Polícia tucana bate em quem leva tucano a sério
O Conversa Afiada reproduz texto sempre agudo do blogueiro sujo Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania:
Polícia tucana bate em quem leva tucano a sério
O Conversa Afiada reproduz texto sempre agudo do blogueiro sujo Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania:
Mello na votação do STF: Brasil é o campeão mundial de homofobia
A pedidos, no dia em que o STF se renova, sacode a poeira obscurantista (que anistiou os torturadores com a anistia à Lei da Anistia), o Conversa Afiada republica texto do deputado federal Jean Willys extraído do site Brasília Eu Vi, de Leandro Fortes:
Charge do amigo navegante Juliano
Num shopping center movimentado, o Secretário de Segurança, Antonio, entrega a um (excelente) repórter documentos que comprovam a corrupção na Secretaria de Segurança – a Secretaria do próprio Antonio.
A reportagem revela que, nos Governos Alckmin (anterior) e Cerra, se praticava um tipo de corrupção que não se viu, por exemplo, no Governo Maluf: vender dados sobre criminalidade a construtoras e esconder do público (e dos compradores de imóveis.)
Chicago na veia !
Funcionários da Secretaria de Segurança capturam o vídeo da câmera do shopping Center e divulgam.
(Que Secretário de Segurança é esse que tem encontro secreto nu shopping Center ?)
O Secretário de Segurança é do Cerra, que o Alckmin manteve.
O Secretário de Segurança do governo anterior do Alckmin, Saulo, é suspeito de participar do massacre de criminosos no famoso episódio conhecido como “Massacre da Castelinho”.
Saulo foi quem contratou o funcionário que vendia informações sobre criminalidade.
A Antonio se atribui a tarefa de punir funcionários corruptos da Secretaria, funcionários que lá estão desde os tempos do Saulo.
A Folha – no espaço da página 2 dedicado a Clovis Rossi – suspeita que os funcionários corruptos da Secretaria de Segurança (do Saulo e do Antonio) estejam por trás do vazamento do vídeo.
Mas, quem está mesmo por trás de tudo são o Alckmin e o Cerra – ou não, amigo navegante ?
Quando é que São Paulo vai ter um Beltrame ?
Enquanto isso, na pág. C3 da Folha (*), Vila Madalena, bairro nobre de São Paulo, sofreu o quinto arrastão em 30 dias.
Enquanto isso, até em Paris, o poste do Cerra enfrenta protestos por aumento de ônibus.
São Paulo é a única cidade do Brasil que, neste momento, enfrenta paralisações de moradores indignados com o aumento do transporte público.
Em uma semana, três estudantes universitários foram assassinados durante roubos em São Paulo, informa o jornal Agora (o único que presta, em São Paulo), na pág. A6.
Só não haverá um processo de impeachment na Assembléia, porque o próprio Presidente da Assembléia, segundo a Folha, na primeira página, é acusado de um pequeno desvio de R$ 3 milhões (coisa insignificante, para os padrões da Chuíça (**)), na cidade de Itapira.
A Assembléia não comporta DOIS processos de impeachment simultâneos !
Viva a Chuíça (**) !
(E ele ainda quer ser Presidente !)
Clique aqui para ver o vídeo do encontro secreto do Antonio, secretário de Segurança (?), num shopping.
Em tempo:
O Conversa Afiada publica charge e comentário do amigo navegante Juliano:
Olá PHA, tudo bém?
Nessa Ida e Volta lenta do feriadão de carnaval, muitos brasileiros sentiram-se indignados com os pedágios http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2011/03/motorista-encontra-filas-na-chegada-sp-pela-dutra-e-castello.htmlPSDBistas, agora cobrados em dólares.
E você, caro leitor… também ficou tão indignado quanto este senhor?
Juliano
Paulo Henrique Amorim
Segurança de SP. Para onde se olha tem trampa | Conversa Afiada
Alckmin preferiu vender o sofá!
por Marcelo Semer, em Terra Magazine
As cenas da escrivã sendo despida à força por policiais da Corregedoria em São Paulo suscitaram uma enorme perplexidade.
Muitos se perguntaram: se a polícia faz isso com os próprios policiais, o que não fará com o cidadão comum?
A dúvida do governador Geraldo Alckmin foi outra: como um vídeo oficial da ação policial se tornou público?
O governador se comportou no episódio mais ou menos como o marido que ciente da traição da esposa no sofá da sala, decide vender o móvel.
Mas talvez valha a pena se questionar o que teria acontecido se as imagens jamais chegassem ao YouTube.
O inquérito que apurava eventual abuso de autoridade foi arquivado, a pedido da promotoria. O MP entendeu, que apesar de ter havido “um pouco de excesso na hora da retirada da calça da escrivã”, não havia no ato qualquer intuito libidinoso e isso bastou para isentá-los.
No âmbito disciplinar, os policiais chegaram a ser chamados de corajosos e destemidos.
Depois que o vídeo veio à tona, no entanto, tudo mudou.
Promotores do grupo de controle externo da polícia criticaram fortemente a ação. Os policiais foram afastados e a corregedora-geral perdeu seu cargo de confiança.
A mudança de comportamento não destoa, em verdade, de como a própria sociedade encara os excessos da repressão.
A violência policial está longe de ser uma novidade entre nós. Mas só quando ela nos é mostrada sem pudores, com imagens em relação às quais não se pode fechar os olhos, é que desperta indignação.
Longe dos olhos, longe do coração.
A edição da lei da tortura foi um nítido exemplo da importância das imagens furtivas.
O Brasil era signatário há anos de um tratado no qual se obrigava a reprimir o abuso de agentes públicos, mas as reivindicações para a tipificação do crime não sensibilizavam os parlamentares.
A lei só foi proposta, e aprovada em curtíssimo prazo, quando as cenas da violência policial na Favela Naval, filmadas por um cinegrafista oculto, foram mostradas em rede nacional.
A tortura não nos era desconhecida – apenas suportável quando não éramos obrigados a encará-la de frente.
A situação precaríssima dos encarcerados no país não é lá muito diferente.
É preciso uma rebelião daquelas em que cabeças são cortadas, ou fotos de corpos presos empilhados em contêineres, para que comecemos a supor que, afinal, alguma coisa está fora da ordem.
Analisando as atrocidades que tem visto em inúmeras inspeções carcerárias país afora, um juiz auxiliar do Conselho Nacional de Justiça chegou à conclusão que a sociedade tolera as graves violações porque, no fundo, acredita que o criminoso mereça vingança.
Faz sentido.
A opinião de que precisamos de mais repressão, mais pena, mais prisões e menos direitos, é persistente na sociedade. E as críticas aos abusos da punição são bem mais esporádicas.
Mesmo que já estejamos na faixa do meio milhão de presos, sem contar os adolescentes infratores, continuamos a clamar que o Brasil é o celeiro da impunidade, e pedir por mais e mais cadeia.
Quem se opõe a isso e luta pela preservação de garantias fundamentais é taxado de defensor dos “direitos humanos para bandidos”. A ojeriza à utilização dos instrumentos de defesa, como a recente crucificação do habeas corpus, faz com que todo advogado seja considerado um pouco criminoso.
Enquanto isso, as punições por tortura, como se sabe, são irrisórias.
O receio de denunciar, a desconfiança dos operadores do direito, a necessidade de preservar como legítimas provas obtidas de forma ilícita, tudo isso vitamina a enorme cifra negra da tortura.
Mas não é só.
A ânsia de punir, a comoção causada pela contínua exploração midiática dos crimes e a demagogia dos parlamentares que a cada vítima famosa propõem novas leis, acaba por moldar nossa forma de tratar o crime. Com o máximo de espetáculo e o mínimo de limites para a repressão.
Tudo isso vai bem, até que as duras imagens nos cheguem, de alguma forma, contrabandeadas da realidade.
Quando se vê, a barbaridade das consequências enfim nos assusta e nos comove.
Talvez por isso o governador tenha se preocupado tanto com o vazamento do vídeo.
Mas aí seria o caso de se perguntar: para a garantia dos direitos, ao invés de pregar o respeito à Constituição, teremos de recorrer ao Wikileaks?
Marcelo Semer é Juiz de Direito em São Paulo. Foi presidente da Associação Juízes para a Democracia. Coordenador de “Direitos Humanos: essência do Direito do Trabalho” (LTr) e autor de “Crime Impossível” (Malheiros) e do romance “Certas Canções” (7 Letras). Responsável pelo Blog Sem Juízo.
Tão verdadeiro quanto a lista da Veja
O repórter Mario Cesar Carvalho (um dos últimos repórteres vivos, em São Paulo), da Folha (*), faz grave denuncia na capa e na pág. C1:
“Estatístico do Estado vende dado sigiloso”
“Túlio Kahn, coordenador da Secretaria de Segurança de SP, disponibiliza informações criminais por meio de sua empresa”.
“Ele já forneceu dados como furtos a pedestres na região de Campinas e bens mais visados em roubos a condomínios.”
Ele atravessa três governos na função – Alckmin, Cerra, Alckmin.
O levantamento sobre roubos a condomínios foi feito para o sindicato das empresas imobiliários, SECOVI.
A empresa de Kahn, a Angra, oferece aos clientes informações que não oferece ao cidadão, com um argumento interessante:
“poderiam gerar alarmismo entre os moradores e desvalorizar a área” !!!
NAVALHA
Estão aí ao vivo algumas características do tucanismo paulista.
Privatizar.
Privatizar informações e beneficiar clientes poderosos, como o SECOVI.
Não desvalorizar áreas em que ocorra violência.
Manipular dados e “combater” a violência em São Paulo.
A própria Folha (*) já tentou obter os dados que o funcionário do Governo vende, através de sua própria empresa.
Corrupção no alto escalão do Governo não é privilégio de São Paulo.
Traço característico dos tucanos paulistas – Cerra e Alckmin à frente – é a privatização dos serviços públicos.
Outro é manipular informação para não “alarmar” a população.
Manipular para não atrapalhar a indústria imobiliária.
Como se sabe, um dos traços da “estatística” de violência em São Paulo é registrar “homicídio” como “óbito de causa desconhecida”.
É como fazia o regime militar e a Folha da Tarde confirmava.
Na Secretaria de Segurança do Rio acredita-se nas estatísticas de violência da Chuíça (**) tanto quanto na lista de livros mais vendidos da Veja.
Paulo Henrique Amorim
Governos Cerra e Alckmin manipulam e vendem dados de violência | Conversa Afiada
“Após a morte de JFK, vozes do extremismo de direita se afastaram um pouco do rádio e TV. Agora voltaram, diz sobrinho de Kennedy”
Viomundo – O que você não vê na mídia
16 de janeiro de 2011 às 18:33
Robert Kennedy Jr.: Quando a mídia ajuda a matar
[Anúncio de página inteira publicado no Dallas Morning News no dia do assassinato de JFK, em que ele é acusado de ser comunista]
Nas ondas do ódio radioativo
Após a morte de JFK, vozes do extremismo de direita se afastaram um pouco do rádio e TV. Agora voltaram, diz sobrinho de Kennedy
por Robert F. Kennedy Jr., traduzido por Terezinha Martino, no Estadão
No dia 22 de novembro de 1963, minha mãe foi me buscar na Sidwell Friends School, em Washington. Quando seguíamos para casa, em Hickory Hill, norte da Virgínia, observei que todas as bandeiras da cidade estavam a meio pau. Minha mãe disse que um homem malvado tinha atirado no tio Jack e ele tinha ido para o céu. Um amigo do meu pai, Dean Markhan, ex-companheiro do time de futebol em que ele jogava e promotor da divisão de combate ao tráfico, foi buscar meu irmãozinho David na escola Our Lady of Victory. “Por que eles mataram tio Jack?”, David perguntou a ele. Dean, ex-fuzileiro naval, veterano de combates, conhecido como um dos mais robustos atacantes do Esquadrão GI Bill — o mais forte time de futebol [americano] da história da Universidade de Harvard –, não era tão forte para enfrentar aquela pergunta. E chorou silenciosamente durante todo o caminho percorrido.
Quando cheguei em casa meu pai estava no jardim com Brumus, nosso terra-nova, e Rusty, um setter irlandês. Corremos em sua direção e o abraçamos. Todos choravam. Ele nos disse: “John teve a vida mais maravilhosa possível e jamais teve um dia triste”.
Nem Glenn Beck, Sean Hannity ou Michael Savage, nem os odiosos mercadores da Fox News e dos programas de rádio podem dizer que inventaram seu estilo.
[PS do Viomundo: O autor se refere a jornalistas-militantes da extrema-direita]
A virulência tóxica da direita dominava de tal forma as ondas de rádio desde a era McCarthy até 1963 que o presidente John Jack Kennedy, naquele ano, lançou uma campanha para implementar a Fairness Doctrine (Doutrina da Imparcialidade), que exigia exatidão e equilíbrio no rádio e na TV. Estudantes, grupos religiosos e de cidadãos registraram mais de 500 queixas na Comissão Federal de Comunicações contra extremistas de direita e apresentadores que disseminavam o ódio.
Os programas transmitidos em Dallas eram radioativos: pregadores, líderes políticos e empresários locais cuspiam a virulência extremista, inflamando as paixões de legiões de fanáticos desequilibrados. Havia alguma coisa naquela cidade — cólera ou loucura — que, conscientemente ou não, parecia preparar o terreno para o assassinato de Jack. A Voice of America, meia hora após o assassinato do presidente, descreveu Dallas como o “centro da extrema direita”. Texas era um tal caldeirão de corrupção da direita que o historiador William Manchester a retratou como a cidade que lembrava os dias finais da República de Weimar. “Coisas insanas ocorriam”, reportou Manchester. “Enormes cartazes exigiam o ‘impeachment’ de Earl Warren (presidente da Suprema Corte, responsável pelo fim da segregação nas escolas; depois presidiu a comissão Warren, que investigou o assassinato de Kennedy)”.
Lojas de judeus eram pichadas com suásticas. Jovens donas de casa se sacudiam em público ao canto “Stevenson’s going to die — his heart will stop, stop, stop and he will burn, burn, burn”(Stevenson vai morrer — e seu coração vai parar, parar, parar e ele vai queimar, queimar, queimar).
Manchester continua: “Dallas tornou-se a meca dos festivais de cura dos evangélicos da National Independence Convention, das Cruzadas Cristãs, dos Milicianos, da Sociedade John Birch e das Sociedades Patrick Henry e a sede do explorador de petróleo, de direita, H. L. Hunt e suas atividades duvidosas. O prefeito da cidade, o direitista Earl Carrol, era conhecido como ‘prefeito socialista de Dallas’ por ter mantido sua filiação no Partido Democrata”.
[Nota do Viomundo: O autor se refere, acima, a grupos da extrema-direita de então, antecessores do Tea Party]
O discurso de tio Jack em Dallas deveria ser um ataque violento contra a direita. Ele encontrou as ruas abarrotadas de democratas seus partidários, mas entre eles eram vistos os ornamentos familiares do ódio contra o presidente: bandeiras confederadas, centenas de cartazes exibindo uma foto de Jack com a inscrição “Procurado por traição”. Um homem portava uma faixa que dizia: Você um traidor (sic)”. Outras faixas o acusavam de ser comunista. Quando os alto-falantes da escola anunciaram o assassinato de Jack, alunos do quarto anos aplaudiram. Um ouvinte de rádio ligou para dizer que “qualquer branco que fez o que fez pelos negros deve ser morto a tiros”.
Quando meus irmãos e eu fomos à Casa Branca para consolar meus primos John e Caroline, um grupo desfilava diante da residência exibindo um cartaz que dizia “Deus puniu JFK”.
Jack tinha recebido uma infinidade de advertências para não visitar a cidade texana. De fato, um pressentimento tomava conta da nossa família quando ele e a tia Jackie se preparavam para a viagem. Jack fez uma visita não programa a Cape Cod para se despedir do meu avô doente. Na noite anterior à viagem, minha mãe sentiu que ele estava ausente e taciturno no jantar para os juízes da Suprema Corte.
A morte de Jack forçou um autoexame nacional. Em 1964, os americanos repudiaram as forças do ódio e da violência da direita com histórica e esmagadora vitória na eleição presidencial disputada por Lindon Johnson e Barry Goldwater. Por um tempo os promotores do extremismo de direita se afastaram do pódio público. Agora retornaram, pensando em vingança, ao rádio e à TV e a importantes posições no cenário político.
Gabrielle Giffords continua num quarto de hospital lutando pela vida. Uma garota de 9 anos e outras cinco pessoas estão mortas. Rezemos por elas e pelo nosso país e esperemos que essa tragédia leve a um novo exame de consciência.
Aqui, o artigo de Sarah Robinson falando sobre a ascensão do fascismo nos Estados Unidos.
Aqui, os tuiteiros brasileiros que pregaram o assassinato da presidenta Dilma.
Aqui, os internautas que pediram que Dilma cometesse suicídio, no Flickr.
Robert Kennedy Jr.: Quando a mídia ajuda a matar | Viomundo - O que você não vê na mídia
O vídeo “Uma breve história dos Estados Unidos” ironiza a paranoia cultural nos EUA e o texto “Passou no Wal Mart, comprou munição e matou gente” questiona se a preocupação no país com os “desequilibrados” e “loucos” não deve rumar o foco para a discussão do acesso fácil às armas.
quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
Blog do Miro
Michael Moore e a tragédia nos EUA
. Extraído do sítio www.michaelmoore.com
Viomundo – O que você não vê na mídia
12 de janeiro de 2011 às 13:49
Loucura?
Em meio a toda essa sandice, mais uma de tantas explosões aparentemente gratuitas de violência neste país, as perguntas e tentativas de explicação voltam à tona. São sempre as mesmas, recicladas ou não como novidade. E tudo sempre se resume a uma análise “aprofundada” do sujeito da ação. O cara é desequilibrado, tem problemas mentais, ninguém tomou providência a tempo, etc, etc. Quantas vezes já ouvimos tudo isso?
Pois é, cansa e parece farsa na quarta ou quinta vez. E fica ainda mais evidente que talvez o blá, blá, blá da mídia sirva apenas para calar a verdadeira discussão que esse país aqui se recusa a travar. São várias, na minha muito modesta opinião. E não passa disso: opinião mesmo, de quem mora há mais de 20 anos aqui, não tem curso de psicologia nem de sociologia. Mas ainda assim, são coisas que me martelam a cabeça.
O rapaz do Arizona comprou uma arma, sem problemas, na loja “Sportsman’s Warehouse”, em novembro. Poucas horas antes de matar seis pessoas, entrou em um Wal Mart (esses hipermercados populares) e comprou munição. No táxi, com toda tranquilidade, ele foi para o estacionamento do mercado Safeway, onde acontecia o pequeno comício, ou corpo-a-corpo da deputada Gabrielle Giffords.
Agora, paramos aqui e juntamos: armas acessíveis, munição à vontade e políticos, em geral, cada vez mais odiados pela população. O que acontece com o debate político nesse país? Nada, porque ele não envolve a população. Nas eleições presidenciais, quando um número maior de eleitores participa, o índice de comparecimento fica ali pelos 50%. Ou seja, metade da população não se interessa em sair de casa para votar. Não se sente representada, talvez, por nenhum dos dois partidos majoritários.
Mais recentemente, a decepção com a classe política se aprofundou. A crise financeira, o socorro aos bancos e o total desinteresse pela situação dos que perderam suas casas porque não podiam mais pagar a prestação irritou muita gente. Em seguida, veio a discussão da reforma da saúde, acalorada, lotada de distorções e mentiras.
O presidente Barack Obama foi eleito numa onda de esperança que mobilizou um bocado de gente. Em seguida, foi uma ducha de água fria. Muita gente se sentiu traída porque ele não atacou os problemas com o vigor que se esperava. Não estou dizendo que o sujeito lá do Arizona decidiu matar uma meia dúzia porque estava irritado com o governo. O que me parece é que existe um descolamento total da política, que não diz nada para a vida do cidadão comum, hoje em um clima tenso, de desesperança.
Ao mesmo tempo, o espaço do debate político foi tomado por uma retórica vazia, de acusações falsas e promoção do ódio aos imigrantes, às minorias… O xerife do condado do Arizona, onde aconteceu o massacre, diz que esse discurso político deve ter influenciado o rapaz. Quanto ao acesso às armas, foi mais radical: “Talvez agora eles exijam que todo bebê mantenha uma Uzi no berço”. Alguém, por aqui, ainda pensa.
O Departamento de Segurança Interna, há dois anos, produziu um estudo mostrando que havia um acirramento dos grupos de ódio e de direita radical, alimentado, entre outras coisas, pela eleição de um presidente negro pela primeira vez na história do país. O estudo alertava para a possibilidade de atos isolados e perigosos. Mas o documento foi engavetado depois que os republicanos berraram, especialmente o agora presidente da Câmara, John Boehner, dizendo que não passava de propaganda do governo Obama.
E, mais uma vez, o governo Obama se calou diante da oposição…
Viomundo - O que você não vê na mídia
3 de dezembro de 2010 às 9:47
Por um momento achei que só eu (Azenha) tinha notado que pobre é cidadão de segunda classe no Brasil, ou seja, não tem garantia de inviolabilidade do domicílio:
À MARGEM DA LEI SÃO TODOS MARGINAIS
A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, fundada em 1991, que tem por finalidade estatutária o respeito absoluto e incondicional aos valores próprios do Estado Democrático de Direito, em consideração às operações policiais e militares em curso no Rio de Janeiro, vem manifestar preocupação com a escalada da violência, tanto estatal quanto privada, em prejuízo da população que suporta intenso sofrimento.
Para além da constatação do fracasso da política criminal relativamente às drogas ilícitas no país, bem como da violência gerada em razão da opção estatal pelo paradigma bélico no trato de diversas questões sociais que acabam criminalizadas, o Estado ao violar a ordem constitucional, com a defesa pública de execuções sumárias por membros das forças de segurança, a invasão de domicílios e a prisão para averiguação de cidadãos pobres perde a superioridade ética que o distingue do criminoso.
A AJD repudia a naturalização da violência ilegítima como forma de contenção ou extermínio da população indesejada e também com a abordagem dada aos acontecimentos por parcela dos meios de comunicação de massa que, por vezes, desconsidera a complexidade do problema social, como também se mostra distanciada dos valores próprios de uma ordem legal-constitucional.
O monopólio da força do Estado, através de seu aparato policial, não pode se degenerar num Estado Policial que produz repressão sobre parcela da população, estimula a prestação de segurança privada, regular e irregularmente, e dá margem à constituição de grupos variados descomprometidos com a vida, que se denominam esquadrões da morte, mãos brancas, grupos de extermínio, matadores ou milícias.
Por fim, a AJD reafirma que só há atuação legítima do Estado, reserva da razão, quando fiel à Constituição da República.
Em nome de combater o crime, crimes | Viomundo - O que você não vê na mídia
Viomundo - O que você não vê na mídia
25 de novembro de 2010 às 1:25
Por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro
Hoje é o dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.
Há cinco dias blogueiras, blogueiros, twitteiras e twitteiros mudaram seus avatares e vêm postam temáticas relacionadas à campanha. Ela prossegue até o final do mês em diferentes ações no mundo offline. Uma das primeiras ações na blogosfera e redes sociais foi da Niara do Pimenta com limão. No twitter acompanhe a hashtag #FimDaViolenciaContraMulher
No Observatório de Gênero alguns dados das ações sobre a campanha Ponto Final. Aqui, o site oficial da Campanha, que explica a sua história e sua importância.Abaixo um dos vídeos da campanha.
De minha parte convido os leitores a lerem ou relerem Sexismo emburrece e mata, um post longo que publiquei aqui no blog, em julho, e que ainda acho que tem elementos para refletimos sobre a importância do dia de hoje.
Abaixo dois vídeos da campanha Ponto Final na violência contra mulheres e meninas:
Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher | Viomundo - O que você não vê na mídia
PARIS - A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) declarou nesta quarta-feira, 24, que a violência contra as mulheres atinge "proporções epidêmicas", visto que uma em cada três no mundo foi objeto de violência física, manteve relações sexuais forçadas ou foi vítima de maus tratos ao longo da vida.