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quarta-feira, 19 de outubro de 2011

A vulgarização da barbárie

Editorial da Carta Maior

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A entrevista feita com o informante da ditadura militar, cabo Anselmo, no programa Roda Vida, da TV Cultura, levado ao ar 2ª feira, foi boa para o entrevistado. Descontraído, o personagem, um dos mais sombrios da vida política brasileira, buscou 'humanizar-se' repartindo sua folha corrida com a esquerda, cuja resistência legítima ao regime ameaçaria, no seu entender nebuloso, levar o país à guerra civil. Teria sido para evitá-la que ele traiu e entregou ao moedor de carne da ditadura --literalmente-- tudo e todos que dele se aproximaram. Inclusive a própria companheira. Esse, o personagem. O enredo não encontrou na forma e no conteúdo do programa um contrapeso suficiente à releitura psicopata da história.
A forma trivial com que alguns o arguiram sobre a desumanidade de uma trajetória devastadora, a abordagem algo tosca de outros revelando despreparo latejante para o tema, sacramentou o tom de curiosidade do conjunto, a maioria jogando íscas, como turistas diante de um espécime raro no zoológico da história. Quem sabe ele retribui com uma cambalhota inédita?
Possivelmente, aos olhos de muitos, em especial os mais jovens que não vivenciaram aquele período, o saldo tenha sido a relativização das razões em confronto. O episódio serve de alerta aos trabalhos da Comissão da Verdade. É preciso definir com precisão uma abordagem dos trabalhos que possibilite, de fato, trazer para o conhecimento e a reflexão do país, principalmente às novas gerações, o que foi e o que é o lastro de interesses racionais que propiciou a formação entre nós de um aparato dedicado a desossar seres humanos no pau de arara.
A experiência do Roda Viva demonstra que é indispensável o amparo de vozes qualificadas da sociedade para expressar seus valores mais caros, aqueles que sustentam os laços da convivência compartilhada, laços humanistas, solidários e libertários, rompidos pelo horror de ontem, mas de hoje também. A Comissão da Verdade teria que chegar às salas de aula para cumprir a sua mais preciosa missão.
É no confronto com esses valores, e com a atualidade que os ameaça, que a exposição da barbárie ganha dimensão pedagógica afrontada pela dialética do esclarecimento. Caso contrário, corre-se o risco de vulgarizar a sua ocorrência como mais um produto --ou celebridade-- a ser consumido e cuspido na engrenagem de uma espetacularização que empresta normalidade a qualquer coisa. Mesmo às mais abjetas.

Postado por Saul Leblon às 09:24

Carta Maior - Blog das Frases - A vulgarização da barbárie

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ustra: torturador e colunista da Folha

Por Antônio Mello, em seu blog:
Que o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra é sequestrador e torturador não é uma opinião minha, é sentença do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, 9 de outubro de 2008. A notícia, que reproduzo em parte abaixo, mostra quem é o que fazia o coronel no período mais infame da ditadura (a tal ditabranda da Folha).
Pois não é que a Folha abriu espaço em sua página 3 de sexta-feira para que Brilhante Ustra dê sua versão sobre acusações que sofre de outro que o acusa de tortura, o ex-presidente do BC no governo FHC Pérsio Arida?

Não foi à toa que a Folha procurou a ficha de Dilma durante a campanha. Se, durante a ditadura, com o empréstimo de seus veículos para que presos fossem transportados para serem torturados pela turma de Brilhante Ustra e com o editorial de Otávio Frias pai elogiando Médici, o jornal mostrava de que lado estava, agora, com a classificação da ditadura como ditabranda , com a infame (duas vezes a palavra "infame" numa mesma postagem, deve ser recorde - só a Folha...) publicação na primeira página da ficha falsa de Dilma e com a publicação da defesa de um sequestrador e torturador (não sou eu quem diz, mas a sentença de um juiz, até hoje válida), a Folha confirma sua posição - e se ela está ao lado de Médici, da ditabranda e de Ustra, o leitor fica no pau de arara da História.
Leia a notícia da condenação de Brilhante Ustra, conforme publicada na própria Folha em 2008:
"Por decisão do juiz Gustavo Santini Teodoro, da 23ª Vara Cível de São Paulo, de primeira instância, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra tornou-se o primeiro oficial condenado na Justiça brasileira em uma ação declaratória por sequestro e tortura durante o regime militar (1964-1985).
"A sentença, publicada ontem, é uma resposta ao pedido de cinco pessoas da família Teles que acusaram Ustra, um dos mais destacados agentes dos órgãos de segurança dos anos 70, de sequestro e tortura em 1972 e 1973.
"(...) Na decisão de ontem, o juiz Santini argumentou que a anistia refere-se só a crimes, e não a demandas de natureza civil, como é o caso da ação declaratória, que não prevê indenização nem punição, mas o reconhecimento da Justiça de que existe uma relação jurídica entre Ustra e os Teles, relação que nasceu da prática da tortura.
"(...) As testemunhas, que estiveram presas junto com os Teles, disseram que Ustra comandava as sessões de tortura com espancamento, choques elétricos e tortura psicológica. Das celas, relatam que ouviam gritos e choros dos presos.
"Não é crível que os presos ouvissem os gritos dos torturados, mas não o réu [Ustra]. Se não o dolo, por condescendência criminosa, ficou caracterizada pelo menos a culpa, por omissão quanto à grave violação dos direitos humanos fundamentais dos autores", afirmou o magistrado [Fonte: Folha, para assinantes]".

O artigo de Ustra na Folha você encontra lá e nos espaços que defendem os crimes praticados pelo estado sob a ditadura civil-militar, de 1964 a 1985.
Mas, repare como a Folha o apresenta a seus leitores:
CARLOS ALBERTO BRILHANTE USTRA, coronel reformado do Exército, foi comandante do DOI-Codi de 29.set.1970 a 23.jan.1974 e é autor dos livros "Rompendo o Silêncio" (1987) e "A Verdade Sufocada" (2006).
Sobre a sentença, nenhuma palavra.

Altamiro Borges- Ustra- torturador e colunista da Folha

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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Novela do SBT gera medo da verdade


Pablo Picasso: Guernica, 1937

Reproduzo artigo de Vivian Fernandes, publicado no sítio do jornal Brasil de Fato:
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A novela “Amor e Revolução”, que estreou na última terça-feira (05) no SBT, é alvo de abaixo-assinado promovido por militares que são contra sua exibição. O programa tem o período da ditadura militar no Brasil (1964-1985) em sua trama central e mostra cenas de tortura e perseguição aos militantes políticos da época.
A manifestação contrária à novela foi organizada através de um portal dos militares na internet (www.militar.com.br). No texto do abaixo-assinado aparece a acusação de que o Governo Federal participa de um acordo com o dono do SBT, Sílvio Santos, para exibir a novela. Em troca, o empresário teria a quitação das dívidas do “Banco Panamericano”, que é de sua posse.
Segundo a integrante da diretoria do Grupo Tortura Nunca Mais, Elizabeth Silveira Silva, ações como esta demonstram a tentativa de impedir a busca pela verdade desse período.
“Na realidade eles não querem que tenha divulgação de nada. Assim como eles não abrem os arquivos, exatamente para que essa história não seja contada, eles ficam tentando que essa história verdadeira não venha a público. Mesmo que seja uma novela, que não é um documento, mas apenas um folhetim que aborda essa questão”.
O abaixo-assinado foi proposto por um membro da diretoria da Associação Beneficente dos Militares Inativos da Aeronáutica (ABMIGAer). Ele se destina a procuradores da República do Distrito Federal, solicitando deferimento em caráter urgentíssimo.
O autor da novela, Tiago Santiago, deu declarações sobre a iniciativa, que em sua opinião é “despropositada”. Ele também disse que se recusa a mudar a história do programa em favor de “criminosos, torturadores e assassinos”.

Altamiro Borges- Novela do SBT gera medo da verdade

domingo, 10 de abril de 2011

Petição contra a tortura

Bradley Manning é um soldado do Exército dos Estados Unidos que foi preso e processado por acesso e divulgação de informações sigilosas. (informações da Wikipédia)

Nos ajude a conseguir 250,000

AVAAZ.org: The World in Action

Agora mesmo Bradley Manning, o delator do Wikileaks, está sendo torturado em uma prisão militar nos Estados Unidos. O Manning está sendo sujeitado ao isolamento absoluto, tática que pode enlouquecer a pessoa, com curtos períodos por dia onde ele é totalmente despido e abusado verbalmente pelos outros presos.
O Manning está aguardando julgamento por liberar documentos militares secretos ao Wikileaks, incluindo o vídeo dos soldados americanos massacrando civis iraquianos. Este tratamento brutal parece ser parte de uma campanha de intimidação para silenciar qualquer delator e derrubar o Wikileaks. O governo dos EUA está dividido sobre este assunto com diplomatas criticando publicamente o exército pelo tratamento do Manning, mas com o Presidente Obama ainda alheio ao caso.
O Obama se preocupa com a reputação global dos EUA -- nós precisamos mostrar para ele o que está em jogo. Vamos gerar um chamado global massivo ao governo dos EUA pedindo o fim da tortura de Manning e observação da lei. Assine a petição -- a nossa mensagem será entregue através de anúncios ousados e atos públicos em Washington DC assim que conseguirmos 250.000 assinaturas.

Clique aqui para assinar

domingo, 13 de março de 2011

Presidenta frita Johnbim: por que a crítica à Verdade ?

A funcionalidade do ministro inexiste

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Saiu no Globo, na pág. 10:
“Presidenta cobra explicação de Jobim sobre documento”
“Dilma desaprova vazamento de críticas do Comando do Exército à Comissão da Verdade”

Numa reunião no Palácio do Planalto ontem à tarde, Dilma quis saber de Johnbim quem fez o documento e que providências o Johnbim tomou.

Johnbim disse que o documento era do Governo Lula.

Mas, o Globo teve acesso a documento com data de fevereiro deste ano.

Navalha

NAVALHA

Os dias de Johnbim estão contados.

Segundo Eliane Catanhêde, clique aqui para ler, Johnbim vai embora em julho.

Mas, a sua funcionalidade esgotou-se no dia em que tomou posse como ministro da JK de saias.

Os torturadores do regime militar vão perder um poderoso aliado.

Clique aqui para ler “Decisão da OEA sobre torturadores… Cumpra-se!”.

 

Paulo Henrique Amorim

Presidenta frita Johnbim: por que a crítica à Verdade ? | Conversa Afiada

Publicado em 12/03/2011

Globo tenta abortar Comissão da Verdade

Reproduzo dois artigos de José Dirceu, publicados em seu blog:
Com editorial com o título "Os militares e as vítimas da ditadura", no qual se perfila hoje com as Forças Armadas contra a criação da Comissão da Verdade, que vai investigar os crimes do regime militar, o jornal O Globo faz jus ao seu passado de apoio à ditadura e à repressão aos que a ela resistiram.
No título, que se pretende neutro, na verdade o jornal demonstra não ter coragem de assumir o que vai publicar e defender em seguida no editorial. No texto considera que "é necessário saber o destino dos desaparecidos e também os delitos da esquerda".

Em outras palavras, assume a posição das Forças Armadas que são contra a Comissão, mas como a sabem inevitável, querem a reciprocidade, investigar a esquerda, a oposição e os que integraram a resistência à ditadura.
Esquerda já foi investigada e julgada
O jornal finge esquecer-se que estes já foram julgados. A maioria, apesar de civis, por tribunais militares de exceção e, quando condenados, cumpriram duras penas. Muitos foram torturados, banidos, exilados, assassinados. O jornal quer que sejam investigados e julgados duas vezes?
É o que defendem. Querem nos investigar porque lutamos contra a ditadura. Agora, imagina se nós quiséssemos investigar as Organizações Globo pelo apoio a ditadura!
Ou, por aquela velha denúncia, por muito tempo repetida pelo falecido governador Leonel Brizola, de que o sistema Globo foi montado no pós-golpe militar de 1964 e se tornou esta potência com o apoio - financeiro, inclusive e principalmente - do grupo de comunicação norte-americano Time-Life, o que já era proibido à época pela legislação brasileira.
*****
Sistema é a vanguarda do atraso na mídia
Não é nenhuma novidade esta posição do jornal O Globo hoje, com este seu editorial em que se posiciona ao lado dos militares e contra a criação da Comissão da Verdade para investigação dos crimes da ditadura militar. O jornal sempre se alinhou ao que houve de mais obscurantista, retrógrado e reacionário na história do país.
Esteve, por exemplo, com a velha UDN de guerra e com um de seus líderes, Carlos Lacerda, na oposição a Getúlio Vargas (1950-1954); foi contra os pontos positivos do governo Juscelino Kubitschek (1956-1960); aliou-se à reação e pregou abertamente o golpe militar de 1964 que derrubou o presidente constitucional João Goulart (1961-1964); e foi um entusiasta apoiador dos oito anos de tucanato de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Também a TV Globo, do mesmo grupo e linha editorial do jornal, pelo apoio e sustentação que dava ao regime militar ignorou e boicotou solenemente a campanha das Diretas Já pela volta das eleições para presidente da República.
Um aliado permanente dos reacionários
Só a noticiou quando o movimento se tornou vitorioso e ficaram evidentes os sinais de derrota da ditadura e que ela se aproximava do seu fim. O 1º grande comício da campanha das Diretas Já, por exemplo, de 25 de janeiro de 1984, na Praça da Sé, a TV Globo noticiou como uma festa pelo aniversário de São Paulo. Nenhuma menção ao objetivo da manifestação.
Se alguém quiser ver alguma novidade no editorial de O Globo de hoje, encontrará só o fato de que o jornal abandonou o lema que seguiu durante os 21 anos de ditadura militar, de que "há governo sou a favor". Está contra esta iniciativa do governo Dilma Rousseff, de criar a Comissão da Verdade. Como aliás, todo o tempo foi contra o governo Lula.
Mas, por seu passado e história, não surpreende.

Altamiro Borges: Globo tenta abortar Comissão da Verdade
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sábado, 12 de março de 2011

A ditadura está bem viva

As reações de chefes militares à instalação da Comissão Nacional da Verdade por meio de projeto de lei que o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional são apenas a ponta do iceberg que torna imperativa tal Comissão, ainda que os otimistas perguntem por que devemos revolver um passado que é mais confortável olvidar.

O resgate histórico do período de sombras que vai de 1964 a 1985, com a eleição (indireta) do primeiro civil após 21 anos de ditadura militar, não objetiva tão-somente preservar a memória do passado para evitar que se repita no futuro. Objetiva, sobretudo, combater ameaças contemporâneas.

Por doloroso que seja, é preciso constatar que a ditadura não está morta. Ela vive e paira sobre a nação.

A ditadura vive nas notas ameaçadoras que chefes militares publicam reiteradamente em desafio a presidentes como Lula e, agora, Dilma, comandantes-em-chefe das Forças Armadas. Durante a eleição do ano passado, militares cansaram de fazer ameaças diante da possibilidade de eleição da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, por exemplo.

Mas não é só nos delírios de militares de pijama – e de outros paramentados com fardas sujas de sangue – que a ditadura subsiste.

A ditadura vive nos jovens riquinhos que espancam e discriminam homossexuais na avenida Paulista ou em qualquer outra parte do país.

A ditadura vive nos brancos de classe alta que espancam e discriminam nordestinos negros no Sul e no Sudeste.

A ditadura vive em Mayara Petruzo, a patricinha do interior de São Paulo que pregou que nordestinos e negros não tivessem direito a voto e que fossem assassinados, e nas dezenas de jovens que a apoiaram em redes sociais da internet.

A ditadura vive nos jovens que, através do Twitter, pregaram que a presidenta da República fosse assassinada por um franco-atirador no dia de sua posse.

A ditadura vive nos comentaristas da Globo como Luiz Carlos Prates, que não se conforma com a distribuição de renda que permite que “qualquer miserável” tenha um carro.

A ditadura vive em tantas delegacias de polícia em que a tortura é exatamente a mesma que a usada nos porões da ditadura militar.

A ditadura vive nos que mantém sites de extrema-direita que exaltam  torturadores, estupradores e assassinos e que, não contentes em criar sites como o Ternuma, ainda saem fazendo ameaças contra os que execram o golpe de 1964.

Vejam só, logo abaixo, ameaça que um tal de “General Azevedo”, que se diz ligado ao site de extrema-direita Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), postou ontem neste blog. Vale refletir sobre suas palavras.

—–
General Azevedo
ternuma.com.br/

gazevedo@hotmail.com

189.0.16.176
Enviado em 10/03/2011 às 18:47
Os comunistóides de bosta deste blogezinho de quinta categoria estão bastante alegres e agitadinhos.
O que tenho pra dizer é que continuamos bem alertas. Não duvidem do que somos capazes. Em 1964 quanto tentaram transformar esse país numa imensa Cuba tivemos que mostrar nossa força.
Vão brincado. Uma hora a palhaçada pode acabar mal para toda cambada de energúmenos adoradores das múmias soviéticas e dos dinossauros de Cuba. Não perdem por esperar.
—–

Então: quem continua achando que a ditadura está morta? Mortos não editam blogs e não fazem ameaças, não espancam negros e homossexuais, não fazem comentários fascistas na televisão, meus caros leitores.

A ditadura vive, respira e age. Nas sombras, no mais das vezes. Mas, de quando em quando, sai à luz do sol nas notas de chefes militares, nos atos de violência e em nosso próprio cotidiano, quando, em nosso meio social, ouvimo-lhes ou lhes lemos as idéias hediondas até em grandes meios de comunicação.

Desde o  fim da ditadura que os sucessivos presidentes da República fazem de conta que não vêem militares da ativa e da reserva –  e até parlamentares representantes da extrema direita, como o tal de Jair Bolsonaro – esbofeteando a nação que torturaram por duas décadas e tripudiando de suas vítimas.

A Comissão da Verdade, pois, é imperativa. Só a verdade sobre aquele período de horror permitirá que seja desmascarado em sua completude. Essa Comissão é imperativa para combater a ameaça que seus agentes fazem reiteradamente não só à democracia, mas a mentes jovens que passam a crer em suas mentiras.

O preço da acomodação é vivermos sob liberdade condicional. A própria democracia ainda é mera concessão dos golpistas sobreviventes e dos adeptos dos criminosos de 1964, que continuam envenenando mentes suscetíveis com a “solução” golpista para barrar a justiça social que o povo brasileiro tenta fazer prevalecer através do voto.

Como blogueiro e ativista político, assumo o compromisso de não tergiversar nessa questão. A ditabranda não será reinstalada neste país enquanto pessoas como eu e como os que prestigiam esta página com sua leitura permanecermos vigilantes e dispostos até a ir às ruas em defesa da democracia e do Estado de Direito.

A ditadura está bem viva | Blog da Cidadania
Posted by eduguim on 11/03/11

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quarta-feira, 9 de março de 2011

Comissão da Verdade avança no Congresso

“É uma vergonha para o Brasil ser o único país da América a não punir esses torturadores. O país precisa sair dessa situação constrangedora e limpar esse passado. Estamos no atraso”, declarou Erundina, que quer esse projeto discutido na Comissão da Verdade.

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Comissão da Verdade avança no Congresso

09/03/2011

do Vermelho

Apesar das críticas internas e duras das Forças Armadas, a criação da Comissão Nacional da Verdade já dá seus primeiros passos no Congresso. Contrariando as expectativas, os ministros Nelson Jobim (Defesa) e Maria do Rosário (Direitos Humanos), vistos inicialmente como extremos opostos dessa polêmica, estão atuando juntos.

A Comissão deve ser criada ainda neste ano, com base num projeto de lei enviado pelo Executivo ao Congresso Nacional em 2010. O governo Dilma já está escolhendo parlamentares para atuarem na intermediação desse debate na Câmara.

Uma das indicadas é Luiza Erundina (PSB-SP), nome sugerido por Maria do Rosário. A deputada disse que ainda não foi oficialmente procurada, mas já solicitou a seu partido que seja indicada para integrar a comissão.

Neste ano, Erundina já apresentou projeto que altera o entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a punição para agentes públicos que torturaram na ditadura. Na opinião da parlamentar, a decisão do STF não encerrou o assunto, uma vez que o crime de tortura é inafiançável e insuscetível de graça e anistia.

“É uma vergonha para o Brasil ser o único país da América a não punir esses torturadores. O país precisa sair dessa situação constrangedora e limpar esse passado. Estamos no atraso”, declarou Erundina, que quer esse projeto discutido na Comissão da Verdade.

O deputado Osmar Terra (PMDB-RS), amigo de Jobim, disse que ele mesmo teve a iniciativa de procurar o ministro e se apresentar para colaborar. Sua posição é mais alinhada ao STF.

“Eu me dispus a ajudar e até a integrar a comissão — mas sem revanchismo, sem revisão da anistia. É preciso, sim, esclarecer o que ocorreu, as circunstâncias, onde, e, se possível, permitir às mães dos desaparecidos o direito de enterrarem seus filhos.”

O governo brasileiro ainda tenta mudar a questão do acesso a informações. Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados visa acabar com o sigilo eterno de documentos e também veda o sigilo de documentos que possam tratar de violação a direitos humanos. O país também financia o resgate da memória da sociedade civil.

Se o Brasil deseja avançar na investigação e punição de crimes e no acesso à memória da ditadura militar, é preciso também que a causa tenha maior participação da sociedade. “O sucesso ou fracasso das políticas do governo dependerá fortemente da adesão social a esta pauta”, reconhece um membro do governo, que também aponta que, em países como Argentina e Chile, até agora, houve muito mais participação que no Brasil.

Forças Armadas

Já as Forças Armadas se mostram irritadas com a decisão da presidente Dilma Rousseff de bancar como prioridade a criação da Comissão Nacional da Verdade. O Exército, principal responsável pelas atrocidades que tomaram conta do Brasil entre 1964 e 1985, é o mais interessado na inviabilização do projeto.

Em documento elaborado pelo Comando do Exército e enviado no mês passado a Nelson Jobim, os militares afirmam que a instalação da comissão “provocará tensões e sérias desavenças ao trazer fatos superados à nova discussão”. Segundo a versão do Exército — que tem apoio da Aeronáutica e da Marinha —, a Comissão vai abrir uma “ferida na amálgama nacional” e “promover retaliações políticas”.

A intenção das Forças Armadas é clara: sustentar que a redemocratização do Brasil foi suficiente para superar fatos históricos. “O argumento da reconstrução da História parece tão somente pretender abrir ferida na amálgama nacional, o que não trará benefício, ou, pelo contrário, poderá provocar tensões e sérias desavenças ao trazer fatos superados à nova discussão”, choramingam os militares.

“Passaram-se quase 30 anos do fim do governo chamado militar e muitas pessoas que viveram aquele período já faleceram: testemunhas, documentos e provas praticamente perderam-se no tempo. É improvável chegar-se realmente à verdade dos fatos”, agregam.

Exceção no Cone Sul

A manobra das Forças Armadas visa a manter o Brasil na contramão dos países do Cone Sul. Brasileiros que foram torturadores, assassinos e sequestradores durante a ditadura militar são, hoje, os privilegiados entre seus pares do continente. Os últimos anos têm servido para argentinos, chilenos e uruguaios levarem dezenas de responsáveis por crimes de lesa-humanidade à cadeia.

Nos três países, a Justiça passou a considerar que esses delitos são imprescritíveis, tendo como base tratados internacionais — o que é um alento para o Brasil. Condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos em dezembro do ano passado, devido ao assassinato e desaparecimento de 62 pessoas entre 1972 e 1979, o país irá, mais cedo ou mais tarde, investigar e punir os responsáveis pelos crimes cometidos durante o regime militar.

Por ora, o atraso gritante do Brasil em relação a Argentina, Chile e Uruguai não só nos põe em uma posição de descrédito. A falta de acesso aos arquivos da ditadura brasileira faz também com que sejamos o país do Cone Sul que atravanca as investigações sobre a Operação Condor, colaboração militar entre diversos países sul-americanos, com apoio dos Estados Unidos, para reprimir militantes de esquerda.

“É uma peça que falta para compreender a Operação Condor. Nunca entendemos porque, com governos progressistas, no Brasil se resiste a abrir os arquivos”, diz a jornalista e ativista chilena Mónica González, diretora do Centro de Investigación Periodistica (CIPER).

No Chile, que viveu sob a ditadura de Augusto Pinochet de 1973 a 1990, Neste ano, uma comissão de justiça e verdade chegou à conclusão de que havia mais de 3 mil vítimas de crimes no período. Vítima e parentes das vítimas receberam pensões. Até 2004, contudo, apenas crimes cometidos entre 1979 e 1990 tiveram condenações.

Para os crimes ocorridos entre 1973 e 1979, período mais duro da ditadura, continuava prevalecendo a lei de anistia. “Muitos juízes seguiam sendo pinochetistas, e seguiam mantendo a mesma posição que antes. Continuavam aplicando a anistia sem investigar”, conta a jornalista Mónica González.

Da Redação, com agências

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Folha e ditadura: "Fumei mas não traguei"


O carro da Folha usado pelos torturadores como forma de apoio à ditadura. “Mas, quase toda a grande imprensa apoiou.” Então tá.

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Altamiro Borges:

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Folha e ditadura: "Fumei mas não traguei"

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:
A presença de Dilma na festa (?!) da “Folha” foi o aspecto mais comentado pelos internautas nas observações sobre o aniversário de 90 anos do jornal. Eu estava em Buenos Aires, e lá a notícia foi outra. Numa nota de pé de página, o jornal “La Nacion” trouxe, na terça-feira, informação de que desconfiei a princípio: “Folha” admite que apoiou a ditadura.
Achei que os argentinos não tinham entendido direito o assunto, até porque a nota fazia referência também ao fato de a Folha” chamar a ditadura de “ditabranda”…
Mas leio no blog do Eduardo Guimarães que a “Folha” admitiu mesmo o apoio à ditadura.
Admitiu daquele jeito dela. Disse que apoiou o golpe (mas, veja bem, quase toda grande imprensa apoiou)… Disse que carros do jornal “teriam” sido usados por agentes da repressão (mas, veja bem, “a direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins”).
A “Folha” lembrou-me um pouco o Bill Clinton, ao ser pergunatdo se tinha experimentado maconha na juventude: “sim, fumei, mas não traguei”. Ou, pra ser mais escrachado, a “Folha” lembrou-me da frase do roqueiro Lobão, que meus filhos adolescentes adoram citar: “peidei, mas não fui eu”.
Melhor não dizer mais nada. Fiquem com a narrativa “oficial” publicada pelo jornal.
*****
A Folha apoiou o golpe militar de 1964, como praticamente toda a grande imprensa brasileira. Não participou da conspiração contra o presidente João Goulart, como fez o “Estado”, mas apoiou editorialmente a ditadura, limitando-se a veicular críticas raras e pontuais.
Confrontado por manifestações de rua e pela deflagração de guerrilhas urbanas, o regime endureceu ainda mais em dezembro de 1968, com a decretação do AI-5. O jornal submeteu-se à censura, acatando as proibições, ao contrário do que fizeram o “Estado”, a revista “Veja” e o carioca “Jornal do Brasil”, que não aceitaram a imposição e enfrentaram a censura prévia, denunciando com artifícios editoriais a ação dos censores.
As tensões características dos chamados “anos de chumbo” marcaram esta fase do Grupo Folha. A partir de 1969, a “Folha da Tarde” alinhou-se ao esquema de repressão à luta armada, publicando manchetes que exaltavam as operações militares.
A entrega da Redação da “Folha da Tarde” a jornalistas entusiasmados com a linha dura militar (vários deles eram policiais) foi uma reação da empresa à atuação clandestina, na Redação, de militantes da ALN (Ação Libertadora Nacional), de Carlos Marighella, um dos ‘terroristas’ mais procurados do país, morto em São Paulo no final de 1969.
Em 1971, a ALN incendiou três veículos do jornal e ameaçou assassinar seus proprietários. Os atentados seriam uma reação ao apoio da “Folha da Tarde” à repressão contra a luta armada.
Segundo relato depois divulgado por militantes presos na época, caminhonetes de entrega do jornal teriam sido usados por agentes da repressão, para acompanhar sob disfarce a movimentação de guerrilheiros. A direção da Folha sempre negou ter conhecimento do uso de seus carros para tais fins.

Altamiro Borges: Folha e ditadura: "Fumei mas não traguei"

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Filhos do “seu” Frias tentam se re-inventar. Fingem que não apoiaram o Golpe

Publicado em 22/02/2011 Militantes põem fogo em camionete da Folha que servia aos torturadores

“Seu Frias”, combatente de 1932, contra Vargas e a favor de Secessão

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Ligo para o Vasco, navegador de longo curso, que tinha acabado de aportar, ainda sem saber se o que balançava era a embarcação ou ele próprio.
- Vasco, e a festa da Folha ?
- Bem que a Dilma poderia ter recusado o convite do Palocci.
- Você quer dizer “Tony” Palocci, corrijo.
- Sim, tudo bem. Você chama ele como quiser, mas não muda a essência dele. Vamos lá. Ela poderia dizer ao Palocci que não tinha engolido a ficha falsa. 
- Mas, Vasco, não seja irresponsável. Quem disse que o Tony foi o portador do convite ?
- Uma baleia que cruzou com o meu barco, ali na Taprobana.
- Mas, ela não tinha condição de dizer que não ia … que iria como Chefe de Estado …
- Prossiga, meu filho. Tenho mais o que fazer.
- Mas, e o que você acha desse beija-mão dos filhos do “seu Frias”, dessa bajulação à perigosa guerrilheira ? Não foram eles que recorreram à Justiça para saber se a Dilma tinha matado o John Kennedy ?
- Meu filho, eles pensam que são tão espertos quanto o pai.
- É, não são …
- Como os filhos do Roberto Marinho, como o Roberto Civita … eles envergonhariam o pai …
- Mas, por que pensam que são tão espertos quanto o pai ?
- Porque o “seu” Frias apoiou o regime militar de uma forma mais suja que até o Roberto Marinho.
- Como assim ?
- O Roberto Marinho apoiou no jornal nacional, nos editoriais que o Jorge Serpa escrevia no Globo. Ele não entrou na cova do leão.
- E o “seu” Frias, ele entrou na cova da OBAN ?
- O “seu Frias” emprestava os carros à OBAN, o “seu” Frias noticiava a morte em combate de militantes mortos pelos criminosos pelo regime militar … aquelas coisas todas.
- Mas ele noticiava mentiras ?, me fiz de incrédulo …
- Ele dava a notícia que correspondia à desculpa que os torturadores precisavam ter … Se quer chamar de mentira, pode chamar. Mas, é pior do que mentira. É crime.
- E, aí, como é que ele se re-inventou ?
- Aí, ele viu que ia afundar com os militares e aderiu às Diretas Já.
- Aderiu, como ?
- Contratou o Fernando Henrique e o Serra …
- Com “c”, por favor, interrompi. Padim Pade Cerra.
- Com “c” ou com cedilha. Contratou os esquerdinhas para fazer umas pesquisas de marketing.
- Mas isso não reinventa ninguém. Marketing por marketing o Gonzalez elegia o Cerra – com “c” !
- Não, aí ele contratou uns jornalistas sérios, de reputação ilibada. Até uns comunas.
- E enganou alguém ?
- Enganou os trouxas de São Paulo, que começaram a achar que a Folha tinha virado um jornal liberal, independente.
- E o “seu” Frias ?
- Chamava o Maluf pra conversar e morria de rir.
- E os filhos ?
- Agora, meu filho, a vaca foi pro brejo … Ainda se diz isso ?
-Não importa, Vasco, prossiga. Tenho mais o que fazer, respondi na mesma moeda.
- Agora, meu filho, a Folha não vale dez mil réis, quer dizer, Reais.
- Vale, sim, o que é isso, Vasco ? Vale muito, resolvi refutá-lo.
- Vale ? Você iria ao BNDES pedir dinheiro emprestado para comprar a Folha ?
- Nem a pau. E olha que o BNDES deu dinheiro para a BrOi …
- É melhor comprar o meu barco. Pelo menos esse flutua.
Pano rápido.
Paulo Henrique Amorim

Outro ângulo da reação à cumplicidade da Folha com os torturadores

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Filhos do “seu” Frias tentam se re-inventar. Fingem que não apoiaram o Golpe | Conversa Afiada

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Rosário começa a enfrentar Johnbim

Conversa Afiada

Na foto, à esquerda, a “viva” do Johnbim

Saiu no Globo, pág 4:
“Rosário critica Defesa (Johnbim) por ir à Justiça para achar desaparecidos políticos.”
“Polícia Federal diz não ser sua função participar desse tipo de investigação.”
“A Ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, criticou duramente a iniciativa do Ministério da Defesa (Johnbim) de recorrer à Justiça Federal e pedir uma investigação para tentar localizar cinco desaparecidos políticos que supostamente podem estar vivos.”
A Polícia Federal também se negou a participar da operação.
Disse Maria do Rosário:
“Informações ajudam, especulações, não. É preciso respeitar as famílias … na Secretaria trabalhamos com a convicção de que 136 desaparecidos (incluídos os cinco da lista do Johnbim – PHA) foram executados e tiveram seus corpos subtraídos.”

NAVALHA

Navalha

O que está por trás da decisão de Nelson Johnbim de ir buscar na Justiça os cinco “vivos” ?

Demonstrar que havia cinco traíras no meio dos militantes.

Os cinco traíras, “vivos” e no bem-bom, aceitaram uma nova identidade e deixaram os velhos companheiros para trás.

É para desmoralizar o movimento de resistência ao governo militar (o Conversa Afiada evita a palavra “ditadura”, que, no Brasil e só no Brasil, foi banalizada).

Resistência de que participou a presidenta Dilma Rousseff, pelo que foi torturada por torturadores que a Lei da Anistia perdoou.

Uma das “vivas” do Johnbim “teria sido vista” durante a visita do Papa João Paulo II ao Rio, em 1980.

Aproximadamente 400 milhões de pessoas foram vistas na passagem do Papa pelo Rio, em 1980.

Portanto, era facílimo identificar um “vivo” na escassa aglomeração.

Amigo navegante, o que o Johnbim faz nesse Governo ?

Clique aqui para ler “Com a Rosário, o Johnbim não vai c… e andar”.
Paulo Henrique Amorim

Rosário começa a enfrentar Johnbim | Conversa Afiada

sábado, 15 de janeiro de 2011

Livro acusa Tuma de acobertar crimes da ditadura

Rede Brasil Atual
Secretaria de Direitos Humanos lança "Habeas Corpus - Que se apresente o corpo", sobre 184 casos de desaparecidos políticos

Por: Marina Amaral, jornal Brasil Atual
Publicado em 12/01/2011, 16:35
Última atualização em 14/01/2011, 10:34

Livro acusa Tuma de acobertar crimes da ditadura
Capa do livro "Habeas Corpus – Que se apresente o corpo" (Foto: Divulgação)

São Paulo – Recém-lançado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH), o livro “Habeas Corpus – Que se apresente o corpo”, organizado pelo jornalista Carlos Azevedo, traz pistas importantes para desvendar 184 casos de desaparecidos políticos e facilitar a busca dos cadáveres ocultos pela ditadura. Ao desnudar a “operação limpeza” que apagava os vestígios das mortes decorrentes de tortura em órgãos como os DOI/Codi, do Exército, o livro aponta o papel do DOPS e de seu chefe e diretor de 1966 a 1983, o falecido senador Romeu Tuma, na produção de atestados de óbito com nomes falsos, na simulação de “suicídios” e “tiroteios” em inquéritos, na ocultação dos fatos que levaram à morte de dezenas de desaparecidos e no sumiço de seus corpos, prova material do crime.

“Desde a entrega dos arquivos do DOPS ao governo de São Paulo, em 1991, sabíamos que Tuma era o agente de ocultação dos corpos da ditadura militar, mas o livro da Secretaria de Direitos Humanos é essencial porque oficializa as acusações e traz novas revelações”, diz Suzana Lisboa, do Comitê dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos Políticos. 

Os familiares dos desaparecidos foram percebendo a importância do papel desempenhado por Tuma durante as longas buscas pelos corpos e pelas histórias dos desaparecidos, como aconteceu com Suzana. Em 1979, ao descobrir a localização da ossada do marido Luiz Eurico Tejera Lisboa, desaparecido em 1972 e enterrado sob o falso nome de Nelson Bueno, ela entrou com um processo para retificar o registro de óbito do marido. Em 1980, o juiz pediu ao DOPS que localizasse cartas endereçadas a Luiz Eurico – com o nome verdadeiro ou “frio” – que haviam sido apreendidas com ele quando foi detido, em setembro de 1972. “Tuma respondeu que não constava nenhum documento em nome de Nelson Bueno nem de Luiz Eurico.”

Não era verdade. Suzana descobriria, ao ter acesso aos arquivos, papéis do próprio DOPS que informavam a morte de Nelson Bueno. Ele teria se ‘suicidado’ em uma pensão na Liberdade, em São Paulo, dizia o relatório “Retorno dos exilados”, de 1978, documento que se tornaria conhecido como o “listão do Tuma”. “Eles fizeram o documento para se preparar para a anistia e junto aos nomes dos alvos da ditadura havia anotações dizendo onde estavam. No caso de Luiz Eurico estava escrito ‘morreu em setembro de 1972’. Ou seja, Tuma mentiu para o juiz”, diz Suzana.


Novas acusações

O livro “Habeas Corpus” mostra a atuação de Tuma na ocultação de homicídios sob tortura e no falseamento de informações que poderiam levar à localização de corpos de desaparecidos em vários casos, entre eles o de Flávio de Carvalho Molina, Ruy Berbert, Márcio Beck e de Maria Augusta Thomaz – os dois últimos presos em Goiás. E traz pistas sobre a atuação do delegado na ocultação de cadáveres também fora do Estado de São Paulo. 

“O DOPS documentava os casos de maneira a ocultar a verdadeira razão da morte e impossibilitar a localização dos restos mortais das vítimas”, confirmam os procuradores do Ministério Público Federal Eugenia Gonzaga e Marlon Weichert, que em novembro de 2009 entraram com uma ação civil pública para responsabilizar as autoridades “que contribuíram para a ocultação desses cadáveres, impedindo seu funeral e enterro por familiares e amigos, e promover a verdade no interesse de toda a sociedade brasileira”. Romeu Tuma, assim como Harry Shibata, o legista do Instituto Médico Legal (IML) que corroborava a versão do DOPS para os assassinatos com a confecção de laudos falsos, estão entre os réus da ação, que prossegue mesmo com a morte dele.

As histórias dos desaparecidos, e de seus algozes, consolidadas no livro da SEDH – são resultado da atuação do Ministério Público Federal e do Grupo de Trabalho Tocantins (GTT) do Ministério da Defesa, que busca os corpos de 70 desaparecidos no Araguaia.

A futura Comissão Nacional da Verdade – que depende da aprovação do Legislativo – terá material para restaurar a responsabilidade dos fatos ocorridos nesse período, ainda hoje traumático. As revelações mais importantes do livro também servirão de pauta para novas reportagens que serão publicadas em nosso site. Acompanhe.

Livro acusa Tuma de acobertar crimes da ditadura — Rede Brasil Atual

domingo, 9 de janeiro de 2011

Jobim defende Comissão da Verdade

Será? Segundo o Wikileaks, ele entregou ao Embaixador  norte-americano seus co-legas, ministros de Lula , que tinham um conceito mais soberano e independente sobre as relações do Brasil com os EUA. Revelou confidências de Lula sobre Evo Morales. Em 2010 alimentou a crise criada pelo PIG sobre o Plano Nacional de Direitos Humanos (versão 3) que defendia a Comissão da Verdade sobre as torturas, mortes e desaparecimentos causados pelo regime militar. Esperava-se que ele sequer estivesse no governo de Dilma. Por algum motivo, está. Agora, esperamos que ele não a atrapalhe.

Viomundo – O que você não vê na mídia
7 de janeiro de 2011 às 18:36

Blog do Planalto: Jobim defende Comissão da Verdade

Sexta-feira, 7 de janeiro de 2011 às 10:02
Comissão Nacional da Verdade tem apoio do Ministério da Defesa
do blog do Planalto
O ministro Nelson Jobim (Defesa) afirmou, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro desta sexta-feira (7/1) – a primeira edição do ano – ser favorável à instalação da Comissão Nacional da Verdade para investigar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, e disse que não há divergência entre ele e Maria do Rosário, ministra dos Direitos Humanos. “Não há nenhuma divergência com a ministra de Direitos Humanos, ela conhece bem o projeto e nós temos uma excelente relação”, disse Jobim, destacando ter ido à posse de Maria do Rosário no cargo.

Em maio de 2010 um projeto de lei que cria a Comissão foi enviada ao Congresso Nacional pelo então presidente Lula, mas ainda não foi votado. Segundo o ministro, a Comissão Nacional da Verdade tem que ser usada para o País conhecer os fatos, não para ser um instrumento de retaliação. “Vamos aguardar o debate no Congresso, para a elaboração e criação da Comissão Nacional da Verdade, para depois desenvolver a ela relativas”, afirmou.

Atualmente, disse Jobim, o Brasil tem apenas um grupo de trabalho do Araguaia, sendo feita pelo Ministério da Defesa, cumprindo determinação da Advocacia-Geral da União (AGU). O grupo já está trabalhando há dois anos na busca dos corpos dos desaparecidos na região durante a ditadura militar (1964-1985).

A entrevista com o ministro Jobim também abordou outros temas importantes, como a Estratégia Nacional de Defesa e sua contribuição para o desenvolvimento do País, a importância da proteção das fronteiras nacionais, principalmente na Amazônia e a aviação civil brasileira. Ele conversou com os jornalistas durante quase uma hora, falando sobre a necessidade de fortalecimento do programa Calha Norte, que está completando 25 anos, e a transferência do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) da Casa Civil para a Defesa. O ministro explicou ainda as medidas adotadas em sua gestão durante o governo Lula para a aviação civil, que segundo ele servirão de base para os novos projetos a partir de 2011. Outro assunto abordado foi a atuação da Força de Pacificação para a manutenção da segurança pública nos Complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, e o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, assinaram em dezembro acordo que autorizou o início dos trabalhos e definiu as regras de implementação da Força de Pacificação (FPaz) no complexo Penha-Alemão. Constituída pelo Exército e pelas polícias Civil e Militar, a Força atua para garantir a lei e a ordem na área abrangida pelo complexo.

Jobim comentou também o convite que fez ao ex-deputado e ex-presidente nacional do PT, José Genoíno, para assessorá-lo no Ministério da Defesa. Segundo o ministro, José Genoíno teve uma atuação destacada no Congresso e ajudou muito no debate sobre a Defesa nacional. Jobim disse que Genoíno ainda na respondeu ao convite e que o martelo deve ser batido em fevereiro.

Sobre a compra de novos aviões caça para a Força Aérea Brasileira (FAB), Nelson Jobim disse que o assunto deverá estar resolvido no primeiro semestre deste ano, lembrando que os atuais aviões em atuação no Brasil (Mirage 2000) terão seus ciclos de vida expirando em 2016. Brasil abriu concorrência internacional para comprar 36 caças e estão na disputa os modelos Gripen (Suécia), F-18 (Estados Unidos) e Rafale (França).

Agora a Folha acha a ditadura uma vergonha

Blog do Miro
sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Depois de ter cedido à ditadura militar peruas para o transporte de presos políticos à tortura, depois de ter servido de porta-voz dos golpistas de 1964, depois de ter qualificado em 2009 a ditadura militar como “ditabranda”, a Folha mudou de opinião: a ditadura foi uma vergonha. Para a Folha, Dilma deveria ter cortado a cabeça do General José Élito, seu ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional) que declarou que os desaparecidos políticos não são motivo para vergonha. Ele deve achar que houve uma ditabranda no país. A Folha abandonou o ex-colega só para dizer que o Governo Dilma tem uma nova crise.
Blog do Miro

Folha, a crise militar e o Cabo Anselmo

Por Altamiro Borges
De repente, não mais que de repente, a famiglia Frias resolveu levar os militares, que patrocinaram golpe de 1964 e a sanguinária ditadura, ao banco dos réus. Logo ela que usou o jornal Folha para clamar pelo golpe, que cedeu suas peruas para o transporte de presos políticos à tortura e que se aliou ao setor “linha dura” dos generais. Logo ela que, no início de 2009, gerou atos de protesto ao qualificar a ditadura de “ditabranda”. Logo ela que fez coro com a direita das Forças Armadas e com outros setores fascistóides da sociedade contra o Plano Nacional de Direitos Humanos, satanizando o ex-ministro Paulo Vanucchi.
O que deflagrou esta estranha conversão foi a declaração abominável e repugnante do general José Elito Carvalho, que acaba de assumir o posto de chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República. Na sua posse, o militar afirmou que “não há motivo para vergonha no fato de o país ter desaparecidos políticos”. Dilma Rousseff, que foi presa e torturada e que perdeu vários companheiros nas masmorras da ditadura – homenageados por ela em seu discurso de posse –, não gostou do que ouviu do seu subordinado e, segundo a própria mídia, deu-lhe uma dura. O general teve que morder a língua e pedir desculpas.
A “indecente” atuação na ditadura
Mas a convertida ou travestida Folha agora não se dá por satisfeita. Ela quer sangue. Quer a imediata exoneração do milico. O seu colunista Clóvis Rossi, que teve um papel de relevo na luta pela redemocratização do país, aproveitou o episódio para já fustigar o novo governo. “Começa muito mal a gestão Dilma Rousseff: deveria ter demitido no ato o general José Elito Carvalho... O general produziu a mais indecente declaração que ouvi até hoje em 40 anos”. Será que Clóvis Rossi, membro do conselho editorial da Folha que mantém íntimas relações com os donos da empresa, consultou a famiglia sobre sua “indecente” atuação na ditadura?
Para manter o fogo aceso, o jornal também revelou que o “general José Elito Carvalho Siqueira, 64, novo ministro-chefe do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), graduou-se na mesma época e na mesma brigada de paraquedistas que combateu a Guerrilha do Araguaia (1972-1975)... Procurado pela Folha, Elito não esclareceu se atuou ou não no combate à guerrilha. O currículo de Elito divulgado pelo GSI omite a data da passagem do oficial pela brigada que combateu no Araguaia”. A reportagem não comprova se ele participou da bárbara repressão aos guerrilheiros, mas também faz escarcéu contra a sua nomeação.
A insanidade da famiglia Frias
É preciso ficar esperto diante desta estranha conversão da famiglia Frias. As verdadeiras forças democráticas da nação repudiam as declarações asquerosas do general José Elito e, caso seja comprovada sua participação nos assassinatos no Araguaia, deveriam exigir sua exonerado. Os militares, que bateram continência para a Dilma Rousseff no dia da sua posse – num gesto emocionante e impensável há algum tempo atrás – devem obediência à presidenta eleita democraticamente. A ditadura foi derrotada e seus crimes devem ser reparados. Daí a urgência da criação da Comissão da Verdade, reafirmada pela nova ministra dos Direitos Humanos.
Mas as verdadeiras forças democráticas da nação não devem ser ingênuas. A Folha não dá ponto sem nó. Ela nunca se preocupou com os presos, mortos e desaparecidos na ditadura. Quando José Serra, seu candidato, se aliou aos generais de pijama do Clube Militar, ela não se mostrou tão indignada com a cena “indecente”. A Folha é um partido da direita. Ela fez de tudo para sangrar o governo Lula e fará o mesmo com Dilma. Nesta insanidade, pode apostar, inclusive, na eclosão de uma crise militar logo no início do novo governo. É bom nunca se esquecer do Cabo Anselmo, o agente infiltrado da CIA, que preparou o clima do golpe de 1964 com suas provocações na área militar.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Santayana: general, temos, sim, do que nos envergonhar

Conversa Afiada

Se o general Elito pensa o que disse não devia aceitar o cargo

O Conversa Afiada reproduz artigo de Mauro Santayana publicado no Jornal do Brasil:

O general e a História

Se o general  José Elito Siqueira disse o que lhe foi atribuído, cometeu erro político irreparável e juízo equivocado sobre a História. O erro político foi tocar em assunto delicado e constrangedor, em qualquer governo democrático, e não só no de Dilma Rousseff: o dos desaparecidos durante o regime militar. Se assim pensava, não deveria ter aceitado o cargo.
Temos, sim, por que nos envergonhar do que ocorreu em 1964 e em todos os anos que se seguiram. Todos, militares e civis, sacerdotes e ateus, mulheres e homens, de esquerda e de direita, do governo e da oposição, que vivemos aquele tempo, temos, uns menos, outros mais, culpa pela supressão dos ritos democráticos.
Como diriam os anarquistas, não houve inocentes, e, se os houve, eles também cometeram o pecado do conformismo. Responsáveis foram dirigentes políticos de esquerda, que avaliaram mal a correlação de forças e pretenderam queimar etapas, ainda que o fizessem com os melhores sentimentos humanos, como os da igualdade e da liberdade.
A História costuma ser implacável contra os que violam seu ritmo e suas razões. Responsáveis, e com muito maior dolo, foram os que se aliaram aos estrangeiros, esquecendo os nossos interesses nacionais e os nossos valores, e se uniram aos Estados Unidos no confronto da Guerra Fria, com o argumento de que as fronteiras eram ideológicas e não geográficas.
As nossas razões eram as de não tomar partido algum na disputa entre os brancos nórdicos, e muitos brasileiros, em nome dos ideais de justiça e igualdade, defendiam – mesmo depois do relatório Khruschev contra Stalin – a política externa russa. Devíamos ter tido posição mais ativa no Grupo dos Não Alinhados. Isso não nos impediria de continuar fazendo negócios com Moscou e com Washington, como, aliás, americanos e soviéticos sempre fizeram entre eles.
Temos, sim, que nos envergonhar. Também foram responsáveis os que aplaudiam, nos estádios, o general presidente, enquanto nas masmorras, jovens e velhos, mulheres e homens, intelectuais, como Mário Alves, jornalistas, como Vladmir Herzog, e operários, como Manuel Filho, eram torturados e trucidados. Lembro-me do que me disse dom Paulo Arns, sobre aquele tempo. Contou-me que, ao visitar, em São Paulo, as presas políticas, depois de ouvi-las, queixou-se ao diretor do presídio. Ele se desculpou, dizendo que elas exageravam, e que devia descontar uns 50% em suas queixas. Dom Paulo lhe disse, então, que se apenas 5% do que se queixavam fossem verdade, todos os culpados pelo que elas sofriam, incluídos ele e o interlocutor, deviam ser condenados ao inferno. Responsáveis foram os veículos de comunicação que não só aplaudiram a repressão como com ela colaboraram e apoiaram o sistema autoritário, durante o período mais sangrento daquelas duas décadas.
Anistia, voltamos a lembrar, é esquecimento. Mas não podemos negar aos que perderam os seus filhos, pais e irmãos, naqueles anos pesados, o direito de saber onde foram sepultados, e as circunstâncias de sua morte. É da cultura de todos os povos o respeito e a veneração aos mortos. Assim é de seu direito resgatar seus restos e lhes dar sepultura, a fim de a eles levar as lágrimas da saudade.
Temos, sim, que nos envergonhar, e muito, todos os que vivemos aquele tempo. Não fizemos o bastante para evitar que homens como Manuel Fiel Filho e Vladmir Herzog fossem mortos, da forma como foram, sem nem mesmo o direito à honra do combate.
É hora de venerar os heróis que combateram de peito aberto os inimigos em Guararapes, como lutou e morreu Marcílio Dias, na Batalha do Riachuelo, e como pelejaram os heróis da FEB na Itália, mas, acima de todos, Caxias, o grande pacificador nos desencontros internos, que, uma vez vitorioso, recomendava a imediata anistia política aos revoltosos.

Santayana: general, temos, sim, do que nos envergonhar | Conversa Afiada

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Presidenta chama general às falas

Conversa Afiada

Dilma poderia chamar a Bachelet para o lugar do Johnbim

Saiu na Folha (*), primeira página:
“Presidente cobra ministro militar sobre declaração.”
Dilma chamou o general do Gabinete de Segurança Institucional, general Elito, para dar explicações sobre declaração na posse de que os desaparecidos são “fato histórico” de que não devemos “nos envergonhar”.
O general botou a culpa na imprensa.

NAVALHA

Navalha

A presidente lê, no momento, segundo a Folha (*), o livro “Bachelet em Tierra de los Hombres”.

É a biografia da presidenta do Chile, Michelle Bachelet.

Ela foi Ministra da Defesa, enquadrou os “hombres”, os generais Elito, elegeu-se presidenta e saiu do Governo com 84% de aprovação popular.

Quando for substituir (breve, espera-se) o Nelson Johnbim, que permitiu que a turma de 2010 da Academia de Agulhas Negras se chamasse “Turma Emilio Garrastazu Médici”, bem que a Presidenta poderia nomear uma mulher .

Foi uma sugestão inútil deste ordinário blogueiro.

Portanto, tendo o dito pelo não dito (a culpa é da imprensa), quem fala pela presidenta é a Maria do Rosário.

Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Presidenta chama general às falas | Conversa Afiada

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Dilma, a guerrilheira, via além das 200 milhas

Conversa Afiada

Rose deu muita gargalhada

O programa Entrevista Record, da Record News, que vai ao ar hoje às 21h15, exibe uma entrevista com a Ministra Tereza Campello, do Desenvolvimento Social.
Ela vai cuidar do Bolsa Família e estará à frente do maior desafio que a Presidenta Dilma Rousseff se propôs: erradicar a miséria.
Um aspecto importante da entrevista foi a observação de que o Bolsa Família é um complemento de renda e parte de um conjunto de programas com o mesmo objetivo: combater a miséria.
Dois desses programas, que se articulam, são o Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – e o Microcrédito.
Hoje, por exemplo, o Crediamigo, do Banco do Nordeste, tem 730 mil clientes ativos.
Desses, 260 mil são beneficiários do Bolsa Família.
O que é muito pouco, mas é um dos caminhos que a Ministra Campello perseguirá.
O foco será a região do semi-árido do Nordeste, onde uma parte da população já tem acesso à terra e pode se candidatar ao Pronaf e ao Microcrédito.
Outra entrevista deste ordinário blogueiro foi com a jornalista Rose Nogueira, Presidente do “Tortura Nunca Mais”, de São Paulo.
Rose e outras 11 mulheres receberam convite da Presidenta Dilma para assistir à posse.
As 11 pagaram o avião e o hotel em Brasília.
As 11 estiveram com a Presidenta no Presídio Tiradentes, em São Paulo.
Rose ficou presa 9 meses e, na tortura, perdeu a capacidade de ser mãe.
Por 5 meses, Rose conviveu na cadeia com a companheira Dilma, também torturada.
É claro que elas falavam sobre o que chamavam de “mundão”, o mundo lá fora.
E, às vezes, discutiam as notícias que recebiam de forma precária e irregular.
Um dia, souberam que o regime militar tinha ampliado a soberania do Brasil de 12 para 200 milhas mar adentro.
Estabeleceu-se uma polêmica.
Todas foram contra.
Suspeitavam de mais uma armadilha dos militares.
Depois que todas falaram, Dilma sentenciou: “um dia, nós vamos sair daqui e ter 200 milhas é melhor do que 12″.
Este ordinário blogueiro perguntou a Rose se ela tinha chorado quando a Presidenta disse que não se arrependia da opção política que fez na juventude.
Rose respondeu: “Eu chorei o discurso inteiro”.
E vocês 11, o que se diziam, o que comentavam ?, perguntei.
- Nós davamos muitas gargalhadas, respondeu Rose.
Paulo Henrique Amorim

Dilma, a guerrilheira, via além das 200 milhas | Conversa Afiada

Quem fala pela presidenta: general ou Maria do Rosário ?

Conversa Afiada

O general Elito não tem vergonha do “fato histórico”

Saiu na capa da Folha (*):

“Desaparecidos não são vergonha, diz general.”
“Os desaparecidos são um ‘fato histórico’, do qual não temos que nos envergonhar ou nos vangloriar, afirmou em discurso o general José Elito Siqueira” – ele assumiu a chefia do Gabinete de Segurança Institucional da ABIN.

NavalhaNAVALHA

Quem fala pela Presidenta Dilma ?
Ontem, na posse, Maria do Rosário enfrentou Nelson Johnbim e disse que vai até o fundo da Comissão da Verdade.
Como se sabe, a resistência à revisão da Lei da Anistia foi comandada por Nelson Johnbim, aquele que é (protegido) pelo embaixador americano .
Johnbim é o Ministro da Defesa que aceita que a turma que se formou em 2010 na Academia Militar de Agulhas Negras seja a “Turma Emilio Garrastazu Médici”.
Dizem que a presidenta Dilma reuniu todos os ministros da área econômica, mais o presidente do Banco Central, e disse que não quer divergência pública sobre a política econômica.
Seria interessante saber quem fala pela presidenta: se Rosário ou se o general que trabalhou com Fernando Henrique e por ele foi promovido.
O Conversa Afiada teme que armem uma cama de gato para a presidenta.
O Diretor Geral da Policia federal tentou impedir a Operação Satiagraha que por duas vezes prendeu o passador de bola no ato de passar bola.
O chefe dele, o Ministro da Justiça, trabalhou para Dantas, na qualidade de deputado.
O general da GSI está mais para Nelson Johnbim do que para Rosário.
A presidenta disse duas vezes na posse que se orgulha de ter enfrentado o regime militar na luta clandestina.
Quem hoje fala por ela ?

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que avacalha o Presidente Lula por causa de um  comercial de TV; que publica artigo sórdido de ex-militante do PT; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Quem fala pela presidenta: general ou Maria do Rosário ? | Conversa Afiada

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Dilma vai protestar contra Guantánamo, cadeias secretas e “rendition”

Viomundo - O que você não vê na mídia

Caros leitores, a manchete foi escrita a partir do que depreendi da leitura da reportagem abaixo, publicada no Valor Econômico. Nunca se sabe se o jornal foi fiel aos fatos ou não.

Todos devemos defender os Direitos Humanos, mas não apenas em Cuba e no Sudão, também na China e nos Estados Unidos.

Esperemos, por exemplo, que o governo Dilma condene o abrigo dado pelos Estados Unidos ao terrorista Luis Posada Carriles, que derrubou um avião civil de Cuba.

Ou que condene Guantánamo. Ou que condene as cadeias secretas, das quais pouco sabemos, mantidas pelos Estados Unidos em várias partes do mundo. Ou a chamada “extraordinary rendition”, o sequestro de suspeitos de terrorismo entregues em seguida a países que torturam. Ou as execuções sumárias na China. Ou a censura à internet na China.

Meu ponto é que, em geral, quanto se trata de Direitos Humanos os “condenados” são sempre os mais fracos. Por que? Será que a defesa dos Direitos Humanos é instrumentalizada na política internacional?

Brasil muda conduta em Direitos Humanos

Valor Econômico – 03/01/2011

Sergio Leo

O Brasil deve mudar a maneira de tratar países acusados de violação dos direitos humanos, passando a discutir caso a caso. Esta é uma determinação da presidente Dilma Roussef, na sua primeira mudança na política externa brasileira. Ela avisou ao Ministério das Relações Exteriores que não quer que restem dúvidas sobre a defesa feita pelo país em matéria de direitos humanos em fóruns internacionais.

A preocupação manifestada pela presidente Dilma Rousseff, ainda antes da posse, com o destino da iraniana Sakineh Ashtani condenada à morte no Irã por acusação de assassinato, foi um sinal da primeira mudança que ela determinou à política externa brasileira. Dilma avisou o Itamaraty que não quer dúvidas sobre a defesa feita pelo país em matéria de direitos humanos, em fóruns internacionais. Diplomatas informaram ao Valor que o Brasil deve mudar a maneira de tratar países acusados de violação dos direitos humanos, passando a discutir caso a caso.

O primeiro teste da nova orientação pode ocorrer em março, quando começa a reunião do Conselho de Direitos Humanos em que todas as resoluções, inclusive as contrárias aos iranianos, serão apresentadas. Até recentemente, a diplomacia preferia o que chama de tratamento “horizontal”, e optava pela abstenção em votações relativas a direitos humanos, a não ser em casos excepcionais, de flagrante violação desses direitos.

Outra mudança na gestão Dilma, a ênfase na aproximação com a China, ganhou novo capítulo em 31 de dezembro, quando a ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira teve longa reunião com uma delegação chinesa. Além de entregar ao Itamaraty uma carta do primeiro-ministro Hu Jintao a Dilma, a delegação negociou um acordo de cooperação em recursos hídricos que deverá ser assinado por Dilma em Xangai, em abril, durante a reunião dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). O acordo deve facilitar investimentos de empresas brasileiras e chinesas nos dois países, em saneamento e hidroeletrecidade, e permitir troca de tecnologia. Não está claro como a aproximação em termos econômicos será conciliada com a postura mais ativa de defesa de direitos humanos, terreno em que a China com frequência se vê alvo de acusações, gerando atritos com parceiros como os Estados Unidos.

Tradicionalmente, na discussão sobre direitos humanos, o Itamaraty argumentava ser necessário evitar o uso político da condenação, que, na prática, singulariza alguns países de menor poder nos fóruns mundiais e, em muitos casos, leva o governo condenado a afastar-se da comunidade internacional, agravando as ameaças para os cidadãos do país afetado. Mesmo assim, segundo relato levado pelo Itamaraty a Dilma, após as críticas da presidente à abstenção brasileira na votação sobre o Irã, em 98% dos casos onde houve condenação no conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, o Brasil votou pela condenação. Absteve-se em casos como Cuba e Irã, e, nesse último, um dos problemas foi a maneira apressada com que o caso foi levado a votação.

Dilma ouviu as explicações mas não se mostrou satisfeita. “Não podemos deixar margem para ambiguidade nessa questão”, disse. A atuação mais explícita em defesa dos direitos humanos foi uma das principais tarefas a ocupar o novo ministro de Relações Exteriores, Antônio Patriota, que, antes mesmo de tomar posse, discutiu o tema com o assessor internacional Marco Aurélio Garcia e com a embaixadora do Brasil em Genebra para assuntos não econômicos, Maria Nazaré Farani Azevedo.

Em reconhecimento ao papel mediador exercido pelo Brasil no Conselho de Direitos Humanos, a embaixadora foi escolhida como “facilitadora” nas negociações que serão abertas dentro do Conselho para revisão dos métodos usados para tratar de “situações específicas”. Ela já recebeu instruções de Brasília para, como definiu um diplomata, adotar um “novo nuance” nos procedimentos do Brasil no Conselho. Já se prevê no Itamaraty maior pressão sobre os diplomatas brasileiros em Genebra, obrigados a tratar detalhamente de cada caso. Mas as mudanças no próprio Conselho dão oportunidade à diplomacia para definir processos mais transparentes e “inclusivos”, sem discriminar países, para que todos os casos de violação de direitos humanos sejam tratados pelos governos nas Nações Unidas.

A diplomata encarregada do tema direitos humanos em Genebra chegou a ser cotada por Dilma para a secretaria-geral do ministério de Relações Exteriores, ocupando o posto que era do próprio Patriota. Já que terminou abandonando a ideia de ter uma mulher no comando do Itamaraty, Dilma pensava em ter um nome feminino no segundo maior posto do ministério. Mas, numa indicação do relacionamento de confiança entre a presidente e o novo ministro, Dilma aceitou a decisão de Patriota de ter, como segundo nome, o embaixador Ruy Nogueira, o mais antigo diplomata em atividade e muito respeitado no Itamaraty.

A nomeação de Ruy Nogueira, bem recebida no ministério, foi interpretada, além do reconhecimento da experiência do novo secretário-geral, como um gesto de conciliação com os diplomatas antigos que teriam ficado incomodados com a gestão de Celso Amorim, que deu preferência aos mais novos em postos importantes do exterior e no gabinete.

Para saber mais sobre o avião com 73 civis que Posada Carriles derrubou, assista ao documentário:

Dilma vai protestar contra Guantánamo, cadeias secretas e “rendition” | Viomundo - O que você não vê na mídia

Maria do Rosário chama Johnbim às falas

Conversa Afiada

Johnbim e Pertence (sempre à esquerda), os heróis da derrota na OEA

Saiu no G1:

Nova ministra pede Comissão da Verdade sobre ditadura
Ministra de Direitos Humanos pediu que Congresso implemente comissão. Maria do Rosário disse que cumprirá Plano Nacional de Direitos Humanos.
Do G1, em Brasília
Maria do Rosário tomou posse nesta segunda-feira (3) como ministra da Secretaria de Direitos Humanos prometendo avançar no processo de reconhecimento das violações contra os direitos humanos no período do regime militar.
Durante discurso na cerimônia de posse, ela pediu que o Congresso aprove a criação da comissão da verdade sobre os mortos e desaparecidos durante a ditadura.
O projeto de lei que cria a comissão foi enviado ao Congresso em maio de 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva  e aguarda aprovação. De acordo com o projeto de lei, a comissão, que tem por objetivo “promover a reconciliação nacional”, terá a função de “promover o esclarecimento circunstanciado dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria, ainda que ocorridos no exterior”.

NAVALHA

NavalhaO Conversa Afiada, modestamente, já tinha previsto que “com a Maria do Rosário o Johnbim não ia c… e andar”.
Quando se aproximar do Ministro Johnbim – o amigo navegante logo perceberá, porque ele é alto – o amigo navegante deve evitar falar em “Carlinhos Rodemburgo”, “Embaixador Sobel” e “direitos humanos”.
É uma questão de gentileza.
Depois que a Lei da Anistia do Brasil foi fragorosamente derrotada na Corte de Justiça da OEA – apesar de brilhante defesa do Ministro Sepúlveda Pertence -, a posição do Brasil na questão dos Direitos Humanos é tão confortável quanto a do Aécio no PSDB.
Mais cedo ou mais tarde, o Brasil vai ter que cumprir a determinação da OEA – a menos que o Ministro Patriota não queira sentar-se à mesa de fóruns internacionais.
Prefira esconder-se.
Logo, a posição de Johnbim, como o guardião-mór da Lei da Anistia,  também sucumbirá.
E, pelo jeito, quem vai promover esse re-encontro com a  Comissão da Verdade será essa jovem gaúcha.
O mundo gira e a Lusitana roda (pelo Rio Grande do Sul).

Paulo Henrique Amorim

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