITAS        N154069 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 08/05/2006

115108   DIOGENES SILVA BOTELHO      N094203 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 24/04/2002

112905   ELAINE MARINHO FARIA          N094085 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 13/02/2003

112986   ELIEZER PEREIRA DA SILVA JUNIOR          N154076 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

116453   ELZA ANGELA BATTAGGIA BRITO DA CUNHA          N071040 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 16/10/2003

117911   FLÁVIO FARIA MONTEIRO DE OLIVEIRA LIMA          N141068 - ASSESSOR TÉCNICO ADJUNTO D           CNE14      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

112520   FRANCISCO DE SOUSA ANDRADE            N114148 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO B  CNE11      Ato do Presidente   DCD de 07/10/2010

112929   IRINA ABIGAIL TEIXEIRA STORNI                N094086 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 24/04/2002

118081   JEAN LOUIS SANTOS DA COSTA                N114061 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO B  CNE11      Ato do Presidente   DCD de 08/03/2010

112494   JORGE ROCHA LEITE                  N154072 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 04/12/2008

119389   JOSELENE DE FATIMA SANTOS                  N134208 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO C  CNE13      Ato do Presidente   DCD de 26/11/2007

115612   KATIA PATRICIA TORRES FRÓES                 N141070 - ASSESSOR TÉCNICO ADJUNTO D           CNE14      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

117584   LAIRSON GIESEL       N141071 - ASSESSOR TÉCNICO ADJUNTO D           CNE14      Ato do Presidente   DCD de 19/04/2005

119567   LARISSA GARCIA BARBOSA      N094087 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 19/06/2008

115869   LUIS WANDERLEY DA COSTA ZANINI       N101029 - ASSESSOR TÉCNICO ADJUNTO B           CNE10      Ato do Presidente   DCD de 07/04/2003

113333   MARCILIO MARQUES TAVARES DA SILVA                 N134206 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO C  CNE13      Ato do Presidente   DCD de 12/09/2001

119072   MARCO ANTONIO LEMGRUBER BARBOSA              N071043 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 08/03/2007

116087   MARIA DAS GRAÇAS RODRIGUES DE ARAUJO        N094084 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 19/05/2003

112496   MARIA DE JESUS NUNES DOS SANTOS    N154070 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

113515   MARIA LUCIA RODRIGUES DE LIMA        N134061 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO C  CNE13      Ato do Presidente   DCD de 16/11/1999

115484   NADJA LIDIA DA ROCHA          N134060 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO C  CNE13      Ato do Presidente   DCD de 13/02/2003

119267   PAULO MORAIS SANTA ROSA N071217 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 02/07/2007

119112   RENATO CAMPOS GALUPPO  N071041 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 22/03/2007

119937   RENATO NUNES PEREIRA         N154071 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO D CNE15      Ato do Presidente   DCD de 21/05/2009

114746   RICARDO AZEVEDO CAPILLE    N071216 - ASSESSOR TÉCNICO                CNE07      Ato do Presidente   DCD de 05/11/2001

114543   SAULO CASTRO MENÃO           N134062 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO C  CNE13      Ato do Presidente   DCD de 24/04/2002

114177   VALÉRIA MARIA DE OLIVEIRA  N094202 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE      CNE09      Ato do Presidente   DCD de 13/02/2003

118060   WILLIAM PEREIRA DOS PASSOS                N114149 - ASSISTENTE TÉCNICO DE GABINETE ADJUNTO B  CNE11      Ato do Presidente   DCD de 05/10/2005

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sexta-feira, 22 de abril de 2011

O jornalismo de muro do Estadão

Jornalista do Estadão obtendo informação na fonte.

O nível do Estadão descendo a ladeira. Com a finalidade de acusar o governo ao qual se opõe e para continuar vendendo para as classes A e B, o jornal não se preocupa mais com princípios jornalísticos. Divulga a notícia como aquela senhora do bairro que fica a vasculhar a vida de todo mundo pelo prazer de espalhar maledicências sem compromisso com a verdade. Para questionar a contratação da TV Brasil (tv pública do governo federal – ao vivo aqui) do renomado jornalista Luis Nassif, o jornalão reduziu o currículo de 40 anos, chamando-o de “blogueiro”, simplesmente. Ainda, atribuiu o valor total de gastos do programa como se fosse o Nassif a recebê-lo. Por fim, trata como denúncia o fato de não haver licitação em um tipo de contratação que não cabe licitação. O que será que aconteceu com os cérebros da classe A e B? Não é a toa que esse tipo de imprensa perde vendas cada vez mais.
O jornal teve de publicar o direito de resposta de Luis Nassif que reproduzo de seu blog. Ainda bem que não se trata de apenas um “blogueiro” como disse o jornal. Caso contrário, o direito de reposta somente seria concedido com uma lei para os meios de comunicação, o que esperamos e lutamos para que aconteça logo. Nassif deixa bem claro na resposta que sua carreira justifica a contratação, pela qual receberá valores bem inferiores que contratações feitas pela TV Cultura (tv pública do Estado de São Paulo).

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O direito de resposta no Estadão

Enviado por luisnassif, qua, 20/04/2011 - 15:00

Do Estadão

Cartas - 20/04/2011 

20 de abril de 2011 | 0h 00

TV BRASIL
Contratação

Em nome da objetividade com que O Estado de S. Paulo trata as informações, solicito a publicação dos seguintes esclarecimentos em relação à matéria TV Brasil contrata blogueiro por R$ 660 mil sem licitação (15/4).
Tenho 40 anos de carreira jornalística. Faço parte da história do jornalismo econômico brasileiro, ao lado de colegas como Biondi, Joelmir, Ming, Rocha, Mirian e outros. Ajudei a criar o jornalismo voltado para o consumidor, aí mesmo, no Jornal da Tarde, nas seções Seu Dinheiro e Jornal do Carro. Introduzi o jornalismo eletrônico no País.

Quem acompanha meu blog sabe que tenho posição crítica em relação a muitos pontos da mídia e também a pontos centrais da política econômica - em especial as políticas de juros e de câmbio. Quem acompanha meus comentários pela TV Brasil sabe que tenho feito críticas sistemáticas à timidez da Fazenda e do Banco Central em tratar da questão do câmbio.
Uma TV se faz com conteúdo e com cast - nomes conhecidos pelo público. É isso que levou a Record a contratar Heródoto Barbeiro, o SBT a contratar Marília Gabriela, a Globo News a contratar colunistas de outros jornais. E levou a nova Rede Eldorado a anunciar como estrelas comentaristas renomados do próprio Estadão.
Se a essência de uma emissora é o conteúdo produzido e o grau de conhecimento público de seus jornalistas, como tratar como desperdício de dinheiro público minha contratação pela EBC?
Pela própria natureza do trabalho, não existe licitação para contratar jornalistas ou artistas. Não é previsto na Lei de Licitações nem no uso do bom senso. Pela direção de conteúdo, pesquisas, manutenção de uma equipe para transbordar as discussões para a internet e apresentação do programa semanal, receberei R$ 35 mil (R$ 20 mil referem-se a comentários para o jornal da rede, Repórter Brasil).
Para efeito de comparação, a TV Cultura contratou grandes personagens, para tarefas mais restritas, por R$ 150 mil mensais.
Louvo o acompanhamento que o Estadão faz dos gastos do governo. Mas sugiro cautela para não transformar qualquer gasto em ato criminoso.

LUIS NASSIF
luis.nassif@gmail.com
São Paulo

O direito de resposta no Estadão - Brasilianas.Org

sexta-feira, 15 de abril de 2011

Dobradinha Globo/PSDB II – China rules

No dia em que Serra estreia no Estadão defendendo a tese de que o Brasil é dependente da China (abaixo), William Waack no Jornal da Globo referendou a hipótese do tucano. Tanto na chamada da matéria sobre o encontro dos líderes dos BRICS quanto durante os comentários econóbvios de Carlos Alberto Sardenberg, Waack mandou sua hipótese não testada de que “a China é quem manda nos BRICS”. Até Sardenberg ficou pouco à vontade com o comentário descontextualizado. Esqueceram de pedir ao economista para trazer uma de suas planilhas comprovando a tese. A agenda da Globo e do PSDB está sincronizadíssima – leia também Dobradinha Globo/PSDB I – fiasco na Copa.

Cerra plagia FHC e inventa nova “dependência” do Brasil

O Padim Pade Cerra estreou hoje como colonista (*) da pág. 2 do Estadão (onde mais seria ?).
A circulação do Estadão será vigorosamente anabolizada, sem dúvida.
Especialmente entre os leitores do povão.
Clique aqui para ler “FHC quer que o pobre se exploda e Cerra apóia”.
(Hoje, o Farol de Alexandria volta ao PiG (**) para explicar o que quis dizer com o “pobre que se exploda”.
A emenda saiu pior que o soneto – leia na pág. A8 do Estadão.
A tese do “economista” sem diploma Padim Pade Cerra é simples: o Brasil é dependente da China.
O corolário se segue: a China vai engolir o Brasil.
E aí vem a obsessão dele: o câmbio.
A moeda chinesa é sub-valorizada e a brasileira sobre-valorizada.
Alguma novidade ?
Nenhuma.
Como diria o Malan das ideias do Cerra: o que é novo não presta; o que presta não é novo.
Como sair do sufoco ?
O Cerra não tem a menor ideia.
Não há no substancioso artigo uma ideia que Governo e Oposição possam levar para casa.
A única, provavelmente, é decretar a desvalorização do Real, como ele ameaçou fazer na campanha – desvalorizar a moeda com sua autoridade e determinação – e o diploma de “economista”, claro.
O Farol de Alexandria criou a tese da “dependência”, que não passava de uma racionalização do entreguismo – clique aqui para ler o que o Bresser Pereira disse à Maria Inês Nassif.
Era a inevitável dependência aos Estados Unidos.
Logo, melhor nos submeter a ele, depender dele.
O plágio do Cerra é levemente alterado.
O Brasil se tornou dependente da China.
Qual a alternativa ?
Eleger o Cerra.
Que vai fazer o quê ?
Desvalorizar o Real por decreto.
E entregar o Brasil à Chevron.
A Chevron, a quem o pré-sal deveria ser concedido (do verbo “conceder”, de onde vem “contrato de concessão”, o preferido dos tucanos para o pré-sal).
Clique aqui para ver o momento glorioso da carreira do Cerra, quando ele diz ao WikiLeaks e à Chevron que, ao se eleger gloriosamente, rasgaria o pré-sal do Nunca Dantes e da JK de saias (aprovado no Congresso), para entregar à Chevron.
Quer dizer, roda, roda, roda, e a dupla do “quero que o pobre se exploda” acaba no colo dos Estados Unidos.
Ou porque o Brasil é dependente da China, ou porque é dos Estados Unidos.
Quem nasceu para Cerra nunca será Carlos Lacerda, disse o Brizola Neto.
Agora, no papel de colonista (*), esse ansioso blogueiro diria: quem nasceu para Cerra nunca será Miriam Leitão.
Paulo Henrique Amorim

(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Estadão fala da propina da Alstom sem citar o PSDB

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MP suíço mapeia propina a autoridades no Brasil

Ex-diretores da Eletropaulo e um conselheiro do TCE paulista são citados como destinatários de remessas da Alstom para assegurar contratos públicos no País

13 de abril de 2011 | 0h 00

Jamil Chade / GENEBRA – O Estado de S.Paulo

O Ministério Público da Suíça cita ex-diretores da Eletropaulo e um conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) de São Paulo no recebimento de propinas da Alstom para assegurar contratos públicos no Brasil. Transferências entre contas bancárias administradas pela empresa e funcionários públicos de São Paulo fazem parte do ato de acusação contra o ex-banqueiro suíço Oskar Holenweger.

Suspeito de ser o pivô de um caixa 2 da Alstom para a distribuição de propinas pelo mundo, Holenweger teria usado mais de US$ 2 milhões para permitir a obtenção de contratos em pelo menos 20 transferências bancárias.

Nesta semana, o Tribunal Federal da Suíça julga o caso. Por enquanto, a Alstom não é acusada, só Holenweger, também suspeito de ligações com Pablo Escobar e o Cartel de Medelin, na Colômbia, e de ter usado US$ 9 milhões para garantir propinas a funcionários públicos em diversos países.

No processo, uma parte substancial da acusação usa as transferências de milhões de euros aos ex-funcionários públicos brasileiros como prova da atuação do ex-banqueiro. O processo identificou o pagamento a esquemas em 20 ocasiões no País.

Em 28 de outubro de 1999, um valor de 41,5 mil teria servido como um aditivo para Gisel (projeto da Eletropaulo), em que o beneficiário final seria Robson Marinho, conselheiro do TCE de São Paulo e chefe da Casa Civil de Mario Covas entre 1995 e 1997. O dinheiro passaria pelo Banco Audi, em Luxemburgo, entraria na conta 48059 da empresa MCA no Uruguai e terminaria no banco Credit Lyonnais, na conta 17321 em nome do brasileiro. No mesmo dia, 54 mil também entrariam no negócio.

Marinho teria recebido no total quase US$ 500 mil em nove transferências. Em 13 de abril de 2000, mais uma transferência passando por diversos países acabaria na conta de Marinho, com mais 41,5 mil, repetindo o percurso do dinheiro enviado em 1999. O mesmo se repetiria em setembro daquele ano.

Outro beneficiário teria sido José Geraldo Villas Boas, que teria ficado com 1 milhão. Villas Boas presidiu a Cesp nos anos 80. Em 1999, ele recebeu 175,5 mil na conta 18558, no banco Safdié de Genebra, no nome da empresa Taltos Corp. O nome dele ainda aparece em uma segunda transação, com praticamente o mesmo valor e para o mesmo banco. Receberia depois mais 300 mil em Genebra.

Hollenweger teria destinado mais de US$ 2 milhões para beneficiários brasileiros. Em 2010, a Suíça congelou US$ 7,5 milhões em nome de Jorge Fagali Neto, ex-secretário de Transportes do governo de Fleury Filho em São Paulo, em 1994. A acusação alega que um esquema bastante elaborado de pagamento de propinas foi construído com sua ajuda.

Ética. Em nota, a Alstom informou que “segue um rígido código de ética, definido e implementado por meio de sérios procedimentos, de maneira a respeitar todas as leis e regulamentações mundialmente”. “A empresa está colaborando com as investigações e, até o momento, as suspeitas de irregularidades em contratos não foram comprovadas e não estão embasadas em provas concretas”, assinala a Alstom.

O advogado Belisário dos Santos Jr., que defende Fagali Neto, foi taxativo: “Reitero a informação que ele (Fagali) sempre repetiu: nunca teve nenhum negócio com a Alstom, nunca teve nada com a Alstom.” Sobre a investigação do MP da Suíça, Belisário anotou: “Nunca tive vista desse processo, não posso informar nada. No necessário momento processual, aqui ou lá, ele demonstrará que não teve absolutamente nada com a Alstom.”

O criminalista Celso Vilardi, defensor de Robson Marinho, disse que “só vai se manifestar após ter conhecimento dos documentos sobre os quais a reportagem do Estado se refere”.

O advogado Luiz Guilherme Moreira Porto, que defende Villas Boas, rechaçou as suspeitas: “Ele (Villas Boas), muitos anos depois de sair da Cesp, trabalhou sim como consultor da Alstom. Mas era um consultor efetivo, realizou trabalhos concretos. Era um prestador de serviço e por isso remunerado. Nunca foi um consultor de fachada, nunca serviu de laranja ou intermediário para pagamentos. É um engenheiro renomado, um dos mais prestigiados currículos.”/ COLABOROU FAUSTO MACEDO

Nota do Viomundo: Milagre, o Estadão conseguiu escrever um colosso de reportagem sem citar uma só vez o PSDB! E é propina com papel passado e tudo…

Estadão fala da propina da Alstom sem citar o PSDB - Viomundo - O que você não vê na mídia

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Mídia retoma a artilharia contra Lula

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Por Altamiro Borges
Numa ação que parece combinada, a mídia demotucana volta à carga, com artilharia pesada, contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Num jogo maroto, ela continua bajulando a presidenta Dilma Rousseff, que de “poste” virou “estadista”, mas rosna contra o seu “padrinho” e “tutor”. Abatido um, a outra ficará mais vulnerável e entrará, logo na sequência, para a linha de tiro.
Nesta nova ofensiva, como nas anteriores, coube a uma revista semanal disparar o primeiro tiro. Desta vez, a missão ficou a cargo da Época, que publicou matéria “requentada” e apimentada sobre o chamado “mensalão do PT”. O mesmo Diego Escosteguy, que se projetou com seus factóides na Veja e foi agraciado com prêmios pelo Instituto Millenium, é o autor do “reporcagem”.
Insinuações maldosas do bolsista da Millenium
Como já demonstrou Miguel do Rosário, o texto “traz aquela linguagem entre barroca e cínica que se tornou marca registrada nas reportagens sobre o mensalão. A matéria, com base no relatório da Polícia Federal enfim concluído, traz uma ou duas novidades, aos quais, porém, são tão ansiosa e descaradamente aditivadas com molho velho que perdem todo o sabor. A imagem que me vem é a de uma sopa guardada há semanas na geladeira, a qual lançamos uma cenoura cortada para que pareça fresca”.
Diego Escosteguy não apresenta qualquer prova sobre a existência do “mensalão”, que teria comprado votos de parlamentares. O que o relatório da PF indica é que houve “caixa-2” na batalha eleitoral de 2002, o que inclusive já foi reconhecido pelo próprio PT. Apesar disso, o jornalista da Millenium insiste em suas insinuações maldosas. “Era uma vez, numa terra não tão distante, um governo que resolveu botar o Congresso no bolso”. Ele até mereceria a abertura de um processo por danos morais!
“Una solo voz” da mídia golpista
“Lendo a matéria até o final, o que vemos é que a PF desmente a tese do mensalão, visto que aponta apenas 28 parlamentares como receptadores de recursos de Marcos Valério. Como se pode botar um Congresso de 513 deputados ‘no bolso’ dando dinheiro a somente 28 dentre eles? Sem contar que a maioria pertencia à base governista e muitos receberam quantias irrisórias, como o professor Luizinho, que virou "mensaleiro" após um assessor sacar R$ 15 mil do valerioduto”, aponta Miguel do Rosário.
Na prática, a “reporcagem” da revista Época, assim como várias similares da Veja, não visa esclarecer o leitor. Não tem qualquer compromisso jornalístico ético. Seu objetivo é político. No momento, a matéria serve para deflagrar uma nova ofensiva contra o ex-presidente Lula, com o intento de desconstruir a sua imagem. Isto fica mais patente com a “repercussão” do texto requentado nos jornalões, que entraram em campo logo na sequência. A ofensiva é articulada – “una solo voz”, como se diz na Venezuela.
Estadão defende processo contra Lula?
Em editorial nesta terça-feira (5), intitulado “Um golpe para Lula”, o Estadão escancara a manobra. O alvo é o ex-presidente. “A Polícia Federal levou nada menos de seis anos para confirmar que o esquema petista de pagamentos ilícitos a políticos conhecido como mensalão, trazido à tona em 2005, não é uma ‘farsa’ de que fala cinicamente o ex-presidente Lula, mas um fato objetivo, documentado e que não comporta mais interpretação”. Neste caso, o convicto Estadão defende a abertura de processo contra Lula?
O jornalão da oligarquia parece defender esta hipótese. Para a decrépita famiglia Mesquita, o mensalão existiu e Lula é o culpado! “A investigação não deixa em pé nenhuma dúvida sobre a origem do dinheiro usado para comprar políticos venais e reforçar as finanças da companheirada... Claro que Lula poderá alegar que não teve nada com isso (...), mas a volta do mensalão ao noticiário é um golpe para a pretensão do ex-presidente de sair por aí desmoralizando a denúncia que marcou para sempre o seu governo”. Ao final do editorial, o jornalão ainda “aconselha” a Justiça a se pronunciar de imediato e fala até em “condenação exemplar”.
Folha aposta nos reflexos futuros
Já a Folha trilha o mesmo rumo golpista. Ela preferiu não se expor abertamente no editorial e repassou a tarefa ao seu colunista de plantão, Fernando de Barros e Silva. O texto é idêntico ao editorial do Estadão, como se fosse escrito conjuntamente na mesa de um restaurante de luxo dos Jardins. “A versão de que o mensalão havia sido uma ‘farsa’, uma obra de ficção arquitetada pela ‘imprensa golpista’, se tornou uma ladainha nas hostes petistas”. Para ele, o relatório da PF é conclusivo e condena Lula.
Mesmo reconhecendo que “não há, a rigor, nada que seja propriamente novo e impactante na peça da PF divulgada pela revista Época”, o colunista insiste em reafirmar que a imprensa estava certa nas denúncias contra o ex-presidente e que Lula se valeu do sucesso do seu segundo mandato para ofuscá-las. Ele só deixa de registrar que o ex-presidente foi reeleito em pleno tiroteio – o que confirma que a mídia golpista foi derrotada nas eleições de 2006.
Mídia armada e de prontidão
Mas pouco importa que o relatório da PF não apresente “nada de novo” ou que a mídia tenha sido derrotada nas urnas. Para o colunista da Folha, o importante são os reflexos futuros. “É difícil avaliar, por ora, quais serão as implicações legais deste relatório. Politicamente, no entanto, a PF jogou uma pá de cal nesta farsa de salão que o PT quis impingir ao país”. Como se nota, a mídia continua em prontidão, treinada e armada. Atira para matar em Lula e deu uma trégua à Dilma. Mas não será por muito tempo!

Altamiro Borges- Mídia retoma a artilharia contra Lula

domingo, 3 de abril de 2011

Cresce credibilidade da internet como fonte de notícia, indica pesquisa

Por Pamela Forti/ Redação Revista IMPRENSA

A internet despontou como o principal meio de informação para executivos, à frente dos jornais impressos, segundo pesquisa da CDN, agência de comunicação corporativa. Em sua quarta edição, a “Pesquisa CDN de Credibilidade da Mídia” 2010/11, foi realizada com 800 executivos de diferentes faixas etárias de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília – público de interesse das agências de comunicação.

Em Brasília, 98% dos entrevistados citaram a internet como principal fonte de informação, seguida pelo jornal impresso, com 96% da preferência. Entre os jovens executivos em cargos de chefia – com idade até 28 anos – 91% afirmaram usar a internet para se manterem informados. Na sequencia, TV, citada por 90% e jornais, lembrado por 89% dos jovens executivos entrevistados. No geral, 49% dos executivos de SP e RJ dizem ler jornais pela internet diariamente e 41% declaram o fazerem de vez em quando.

Outro dado curioso é que, apesar do aumento de popularidade do Facebook, o Orkut ainda é considerado a rede social mais confiável, com 40% da preferência, ante 13% do Twitter e 10% do Facebook. Além disso, as páginas dos provedores de acesso à internet e grandes portais, como Terra e Uol, são os mais lembrados na hora de buscar informações gerais e sobre o mercado de negócios, ambos citados por 46% dos executivos entrevistados, de SP e RJ.

Interesse impresso

A pesquisa contempla também a relevância dos veículos impressos para os executivos. O hábito de leitura e assinatura de revistas caiu significativamente em relação a 2008, em quase todas as publicações relacionadas a negócios e interesse geral. Em relação ao hábito de leitura, a revista Veja, por exemplo, caiu de 79% para 61% da preferência; a Época, de 47% para 34%, comparando as edições de 2008 e 2010 da pesquisa. “A mídia revista caiu muito caiu no índice de leitura. Exatamente pela rapidez da internet, a competição é desleal, por causa da velocidade da internet”, comentou à IMPRENSA Cristina Panella, diretora geral da CDN Estudos e Pesquisas. Por outro lado, cresceu o índice de leitura de revistas ligadas ao entretenimento. A Caras foi citada por 18% dos entrevistados; a Nova, por 11% e a Cláudia, 12%. Em 2008, os índices eram, respectivamente de 17%, 11% e 8%.

Segundo a pesquisa, enquanto os grandes jornais como Folha de S.Paulo e Estadão declinaram em hábito de leitura (de 48% para 41% e de 48% para 28%, respectivamente), o interesse dos executivos por jornais populares e gratuitos cresceu. Diário de S. Paulo, Agora São Paulo, Metro, Destak e Meia Hora registraram avanço. “Quando ele tem um Metro na portaria do prédio, ele pega e folheia. Uma das grandes tendências hoje do jornalismo é o localismo. As pessoas querem ter notícias da sua proximidade”, explica Cristina. Entre os jornais, apenas O Globo manteve-se estável nas duas edições da pesquisa, com 41%.O DSP cresceu de 7% para 13%; o Agora, de 3% para 7%; o Metro, de 10% para 14%; Destak, de 5% para 12% e o Meia Hora RJ, de 5% para 6%.

abril 3rd, 2011 | Autor: Jussara Seixas
Cresce credibilidade da internet como fonte de notícia, indica pesquisa
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domingo, 13 de março de 2011

A CUT não defende reforma trabalhista ou flexibilização de direitos

Informação errada, produzida pela imprensa nacional, vai parar na The Economist
Escrito por: Blog do Artur Henrique
Cuidado, ‘The Economist’. Basear-se em informações vindas da imprensa brasileira pode induzi-la ao erro.
A revista inglesa publicou artigo em sua última edição em que afirma que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a CUT agora defendem uma reforma trabalhista. O título da reportagem é “Cuidado Empregador”.
O texto da revista foi citado na edição impressa de hoje de O Estado de S. Paulo. Lá, fica-se sabendo que a revista aponta aquilo que considera “arcaismos” da nossa legislação trabalhista para, em seguida, dizer que surge uma esperança para os patrões, a partir de um projeto de “reforma” que teria nascido lá no ABC.
O Estadão ainda diz que “a entidade (Metalúrgicos do ABC) quer que o trabalhador brasileiro tenha o direito de negociar redução de salários em momentos de crise, para evitar demissões, como ocorre em outros países”.
Mais que uma simplificação, a conclusão da revista é errada. O Sindicato e a CUT não estão defendendo reforma trabalhista. E não estão mesmo – se alguém aí leu ou ouviu qualquer um de nós defender essa tal reforma, que envie a prova para que publiquemos.
Por outro lado, se não bastasse o enunciado incorreto da revista, o texto do Estadão distorce a reportagem original, e com isso mente.
A revista não diz em nenhum momento que o Sindicato quer ter a oportunidade de negociar redução de salários. A publicação inglesa apenas diz, em um trecho do texto anterior à qualquer menção ao nosso Sindicato dos Metalúrgicos, que atualmente os sindicatos não podem fazer tais acordos no Brasil – um exemplo, segundo a revista, do arcaísmo da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).
De resto, certamente a revista estrangeira embarcou nos erros que alguns jornais brasileiros têm cometido a respeito desse assunto.
O que de fato ocorre é que o Sindicato dos Metalúrgicos está elaborando uma proposta de projeto que, se e depois de pronto, seria enviado ao Congresso Nacional. Aprovado, teria como resultado prático a regulamentação da Organização no Local de Trabalho (OLT), conhecida no ABC como comitê sindical de empresa.
Esses comitês, surgidos há 30 anos e que funcionam plenamente em empresas como Ford, Mercedes, VW, Scania e tantas outras de menor porte, são uma espécie de subsede do próprio sindicato no interior das empresas, com total autonomia e funcionamento diário.
Por causa da autonomia que têm em relação às companhias onde estão – por exemplo: os integrantes dos comitês não estão subordinados a nenhuma chefia da empresa e o espaço onde funcionam têm regras próprias – os comitês sindicais de empresa são chamados carinhosamente de “vaticano” pelos trabalhadores. Ou seja, um pequeno território encravado entre grandes, mas com poder e estrutura próprios.
Os componentes desses comitês são eleitos diretamente pelos trabalhadores da empresa, em escrutínio secreto. Essa eleição ocorre um pouco antes da escolha da direção executiva do sindicato. Na verdade, fazem parte de um mesmo processo, como se se tratassem de primeiro e segundo turnos.
Eleitos, esses comitês negociam diretamente com as empresas toda e qualquer questão relativa ao dia-a-dia das fábricas (do chão aos escritórios): condições de trabalho, segurança, horas extras, alimentação, material de trabalho, divisão em turnos, forma de pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), relações entre grupos e tantas outras.
Além de lidar com esse que poderia ser chamado microcosmo de cada unidade das empresas, os comitês interferem também em questões que terão reflexo sobre toda a cadeia produtiva – inovações tecnológicas, por exemplo, ou alterações na linha de produção.
Há reuniões periódicas entre a direção das empresas e os comitês. Na Ford, por exemplo, acontece toda a quarta-feira.
Decisões dos comitês, quando se referem a grandes ou polêmicos temas, passam pela aprovação de assembleias de trabalhadores. A linha política dos comitês está subordinada ao consenso da direção executiva do sindicato.
Com tal atuação dos comitês, os conflitos nessas empresas, como não poderia deixar de ser, caem de maneira consistente. Consequentemente, ações na Justiça do Trabalho também, já que a defesa dos interesses dos trabalhadores ocorre no calor da hora, e sempre considerando as especificidades de cada empresa. Dificilmente alguém vai cobrar na justiça, futuramente, por horas extras que já recebeu.
Onde estão consolidadas, as organizações por local de trabalho tem esses resultados, que beneficiam tanto trabalhadores quanto empresas, mas os acordos que geram poderiam, se observada estritamente a legislação em vigor, ser anulados pela Justiça do Trabalho.
O projeto que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está elaborando, se aprovado, consolidaria legalmente o funcionamento das OLTs.
Mesmo não estando ainda pronto, o projeto já tem claros alguns pontos. O primeiro deles, inegociável, é que o artigo 7º da Constituição, que trata dos direitos trabalhistas, será respeitado em todas as circunstâncias. Ou seja, nenhum comitê, por mais forte que seja, poderá flexibilizar direitos.
Outro ponto importante que comporá o projeto: só poderão conduzir esse tipo de negociação sindicatos que tenham pelo menos 50% mais um de toda a base filiada voluntariamente. Ou seja, sindicatos que não têm representatividade – o que muitas vezes é sinônimo de falta de seriedade e responsabilidade – não poderão usar esse instrumento.
Sempre, de qualquer maneira, decisões deverão ser encaminhadas a assembleias de trabalhadores.
Em linhas gerais, é isso o que está ocorrendo. Como se vê (assim espero), nada tem a ver com reforma da CLT ou flexibilização de direitos.
Se quiser ler a reportagem da The Economist, clique aqui.

A CUT não defende reforma trabalhista ou flexibilização de direitos
março 12th, 2011 |  Autor: Daniel Pearl editor geral
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