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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Jornalista britânico sugere à Dilma ficar longe de Fifa e CBF

RicardoTeixeira e João Havelange teriam levado US$ 60 milhões em subornos, diz jornalista

por Maurício Savarese, em Brasília, do UOL

Documentos obtidos pela BBC junto à Justiça suíça indicam que o ex-presidente da Fifa, João Havelange, e o presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), teriam recebido cerca de US$ 60 milhões – mais de R$ 100 milhões em valores atuais – em subornos da empresa de marketing esportivo ISL. É essa avaliação do jornalista Andrew Jennings, durante audiência na comissão de Educação do Senado.
O jornalista, que investiga a Fifa há 20 anos, recomendou à presidente Dilma Rousseff que se afaste dos dirigentes da Fifa e da CBF. “Caso contrário sua Copa do Mundo vai ter uma sombra”, disse. De acordo com as estimativas de Jennings, a ISL, que faliu em 2001, teria pagado mais de US$ 100 milhões a dirigentes esportivos enquanto intermediava contratos de empresas privadas com a Fifa.
Ele estimou os valores com base em um documento da corte de Zug, inferindo que Havelange teria recebido US$ 50 milhões por meio da empresa Sicuretta, com base em Luxemburgo. Teixeira teria arrecadado quase US$ 10 milhões por meio da empresa Sanud  - que em uma investigação do Senado aparece como sendo de propriedade do presidente da CBF.
“O caso está na Suíça mas os documentos serão requisitados pela Justiça brasileira”, informou uma fonte do Ministério Público Federal, habituada em investigações de crimes internacionais.
Da lista de empresa usadas para pagar propinas a dirigentes da Fifa, constam algumas empresas que podem esconder nomes de brasileiros, além de Ricardo Teixeira.  Wando, Beleza, Sicuretta, Renford Investments e Gilmark Tradings, com sede em Hong Kong, lideram os repasses ilegais, segundo investigadores europeus.

Jornalista britânico sugere à Dilma ficar longe de Fifa e CBF - Viomundo - O que você não vê na

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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Auto-regulação da mídia não funciona

Por José Dirceu, em seu blog:
Há pelo menos cinco décadas a Grã Bretanha vive uma experiência de amor e ódio com seus tablóides, os principais infratores do código de conduta dos jornalistas. Suas reportagens de capa estampam detalhes indiscretos, quando não picantes, dos ricos e famosos. E, se por um lado, as tiragens da imprensa marrom superam os dois milhões de exemplares, de outro, o país tentou várias fórmulas para coibir os excessos dessa imprensa, renovando suas fórmulas institucionais para fazê-lo. Apesar das várias tentativas, o assunto mais uma vez vem à tona e suscita a discussão da regulação dos meios de comunicação e a concentração de poderes nas mãos de poucos e poderosos conglomerados do setor.
Na prática, a imprensa no Reino Unido é objeto de auto-regulação há mais de 50 anos. A primeira experiência nesse sentido foi a criação de um conselho voluntário de imprensa – o Press Council - em 1953. Na década de 1980, apesar da atuação do conselho, o excesso dos tablóides sensacionalistas foi questionado no Parlamento. Ao invés de novos controles legais, a opção encontrada na House of Commons, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, foi a criação de uma nova Comissão Queixas da Imprensa ou Press Complaints Commission (PCC), uma espécie de ouvidoria do setor, composto por jornalistas e representantes da sociedade civil, para substituir o antigo conselho, de caráter de regulação profissional.
Àquela ocasião, a PCC teve a missão de colocar ordem na mídia, defendendo tanto a ética do jornalismo, quanto a liberdade de imprensa. Entre suas ações esteve a publicação de um Código de Conduta dos Editores, acordado entre jornais e revistas. Todos os editores e publishers da Grã Bretanha foram chamados a se submeter ao novo código e a financiar a PCC, via o Press Standards Board of Finance (PRESSBOF), criada desde 1971 pela indústria da publicidade, também auto-regulada.
Modelo esgotado
Com escândalos recorrentes os jornais ingleses estão, mais uma vez, sob os holofotes. Há consenso de que o frágil modelo da PCC esteja esgotado. A Comissão, formada em 1991, exatamente para coibir as práticas dos tablóides ingleses, não tem o poder de impor multas aos órgãos de imprensa nos casos de abusos, ou sequer de cassar o registro de seus profissionais, nos casos de delitos graves. Suas sanções são meramente morais. Seu modelo equivale ao de uma ouvidoria que baseia suas ações em “acordos de cavalheiros”, celebrados entre colegas de profissão. Em seu conselho estão os poderosos editores do Sunday Mirror, Tina Weaver, Ian MacGregor, do Sunday Telegraph, e Peter Wright, Mail on Sunday. Bem ao estilo inglês, costuma resolver as reclamações do público de forma discreta.
A incapacidade de a PCC fazer frente às práticas dos tablóides e dos poderosos grupos de mídia como o de Rupert Murdoch, que detém 37% do mercado editorial doméstico, além de participação no controle de emissoras de TV e de TV a cabo, levou vários parlamentares a questionarem as bases da regulação da imprensa. As críticas à tíbia atuação da PCC vão de David Cameron, premier britânico, ao líder trabalhista Ed Miliband.
Cameron, que foi apoiado por Murdoch em sua eleição, agora dirige suas acusações para a Comissão, acusando-a de ausente. “A forma como a imprensa está sendo regulada hoje não está funcionando”, disse Cameron. Miliband, por sua vez, a descreveu como um “poodle sem dentes”, incapaz, portanto, de coibir o ímpeto de seus investigados.
Acordos ineficazes
Em boa parte, o questionamento do modelo da comissão, presidida pela baronesa Tory peer Buscombe desde 2008, dá-se, principalmente pelo fato de o News of The World – tablóide pivô da crise do grupo de Murdoch – ter sido investigado pela PCC desde 2009. Na ocasião, o relatório final da comissão sobre os excessos do tablóide eximiu o jornal das acusações. Pior. Alegou que as revelações sobre as práticas da publicação de Rupert Murdoch “não corresponderam às dramáticas denúncias” das quais foi alvo.
O fato é que a auto-regulação da imprensa demonstrou claramente os seus limites. Acordos de cavalheiros não têm sido efetivos para coibir práticas ilegais de grupos, pouco afeitos a convenções. Quem põe o dedo na ferida é trabalhista Ed Miliband. Para ele “tal concentração de poder nas mãos de uma pessoa (no caso específico, Rupert Murdoch) é algo prejudicial e que leva a abusos de poder dentro de sua organização”. Ele defende que o país deva prestar atenção sempre que uma pessoa detiver mais de 20% do mercado de imprensa”. Seus comentários, de tão sábios, aplicam-se ao outros países. Lá, como cá, o assunto merece a atenção dos cidadãos e dos legisladores.

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/auto-regulacao-da-midia-nao-funciona.html

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quarta-feira, 6 de abril de 2011

A prova de como a Folha (*) torce pelo Cerra

O Conversa Afiada reproduz sugestão do amigo navegante Homero:

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EL PAÍS
Como respeitar a inteligência do leitor
Washington Araújo
(excerto de)
http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=636IMQ002#
Registro de manchetes escolhidas por El País de outubro a novembro de 2002 e manchetes da Folha de S.Paulo, nas mesmas datas:
** 1º de outubro
El País: Lula está a um só ponto de ganhar no 1º. turno no Brasil
Folha de S.Paulo: Dólar cai 3%, mas mercado ganha – FHC alerta para “passo no escuro”
** 3 de outubro
El País: Lula revive seus tempos de líder sindical – Trabalhadores e empresários vestem Lula
Folha de S.Paulo: Lula mantém 49%, Serra vai a 22%
** 4 de outubro
El País: Lula promete manter a autonomia ante os EUA para defender os interesses do Brasil – O guerrilheiro que pôs a gravata em Lula
Folha de S.Paulo: Indústria prevê pior ano desde 99 – Serra é mais atacado que Lula no debate
** 6 de outubro
El País: Lula põe à prova sua nova imagem de moderação – O esquerdista Lula, favorito nas eleições de hoje
Folha de S.Paulo: Garotinho disputa com Serra 2º lugar; Lula segue na frente
** 7 de outubro
El País: Lula conseguiu maioria absoluta
Folha de S.Paulo: Lula X Serra – Projeção aponta segundo turno
** 8 de outubro
El País: Lula: Tivemos a maior vitória de um partido de esquerda na América Latina” e “Lula busca aliança com seus rivais para ganhar no 2º turno do Brasil
Folha de S.Paulo: Oposição sai fortalecida das urnas
** 9 de outubro
El País: A esquerda de Lula ganhou em 24 dos 27 estados do Brasil
Folha de S.Paulo: Eleitor troca 47% dos deputados
No segundo turno de 2002, El País enveredou pelo mesmo caminho.
** 28 de outubro
El País: Lula arrasa com 61,2% dos votos
Folha de S.Paulo: Lula Presidente – Metalúrgico é o primeiro líder de esquerda a ser eleito no país
** 3 de novembro
El País: O que Lula tem que fazer
Folha de S.Paulo: Dívida infla investimento no Brasil
** 8 de novembro
El País: Lula, outro Allende?
Folha de S.Paulo: Pacto começa com crítica à falta de agenda e elogios
** 9 de novembro
El País: Lula anuncia pacto nacional contra a pobreza, a inflação e a corrupção
Folha de S.Paulo: Bush vence e ONU ameaça Iraque

A prova de como a Folha (-) torce pelo Cerra - Conversa Afiada

quarta-feira, 30 de março de 2011

CartaCapital: Lula, o doutor do povo

por Eduarda Freitas*, de Coimbra, em CartaCapital

A luz do sol estica-se devagar no pátio da Universidade de Coimbra. Ainda não são nove da manhã. Um grupo de jovens conversa nas escadas que dão acesso à Sala dos Capelos, onde mais tarde vai ser atribuído o grau de Doutoramento Honoris Causa a Lula da Silva. Nas mãos têm máquinas fotográficas. Às costas, a bandeira do Brasil. “Isto é muito importante para nós, por tudo o que Lula fez em oito anos, por todas as mensagens que passou ao mundo em língua portuguesa”. Denise tem 20 anos, é de Caxias do Sul. Está em Coimbra desde janeiro, a estudar Direito. Faz parte da comunidade de quase mil alunos brasileiros que estudam na academia de Coimbra. À entrada do pátio, lê-se: “Em defesa da Amazônia, Dilma pare a barragem de Belo Monte”. Os sinos tocam. Os batedores da polícia aproximam-se. Os jornalistas apontam as máquinas. Centenas de pessoas gritam num português cantado: “Lula! Lula!”. Destaca-se uma voz: “Tira uma foto com o gaúcho, Lula!”. O ex-presidente levanta a mão, como quem pede desculpa: “Estamos atrasados…”. Ainda assim, Fernanda Esteves consegue uma foto: “Eu nem acredito! Consegui…ai…”, diz com a voz entregue à emoção e os olhos castanhos a encherem-se de água. “Estou tremendo!”. E Lula ainda nem era doutor.

Doutoramento para poucos

Faltava pouco. Ao final da manhã, Lula da Silva haveria de sair da mais antiga universidade de Portugal e uma das mais velhas da Europa, com o título de doutor Honoris Causa. Uma distinção que só chega a quatro ou cinco pessoas por ano. Mas antes, havia ainda que cumprir um rigoroso e tradicional protocolo. Já dentro da Biblioteca Joanina, Lula aguardava pela formação do cortejo acadêmico. À entrada da Universidade, ninguém arredava pé. Improvisava-se a voz. Cantava-se o hino brasileiro misturado com saltos e gritos de “sou brasileiro, com muito orgulho, sou brasileiro!”. A manhã ia crescendo. “Isto havia de ser sempre assim”, confidenciavam três empregadas de limpeza da biblioteca onde  estava Lula. “Ganhamos o dia e não fazemos nada!”, riam. Mais um carro a chegar. Sai o primeiro-ministro demissionário de Portugal, José Sócrates. “Não sei se ele é bom politico, mas sei que ele é um gato…!”, riam duas amigas de olhos azuis. Agora sim, Dilma Rousseff. “ Eu quero vê-la!”, gritava Maria da Conceição, uma portuguesa de cabelos brancos, no alto dos seus sessenta anos. Entre seguranças, Maria viu Dilma, casaco vermelho escuro, sorriso rasgado: “Estou muito feliz. Ela é uma grande mulher!”.

Homenagem ao povo brasileiro

Seguiu-se o cortejo. Palmas, muitas palmas, para o quase doutor. Um quinteto de metais marcava o ritmo solene da ocasião. Lula seguia de capa preta e um capelo – pequena capa – sob os ombros. Distinguia-se dos outros elementos do cortejo, cerca de cem doutores de Coimbra, por não usar ainda a borla, uma espécie de chapéu. A luxuosa Sala dos Capelos, datada do sec. XVI, repleta de retratos dos reis de Portugal, aguardava Lula da Silva. “Mais do que um reconhecimento pessoal, acredito que esta láurea é uma homenagem ao povo brasileiro, que nos últimos oito anos realizou, de modo pacifico e democrático, uma verdadeira revolução econômica e social, dando um enorme salto qualitativo no rumo da prosperidade e da justiça”. A voz fugia-lhe, emocionado. “Nada disto seria possível, igualmente, sem a colaboração generosa e leal daquele que foi o meu parceiro de todas as horas, um dos homens mais íntegros que conheci”. Lula referia-se ao seu sempre vice-presidente, José Alencar, falecido na passada terça-feira. A regra dos doutoramento impõe silêncio, mas na Sala dos Capelos ouviram-se palmas no final do discurso de Lula da Silva. E foi ao catedrático jurista português Gomes Canotilho,  que coube fazer o discurso de elogio do doutorando Honoris Causa Luiz Inácio Lula da Silva. Antes do ex-presidente do Brasil receber o anel de senhor doutor.

Lula, o homem de mãos grandes

“Foi o maior anel de doutoramento que fizemos, devido à mão robusta de Lula!”, conta sorridente o joalheiro António Cruz. “ O anel é feito no melhor ouro português, rematado com um rubi com cerca de cinco quilates, elevado por 12 garras”. O preço? “Não posso dizer. Mas não é económico”, ri.  “Vimos várias fotos de Lula para lhe fazermos um anel personalizado. Foi muito especial para nós…!”. Por esta joalharia que vive paredes meias com a muralha de Coimbra, já nasceram anéis de doutoramentos honoris causapara os dedos dos prêmios Nobel José Saramago e Amartya Sen, para Jorge Amado, entre muitos outros. Apesar de tantos anéis, este foi a primeira cerimônia de doutoramento a que António foi assistir: “Admiro muito Lula da Silva!”. Uma hora antes, na sala onde são homenageados os maiores doutores entre os doutores, Canotilho Gomes justificava a atribuição deste título ao cidadão Lula da Silva: “a política transporta positividade e com positividade deve ser exercida. Da poesia para o filósofo, do filósofo para o povo. Do povo para o homem do povo: Lula da Silva”. Emocionado, de sorriso triste, sem prestar declarações, Lula saiu rápido para apanhar o avião para o velório de José Alencar. Ainda assim, uma jornalista brasileira, atirou uma pergunta sem ponto de interrogação: “Ei, presidente, você agora é doutor!”

* A nossa colunista portuguesa Eduarda Freitas, de Coimbra, acompanhou o emocionante doutoramento do ex-presidente Lula na tradicional Universidade da cidade.

CartaCapital: Lula, o doutor do povo
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domingo, 13 de março de 2011

A CUT não defende reforma trabalhista ou flexibilização de direitos

Informação errada, produzida pela imprensa nacional, vai parar na The Economist
Escrito por: Blog do Artur Henrique
Cuidado, ‘The Economist’. Basear-se em informações vindas da imprensa brasileira pode induzi-la ao erro.
A revista inglesa publicou artigo em sua última edição em que afirma que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a CUT agora defendem uma reforma trabalhista. O título da reportagem é “Cuidado Empregador”.
O texto da revista foi citado na edição impressa de hoje de O Estado de S. Paulo. Lá, fica-se sabendo que a revista aponta aquilo que considera “arcaismos” da nossa legislação trabalhista para, em seguida, dizer que surge uma esperança para os patrões, a partir de um projeto de “reforma” que teria nascido lá no ABC.
O Estadão ainda diz que “a entidade (Metalúrgicos do ABC) quer que o trabalhador brasileiro tenha o direito de negociar redução de salários em momentos de crise, para evitar demissões, como ocorre em outros países”.
Mais que uma simplificação, a conclusão da revista é errada. O Sindicato e a CUT não estão defendendo reforma trabalhista. E não estão mesmo – se alguém aí leu ou ouviu qualquer um de nós defender essa tal reforma, que envie a prova para que publiquemos.
Por outro lado, se não bastasse o enunciado incorreto da revista, o texto do Estadão distorce a reportagem original, e com isso mente.
A revista não diz em nenhum momento que o Sindicato quer ter a oportunidade de negociar redução de salários. A publicação inglesa apenas diz, em um trecho do texto anterior à qualquer menção ao nosso Sindicato dos Metalúrgicos, que atualmente os sindicatos não podem fazer tais acordos no Brasil – um exemplo, segundo a revista, do arcaísmo da CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas).
De resto, certamente a revista estrangeira embarcou nos erros que alguns jornais brasileiros têm cometido a respeito desse assunto.
O que de fato ocorre é que o Sindicato dos Metalúrgicos está elaborando uma proposta de projeto que, se e depois de pronto, seria enviado ao Congresso Nacional. Aprovado, teria como resultado prático a regulamentação da Organização no Local de Trabalho (OLT), conhecida no ABC como comitê sindical de empresa.
Esses comitês, surgidos há 30 anos e que funcionam plenamente em empresas como Ford, Mercedes, VW, Scania e tantas outras de menor porte, são uma espécie de subsede do próprio sindicato no interior das empresas, com total autonomia e funcionamento diário.
Por causa da autonomia que têm em relação às companhias onde estão – por exemplo: os integrantes dos comitês não estão subordinados a nenhuma chefia da empresa e o espaço onde funcionam têm regras próprias – os comitês sindicais de empresa são chamados carinhosamente de “vaticano” pelos trabalhadores. Ou seja, um pequeno território encravado entre grandes, mas com poder e estrutura próprios.
Os componentes desses comitês são eleitos diretamente pelos trabalhadores da empresa, em escrutínio secreto. Essa eleição ocorre um pouco antes da escolha da direção executiva do sindicato. Na verdade, fazem parte de um mesmo processo, como se se tratassem de primeiro e segundo turnos.
Eleitos, esses comitês negociam diretamente com as empresas toda e qualquer questão relativa ao dia-a-dia das fábricas (do chão aos escritórios): condições de trabalho, segurança, horas extras, alimentação, material de trabalho, divisão em turnos, forma de pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados), relações entre grupos e tantas outras.
Além de lidar com esse que poderia ser chamado microcosmo de cada unidade das empresas, os comitês interferem também em questões que terão reflexo sobre toda a cadeia produtiva – inovações tecnológicas, por exemplo, ou alterações na linha de produção.
Há reuniões periódicas entre a direção das empresas e os comitês. Na Ford, por exemplo, acontece toda a quarta-feira.
Decisões dos comitês, quando se referem a grandes ou polêmicos temas, passam pela aprovação de assembleias de trabalhadores. A linha política dos comitês está subordinada ao consenso da direção executiva do sindicato.
Com tal atuação dos comitês, os conflitos nessas empresas, como não poderia deixar de ser, caem de maneira consistente. Consequentemente, ações na Justiça do Trabalho também, já que a defesa dos interesses dos trabalhadores ocorre no calor da hora, e sempre considerando as especificidades de cada empresa. Dificilmente alguém vai cobrar na justiça, futuramente, por horas extras que já recebeu.
Onde estão consolidadas, as organizações por local de trabalho tem esses resultados, que beneficiam tanto trabalhadores quanto empresas, mas os acordos que geram poderiam, se observada estritamente a legislação em vigor, ser anulados pela Justiça do Trabalho.
O projeto que o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC está elaborando, se aprovado, consolidaria legalmente o funcionamento das OLTs.
Mesmo não estando ainda pronto, o projeto já tem claros alguns pontos. O primeiro deles, inegociável, é que o artigo 7º da Constituição, que trata dos direitos trabalhistas, será respeitado em todas as circunstâncias. Ou seja, nenhum comitê, por mais forte que seja, poderá flexibilizar direitos.
Outro ponto importante que comporá o projeto: só poderão conduzir esse tipo de negociação sindicatos que tenham pelo menos 50% mais um de toda a base filiada voluntariamente. Ou seja, sindicatos que não têm representatividade – o que muitas vezes é sinônimo de falta de seriedade e responsabilidade – não poderão usar esse instrumento.
Sempre, de qualquer maneira, decisões deverão ser encaminhadas a assembleias de trabalhadores.
Em linhas gerais, é isso o que está ocorrendo. Como se vê (assim espero), nada tem a ver com reforma da CLT ou flexibilização de direitos.
Se quiser ler a reportagem da The Economist, clique aqui.

A CUT não defende reforma trabalhista ou flexibilização de direitos
março 12th, 2011 |  Autor: Daniel Pearl editor geral
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segunda-feira, 7 de março de 2011

Guerra aos sindicatos e aos servidores

“os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes” – tese da The Economist

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The Economist prega guerra aos sindicatos

Reproduzo artigo de Bernard Cassen, publicado pelo jornal Le Monde Diplomatique (edição em espanhol) e traduzido pelo sítio Carta Maior:
A revista The Economist é onde são expostas com maior radicalismo – e também com talento – as teses ultraneoliberais. É conhecida a grande influência que este semanário britânico exerce sobre as autoridades políticas, influência esta que vai muito além do mundo anglosaxão. O que The Economist preconiza transmite-se frequentemente para as políticas dos governos, em primeiro lugar na Europa. Por isso, é preciso levar muito a sério a capa da edição de 8 de janeiro passado e o conteúdo do informe especial: “A próxima batalha. Rumo ao confronto com os sindicatos do setor público”.
A tese da revista é de uma simplicidade evangélica e pode ser resumida em três pontos: a) todos os Estados europeus enfrentam déficits públicos abismais; b) para reduzir o gasto público, é preciso reduzir os efetivos, os salários e os sistemas de pensões dos funcionários; c) os governos ganharão com maior facilidade a opinião pública incentivando a denúncia dos “privilégios” (em especial a estabilidade no trabalho) dos “acomodados” do setor público, que supostamente vivem a custa do conjunto dos contribuintes.
Em nenhum momento o informe recorda que os déficits públicos são em grande parte consequência das ajudas colossais aos bancos e outros responsáveis pela crise atual. Tampouco que estes déficits aumentaram devido aos presentes sob a forma de isenções fiscais outorgadas aos ricos. Nem sequer se deixa claro que, em troca de seu salário, os funcionários prestam serviços indispensáveis para o bom funcionamento da sociedade.
Em particular os professores, atacados muito especialmente neste informe.
O jornalista que escreveu um dos artigos deve estar muito desinformado sobre as reais condições de trabalho dos professores para ter coragem de escrever que “65 anos deveria ser a idade mínima para que essa gente que passa a vida em uma sala de aula se aposente”.
The Economist festeja que vários governos europeus – dois deles dirigidos por “socialistas”, Grécia e Espanha – tenham rebaixado os salários de seus funcionários e que, em toda a União Europeia haja “reformas” – seria mais justo falar de contrarreformas dos sistemas de pensões já realizadas ou em vias de realização.
Por ideologia, os liberais são hostis aos funcionários e demais assalariados do setor público. Em primeiro lugar porque privam o setor privado de novos espaços de lucro. Em segundo porque, protegidos por seu estatuto, podem ser socialmente mais combativos que seus companheiros do setor privado, até o ponto de que, às vezes, fazem greves “por delegação” e representam os trabalhadores do setor privado que não podem fazê-las.
Esta solidariedade é a que os governos querem destruir a todo custo para reduzir a capacidade de resistência das populações contra os planos de ajuste e de austeridade implementados em toda a Europa. Os déficits públicos constituem assim um pretexto inesperado para modificar as relações sociais conflitivas em detrimento do mundo do trabalho.
Defender os serviços públicos é defender o único patrimônio do qual dispõem as categorias mais pobres da população. A aposta na caça aos funcionários públicos e a seus sindicatos proposta por The Economist não é apenas financeira. É política ou ideológica.
* Tradução: Marco Aurélio Weissheimer.

Altamiro Borges: The Economist prega guerra aos sindicatos

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

EUA financiam mídia golpista da Venezuela

blog do Miro
Altamiro Borges:

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

EUA financiam mídia golpista da Venezuela

Reproduzo matéria publicado no jornal Hora do Povo:
O dono do jornal venezuelano El Nacional, Miguel Otero, e os da Globovisión, Guillermo Zuloaga e Nelson Mezer-hane, que fazem oposição cerrada ao governo de Hugo Chávez, se reuniram em 2010 com o diplomata norte-americano Patrick Duddy para pedir financiamento que os tirasse da falência.
A informação vazou em documentos do site Wikileaks e explica como jornais que têm venda ao público praticamente nula continuam circulando. As mensagens revelam que Otero dava como prazo máximo de funcionamento do jornal até abril do ano passado, se não recebesse recursos. O El Nacional, ainda que só para ser exposto nas bancas, continua sendo impresso diariamente até hoje.
Zuloaga e Mezerhane fugiram para a Florida acusados de várias fraudes, rombos financeiros, dívidas milionárias com o fisco, incitação ao magnicídio e outros crimes.
A advogada Eva Golinger, que tem se caracterizado por denunciar as manobras pensadas e executadas por Washington contra Caracas, declarou que outros documentos do Departamento de Estado dos EUA que estão sendo divulgados evidenciam o processo de seleção e cooptação de jornalistas para trabalhar nesses meios à serviço dos interesses anti-nacionais.
Para esse fim é usado como fachada um programa de intercâmbio internacional, cujo verdadeiro objetivo é pagar profissionais que se disponham a promover e defender os interesses dos EUA, mesmo tendo que se submeter ao aviltamento da sua profissão. Eva mencionou entre esses mercenários o agora deputado da Assembléia nacional, Miguel Angel Rodríguez, que recebeu milhares de dólares para assinar supostas reportagens de “investigação” e receber aulas em escritórios para essa finalidade nos Estados Unidos.

Altamiro Borges: EUA financiam mídia golpista da Venezuela

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Direita midiática cria doentes mentais

Blog do Miro
Altamiro Borges

Reproduzo artigo de Pascual Serrano, publicado no sítio da Revista Fórum:
Em plena era da informação, é estarrecedor como se pode conseguir que amplos setores da opinião pública possam executar uma alteração tão impressionante da realidade. Na Venezuela, atende pelo nome de ‘dissociação psicótica’, isto que consiste em um processo mental pelo qual se cria no subconsciente do indivíduo uma realidade fictícia na qual todos os males e todo o mal que se sucede provém de uma só causa ou de uma só pessoa.
A tese levantada pelos setores alinhados ao governo venezuelano e à manutenção da institucionalidade é que os meios de comunicação implantaram este modo de pensamento, de tal maneira que responsabilizam de forma patológica Hugo Chávez e o governo venezuelano por todo o mal que ocorre, perdendo assim qualquer capacidade de análise racional da realidade. O curioso é que não é somente na Venezuela que isto ocorre. Nos Estados Unidos se trata de uma forma de pensamento que não para de aumentar e se difundir entre a ultra direita política e midiática.
No dia 6 de março de 2003 o membro da Câmara de Representantes do Texas, Debbie Riddle, em uma entrevista ao jornal El Paso Times, afirmava: “De onde surge esta idéia de que todo o mundo merece uma educação gratuita, atenção médica gratuita, independente de quem seja? Vem de Moscou, da Rússia. Vem diretamente da boca do inferno. E é habilmente disfarçada como uma idéia de gente de bom coração. Nada de bom coração. Isso é o que rasga o coração deste país” [1].
O professor de História da Universidade de Houston, Robert Zaretsky recordava [2] que a supracitada congressista republicana levantou no início de 2010 aquilo que chamou de “o problema dos terroristas de bermudas”. Segundo ela, existiriam mulheres enviadas por terroristas que cruzariam a fronteira para dar à luz seus filhos em solo estadunidense. Uma vez crescidos, estes “agentes adormecidos” passariam à ação com o objetivo de disseminar o caos nos Estados Unidos.
Não se trata de uma paranóia exclusiva de Riddle; outro membro do Texas na Câmara de Representantes, Louie Gohmert, afirmou em um discurso pronunciado na Câmara em junho de 2010 que um ex-agente do FBI lhe havia contado sobre os “terror baby”. Segundo explicou mais tarde em uma entrevista ao Fox Business News, ele conheceu num avião um passageiro com um familiar que pertencia ao Hamas que lhe contou que este tinha a intenção de conseguir que um neto seu nascesse nos Estados Unidos [3].
Na entrevista, Gohmert afirmou que as mulheres grávidas viajam do Oriente Médio aos EUA com vistos de turista e munidas da intenção de dar a luz nos Estados Unidos e conseguir assim para seus filhos a cidadania estadunidense. Segundo Gohmer, depois a criança voltaria ao país de origem da mãe onde faria um treinamento com terroristas com o objetivo de voltar depois aos Estados Unidos. Quando o jornalista pediu a Gohmert que fornecesse provas disto, ele se limitou a indicar um artigo do Washington Post [4] que descrevia o que denominam de turismo de nascimento (“birth tourism”).
Tratava-se da existência de pacotes turísticos, em especial para cidadãos chineses, com o objetivo que a “turista” grávida tivesse seu filho em território estadunidense. Aquilo foi descrito pelo político republicano como um “enorme rombo na segurança do nosso país”. Perguntando pela relação disto com as crianças terroristas, afirmou: “Se você não acredita que isto é uma prova, é porque acha que os terroristas são mais tontos que estas pessoas empreendedoras” [5]. O assunto foi de tal maneira absurdo que provocou uma paródia no The Daily Show [6], mas sem dúvida, tendo em vista os hábitos eleitorais, não faltariam cidadãos para compartilhar a tese de Gohmert.
A paranoia política da ultra direita tem também seu correspondente braço midiático. O professor de literatura da Universidade de Illinois, Walter Benn Michaels, conta [7] que no verão do ano passado surgiu uma controvérsia entre duas “estrelas” da direita estadunidense da emissora Fox, em torno da pergunta: Qual é o inimigo mais perigoso dos Estados Unidos da América? O primeiro deles, Bill O’Reilly, responde o previsível: Al-Qaeda. Porém, o outro jornalista, Glenn Beck, afirmou: “não são os jihadistas os que ‘querem destruir nosso país’, mas sim ‘os comunistas’”.
Pode se pensar que Beck somente respondeu mediante um condicionamento mental característico da Guerra Fria. No entanto, ele nasceu em 1964, e não pode conhecer este período com pleno uso da razão. Por outro lado, Beck não é um apresentador minoritário. Em 2009 seu programa foi um dos que obteve maior audiência de notícias comentadas na televisão a cabo, com oito milhões de espectadores. Em programas de outros canais, como a ABC, ele foi selecionado pelo público como uma das “10 pessoas mais fascinantes” de 2009 [8]. E em 2010 o jornal The Times o incluiu entre os cem líderes políticos mais influentes [9].
Benn Michaels recorda que na lista dos best-sellers da Amazon, o ensaio político mais vendido é Caminho de Servidão, do economista ultraconservador austríaco Friedrich Hayek, falecido em 1992. Uma das teses do livro é que qualquer política dirigida diretamente a um ideal de justiça distributiva, isto é, o que se entende como uma distribuição “mais justa”, tem necessariamente que conduzir à destruição do império da lei. Nos Estados Unidos pode-se escutar o jornalista de rádio com maior audiência do país, Rush Limbaugh, alertando contra os espiões “comunistas” que “trabalham para Vladimir Putin” [10].
O fenômeno, como era de se esperar, não se restringe aos Estados Unidos nem à Venezuela. Na Itália, Silvio Berlusconi afirma que os comunistas querem eliminá-lo [11], apesar dos comunistas não terem ali nem mesmo um só deputado nacional. Na Espanha, até mesmo o setores midiáticos próximos ao governo tentam dar o sinal de alerta sobre a paranoia da direita midiática [12].
Assim o denuncia o ex-diretor adjunto do jornal El País, José Maria Izquierdo, em seu livro As Cornetas do Apocalipse, onde passa por algumas das figuras da direita troglodita espanhola e suas “pérolas” de análise sobre a situação espanhola e o governo Zapatero. Ainda que valesse a pena recordar ao autor que foi em seu jornal que mais soaram as trombetas do apocalipse contra os governos progressistas da América Latina. Também se na Espanha se une a eles a Igreja, a instituição mais antiga na arte de disseminar o pânico e a angústia. O bispo de Córdoba assegurou que a Unesco tem um plano “para, nos próximos vinte anos, fazer com que a metade da população mundial seja homossexual” [13].
Em qualquer caso, a inquietante conclusão é a angústia de comprovar que, com todas as possibilidades técnicas e jornalísticas do século XXI, a demência de alguns líderes políticos e o poder de algumas vias midiáticas de propaganda consigam arrastar grandes setores da opinião pública para uma psicose, uma dissociação psicótica que ninguém sabe até onde pode nos levar.
* Pascual Serrano é jornalista. Acaba de publicar o livro Traficantes de información. La historia oculta de los grupos de comunicación españoles. Foca.

NOTAS
1- "Legislators Question Border Health", El Paso Times. 6-3-2003;
2- Le Monde Diplomatique (edição espanhola) Dezembro, 2010;
3- Editorial. The Boston Globe, 14-8-2010; http://www.boston.com/bostonglobe/editorial_opinion/editorials/articles/2010/08/14/and_avoid_crackpot_theories_too/ ;
4- Richburg, Keith. "For many pregnant Chinese, a U.S. passport for baby remains a powerful lure", Washington Post, 18-7-2010 http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2010/07/17/AR2010071701402.html 
5- "Video: Rep. Gohmert on `terror babies` ”. CNN, 12-8-2010. http://ac360.blogs.cnn.com/2010/08/12/video-rep-gohmert-on-terror-babies-conspiracy/ 
6- "Jon Stewart & Anderson Cooper Look at Gaping Holes - Security - The Daily Show with Jon Stewart. Video Clip | Comedy Central" . Thedailyshow.com. 17-8-2010. http://www.thedailyshow.com/watch/tue-august-17-2010/jon-stewart---anderson-cooper-look-at-gaping-holes---security  .
7- Le Monde Diplomatique, Dezembro 2010.
8- "Top 10 Most Fascinating People of 2009" . ABC News. http://abcnews.go.com/Entertainment/slideshow?id=9225910&page=3  .
9- “ Time`s 2010 Top 100 most influential people list ”. The Times, 29-4-2010. http://www.time.com/time/specials/packages/completelist/0,29569,1984685,00.html  http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1984685_1984864_1985415,00.html 
10- Se puede escuchar en Media Matters, 8-7-2010 http://mediamatters.org/mmtv/201007080038 
11- Berlusconi: "Os comunistas existem e usam dos juízes próximos para me eliminar". El País, 5-1-2011. http://www.elpais.com/articulo/internacional/Berlusconi/comunistas/existen/usan/jueces/cercanos/eliminarme/elpepuint/20110105elpepuint_9/Tes 
12- “O `discurso do ódio` envenena a democracia”. Público, 16-1-2011. http://www.publico.es/internacional/356440/el-discurso-del-odio-envenena-la-democracia 
13- El País, 2-1-2011 http://www.elpais.com/articulo/sociedad/obispo/Cordoba/Unesco/quiere/hacer/mitad/poblacion/sea/homosexual/elpepusoc/20110102elpepusoc_5/Tes

Altamiro Borges: Direita midiática cria doentes mentais

Obama recua diante da ditadura midiática

Blog do Miro
Altamiro Borges

Reproduzo artigo do professor Venício A. de Lima, publicado no Observatório da Imprensa:
Há pouco mais de dois anos (18/11/2008) publiquei neste Observatório artigo motivado por mensagem recebida de Josh Silver, diretor da organização não-governamental Free Press, que chamava a atenção para as grandes transformações que deveriam ocorrer na mídia estadunidense se o presidente eleito Barack Obama cumprisse as promessas de campanha (ver "Comunicações nos EUA: O que muda com Barack Obama?").
Volto ao assunto agora, motivado pelo mesmo Josh Silver.
Após a fusão da Comcast – a maior operadora de TV a cabo e maior provedora de internet dos EUA – com a NBC-Universal (NBCU), autorizada pela Federal Communications Commission (FCC), no último dia 18 de janeiro, ele admite ter perdido as esperanças e mostra como, uma a uma, as promessas de Obama estão sendo descumpridas com prejuízos óbvios para a pluralidade e a diversidade na mídia dos EUA (ver "Comcastrophe: Obama’s FCC Approves Enormous Corporate Media Merger for Comcast/NBC").

De que se trata
As informações disponíveis dão conta de que o negócio de 30 bilhões de dólares, isto é, a compra de 51% da NBCU pela Comcast, faz surgir o maior grupo de comunicação dos Estados Unidos. A Comcast passa a controlar também um enorme leque de programas de televisão e um arquivo com mais de quatro mil filmes. A nova empresa terá 16,7 milhões de assinantes de banda larga, 23 milhões de usuários de TV por assinatura, estações de transmissão e dezenas de canais que incluem a rede de televisão NBC, USA Network, Bravo e MSNBC, além da participação de 32% no serviço de vídeos online Hulu.
O que isso representa para o mercado de comunicações nos EUA?
Para Josh Silver, a fusão autorizada pela FCC possibilita à Comcast "fundir" a internet com a TV a cabo, vale dizer, desfrutar de enorme vantagem sobre competidores e liberdade plena para determinar os preços a serem cobrados por seus programas e serviços. Pior de tudo, a fusão diminui ainda mais o que sobra de vozes independentes e da diversidade na televisão americana.
Promessas quebradas
Para refrescar a memória, reproduzo abaixo duas promessas de campanha do então candidato Barack Obama (ver aqui):
Sobre concentração da mídia
"Eu me comprometo a reavaliar as atuais políticas da FCC [Federal Communications Commission, agência reguladora das comunicações nos EUA] em termos de diversificação da mídia. E algo que quero fazer é expandir a diversidade de vozes na mídia, ou adotar políticas que o incentivem, levando em conta que a própria natureza da nossa mídia vem mudando tão rapidamente que talvez a coisa mais importante que possamos fazer seja preservar a diversidade que vem emergindo com a internet. A internet ainda não é a principal fonte de notícias para o povo, mas vem se tornando, cada vez mais, a principal fonte de notícias... Ainda há uma multiplicidade de vozes na internet e, portanto, trata-se de saber como preservá-la, na medida em que as grandes empresas começam a tentar ocupar esse espaço."
Sobre a neutralidade na internet
"Não recuarei em meu compromisso com a neutralidade. A internet é a rede mais aberta que existiu até hoje. Assim a teremos que manter. Evitarei que provedores utilizem, de alguma maneira, uma discriminação que limite a liberdade de expressão na internet. Como a maioria dos norte-americanos tem como única opção um ou dois provedores de banda larga, as operadoras não resistem à tentação de impor um custo ao conteúdo e serviços, discriminando sites que não se disponham a pagar por um tratamento igual. Isso poderia criar uma internet em dois níveis, na qual os sites que melhor se relacionassem com os provedores teriam mais rápido acesso aos consumidores, enquanto seus concorrentes permaneceriam num nível mais lento. Esse tipo de conseqüência representaria uma ameaça à inovação, à tradição aberta e à arquitetura da internet, e incentivaria a concorrência entre conteúdo e os principais provedores. Representaria também uma ameaça à igualdade de oratória com que a internet começou a transformar o discurso político e cultural norte-americano. Conseqüentemente, os provedores de internet não deveriam ser autorizados a cobrar pelo privilégio de conteúdo e diligência a alguns sites da internet em detrimento de outros."
E o Brasil?
O artigo de 2008 terminava evocando a famosa frase do ex-embaixador brasileiro em Washington (1964-1965) e ex-ministro das Relações Exteriores (1966-1967), general-de-divisão Juraci Magalhães (1905-2001): "O que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil".
A esperança era de que, com Obama na presidência, pelo menos no que se refere às políticas públicas de comunicações, a frase do general Juraci se tornaria verdadeira.
Junto com muitos milhões de americanos e brasileiros, tudo indica que era um equívoco.

Altamiro Borges: Obama recua diante da ditadura midiática

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os paranoicos

O vídeo “Uma breve história dos Estados Unidos” ironiza a paranoia cultural nos EUA e o texto “Passou no Wal Mart, comprou munição e matou gente” questiona se a preocupação no país com os “desequilibrados” e “loucos” não deve rumar o foco para a discussão do acesso fácil às armas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Blog do Miro
Michael Moore e a tragédia nos EUA

. Extraído do sítio www.michaelmoore.com

Viomundo – O que você não vê na mídia
12 de janeiro de 2011 às 13:49

Heloisa Villela: Passou no Wal Mart, comprou munição e matou gente

por Heloisa Villela

Loucura?

Em meio a toda essa sandice, mais uma de tantas explosões aparentemente gratuitas de violência neste país, as perguntas e tentativas de explicação voltam à tona. São sempre as mesmas, recicladas ou não como novidade. E tudo sempre se resume a uma análise “aprofundada” do sujeito da ação. O cara é desequilibrado, tem problemas mentais,  ninguém tomou providência a tempo, etc, etc. Quantas vezes já ouvimos tudo isso?

Pois é, cansa e parece farsa na quarta ou quinta vez. E fica ainda mais evidente que talvez o blá, blá, blá da mídia sirva apenas para calar a verdadeira discussão que esse país aqui se recusa a travar. São várias, na minha muito modesta opinião. E não passa disso: opinião mesmo, de quem mora há mais de 20 anos aqui, não tem curso de psicologia nem de sociologia. Mas ainda assim, são coisas que me martelam a cabeça.

O rapaz do Arizona comprou uma arma, sem problemas, na loja “Sportsman’s Warehouse”, em novembro. Poucas horas antes de matar seis pessoas, entrou em um Wal Mart (esses hipermercados populares) e comprou munição. No táxi, com toda tranquilidade, ele foi para o estacionamento do mercado Safeway, onde acontecia o pequeno comício, ou corpo-a-corpo da deputada Gabrielle Giffords.

Agora, paramos aqui e juntamos: armas acessíveis, munição à vontade e políticos, em geral, cada vez mais odiados pela população. O que acontece com o debate político nesse país? Nada, porque ele não envolve a população. Nas eleições presidenciais, quando um número maior de eleitores participa, o índice de comparecimento fica ali pelos 50%. Ou seja, metade da população não se interessa em sair de casa para votar. Não se sente representada, talvez, por nenhum dos dois partidos majoritários.

Mais recentemente, a decepção com a classe política se aprofundou. A crise financeira, o socorro aos bancos e o total desinteresse pela situação dos que perderam suas casas porque não podiam mais pagar a prestação irritou muita gente. Em seguida, veio a discussão da reforma da saúde, acalorada, lotada de distorções e mentiras.

O presidente Barack Obama foi eleito numa onda de esperança que mobilizou um bocado de gente. Em seguida, foi uma ducha de água fria. Muita gente se sentiu traída porque ele não atacou os problemas com o vigor que se esperava. Não estou dizendo que o sujeito lá do Arizona decidiu matar uma meia dúzia porque estava irritado com o governo. O que me parece é que existe um descolamento total da política, que não diz nada para a vida do cidadão comum, hoje em um clima tenso, de desesperança.

Ao mesmo tempo, o espaço do debate político foi tomado por uma retórica vazia, de acusações falsas e promoção do ódio aos imigrantes, às minorias… O xerife do condado do Arizona, onde aconteceu o massacre, diz que esse discurso político deve ter influenciado o rapaz. Quanto ao acesso às armas, foi mais radical: “Talvez agora eles exijam que todo bebê mantenha uma Uzi no berço”. Alguém, por aqui, ainda pensa.

O Departamento de Segurança Interna, há dois anos, produziu um estudo mostrando que havia um acirramento dos grupos de ódio e de direita radical, alimentado, entre outras coisas, pela eleição de um presidente negro pela primeira vez na história do país. O estudo alertava para a possibilidade de atos isolados e perigosos. Mas o documento foi engavetado depois que os republicanos berraram, especialmente o agora presidente da Câmara, John Boehner, dizendo que não passava de propaganda do governo Obama.

E, mais uma vez, o governo Obama se calou diante da oposição…

sábado, 4 de dezembro de 2010

Entrevista a correspondentes estrangeiros: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”

Blog do Planalto
Sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 às 14:38

Presidente Lula, entre o governador Sérgio Cabral e o ministro Franklin Martins, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.
Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a parir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.
Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.
Ouça abaixo a íntegra da entrevista aos jornalistas estrangeiros.


Baixar audio em mp3: 2.74Mb

Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:
Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.
O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso decentralizar a Copa do Mundo”, disse.
Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.
Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representaces diplomaticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.
Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos no setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.

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Disparada da Ciência brasileira é tema na Science

Ciência brasileira: de vento em popa

Uma economia vigorosa e descobertas de petróleo estão impulsionando a pesquisa no Brasil a novas alturas. Mas as lideranças científicas precisam superar um sistema educacional fraco e um histórico de pouco impacto

Viomundo - O que você não vê na mídia
2 de dezembro de 2010 às 21:13

Ciência brasileira é tema da principal matéria da prestigiosa Science

por Conceição Lemes

Ter trabalho mencionado ou publicado na Science é o sonho de todo cientista. Pudera. Publicada pela Associação Americana pelo Avanço da Ciência (www.aaas.org), é a mais prestigiosa revista de ciência do mundo, ao lado da Nature , inglesa.
A triagem é rigorosíssima. Os critérios para publicação, científicos, mesmo.
Imaginem ser o tema de uma reportagem de seis páginas. É o supra-sumo.
Pois a edição 331 da Science, que começou a circular nessa tarde, dedica seis páginas à ciência brasileira. É a principal reportagem da edição. Nessa magnitude, é a primeira vez que isso acontece na publicação que já teve como um dos seus editores o Thomas Edison (1847-1931), criador da lâmpada elétrica, do fonógrafo e do projetor de cinema, entre outras invenções.
A reportagem começa e termina por Natal (RN). Mais precisamente no município Macaíba, que sedia o Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lilly Safra, mais conhecido como Centro do Cérebro, implantado pelos neurocientistas Miguel Nicolelis e Sidarta Ribeiro.
A reportagem destaca também, entre outras,  as pesquisas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Petrobras e da Amazônia. Sinceramente emocionante. Uma demonstração clara de que:
1) Lá fora, estão de olho no que se faz aqui.
2) É preciso mudar o modo de gestão científica no Brasil.
3)  A Universidade de São Paulo, apesar de ter grande produção científica, está perdendo espaço. Nenhuma pesquisa da USP foi destacada. Sinal de alerta de que há algo errado.
4) O que o Brasil está fazendo em termos de ciência tem sentido.
5) A visão do  Centro de Natal de que ciência é  agente de transformação social convenceu até os gringos, apesar de ela ainda sofrer resistência e bombardeio de setores da academia brasileira.
A propósito, todos os aspectos da Ciência Tropical estão no artigo da Science. Sinal de que ela é o futuro.

Confira você mesmo. Segue a íntegra da tradução do artigo da Science, exceto os quadros.

Ciência brasileira é tema da principal matéria da prestigiosa Science | Viomundo - O que você não vê na mídia

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Só a imprensa brasileira não viu

Man made fires to clear the land for cattle or crops in Sao Felix Do Xingu Municipality, Para, Brazil - June 2009 BBC: The figures suggest scenes like these are getting rarer in the Amazon

Os Amigos do Presidente Lula
O  jornal britânico "Guardian" postou matéria escrita por Tom Phillips a Manaus, com a manchete: "Desmatamento do Brasil está no menor nível em décadas", isso "graças às ações do governo Lula e ao impacto da crise financeira global". A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chamou os dados de "fantásticos", os melhores "na história da Amazônia". A matéria está também na  BBC etc.

Os Amigos do Presidente Lula: Só a imprensa brasileira não viu

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

'imprensa antiga' ainda crê que povo é massa de manobra

Os Amigos do Presidente Lula
quarta-feira, 24 de novembro de 2010

O Presidente Lula concedeu entrevista a blogueiros nesta quarta-feira, na qual falou sobre sua relação com as empresas de comunicação ao longo de seus oito anos no governo. Lula chamou a imprensa de "imprensa antiga", por pensar que o povo é massa de manobra. "Eles se enganam, o povo está mais inteligente, sabido", afirmou.
Para Lula, o crescimento da internet como meio de informação dos brasileiros obriga a mídia tradicional a mudar o seu comportamento. "Ela (mídia) é desmentida em tempo real, tem que se explicar. Acho isso extraordinário", disse o presidente, que declarou seu desejo de estender a informação a toda a população. "Acho que vamos trabalhar para democratizar a mídia eletrônica e vamos trabalhar para que o leitor brasileiro fique cada vez mais sabido, inteligente, eu diria. Controlador da sua própria vontade, e isso está acontecendo no Brasil agora", afirmou.
O Presidente disse que, os principais veículos da mídia tradicional não reproduzem a realidade brasileira. "Eu fico com medo que daqui a cem anos, quando (alguém for) pegar um jornal ou uma revista para conhecer a história, a impressão vai ser a pior possível. Vai ter que comprar uma revista americana, inglesa, ou pegar informações da internet. Se você pegar uma parte do noticiário da imprensa brasileira, você não conhece o que acontece no Brasil", criticou.
Lula se disse orgulhoso de nunca ter precisado cortejar a imprensa para manter a estabilidade de seu governo. "Você sabe que eu tenho problema público com a chamada 'mídia antiga'. Eu tenho orgulho de terminar meu mandado sem ter almoçado ou jantado em revista ou jornal", disse. Apesar das críticas, o presidente reafirmou o compromisso de defender a liberdade de imprensa. "Sei que distorceram informações. Mas eu dizia que, para mim, eu sou o resultado da liberdade de imprensa desse País, com todos os defeitos que ela tem", afirmou.

Regulação da mídia
Questionado por blogueiros, Lula voltou a comentar a polêmica envolvendo a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que traçou metas de regulação da mídia e foi boicotado pelas entidades que representam os principais grupos empresariais do setor. Segundo o presidente, a acusação de que o governo pretende censurar a imprensa é infundada.
"O (ministro da Comunicação Social) Franklin Martins, quando convocou a conferência internacional, trouxe Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Espanha, Portugal e França, e todo mundo disse que lá tem regulação, sim, e não é crime. É crime ter censura. Mas ter regulação não é crime", afirmou.
O Presidente Lula disse que, a participação da sociedade nas discussões da Confecom dão respaldo ao governo para levar adiante as propostas debatidas no encontro. "Nós agora temos uma coisa dita pela sociedade brasileira que nos dá garantia de que nós não somos um governo maluco que inventou uma discussão porque quis investir", disse.
Lula disse ainda que pretende apresentar até o fim de seu mandato um esboço do projeto de lei que regula a atuação da imprensa. A responsabilidade de encaminhar o texto ao Congresso, entretanto, será de sua sucessora, a presidente eleita Dilma Rousseff. "Espero ter condições de apresentar um texto antes de terminar meu mandato e passar para Dilma. Ela certamente vai fazer o debate e levar para o Congresso Nacional", afirmou.

Entrevista
Este é o seu primeiro encontro formal com a blogosfera.
Durante entrevista a blogueiros o Presidente destacou os preconceitos que vieram à tona durante a campanha eleitoral. O Presidente afirmou que "o preconceito ainda é uma doença quase incurável no Brasil".
Lula criticou a forma como o tema do aborto foi posto durante a campanha e enfatizou importância do assunto na política de direitos humanos. Ele afirmou que fez o que estava a seu alcance sobre o tema.
"Como cidadão, sou contra o aborto. Mas enquanto chefe de Estado, tenho que tratar como uma questão de saúde pública. Tenho que reconhecer que ele existe e fiz o que eu podia", disse.
O Presidente citou também o caso da estudante de Direito, Mayara Petruso, que publicou em seu Twitter sua revolta pela vitória de Dilma Rousseff na eleição presidencial, atribuindo o resultado aos nordestidos. No Twitter, a estudante afirmou que nordestino não era gente e pediu que as pessoas matassem um nordestino afogadoNesta manhã, durante a transmissão no Blog do Planalto, a entrevista teve grande repercussão no Twitter.Até o momento, a imprensa não repercitiu a entrevista do Presidente Lula aos blogueiros. Apenas oPortal Terra divulgou nota

Os Amigos do Presidente Lula: 'imprensa antiga' ainda crê que povo é massa de manobra

Assita a Entrevista de Lula aos Blogueiros progressistas

Lula quer Ley de Medios. Entrevista histórica a blogueiros sujos

Conversa Afiada
Publicado em 24/11/2010

Lula elogia Franklin

O premiado site Cloaca News perguntou ao presidente Lula o que achava da regulamentação da mídia, o que, neste ordinário blog, se chama de Ley de Medios.
Lula considerou a regulamentação necessária e deu exemplo de países como França e Estados Unidos que regulamentam a mídia e são exemplos de regimes democráticos.
Lula elogiou o trabalho do ministro Franklin Martins.
Essa foi uma das perguntas feitas por blogueiros sujos, que, nunca dantes na História desse País, tinham sido recebidos por um presidente da República.
Como se sabe, a expressão “blogueiro sujo” é de autoria do Padim Pade Cerra, o herói da luta contra o aborto, que se notabilizou pelo preconceito e a intolerância na campanha presidencial.
O Cloaca News foi considerado o “blog do ano” no 1º Encontro Nacional de Blogueiros do Instituto Barão de Itararé.

(…)

Lula quer Ley de Medios. Entrevista histórica a blogueiros sujos | Conversa Afiada

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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Uma análise da violência no Rio. Antes que a Globo destrua o Rio

Conversa Afiada
Publicado em 23/11/2010

Só o Carlos Lacerda para dar um jeito nisso

A Globo e os membros da elite que representa sofrem do medo de que, um dia, a favela vá descer.
É o temor do contágio com o pobre.
Pobre é bom na senzala, ou lá em cima, no morro.
Clique aqui para ler “preconceito contra nordestino é contra o pobre”, entrevista da professora Tânia Bacelar.
A primeira página do Globo de hoje – clique aqui para ver – leva o leitor para o Haiti.
A Globo tem uma incompatibilidade genética com o Rio: o Rio tem pobre e não vota na elite.
Enquanto Carlos Lacerda não voltar a governar o Rio – e mandar os pobres para a Vila Kennedy – a Globo não sossega.
Por isso, para refletir sobre a violência do Rio, uma respeitável instituição britânica – e tinha que ser estrangeira ! -, a BBC, entrevistou pesquisador da UERJ.
Amigo navegante, cuidado com a Globo: ela emburrece.

Sociólogo vê alarme exagerado com arrastões no Rio de Janeiro
Júlia Dias Carneiro

Da BBC Brasil no Rio de Janeiro

Ignacio Cano diz que não há uma contabilidade oficial de arrastões

Apesar dos arrastões registrados no Rio no fim de semana e nesta segunda-feira, o sociólogo Ignácio Cano diz que ainda é cedo para falar em uma “onda” de crimes do tipo.
Pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), ele prefere se ater às taxas oficiais de violência – que indicam queda na incidência de roubos nos últimos anos.
De acordo com Cano, a ideia de que os assaltos seriam uma retaliação de criminosos às Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), como afirmado nesta segunda-feira pelo governador Sérgio Cabral, ainda é mera especulação.

Clique Leia mais na BBC Brasil: Governo do Rio atribui arrastões a pacificação de favelas

O Rio vive em clima de tensão com uma série de assaltos a motoristas em vias da cidade e da região metropolitana desde o fim de setembro. Nos ataques, criminosos bloqueiam o trânsito com seus carros e assaltam motoristas e pedestres, às vezes levando seus carros ou mesmo ateando fogo a eles.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista com Cano:
BBC Brasil – Em sua opinião, a que se deve a onda de arrastões na cidade?
Ignácio Cano – Tenho ressalvas em relação a afirmar que temos uma onda de arrastões. Não há uma contabilidade oficial de arrastões, porque não é um termo técnico na área de segurança, e sim um termo difuso aplicado a um roubo em série.
Mas tem muito peso no Rio, porque remete àqueles arrastões na praia que geraram um pânico muito grande nos anos 1990. A praia é o lugar de lazer por excelência no Rio, e a ideia de que poderia se tornar um espaço perigoso teve um impacto muito grande na época.
Os arrastões remetem a esse mesmo temor. Mas, se você analisa o número de roubos, houve uma redução muito grande nos últimos anos. Acho que não precisaria desse nível de alarme social que está sendo criado.
BBC Brasil – O senhor acha que existe uma tendência à dramatização?
Cano – Sim, com certeza. As pessoas lidam com insegurança no Rio de forma cíclica e dramática. Para conviver com o alto nível de violência na cidade, as pessoas tratam como se ela não existisse. Mas, então, surge um evento de grande repercussão e vira uma pauta central na cidade, todos discutem, é uma grande catarse.
Você pode escrever o histórico da segurança pública no Rio a partir desses eventos, como o ônibus 174, a chacina da Baixada, o caso do menino João Hélio, os traficantes no hotel de São Conrado.

Na verdade, o que acontece na cidade é muito mais amplo e muito mais grave, mas as políticas públicas são desenvolvidas em função desses grandes eventos, que estão sempre vinculados à classe média alta ou às áreas mais nobres. A atenção depende basicamente do perfil das vítimas.
Para democratizar a segurança pública, as políticas públicas devem vir não em função desses grandes eventos, quase sempre em áreas da zona Sul, e sim basear-se nas taxas de violência.
BBC Brasil – Nesta segunda-feira, o governador Sérgio Cabral afirmou que os arrastões são claramente uma reação ao cerco imposto aos traficantes pelas UPPs. O senhor concorda com essa teoria?
Cano – Não temos como avaliar. Pode ser ou pode não ser. Gostaria de ter uma contabilidade mais confiável para saber se é uma onda de arrastões ou não, e o que está aumentando. Para mim, é mais importante observar número de roubos que vem diminuindo do que o de arrastões.
É claro que, na zona Sul, o perfil do crime vem mudando com o avanço das UPPs. O tráfico perdeu o controle territorial e teve que mudar de estratégias. Mas não sabemos como isso está afetando esses grupos financeiramente. Se a coisa tiver apertando, o roubo pode ter passado a ser uma alternativa.
BBC Brasil – O reconhecimento de uma relação com as UPPs por parte do governo pode mudar algo nas estratégias de Secretaria de Segurança do Rio?
Cano – Acho que essa afirmação é uma forma de o governador dizer que isso está acontecendo porque estamos ganhando uma batalha maior. Como se fossem os efeitos colaterais, diante de um trunfo maior.
O perigo, aqui, é as classes médias acharem que a sua segurança está sendo comprometida por causa das UPPs.
Se passarem a acreditar que o investimento nas UPPs é contraproducente para quem não mora nas favelas, isso poder acabar com a sustentabilidade política do projeto. Sérgio Cabral sempre fez questão de associar a expansão das UPPs a benefícios também para o asfalto, justamente para não correr esse risco.
BBC Brasil – Tirar o tráfico das comunidades é um mérito reconhecido das UPPs. Mas o que precisa ser feito para erradicá-lo?
Cano – O objetivo das UPPs não é e nem pode ser erradicar o tráfico. Ninguém erradica o tráfico, ele existe na Dinamarca, no Canadá. A questão é conseguir reduzir os níveis da violência e de controle da população por grupos armados. Os moradores agora podem voltar para casa quando quiserem, andar pelos becos, não há confronto armado.
BBC Brasil – Diante da queima de carros e do lançamento de uma granada em um veículo da Aeronáutica, no domingo, alguns jornais falaram no uso de táticas de guerrilha.
Cano – Mas não se pode falar nisso aqui. Não há uma guerrilha que queira tomar o poder. O verdadeiro crime organizado não é o que vemos nas favelas, e sim o que está infiltrado em todos os Poderes. Esse crime organizado existe, e seu objetivo é parasitar o aparato do Etado para continuar extraindo lucros. Mas é outro nível, bem diferente de distribuir papelotes de cocaína.
No Brasil, há um medo de que a exclusão social se traduza, em algum momento, em violência política, como na Colômbia. Cada vez que há um episódio mais grave, cada vez que um preso menciona o Che Guevara ou apresenta ideias mais politizadas, volta a se falar em guerrilha, em terrorismo, no perigo de uma “colombianização” do Brasil.
BBC Brasil – Como o senhor acha que a população deve avaliar a situação?
Cano – Acho que a gente tem que olhar mais para os números e para as taxas de incidência criminal, que estão caindo, e menos para o que aconteceu (nos últimos dias). Antes, 20 pessoas podiam morrer numa madrugada e ninguém ficar sabendo. Agora, se tem um arrastão, isso gera um pânico e ninguém pensa em outra coisa. Então, é importante olhar para o quadro mais geral.

Uma análise da violência no Rio. Antes que a Globo destrua o Rio | Conversa Afiada

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A crise na Irlanda, segundo o New York Times

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Viomundo - O que você não vê na mídia
22 de novembro de 2010 às 21:32

por Luiz Carlos Azenha

O discurso neoliberal é uma praga, que se espalhou em todo o mundo.
A Irlanda aceitou um pacote de ajuda financeira e se compromete a fazer profundos cortes em programas sociais.
Mas a culpa, ao que parece, está sendo atirada naqueles que terão os serviços sociais cortados.
Olhem só este parágrafo de uma reportagem do New York Times sobre o assunto. Primeiro, em inglês:

Ireland faces a stark choice between accepting cutbacks in popular middle class social programs or rejecting them and jeopardizing the rescue package, which would invite default. Most analysts expect that Mr. Cowen, whatever the condition of his coalition, will be able to pass the budget — even though it will have put into law such severe measures as a decrease in the minimum wage (one of the highest in Europe) and changes to the country’s generous child benefits.

Traduzindo:

A Irlanda está diante de uma escolha cabal entre aceitar cortes em programas sociais populares de classe média ou rejeitá-los e colocar em risco o pacote de resgate, o que provocaria moratória. A maioria dos analistas espera que o sr. Cowen, qualquer que seja a situação de sua coalizão, seja capaz de aprovar o orçamento — embora ele terá de tornar lei medidas severas como uma redução do salário mínimo (um dos mais altos da Europa) e mudanças nos generosos benefícios para as crianças do país.

Ou seja, o repórter do New York Times conseguiu em um parágrafo dizer que os irlandeses estão mal acostumados e merecem, mesmo, apertar os cintos. Especialmente as crianças. Só faltou dizer que elas estão balofas, de tanto “beneficios” governamentais.

Como diria o Paulo Henrique Amorim, o PIG é o PIG em qualquer parte do mundo.

A crise na Irlanda, segundo o New York Times | Viomundo - O que você não vê na mídia

domingo, 21 de novembro de 2010

Marilena Chauí: “A mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo”

Viomundo - O que você não vê na mídia
21 de novembro de 2010 às 14:27

A guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação

Em entrevista à Carta Maior, Marilena Chauí avalia a guerra eleitoral travada na disputa presidencial e chama a atenção para a dificuldade que a oposição teve em manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: “o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula”. Para a professora de Filosofia da USP, essa foi a novidade mais instigante da eleição: a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação. E esta última venceu.

da Redação de Carta Maior

Carta Maior:  Qual sua avaliação sobre a cobertura da chamada grande mídia brasileira nas eleições deste ano? Na sua opinião, houve alguma surpresa ou novidade em relação à eleição anterior?

Marilena Chauí: Eu diria que, desta vez, o cerco foi mais intenso, assumindo tons de guerra, mais do que mera polarização de opiniões políticas. Mas não foi surpresa: se considerarmos que 92% da população aprovam o governo Lula como ótimo e bom, 4% o consideram regular, restam 4% de desaprovação a qual está concentrada nos meios de comunicação. São as empresas e seus empregados que representam esses 4% e são eles quem têm o poder de fogo para a guerra.
O interessante foi a dificuldade para manter um alvo único na criação da imagem de Dilma Rousseff: o preconceito começou com a guerrilheira, não deu certo; passou, então, para a administradora sem experiência política, não deu certo; passou, então, para a afilhada de Lula, não deu certo; desembestou na fúria anti-aborto, e não deu certo. E não deu certo porque a população dispõe dos fatos concretos resultantes das políticas do governo Lula.
Isso me parece a novidade mais instigante, isto é, uma sociedade diretamente informada pelas ações governamentais que mudaram seu modo de vida e suas perspectivas, de maneira que a guerra se deu entre o preconceito e a verdadeira informação.

CM: Passada a eleição, um dos debates que deve marcar o próximo período diz respeito à regulamentação do setor de comunicação. Como se sabe, a resistência das grandes empresas de mídia é muito forte. Como superar essa resistência?

MC: Numa democracia, o direito à informação é essencial. Tanto o direito de produzir e difundir informação como o direito de receber e ter acesso à informação. Isso se chama isegoria, palavra criada pelos inventores da democracia, os gregos, significando o direito emitir em público uma opinião para ser discutida e votada, assim como o direito de receber uma opinião para avaliá-la, aceitá-la ou rejeitá-la.
Justamente por isso, em todos os países democráticos, existe regulamentação do setor de comunicação. Essa regulamentação visa assegurar a isegoria, a liberdade de expressão e o direito ao contraditório, além de diminuir, tanto quanto possível, o monopólio da informação.
Evidentemente, hoje essa regulamentação encontra dificuldades postas pela estrutura oligopólica dos meios, controlados globalmente por um pequeno número de empresas transnacionais. Mas não é por ser difícil, que a regulamentação não deve ser estabelecida e defendida. Trata-se da batalha moderna entre o público e o privado.

CM: Você concorda com a seguinte afirmação: “A mídia brasileira é uma das mais autoritárias do mundo”?

MC: Se deixarmos de lado o caso óbvio das ditaduras e considerarmos apenas as repúblicas democráticas, concordo.

CM: Na sua opinião, é possível fazer alguma distinção entre os grandes veículos midiáticos, do ponto de vista de sua orientação editorial? Ou o que predomina é um pensamento único mesmo.

MC: As variações se dão no interior do pensamento único, isto é, da hegemonia pós-moderna e neoliberal. Ou seja, há setores reacionários de extrema direita, setores claramente conservadores e setores que usam “a folha de parreira”. A folha de parreira, segundo a lenda, serviu para Adão e Eva se cobrirem quando descobriram que estavam nus.
Na mídia, a “folha de parreira” consiste em dar um pequeno e controlado espaço à opinião divergente ou contrária à linha da empresa. Às vezes, não dá certo. O caso do Estadão contra Maria Rita Kehl mostra que uma vigorosa voz destoante no coral do “sim senhor” não pode ser suportada.

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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Mino: como e por que a Ley de Medios, já !

Conversa Afiada
Publicado em 19/11/2010

Franklin: censura são outros 500

O Conversa Afiada reproduz do site da Carta Capital artigo do Mino sobre a Ley de Medios (embora ele não use a expressão, extraída da Ley da Cristina Kirchner, um exemplo a ser seguido, aqui).

Confusões da hora
Por Mino Carta.
Pequena história pessoal para explicar o que significa garantir a verdadeira liberdade de imprensa
No final de 1956 saí do Brasil para ir trabalhar na Itália. No jornal turinês La Gazzetta Del Popolo, e 2 de janeiro de 1957 foi o primeiro dia de serviço. Lá fiquei por um ano e três meses. Foi bom aprendizado, de vários pontos de vista. Por exemplo, entendi como seria possível produzir um jornal de qualidade, bem escrito e bem acabado, com uma redação menor do que a dos brasileiros e resultados melhores. A começar pela escrita, fluente, rica, elegante. Era o tempo de um processo judicial ruidoso, a envolver socialites e políticos influentes, de mais a mais realizado em Veneza, cenário deslumbrante, sem falar da presença no tribunal de juristas de fama mundial, entre eles um certo Carnelutti de quem muito ouvira e estudara na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco.
A Gazzetta enviou a Veneza quatro jornalistas, dois deles tinham cerca de 30 anos, para cobrir o evento de ângulos diversos. Todos escreviam a bico de pena sem descurar da precisão das informações. Nada de preocupações com leads e pirâmides invertidas, muito menos em empregar algo em torno de cem palavras, se possível curtas. Descobri mais tarde que o chamado new journalism é invenção americana, na Europa foi praticado desde sempre.

Aprendi muito com alguns amigos em um país esperançoso às vésperas daquele que seria chamado o milagre italiano, onde era possível aprovar no Parlamento leis de alto conteúdo democrático. Algumas afirmavam o respeito devido à profissão jornalística. Deitaram raízes e até hoje mantêm a validade. Uma determinava que o patrão não poderia ser diretor de redação e sequer jornalista de carteirinha, como se dá no Brasil.

O dono da Gazzetta era um produtor de biscoitos e guloseimas variadas em Saluzzo, a poucas dezenas de quilômetros de Turim. Lá pelas tantas, seduzido pela política, fora eleito senador pelo Partido Democrata-Cristão, majoritário no Congresso e à testa do governo. Jamais o conheci. Mais, nunca o vi na redação e em qualquer dependência do jornal. Os negócios, contudo, não iam como ele teria desejado, de sorte que, em troca de ajuda financeira aos seus biscoitos, permitiu que a Gazzetta se tornasse órgão para-democrata-cristão.

Interferiu a meu favor, e da minha vontade de passar umas férias no Brasil, outra lei preciosa. Contratado por um jornal que alegava defender certa linha política (a Gazzetta se intitulava como “matutino independente”) em caso de mudança de orientação o profissional estava habilitado a pedir demissão com pleno direito à indenização prevista no seu contrato. Ganhei um dinheirinho não de todo desprezível e passei dois meses aqui na terra.

Conto esse meu passado para explicar por que, na minha opinião, é impossível mudar a história da mídia nativa, francamente medieval, sem leis que, apresentadas e aprovadas no Congresso, protejam o profissional e fixem limites à propriedade concomitante de jornais, revistas, rádios, tevês, portais, sites e o que mais se oferecer à volúpia do poder, total e avassalador. Ou, se preferirem, ao monopólio. Illo tempore, na Itália rádio e tevê eram estatais e, está claro, foi preciso ampliar com o tempo o alcance das leis.

Quanto a nós, precisaríamos contar com um Parlamento diferente daquele que tivemos e, ao que tudo indica, teremos, repleto de deputados e senadores donos de meios de comunicação. Trata-se de uma aberração em um país que pretende ser democrático. Nos últimos dias, fiquei impressionado com cartas e e-mails de leitores que confundem a regulação proposta pelo ministro das Comunicações, Franklin Martins, com supostas limitações impostas à mídia nativa pelo Executivo.

Trata-se, insisto, de questões diversas. A regulação dos meios eletrônicos é aquela solicitada pelo ministro, e é indispensável para adaptar as leis em vigor, anacrônicas, à nova situação. É preciso entender, porém, que o remédio destinado a coibir a prepotência da imprensa golpista tem de ser aviado pelo Legislativo, por meio de leis similares àquelas aprovadas pelo Parlamento italiano nos meus anos verdolengos.

Mino: como e por que a Ley de Medios, já ! | Conversa Afiada