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domingo, 26 de junho de 2011

José Graziano é eleito diretor-geral da FAO

Carta Maior

A eleição ocorreu neste domingo durante a 37ª Conferência da FAO, evento que começou ontem (26), em Roma. Com o apoio do governo brasileiro, Graziano recebeu 92 dos 180 votos. O segundo colocado foi o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol Miguel Ángel Moratinos. Graziano vai substituir o senegalês Jacques Diouf, que permaneceu por 17 a anos à frente da agência. Ele deixará a direção do órgão em um momento em que a alta nos preços de alimentos tornou-se uma preocupação global, discutida nos principais foros internacionais.

Alex Rodrigues - Agência Brasil

O agrônomo brasileiro José Graziano, de 61 anos, foi eleito hoje (26) o novo diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Ex-ministro de Segurança Alimentar do governo Lula, Graziano ocupará o cargo no período de janeiro de 2012 a julho de 2015. Desde 2006, ele atuava como representante da agência na América Latina e no caribe.
A eleição ocorreu hoje durante a 37ª Conferência da FAO, evento que começou ontem (26), em Roma. Com o apoio do governo brasileiro, Graziano recebeu 92 dos 180 votos. O segundo colocado foi o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol Miguel Ángel Moratinos. Inicialmente também concorriam ao posto o austríaco Franz Fischler, o indonésio Indroyono Soesilo, o iraniano Mohammad Saeid Noori Naeini e o iraquiano Abdul Latif Rashid.
Indicado para o cargo pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano passado, Graziano vai substituir o senegalês Jacques Diouf, que permaneceu por 17 a anos à frente da agência. Ele deixará a direção do órgão em um momento em que a alta nos preços de alimentos tornou-se uma preocupação global, discutida nos principais foros internacionais.
Criada em 16 de outubro de 1945, a FAO concentra os esforços dos 191 países membros, mais a Comunidade Europeia, pela erradicação da fome e da insegurança alimentar. Na agência, que funciona como um fórum neutro, os países desenvolvidos e em desenvolvimento se reúnem para para negociar acordos, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas.
O orçamento enxuto da agência, se comparado ao de outras instâncias da ONU, é considerado um dos entraves à atuação mais abrangente do órgão. Para o biênio 2010/2011, a FAO conta com orçamento de US$ 1 bilhão (R$ 1,6 bilhão) , com mais US$ 1,2 (R$ 1,9 bilhão) advindos de doações voluntárias.
Outro problema com o qual Graziano deverá lidar são as divergências entre os países quanto à produção de biocombustíveis (apontados por algumas nações como os principais causadores da inflação nos alimentos).

Carta Maior - Internacional - José Graziano é eleito diretor-geral da FAO

LEIA O EDITORIAL DA CARTA MAIOR DESTA SEGUNDA, 27/06/2011

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VITÓRIA DE GRAZIANO AMPLIA AÇÃO  GLOBAL DO BRASIL, PROJETA DILMA E FAVORECE O PASSO SEGUINTE DE LULA
Numa eleição acirrada, em que votaram 180 países, o ex-ministro do governo Lula, José Graziano da Silva, superou por 4 votos o adversário espanhol, Miguel Angel Moratinos, na disputa pela sucessão de Jacques Diouf no comando da FAO, encerrada neste domingo , em Roma. O Brasil conquista assim seu primeiro posto de relevo entre as organizações internacionais, com um candidatura indissociável da luta contra a pobreza e a desigualdade. Não por acaso, antes da votação, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, elogiou o espanhol  Miguel Angel Moratinos, candidato   que carregava o fardo do protecionismo agrícola das nações ricas contra os pobres. A vitória brasileira reposiciona o papel da FAO no cenário internacional. O que se espera agora é um organismo renovado que passe a ecoar, de fato, os interesses Sul-Sul, na luta por um desenvolvimento feito de segurança alimentar e maior  justiça social. Criador do Fome Zero, Graziano é um crítico da especulação financeira decorrente da desregulação do sistema bancário promovida pelo neoliberalismo. Ao contrário de seu adversário espanhol, em diversos pronunciamentos e artigos ele destacou a influência nefasta dos capitais especulativos na formação dos preços dos alimentos, gerando flutuações abruptas que asfixiam produtores e agravam a fome nos países pobres. A vitória do ex-ministro e amigo pessoal de Lula não pode ser entendida sem o pano de fundo da crise mundial que evidenciou o crepúsculo de uma agenda ortodoxa até então hegemônica. Por mais de 30 anos, ela subordinou o destino das nações e a segurança alimentar da sociedade  às supostas virtudes dos 'livres mercados', cujo saldo mórbido é o desconcertante paradoxo de um planeta que reúne um bilhão de famintos em pleno apogeu da tecnologia agrícola. A sucessão na FAO influenciará  também a ação internacional de Lula que trabalhou intensamente nos bastidores da campanha, em contatos com chefes de Estado, sobretudo da África e América Latina. O  líder brasileiro passa a desfrutar agora de uma âncora institucional para seus projetos de cooperação entre América Latina e África, com base nas políticas sociais bem sucedidas de sua gestão. Para o governo Dilma, que se empenhou decididamente na eleição de Graziano, numa ação firme e centralizada no Itamaraty, a vitória é um trunfo que reafirma a liderança e a credibilidade do Brasil junto aos países pobres. O conjunto desagrada os que torciam por uma derrota para transformá-la no atestado de óbito de uma experiência de governo que, com todos os percalços, assumiu contornos de uma nova referência de desenvolvimento, cujos resultados impuseram um revés  superlativo ao neoliberalismo tropical.

(Carta Maior; 2º feira, 27/06/ 2011)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Dilma: século 21 será da América Latina

fevereiro 1st, 2011 | Autor: Jussara Seixas

Dilma: século 21 será da América Latina
FOTO: Roberto Stuckert Filho

Ao lado da presidenta da Argentina, Cristina Kirchner, a presidenta brasileira, Dilma Rousseff, afirmou que fez questão de eleger o país vizinho como destino para a primeira viagem internacional por considerar que Brasil e Argentina são cruciais para transformar “o século 21 em século da América Latina”.
“E estou falando necessariamente em transformar os povos brasileiro e argentino e também os [demais] da América Latina”, disse Dilma hoje (31) em pronunciamento à imprensa, na Casa Rosada, sede do governo argentino.
O crescimento, aliado à inclusão social dos povos dos países latino-americanos, marcou o discurso das presidentas. Dilma disse se sentir em um momento especial na Argentina e afirmou que os dois países vão aprofundar vínculos para construir um mundo melhor na região. Cristina Kirchner disse, por sua vez, que as duas mandatárias têm em comum a visão de que a inclusão social deve ter protagonismo na condução das políticas de Estado. “Nós duas achamos que o crescimento e a soberania de uma nação devem ter como protagonista a inclusão social. O crescimento econômico só é bom se atingir a todos por meio da educação, da moradia.”
As presidentas reafirmaram a proximidade entre Brasil e Argentina. Cristina Kirchner lembrou o caminho trilhado pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Néstor Kirchner (falecido no ano passado) para aprofundar as relações bilaterais. Agora, acrescentou, elas darão continuidade a essas ações. “Eles constituíram um relacionamento diferente que deu frutos e deve ser aprofundado como falamos na reunião que tivemos a sós. Isso deve significar também o aprofundamento da integração produtiva entre Brasil e Argentina”, afirmou a presidenta argentina. Ao final do discurso, ela ressaltou que a união Brasil e Argentina será ainda maior. Dilma afirmou que os acordos assinados entre os dois países, durante sua visita a Buenos Aires, reforçam os vínculos já existentes e que a cooperação vai beneficiar o Brasil e a Argentina. “Abrimos um caminho de cooperação para beneficiar as economias argentina e brasileira, a fim de criar uma integração de plataformas produtivas e de construir cada vez mais o bem-estar de nossos países.” Fonte: Agência Brasil.

Dilma: século 21 será da América Latina

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Wikileaks: Tony Palocci queria a ALCA

Conversa Afiada

Bem que o Bessinha podia trocar as cores das pantufas

Saiu na Folha (*), pág. A7:
“Críticos minaram diplomacia comercial do Brasil com os EUA.”
“Estratégia do Itamaraty foi atacada em contatos com americanos … ”
“Defensores da ALCA acenaram aos EUA com a chance de reativar as negociações em 2005, quando o então Ministro da Fazenda, Antonio Palocci, aproveitou um encontro de Lula com o Secretário do Tesouro dos EUA, John Snow, para debater a idéia.”
“Segundo os americanos, (Tony – PHA) Palocci ‘se ofereceu (sic) para liderar (sic) um esforço para dar novo impulso às negociações’ e levar (sic) o Itamaraty a ‘uma postura mais proativa (sic)’. Lula ‘desconversou’, indicando que não tinha interesse.”

NAVALHA

Navalha

Quer dizer, então, que, depois do Nelson Johnbim, temos agora o ministro Tony Palocci.
Dois que espinafram a política externa brasileira para autoridades americanas.
Papelão, hein ?
Como o Celso Amorim deve ter sofrido, nas mãos do Tony e do Johnbim.
A ALCA, como se sabe, foi uma tentativa americana de unir as Américas, sob a liderança americana.
Era a criação de um Commonwealth do Império Americano.
A tentativa começou com Bush, o pai, tomou outro formato com Clinton, e Bush, o filho, tentou ressuscitá-la.
O principal objetivo sempre foi botar o Brasil – o maior país da América Latina – debaixo do guarda-chuva americano.
Outro grande da America Latina, o México, já estava devidamente abrigado sob o guarda-chuva do Nafta.
E deu no que deu.
O PiG (**) e a elite branca se excitaram com a idéia de aderir à ALCA e oficializar a volta à condição de colônia com que sempre sonharam.
Lula resistiu.
Celso Amorim comeu o pão que o diabo amassou nos editoriais coloniais do Estadão.
O que não se sabia é que Tony trabalhava nos bastidores.

Em tempo: como sempre, a Folha (*) errou na hora de fazer o título. Quando deu a notícia de que o Johnbim foi ao embaixador americano para solapar a política externa do Governo a que servia, o título da Folha (*) era outro. Escondia a infidelidade do ministro serrista. Agora, para proteger Tony Palocci – quindim de Iaiá do PiG (**) – fez o mesmo. Deu a proteção dos últimos parágrafos da matéria.
Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Wikileaks: Tony Palocci queria a ALCA | Conversa Afiada

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

WikiLeaks: EUA têm medo de Chávez

Conversa Afiada

O Conversa Afiada publica ótimo texto de Stanley Burburinho:

WikiLeaks: Os esforços dos EUA para minar a influência de Chávez
por Stanley Burburinho
No dia 9 de dezembro de 2010, em artigo escrito  por Maria Luisa Rivera, traduzido por Natalia Viana, do WikiLeaks (a íntegra está após minhas observações), o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente:
“Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; —Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as “não-elites”
“—Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez”
“Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.”
“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.
Curiosamente, na continuação, os  americanos têm o mesmo discurso dos partidos políticos da oposição. Confiram:
“…e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.”
“Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.”
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WikiLeaks – Os esforços dos EUA para minar a influência de Chavez
9 December 2010, 15.00 GMT
por Maria Luisa Rivera
Traduzido por Natalia Viana, do WikiLeaks
No dia 15 de junho de 2007, o embaixador americano no Chile, Craig Kelly, escreveu uma lista secreta de estratégias para minar o poder político do presidente venezuelano Hugo Chavez no continente.
“Conheça o inimigo: nós temos que entender melhor como Chavez pensa e o que ele pretende; —Engajamento direto: temos que reforçar nossa presença na região e nos aproximar fortemente, em especial com as “não-elites”; —Mudar o cenário político: Devemos oferecer uma mensagem de esperança e apoiá-la com projetos financiados adequadamente; —Aumentar as relações militares: Nós devemos continuar a fortalecer os laços com esses líderes militares na região que compartilham as nossas preocupações sobre Chavez”, resumiu.
Kelly propõe ainda reforçar as operações de inteligência na America Latina para entender melhor os objetivos de Chavez a longo prazo, e pressionar os vizinhos a se voltarem contra ele, por exemplo, excluindo a Venezuela de acordos de livre comércio.
Kelly, que acabou de se aposentar como o número dois para temas do hemisfério ocidental no Departamento do Estado, reconheceu no seu telegrama que “Chavez conseguiu muitos avanços, em especial para as populações locais, ao fornecer programas para os desprivilegiados”.
Mas também disse que o venezuelano tem uma visão “distorcida” e que “a boca de Chavez frequentemente se abre antes que o seu cérebro esteja funcionando”. Kelly recommenda a Washington simplesmente dizer “ a verdade” sobre Chavez e “a sua visão estreita, suas promessas vazias, suas relações internacionais perigosas, começando pelo Irã”.
Mesmo assim, o documento alerta que Chavez tem que ser levado a sério. “Seria um erro considerar Chavez apenas um palhaço ou um caudilho. Ele tem uma visão, mesmo que deturpada, e está tomando medidas calculadas para conseguir”.
Para ele, países pobres como o Uruguai não conseguem resistir às ofertas de ajuda do Venezuelano. A Argentina, depois da crise, também teria sido vítima dos “petrobolívares” de Chavez.
Passo a passo
Para reduzir a sua influência nos temas regionais, Kelly propõe que o Brasil e o Chile sejam estudados como “países que têm governos esquerdistas mas são democráticos e responsáveis na política fiscal”. Também sugere que os EUA ameacem reduzir o comércio como os países sulamericanos se a Venezuela conseguir ingressar no Mercosul.
O telegrama mostra como a diplomacia americana propõe desestabilizar o poder de Chavez internamente. Kelly recomenda usar “a diplomacia pública” para vencer o que seria uma “batalha de idéias e visões”. Além disso, diz ele, vale explorar o medo de lideres anti-chavistas e formadores de opinião que “apreciam a importância da relação com os EUA”
Visitas do alto escalão americano, como a de Bush em março de 2007, também podem ajudar o país a se aproximar das populações dos países hostis aos EUA.  ”Mostrar nossa bandeira e explicar diretamente para as populações nossa visão de democracia e progresso pode mudar a visão sobre os EUA”.
Usando os militares
Outro dado interessante é que Kelly recomenda aumentar o financiamento para programas de parceria militar como o Military Education and Training (IMET) e Commander Activities (TCA).
Para ele, os militares latinoamericanos ainda são vistos como aliados, por causa da sua admiração ao poderio militar dos EUA.
“Os militares do cone sul continuam sendo instituições-chave nos seus respectivos países, e aliados importantes para os EUA. Esses militares geralmente são organizados e tecnicamente competentes. O seu desejo de manter a interoperabilidade e o acesso à tecnologia e treinamento americanos são algo que podemos usar em nosso favor”, diz o documento.
Ele também recomenda o corte de financiamento de outros programas, o que estaria sendo usaodo como uma retaliação à recusa dos países de assinar o Artigo 98, um contrato que impede cidadãos americanos de serem extraditado à Corte Penal Internacional se estiverem nesses países.

WikiLeaks: EUA têm medo de Chávez | Conversa Afiada

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Cerra, o 2º maior dos entreguistas

Conversa Afiada

Bessinha sabe bem como é a relação do PSDB com os EUA

Uma das notáveis vantagens do Wikileaks – que o Bonnner chamava de uaiquiliquis – é que ele confirma as suspeitas.
O Conversa Afiada sempre suspeitou que por tras da loucura do Padim Pade Cerra havia uma lógica.
A Bolívia é a responsável pelo consumo de cocaína nos Jardins, em São Paulo.
Fechar o Mercosul.

Colocar o ataque ao Irã no centro de uma “política” externa.
Qual a lógica desse bestialógico numa campanha eleitoral ?
A Bolívia enfrenta os Estados Unidos e não deixa instalar lá uma força tarefa “colombiana” de combate ao tráfico.
O Mercosul forte é a alternativa brasileira à Alca dos Estados Unidos.
O uaiquiliquis demonstrou que o Irã é o centro da política externa americana.
Ou seja, a lógica do Cerra na campanha era a lógica da política externa americana.
Não havia loucura nenhuma.
Como sempre houve lógica no entreguismo do Cerra.
Na defesa dos contratos de “concessão” do pré-sal, contra os de “partilha”.
É o que demonstra agora o uaiquiliquis, de forma lapidar (de “lápide”, “túmulo”):
“… novas rodadas (para explorar o pré-sal) não vão acontecer…
“… o modelo antigo (de “conceder”, “dar”) funcionava…”
” … mudamos de volta …

E diz a interlocutora, a funcionária da Chevron, membro do Instituto Brasileiro (?) de Petróleo:
” … as regras sempre podem mudar depois …”
A Dilma teve a percepção correta na campanha: essa eleição era sobre o pré-sal.
E a próxima eleição também, segundo a privilegiada funcionária da Chevron, que trata de graves  assuntos, com tanta intimidade, com um candidato à Presidência do Brasil.
Como se isso aqui fosse um quintal.
Um Porto Rico – grande.
Para ela, a funcionária americana subalterna, depois a gente muda isso …
A gente: a Chevron e o PSDB do Davizinho e do Cerra.
O uiquiliques tem essa vantagem: confirma tudo.
Alguém tinha dúvida de que o Nelson Johnbim fosse um trêfego – como dá a entender o telegrama do embaixador americano ?
Ele, Nelson Johnbim que, no passado, já demonstrou não estar muito convencido de que o Brasil mereça ter 200 milhas territoriais – e, logo, direito ao pré-sal.
Alguém tinha alguma dúvida de que o Cerra é entreguista ?
O que será que eles dois discutiam – Cerra e Johnbim -, quando dividiam o apartamento funcional da Camara, em Brasilia ?
Como vender a Floresta Amazônica à L’Occitane ?
O Pão de Açucar ao Trump ?
Itaipu à Disney ?
Johnbim e Cerra fazem parte da mesma matriz ideológica do Farol de Alexandria, o pai da Teoria da Dependência: não adianta espernear porque seremos sempre dependentes.
Só que o Farol dá menos bandeira.

O Johnbim e o Cerra são mais “unusual”, como diria o Embaixador americano do Johnbim.
“Trêfegos”, pode ser a tradução.
O centro a questão brasileira é o pré-sal.
A indústria de  equipamentos.
O domínio da tecnologia para fazer máquinas que explorem o petróleo em águas profundas.
Todo país que cresce é petroquímico-dependente, disse Dilma.
O ponto é: e de quem deve ser o pré-sal ?
Da Chevron ou do povo brasileiro ?
O resto é o luar de Paquetá, diria o Nelson Rodrigues.
E, como “depois a gente muda isso”, essa pergunta permanecerá por muitas eleições no centro da política brasileira: nós ou a Chevron ?
A Petrobras ou a Petrobrax ? 
Só que o Padim Pade Cerra não é o maior dos entreguistas.
Como também não foi Roberto Marinho, que invariavelmente defendeu os interesses das chevrons, contra a Petrobras.
Como, hoje, os filhos do Roberto Marinho – eles não tem nome proprio – escondem – segundo o Stanley Burburinho – que o Cerra ia mudar o pré-sal para a Chevron.
Roberto Marinho, como os filhos, hoje, são sardinha nesse jogo de peixe grande.
O maior de todos os entreguistas foi o Carlos Lacerda.
Esse, sim, tinha talento e esteve muito perto de entregar o ouro aos bandidos.
Lacerda tinha consistência.
Não tinha escrúpulos – como o Cerra -, mas tinha Norte.
O Padim Pade Cerra, não.
Esse é  um desnorteado.
Todavia, não é maluco.
A loucura dele tem lógica.
Mas, como diz o Brizola Neto, quem nasceu para Serra nao chega a Carlos Lacerda.
A Chevron acaba de descobrir isso.
Paulo Henrique Amorim

Cerra, o 2º maior dos entreguistas | Conversa Afiada