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domingo, 10 de abril de 2011

Petição contra a tortura

Bradley Manning é um soldado do Exército dos Estados Unidos que foi preso e processado por acesso e divulgação de informações sigilosas. (informações da Wikipédia)

Nos ajude a conseguir 250,000

AVAAZ.org: The World in Action

Agora mesmo Bradley Manning, o delator do Wikileaks, está sendo torturado em uma prisão militar nos Estados Unidos. O Manning está sendo sujeitado ao isolamento absoluto, tática que pode enlouquecer a pessoa, com curtos períodos por dia onde ele é totalmente despido e abusado verbalmente pelos outros presos.
O Manning está aguardando julgamento por liberar documentos militares secretos ao Wikileaks, incluindo o vídeo dos soldados americanos massacrando civis iraquianos. Este tratamento brutal parece ser parte de uma campanha de intimidação para silenciar qualquer delator e derrubar o Wikileaks. O governo dos EUA está dividido sobre este assunto com diplomatas criticando publicamente o exército pelo tratamento do Manning, mas com o Presidente Obama ainda alheio ao caso.
O Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- nós precisamos mostrar para ele o que está em jogo. Vamos gerar um chamado global massivo ao governo dos EUA pedindo o fim da tortura de Manning e observação da lei. Assine a petição -- a nossa mensagem será entregue através de anúncios ousados e atos públicos em Washington DC assim que conseguirmos 250.000 assinaturas.

Clique aqui para assinar

terça-feira, 22 de março de 2011

Passou em branco

“O Instituto Maria Preta, da Bahia, em outdoor criado pela sua mantenedora, a Maria Comunicação, ousou usar a saudação mais bacana da inventividade soteropolitana, no trato para pessoas do peito (…) O movimento negro se deixou acuar, e o governo brasileiro, pelas lentes embaçadas do Itamaraty, não atinou que o maior legado de Obama aqui, no Ano Internacional para Descendentes de Africanos, era o repertório antirracista!” – Fátima Oliveira

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Olhares de Fátima Oliveira sobre a presença de Obama no Brasil

“Digaí Negão”: olhares sobre a presença de Obama no Brasil
“Ele não é apenas o presidente dos EUA, é uma estrela”

Fátima Oliveira, em OTEMPO
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br

Na escrita, foram vigorosos os protestos contra a visita do presidente Obama, como a nota de repúdio “É muita guerra para quem diz promover a paz”, da Central de Movimentos Sociais (CMS). Muitos se arvoraram em falar, sem procuração para tanto, em nome do povo brasileiro, a exemplo do abaixo-assinado do Cebrapaz, cuja tônica foi a ilusão com a eleição dele para além de que, para o mundo, um democrata sempre é menos pior que um republicano: “O senhor chegou como esperança de crescimento do homem em todas as esferas. Veio de uma classe média diferenciada, traz nas veias a herança de seus antepassados, que construíram a economia de seu país”.

Encerra afirmando: “Queremos aproveitar a ocasião para uma reflexão necessária: a generosidade, a solidariedade, o respeito à soberania de cada país e, principalmente, centrar nossas potencialidades para transformar o caos em que vivemos num mundo melhor. Acabe com o embargo a Cuba e liberte os cinco heróis cubanos, em nome da real integração entre os povos”.

O Instituto Maria Preta, da Bahia, em outdoor criado pela sua mantenedora, a Maria Comunicação, ousou usar a saudação mais bacana da inventividade soteropolitana, no trato para pessoas do peito (mais Bahia, impossível): “Digaí Negão!” – modo criativo de “tematizar”, com recorte racial/étnico, a presença de Obama no Brasil.

O ator Lázaro Ramos, indagado sobre o impacto na população negra da visita do primeiro presidente negro dos Estados Unidos, foi incisivo: “…Isso afeta a nossa autoestima de uma maneira incalculável. Você não acha que uma criança negra que vê um presidente como o Obama não vai se sentir mais possível? Ver um referencial positivo sempre estimula a gente a querer mais, a se sentir mais possível. Eu falo de criança porque geralmente é onde referências são importantes, mas para mim ele também é uma superreferência”.

É lapidar um comentário ao artigo “Imprudência diplomática”, de Mauro Santayana: “Entendendo-se que Obama é um superstar de alcance mundial que ocupa a Presidência dos EUA e que carrega um simbolismo (um negro no poder do país de racismo mais deslavado) que encantou o mundo, mesmo que fosse apenas para derrotar George W. Bush, tem significado, sim, que fale ao povo brasileiro. Obama não é apenas presidente dos EUA, é uma estrela mundial de signo muito forte. O que não é pouco. Sejamos sensatos e pragmáticos: entendamos a importância dele para a luta contra o racismo” (Depaula).

No mundo, quem portava um neurônio funcionante torceu por ele. A Maria Comunicação, nas prévias do Partido Democrata, criou o outdoor “Pensar o Novo”, o mesmo slogan da agência; e Obama eleito lançou o cartaz: “Feliz mundo novo – Pensar o novo é ajudar a desenhar um futuro melhor”. Obama não é donatário de uma capitania hereditária, preside um país opressor, bélico e impregnado da cultura do Velho Oeste, pelas regras vigentes: poderes presidenciais restritos, fora o expansionismo ilimitado, nem que seja à bala, parte do DNA estadunidense.

Ao mesmo tempo, é um ícone negro ímpar, que ocupa a Casa Branca, como inegável cunha antirracista, pelo voto popular, e demonstrou ao mundo que fazer política ainda é a arte de disputar ideias. Eis a lição de Obama que interessa!

O movimento negro se deixou acuar, e o governo brasileiro, pelas lentes embaçadas do Itamaraty, não atinou que o maior legado de Obama aqui, no Ano Internacional para Descendentes de Africanos, era o repertório antirracista! Ai, meus sais!

segunda-feira, 21 de março de 2011

O discurso de Dilma, a Liga de Democracias e a submissão voluntária

 

“Para evitar nossa tendência à submissão voluntária, seria o caso de se perguntar, sempre: o que é que vamos ganhar com isso?”

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O discurso de Dilma, a Liga de Democracias e a submissão voluntária

A “hierarquia” da mídia brasileira, retratada acima

por Luiz Carlos Azenha

A presidenta Dilma Rousseff fez um excelente discurso de boas vindas ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Usando o tom diplomático que a ocasião exige, Dilma reclamou das barreiras comerciais impostas a produtos brasileiros, da enxurrada de dólares que o Tesouro americano imprime, da lentidão na reforma dos organismos multilaterais e, indiretamente, afirmou que a América do Sul é “nossa”, ao mencionar a Unasul.

O Estadão, obviamente, destacou o “apreço” de Obama pela pretensão brasileira de fazer parte do Conselho de Segurança das Nações Unidas, deixando em segundo plano o discurso de Dilma.

Continuo acreditando que a calibragem da política externa brasileira, em andamento no governo Dilma, tenta colocar o país no papel de parceiro privilegiado dos Estados Unidos — com as vantagens e desvantagens implícitas nisso.

Do ponto-de-vista dos Estados Unidos, o governo Obama parece ter adotado uma das propostas de campanha do republicano John McCain, que este herdou do governo Bush Jr.: o estabelecimento de uma Liga das Democracias.

O objetivo não declarado da Liga: dar a volta no “terceiro mundismo” da Assembleia Geral da ONU e turbinar a política externa dos Estados Unidos diante de Rússia e China.

Os Estados Unidos fariam concessões a estes parceiros (Brasil, Índia, Indonésia) em troca de apoio político internacional.

Não é por outro motivo que o Estadão deste domingo vibra com a diplomacia de Dilma Rousseff, com editorial elogioso e tudo.

“O estilo Lula foi um momento, e já passou”, diz o professor Riordan Roett, da Universidade Johns Hopkins, entrevistado pelo jornal.

“Ficará na história, como ponto importante, que Lula estabeleceu o Brasil como um dos Brics. O país apareceu na arena global, com mais exportações, com muitas viagens, encontros no G-20. Lula é uma pessoa especial, é carismático. Não é um grande administrador, mas entendeu esse momento e o usou a favor do Brasil. Mas foi um momento, e passou. Não vai deixar recall.”

“É difícil imaginar o Patriota como um homem de partido”, alfineta o professor ao falar do atual chanceler Antônio Patriota, obviamente numa referência ao ex-chanceler Celso Amorim, que ingressou no PT.

“Com Dilma, há sinais de um certo ajuste de rumo”, diz Fernando Henrique Cardoso na página seguinte.

O fato é que os Estados Unidos sempre se opuseram à entrada do Brasil no Conselho de Segurança, entre outros motivos por serem depositários do medo que os vizinhos do Brasil expressam, privadamente, a respeito de nossas supostas pretensões expansionistas. Qualquer brasileiro disposto a ouvir vai encontrar reticências a respeito da postura internacional do Brasil na Bolívia, no Paraguai, na Colômbia, na Venezuela…

O Itamaraty sabe disso e aparentemente trabalha em busca de um equilíbrio entre as relações com a vizinhança imediata e os Estados Unidos.

O risco, sempre, é o de trocar coisas concretas e importantes por “apreço”.

Talvez fosse o caso de não considerar assim tão importante a entrada do Brasil no Conselho de Segurança. Ou de pelo menos se perguntar: a que custo?

Aqui eu posso falar de cátedra, depois de ter vivido e acompanhado de perto, durante quase 20 anos, como funcionam os Estados Unidos: estejam republicanos ou democratas no poder, Washington sempre coloca seus interesses econômicos acima de tudo e joga duro na defesa deles.

A ponto de o Departamento de Estado criar centenas de listas, condenando este ou aquele país por uma infinidade de motivos. Qual é a função das listas? Negociar a retirada dos países em troca de concessões reais. É a tática de colocar o bode na sala alheia, para negociar a retirada.

E é aí que entra a tendência à “submissão voluntária”, como notou um comentarista deste site.

Não conheço documento tão eloquente sobre ela quanto o telegrama do WikiLeaks que flagrou tucanos e tucanófilos falando mal do governo Lula a diplomatas americanos. Seria impensável nos Estados Unidos: jamais republicanos ou democratas se aliaram a estrangeiros para adiantar seu lado. Americano defende, sempre e em primeiro lugar, o interesse dos Estados Unidos.

Se, de um lado, a presidenta Dilma Rousseff fez um discurso impecável, a “submissão voluntária” ficou explícita nesta breve visita de Barack Obama: nos dirigentes do PT que desautorizaram manifestações de militantes do partido, na permissão dada a agentes estrangeiros para revistar autoridades brasileiras em Brasília, na ideia maluca de permitir um comício de Obama na Cinelândia e na cobertura dos jornais, que hierarquizaram o Brasil como o “menos igual” na suposta parceria estratégica.

Para evitar nossa tendência à submissão voluntária, seria o caso de se perguntar, sempre: o que é que vamos ganhar com isso?

PS do Viomundo: Outra diferença gritante entre Brasil e Estados Unidos. Lá, os políticos e candidatos expõem publicamente seus pontos-de-vista sobre política externa. No Brasil, é tudo decidido entre quatro paredes e as posturas só ficam explícitas depois das eleições.

O discurso de Obama. E o que faltou dizer

“A ditadura contra a qual aquela jovem brasileira se insurgiu foi imposta com o beneplácito e a ajuda material… dos Estados Unidos.”

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O discurso de Obama. E o que faltou dizer

“Hoje, temos visto a luta por estes direitos se descortinar através do Oriente Médio e do norte da África. Vimos a revolução nascida do desejo pela dignidade humana básica na Tunisia. Vimos manifestantes pacíficos lotarem a praça Tahir — homens e mulheres, jovens e velhos, cristãos e muçulmanos. Vimos o povo da Líbia assumir uma posição corajosa contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos. Em toda a região, vimos jovens se rebelar — uma nova geração exigindo o direito de determinar seu próprio futuro.

Desde o início, deixamos claro que a mudança que eles buscam deve ser determinada pelo próprio povo. Mas, como duas nações que lutaram por muitas gerações para aperfeiçoar suas democracias — os Estados Unidos e o Brasil — sabem, o futuro do mundo árabe será determinado pelo seu povo.

Ninguém pode dizer com certeza como essa mudança vai acabar, mas eu sei que mudança não é algo que devemos temer. Quando jovens insistem que as correntes da história estão em movimento, os pesos do passado são varridos de lado. Quando homens e mulheres pacificamente pedem seus direitos humanos, nossa humanidade comum é realçada. Onde quer que a luz da liberdade é acesa, o mundo se torna um lugar mais iluminado.

Este é o exemplo do Brasil.  Brasil — um país que demonstra que uma ditadura pode se tornar uma pujante democracia. Brasil — um país que demonstra que a democracia garante liberdade e oportunidade para seu povo. Brasil — um país que demonstra como pedidos de mudança que começam nas ruas podem transformar a cidade, o país e o mundo.

Décadas atrás, foi diretamente do lado de fora deste teatro, na praça Cinelândia, onde o pedido de mudança foi ouvido no Brasil. Estudantes, artistas e líderes políticos de todos as tendências se juntavam sob faixas que diziam “Abaixo a ditadura. O povo no poder”. Suas aspirações democráticas não seriam preenchidas até anos mais tarde, mas uma das jovens brasileiras do movimento daquela geração iria em diante, para mudar para sempre a história desta Nação.

Filha de imigrantes, a participação dela no movimento levou à prisão e tortura nas mãos de seu próprio governo. E assim ela sabe o que é viver sem o mais básico dos direitos humanos, pelo qual muitos estão lutando hoje.

Mas ela também sabe o que é perseverar. Ela sabe o que é superar. Porque, hoje, aquela mulher é a presidenta da Nação, Dilma Rousseff”.

Palavras bonitas de Barack Obama. Construção inteligente. Infelizmente, ficaram alguns vazios na retórica. A ditadura contra a qual aquela jovem brasileira se insurgiu foi imposta com o beneplácito e a ajuda material… dos Estados Unidos.

Para quem tem dúvidas, basta consultar (em inglês) os documentos oficiais do governo americano.

Ou, aqui, a tradução de um deles.

Assim como muitas ditaduras foram e continuam sendo sustentadas no mundo pelos Estados Unidos. Curiosamente, Obama não citou em seu discurso a Arábia Saudita, nem o Bahrain. Nem disse que Mubarak era, até muito recentemente, amigão do peito de Washington.

Foi só isso que faltou dizer.

sábado, 5 de março de 2011

Dilma adota estratégia de exportação para o pré-sal

março 4th, 2011 | Autor: Jussara Seixas

O governo brasileiro quer se tornar grande exportador de gás e petróleo aos Estados Unidos, para evitar que os combustíveis extraídos da camada pré-sal no litoral do Brasil reduzam a proporção de fontes de energia “limpa”, renovável, como a hidroeletricidade, na matriz energética brasileira. A intenção de exportar a maior parte do petróleo e gás do pré-sal para não “sujar” a matriz foi comunicada pela presidente Dilma Rousseff a enviados do governo americano que estiveram no país em preparação à visita do presidente Barack Obama.A estratégia brasileira foi bem recebida em Washington, onde a oferta é vista como uma oportunidade para concentrar no continente americano cada vez mais os fornecedores de combustível fóssil aos EUA, reduzindo a dependência em relação ao Oriente Médio. Ainda não estão concluídas as conversas para o mecanismo que consolidará essa cooperação na área de energia, mas o tema já está escolhido como um dos principais assuntos da visita de Obama ao país e de seu comunicado conjunto com Dilma Rousseff, no sábado, dia 20.

O interesse em ter os EUA como grande consumidor do petróleo do pré-sal foi comunicado por Dilma, em fevereiro, ao secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner e, em janeiro, aos senadores republicanos John McCain e Jonh Barrasso. Os EUA obtêm do Canadá e do México, seus maiores fornecedores, pouco mais de um terço do petróleo que importam; outro terço vem da Arábia Saudita, Nigéria e Venezuela. O Brasil é o décimo maior fornecedor aos EUA.

A perspectiva de obter no Hemisfério Ocidental, em região de influência americana, a maior parte do petróleo consumido nos EUA é recebida com entusiasmo em Washington, segundo uma autoridade que acompanha os preparativos para a vinda de Obama. Mesmo com o aumento da produção local, o Escritório de Energia Americano prevê que o país continuará importando cerca de metade do petróleo que consome e só em 2035 deve reduzir essa parcela a 45%.

O Eximbank americano já ofereceu à Petrobras desde 2010 financiamento de até US$ 2 bilhões para investimentos no pré-sal, com participação de empresas do país. A oferta de linhas do mesmo porte deve ser oficializada durante a visita do presidente americano para financiar joint ventures de companhias brasileiras e americanas no exterior, especialmente na África, em projetos de infraestrutura e exploração mineral.

A tentativa da Exxon de explorar poços em águas ultraprofundas foi malsucedida, como registrou a empresa em seu balanço, no ano passado, ao contabilizar como perdas dois poços na bacia de Santos onde investiu algumas centenas de milhões de dólares antes de considerá-los inviáveis comercialmente. A empresa teria obtido, porém, informações geológicas importantes que poderão ser usadas em novas tentativas, segundo uma fonte que acompanha o assunto.

Fonte: Valor Econômico

Dilma adota estratégia de exportação para o pré-sal

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A ditadura no Egito e a omissão da mídia

imageA mídia brasileira levou 30 anos para descobrir que Mubarak era um ditador. Mas não lembra que os EUA financiaram essa ditadura esse tempo todo. O PIG (Partido da Imprensa Golpista) só vê problemas nos inimigos de Washington.
REGULAÇÃO DA MÍDIA, JÁ!

Blog do Miro
Altamiro Borges

A ditadura no Egito e a omissão da mídia

Reproduzo artigo de Rogério Marques, intitulado "Imprensa acordou com os gritos da multidão", publicado no Observatório da Imprensa:
A revolta popular no Egito não pegou de surpresa apenas os Estados Unidos e países europeus, velhos aliados de Hosni Mubarak e de outras ditaduras árabes. A imprensa brasileira, eternamente influenciada por Washington e pelos jornais americanos, foi igualmente surpreendida. Até então, quase todo o noticiário internacional e boa parte do de economia eram voltados para países como Bolívia, Equador, Venezuela, Irã. De repente, os gritos de revolta, primeiro na Tunísia, depois nas ruas do Cairo, invadiram os aquários das nossas redações.
Nossos editores, principalmente os de internacional, continuam agindo como no tempo em que se vivia, ao mesmo tempo, guerra fria e ditadura militar. Todo cuidado era pouco. Ter uma visão crítica da política americana e de outras potências ocidentais podia parecer um apoio ao "outro lado". De repente, leitores, ouvintes, telespectadores ficaram sabendo que o governo egípcio recebe dos Estados Unidos uma ajuda anual de quase US$ 2 bilhões – inferior apenas àquela recebida por Israel, outro aliado problemático de Washington. Os leitores ficaram sabendo também das lamentáveis condições de vida do povo, com altas taxas de desemprego, pobreza, desigualdade social. E o que acontecerá nas prisões egípcias, sauditas? Pouco se falou sobre isso, até agora.
Pena de morte é sempre execrável
O governo americano obviamente ficou em má situação, mas os correspondentes de nossas TVs nos Estados Unidos falam "da preocupação de Obama com a democracia" e coisas desse tipo, sem nenhum comentário crítico sobre a velha cumplicidade de Washington com as ditaduras árabes. A secretária de Estado americana Hillary Clinton tenta se equilibrar no salto alto e alguns jornais brasileiros parecem fazer o mesmo: da noite para o dia, passaram a chamar Hosni Mubarak de ditador, não mais de presidente, com apenas 30 anos de atraso.

Sistema de saúde dos EUA exclui 46 milhões

site Controversia

Regras vigentes favorecem seguradoras, que podem discriminar doentes ; proposta de Obama custa US$ 1 tri
Patrícia Campos Mello

Cerca de 46 milhões de pessoas nos EUA não têm plano de saúde. Como não existe um Sistema Único de Saúde (SUS) no país, significa que, se essas pessoas ficarem doentes, precisarão vender o carro ou hipotecar a casa para pagar as contas do hospital. Despesas médicas são o principal motivo de falências pessoais no país.

Parte dos americanos com mais de 65 anos ou portadores de deficiências está coberta por um sistema chamado Medicare, no qual o governo paga os hospitais e médicos que atendem o beneficiário. E parte da população de baixa renda entra no Medicaid, outro sistema bancado pelo governo. Mas grande parte da população - esses 46 milhões - está em um buraco negro. Muitos estão em uma faixa intermediária - não são tão pobres para receber o Medicaid, nem tão idosos para o Medicare -, não têm plano de saúde no emprego e não conseguem pagar um privado.

Os segurados ou têm dinheiro para pagar um plano privado ou têm um emprego que oferece um plano de saúde. Nos EUA, as empresas podem despedir grávidas e até pessoas com câncer. Ter um plano de saúde tampouco garante que a pessoa não terá de pagar por seus tratamentos médicos. A maioria dos planos estabelece um limite de gastos anual e, em seguida, uma franquia que o seguro só começa a reembolsar depois que o paciente paga sua contrapartida. Os planos também podem se recusar a fazer seguro para pacientes com histórico de doença crônica ou pré-existente.

Para completar, o sistema de saúde é uma bomba-relógio para as contas públicas. O Medicare, por exemplo, vai se tornar deficitário em oito anos. Os gastos com saúde crescem a uma taxa superior à inflação. Os EUA são o país que mais gasta com saúde - US$ 7 per capita, ou 16% do PIB -, mas está em 37º lugar em qualidade de atendimento, ao lado da Eslovênia, segundo o ranking da Organização Mundial de Saúde.

Para que os 46 milhões de cidadãos sem plano de saúde passem a ter um, o governo precisará gastar US$ 1 trilhão ao longo de dez anos. O dinheiro viria de uma gestão mais eficiente do Medicare e do Medicaid e de um aumento de impostos sobre quem ganha mais de US$ 250 mil por ano.

O presidente americano, Barack Obama, quer criar um mercado de trocas de planos de saúde, onde seguradoras privadas competiriam com a seguradora estatal ou cooperativas. Todos os americanos seriam obrigados a ter um plano de saúde e o governo subsidiaria aqueles que não pudessem pagar. A competição reduziria os preços. As seguradoras privadas estariam proibidas de fixar tetos para gastos e franquias, além de não poderem discriminar pacientes. Também haveria painéis para julgar a eficiência de tratamentos de saúde como forma de cortar custos.

Muitos acham, porém, que esses painéis resultarão em um racionamento de assistência médica, que um grupo de burocratas poderá negar os tratamentos mais caros aos segurados. Os idosos são especialmente resistentes às reformas, porque a maioria já está coberta pelo Medicare. Além disso, as seguradoras e os defensores do livre mercado temem que a concorrência com o setor estatal ponha os preços tão baixos que levariam os planos privados à falência.

No debate sobre a saúde, Obama precisa conquistar os moderados sem decepcionar a esquerda. Para ganhar apoio de democratas moderados e, com sorte, um ou outro republicano, ele pretende tornar o seguro de saúde estatal uma opção: só será adotado se os planos privados não baixarem os preços ou não ampliarem a cobertura. Resta saber se isso será suficiente para convencer os moderados, que criticam o preço do plano (US$ 1 tri). Ao mesmo tempo, não se sabe se a esquerda de seu partido aceitará a ausência do plano estatal, que desfiguraria a reforma e tiraria o interesse em sua aprovação.

http://www.estadao.com.br/noticias/

Controversia

Em dezembro publicamos a postagem SiCKO $O$ SAÚDE – Michael Moore. Assista ao fantástico documentário (dublado) de Michael Moore sobre a máfia norte-americana dos planos de saúde. Junto à indústria farmacêutica sustenta governos e parlamentares enquanto a população é abandonada para adoecer e morrer. Entenda o risco da saúde pública nas mãos do setor privado.
Clique na imagem abaixo para abrir a página com o vídeo em 9 partes (dublado).

sábado, 15 de janeiro de 2011

Os paranoicos

O vídeo “Uma breve história dos Estados Unidos” ironiza a paranoia cultural nos EUA e o texto “Passou no Wal Mart, comprou munição e matou gente” questiona se a preocupação no país com os “desequilibrados” e “loucos” não deve rumar o foco para a discussão do acesso fácil às armas.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Blog do Miro
Michael Moore e a tragédia nos EUA

. Extraído do sítio www.michaelmoore.com

Viomundo – O que você não vê na mídia
12 de janeiro de 2011 às 13:49

Heloisa Villela: Passou no Wal Mart, comprou munição e matou gente

por Heloisa Villela

Loucura?

Em meio a toda essa sandice, mais uma de tantas explosões aparentemente gratuitas de violência neste país, as perguntas e tentativas de explicação voltam à tona. São sempre as mesmas, recicladas ou não como novidade. E tudo sempre se resume a uma análise “aprofundada” do sujeito da ação. O cara é desequilibrado, tem problemas mentais,  ninguém tomou providência a tempo, etc, etc. Quantas vezes já ouvimos tudo isso?

Pois é, cansa e parece farsa na quarta ou quinta vez. E fica ainda mais evidente que talvez o blá, blá, blá da mídia sirva apenas para calar a verdadeira discussão que esse país aqui se recusa a travar. São várias, na minha muito modesta opinião. E não passa disso: opinião mesmo, de quem mora há mais de 20 anos aqui, não tem curso de psicologia nem de sociologia. Mas ainda assim, são coisas que me martelam a cabeça.

O rapaz do Arizona comprou uma arma, sem problemas, na loja “Sportsman’s Warehouse”, em novembro. Poucas horas antes de matar seis pessoas, entrou em um Wal Mart (esses hipermercados populares) e comprou munição. No táxi, com toda tranquilidade, ele foi para o estacionamento do mercado Safeway, onde acontecia o pequeno comício, ou corpo-a-corpo da deputada Gabrielle Giffords.

Agora, paramos aqui e juntamos: armas acessíveis, munição à vontade e políticos, em geral, cada vez mais odiados pela população. O que acontece com o debate político nesse país? Nada, porque ele não envolve a população. Nas eleições presidenciais, quando um número maior de eleitores participa, o índice de comparecimento fica ali pelos 50%. Ou seja, metade da população não se interessa em sair de casa para votar. Não se sente representada, talvez, por nenhum dos dois partidos majoritários.

Mais recentemente, a decepção com a classe política se aprofundou. A crise financeira, o socorro aos bancos e o total desinteresse pela situação dos que perderam suas casas porque não podiam mais pagar a prestação irritou muita gente. Em seguida, veio a discussão da reforma da saúde, acalorada, lotada de distorções e mentiras.

O presidente Barack Obama foi eleito numa onda de esperança que mobilizou um bocado de gente. Em seguida, foi uma ducha de água fria. Muita gente se sentiu traída porque ele não atacou os problemas com o vigor que se esperava. Não estou dizendo que o sujeito lá do Arizona decidiu matar uma meia dúzia porque estava irritado com o governo. O que me parece é que existe um descolamento total da política, que não diz nada para a vida do cidadão comum, hoje em um clima tenso, de desesperança.

Ao mesmo tempo, o espaço do debate político foi tomado por uma retórica vazia, de acusações falsas e promoção do ódio aos imigrantes, às minorias… O xerife do condado do Arizona, onde aconteceu o massacre, diz que esse discurso político deve ter influenciado o rapaz. Quanto ao acesso às armas, foi mais radical: “Talvez agora eles exijam que todo bebê mantenha uma Uzi no berço”. Alguém, por aqui, ainda pensa.

O Departamento de Segurança Interna, há dois anos, produziu um estudo mostrando que havia um acirramento dos grupos de ódio e de direita radical, alimentado, entre outras coisas, pela eleição de um presidente negro pela primeira vez na história do país. O estudo alertava para a possibilidade de atos isolados e perigosos. Mas o documento foi engavetado depois que os republicanos berraram, especialmente o agora presidente da Câmara, John Boehner, dizendo que não passava de propaganda do governo Obama.

E, mais uma vez, o governo Obama se calou diante da oposição…

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Por que Washington odeia Chávez

os sobreviventes do Katrina amontoadas no Superdome como “abrigo” improvisado por Bush

Mike Whitney: “Venezuela foi martelada por chuvas torrenciais e enchentes que deixaram 35 pessoas mortas e 130 mil desabrigadas. Se George Bush fosse o presidente, em vez de Hugo Chavez, os desabrigados seriam empurrados sob a mira de armas para prisões improvisadas — como a Superdome –  como aconteceu depois do furacão Katrina.”

Viomundo – O que você não vê na mídia

Mike Whitney explica o ódio de Washington contra Chávez

Venezuela vs. os Bancos

Why Washington Hates Hugo Chavez [Porque Washington odeia Hugo Chavez]

By MIKE WHITNEY, no Counterpunch

No fim de novembro a Venezuela foi martelada por chuvas torrenciais e enchentes que deixaram 35 pessoas mortas e 130 mil desabrigadas. Se George Bush fosse o presidente, em vez de Hugo Chavez, os desabrigados seriam empurrados sob a mira de armas para prisões improvisadas — como a Superdome –  como aconteceu depois do furacão Katrina. Mas esta não é a forma de trabalho de Chavez. O presidente venezuelano rapidamente aprovou “leis habilitantes” que deram a ele poderes especiais para dar ajuda de emergência e moradia para as vítimas das enchentes. Chavez mandou limpar o palácio presidencial e deu moradia nele a 60 famílias, o que seria o equivalente a transformar a Casa Branca em um abrigo para os  sem teto. As vítimas do desastre estão agora sendo alimentadas e cuidadas pelo estado até que possam ficar em pé e retornar ao trabalho.

Os detalhes do que Chavez fez foram omitidos pela mídia dos Estados Unidos, onde ele é regularmente demonizado como “autoritário esquerdista” ou ditador. A mídia se nega a admitir que Chavez diminiu a diferença de renda, eliminou o analfabetismo e deu cobertura de saúde a todos os venezuelanos, reduziu a desigualdade e aumentou o padrão de vida para todos. Enquanto Bush e Obama estavam expandindo as guerras externas e aprovando cortes de impostos para os ricos, Chavez estava ocupado melhorando a vida dos pobres e necessitados, ao mesmo tempo em que enfrentava a última onda de agressão dos Estados Unidos.

Washington despreza Chavez porque ele se nega a dar os vastos recursos da Venezuela para as elites corporativas e os banqueiros. É por isso que o governo Bush tentou depor Chavez em um golpe fracassado em 2002 e é por isso que o fala-mansa do Obama continua a lançar ataques clandestinos contra Chavez hoje. Washington quer troca de regime para poder instalar a marionete que dará as reservas de petróleo da Venezuela para o “big oil” [grandes companhias petrolíferas privadas], enquanto transforma em inferno a vida dos trabalhadores.

Documentos recentemente divulgados pelo Wikileaks mostram que o governo Obama aumentou sua interferência nos assuntos internos da Venezuela. Aqui está um trecho de um documento divulgado pela advogada e autora Eva Golinger:

“Em documento secreto de autoria do atual subsecretário assistente de estado para assuntos do hemisfério, Craig Kelly, mandado da embaixada dos Estados Unidos em Santiago em junho de 2007 para o secretário de Estado, a CIA e o Comando Sul do Pentágono, além de uma série de embaixadas dos Estados Unidos na região, Kelly propõe “seis áreas principais de ação para o governo dos Estados Unidos limitarem a influência de Chavez” e “recuperar a liderança dos Estados Unidos na região”.

Kelly, que fez o papel principal de “mediador” durante o golpe do ano passado em Honduras contra o presidente Manuel Zelaya, classifica o presidente Hugo Chavez como “inimigo” em seu relatório.

“Conheça o inimigo: Temos de entender melhor como o Chavez pensa e o que pretende… para efetivamente enfrentar a ameaça que ele representa, precisamos conhecer melhor seus objetivos e como ele pretende perseguí-los. Isso requer melhor inteligência de todos os nossos paises”. Mais adiante no memorando, Kelly confessa que o presidente Chavez é um “adversário formidável” mas, acrescenta, “ele pode ser derrotado”. (Wikileaks: Documentos confirmam planos dos Estados Unidos contra a Venezuela, de Eva Golinger, no blog Postcards from the Revolution)

Os telegramas do Departamento de Estado mostram que Washington tem financiado grupos anti-Chavez na Venezuela através de organizações não-governamentais que dizem trabalhar pelas liberdades civis, direitos humanos e promoção da democracia. Esses grupos se escondem por trás de uma fachada de legitimidade, mas sua proposta real é a de derrubar o governo democraticamente eleito de Chavez. Obama apoia esse tipo de suversão tão entusiasticamente quanto Bush. A única diferença é que a equipe de Obama é mais discreta. Aqui está outro trecho no qual Golinger detalha o caminho do dinheiro:

“Na Venezuela, os Estados Unidos tem apoiado grupos anti-Chavez por mais de oito anos, inclusive aqueles que executaram o golpe contra o presidente em abril de 2002. Desde então, os fundos foram aumentados substancialmente. Um relatório de maio de 2010 avaliando o apoio estrangeiro a grupos políticos da Venezuela, feito a pedido do National Endownment for Democracy, revelou que mais de 40 milhões de dólares anuais são destinados a grupos anti-Chavez, a maioria através de agencias dos Estados Unidos… A Venezuela se destacou na América Latina como o país que mais recebeu fundos do NED para grupos de oposição durante 2009, com 1 milhão 818 mil e 473 dólares, mais que o dobro do ano anterior… Allen Weinstein, um dos fundadores do NED, revelou ao Washington Post, “o que fazemos hoje era feito clandestinamente pela CIA 25 anos atrás…” (“‘Operações na Sociedade Civil’ clandestinas dos Estados Unidos: Interferência na Venezuela continua a crescer”, Eva Golinger, no site Global Research).

Na segunda-feira, o governo Obama revogou o visto do embaixador da Venezuela em Washington em retaliação à rejeição de Chavez da nomeação de Larry Palmer para embaixador dos Estados Unidos em Caracas. Palmer tem sido abertamente crítico de Chavez e diz que existem ligações claras entre membros do governo Chavez e guerrilheiros esquerdistas da vizinha Colômbia. É uma forma torta de acusar Chavez de terrorismo. Ainda pior, a origem e a história pessoal de Palmer sugerem que a nomeação dele representa ameaça à segurança nacional da Venezuela. Considere os comentários feitos por James Suggett, do site Venezuelanalysis no Eixo da Lógica:

“Olhem a história de Palmer, trabalhando para os oligarcas apoiados pelos Estados Unidos na República Dominicana, Uruguai, Paraguai, Serra Leoa, Coreia do Sul e Honduras, “promovendo o Tratado de Livre Comércio da América do Norte [NAFTA]“. Da mesma forma que a classe dominante dos Estados Unidos indicou um afro-americano, Barack Obama, para substituir George W. Bush e para deixar o resto intacto, Obama, por sua vez, indica Palmer para substituir Patrick Duddy, que se envolveu na tentativa de golpe contra o presidente Chávez em 2002 e que foi um inimigo dos venezuelanos no período em que foi embaixador dos Estados Unidos na Venezuela”.

A Venezuela já está cheia de espiões e sabotadores dos Estados Unidos. Eles não precisam da ajuda da embaixada. Chavez fez a coisa certa ao fazer sinal negativo para Palmer. Além disso, Chavez desprovou as acusações espúrias de Palmer na semana passada, quando extraditou o comandante da ELN, Nilson Albian Teran Ferreira, o Tulio, para a Colombia, “a primeira extradição de um guerrilheiro colombiano para seu país”. A notícia não saiu na mídia ocidental (porque prova que Chavez não apoia os grupos paramilitares que operam na Colômbia).

A nomeação de Palmer não é “mais do mesmo”; mais interferência, mais subversão, mais problemas. O Departamento de Estado foi largamente responsável pelas assim-chamadas revoluções coloridas na Ucrânia, Líbano, Georgia e Quirguistão etc.; todas foram armações feitas para a TV, que colocaram de um lado os interesses de ricos capitalistas contra os de governos eleitos. Agora a turma da Hillary quer tentar a mesma estratégia na Venezuela. É papel do Chavez evitar isso, razão pela qual ele aprovou uma lei para “regulamentar, controlar ou proibir o financiamento estrangeiro de atividades políticas”. Enfrentar as ONGs é a única forma de se defender contra a interferência dos Estados Unidos e proteger a soberania venezuelana.

Chavez também está usando seus novos poderes para reformar o setor financeiro. Aqui está um excerto de um artigo intitulado “Assembleia Nacional venezuelana aprova lei fazendo dos bancos um ’serviço público’”:

“A Assembleia Nacional da Venezuela na sexta-feira aprovou legislação que define a indústria bancária como ’serviço público’, requerendo que os bancos contribuam mais para os programas sociais, a construção de moradias e outras necessidades sociais, tornando mais fácil a intervenção do governo quando os bancos não cumprirem as prioridades nacionais. A nova lei protege os bens dos clientes dos bancos no caso de irregularidades cometidas pelos donos… e estipula que o Superintendente de Instituições Bancárias considere o interesse dos clientes — não apenas dos acionistas… quando tomar decisões que afetem as operações bancárias”.

Então por que Obama não está fazendo o mesmo? Ele tem medo de qualquer mudança real ou é um lacaio de Wall Street? Aqui, mais um pouco do mesmo artigo:

“Numa tentativa de controlar a especulação, a lei limita a quantidade de crédito que pode ser dado a indivíduos ou entidades privadas ao fixar 20% como o máximo total de seu capital que o banco pode emprestar. A lei também limita a formação de grupos financeiros e proíbe os bancos de ter participação em corretoras ou empresas de seguros. A lei também estipula que 5% dos lucros brutos dos bancos devem ser dedicados a projetos elaborados pelos conselhos comunais; 10% do capital do banco deve ser colocado em um fundo para pagar salários e pensões em caso de falência. De acordo com dados de 2009 da Softline Consultores, 5% dos lucros brutos da indústria bancária da Venezuela no ano passado equivaleriam a 314 milhões de bolivares, ou 73,1 milhões de dólares, para programas sociais para atender as necessidades da maioria pobre da Venezuela”.

“Controlar especulação?” Aí está uma boa ideia. Naturalmente, os líderes da oposição chamaram as novas leis de “um ataque contra a liberdade econômica”, mas isso é pura besteira. Chavez está meramente protegendo o público das práticas predatórias dos banqueiros sedentos de sangue. A maioria dos americanos desejaria que Obama fizesse o mesmo.

De acordo com o Wall Street Journal, “Chávez ameaçou expropriar os grandes bancos no passado se eles não aumentassem os empréstimos para pequenos negócios e compradores de casas; desta vez está aumentando a pressão publicamente para mostrar preocupação com a falta de moradias para 28 milhões de habitantes da Venezuela”.

Caracas sofre de uma maciça falta de moradias que se tornou ainda pior por causa das enchentes. Dezenas de milhares de pessoas precisam de abrigo, razão pela qual Chavez está colocando pressão nos bancos para emprestar. Naturalmente, os bancos não querem ajudar, por isso estão no modo-bebê-chorão. Mas Chavez descartou a choradeira e os colocou “sob aviso”. De fato, na terça-feira, ele deu um alerta direto:

“Qualquer banco que escorregar… vou expropriá-lo, seja o Banco Provincial, o Banesco ou o Banco Nacional de Crédito”.

Bravo, Hugo. Na Venezuela de Chavez as necessidades básicas das pessoas comuns e trabalhadoras tem precedente sobre os lucros dos banqueiros. É surpresa que Washington o odeie?

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Obama: o petróleo é nosso, e o Zezinho também.

Mais humor do Blog TIA CARMELA E O ZEZINHO

O Mais Preparado dos Brasileiros, o futuro pres. Zezinho, foi novamente vitimado pelas ações do Wikileaks.
Conforme já havíamos noticiado, a participação do Presidente de Nascença na negociação do Acordo CARACU EUA-Brasil é citada em várias mensagens da diplomacia dos EUA, que foram levadas pela enxurrada moral do vazamento. O vazamento é tão grande que a casa do pres. Zezinho, que já  estava ameaçada, corre risco de cair.

Obama elogiou o pres. Zezinho em seu discurso.

A mensagem mais polêmica transcreve uma conversa do presidente Barack Obama com sua chapa Hillary Clinton. Em uma reunião sobre os interesses dos EUA no Brasil, o  grande líder pacifista mundial comentou: “o petróleo é nosso, e o Zezinho também”.
Wikileaks vazou também  uma informação sobre uma discreta reunião do Maior dos Economistas com a representante de uma empresa petrolífera do grande irmão do norte. O convescote privado fez parte da longa série de negociações para o Acordo CARACU EUA-Brasil, no qual os EUA entrarão com a primeira parte.

Pelo diálogo, pode-se ver a serenidade do grande estadista. Ele recomenda calma a sua aliada, dizendo que, quando assumisse o lugar que é seu por direito divino, mudaria as regras de exploração do petróleo do pré-sal para facilitar os negócios das irmãs do ouro negro: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”

Tiro pela culatra

O interesse do Wikileaks era desestabilizar a  liderança inconteste do Maior dos Patriotas no cenário brasileiro e mundial.

 

A ciclonudista Soninha Copélia é de uma linha mais natureba, mas também trabalha com entregas.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Wikileaks  só conseguiu que o Maior dos Filhos da Mooca fosse mais admirado ainda. Agora, o mundo conhece melhor os grandes esforços do pres. Zezinho para fazer com que as grandes companhias de petróleo dos EUA explorem o pré-sal em lugar da obsoleta, incompetente e anti-brasileira Petrobrás.
O pres. Zezinho planeja, ao dar uma mão a  essas que são as mais  éticas e ambientalmente responsáveis empresas do mundo, fazer com que nossa Pátria entre em um novo período de paz, progresso, prosperidade e justiça social, como em outros países onde essas benévolas companhias operam.

Comentário da tia Carmela

QUADRILHA: UDN organizou uma bela festa junina em Miami para comemorar a elogiosa referência do pres. Obama ao pres. Zezinho.

Quando era menino, às vezes o Zezinho ia ajudar o pai no Mercadão. Ele não gostava muito de ficar na banca. O que ele gostava mesmo era de ir fazer entregas. Ele sempre pedia pro seu Francesco: “pai, não tem nenhuma entrega para eu fazer?”. Quando tinha alguma coisa para ele entregar, precisa ver como ele saía todo feliz. Na maioria das vezes, as entregas eram muito grandes para ele carregar, mas ele fazia questão de ir com o empregado da banca, só para sentir o gostinho de entregar. E quando tinha entrega nas Lojas Americanas, na Rua Direita, então? Ele ia todo serelepe…

domingo, 12 de dezembro de 2010

O wikileaks e o direito a saber quando seu dinheiro é usado para matar

Viomundo – O que você não vê na mídia
10 de dezembro de 2010 às 23:31

O que os gringos estão falando sobre a mãe de todos os vazamentos

December 7, 2010, 9:00 pm
Is Julian Assange Helping the Neocons?

By ROBERT WRIGHT, no blog Opinionator, do New York Times

Agora sabemos que nosso governo está mentindo para a gente sobre o envolvimento de nossas tropas em operações de combate no Paquistão. O Pentágono tinha dito que a missão de soldados americanos estava restrita a “treinamento de forças paquistanesas para que elas pudessem treinar militares paquistaneses”, mas na verdade nossas forças estão engajadas em unidades militares paquistanesas, dando a elas informações eletrônicas e outro tipo de apoio para matar o inimigo.

Sabemos disso por causa do WikiLeaks. É também graças ao WikiLeaks que sabemos do arranjo dos Estados Unidos com o presidente do Iêmen: matamos terroristas baseados no Iêmen e ele diz que é o Iêmen que está matando.

Nestes casos, penso, o WikiLeaks está fazendo o trabalho de Deus. Concordo que há razões táticas para estas duas mentiras, mas vejo que elas atropelam o direito básico dos cidadãos em uma democracia de saber quando o dinheiro deles está sendo usado para matar gente — especialmente quando estas pessoas vivem em países que não estão em guerra conosco. Assim, se vamos calcular o karma do Julian Assenge, eu colocaria isso na coluna do positivo.

E calcular é preciso. Assange vai presumivelmente ser escolhido a “Pessoa do Ano” da revista Time e a publicação com certeza vai nos lembrar que o prêmio reconhece impacto, não virtude; Hitler e Stalin foram ganhadores no passado. Ficará por nossa conta colocar Assange entre os bons ou os diabólicos. Vamos começar.

Assange tem razões elaboradas para suas ações. Ele as descreveu em um grandioso manifesto online que vai do plausível (“Se o poder conspiratório total é zero, não há conspiração”) ao metafórico-excêntrico (“Como computar uma conspiração? Computando a próxima ação”) ao opaco. Mas o argumento central é claro. Ele acredita que um problema básico do mundo são os “regimes autoritários”, um termo que usa — em forte contraste com o uso nos Estados Unidos — aplicado aos Estados Unidos.

Um regime autoritário, ele diz, oprime as pessoas e mantém seus planos secretos. A transparência arranca o véu, expondo os planos. E transparência radical — como a avalanche de informações do WikiLeaks — faz com que regimes autoritários guardem suas futuras comunicações internas. Isso faz com que o regime tenha um funcionamento inadequado. Na medida em que “mais vazamentos induzem a medo e paranoia”, nós veremos “declínio cognitivo sistemático, resultando em menor capacidade para se manter no poder”. (A esse respeito, como o jornalista Glenn Greenwald notou, Assange é como Osama bin Laden: eles quer que o inimigo reaja a suas provocações de forma autodestrutiva).

Assange escreveu isso em 2006, e é difícil imaginar que não tinha em mente o governo Bush. Certamente Bush queria centralizar o poder, não era grande defensor das liberdades civis e algumas vezes manteve as violações que promoveu de nossas liberdades em segredo. Assange neste sentido é o anti-Bush, desafiando a autoridade secreta e centralizada com transparência que é altamente descentralizada. (Os apoiadores dele criaram espelhos na rede que garantem acesso aos documentos do WikiLeaks e Assange diz que mais de 100 mil pessoas possuem os arquivos completos e criptografados).

Ainda assim Assange é também o anti-anti-Bush.

Bush foi criticado por suas tendencias unilaterais, por fracassar no desenvolvimento de boas relações com outras nações — e, em particular, por descartar nações suspeitas (veja “eixo do mal”) como nações com as quais não se deveria conversar. Obama chegou ao poder prometendo “engajamento”. Ele procuraria outras nações, enfaticamente incluindo aquelas com as quais as relações eram frágeis, como a Rússia e nações muçulmanas, incluindo até o Irã.

Se nosso governo abandonasse a manutenção de segredos explosivos sobre o que estava fazendo no estrangeiro, então suas ações no estrangeiro mudariam.

Engajamento é a busca de resultados vitoriosos em jogos de soma zero. Como qualquer teórico de jogo pode confirmar, uma chave para chegar a esses resultados é comunicação, e a comunicação dá mais resultados quando existe confiança mútua. Assim, graças ao Assange, muitas nações agora vão hesitar em conversar abertamente conosco, com medo de que suas comunicações privadas se tornem públicas.

Comunicação, e confiança, podem esfriar pelas recentes revelações de nossa avaliação de líderes estrangeiros. Presumo que os líderes turcos não vão olhar positivamente para a mensagem vinda de Ancara que diz que esperamos por um dia em que “não teremos mais de lidar com o atual elenco de líderes políticos [turcos], com seu especial interesse em drama e retórica destrutiva”. E Vladimir Putin não deve estar gostando de nossa descrição dele como bandido.

Muitas de nossas relações externas vão se provar resistentes. Os antigos aliados europeus vão superar os insultos e vão eventualmente aceitar as garantias de que estamos tornando mais seguras nossas comunicações. Mas esse tipo de reaproximação será mais difícil com as Rússias e as Turquias do mundo — nações que são mais remotas culturalmente de nós e menos seguras de nossa amizade. Em outras palavras, os relacionamentos que mais vão sofrer são os mais frágeis, aqueles que o governo Obama ao assumir o poder prometeu restaurar com engajamento.

Estes incluem muitos relacionamentos que os neoconservadores que deram forma à política externa de Bush estavam decididos a arriscar. Os neocons geralmente encorajavam políticas e declarações que ameaçavam relações com a Rússia e a Turquia, assim como a China, o Irã e assim por diante. Na verdade, o neoconservadorismo parecia dedicado a exacerbar as linhas de tensão geopolíticas. E agora o WikiLeaks ajudou a exacerbar as tensões. Talvez Assange, quando tiver tempo para uma nova onda conspiratória, possa considerar a possibilidade de que os neocons tenham implantando eletródios na cabeça dele [para espionagem].

De onde me encontro — uma posição enfática de anti-bushismo — esta é uma séria acusação: ajudando e auxiliando o anti-anti-bushismo. Mas, da mesma posição, há uma defesa possível de Assange.

A maior lição de todas de tudo isso é um fato do qual já se tocaram o Tiger Woods, o Michael Phelps e o Mel Gibson: privacidade não é mais o que era. A tecnologia tornou os segredos difícil de guardar.

Com certeza, podemos isolar melhor nossos canais de comunicação — para início de conversa, negando a sargentos do Exército o acesso às jóias da família. Mas não queremos cair na armadilha do Assange de transformar  nossas comunicações internas  numa forma desfuncional — além do que, não temos como controlar as burocracias estrangeiras que partilham nossos segredos. Temos de enfrentar o fato de que os segredos são mais difíceis de guardar na idade da Internet, quando um único descontente de uma organização pode dividir informações relevantes com todo o mundo.

Assim, segredos incendiários deveriam ser evitados. É melhor não mentir sobre o que nossas tropas no Paquistão estão fazendo, e não conspirar com o governo do Iêmen para enganar os iemenitas. Por um  motivo simples: estes segredos, quando expostos, deixam os estrangeiros com raiva dos Estados Unidos. E nos dias de hoje o ódio de base dos Estados Unidos, especialmente em países muçulmanos, é talvez nosso maior inimigo  — sendo, como é, a plataforma para o terrorismo.

Se nosso governo seguisse este conselho e deixasse de manter segredos explosivos sobre o que está fazendo no estrangeiro, então seu comportamento mudaria. Se a presença de nossas tropas no Paquistão se tornasse visível, o Paquistão talvez não autorizasse a entrada delas. E o governo do Iêmen talvez vetasse ataques transparentes de aviões não tripulados dos Estados Unidos.

Isso significaria matar menos terroristas no curto prazo, mas provavelmente significaria criar menos deles no longo prazo. Certamente (como o jornalista John Judis sugeriu) isso significaria fazer menos do que causou o ódio antiamericano de bin Laden para começo de conversa: ter uma presença militar em países muçulmanos, uma presença que algumas vezes significa cooperar com regimes repressivos e absorver o ódio que eles inspiram.

Não sei se esta mudança de rumo compensaria pelos danos de curto prazo causados pelo WikiLeaks — o dano causado a relações frágeis e cruciais com outros estados, a reação que está começando agora no Iêmen, no Paquistão e em outros lugares. Mas, se acontecer, então o impacto inicialmente pro-neocon de Assange poderia ser compensando por sua influência mais benigna no longo prazo. E o karma dele, calculado por mim, estaria no campo do território positivo.

Para que isso aconteça — para que os Estados Unidos respondam de forma inteligente ao fiasco do WikiLeaks — os políticos dos Estados Unidos devem considerar que Assange não é assim tão importante. Se ele nunca tivesse nascido, eles ainda assim teriam de se adaptar à idade da transparência, para um mundo em que mentiras “boas” para mascarar nossa colaboração com regimes dúbios são uma ameaça de longo prazo à nossa segurança nacional. Mais cedo ou mais tarde, os Estados Unidos forçosamente acordariam para as implicações da tecnologia moderna. Julian Assange simplesmente tornou este despertar mais doloroso.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Emir Sader: Obama e Lula

Viomundo - O que você não vê na mídia

09/12/2010

Blog do Emir Sader, em Carta Maior

A perda rápida de prestígio de Obama revela duas coisas: a primeira é que se pode ganhar eleição centrado no marketing, mas não se pode governar centrado no marketing. A segunda é que não se muda a mentalidade conservadora, forjada durante décadas, em uma campanha eleitoral, embora se possa avançar nessa direção, contanto que esses avanços sejam consolidados por politicas governamentais.
Apesar do enorme apoio popular e mesmo dos meios de comunicação e do apoio irrisório com que contava Bush no momento das eleições, Obama venceu por uma margem pequena de votos – 4%. O que refletia a enorme virada conservadora que os EUA tinham sofrido várias décadas antes – desde a vitória de Nixon, em 1968, apelando para a chamada “maioria silenciosa”. Não apenas a opinião publica deu uma virada conservadora, como as estruturas de poder – da Justiça à educação – que passaram, por sua vez, a consolidar um pensamento de direita no conjunto da sociedade.
Na presidência, Obama não se mostrou à altura das suas promessas. Salvou o sistema bancário, com a ilusão de que este salvaria o país e deixou abandonadas as vítimas principais da crise: os desempregados e os devedores das hipotecas bancárias. Na política externa, mudou a linguagem, mas não os pontos essenciais da estratégia imperial: Cuba, Guantanamo, Iraque, Afeganistão.
Foi penalizado, à esquerda – com a abstenção e a desilusão – e à direita – com forte mobilização conservadora – e perdeu a maioria eleitoral, ficou em minoria na Câmara, terminando penosamente sua lua-de-mel com o eleitorado.
O marketing tinha possibilitado sua vitória, mas ela não se consolidou com política que se enfrentasse à hegemonia conservadora na sociedade, mesmo dispondo da crise social para demonstrar políticas distintas de enfrentamento da crise.
No Brasil, ao contrário, o marketing eleitoral foi positivo, porque se assentava em um governo enraizado fortemente nas camadas majoritárias da população, beneficiárias das politicas sociais. A comparação entre os governos FHC e Lula era inquestionavelmente favorável a este, em todos os níveis. Daí que a oposição buscou um atalho para chegar a setores da população através da exploração de preconceitos de caráter religioso. A retomada da esfera politica como essencial, determinou finalmente a vitória de Dilma.
A diferença entre Lula e Obama é que, com o primeiro, o marketing está apoiado em medidas concretas de um governo de caráter popular, cujas políticas defenderam os direitos da população durante a crise e estendem esses direitos com seu modelo econômico e social. Por isso Lula saiu vitorioso e Obama foi derrotado. Lula fortaleceu os bancos públicos para combater a crise, enquanto Obama confiou em que a recuperação dos bancos privados em crise alavancaria a recuperação da economia, se equivocou e foi derrotado.
Uma imagem eleitoral pode ser construída tecnicamente, porém só se sustenta se estiver apoiada em um governo e em uma liderança sólida e coerente politicamente.

Emir Sader, sociólogo e cientista, mestre em filosofia política e doutor em ciência política pela USP – Universidade de São Paulo.

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quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Obama perdeu a voz, fala fino

Viomundo - O que você não vê na mídia

Heloisa Villela: Obama perdeu a voz, fala fino

por Heloisa Villela,  em Washington

O que Obama não entendeu ainda é que ele se apaixonou por um modelo falido. Obama, o garoto propaganda do slogan da mudança, tem, no fundo, no fundinho, uma tremenda admiração por Ronald Reagan (enquanto ainda era candidato, em 2007 e 2008, Obama disse admirar o corte de impostos do Reagan e a capacidade dele de virar o jogo). Isso mesmo, o ator que virou presidente, passou oito anos na Casa Branca e implantou, no país, uma ideologia perniciosa que até hoje domina a economia americana.
A idéia é aparentemente simples e conhecida no Brasil como: “vamos aumentar o bolo prá depois dividir”.  Aqui nos Estados Unidos, a história é um pouco diferente: vamos enriquecer ainda mais os milionários porque assim eles acabam deixando transbordar algo para os pobres. Essa é a argumentação dos republicanos, desde os anos Reagan e repetida agora, para estender o corte de impostos do governo Bush.
Obama, em princípio (na campanha e em setembro passado ele disse isso), queria limitar essa proposta. Manter o corte de impostos apenas para quem ganha menos de duzentos e cinquenta mil dólares por ano. Mas os republicanos ameaçaram bater o pé e ele recuou. Não deu um soco na mesa, um grito, não despachou nenhum assessor para fazer política no Congresso, não deu nem um telefonema para os adversários políticos rejeitando a proposta. Simplesmente, chamou os republicanos na Casa Branca (primeiro eles deram bolo dizendo que não tinham tempo na data sugerida, depois apareceram!) e fez um acordo: em troca de manter o corte de impostos para todo mundo, obteve dos republicanos a promessa de que eles vão estender o seguro desemprego já que um número cada vez maior de pessoas depende desse cheque prá comer. Não digo nem prá pagar o aluguel porque não dá.
Agora, Obama se vê em uma situação ridícula: fechou acordo com os Republicanos, mas não tem o apoio dos Democratas para o conchavo. E mandou o vice, Joe Biden, ao Congresso para tentar acalmar os correligionários e convencê-los de que esse acordo é o melhor resultado possível no momento. Mesmo discurso de quando entregou os pontos na reforma da saúde e descartou, de cara, a opção pública que seria a única maneira de forçar uma competição entre os seguros, puxando os preços para baixo.
Difícil é entender como Obama se fez refém do discurso histérico e radical de Sarah Palin e seus aliados do Tea Party. Eles são uma minoria barulhenta. Mas o Presidente-da-não-mudança Obama perdeu a voz. Quem domina o discurso são eles. Com a reforma da saúde, os radicais de direita repetiram tantas vezes o refrão de que a reforma do Obama era socialista que acabaram ganhando espaço. Agora, conseguiram distorcer tão completamente… espera aí! Não foi a direita que distorceu, foi o Obama que falou fino.
Acho simples e fácil explicar ao eleitorado que dar mais dinheiro aos ricos, e aumentar o déficit do país, não ajuda ninguém. Que o importante é dar um alívio para a classe média e para os mais pobres. Garantir empregos, comida e moradia. Deixar claro que, depois de mais de três décadas apostando no aumento do bolo, a maioria está passando fome. Qualquer trabalhador ou desempregado entende isso.
Para quem ainda tem dúvida, bastava pedir ao economista Robert Reich (ex-secretário do trabalho no governo Clinton, não exatamente um “esquerdista”) para explicar. Dados da última coluna dele no Huffington Post:
“Por três década, uma parcela cada vez maior dos benefícios do crescimento econômico foram parar nas mãos dos 1% mais ricos. Há trinta anos, eles tinham 9% da renda total. Agora, têm quase um quarto (25%). Enquanto isso, a renda média do trabalhador americano praticamente não mudou. A grande classe média já não tem mais o poder de compra para manter a economia girando. (Os ricos gastam uma porcentagem bem menor do que ganham). A crise foi evitada, antes, apenas porque as famílias de classe média encontraram meios de gastar mais do que ganhavam – mulheres foram trabalhar, a jornada de trabalho aumentou, e finalmente, as famílias usaram a casa própria como colateral para tomar dinheiro emprestado. Mas quando a bolha do mercado imobiliário explodiu, o jogo terminou”.
Qualquer trabalhador, empregado ou desempregado, pai de família, que tem uma casa, ou perdeu o teto durante a crise, entende essa história direitinho. Bastava o Presidente repetir a ladainha. Por que  será que ele entregou os pontos tão rápido?Não sei, mas na ala mais progressista do partido democrata já começa o burburinho… A idéia de que talvez seja melhor escolher um candidato para concorrer com Obama pela indicação do partido à presidência em 2012. Seria uma humilhação porque o presidente em exercício é sempre o candidato para um segundo mandato. Até colunistas afro-americanos já lamentam, mas dizem: talvez seja melhor ter um branco mais combativo na Casa Branca do que um afro-americano tão preocupado em agradar a todos.

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domingo, 14 de novembro de 2010

Obama faz defesa do Estado laico

Viomundo - O que você não vê na mídia
14 de novembro de 2010 às 17:19
Enviado por Leneide Duarte-Plon, de Paris
Quem ainda não viu,  deve ver, a bela defesa do Estado Laico feita por Barack Obama. Um  inteligente discurso, memorável, que enfrenta os fundamentalistas retrógrados com a razão.  A mil léguas do primarismo do tosco George Bush. Um discurso que certamente  há de perdurar.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Roger Cohen: Barack Obama (infelizmente) não é Lula

Viomundo - O que você não vê na mídia
3 de novembro de 2010 às 1:36

Ouse, Barack

BBy ROGER COHEN, no New York Times, em 1 de novembro de 2010

Washington — Estive entre os primeiros e maiores apoiadores de Barack Obama. Os Estados Unidos estavam entrevados e me pareceu que ele poderia levar o país adiante no século 21, que começou tão tragicamente em Nova York e aqui na capital da Nação. Como muitos, na metade do mandato, estou enfrentando minha decepção.

Já me perguntei: será que Hillary Clinton, experiente e ligada aos Estados Unidos blue-collar [nota do Viomundo: trabalhadores de colarinho azul, em geral de classe média baixa] teria sido mais forte e mais capaz de levantar o moral nacional? Já me perguntei: será injusto sentir desilusão com a escala dos problemas herdados pelo Obama? E me perguntei, dado o desrespeito visceral pelo presidente que vem do Tea Party — um desprezo mal cheiroso, cheio de sugestões que beiram o racismo — se Obama poderia ter feito qualquer coisa para se aproximar dos adversários?

Para todas estas perguntas, em momentos diferentes, tive diferentes respostas. Não, diz uma voz, esqueça, ele está fazendo o que pode para tirar os Estados Unidos de duas pancadas — da guerra e do derretimento econômico. Ele é inteligente e curioso — e, de qualquer forma, é preciso considerar a alternativa mística-insular-nacionalista.

Ah, sim, diz outra resposta, ele é muito “cool”, uma construção mais do que uma pessoa de carne e osso, uma nave  vazia para carregar idealismo, um político que não gosta de se relacionar com os eleitores (e o que mais é a política?), um homem que — não por nada — levanta o queixo quando fala.

As vozes vão e vem, mas não tem como me afastar da desilusão. Este presidente parece vazio — e às vezes nem mesmo genuíno. Ele deveria colocar sobre a cama as palavras de Jonathan Alter: “A lógica pode convencer mas apenas a emoção pode motivar”.

Ao chegar a Nova York vindo de Londres, fui a uma festa no Upper East Side [nota do Viomundo: reduto dos liberais de Nova York, onde morei na 83 com a Segunda, nos anos 80]. Era uma multidão de gente bem de vida, quase toda formada por apoiadores de Obama há alguns anos. “Ele é uma enganação”, um convidado disse. “Precisamos de um Bloomberg, alguém que saiba gerenciar”, disse outro, se referindo ao prefeito bilionário de Nova York. “Toda esta nostalgia em torno do Clinton é causada porque Obama é um solitário, não tem interesse nas pessoas”, disse um terceiro.

Fiquei surpreso pela fato de que as pessoas não sabem qual é o caminho desejado por Obama. Não existe narrativa nesta presidência. Era sobre mudança em que se podia acreditar. Agora o presidente parece menos apaixonado pela ideia de ser um agente de mudança e mais um calculista incerto de suas crenças principais. Em Londres, sabemos o que o primeiro-ministro David Cameron quer: reduzir o estado e cortar o déficit. Concorde ou não, é a narrativa. Ajuda.

Outro líder estrangeiro do qual me lembrei, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva do Brasil, que agora está próximo de deixar o poder depois de uma presidência extraordinária. Aqui estão dois políticos de fora do círculo de poder, com nomes fáceis de pronunciar e com rostos diversos dos que apareciam nas notas do dinheiro de suas nações, quebrando modelos de raça ou classe. Mas a comparação termina aí.

Lula experimentou de tudo — um de oito filhos do norte empobrecido do Brasil, um ex-operário metalúrgico que reparou a fratura social de uma das sociedades mais desiguais do mundo. Obama até agora fracassou no teste crítico de autenticidade.

Havia um frisson anti-establishment no Obama, o homem negro que batalhou para superar preconceito e o “pecado original” dos Estados Unidos para conquistar o cargo mais importante do país. Ainda assim ele se revelou um produto da elite e das escolas de elite dos Estados Unidos, um político que construiu sua imagem com grande inteligência mas mostra pouco apetite pelos detalhes. Bipartidarismo, quando não é apenas oratória, começa com pequenos gestos.

Estive conversando com um pequeno doador do Partido Democrata, um empresário de Kansas City. Ele deu 30 mil dólares para Obama e não recebeu uma nota de agradecimento. Está irritado. Muita gente acha que o presidente é muito convencido para escrever notas de agradecimento ou fazer chamadas de cortesia.

Depois da derrota inevitável nas eleições do meio de mandato, Obama precisa tomar algumas decisões. Ele está preso na defesa nas questões domésticas e de política externa. Os ataques fáceis nos “banqueiros gordos” precisam acabar. Eles não convencem a esquerda e deixam a direita furiosa. Processe-os, por todos os meios, mas deixe de falar. E lembre que os americanos tiveram uma boa limpeza doméstica. Uma injeção fiscal de 787 bilhões de dólares é suficiente.

Os americanos estão tentando se livrar das dívidas. Eles seguirão um presidente que diz que estender os cortes de impostos para os ricos é loucura [nota do Viomundo: herança deixada por George W. Bush]. Os americanos podem até aceitar impostos sobre o consumo. Mas o presidente precisa liderar.

Obama está enfrentando uma convicção internacional de que é hesitante. A revisão da estratégia que levou ao aumento das tropas no Afeganistão deixou uma impressão de incerteza. No final recebemos o que alguns chamaram de plano do Groucho Marx — Alô, estou de saída — um reforço que será revertido a tempo da campanha de 2012. No Oriente Médio, também, a política doméstica evitou mudanças, resultando em erros e a familiar paralisia.

A ousadia marcou a campanha de Obama; só ela poderá reelegê-lo em 2012. Ele precisa revigorar sua equipe com “fazedores” em vez de “pensadores”. Ele precisa encarar com seriedade o equilíbrio do orçamento. Ele precisa de uma política externa que reflita um mundo em mudança, não um Congresso dividido.

E ele precisa admitir que talvez os decepcionados com ele não são mal aconselhados, mas racionais e até mesmo científicos — palavras das quais ele tanto gosta.

Roger Cohen: Barack Obama (infelizmente) não é Lula | Viomundo - O que você não vê na mídia

sábado, 30 de outubro de 2010

Veja: Caindo no ridículo

Talvez por considerar inevitável a derrota de sua campanha, a “revista mais vendida do país”, como costuma se referir o blog TIA CARMELA E O ZEZINHO à edição semanal da editora que mais se beneficiou pelas gestões de Serra em São Paulo, publicou neste fim de semana a capa ao lado. Não se tratou de bala de prata, mas uma tentativa de ridicularizar o Presidente Lula cujo governo ostenta novo recorde de 83% de aprovação. A representante da elite dalémmar, que corresponde a cerca de 3% da população e que acham ruim ou péssimo o governo Lula, passa pelo ridículo papel de expressar o preconceito de classe de seus leitores.

A Veja em sua versão digital prossegue o brilhante estratagema de “desqualificar” Lula (na compreensão de mundo deles, que fique claro) ao compará-lo com Fidel em gestos e expressões em fotos. Pela mesma lógica que no século XIX se comparava crânios para descobrir personalidades criminosas, o sério estudo trazido pela qualificada reportagem, chega à conclusão óbvia: Lula é um ditador. Após disputar cinco eleições, ser eleito pelo povo em duas, e não mudar a lei para ampliar a possibilidade de reeleição como fez FHC, deveríamos ter desconfiado.

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As conclusões que podemos tirar não param por aí. Nasceu o anti-cristo. E não foi no Brasil. Obama, pelo que indica as fotos pesquisadas pelo Foo, leitor do Nassif, é um ditador também.

Localizei mais indícios que comprovam esta tese. Assim como Foo, levei cerca de 5 minutos para achar essas provas. Imaginem o que seríamos capazes se estivéssemos sendo pagos para isso.

A Veja deve achar seu candidato um fofo, não é?

Para não dizer que jogou a toalha, a revista tenta diminuir o significado de Lula para o país, para a história e para a população. Coisa que o colunista de O Globo, Noblat também tentou em seu blog, mas teve resposta a altura. Resposta que serve aos barões da mídia. E, já que não publiquei antes, segue o texto recebido por e-mail:

RESPOSTA AO BLOG DO NOBLAT

Carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat.
http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/de-carlos-moura-com-carinho-para-noblat.html

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Noblat,
Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?
Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos anos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Freqüentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.
Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.
O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.
O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala”, “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.
As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar” a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia” do cargo. Ao togado basta o cinismo.
Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente agüente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.
Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Mônica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.
A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.
Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.
Carlos Torres Moura
Além Paraíba-MG

Veja: Caindo no ridículo

Talvez por considerar inevitável a derrota de sua campanha, a “revista mais vendida do país”, como costuma se referir o blog TIA CARMELA E O ZEZINHO à edição semanal da editora que mais se beneficiou pelas gestões de Serra em São Paulo, publicou neste fim de semana a capa ao lado. Não se tratou de bala de prata, mas uma tentativa de ridicularizar o Presidente Lula cujo governo ostenta novo recorde de 83% de aprovação. A representante da elite dalémmar, que corresponde a cerca de 3% da população e que acham ruim ou péssimo o governo Lula, passa pelo ridículo papel de expressar o preconceito de classe de seus leitores.

A Veja em sua versão digital prossegue o brilhante estratagema de “desqualificar” Lula (na compreensão de mundo deles, que fique claro) ao compará-lo com Fidel em gestos e expressões em fotos. Pela mesma lógica que no século XIX se comparava crânios para descobrir personalidades criminosas, o sério estudo trazido pela qualificada reportagem, chega à conclusão óbvia: Lula é um ditador. Após disputar cinco eleições, ser eleito pelo povo em duas, e não mudar a lei para ampliar a possibilidade de reeleição como fez FHC, deveríamos ter desconfiado.

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As conclusões que podemos tirar não param por aí. Nasceu o anti-cristo. E não foi no Brasil. Obama, pelo que indica as fotos pesquisadas pelo Foo, leitor do Nassif, é um ditador também.

Localizei mais indícios que comprovam esta tese. Assim como Foo, levei cerca de 5 minutos para achar essas provas. Imaginem o que seríamos capazes se estivéssemos sendo pagos para isso.

A Veja deve achar seu candidato um fofo, não é?

Para não dizer que jogou a toalha, a revista tenta diminuir o significado de Lula para o país, para a história e para a população. Coisa que o colunista de O Globo, Noblat também tentou em seu blog, mas teve resposta a altura. Resposta que serve aos barões da mídia. E, já que não publiquei antes, segue o texto recebido por e-mail:

RESPOSTA AO BLOG DO NOBLAT

Carta aberta de Carlos Moura (aposentado, fotógrafo, redator de jornal de interior, sócio de uma pequena editora de livros clássicos e coordenador da Ação da Cidadania em Além Paraíba-MG) para o jornalista de “O Globo” Ricardo Noblat.
http://www.rodrigovianna.com.br/outras-palavras/de-carlos-moura-com-carinho-para-noblat.html

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Noblat,
Quem é você para decidir pelo Brasil (e pela História) quem é grande ou quem deixa de ser? Quem lhe deu a procuração? O Globo? A Veja? O Estadão? A Folha?
Apresento-me: sou um brasileiro. Não sou do PT, nunca fui. Isso ajuda, porque do contrário você me desclassificaria, jogando-me na lata de lixo como uma bolinha de papel. Sou de sua geração. Nossa diferença é que minha educação formal foi pífia, a sua acadêmica. Não pude sequer estudar num dos melhores colégios secundários que o Brasil tinha na época (o Colégio de Cataguases, MG, onde eu morava) porque era só para ricos. Nas cidades pequenas, no início dos anos sessenta, sequer existiam colégios públicos. Freqüentar uma universidade, como a Católica de Pernambuco em que você se formou, nem utopia era, era um delírio.
Informo só para deixar claro que entre nós existe uma pedra no meio do caminho. Minha origem é tipicamente “brasileira”, da gente cabralina que nasceu falando empedrado. A sua não. Isto não nos torna piores ou melhores do que ninguém, só nos faz diferentes. A mesma diferença que tem Luis Inácio em relação ao patriciado de anel, abotoadura & mestrado. Patronato que tomou conta da loja desde a época imperial.
O que você e uma vasta geração de serviçais jornalísticos passaram oito anos sem sequer tentar entender é que Lula não pertence à ortodoxia política. Foi o mesmo erro que a esquerda cometeu quando ele apareceu como líder sindical. Vamos dizer que esta equipe furiosa, sustentada por quatro famílias que formam o oligopólio da informação no eixo Rio-S.Paulo – uma delas, a do Globo, controlando também a maior rede de TV do país – não esteja movida pelo rancor. Coisa natural quando um feudo começa a dividir com o resto da nação as malas repletas de cédulas alopradas que a União lhe entrega em forma de publicidade. Daí a ira natural, pois aqui em Minas se diz que homem só briga por duas coisas: barra de saia ou barra de ouro.
O que me espanta é que, movidos pela repulsa, tenham deixado de perceber que o brasileiro não é dançarino de valsa, é passista de samba. O patuá que vocês querem enfiar em Lula é o do negrinho do pastoreio, obrigado a abaixar a cabeça quando ameaçado pelo relho. O sotaque que vocês gostam é o nhém-nhém-nhém grã-fino de FHC, o da simulação, da dissimulação, da bata paramentada por láureas universitárias. Não importa se o conteúdo é grosseiro, inoportuno ou hipócrita (“esqueçam o que eu escrevi”, “ tenho um pé na senzala”, “o resultado foi um trabalho de Deus”). O que vale é a forma, o estilo envernizado.
As pessoas com quem converso não falam assim – falam como Lula. Elas também xingam quando são injustiçadas. Elas gritam quando não são ouvidas, esperneiam quando querem lhe tapar a boca. A uma imprensa desacostumada ao direito de resposta e viciada em montar manchetes falsas e armações ilimitadas (seu jornal chegou ao ponto de, há poucos dias, “manchetar” a “queda” de Dilma nas pesquisas, quando ela saiu do primeiro turno com 47% e já entrou no segundo com 53 ) ficou impossível falar com candura. Ao operário no poder vocês exigem a “liturgia” do cargo. Ao togado basta o cinismo.
Se houve erro nas falas de Lula isto não o faz menor, como você disse, imitando o Aécio. Gritos apaixonados durante uma disputa sórdida não diminuem a importância histórica de um governo que fez a maior revolução social de nossa História. E ainda querem que, no final de mandato, o presidente agüente calado a campanha eleitoral mais baixa, desqualificada e mesquinha desde que Collor levou a ex-mulher de Lula à TV.
Sordidez que foi iniciada por um vendaval apócrifo de ultrajes contra Dilma na internet, seguida das subterrâneas ações de Índio da Costa junto a igrejas e da covarde declaração de Mônica Serra sobre a “matança de criancinhas”, enfiando o manto de Herodes em Dilma. Esse cambapé de uma candidata a primeira dama – que teve o desplante de viajar ao seu país paramentada de beata de procissão, carregando uma réplica da padroeira só para explorar o drama dos mineiros chilenos no horário eleitoral – passou em branco nos editoriais. Ela é “acadêmica”.
A esta senhora e ao seu marido você deveria também exigir “caráter, nobreza de ânimo, sentimento, generosidade”.
Você não vai “decidir” que Lula ficou menor, não. A História não está sendo mais escrita só por essa súcia de jornais e televisões à qual você pertence. Há centenas de pessoas que, de graça, sem soldos de marinhos, mesquitas, frias ou civitas, estão mostrando ao país o outro lado, a face oculta da lua. Se não houvesse a democracia da internet vocês continuariam ladrando sozinhos nas terras brasileiras, segurando nas rédeas o medo e o silêncio dos carneiros.
Carlos Torres Moura
Além Paraíba-MG