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segunda-feira, 25 de julho de 2011

O complexo de vira-lata

Celso Amorim, no Carta Maior

Até os jornais brasileiros tiveram de noticiar. Uma força-tarefa criada pelo Conselho de Relações Exteriores, organização estreitamente ligada ao establishment político/intelectual/empresarial dos Estados Unidos, acaba de publicar um relatório exclusivamente dedicado ao Brasil, -pontuado de elogios e manifestações de respeito e consideração. Fizeram parte da força-tarefa um ex-ministro da Energia, um ex-subsecretário de Estado e personalidades destacadas do mundo acadêmico e empresarial, além de integrantes de think tanks, homens e mulheres de alto conceito, muitos dos quais estiveram em governos norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos. O texto do relatório abarca cerca de 80 páginas, se descontarmos as notas biográficas dos integrantes da comissão, o índice, agradecimentos etc. Nelas são analisados vários aspectos da economia, da evolução sociopolítica e do relacionamento externo do Brasil, com natural ênfase nas relações com os EUA. Vou ater-me aqui apenas àqueles aspectos que dizem respeito fundamentalmente ao nosso relacionamento internacional.

Logo na introdução, ao justificar a escolha do Brasil como foco do considerável esforço de pesquisa e reflexão colocado no empreendimento, os autores assinalam: “O Brasil é e será uma força integral na evolução de um mundo multipolar”. E segue, no resumo das conclusões, que vêm detalhadas nos capítulos subsequentes: “A Força Tarefa (em maiúscula no original) recomenda que os responsáveis pelas políticas (policy makers) dos Estados Unidos reconheçam a posição do Brasil como um ator global”. Em virtude da ascensão do Brasil, os autores consideram que é preciso que os EUA alterem sua visão da região como um todo e busquem uma relação conosco que seja “mais ampla e mais madura”. Em recomendação dirigida aos dois países, pregam que a cooperação e “as inevitáveis discordâncias sejam tratadas com respeito e tolerância”. Chegam mesmo a dizer, para provável espanto dos nossos “especialistas” – aqueles que são geralmente convocados pela grande mídia para “explicar” os fracassos da política externa brasileira dos últimos anos – que os EUA deverão ajustar-se (sic) a um Brasil mais afirmativo e independente.

Todos esses raciocínios e constatações desembocam em duas recomendações práticas. Por um lado, o relatório sugere que tanto no Departamento de Estado quanto no poderoso Conselho de Segurança Nacional se proceda a reformas institucionais que deem mais foco ao Brasil, distinguindo-o do contexto regional. Por outro (que surpresa para os céticos de plantão!), a força-tarefa “recomenda que a administração Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É curioso notar que mesmo aqueles que expressaram uma opinião discordante e defenderam o apoio morno que Obama estendeu ao Brasil durante sua recente visita sentiram necessidade de justificar essa posição de uma forma peculiar. Talvez de modo não totalmente sincero, mas de qualquer forma significativo (a hipocrisia, segundo a lição de La Rochefoucault, é a homenagem que o vício paga à virtude), alegam que seria necessária uma preparação prévia ao anúncio de apoio tanto junto a países da região quanto junto ao Congresso. Esse argumento foi, aliás, demolido por David Rothkopf na versão eletrônica da revista Foreign Policy um dia depois da divulgação do relatório. E o empenho em não parecerem meros espíritos de porco leva essas vozes discordantes a afirmar que “a ausência de uma preparação prévia adequada pode prejudicar o êxito do apoio norte-americano ao pleito do Brasil de um posto permanente (no Conselho de Segurança)”.

Seguem-se, ao longo do texto, comentários detalhados sobre a atuação do Brasil em foros multilaterais, da OMC à Conferência do Clima, passando pela criação da Unasul, com referências bem embasadas sobre o Ibas, o BRICS, iniciativas em relação à África e aos países árabes. Mesmo em relação ao Oriente Médio, questão em que a força dos lobbies se faz sentir mesmo no mais independente dos think tanks, as reservas quanto à atuação do Brasil são apresentadas do ponto de vista de um suposto interesse em evitar diluir nossas credenciais para negociar outros itens da agenda internacional. Também nesse caso houve uma “opinião discordante”, que defendeu maior proatividade do Brasil na conturbada região.

Em resumo, mesmo assinalando algumas diferenças que o relatório recomenda sejam tratadas com respeito e tolerância, que abismo entre a visão dos insuspeitos membros da comissão do conselho norte-americanos- e aquela defendida por parte da nossa elite, que insiste em ver o Brasil como um país pequeno (ou, no máximo, para usar o conceito empregado por alguns especialistas, “médio”), que não deve se atrever a contrariar a superpotência remanescente ou se meter em assuntos que não são de sua alçada ou estão além da sua capacidade. Como se a Paz mundial não fosse do nosso interesse ou nada pudéssemos fazer para ajudar a mantê-la ou obtê-la.

Celso Amorim

Celso Amorim é ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula. Formado em 1965 pelo Instituto Rio Branco, fez pós-graduação em Relações Internacionais na Academia Diplomática de Viena, em 1967. Entre inúmeros outros cargos públicos, Amorim foi ministro das Relações Exteriores no governo Itamar Franco entre 1993 e 1995. Depois, no governo Fernando Henrique, assumiu a Chefia da Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas e em seguida foi o chefe da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio. Em 2001, foi embaixador em Londres.

sábado, 23 de julho de 2011

Tijolaço: Estadão na Idade da Pedra. Vale não pode produzir aço

Publicado em 21/07/2011

Joaquim Silvério dos Reis daria um bom presidente da Vale, na visão do Estadão

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O Conversa Afiada reproduz post do Tijolaço, de Fernando Brito:

Dependesse do Estadão, o Brasil nem faria aço
O Estadão, hoje, tem um daqueles momentos de sinceridade antológicos.
É o editorial intitulado “A Vale ainda não entrou na produção de aço, felizmente“.
Depois de algumas lágrimas por Roger Agnelli, o jornalão começa a entregar o seu pensamento colonial.
Por ele, o Brasil ainda seria um pequeno país atrasado, que nem mesmo produziria aço.
Comemora o fato de não aparecer um sócio capaz de colocar dinheiro no projeto da Cia. Siderúrgica de Ubu (CSU) que a Vale pretende instalar no Espírito Santo.
Como se sabe, só há dinheiro de capitalistas para investir em especulação com dólar, uma coisa extremamente mais útil ao país do que produzir aço.
Produzir aço, no Brasil, é algo supérfluo e antieconômico.
Pelo  Estadão, o Brasil só exportaria minério de ferro.
Aquela tal de Companhia Siderúrgica Nacional – esqueça os livros de história que dizem que ela foi fundamental para a industrialização do país – não deve ter passado de um arroubo populista de Vargas.
Afinal, diz o porta-voz de nossas oligarquias, nossas jazidas são “praticamente inesgotáveis”.
E desfaz da óbvia vantagem de podermos fazer aço perto das “jazidas praticamente inesgotáveis” porque  com “o uso de navios gigantescos, se tem reduzido muito nos últimos anos (o custo de se transportar milhões e milhões de toneladas de minério bruto), especialmente quando esses navios podem retornar transportando petróleo”.
Viram que beleza? Exportamos mais ferro e importamos mais petróleo. Só falta sugerir que deixemos lá este “petróleo anti-econômico” do pré-sal.
Evidente que ninguém quer que o Brasil deixe de exportar minério. Mas o que temos é de resolver os problemas estruturais que nos impedem de avançarmos, como poderíamos, na competividade em matéria de siderurgia.
Mas para que resolver problemas, se podemos vender nosso minério, fresquinho, arrancado do chão? O buraco que eles deixam, a riqueza que se vai, nada disso é importante. Importante são os lucros rápidos e de baixo investimento que fazem adorável a nossa elite colonial.
É o modo Joaquim Silvério dos Reis de pensar o Brasil.

Em tempo: é na pág.27 que o Globo conta: “Planalto cobra de Petrobrás e Vale acordo sobre exploração de potássio.”
“Dilma quer ampliação da produção nacional de insumo básico de fertilizantes”
“A presidente convocou ao Palácio do Planalto os presidentes das gigantes Petrobrás e Vale do Rio Doce (este é o nome completo – PHA), José Sergio Gabrielli e Murilo Ferreira, e cobrou deles rapidez para fechar o acordo sobre a exploração da mina de cloreto de potássio de Itaquiri-Vassouras (ela está com a mania de vassoura … – PHA), a unica em atividde no Brasil.”

Como se vê, a Presidenta reassumiu o papel que a participação acionária lhe atribui: a de comandante da Vale do Rio Doce.
Antes, como se sabe, quem mandava na Vale era o PiG (*).

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

sábado, 9 de abril de 2011

Bresser deixa o PSDB e critica entreguismo de FHC

Para Bresser, a "dependência" de FHC é o que se chama de entreguismo

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A partir do blog do Nassif, o Conversa Afiada publica entrevista que Maria Inês Nassif fez para o jornal Valor com Luis Carlos Bresser-Pereira.
Bresser e Nassif, profissionais que este ansioso blogueiro respeita e admira.

Bresser-Pereira deixa o PSDB
Do Valor
Por uma ideia de nação
Maria Inês Nassif | De São Paulo
08/04/2011
Intelectual full-time desde que deixou o governo tucano de Fernando Henrique Cardoso, em 1999, o ex-ministro Luiz Carlos Bresser-Pereira, depois da conturbada campanha eleitoral do ano passado, eliminou seu último vínculo com a política institucional: declarou-se desligado do PSDB, que, segundo ele, caminhou de forma definitiva para a direita ideológica, empurrado pela acomodação do PT na posição da social-democracia, da qual, ao longo de oito anos de governo Lula, acabou por desalojar os tucanos.
O desligamento partidário é que apenas não se concretizou na burocracia do partido por questões de ordem prática: Bresser-Pereira precisa ir pessoalmente ao diretório, para oficializar seu desencanto é marca também o retorno do intelectual à sua origem desenvolvimentista. Bresser-Pereira conta com satisfação ter sido influenciado diretamente pela escola do Iseb de Hélio Jaguaribe e Inácio Rangel, nos anos 50, e pela escola estruturalista cepalina de Celso Furtado. Foi a atração pelo desenvolvimentismo que o levou a abjurar o direito e tornar-se um economista e cientista social do desenvolvimento. Não sem desvios, reconhece. Bresser-Pereira não escapou à sedução do neoliberalismo, nos anos 90, como de resto toda a social-democracia europeia. Mas define uma diferença de origem entre ele e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, como intelectuais: o nacionalismo.
Para Bresser-Pereira, a teoria da dependência associada, de Fernando Henrique, não por intenção do autor, mas por conveniência do “império”, caiu como uma luva para a esquerda americana. No governo, Fernando Henrique não se contradisse: a teoria da dependência associada pregava o crescimento do país com capital externo. O caráter não nacionalista dos governos tucanos era absolutamente compatível com a teoria da dependência associada do intelectual Fernando Henrique.
Bresser-Pereira vai lançar o último livro de uma trilogia que, no seu entender, marca não apenas seu retorno às ideias nacionalistas, mas a formulação do que ele considera uma macroeconomia estruturalista do desenvolvimento. “Construindo o Estado Republicano”, de 2004, é a consolidação dessas ideias no plano político; “Globalização e Competição”, na teoria econômica. O terceiro, “Capital, Organização e Crise Global: Teoria Social para o Longo Século XX: 1900-2008″, fecha o círculo do pensamento de Bresser-Pereira na teoria social.
Valor: O senhor considera que, de alguma forma, tenha antecipado o debate sobre o neoliberalismo?
Luiz Carlos Bresser-Pereira: Antecipei, mas depois afrouxei. Em 1990, dei a aula magna da Anpec [Associação Nacional dos Centros de Pós-graduação em Economia], que depois foi publicada na revista do Ipea [Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada], onde fiz a primeira crítica, que eu conheça, ao Consenso de Washington. A esquerda, em geral, só veio a descobrir o Consenso de Washington em 1993. A primeira reunião que deu no Consenso de Washington foi em 1989. Mas eu soube dela, e fiz a minha crítica em 1990. Daí o John Williamson fez um segundo seminário sobre o Consenso de Washington, em 1993. E não sei por que cargas d’água fui convidado, acho que por causa da minha experiência com o Plano Bresser. Estava lá também o José Luiz Fiori. A primeira crítica violenta ao neoliberalismo, pelo menos que eu tenha lido, foi do Fiori, e foi feita a partir da segunda reunião, ou seja, quatro anos depois da minha crítica. Mas foi uma crítica violenta e a minha não foi tanto, porque eu não sou tão de esquerda quanto ele, temos posições um pouco diferentes.
Valor: No momento, o senhor faz um retorno ao nacionalismo. E como foi o encontro com o desenvolvimentismo?
Bresser-Pereira: Eu tinha 20 anos, estava começando o terceiro ano da faculdade de direito, em 1955, era católico da Ação Católica e ia ser juiz de direito. Era esse o meu projeto. Daí, numa colônia de férias da Ação Católica, da JEC [Juventude Estudantil Católica], em janeiro, eu li uma edição dos “Cadernos de Nosso Tempo”, o de número quatro, do grupo que formaria naquele ano o Iseb [Instituto Superior de Estudos Brasileiros], com trabalhos do Hélio Jaguaribe, do Alberto Guerreiro Ramos, do Inácio Rangel, do Álvaro Vieira Pinto, do Roland Corbisier e do Nelson Werneck Sodré. Li e vi que lá tinha uma história do Brasil diferente: era um Brasil que tinha sido colônia, depois havia sido semicolônia, e isso era novidade para mim. E a partir de 1930 começava a revolução nacional brasileira e a revolução industrial brasileira, liderada por Getúlio Vargas, numa associação política que colocava juntos alguns setores da velha oligarquia, que Inácio Rangel chamava de substituidora de importações, com os industriais, a burocracia pública e os trabalhadores urbanos que estavam surgindo. Falavam tudo isso em função da eleição próxima do Juscelino Kubitschek, que eles apoiavam. Aquilo fez todo sentido para mim, entendi tudo que estava acontecendo em volta de mim, entendi todos os meus amigos, minha família, todo o país: ou era a UDN, liberal, associada ao império, tentando impedir a industrialização do país, porque o Brasil era essencialmente agrário — agora está ficando outra vez –, ou os que defendiam o desenvolvimento industrial brasileiro. Era o desenvolvimentismo, e o nacionalismo. Para enfrentar o império, você tem que ser uma nação, e uma nação tem que ter uma estratégia nacional de desenvolvimento. Tornei-me um nacionalista e um desenvolvimentista de esquerda – de centro-esquerda, pois nunca fui comunista. Naquele dia, em Itanhaém, na colônia de férias da JEC, depois de ler aquela revista que alguém tinha deixado em cima da mesa, tomei uma decisão: não vou ser mais juiz de direito. Vou terminar a faculdade de direito e eu já estava noivo desta senhora que é minha esposa, Vera Cecília –, mas vou ser sociólogo ou economista do desenvolvimento. E a minha vida foi isso.

para ler a entrevista clique abaixo:

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Fernando Henrique Cardoso não se enxerga?

“Um estudioso, o historiador Moniz Bandeira, chegou a escrever que a política externa de Fernando Henrique Cardoso foi um “simples acessório dos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, no mundo e, em especial, na América Latina”. Ele tem razão.”

Portal Vermelho – Editorial de 24/01/11

Fernando Henrique Cardoso não se enxerga?

A linguagem popular é rica de expressões que têm muitas vezes uma precisão cruel. Uma delas é “ele não se enxerga”, que se aplica como uma luva às declarações recentes – mas não novas – do ex-presidente neoliberal Fernando Henrique Cardoso sobre a política externa do governo Lula e do chanceler Celso Amorim, mantida pela presidente Dilma Rousseff e pelo chanceler Antônio Patriota.
Basta lembrar alguns episódios vexaminosos da diplomacia comandada por Fernando Henrique Cardoso para que se tenha a dimensão dos disparates que ele e seus partidários conservadores e pró-americanos repetem sobre a diplomacia brasileira autônoma e independente reinaugurada por Lula e Celso Amorim.
Um desses episódios foi a demissão do diplomata Samuel Pinheiro Guimarães da presidência do IPRI (Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais do Itamaraty), em 2001. Outro, em 2002, foi a demissão do embaixador José Maurício Bustani da direção geral da Opaq (Organização da ONU para as Armas Químicas). Outro, ainda mais devastador para o orgulho nacional, ocorreu em 2002 sendo protagonista o próprio chanceler tucano Celso Lafer que, em visita oficial aos EUA para apoiar o governo local depois dos ataques terroristas de 11de setembro de 2001, aceitou submeter-se à rígida revista policial nos aeroportos de Nova York e de Washington, chegando inclusive a tirar os sapatos, como exigiam os agentes que faziam a revista.
Há uma coerência entre estes episódios vergonhosos. Enquanto o ministro constrangia o Brasil com sua atitude servil, os diplomatas punidos (Samuel Pinheiro Guimarães e José Maurício Bustani) pagaram por sua altivez e dignidade e por não aceitarem dobrar-se ante as imposições da diplomacia norte-americana. Guimarães sempre foi um crítico da ALCA; Bustani rejeitou as pressões do governo de Washington para usar seu cargo na ONU e “criminalizar” nações independentes acusadas mentirosamente por Bush e seus pupilos de detentoras de armas químicas, como ocorreu com o Iraque, contra quem aquelas alegações falsas serviram para legitimar a agressão que destruiu o país e infelicitou o povo.
Esta é a diplomacia que Fernando Henrique Cardoso quer de volta: a dos sem sapatos nem vergonha na cara, submissos passivamente às imposições norte-americanas. Um estudioso, o historiador Moniz Bandeira, chegou a escrever que a política externa de Fernando Henrique Cardoso foi um “simples acessório dos interesses hegemônicos dos Estados Unidos, no mundo e, em especial, na América Latina”. Ele tem razão.
Aquela foi uma política de cabeça baixa, pés descalços e “sim senhor”, que não volta mais. Outro dito popular muito valorizado nos arraiais tucanos diz que “manda quem pode, obedece quem tem juízo”. É o que eles fizeram no governo, rosnando para países pequenos e pobres (como a Bolívia, por exemplo), e curvando a espinha ante os poderosos do mundo, como os governantes de Washington.
O Brasil democrático nem manda nem obedece – trata todos os povos e nações como iguais, cujos interesses precisam ser articulados soberanamente em acordos que contemplem as necessidades e os limites de cada um. Esta é a melhor tradição diplomática brasileira, retomada por Lula e Celso Amorim e que projetou o Brasil no mundo como um parceiro da paz e da busca do desenvolvimento e do progresso para todos os povos. O resto é conversa fiada de gente saudosa do poder do qual foi escorraçada pelo voto popular e cujas chances de voltar são cada vez mais remotas.

Portal Vermelho .:: A Esquerda Bem Informada ::.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Berlusconi e a manipulação da justiça

Na foto, o amado líder italiano. Na justiça italiana, ele se tornou intocável. Só o PIG (a imprensa golpista) confia na justiça de lá e persegue Lula por não ter deportado Battisti. Leia também “Cesare Battisti considera Lula corajoso” para saber mais.

Blog do Miro
Altamiro Borges:
Berlusconi e a manipulação da justiça

Reproduzo artigo de Dalmo de Abreu Dallari, publicado no Observatório da Imprensa:
Uma decisão recente da Corte Constitucional da Itália deixa evidente que o sistema judiciário italiano é fortemente manipulado por fatores políticos, a ponto de se criarem obstáculos legais para impedir, escancaradamente, que havendo altos interesses políticos envolvidos se obtenha uma decisão judicial justa. Jogando-se com formalidades legais e mantendo-se uma aparência de normalidade democrática fabricam-se inocentes, como também, se houver interesse, serão fabricados culpados.
A comprovação dessa degradação da Justiça acaba de ocorrer num caso envolvendo o presidente do Conselho de Ministros, chefe do governo italiano, Silvio Berlusconi, tendo sido objeto de uma decisão da Corte Constitucional proferida no dia 13 de janeiro.
Como tem sido muitas vezes noticiado pela imprensa de vários países, inclusive por alguns órgãos da imprensa brasileira, o ministro Berlusconi, empresário muito rico do setor de comunicações da Itália, vem sendo frequentemente acusado de utilizar meios fraudulentos para ampliar seus ganhos e fugir à responsabilidade fiscal.
Valendo-se de sua força política, concretizada pelo controle da maioria do Parlamento italiano, ele conseguiu a aprovação de uma lei que lhe dava imunidade jurídica, impedindo que ele fosse levados aos tribunais para responder por acusações de práticas criminosas, em razão de sua condição de presidente do Conselho de Ministros.
"Motivos justos"
Iniciado um processo em que figurasse como acusado, ele, simplesmente, não atendia às intimações dos juízes e não comparecia às audiências e seus advogados alegavam a ocorrência de um "impedimento legítimo", por sua condição de chefe do governo, aceitando-se que ficasse suspenso o andamento do processo enquanto ele permanecesse na chefia do governo.
Essa imunidade foi declarada inconstitucional pela Corte Constitucional italiana, em sessão de quinta-feira (13/1). Entretanto, pela mesma decisão ficou estabelecido que em cada caso concreto caberá ao juiz do processo avaliar a desculpa apresentada por Berlusconi para não se submeter às determinações judiciais e fugir, assim, a uma imposição constitucional, pois a Constituição italiana estabelece, no artigo 25, que ninguém pode ficar fora do alcance do juiz natural designado pela lei, não abrindo qualquer exceção.
Mas já se estabeleceu, de antemão, que são motivos justos, não havendo afronta à Constituição, as ausências que tiverem por fundamento: a participação em reuniões do Conselho de Ministros, o comparecimento às reuniões entre o Estado italiano e alguma de suas regiões, a participação em encontros de caráter internacional, assim como todo tipo de reunião preparatória ou essencial para o exercício das funções de chefe do governo.
Formalidades convenientes
Comentando com ironia essa decisão, o jornal francês Le Monde, em sua edição de sábado (15/1, pág.9), observa que, na melhor da hipóteses, cada alegação de motivo justo para não comparecer perante o juiz abrirá a possibilidade de intermináveis debates, para se avaliar se "a necessidade de comparecer a uma reunião nos confins da Puglia" constitui ou não um "impedimento legítimo" para não comparecer à audiência que daria início ao processo. E assim, observa o jornal, os processos ficarão parados até que ocorra a prescrição, estando garantida a impunidade. Tudo isso de acordo com as formalidades legais do processo democrático.
Essa é a realidade do sistema judiciário italiano hoje, sendo mais do que óbvio que os amigos do rei serão protegidos por formalidades legais e não sofrerão condenações, continuando a posar de inocentes, ao mesmo tempo em que, em sentido contrário, quando houver interesse político serão adotadas as formalidades convenientes para a fabricação de culpados.

Altamiro Borges: Berlusconi e a manipulação da justiça

Estadão viaja para ouvir o servilismo de FHC a Hillary Clinton, e esquece de perguntar:

O quê FHC foi fazer na Suíça?

Os Amigos do Presidente Lula

"Graças ao Estadão", ficamos sabendo que Fernando Henrique Cardoso estava em Genebra, terra de bancos com contas secretas que agasalharam fortunas constituídas de roubos, desde nazistas da II Guerra até ditadores e políticos corruptos, como o recente caso de políticos do PSBD paulista, com contas bloqueadas por propinas recebidas da Alstom.
A notícia que teria algum interesse, o Estadão simplesmente "esqueceu de perguntar":
O quê FHC foi fazer na Suíça?
Sem essa pergunta, a "entrevista" não passou de uma encenação para FHC fazer lobismo pró-EUA e tentar "gerar fatos" para manter a oposição "viva", através do que ele mais sabe fazer: expor sua inveja de Lula e seu servilismo aos EUA, país que o financia desde a década de 60. Ultimamente ele ganhou uma "boquinha" na Universidade de Brown, daquele país.
Como pode o ex-presidente demo-tucano, cujo governo ocorreu o massacre de Eldorado dos Carajás e colocou tanques de guerra para reprimir uma greve de petroleiros - que evitou a privatização da Petrobras - dizer que o Brasil retrocedeu na agenda dos direitos humanos? No governo Lula não teve nada parecido com estes dois episódios.
Essa conversa de FHC é puro lobby estadunidense para pressionar o Brasil, por fazer uma política independente em relação ao Irã, em todo o Oriente Médio e na América Latina, não submissa aos EUA.
O ex-presidente demonstra todo seu servilismo ao dizer que concorda com Hillary Clinton, quando disse que o Brasil foi "ingênuo" com o Irã, e mostra toda sua pequeneza ao dizer que o Brasil "nao tem cacife para jogar aquele jogo". Ingênuo seria votar na ONU de acordo com as armadilhas dos EUA para repetir o que fez com o Iraque e colocar de volta no Irã um governo submisso, como era Reza Palhevi.
Por fim o ex-presidente provoca gargalhadas, mesmo na turma de pijama do Itamaraty que tirava os sapatos em seu governo, quando diz que se o Brasil se "comportasse bem" rezando pela cartilha de Hillary Clinton, conquistaria um aval dos Estados Unidos para ter um lugar permanente no Conselho de Segurança, como a Índia.
Ora, FHC tem todos os defeitos, menos ser tão burro assim. Todo mundo sabe que o aceno para a Índia é para atazanar a China, a potência mundial que ultrapassará a hegemonia dos EUA neste século.
Índia e China tem disputas até de fronteiras na região do Himalaia e, ao lado do Japão, enfrenta oposição da China para seu ingresso no Conselho de Segurança.
FHC sabe que os EUA, por vontade própria, jamais irão avalizar o Brasil ter poder de veto no Conselho de Segurança. Eles não dividem o poder por livre e espontânea vontade com ninguém, muito menos com países que sejam dóceis e servis. A Índia, durante anos, desobedeceu tudo o que os EUA queria, desde não assinar o TNP e fazer a bomba atômica, até manter uma grande proximidade com Moscou na época da União Soviética. Só tem agora o "aval" dos EUA porque cresceu, apareceu, e compartilha interesses com os EUA na contenção do poder da China.Além disso, há o jogo de cena. Os EUA, no fundo, prefere manter o Conselho de Segurança como está, pelo menos no curto prazo. Então nada mais confortável do que "avalizar" quem o maior adversário veta.
Para o Brasil conquistar uma vaga permanente no Conselho precisará do apoio da maioria do resto do mundo, e os EUA terão que engolir. É assim que funciona, e é assim que o governo Lula fez, e que Dilma continuará fazendo. Não adianta tirar os sapatos, não adianta entregar as riquezas nacionais submetendo-se ao neoliberalismo do Consenso de Washington, não adianta se humilhar, como fez FHC, assinando o TNP sob pressão estadunidense, sem exigir, nem conquistar nada em troca. Nada disso, trouxe "aval" daquele país.
O resto da entrevista é um festival de besteiras, também ecoando, um pouco mais sutilmente, o discurso de Hillary Clinton contra Chavez, contra Lula e contra a Bolívia.
É deplorável que um ex-presidente brasileiro se comporte como se fosse um funcionário do terceiro escalão do departamento de estado dos EUA, repetindo o que o primeiro escalão daquele país quer que seja dito.

Os Amigos do Presidente Lula: Estadão viaja para ouvir o servilismo de FHC a Hillary Clinton, e esquece de perguntar: O quê FHC foi fazer na Suíça?

domingo, 23 de janeiro de 2011

Cesare Battisti considera Lula corajoso

Berlusconi, o Imperador!

Lula não quis entregar Cesare Battisti à justiça italiana, onde Berlusconi (1º Ministro da Itália) foi absolvido em caso de corrupção de juízes, e onde ainda é acusado de corrupção, fraude fiscal e investigado por abuso de poder e prostituição de menores. Os julgamentos de Battisti nos anos 70 e 80 são considerados suspeitos. Para saber mais de Battisti leia na Wikipedia.

Viomundo – O que você não vê na mídia 

23 de janeiro de 2011 às 17:00

Cesare Battisti: “Me derrotar também é derrotar o Lula”

23 de Janeiro de 2011 – 10h00

Cesare Battisti:

Pela primeira vez após o então presidente Lula negar o pedido para extraditar o refugiado Cesare Battisti, o italiano falou à imprensa sobre como reagiu à decisão. Em entrevista ao Brasil de Fato, que será publicada na quinta (27), Battisti disse que Lula foi “corajoso”, mas que agora seu caso fugiu da esfera jurídica e é usado como moeda de troca da política internacional e munição para atacar o governo federal, a ponto de colocar em xeque a soberania nacional e as competências da Presidência.

“Se o Lula desse essa decisão antes, iam em cima dele, porque me derrotar também é derrotar o Lula. Agora, o objetivo principal da direita brasileira, nesse caso, é afetar o governo Dilma”, afirmou.

Battisti, que está preso no Brasil desde março de 2007, foi julgado em 2009 pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que autorizou a extradição, mas decidiu que a palavra final caberia ao presidente. Desse modo, no último dia de seu mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu manter o italiano no Brasil, acatando um parecer da AGU (Advocacia-Geral da União).

A Itália, no entanto, não desistiu de conseguir a extradição de Battisti. Na quinta-feira (20), os representantes italianos no Parlamento Europeu apresentaram uma resolução que pede para o governo brasileiro rever sua decisão, apesar de o ato ter validade somente se enderaçado à uma nação-membro.

O texto foi aprovado por 86 votos a favor, um contra e duas abstenções. Do total de votos favoráveis, 77 era de italianos. Na prática, a recomendação foi aprovada por somente 11% dos membros do Parlamento, formado por 736 deputados.

Antecipando a publicação, a Agência Brasil de Fato apresenta parte da entrevista com Battisti. Confira abaixo.

Brasil de Fato: Como o senhor tem visto a repercussão do seu caso na Itália e no Brasil?
Cesare Battisti: É difícil falar disso, essa é a razão pela qual fiquei traumatizado e precisei de um psiquiatra. Só de ver alguma coisa, que não tem muito diretamente a ver comigo, eu já fico… meu coração dispara, já não me controlo, fico em um estado semi-consciente. Ontem, por exemplo, passou no SBT uma informação do Berlusconi com suas prostitutas. Só com o anúncio da notícia “Itália”, eu fiquei assim [trêmulo]. Fabricaram um monstro que não tem nada a ver comigo.

Brasil de Fato: Qual é o interesse nisso?

CB: Me perseguem porque sou escritor, tenho imagem pública. Se eu não fosse isso, seria mais um, como vários italianos que saíram do país pelo mesmo motivo. Sou perseguido pelo Estado italiano e pelo Judiciário brasileiro. Essa perseguição não é grátis. Não se desrespeitaria por nada uma decisão do presidente da República.

Não existe um país no mundo onde a extradição não é decidida pelo chefe do Executivo. Imagina se essa decisão tomada pelo Judiciário brasileiro acontecesse em outro país, como na França, por exemplo. Seria um absurdo, impensável. E quando eu virei um caso internacional, virei uma moeda de troca para muitas coisas. Se o Lula desse essa decisão antes, iam em cima dele, porque me derrotar também é derrotar o Lula. Agora, o objetivo principal da direita brasileira, nesse caso, é afetar o governo Dilma.

Brasil de Fato: Como o senhor recebeu a decisão do Lula?

CB: Foi um ato de coragem. Por ser um chefe de Estado do tamanho do Lula, com a responsabilidade que tem, envolvido na geopolítica. Claro que a escolha do momento não foi por acaso. O caso Battisti foi usado com outras razões políticas.

Cesare Battisti: “Me derrotar também é derrotar o Lula” | Viomundo - O que você não vê na mídia

Catanhêde escreve o necrológio do Johnbim

Conversa Afiada

Na foto, o galo do Johnbim, que não canta mais

Como se sabe, a colonista (**) Eliane Catanhêde, da Folha (*), tem duas notáveis especialidades.
Ela entende de “Ar”, especialmente de transponder desligado.
E entende de Nelson Johnbim.
Hoje, na Folha (*), ela escreve o necrológio do Johnbim: “Obedece quem tem juízo”.
Ela começa por dizer que a presidenta e o Johnbim, aquele que o embaixador americano considerou ter as características de um “trêfego”, acertaram “os ponteiros” e “estarem dialogando fluidamente (sic)”.
(A Folha e os tucanos – não é a mesma coisa, amigo navegante ? – gostam do gerúndio.)
(Agora, sobre “dialogar fluidamente”, deve tratar-se de algo em torno de líquidos e gases – uma conversa sobre “gás natural”, sobre a Bolívia e tumor no cérebro, não é isso ?)
Ponteiros acertados, a presidenta deu um chega pra lá no Johnbim.
É isso o que diz  Catanhêde.

“Jobim cantava de galo na área militar: agora não canta mais.”

Dilma deu o drible da vaca no Johnbim e passou a conversar com os comandantes de área, como o da Aeronáutica, para tratar dos caças.
Johnbim e Lula queriam o francês.
Dilma entregou o problema ao Ministro Fernando Pimentel, da Industria.
E vai decidir ela.
Depois, conversou a sós por 40 minutos com o senador americano John McCain e exigiu que o Congresso americano, por escrito, se comprometa a transferir tecnologia – como os franceses prometem.
Se o Congresso americano fizer isso – McCain diz que faz – os caças americanos voltam à disputa.
Lula queria que Johnbim fosse o Marechal Lott da Dilma, com a espada e tudo.
A Dilma tirou a espada do Lott.

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

Catanhêde escreve o necrológio do Johnbim | Conversa Afiada

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Wikileaks: Tony Palocci queria a ALCA

Conversa Afiada

Bem que o Bessinha podia trocar as cores das pantufas

Saiu na Folha (*), pág. A7:
“Críticos minaram diplomacia comercial do Brasil com os EUA.”
“Estratégia do Itamaraty foi atacada em contatos com americanos … ”
“Defensores da ALCA acenaram aos EUA com a chance de reativar as negociações em 2005, quando o então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aproveitou um encontro de Lula com o Secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, para debater a idéia.”
“Segundo os americanos, (Tony – PHA) Palocci ‘se ofereceu (sic) para liderar (sic) um esforço para dar novo impulso às negociações’ e levar (sic) o Itamaraty a ‘uma postura mais proativa (sic)’. Lula ‘desconversou’, indicando que não tinha interesse.”

NAVALHA

Navalha

Quer dizer, então, que, depois do Nelson Johnbim, temos agora o ministro Tony Palocci.
Dois que espinafram a política externa brasileira para autoridades americanas.
Papelão, hein ?
Como o Celso Amorim deve ter sofrido, nas mãos do Tony e do Johnbim.
A ALCA, como se sabe, foi uma tentativa americana de unir as Américas, sob a liderança americana.
Era a criação de um Commonwealth do Império Americano.
A tentativa começou com Bush, o pai, tomou outro formato com Clinton, e Bush, o filho, tentou ressuscitá-la.
O principal objetivo sempre foi botar o Brasil – o maior país da América Latina – debaixo do guarda-chuva americano.
Outro grande da America Latina, o México, já estava devidamente abrigado sob o guarda-chuva do Nafta.
E deu no que deu.
O PiG (**) e a elite branca se excitaram com a idéia de aderir à ALCA e oficializar a volta à condição de colônia com que sempre sonharam.
Lula resistiu.
Celso Amorim comeu o pão que o diabo amassou nos editoriais coloniais do Estadão.
O que não se sabia é que Tony trabalhava nos bastidores.

Em tempo: como sempre, a Folha (*) errou na hora de fazer o título. Quando deu a notícia de que o Johnbim foi ao embaixador americano para solapar a política externa do Governo a que servia, o título da Folha (*) era outro. Escondia a infidelidade do ministro serrista. Agora, para proteger Tony Palocci – quindim de Iaiá do PiG (**) – fez o mesmo. Deu a proteção dos últimos parágrafos da matéria.
Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Wikileaks: Tony Palocci queria a ALCA | Conversa Afiada

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Wikileaks: EUA queriam que Brasil ajudasse a espionar Chávez

Um despacho confidencial publicado pelo site Wikileaks nesta quarta-feira (5/1) revela que o embaixador norte-americano propôs ao governo brasileiro “compartilhar inteligência” sobre o presidente da Venezuela Hugo Chávez em 2005.
A proposta foi feita durante uma reunião em 14 de março de 2005 entre John Danilovich, então embaixador, e o então ministro das relações exteriores, Celso Amorim. O embaixador abriu a conversa dizendo que o governo norte-americano se preocupava com a retórica e as ações de Chávez e o considerava como uma “ameaça à região”.
“Ele pediu que o ministro do exterior Amorim considere institucionalizar uma parceria política mais intensa entre os governos brasileiro e norte-americano em relação a Chávez, e assinar um acordo de compartilhamento de inteligência”, disse, segundo o texto.
Segundo o despacho, Amorim foi direto ao rejeitar a aliança contra o venezuelano.
“Não vemos Chávez como uma ameaça”, teria dito o agora ex-chanceler, antes de defender a “maneira democrática” como o venezuelano fora eleito e o seu apoio popular. “Nós temos que trabalhar com ele e não queremos fazer nada que estrague nossa relação”.
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Amorim teria explicado que a relação entre os dois países é “sensível” e que o Brasil não podia fazer nada que pudesse minar sua “credibilidade” perante Chávez, já que buscava “influenciá-lo em uma posição mais positiva”. Um exemplo disso, segundo Amorim, foi que Lula teria sugerido a Chávez, em uma reunião no Uruguai, que ele “baixasse o tom da sua retórica”.
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Em outra ocasião, Lula teria persuadido o governante venezuelano a não nadar em uma praia chilena que ele queria reivindicar para a Bolívia diante da imprensa local. A Bolívia mantém uma disputa com o Chile sobre a sua antiga saída para o Pacífico, perdida para o país vizinho na Guerra do Pacífico (1879-1883).
Rejeição seca
Apesar de rejeitar a proposta norte-americana, Amorim teria dito que o Brasil gostaria de aumentar o diálogo sobre Chávez com os EUA e que se interessava em obter “qualquer inteligência” que os norte-americanos quisessem fornecer. No despacho, Danilovich afirma que Amorim “não comprou” a ideia de que Chávez seria uma ameaça.
“A rejeição seca a compartilhar inteligência foi equilibrada pela sua vontade de aumentar a colaboração conosco no nível político com relação à Venezuela, e nós devemos buscar maneiras de explorar essa abertura para defender nosso argumento de que o Chávez representa um perigo. Fornecer mais informações detalhadas ao governo brasileiro sobre direitos humanos e ações repressivas dentro da Venezuela, bem como quaisquer informações sobre o que aprontam grupos apoiados pelo presidente da Venezuela em outros países (mesmo que signifique oferecer informações de inteligência unilateralmente) pode ser parte dessa colaboração política”, escreveu o diplomata.
Na mesma reunião, Amorim disse que Lula mantinha contato direto com Evo Morales, então líder da oposição boliviana, para convencê-lo a manter uma linha democrática. Amorim também se comprometeu a manter a “linguagem” do Conselho de Segurança da ONU na resolução da I Cúpula América do Sul-Países Árabes em 10 e 11 de maio de 2005.
*Especial para o Wikileaks. Publicado originalmente no blog de Natalia Viana.

Do Opera Mundi

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Battisti e as bravatas de Berlusconi

Blog do Miro
Por Altamiro Borges

Silvio Berlusconi, o primeiro-ministro neofascista da Itália, decidiu esbanjar arrogância contra o governo brasileiro após o anúncio da não extradição do ativista Cesare Battisti. Ontem (2), o bravateiro anunciou que vai recorrer ao Tribunal de Haia para anular a decisão soberana do Brasil. Seu ministro das Relações Exteriores, Franco Frattini, também enviou uma carta à presidente Dilma Rousseff solicitando que ela “reconsidere a decisão do seu antecessor”.
Nela, em tom de provocação, o governo italiano afirma que está decidido a utilizar “todas as vias” para conseguir a extradição de Battisti. Segundo as agências internacionais de noticia, Silvio Berlusconi já teria encaminhado à Câmara dos Deputados o pedido de congelamento de um acordo de colaboração econômica entre Itália e Brasil que deveria ser ratificado em janeiro. Ele previa o empréstimo ao Brasil de 5 bilhões de euros (US$ 6,7 bilhões) para a compra de naves, mísseis e radares. A mídia italiana, quase totalmente controlada pelo “imperador” Berlusconi, estimula todos os dias o ódio contra a decisão do governo brasileiro.
Um neofascista corrupto
Toda esta onda de bravatas, que atemoriza a mídia colonizada do Brasil, só evidencia a fraqueza do governo neofascista da Itália. Silvio Berlusconi não está com esta bola toda – e não deveria ser levado muito a sério. No mês passado, ele quase foi apeado do cargo. “Sobreviveu por margem estreita a uma moção de não-confiança, que deixou seu governo de centro-direita agarrado ao poder por apenas três votos de diferença”, noticiou O Globo em 14 de dezembro – o mesmo jornal que agora aplaude a postura "enérgica" do primeiro-ministro. Nas ruas das principais cidades italianas, milhares de jovens pedem a sua cabeça diariamente.
Berlusconi, que gosta de se jactar por suas orgias, inclusive com menores de idade, é acusado de vários crimes – remessa ilegal de divisas, desvio de recursos públicos, sonegação fiscal, entre outros. Apontado como o 15º homem mais rico de planeta e o maior milionário da Itália, ele concentra uma fortuna estimada em US$ 20 bilhões – a maior parte dela sob investigação da Justiça. O notório corrupto, que já foi condenado várias vezes, só mantém sua força eleitoral graças, entre outros fatores, ao seu poder midiático. Desde 1974, quando comprou seu primeiro canal de televisão, ele passou a controlar os meios de comunicação do país.
O imperador da mídia
“Em pouco tempo, ele expandiu o seu domínio no setor, multiplicando suas emissoras através de uma rede de televisões locais, reunidas na empresa Mediaset. A programação era centrada em concursos e programas de entretenimento, semelhante à do brasileiro Sílvio Santos. Em 1985, o governo francês lhe concedeu a primeira rede privada daquele país, La Cinq, e adquiriu ações da Chain e Cinema 5. Um ano depois comprou os Estúdios Roma e o clube de futebol A. C. Milan, do qual tornou-se presidente. Em 1988 comprou a maior cadeia de grandes armazéns da Itália, La Standa”.
“Em 26 de janeiro de 1990 obteve a presidência do grupo Mondadori, editor do diário "La Repubblica" e dos semanários "L'espresso", "Época" e "Panorama". No final da década, Berlusconi incorporou a seu patrimônio a cadeia de vídeos Blockbuster, portais de acesso à internet e uma participação na Olivetti. O conglomerado Fininvest, que criou em 1975, cumpriu a função de integrar suas múltiplas propriedades e participações na TV, imprensa, edições, publicidade, seguros e serviços financeiros, convertendo-se na terceira empresa privada do país”, descreve o portal UOL, numa rápida biografia que agora a Folha omite.
O cinismo de Berlusconi
No caso da não extradição de Cesare Battisti, o primeiro-ministro neofascista também esbanja bravatas. Ele tenta salvar seu decrépito governo com novos factóides, revivendo os piores instintos do período da “guerra fria” para alimentar falsos sentimentos nacionalistas. O seu cinismo é descarado. Há cerca de 50 foragidos italianos com pedidos de extradição em várias partes do mundo, mas a sua gritaria é seletiva. Ele persegue ativistas de esquerda e agride governos progressistas, como o de Lula, mas não mexe um dedo pela extradição de famosos terroristas de direita.
Um caso emblemático envolve Delfo Zorzi, 62 anos, ex-líder da seita neofascista “Ordine Nuovo”, que promoveu, nos anos 60 e 70, inúmeros atentados à bomba, “beneficiando-se da proteção do serviço secreto italiano que, por sua vez, tinha ligações com as ‘operações encobertas’ da CIA no país”. A agência dos EUA implantou na Itália, na década de 50, uma rede clandestina chamada “Gládio” para realizar atentados e organizar milícias armadas. Zorzi foi condenado em primeiro grau, e depois absolvido, pelo atentado da Piazza Fontana, em Milão, em 1969, que resultou em 17 mortos e 84 feridos. Atualmente, está sendo processado pelo atentado em Brescia, em 1974, contra uma manifestação sindical antifascista, que causou oito mortes e mais de 90 feridos.
Protetor dos agentes da CIA
Zorzi vive há anos no Japão, onde se naturalizou e tornou-se um rico empresário do setor têxtil. O pedido de extradição feito ao Japão jamais foi atendido, nem o governo italiano fez muito para isso. Detalhe: o defensor de Zorzi é o advogado (e deputado do ‘Forza Itália’, partido do governo) Gaetano Pecorrella, que vem a ser também um dos advogados pessoais do próprio Berlusconi. Outro detalhe: vários ex-integrantes do ‘Ordine Nuovo’ são hoje militantes da AN (partido herdeiro do neofascista do Movimento Sociale Italiano – MSI) e da ‘Lega Nord’, um partido xenófobo. NA e Lega são aliados de Berlusconi e integram seu governo.
Num caso mais recente, que também evidência o cinismo do primeiro-ministro, juízes de Milão solicitaram, em 2006, a extradição de 26 agentes da CIA que seqüestraram o egípcio Abu Omar, acusado de ligações com Al Qaeda. Ele foi uma das vítimas da “extraordinary renditions”, as prisões ilegais efetuadas pela CIA durante a “guerra global contra o terror” patrocinada pelo ex-presidente Bush. Omar foi detido ilegalmente na Itália e torturado durante meses em prisões clandestinas. Pela lei italiana, o seqüestro é considerado uma grave violação do código penal do país e da convenção européia dos direitos humanos, que proíbe prisões ilegais e torturas. Mas o governo italiano não moveu uma palha para obter a extradição dos agentes da CIA.

Altamiro Borges: Battisti e as bravatas de Berlusconi

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

O Brasil lutou para livrar a cara dos que mataram no desastre da Gol

Conversa Afiada

Na foto, os queridinhos do Itamaraty: os pilotos do Legacy (sem o transponder)

Os pilotos americanos do jato Legacy, Joseph Leporace e Jan Paladino, mataram 154 brasileiros que viajavam num Boeing da Gol, em 29 de setembro de 2006.
(Lembre-se que o Ali Kamel preferiu não divulgar esse desastre no jornal nacional para levar a eleição de 2006 para o segundo turno – clique aqui para ler “O primeiro golpe já houve. Falta o segundo”).
Os pilotos americanos voavam na altura errada e não ligaram a máquina que avisaria onde eles estavam – o transponder.
O resto foi barulho do PiG (*) para instalar o Caosaéreo e derrubar o Lula.
O que se reforçou com a tragédia da TAM, em Congonhas, pouco depois.
Foi aí que o jornal nacional fez a memorável “reportagem” da “moedinha”: provou que uma chuva que provocasse uma poça da espessura de uma moeda de um Real provocaria tantos desastres quantos o jn quisesse.
Viva o Brasil !
Foi aí que  Nelson Johnbim se tornou Ministro da Defesa e, na entrada, tratou o grande brasileiro Waldyr Pires, seu antecessor, de forma grosseira.
Era o começo.
Clique aqui para ler “Maria do Rosário não é Vannuchi”.
Agora, vem o WikiLeaks e faz revelações estarrecedoras.
O Itamaraty, através do embaixador Manoel Gomes Pereira, “suavemente” pressionou a Justiça brasileira para livrar a cara dos dois responsáveis pela morte de 154 brasileiros.
O Itamaraty !
Além do Itamaraty, a Embaixada americana contou com o apoio decisivo do escritório de advocacia do Grande Ministro da Justiça do Governo do Farol de Alexandria, José Carlos Dias.
A passagem dele pelo Ministério deixou marcas que só se comparam às de Nabuco de Araújo e Ruy Barbosa.
Seu filho, Théo (que o embaixador americano fez questão de ressaltar que se tratava de filho do ex-ministro José Carlos Dias), prometeu ao embaixador que se não livrasse a cara dos pilotos na Justiça Federal, no Superior Tribunal de Justiça era uma barbada !
Diz o Globo, na pág. 33:
“… Sobel (o embaixador americano que deu a entender que considerava o Johnbim um “trêfego” – PHA) Sobel prepara o Departamento de Estado para uma eventual derrota no Tribunal Regional Federal, TRF. REVELA QUE O ADVOGADO DOS PILOTOS ACREDITA QUE, NESSA EVENTUALIDADE, SERIA VENCEDOR NO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA”. (Ênfase minha – PHA)
Das duas uma.
Ou o Dr Théo (filho do ex-Ministro) é um fanfarrão e promete o que não pode cumprir.
Ou o escritório do ex-Ministro faz e acontece no STJ.
O Conversa Afiada acredita na primeira hipótese – a da fanfarrice.
(Este ordinário blogueiro conhece o pai de outros carnavais).
O Brasil, como se sabe, é o único país do mundo que não leva o WikiLeaks a sério.
A Folha (**) tentou livrar a cara do Johnbim, por exemplo.
E deu destaque a trecho do telegrama em que o embaixador Sobel achava que o Itamaraty era contra os americanos (não os pilotos, bem entendido).
Só que a Folha escondeu a informação de que o embaixador Sobel apenas reproduzia informação que tinha recebido, a portas fechadas, do Ministro da Defesa do Brasil, o dito Johnbim.
Aí, o Johnbim e o presidente Lula espinafraram o WikiLeaks, quando este ordinário blog botou o Johnbim na roda.
(Depois o presidente Lula defendeu o Assange. Mas aí, amigo navegante, sabe como é fim de mandato.)
O WikiLeaks não oferece, na versão do Globo, nenhuma informação sobre o papel do PiG (e especialmente da Folha e sua colonista (***) Eliane Catanhêde) na batalha para divulgar versões que, por coincidência, se coadunavam com as do Dr Théo (ou do ex-Ministro).
Mas, o Globo reproduz interessante “denúncia” que o deputado ACM Neto faz ao embaixador americano sobre a incompetência do Presidente Lula.
A Embaixada americana vai mal de interlocutor.
Ou devia mandar alguém à Bahia para localizar a “incompetência” do Lula ao desconstruir a dinastia Magalhães.
Um incompetente !
O Neto sabe.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

O Brasil lutou para livrar a cara dos que mataram no desastre da Gol | Conversa Afiada

Após sair da prisão, Assange agradece a Lula

Os Amigos do Presidente Lula Presidente Lula e Julian Assange - WikiLeaks

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse que é maravilhoso sair do confinamento com o apoio de "pessoas perto do poder", como o presidente Lula.A declaração foi dada por Assange em entrevista, ao jornal espanhol "El País".
"Lula é um caso especial, porque está deixando o cargo, e isso lhe permite ser mais direto do que havia sido. Já não tem que prestar nenhuma lealdade aos EUA."Há três semanas, quando Assange foi preso, Lula classificou sua detenção de "cerceamento à liberdade de expressão na internet".Também disse, dias depois, que protestaria contra quem censurou o site.

Os Amigos do Presidente Lula: Após sair da prisão, Assange agradece a Lula

Imagem: BLOG DA NÍVIA, uma cachaceira

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Porque as petrolíferas apostavam em Serra

Altamiro Borges
Reproduzo artigo de Luis Nassif, publicado em seu blog:
A divulgação pela WikiLeaks das conversas entre a representante da Chevron (uma das sete irmãs petrolíferas) e o então candidato a presidente José Serra foi significativa. Nelas, Serra aconselhava as multinacionais a saírem do país e aguardarem sua eleição – quando então mudaria a lei do petróleo para permitir sua exploração por estrangeiros.
É apenas um capítulo na imensa reestruturação por que passa o setor.
Segundo Edmar Luiz Fagundes de Almeida, do Grupo de Energia do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IE-UFRL), na década de 70 a ideia predominante era do fim da era do petróleo.
A elevação dos preços do petróleo, sua geopolítica extremamente complexa (produção concentrada em áreas em litígio), dificuldades com novas reservas, lançaram como prioridade a questão da segurança energética – um país ser auto-suficiente na energia consumida.
A maioria dos países produtores passou a explorar seus campos com suas próprias empresas estatais, deixando as antigas sete irmãs meio perdidas atrás de um reposicionamento.
No único local do globo em que se abriu para elas a possibilidade de exploração – a África – viram-se à frente com uma feroz competição chinesa.
***
Hoje em dia analisam-se os combustíveis sintéticos (carvão e gás) e há incertezas sobre o combustível potencialmente vencedor. Em uma temporada parece ser o etanol de cana, na outra, a alga, agora é o verão do óleo de palma.
Nos Estados Unidos, por exemplo, metade de produção de gás sai de energia não convencional do xisto. Há uma onda de carvão sustentável com captura de CO2. Pelo menos quarenta países consideram a possibilidade de investir pesadamente em energia nuclear.
***
Diante de tantas possibilidades, explica Edmar, a discussão está muito focada apenas na tecnologia, que é um dos espaços de possibilidades. Para que uma energia seja viável, necessita de aceitação social, economicidade.
De 2002 a 2007, auge da produção de petróleo, sem conseguir renovar seus campos de exploração, essas empresas foram se tornando cada vez mais empresas de gás.
As cinco maiores ficaram com enormes sobras de caixa, sem ter onde investir. A maior parte amortizou dívidas ou distribuiu mais dividendos do que investimentos, ou então recomprou suas próprias ações.
Na década de 90, um presidente da Exxon declarou que não iria jogar dinheiro do acionista em energia alternativa. A Shell dizia que jamais investiria em etanol de primeira geração. Agora, associou-se à brasileira Cosan.
***
O pior , para elas, é que o petróleo continuará sendo a energia dominante nos próximos trinta anos, explica Edmar, mas não mais sob seu controle.
Óleo barato não está mais acessível. Quem dispor de tecnologia de ponta conseguirá obter renda tecnológica.
Nesse cenário, o pré-sal representa a fronteira geológica de maior viabilidade econômica, mais viável do que o óleo betuminoso, que o petróleo pesado da Venezuela.
Por aí se entende a razão da vitória de Serra interessar tanto às grandes petrolíferas.

Altamiro Borges: Porque as petrolíferas apostavam em Serra

Imagem: Blog Serra Não

WikiLeaks: EUA têm medo de Chávez

Conversa Afiada

O Conversa Afiada publica ótimo texto de Stanley Burburinho:

WikiLeaks: Os esforços dos EUA para minar a influência de Chávez
por Stanley Burburinho
No dia 9 de dezembro de 2010, em artigo escrito  por Maria Luisa Rivera, traduzido por Natalia Viana, do WikiLeaks (a íntegra está após minhas observações), o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente:
“Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; —Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as “não-elites”
“—Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez”
“Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.”
“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.
Curiosamente, na continuação, os  americanos têm o mesmo discurso dos partidos políticos da oposição. Confiram:
“…e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.”
“Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.”
******
WikiLeaks – Os esforços dos EUA para minar a influência de Chavez
9 December 2010, 15.00 GMT
por Maria Luisa Rivera
Traduzido por Natalia Viana, do WikiLeaks
No dia 15 de junho de 2007, o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente.
“Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; —Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as “não-elites”; —Mudar o cenário político: Devemos oferecer uma mensagem de esperança e apoiá-la com projetos financiados adequadamente; —Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez”, resumiu.
Kelly propõe ainda reforçar as operações de inteligência na America Latina para entender melhor os objetivos de Chavez a longo prazo, e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.
Kelly, que acabou de se aposentar como o número dois para temas do hemisfério ocidental no Departamento do Estado, reconheceu no seu telegrama que “Chavez conseguiu muitos avanços, em especial para as populações locais, ao fornecer programas para os desprivilegiados”.
Mas também disse que o venezuelano tem uma visão “distorcida” e que “a boca de Chavez frequentemente se abre antes que o seu cérebro esteja funcionando”. Kelly recommenda a Washington simplesmente dizer “ a verdade” sobre Chavez e “a sua visão estreita, suas promessas vazias, suas relações internacionais perigosas, começando pelo Irã”.
Mesmo assim, o documento alerta que Chavez tem que ser levado a sério. “Seria um erro considerar Chavez apenas um palhaço ou um caudilho. Ele tem uma visão, mesmo que deturpada, e está tomando medidas calculadas para conseguir”.
Para ele, países pobres como o Uruguai não conseguem resistir às ofertas de ajuda do Venezuelano. A Argentina, depois da crise, também teria sido vítima dos “petrobolívares” de Chavez.
Passo a passo
Para reduzir a sua influência nos temas regionais, Kelly propõe que o Brasil e o Chile sejam estudados como “países que têm governos esquerdistas mas são democráticos e responsáveis na política fiscal”. Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.
O telegrama mostra como a diplomacia americana propõe desestabilizar o poder de Chavez internamente. Kelly recomenda usar “a diplomacia pública” para vencer o que seria uma “batalha de idéias e visões”. Além disso, diz ele, vale explorar o medo de lideres anti-chavistas e formadores de opinião que “apreciam a importância da relação com os EUA”
Visitas do alto escalão americano, como a de Bush em março de 2007, também podem ajudar o país a se aproximar das populações dos países hostis aos EUA.  ”Mostrar nossa bandeira e explicar diretamente para as populações nossa visão de democracia e progresso pode mudar a visão sobre os EUA”.
Usando os militares
Outro dado interessante é que Kelly recomenda aumentar o financiamento para programas de parceria militar como o Military Education and Training (IMET) e Commander Activities (TCA).
Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.
“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.
Ele também recomenda o corte de financiamento de outros programas, o que estaria sendo usaodo como uma retaliação à recusa dos países de assinar o Artigo 98, um contrato que impede cidadãos americanos de serem extraditado à Corte Penal Internacional se estiverem nesses países.

WikiLeaks: EUA têm medo de Chávez | Conversa Afiada

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Obama: o petróleo é nosso, e o Zezinho também.

Mais humor do Blog TIA CARMELA E O ZEZINHO

O Mais Preparado dos Brasileiros, o futuro pres. Zezinho, foi novamente vitimado pelas ações do Wikileaks.
Conforme já havíamos noticiado, a participação do Presidente de Nascença na negociação do Acordo CARACU EUA-Brasil é citada em várias mensagens da diplomacia dos EUA, que foram levadas pela enxurrada moral do vazamento. O vazamento é tão grande que a casa do pres. Zezinho, que já  estava ameaçada, corre risco de cair.

Obama elogiou o pres. Zezinho em seu discurso.

A mensagem mais polêmica transcreve uma conversa do presidente Barack Obama com sua chapa Hillary Clinton. Em uma reunião sobre os interesses dos EUA no Brasil, o  grande líder pacifista mundial comentou: “o petróleo é nosso, e o Zezinho também”.
Wikileaks vazou também  uma informação sobre uma discreta reunião do Maior dos Economistas com a representante de uma empresa petrolífera do grande irmão do norte. O convescote privado fez parte da longa série de negociações para o Acordo CARACU EUA-Brasil, no qual os EUA entrarão com a primeira parte.

Pelo diálogo, pode-se ver a serenidade do grande estadista. Ele recomenda calma a sua aliada, dizendo que, quando assumisse o lugar que é seu por direito divino, mudaria as regras de exploração do petróleo do pré-sal para facilitar os negócios das irmãs do ouro negro: “Deixa esses caras (do PT) fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”

Tiro pela culatra

O interesse do Wikileaks era desestabilizar a  liderança inconteste do Maior dos Patriotas no cenário brasileiro e mundial.

 

A ciclonudista Soninha Copélia é de uma linha mais natureba, mas também trabalha com entregas.

Mas o feitiço virou contra o feiticeiro. Wikileaks  só conseguiu que o Maior dos Filhos da Mooca fosse mais admirado ainda. Agora, o mundo conhece melhor os grandes esforços do pres. Zezinho para fazer com que as grandes companhias de petróleo dos EUA explorem o pré-sal em lugar da obsoleta, incompetente e anti-brasileira Petrobrás.
O pres. Zezinho planeja, ao dar uma mão a  essas que são as mais  éticas e ambientalmente responsáveis empresas do mundo, fazer com que nossa Pátria entre em um novo período de paz, progresso, prosperidade e justiça social, como em outros países onde essas benévolas companhias operam.

Comentário da tia Carmela

QUADRILHA: UDN organizou uma bela festa junina em Miami para comemorar a elogiosa referência do pres. Obama ao pres. Zezinho.

Quando era menino, às vezes o Zezinho ia ajudar o pai no Mercadão. Ele não gostava muito de ficar na banca. O que ele gostava mesmo era de ir fazer entregas. Ele sempre pedia pro seu Francesco: “pai, não tem nenhuma entrega para eu fazer?”. Quando tinha alguma coisa para ele entregar, precisa ver como ele saía todo feliz. Na maioria das vezes, as entregas eram muito grandes para ele carregar, mas ele fazia questão de ir com o empregado da banca, só para sentir o gostinho de entregar. E quando tinha entrega nas Lojas Americanas, na Rua Direita, então? Ele ia todo serelepe…

WikiLeaks: Globo evita o caso ‘Serra – Pré-Sal’

Conversa Afiada

Eric Clapton, o mais relevante fato do Wikileaks, segundo a Globo

O Bom (?) Dia Brasil abordou o tema Wikileaks – que o Bonnner chamava de uaiquiliquis – mas não falou o mais importante.
Clique aqui para ler “Cerra, o 2º maior dos entreguistas”.
Confira post do Blog do Nassif:

Globo evita o caso Serra-Pré-Sal
Por chico rasia

No Bom Dia Brasil de hoje, a chamada prometia “novas revelações” dos documentos da Wikileaks. O que a Globo nos entregou foi uma reportagem que parecia querer colocar um ponto final no caso. E, claro, nenhuma, nem umazinha palavra sequer sobre as negociações do Pré-Sal. Já sobre a admiração do filho de Kim Jong-Il por Eric Clapton, isso sim mereceu preciosos segundos do noticiário…

Do Bom Dia Brasil

De volta a tribunal, dono do WikiLeaks pede liberdade condicional

Os advogados de Julian Assange tentam evitar que ele seja extraditado para a Suécia, onde enfrenta acusações por crimes sexuais.

O fundador do site WikiLeaks, que está preso, tem hoje uma audiência no tribunal de Londres. Os advogados de Julian Assange pedem a liberdade condicional. Tentam evitar que ele seja extraditado para a Suécia, onde enfrenta acusações por crimes sexuais.

Nas últimas três semanas, com a divulgação de menos de 1% das mais de 250 mil mensagens secretas que afirma possuir, Julian Assange chacoalhou o mundo diplomático. Deixou os americanos numa terrível saia justa e foi parar na cadeia – não exatamente por causa dos vazamentos. O australiano que desafiou a superpotência está numa prisão britânica sob a acusação de estupro e ameaça, principalmente se continuar preso, distribuir mais e mais mensagens secretas.

Autoridades americanas tentam encontrar uma forma de processar o hacker-jornalista em um tribunal nos Estados Unidos. Aliás, uma das discussões dos analistas é como qualificá-lo: jornalista, hacker, ativista ou terrorista? Certo é que os vazamentos do WikiLeaks caíram como uma bomba sobre as relações diplomáticas americanas.

Basta lembrar que o presidente do Afeganistão foi chamado de “paranóico”. Os líderes russos Vladimir Putin e Dimitry Medvedev foram comparados a Batman e Robin. O iraniano Mahmoud Ahmadinejad virou Hitler. O presidente francês foi chamado de “autoritário”. Desqualificado, Nicolas Sarkozy foi tratado como “um imperador sem roupas”.

Ex-parceiros de Assange dizem que o site WikiLeaks virou uma máquina de ataque contra o governo americano. Um deles resolveu até lançar concorrência. Prometendo retomar a suposta imparcialidade do projeto original e manter caminho livre para informantes do mundo inteiro, nascerá em breve o OpenLeaks. É a certeza de que vem mais notícia por aí.

Documentos vazados pelo WikiLeaks mostram que o astro Eric Clapton um ídolo do filho do ditador norte-coreano, Kim Jong-Il. O artista chegou até a ser convidado a fazer um concerto na capital Pyongyang.

Um telegrama do embaixador americano em Seul, na Coreia do Sul, em 2007, sugere que o concerto seria útil para promover uma possível aproximação com o Ocidente. O show, porém, não aconteceu. A cultura pop e o rock são proibidos na Coreia do Norte.

Clique aqui para assistir ao vídeo da matéria do Bom (?) Dia Brasil.

WikiLeaks: Globo evita o caso ‘Serra – Pré-Sal’ | Conversa Afiada

Cerra, o 2º maior dos entreguistas

Conversa Afiada

Bessinha sabe bem como é a relação do PSDB com os EUA

Uma das notáveis vantagens do Wikileaks – que o Bonnner chamava de uaiquiliquis – é que ele confirma as suspeitas.
O Conversa Afiada sempre suspeitou que por tras da loucura do Padim Pade Cerra havia uma lógica.
A Bolívia é a responsável pelo consumo de cocaína nos Jardins, em São Paulo.
Fechar o Mercosul.

Colocar o ataque ao Irã no centro de uma “política” externa.
Qual a lógica desse bestialógico numa campanha eleitoral ?
A Bolívia enfrenta os Estados Unidos e não deixa instalar lá uma força tarefa “colombiana” de combate ao tráfico.
O Mercosul forte é a alternativa brasileira à Alca dos Estados Unidos.
O uaiquiliquis demonstrou que o Irã é o centro da política externa americana.
Ou seja, a lógica do Cerra na campanha era a lógica da política externa americana.
Não havia loucura nenhuma.
Como sempre houve lógica no entreguismo do Cerra.
Na defesa dos contratos de “concessão” do pré-sal, contra os de “partilha”.
É o que demonstra agora o uaiquiliquis, de forma lapidar (de “lápide”, “túmulo”):
“… novas rodadas (para explorar o pré-sal) não vão acontecer…
“… o modelo antigo (de “conceder”, “dar”) funcionava…”
” … mudamos de volta …

E diz a interlocutora, a funcionária da Chevron, membro do Instituto Brasileiro (?) de Petróleo:
” … as regras sempre podem mudar depois …”
A Dilma teve a percepção correta na campanha: essa eleição era sobre o pré-sal.
E a próxima eleição também, segundo a privilegiada funcionária da Chevron, que trata de graves  assuntos, com tanta intimidade, com um candidato à Presidência do Brasil.
Como se isso aqui fosse um quintal.
Um Porto Rico – grande.
Para ela, a funcionária americana subalterna, depois a gente muda isso …
A gente: a Chevron e o PSDB do Davizinho e do Cerra.
O uiquiliques tem essa vantagem: confirma tudo.
Alguém tinha dúvida de que o Nelson Johnbim fosse um trêfego – como dá a entender o telegrama do embaixador americano ?
Ele, Nelson Johnbim que, no passado, já demonstrou não estar muito convencido de que o Brasil mereça ter 200 milhas territoriais – e, logo, direito ao pré-sal.
Alguém tinha alguma dúvida de que o Cerra é entreguista ?
O que será que eles dois discutiam – Cerra e Johnbim -, quando dividiam o apartamento funcional da Camara, em Brasilia ?
Como vender a Floresta Amazônica à L’Occitane ?
O Pão de Açucar ao Trump ?
Itaipu à Disney ?
Johnbim e Cerra fazem parte da mesma matriz ideológica do Farol de Alexandria, o pai da Teoria da Dependência: não adianta espernear porque seremos sempre dependentes.
Só que o Farol dá menos bandeira.

O Johnbim e o Cerra são mais “unusual”, como diria o Embaixador americano do Johnbim.
“Trêfegos”, pode ser a tradução.
O centro a questão brasileira é o pré-sal.
A indústria de  equipamentos.
O domínio da tecnologia para fazer máquinas que explorem o petróleo em águas profundas.
Todo país que cresce é petroquímico-dependente, disse Dilma.
O ponto é: e de quem deve ser o pré-sal ?
Da Chevron ou do povo brasileiro ?
O resto é o luar de Paquetá, diria o Nelson Rodrigues.
E, como “depois a gente muda isso”, essa pergunta permanecerá por muitas eleições no centro da política brasileira: nós ou a Chevron ?
A Petrobras ou a Petrobrax ? 
Só que o Padim Pade Cerra não é o maior dos entreguistas.
Como também não foi Roberto Marinho, que invariavelmente defendeu os interesses das chevrons, contra a Petrobras.
Como, hoje, os filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome proprio – escondem – segundo o Stanley Burburinho – que o Cerra ia mudar o pré-sal para a Chevron.
Roberto Marinho, como os filhos, hoje, são sardinha nesse jogo de peixe grande.
O maior de todos os entreguistas foi o Carlos Lacerda.
Esse, sim, tinha talento e esteve muito perto de entregar o ouro aos bandidos.
Lacerda tinha consistência.
Não tinha escrúpulos – como o Cerra -, mas tinha Norte.
O Padim Pade Cerra, não.
Esse é  um desnorteado.
Todavia, não é maluco.
A loucura dele tem lógica.
Mas, como diz o Brizola Neto, quem nasceu para Serra nao chega a Carlos Lacerda.
A Chevron acaba de descobrir isso.
Paulo Henrique Amorim

Cerra, o 2º maior dos entreguistas | Conversa Afiada

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Serra prometeu a petroleira americana mudar regras do pré-sal se vencesse eleição

Viomundo - O que você não vê na mídia

Petroleiras americanas eram contra novas regras para pré-sal

por JULIANA ROCHA, Folha.com
DE BRASÍLIA

As petroleiras americanas não queriam a mudança no marco de exploração de petróleo no pré-sal que o governo aprovou no Congresso, e uma delas ouviu do então pré-candidato favorito à Presidência, José Serra (PSDB), a promessa de que a regra seria alterada caso ele vencesse.

É isso que mostra telegrama diplomático dos EUA de dezembro de 2009 obtido pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch). A organização teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado à divulgação no site do WikiLeaks.

“Deixa esses caras [do PT] fazerem o que eles quiserem. As rodadas de licitações não vão acontecer, e aí nós vamos mostrar a todos que o modelo antigo funcionava… E nós mudaremos de volta”, disse Serra a Patricia Pradal, diretora de Desenvolvimento de Negócios e Relações com o Governo da petroleira norte-americana Chevron, segundo relato do telegrama.

O despacho relata a frustração das petrolíferas com a falta de empenho da oposição em tentar derrubar a proposta do governo brasileiro.

O texto diz que Serra se opõe ao projeto, mas não tem “senso de urgência”. Questionado sobre o que as petroleiras fariam nesse meio tempo, Serra respondeu, sempre segundo o relato: “Vocês vão e voltam”.

A executiva da Chevron relatou a conversa com Serra ao representante de economia do consulado dos EUA no Rio. O cônsul Dennis Hearne repassou as informações no despacho “A indústria do petróleo conseguirá derrubar a lei do pré-sal?”.

O governo alterou o modelo de exploração — que desde 1997 era baseado em concessões –, obrigando a partilha da produção das novas reservas. A Petrobras tem de ser parceira em todos os consórcios de exploração e é operadora exclusiva dos campos. A regra foi aprovada na Câmara este mês.

A Folha teve acesso a seis telegramas do consulado dos EUA no Rio sobre a descoberta da reserva de petróleo, obtidos pelo WikiLeaks.

Datados entre janeiro de 2008 e dezembro de 2009, mostram a preocupação da diplomacia dos EUA com as novas regras. O crescente papel da Petrobras como “operadora chefe” também é relatado com preocupação.

O consultado também avaliava, em 15 de abril de 2008, que as descobertas de petróleo e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) poderiam “turbinar” a candidatura de Dilma Rousseff, então ministra da Casa Civil.

O consulado cita que o Brasil se tornará um “player” importante no mercado de energia internacional.

Em outro telegrama, de 27 de agosto de 2009, a executiva da Chevron comenta que uma nova estatal deve ser criada para gerir a nova reserva porque “o PMDB precisa de uma companhia”.

Texto de 30 de junho de 2008 diz que a reativação da Quarta Frota da Marinha dos EUA, na época da descoberta do pré-sal, causou reação nacionalista. A frota é destinada a agir no Atlântico Sul, área de influência brasileira.

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

WikiLeaks: EUA seguem ditadores e tratam Dilma como a “Joana D’Arc da Subversão”

Conversa Afiada

Dilma ganhou a alcunha de "Joana D'Arc da Subversão" de quem a perseguia na ditadura

Post extraído do blog sobre o WikiLeaks, mantido pela jornalista Natália Viana e a Carta Capital:

Dilma Rousseff, na saúde e na doença
Não foi só a saúde da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, que foi alvo da curiosidade do governo americano. A presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, também teve detalhes do seu estado de saúde investigados pela embaixada americana em meados do ano passado, quando sofreu de câncer linfático.
Documentos publicados hoje pelo WikiLeaks também revelam que o ex-embaixador americano em Brasília, John Danilovich, relatou que ela havia  planejado três assaltos quando era integrante da organização VAR-Palmares.
Dilma Rousseff nega qualquer participação em ações armadas durante o regime militar.
Ao todo, o WikiLeaks publica hoje 9 documentos que mostram como a representação americana acompanhou de perto a trajetória de Dilma e o processo eleitoral brasileiro – que, aliás, a própria Hillary Clinton classificou de “bizantino”.
Joana D´Arc
Dilma Rousseff começou a chamar a atenção da embaixada quando tomou posse como Ministra-Chefe da Casa Civil. Um relatório especial a seu respeito foi elaborado e enviado em 22 de maio de 2005. Apesar de “não classificado”, o telegrama traz uma porção de temas sensíveis e algumas gafes. Um dos títulos é, por exemplo, “Joana D’Arc da Subversão se torna Chefe da Casa Civil” – uma referência à alcunha dada pelos agentes da repressão.
O documento afirma que ela teria planejado o “legendário” roubo ao cofre do corrupto prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros, no qual a VAR-Palmares obteve 2,5 milhões de dólares.
“Integrando vários grupos clandestinos, ela organizou três assaltos a banco e depois co-fundou o grupo guerrilheiro Vanguarda de Palmares”, diz.
Dilma sempre negou qualquer participação em ações armadas.
O documento escrito pelo embaixador John Danilovich observa que ela foi presa por mais de três anos e torturada de forma “brutal” com eletrochoques.
A seguir, entra em detalhes pessoais ao estilo de uma revista de celebridades: “Ela tem uma filha, Paula, em Porto Alegre, onde passa os fins-de-semana. Gosta de filmes e música cássica. Perdeu peso recentemente após ter adotado a dieta do presidente Lula”.
O documento diz ainda que Dilma é vista como “cabeça-dura, uma negociadora difícil e detalhista” e revela que as empresas americanas tiveram receio quando ela se tornou ministra de Minas e Energia, mas “agora admitem que ela fez um trabalho competente”.
(…)

WikiLeaks: EUA seguem ditadores e tratam Dilma como a “Joana D’Arc da Subversão” | Conversa Afiada