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quinta-feira, 19 de julho de 2012

Depois de proibir alimentar moradores de rua, Kassab manda bater neles

Depois de devastar favelas e expulsar famílias das regiões de interesse imobiliário, depois de “limpar” a cracolândia para seus amigos construtores poderem faturar, depois de proibir a distribuição de alimentos para a população de rua, Kassab demostra mais uma vez sua política para as pessoas mais vulneráveis. A ordem agora para a GCM, sob risco de punição dos rebeldes, é descer o pau em povo de rua. Além de seu plano de rampas herdado de Serra e das pedras antimendigo, Kassab molha o chão onde dormem e manda a GCM retirar todos os pertences dos sem teto, em pleno inverno. Para saber mais da prática higienista de Kassab, que lembra o modo como os judeus começaram a ser tratados pouco antes do holocausto, ouça a reportagem da rede Brasil Atual e assista à matéria do SBT (no final).
Como uma política de crueldade nazista Garis da companhia de limpeza urbana colocam pedras na parte de baixo de viaduto na avenida Presidente Vargas, no centro do Rioacontece em uma cidade do tamanho de São Paulo, na cara de toda a população? Esse fascista e seu antecessor, José Serra, desconstruíram a cidade. Inverteram as prioridades, injetando o dinheiro dos bairros mais pobres nos mais ricos, reduzindo a rede municipal de ensino em 268 mil vagas, e dando porrada ao invés de atenção. Além de impressionar, demonstra a desconstrução dos valores humanos que esses sujeitos foram capazes de implementar na nossa cara. São Paulo não merecia isso.

Prefeitura de São Paulo orienta guardas a agir com força contra moradores de rua

da Rede Brasil Atual

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O medo é o sentimento que impera entre os moradores de rua na capital paulista. A repressão da Guarda Civil Metropolitana (GCM) criou um verdadeiro clima de terror na vida dessas pessoas. Eles se recusam a dar entrevista com receio de retaliações dos policiais. Desde o final do ano passado, um documento do comando da Guarda orienta os GCMs a agir com força contra essa população. A norma tem o aval do secretário municipal de Segurança Urbana, Edson Ortega. O defensor público Carlos Weis considera inconstitucional a atuação de guardas metropolitanos na repressão aos moradores de rua. O padre Julio Lancelotti se reúne nesta quinta-feira, 19, com representantes da Defensoria e do Ministério Público, para discutir mecanismos de proteção para essas pessoas. Reportagem de Lúcia Rodrigues
Prefeitura de São Paulo orienta guardas a agir com força contra moradores de rua — Rede Brasil A

Política e polícia higienista de São Paulo

domingo, 15 de maio de 2011

Crônica “primária” de um Churrascão diferenciado

Puta que pariu / É a elite/ Mais tosca do Brasil !!

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Posted by eduguim on 14/05/11

O verso acima era declamado por mais de mil pessoas que se espremiam diante do shopping  no meio da tarde de um sábado nublado – e esfriando – depois do sol que dera palhinha por volta das 12 horas, quando cheguei ao local do Churrascão da Gente Diferenciada e não encontrei ninguém que me parecesse que participaria de algo assim tão “popular”.

No boulevard que precede os corredores tomados por brilhos, luzes, cheiros e sons que embriagam o endinheirado consumidor do asséptico e verdejante bairro paulistano de Higienópolis para depois depená-lo, senhores maduros, gordos e engravatados riem em duas, três mesas, fazendo-me pensar por que estariam vestidos assim num sábado. Outras mesas eram ocupadas por casais, senhoras e até crianças e adolescentes, mas os maduros predominavam.

Olho para um lado, para o outro, e nada. Ninguém diferenciado. Eram todos iguais na cor da pele, nos perfumes fortes, na aparência bem-nutrida, enfim. Não posso negar que, por alguns momentos, senti-me em Paris. Lembrei-me de um café em Saint Germains des Pres…

Pensei na internet. Deve ter informação. Só que não uso esses telefones que, além de tudo, fazem até chamadas e nos quais se pode navegar na rede. Mas estava em um shopping e todo shopping tem lan-houses… Certo? Errado. Nesse não tem. E por que teria, ora, se todos, ali, andam pelos corredores do shopping e nas ruas olhando seus aparelhinhos mágicos?

Contudo, estava na República de Higienópolis e, ali, até os balcões de informações são… diferenciados – ou seriam iguais aos dos países que aquele bairro-estado emula? Enfim, sei que a garota me disse que NÃO havia lan-houses no shopping ou naquela região (?!), mas que a uns MIL metros dali, na rua Maria Antonia, encontraria. E imprimiu o mapa para mim (!).

É um bairro mais igual, entendem? É o contrário do conceito de “diferenciado”.

Fui até lá e, assim que entro no Twitter, o Luis Nassif me manda uma mensagem dizendo que estava ali “com as menininhas” e doido pra comer churrasco, mas não tinha nada. Deixo-lhe uma mensagem pedindo que me ligue. Ele liga e diz que tem compromisso, lamentando não ter encontrado o churrasco.

Penso que está na hora de voltar. Ficarei até duas e meia e, se não aparecer ninguém, vou ao Sujinho comer bisteca de boi e tomar uma cachacinha Seleta, que as mais famosas não cabem no meu bolso. Saio a passos largos, já suando e maldizendo o blazer que vesti no começo da manhã, quando fazia frio e saí de casa para ir ao Churrascão.

Alvíssaras!, tem gente lá na frente falando com a imprensa. Estão ao lado de um carro da RedeTV! Aproximo-me e algumas pessoas vêm falar comigo. Alguns membros do Movimento dos Sem Mídia, leitores que conheço e várias pessoas simpáticas que não conhecia. A maioria, porém, não conheço. Todos ainda muito tímidos. Eu, inclusive.

Fiquei pensando, naquele momento: como faremos isso aqui? Esse pessoal tão… civilizado e fleumático vai se “horrorizar”.

Ando entre os grupos de pessoas conversando. Vai chegando cada vez mais gente. Uma rede de tevê me pára e pede para dar entrevista, como fazia sem parar. Não guardei o nome porque o afluxo crescente de pessoas começou a surpreender. Daqui a pouco chegam a Band e o SBT. Já havia quase umas duzentas pessoas, no local.

Aí a polícia apareceu, bem como o CET. Chegam manifestantes, chega polícia, chega imprensa… E vão chegando.

Mas os grupos de pessoas só dão entrevista e mais entrevista. Ouço um engraçadinho que não quis se misturar dizer que tinha mais jornalista que manifestante. O sangue sobe. Vou ao centro dos manifestantes e grito: Quem quer metrô, aqui?! Aquela massa crescente acorda e brada: Nós! E fica esperando eu dizer mais.

As câmeras se voltam e começo a discursar, com as mãos ao lado da boca numa tentativa de amplificar a voz. Surpreendentemente, ecoou forte. A repórter enfia o microfone na cara e começa a fazer perguntas que respondo não para ela, mas para as pessoas, que assoviam, gritam frases bem-humoradas.

Paro de falar e a manifestação amaina. Em alguns segundos, porém, mais alguém começa a falar. Daí chega o humorista Celso Mim com um capacete de obras “reprimindo” a manifestação como se fosse um funcionário do metrô, dando bronca nos manifestantes. Alguns parecem acreditar, de início.

Quando os discursos e palavras de ordem já proliferavam, ouve-se a batucada lá longe, mas avançando pela avenida Higienópolis. Parecia que jogavam confete. Sambavam, cantavam. Um dos cânticos era mais ou menos assim, se me lembro:

Se esta rua fosse minha / Eu mandava ladrilhar / Com Pedrinhas de Brilhante / Para o meu metrô passar

Alguém aparece com churrasco. Agora está cheio de jovens bem-humorados. Maduros, idosos e até crianças diferenciados. Somos muitos. A avenida Higienópolis está tomada. Não passam mais carros. Das imensas sacadas dos prédios, moradores do bairro, imóveis e aparentemente em silêncio, observam a tudo.

Passo a me esgueirar entre a multidão. Encontro gente que conheço e que não conheço e me conhece e eis que, de repente, vejo, diante de mim, dois colunistas da Folha de São Paulo.

São Fernando de Barros e Silva e Sergio Malbergier, aquele que andou escrevendo sobre o direito dos ricos de não quererem metrô na porta deles. Abro-lhes um sorriso como se fossem velhos amigos e, para minha surpresa, percebo que me reconhecem, apesar de jamais termos nos visto pessoalmente.

– Eu conheeeço você – digo a Barros e Silva, em tom jocoso –, e você também – estendo o cumprimento a Malbergier.

Digo que li o texto de Malbergier e que estava “um primor”. Ele sorri, simpático, como se não ligasse para a ironia. Barros e Silva, porém, fecha a cara, aproxima-se e diz:

– Olha, eu respeito você, Eduardo, mas as suas posições são primárias…

Respondo:

– Eu acredito que você pensa assim, mas não são as minhas posições que são primárias, são as suas que são muito avançadas, próprias para Londres, Paris, Amsterdam…

Barros e Silva franze ainda mais o cenho, percebo os dentes trincando, dá-me as costas, empina o queixo e diz, sem se voltar: “Está vendo como você é primário?”. E sai andando.

Comento com Malbergier: “Ele está zangado, né?”. E ele, sorridente: “Está zangado”.

Bato no braço dele, despedindo-me, e dizendo que acho positivo que tenham ido até lá. E caio no meio da galera.

Dali, a manifestação começa a se mover com batucadas e jovens à frente. Avançam em direção à avenida Angélica. Dobram à direita e começam a subi-la. Ocupam as duas pistas. Olho para a avenida e, diante de nós, está vazia de veículos até onde a vista enxerga. Nos prédios em volta as pessoas se debruçam nas janelas e sacadas. Policiais e agentes da CET parecem nervosos…

Peço ao comandante da operação que me diga o número estimado de manifestantes. Ele tasca 600. Digo que ele só pode estar brincando. Havia mais de mil pessoas fácil, ali. Saio meio zangado, batendo o pé, e nem agradeço. Depois reflito que o oficial não teve culpa. Estava cumprindo ordens.

Vejam o que acham

Enfim, foi mágico para este coração cinqüentão de um homem que cresceu em um país em que fazer um ato daquele significava ser espancado e até preso e torturado, quando não assassinado. E o mais lindo foi ver os jovens exigindo direitos, pregando igualdade com calma, bom humor, pacificamente.

Pena que a grande imprensa não contará direito o que aconteceu em São Paulo nesta tarde fria de maio, mas a internet contará a verdade. Fotos, vídeos e relatos, não faltarão. Não carecia, portanto, que me prendesse a isso. Queria passar ao meu leitor as “primárias” impressões deste “primário” blogueiro sobre essa incrível festa da democracia.

—–

Abaixo, um dos primeiros vídeos. Só pra dar gostinho na sua boca, leitor.

Churrasco de linguiça (Aurora) no Higienópolis

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Detalhes imperdíveis, narrados pela Conceição Oliveira, autora das fotos que aparecem acima (para ver mais, vá ao blog da Maria Frô):

Policial para manifestante: Quem é que lidera isso aí?

Resposta: O povo.

Policial: !?!

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Da Conceição: O bom de manifestação em Higienópolis é que aqui a gente não apanha! (Diante da Prefeitura, numa manifestação contra as enchentes em São Paulo, ela foi afogada em gás pimenta)

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Repórter de importante emissora, narrando diante da câmera o evento:

“Tem linguiça, carne e abobrinha”.

Virando-se para um presente, em nome da verdade factual: “Aquilo é abobrinha, mesmo?”

Para saber mais, vá ao blog da Conceição Oliveira.

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Churrasco de linguiça (Aurora) no Higienópolis - Viomundo - O que você não vê na mídia

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional

O separatismo paulista reascendido.
“A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a ver com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados.” – Emir Sader

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Blog do Emir no site Carta Maior

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional

O processo de ascensão social de massas, inédito no Brasil, volta a promover formas de discriminação. A política – de sucesso comprovado – de cotas nas universidades, a eleição de um operário nordestino para Presidente da República – igualmente de sucesso inquestionável -, a ascensão ao consumo de bens essenciais que sempre lhes foram negados – fenômeno central no Brasil de hoje -, provocaram reações de discriminação que pareciam não existir entre nós.
A cruel brincadeira de repetir um mote das elites – “O Brasil não tem discriminação porque os negros conhecem o seu lugar” – mostra sua verdadeira cara quando essas mesmas elites sentem seus privilégios ameaçados. Setores que nunca se importavam com a desigualdade quando seus filhos tinham preparação sistemática para concorrer em melhores condições às vagas das universidades públicas, passaram a apelar para a igualdade na concorrência, quando os setores relegados secularmente no Brasil passaram a ter cotas para essas vagas.
Professores universitários – incrivelmente, em especial antropólogos, que deveriam ser os primeiros a lutar contra a discriminação racial -, músicos – significativa a presença de músicos baianos, que deveriam ser muito mais sensíveis que os outros à questão negra -, publicaram manifesto contra a política de cotas, em nome da igualdade diante da lei do liberalismo.
A vitória da Dilma, por sua vez, provocou a reação irada e ressentida de vozes, especialmente da elite paulistana, contra os nordestinos, por terem sido os setores do país que pela primeira vez são atendidos em seus direitos básicos. Reascendeu-se o espírito de 1932, aquele que orientou o separatismo paulista na reação contra a ascensão do Getúlio e de suas politicas de democratização econômica e social do Brasil. Um ranço racista, antinordestino, aflorou claramente, dirigidos ao Lula e aos nordestinos, que vivem e constroem o progresso de São Paulo, e aos que sobreviveram à pior miséria nacional no nordeste e hoje constroem uma região melhor para todos.
A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a vem com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados. A rejeição de pessoas do bairro – 3500 assinaturas – à estação do metrô expressava o que foi dito por alguns, sentido por todos eles, de impedir que seja facilitado o acesso ao bairro – a que mesmo seus empregados particulares tem que chegar tomando 2 ou 3 ônibus -, com a alegação que chegariam camelôs, drogas (como se o consumo fosse restrito a setores pobres), violência, etc.
Nos três tipos de fenômeno, elemento comum é a discriminação. Étnica, contra os negros, na politica de cotas; contra os nordestinos, nas eleições; na estação do metrô, contra os pobres.
Os três níveis estão entrelaçados historicamente. Fomos o último país a terminar com a escravidão, por termos passado de colônia à monarquia e não à república. Adiou-se o fim da escravidão para o fim do século. No meio do século XIX foi elaborada a Lei de Terras, que legalizou a propriedade – via grilagem, em que em papel forjado é colocado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer antigo. Quando terminou finalmente a escravidão, todas as terras estavam ocupadas. Os novos cidadãos “livres” deixaram de ser escravos, mas não foram recompensados nem sequer com pedaços de terra. Os negros livres passaram a se somar automaticamente à legião de pobres no Brasil.
O modelo de desenvolvimento, por sua vez, concentrador de investimentos e de renda, privilegiou o setor centro sul do Brasil, abandonando o nordeste quando se esgotou o ciclo da cana de açúcar. Assim, nordestino, esquematicamente falando, era latifundiário ou era pobre. Esse mesmo modelo privilegiou o consumo de luxo e a exportação como seus mercados fundamentais, especialmente com a ditadura militar e o arrocho salarial.
A discriminação dos negros, dos nordestinos e dos pobres foi assim uma construção histórica no Brasil, vinculada às opções das elites dominantes – em geral brancas, ricas e do centro-sul do pais. A discriminação tem que ser combatida então nas suas três dimensões completamente interligadas: étnicas, regionais e sociais. O fato do voto dos mais pobres (que inclui automaticamente os negros) e dos nordestinos estar na base da eleição e reeleição do Lula e na eleição da Dilma, com os avanços sociais correspondentes, só acirram as reações das elites. Discriminações que tem que ser combatidas com politicas publicas, com mobilizações populares e também com a batalha no plano das idéias.

quinta-feira, 31 de março de 2011

DEPUTADO RACISTA DOBROU PATRIMÔNIO ENTRE DOIS MANDATOS

As declarações de bens do pústula Jair Messias Bolsonaro apresentadas à Justiça Eleitoral revelam um dado assombroso: entre as eleições de 2006 e 2010, o patrimônio oficial do abjeto parlamentar cresceu 90,5%. A informação está na página Excelências, da ONG Transparência Brasil.  

CLOACA NEWS: DEPUTADO RACISTA DOBROU PATRIMÔNIO ENTRE DOIS MANDATOS

Cloaca News

sábado, 12 de março de 2011

A ditadura está bem viva

As reações de chefes militares à instalação da Comissão Nacional da Verdade por meio de projeto de lei que o Poder Executivo enviou ao Congresso Nacional são apenas a ponta do iceberg que torna imperativa tal Comissão, ainda que os otimistas perguntem por que devemos revolver um passado que é mais confortável olvidar.

O resgate histórico do período de sombras que vai de 1964 a 1985, com a eleição (indireta) do primeiro civil após 21 anos de ditadura militar, não objetiva tão-somente preservar a memória do passado para evitar que se repita no futuro. Objetiva, sobretudo, combater ameaças contemporâneas.

Por doloroso que seja, é preciso constatar que a ditadura não está morta. Ela vive e paira sobre a nação.

A ditadura vive nas notas ameaçadoras que chefes militares publicam reiteradamente em desafio a presidentes como Lula e, agora, Dilma, comandantes-em-chefe das Forças Armadas. Durante a eleição do ano passado, militares cansaram de fazer ameaças diante da possibilidade de eleição da ex-guerrilheira Dilma Rousseff, por exemplo.

Mas não é só nos delírios de militares de pijama – e de outros paramentados com fardas sujas de sangue – que a ditadura subsiste.

A ditadura vive nos jovens riquinhos que espancam e discriminam homossexuais na avenida Paulista ou em qualquer outra parte do país.

A ditadura vive nos brancos de classe alta que espancam e discriminam nordestinos negros no Sul e no Sudeste.

A ditadura vive em Mayara Petruzo, a patricinha do interior de São Paulo que pregou que nordestinos e negros não tivessem direito a voto e que fossem assassinados, e nas dezenas de jovens que a apoiaram em redes sociais da internet.

A ditadura vive nos jovens que, através do Twitter, pregaram que a presidenta da República fosse assassinada por um franco-atirador no dia de sua posse.

A ditadura vive nos comentaristas da Globo como Luiz Carlos Prates, que não se conforma com a distribuição de renda que permite que “qualquer miserável” tenha um carro.

A ditadura vive em tantas delegacias de polícia em que a tortura é exatamente a mesma que a usada nos porões da ditadura militar.

A ditadura vive nos que mantém sites de extrema-direita que exaltam  torturadores, estupradores e assassinos e que, não contentes em criar sites como o Ternuma, ainda saem fazendo ameaças contra os que execram o golpe de 1964.

Vejam só, logo abaixo, ameaça que um tal de “General Azevedo”, que se diz ligado ao site de extrema-direita Ternuma (Terrorismo Nunca Mais), postou ontem neste blog. Vale refletir sobre suas palavras.

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General Azevedo
ternuma.com.br/

gazevedo@hotmail.com

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Enviado em 10/03/2011 às 18:47
Os comunistóides de bosta deste blogezinho de quinta categoria estão bastante alegres e agitadinhos.
O que tenho pra dizer é que continuamos bem alertas. Não duvidem do que somos capazes. Em 1964 quanto tentaram transformar esse país numa imensa Cuba tivemos que mostrar nossa força.
Vão brincado. Uma hora a palhaçada pode acabar mal para toda cambada de energúmenos adoradores das múmias soviéticas e dos dinossauros de Cuba. Não perdem por esperar.
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Então: quem continua achando que a ditadura está morta? Mortos não editam blogs e não fazem ameaças, não espancam negros e homossexuais, não fazem comentários fascistas na televisão, meus caros leitores.

A ditadura vive, respira e age. Nas sombras, no mais das vezes. Mas, de quando em quando, sai à luz do sol nas notas de chefes militares, nos atos de violência e em nosso próprio cotidiano, quando, em nosso meio social, ouvimo-lhes ou lhes lemos as idéias hediondas até em grandes meios de comunicação.

Desde o  fim da ditadura que os sucessivos presidentes da República fazem de conta que não vêem militares da ativa e da reserva –  e até parlamentares representantes da extrema direita, como o tal de Jair Bolsonaro – esbofeteando a nação que torturaram por duas décadas e tripudiando de suas vítimas.

A Comissão da Verdade, pois, é imperativa. Só a verdade sobre aquele período de horror permitirá que seja desmascarado em sua completude. Essa Comissão é imperativa para combater a ameaça que seus agentes fazem reiteradamente não só à democracia, mas a mentes jovens que passam a crer em suas mentiras.

O preço da acomodação é vivermos sob liberdade condicional. A própria democracia ainda é mera concessão dos golpistas sobreviventes e dos adeptos dos criminosos de 1964, que continuam envenenando mentes suscetíveis com a “solução” golpista para barrar a justiça social que o povo brasileiro tenta fazer prevalecer através do voto.

Como blogueiro e ativista político, assumo o compromisso de não tergiversar nessa questão. A ditabranda não será reinstalada neste país enquanto pessoas como eu e como os que prestigiam esta página com sua leitura permanecermos vigilantes e dispostos até a ir às ruas em defesa da democracia e do Estado de Direito.

A ditadura está bem viva | Blog da Cidadania
Posted by eduguim on 11/03/11

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domingo, 23 de janeiro de 2011

Racismo: ninguém sente, ninguém vê, ninguém sabe o que é

janeiro 23rd, 2011 |  Autor: Daniel Pearl editor geral

Revista Forum: Diante de tantos anos de negação e silêncio, é preciso começar a entender que os preconceitos, como o racismo, são produtos da cultura na qual estão inseridos, e como tais adaptam-se às condições de manifestação aceitáveis e estabelecidas pela sociedade, manifestando-se às claras ou de forma velada e simbólica.
Por Ana Maria Gonçalves
Diante da revelação feita por um famoso cantor brasileiro, negro, de que sua filha de seis anos estava sendo discriminada durante a aula em uma das escolas de balé mais tradicionais de São Paulo, com as outras alunas se recusando a dar as mãos para ela, ou do depoimento de uma menina, também de seis anos, aluna de escola pública, no qual conta que as coleguinhas não querem brincar com ela durante o recreio porque sentem nojo por ela ser negra, resta-nos parar e perguntar: a quantas situações de humilhação essas e outras crianças continuarão a ser submetidas pela vida afora, antes que a sociedade tome para si a responsabilidade de discutir, entender e combater o racismo?
O racismo, como o percebemos hoje, é uma instituição relativamente recente na história na humanidade. Até por volta da Idade Média, os principais fatores de discriminação eram religiosos, políticos ou referentes à nacionalidade e à linguagem do indivíduo. No século XV, quando os europeus desembarcaram na África, e principalmente com o início do tráfico negreiro, usaram a ciência a favor do colonialismo e desenvolveram teorias de superioridade evolutiva, baseadas em diferenças biológicas, que justificavam seus interesses de expansão e poder. Estava criado o racismo etnocêntrico, fundamentado em doutrinas bíblicas, filosóficas e científicas que não resistiram à evolução dos tempos, mas que deixaram marcas indeléveis e profundas nas sociedades que as usaram para justificar a escravidão, como é o caso da sociedade brasileira. O conceito de “raça” – e termos derivados – hoje em dia é apenas político e social, e se justifica porque os traços físicos (cabelo, cor da pele, formato de nariz e boca etc) característicos da população negra ainda estão ligados à percepção negativa historicamente construída.
No final do século XIX, com a abolição da escravatura e ainda sob forte influência das teses de superioridade europeia, começa a ser colocado em prática um projeto de construção de uma nova nação brasileira, que deveria ser melhorada através do embranquecimento de seu povo. Acreditava-se que, com o passar dos anos, marginalizada, inferiorizada, difamada e abandonada à própria sorte, a população negra desapareceria. Até mesmo o acesso à educação e a possibilidade de conseguir trabalho lhe foram negados, com o governo dando total prioridade a políticas que subsidiaram a vinda de mais de 3 milhões de imigrantes europeus para o Brasil. Algumas décadas mais tarde, a teoria do embranquecimento deu lugar à da miscigenação, que acabou criando um dos mitos mais prejudiciais à luta contra o racismo: o mito da democracia racial. Foi ele que, durante décadas, impediu o Brasil de se tornar um país realmente democrático, com tratamento e oportunidade iguais para todos, ao negar reconhecimento a um problema que atinge mais da metade da nossa população.
Diante de tantos anos de negação e silêncio, é preciso começar a entender que os preconceitos, como o racismo, são produtos da cultura na qual estão inseridos, e como tais adaptam-se às condições de manifestação aceitáveis e estabelecidas pela sociedade, manifestando-se às claras ou de forma velada e simbólica. É por isso que apenas a razão, que nos levou a criar leis que criminalizam atitudes racistas e algumas ações afirmativas, não será suficiente para modificar o imaginário e as representações coletivas negativas que se tem do negro na nossa sociedade, como observa o antropólogo e professor Kabengele Munanga na apresentação do livro Superando o racismo na escola. Segundo ele, “considerando que esse imaginário e essas representações, em parte situados no inconsciente coletivo, possuem uma dimensão afetiva e emocional, dimensão onde brotam e são cultivadas as crenças, os estereótipos e os valores que codificam as atitudes, é preciso descobrir e inventar técnicas e linguagens capazes de superar os limites da pura razão e de tocar no imaginário e nas representações. Enfim, capazes de deixar aflorar os preconceitos escondidos na estrutura profunda do nosso psiquismo”.
Se hoje já se admite que o Brasil é um país racista, é preciso admitir também que nossos pensamentos e atitudes são condicionados por essa cultura e essa ideologia racista, pois crescemos introjetando e reproduzindo o que já está estabelecido socialmente. Para mostrar como isso funciona, um interessante trabalho, desenvolvido no departamento de Psicologia da Universidade Federal de Sergipe, analisa pesquisa realizada com crianças de 5 a 8 anos. Foi pedido a essas crianças que desenhassem uma criança branca e uma criança negra e as classificassem, em termos de preferência, em relação a cinco categorias: riqueza, beleza, inteligência, proximidade e contato. O resultado foi um alto índice de racismo, com a criança negra sendo fortemente rejeitada em todas as categorias. O que o estudo queria mostrar é que as crianças são abertamente preconceituosas, e que essa característica perde força a partir da maturação das estruturas cognitivas que permitem que ela deixe de julgar as pessoas com quem se relaciona apenas pela aparência e passe a levar em conta conceitos como bondade ou amizade. Acabou mostrando também que o racismo, longe de desaparecer com a idade e a necessidade de socialização, caso não haja nenhuma iniciativa nesse sentido por parte de pais e/ou educadores, é introjetado e velado pelo aprendizado das normas sociais vigentes, passando a se manifestar de forma indireta e, em muitos casos, inconsciente. O racismo volta então a habitar e alimentar o inconsciente coletivo, que trata de reproduzi-lo de uma geração para outra, tornando-o cada vez mais insidioso, difícil de provar e combater.
Por isso, cabe tão bem a pergunta da campanha Diálogos Contra o Racismo – Pela Igualdade Racial: onde você guarda seu racismo? Complemento com mais uma: o que você tem feito para não deixá-lo de herança para seus filhos?

Racismo: ninguém sente, ninguém vê, ninguém sabe o que é

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Jornal acha racista que ameaça escola de samba em SP

Conversa Afiada
Publicado em 28/12/2010

Quando começou isso ? Quem é contra o nordestino ?

Saiu no Agora ( o único jornal que presta em SP), pág. A3:

“Jovem do ABC envia e-mail racista a escola de samba.”
“ Novo e-mail com ataques e palavrões foi recebido ontem pela Acadêmicos do Tucuruvi, que fará homenagem a nordestinos no Carnaval 2011.”

O tema do enredo é “Oxente, o que seria da gente sem essa gente ? São Paulo, Capital do Nordeste !”.
Um jovem de Santo André, que o Agora localizou através do Orkut, faz parte de organizações como “São Paulo Independente”, “Eu amo o Estado de São Paulo”, “São Paulo é a Minha Nação”, “Sou Paulista e Separatista”,  e “Movimento República São Paulo”.
Um dos e-mails que a Escola recebeu dizia assim:

“Tomara que esse Carnaval seja o pior de toda a História da escola. É o que deseja (sic) todos os paulistas separatistas. São Paulo é o meu país.”

NavalhaNAVALHA

Amigo navegante, quando e por que começou essa xenofobia contra nordestinos em São Paulo ?
Lembram do e-mail daquela moça que envergonhou até o pai e circulou no segundo turno ?
Pois é.
O que será que aconteceu ?

Paulo Henrique Amorim

Jornal acha racista que ameaça escola de samba em SP | Conversa Afiada

sábado, 20 de novembro de 2010

Kassab, Robin Hood às avessas


Reeditado em 22/11/1 às 21:31
Mesmo com um orçamento com crescimento de 22% previsto para 2011, Kassab decidiu cortar gastos (valores absolutos) em gestão ambiental, agricultura e regiões mais pobres da cidade. Os valores podem ser conferidos abaixo no trecho obtido do site do Vereador Donato do PT. Kassab parece não ter aprendido nada nestas eleições. Enquanto o debate que definiu a eleição nacional girou em torno de questões como meio ambiente, agricultura familiar e distribuição de renda, o Prefeito prefere a contra-mão. Numa versão às avessas de Robin Hood, optou por ampliar gastar em Subprefeituras de regiões centrais, retirando receita das periferias. Parece apostar para as próximas eleições, em parte do eleitorado de classe média, e contando com votos daqueles que apóiam a estudante de direito Mayara que prega no twiter afogar nordestinos. Ou espera votos daqueles que educam filhos para a homofobia e para a agressão a outros jovens com lâmpadas fluorescentes. Esquece-se dos mais pobres e que parte deles ascendeu à classe C.
DESPESAS
Nas despesas entram todos os investimentos que a Prefeitura fará no próximo ano. Por exemplo com hospitais, escolas, pagamentos de funcionário, etc.
Há muitas discrepancias nos investimentos. Áreas que sofreram grandes reduções e outras áreas grandes aumentos.
Chama a atenção, os investimentos em meio ambiente. Os recursos para gestão ambiental caíram de R$ 423.000.000,00 para R$ 351.234.000,00, uma redução de mais de 17%. Os recursos para a agricultura, caíram de R$ 15.780.000,00 para R$ 11.784.000,00, queda de mais de 25%. A Secretaria do Meio Ambiente sofreu um corte de mais de 12% em seu orçamento total.
Outra área que sofreu cortes drásticos fora os investimentos em acessibilidade. A Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida sofreu redução de quase 15%.
Demonstração de que a Prefeitura não prioriza as pessoas que mais precisam de atenção nem o meio ambiente. Está preocupada em fazer obras. Vejamos por exemplo os índices de crescimento no orçamento da Secretaria de Infra-estrutura Urbana e Obras, cujo orçamento subiu de R$ 369.707.541,00 para R$ 1.578.023.009,00, aumento de 326,8% em relação ao ano de 2010. O mesmo aconteceu com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, subiu de R$ 60.116.017,00 para R$ 286.878.092,00, aumento de 377,2%.
Outro dado que chama a atenção, são os investimentos nas Subprefeituras, ou seja, nos bairros da cidade. Ve-se que os orçamentos das Subprefeituras das regiões mais pobres da cidade, como as Subprefeituras de M’Boi Mirim, Campo Limpo, Capela do Socorro, Cidade Ademar e Itaim Paulista  foram os que mais sofreram redução. Já os orçamentos das Subprefeituras das regiões centrais da cidade, como Vila Mariana, Mooca e Pinheiros, sofreram aumentos.

Subprefeituras das regiões mais pobres tiveram orçamento reduzido.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Vídeo: senadora ataca Prates e pode convocar dono da RBS

Conversa Afiada
Publicado em 18/11/2010

Ideli: Prates envergonhou Santa Catarina

A senadora Ideli Salvati (PT-SC) condenou o pronunciamento preconceituoso de um colunista da RBS de Santa Catarina, afiliada da Globo – clique aqui para ver.
Ideli referiu-se com mais ênfase aos trechos notoriamente preconceituosos e inaceitáveis numa concessão de serviço público, que é a televisão.
O senador Magno Malta (PR-ES) lembrou que a televisão é uma concessão e, portanto, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado deveria chamar o dono da RBS às falas.
O senador Magno Malta também é presidente da CPI da Pedofilia e poderia aproveitar a viagem do dono da RBS a Brasília para discutir o estupro que o filho de um dos donos da RBS de Santa Catarina cometeu contra uma adolescente que ainda não menstruava.

Vídeo: senadora ataca Prates e pode convocar dono da RBS | Conversa Afiada

Ódio aos pobres na TV Globo vira notícia na Record

Os Amigos do Presidente Lula
quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O jornalista Luiz Carlos Prates, da afiliada da Rede Globo, de Santa Catarina, diz que classe C não deveria poder comprar carro, dando a entender que "atrapalha" o trânsito dos mais ricos. O jornalista ainda criticou o governo por estimular a oferta de crédito para que pessoas de baixa renda comprem carros.
Que livros o jornalista anda lendo?

Os Amigos do Presidente Lula: Ódio aos pobres na TV Globo vira notícia na Record

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Jornalista da TV Globo culpa os pobres pelos acidentes, resultado deste governo espúrio que facilitou o crédito

Recebido de Carlos R. S. Moreira ( Beto ) pela Rede [3setor]

Em tempo:

O Cloaca News Também publicou. Veja o comentário:

TERÇA-FEIRA, 16 DE NOVEMBRO DE 2010

RBS: MALDITOS MISERÁVEIS QUE AGORA COMPRAM CARROS

Advertência: o vídeo que exibimos nesta postagem contém cenas explícitas de ódio, preconceito e ressentimento. Seu protagonista é um certo Luiz Carlos Prates, colunista e comentarista da RBS TV de Santa Catarina. A propósito, se alguém achou que a forma de vida mais rasteira da televisão brasileira fosse Lasier Martins, Prates conseguiu a proeza de tomar-lhe o cetro.
As cenas abaixo foram exibidas no Jornal do Almoço barriga-verde, nesta segunda-feira, 15.
Pelo sim, pelo não, tire as crianças da sala.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Corinthians provoca racha na esquerda

Viomundo - O que você não vê na mídia
15 de novembro de 2010 às 21:47

O ódio da imprensa para cegar o torcedor

Mauro Carrara

Não por acaso, o Sport Club Corinthians Paulista assume frequentemente o lugar do Partido dos Trabalhadores (PT) como alvo do ódio das elites. O modelo de acusação é idêntico.

A ordem é insultar, desqualificar e criminalizar. Sistematicamente. No caso do clube fundado por operários no bairro do Bom Retiro, esse bombardeio midiático acaba de completar 100 anos.

Desde a época do antigo Velódromo, se o vencedor era o Corinthians, havia na página grafada sempre uma adversativa, um desmerecimento e um delito apontado.

Afinal, a que glória podia aspirar a agremiação dos carroceiros do Mercadão, das lavadeiras do Glicério, dos amoladores, dos braçais, dos italianos rotulados de carcamanos, dos negros sem sobrenome, dos espanhóis malaguetas, dos índios sem tribo, dos japas de fala enrolada e dos mestiços de toda sorte, tão brasileiros que pareciam merecer somente a exclusão.

E onde foi parar toda essa fúria de preconceitos? Cessou?

Não! Mantém-se intacta, ainda que estrategicamente oculta pelos interesses comerciais da mídia monopolista. Afinal, como afrontar diretamente 27 milhões de consumidores?

Ora, mas basta a dúvida para se revitalizar o ódio centenário.

imageEsta noite de sábado, estive com a neta ao estádio do Pacaembu. De lá das arquibancadas, assistimos ao fogo do prélio. E vimos também, inequivocamente, um zagueiro forte arremeter-se desastrosamente contra as costas do artilheiro Ronaldo.

Ora, pois, pênalti, indiscutível. Pênalti! Está na regra!

Fosse no meio-campo ou aos cinco minutos do primeiro tempo e seríamos poupados do teatro acusatório contra o árbitro.

Em casa e pude rever o lance na telinha, várias vezes. Não há disputa da bola pelo alto, e sim um golpe claramente faltoso do azulino. As câmeras oferecem registro límpido e cristalino da jogada.

Entretanto, a mídia precisa enodoar, mais uma vez, o triunfo do time do povo. Não me surpreendi, pois, ao topar com os comentários de Mauro Cezar Pereira, o mesmo que criminalizou o paixão de Lula pelo Corinthians, o mesmo que criou uma fábula para ver delito petista no projeto do estádio mosqueteiro.

Recentemente, o Corinthians viu surrupiados dois gols legítimos em Campinas, diante do Guarani. Os erros custaram ao clube dois pontos, caríssimos nesta reta final do campeonato.

Antes ainda, no primeiro turno, o Cruzeiro fora beneficiado pelo mesmo Sandro Meira Ricci, que desconheceu pênalti de Henrique sobre o alvinegro Bruno Cesar.

Tampouco se viu indignação de locutores e comentaristas quando o Fluminense foi auxiliado no jogo contra o Grêmio, no Engenhão. Um pênalti clamoroso de Leandro Eusébio sobre Jonas acabou desconsiderado pelo árbitro.

Mas os jogos do Corinthians são sempre um Enem em potencial. Há sempre um detalhe a ser midiaticamente convertido em escândalo. Afinal, a ordem é criminalizar os intrusos, os penetras da festa chique.

Lamentável é ver articulistas da chamada esquerda, como Laerte Braga, seguindo irresponsavelmente a procissão, repetindo venenosamente o coro acusatório.

Para refrescar a memória do leitor, Zezé Perrella, o ruidoso detrator do árbitro Meira Ricci é “raposa” política matreira, inescrupulosa e oportunista. Construiu sua carreira ao alinhar-se com o obscurantismo mineiro e com as forças do velho PFL.

Curiosamente, foi destacado pela CBF para comandar a delegação brasileira que vai ao Qatar, para o amistoso contra a Argentina.

Em boca fechada, não entra mosquito. Dedos inteligentes poupam articulistas da vergonha da ignorância e da contradição.

PS do Viomundo: Eu acho o “corintianismo” tedioso. Ele se sustenta na teoria segundo a qual o corintiano teria direito à redenção por ter sofrido muito, fora mas especialmente dentro do campo. Sofredor? Para mim sofredor é o torcedor do Radium de Mococa, da Esportiva de Guaratinguetá e do Noroeste de Bauru. Torcerei apaixonadamente contra o Corinthians!

Corinthians provoca racha na esquerda | Viomundo - O que você não vê na mídia

Marcelo Adnet ironiza eleitores elitistas no Comédia MTV

 Blog da Dilma
novembro 15th, 2010 |  Autor: Daniel Bezerra editor geral

Marcelo Adnet ironiza eleitores elitistas no Comédia MTV

A classe “C” não quer ser “A”. Quer ser ela mesma, o vizinho

Conversa Afiada
Publicado em 15/11/2010
Meirelles e as cores, a extravagância que muita gente acha brega

O Conversa Afiada tem o prazer de reproduzir (com uma certa liberdade …) a entrevista que Renato Meirelles, sócio-diretor do Instituto Data Popular, deu à RecordNews e será exibida nesta terça-feira, às 21h15.
São três as razões que explicam por que as classes “C”,  “D” e “E”  vieram para ficar – explicou o Meirelles.

Primeiro
, o “bônus demográfico”: mais gente que produz do que gente que gasta sem produzir. Ou seja, quando há mais pessoas em idade de trabalhar do que idosos e crianças.
As classes “C”, “D” e “E” se beneficiam deste “bônus”.
As classes “A” e “B” têm mais idosos e crianças do que gente em idade de trabalhar e produzir. 

Segundo
, é a lei do “vamos em frente que atrás vem gente”.
Quem passou a dar iogurte ao filho não quer voltar a dar leite C.
As classes “C”, “ D” e “E” não querem voltar pra trás.
E querem consumir.
Eles seguiram a sugestão do Lula, quando houve a crise de 2008, aquela crise da urubóloga Miriam Leitão, e o Lula mandou o povo “gastar !”.
O povão foi lá e gastou.
E tem mais: se aparecer um governante que queira mudar as regras do jogo e obrigar a classe “C” a reduzir o padrão de consumo, o eleitor vai lá e troca de governante.
Terceiro, as chamadas condições “macro-econômicas”, ou como dizia este ordinário blogueiro, como “o Lula vai pendurar o FHC no pescoço o Serra”.
O aumento real do salário mínimo.
A distribuição de renda.
O Bolsa Família, que joga todo ano R$ 12 bilhões na economia e beneficia 45 milhões de pessoas.
O programa “Minha Casa Minha Vida”, por exemplo, observou o Meirelles.
É importante não só porque dá acesso à casa própria, mas porque emprega mão de obra das classes “C”, “D” e “E”.
Resultado: sete de cada dez cartões de crédito são de pessoas das classes “C”, “D” e “E”.
E a inadimplência no cartão está em queda.
Em resumo, diz o Meirelles, o voto obrigatório ajuda a classe “C”.

CClique aqui para ler sobre a entrevista que este ordinário blogueiro também fez para a RecordNews com o professor Durval Albuquerque: “o PiG engrossa o preconceito contra o nordestino”.
Classe “D” é aquela que tem renda mensal entre um e três salários mínimos.
A classe “D” tem um poder de consumo maior do que o da classe “A” e o da “B” – só perde para a “C”.
As classes “C”, “D” e “E” são mais jovens que as classes “A” e “B”.
Para cada adulto da classe “A” há 4 das classes “C”, “D”, e “E”.
Para cada criança da classe “A”, há 10 – veja bem, amigo navegante, 10 para as classes mais pobres.
Na classe “C”, 50% são não-brancos.
Na classe “D”, não-brancos são mais de 50%.
Pergunto ao Meirelles se a indústria da publicidade do Brasil sabe dessas coisas.
Não, ele diz.
A maioria dos publicitários vem da elite e tende a fazer publicidade com o público de classe “A” e “B” na cabeça.
Eles não gostam de rap, não frequentam Orkut.
Meirelles vai mais longe: a publicidade brasileira acha brega a alegria, o colorido, o barulho, a extravagância, o São João, o exagero, Carnaval, o frevo, o artesanato popular das classes “C”, “D” e “E”.
Mas, as grandes empresas começaram a se mexer em direção à base da pirâmide de renda.
A Nestlé passou a vender porta-a-porta.
Qual a vantagem disso ?
No supermercado, ninguém explica as características do produto.
O vendedor na porta de casa, não: ele conhece o que vende.
A TAM passou a vender passagens nas Casas Bahia.
Até julho de 2011, em doze meses 8,7 milhões de passageiros das classes “C”, “D” e “E” vão viajar de avião.
Que horror, diria o Jabor (a observação foi do entrevistador e, não,  do entrevistado).
E quem vai viajar ?
O migrante que vai do Sul, Sudeste para visitar a família no Nordeste.
Sabe quantos migrantes nordestinos moram na Grande São Paulo, Paulo Henrique ?, perguntou o Meirelles.
Sabe ?, amigo navegante ?
São migrantes: não são filhos de migrantes.
Sabe quantos ?
5,5 milhões !
É a maior cidade nordestina do  Brasil.
São Paulo é a maior cidade nordestina do Brasil e não sabe (ou não quer saber – diz este ordinário blogueiro).
E os publicitários pensam que os Jardins ficam perto da Avenida Paulista.
E se esquecem do Jardim Ângela, diz o Meirelles
E do Jardim Romano, lembrou este ordinário blogueiro.
(Jardim Romano é aquele que a inépcia do Serra deixou alagado uns seis meses – PHA).
E quem é o “tipo ideal” da classe “C” e “D” ?
Quem eles querem imitar ?, perguntei.
A classe “A” ?
Negativo !, respondeu o Meirelles.
Eles não querem ser ninguém.
Querem ser eles mesmos.
Eles não querem imitar a classe “A”.
Eles querem ser o vizinho que deu certo !
Resumo da história, segundo o Meirelles: empresa que não for líder nas classes “C” e “D” dança.
Em tempo: este ordinário blogueiro lembrou que, durante a campanha, dizia que o Serra e o FHC pensam que “classe “C” fica entre a Executiva e a Primeira.
Paulo Henrique Amorim

A classe “C” não quer ser “A”. Quer ser ela mesma, o vizinho | Conversa Afiada

O PiG reforça o preconceito contra o nordestino

Conversa Afiada
Publicado em 15/11/2010


O professor Albuquerque acusa a mídia que toma partido. Como a Eliane

“Depois de uma campanha presidencial violenta e baseada na mistificação, o resultado não podia ser outro: xenofobia. Mas, quem ganha com a divisão do Brasil ?”

Esta pergunta assustadora foi extraída da reportagem da Cynara Menezes, na Carta Capital de 10 de novembro de 2010, em que analisa o “legado” da campanha de José Serra.
A obra com que José Serra se despedirá da política brasileira (no plano nacional): o ódio.
Clique aqui para ler sobre o que Mino Carta disse do ódio de Serra.
E aqui para ver como o Mino descobriu que Serra fala pela boca de certo Itagiba, um ex-policial obscuro, cinzento, que habita no Reino da Treva.
Nesta excelente reportagem de Cynara – ela demonstra que, mesmo sem todos os votos do Nordeste, a Dilma se elegeria, fácil – este ordinário blogueiro descobriu o professor  Durval Albuquerque Jr, professor de História da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e autor do livro “Preconceito contra a Origem Geográfica e de Lugar (Editora Cortez).
A entrevista com o professor Albuquerque vai ao ar nesta terça feira, às 21h15, na RecordNews.
O professor Albuquerque também critica a campanha de ódio de José Serra.
Ele fala que a campanha abriu a caixa de Pandora e tirou de lá o preconceito.
A tentativa de dizer que o Brasil é bicolor: azul para os do Sul, limpinhos, cheirosos, com PhD em Harvard; e vermelho para os pobres, desdentados, famintos e analfabetos do Nordeste.
Foi o que tentou fazer a Folha (**), ao dizer, logo depois da eleição, que o Nordeste elegeu a Dilma.
O professor Albuquerque lembrou que mora numa cidade – Natal – em que Serra venceu.
E nasceu em Campina Grande, na Paraíba, onde Serra venceu.
Mas, a intolerância, como se sabe, não guarda relação com a racionalidade.
Albuquerque lembrou que há sete anos não se ouve falar em assalto a supermercado, nem invasão de feira nas áreas de estiagem do Nordeste.
Por que ?
Porque o Bolsa Família gera renda e gera emprego.
O Bolsa Família não é Bolsa Vagabundagem, como disse a Notável Estadista chileno-brasileira, Monica Serra.
O Bolsa Família  não aliena; ao contrário, diz Albuquerque.
Conscientizou, fez com que as pessoas se sentissem gente e passassem a querer mais.
A propósito, o professor Albuquerque lembrou de artigo da professora Tânia Bacelar, da Universidade Federal de Pernambuco – “o nordestino não votou por miolo de pão”)
Por que Dilma teve 80% dos votos do Maranhão ?
Oitenta por cento dos maranhenses recebem o Bolsa Familia ?
Não, porque as políticas do Governo Lula beneficiaram todas as classes do Maranhão.
Também no Nordeste, lembra Albuquerque, a classe média e a elite estão chateadas porque  não conseguem mais empregada doméstica por salário miserável.
Acabou a escravidão – diria este ordinário blogueiro.
(E vai acabar mais ainda com o ENEM; clique aqui para ler sobre a “Xenofobia e intolerância em SP – onde isso vai parar ?”)
Este ordinário blogueiro perguntou ao professor Albuquerque como se acaba com o preconceito, com essa intolerância.
Ele acusou a mídia, aqui chamada de PiG (*).
Mais especificamente falou de “comentaristas” e colonistas (***) da televisão que, logo após a eleição desqualificaram a eleição da Dilma com o argumento e que eram votos dos pobres ignorantes do Nordeste.
Ou seja, ele se referia – sem dar o nome – à GloboNews, que se tornou um viveiro de intolerantes (para usar uma palavra doce).
A mídia estimula, engrossa o preconceito, segundo o professor Albuquerque.
Nesse ambiente de mídia que toma partido – como é o caso do PiG (*) e da GloboNews – só o voto obrigatório garante a inclusão social.
É por isso que este ordinário blogueiro repete: ou a Dilma faz a Ley de Medios ou o PiG derruba ela .
Depois que o PiG a derrubar, comentaristas da GloboNews farão analises profundas sobre como o Azul superou o Vermelho; ou, como os cheirosos valem mais que os fedorentos.
Clique aqui para rever o vídeo inesquecível em que a colonista (***) Eliane Catanhêde  descreve os tucanos como “cheirosos”, umas gracinhas.
Clique aqui para ler “Silvio Santos vai obrigar a Dilma a fazer a Ley de Medios”.

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: o Conversa Afiada reproduz texto enviado pelo amigo blogueiro (sujo) Eduardo Guimarães:

No último dia 11, no Plenário da Câmara Municipal de São Paulo, sob iniciativa de parlamentares da Casa como o vereador Francisco Chas, da ONG Movimento dos Sem Mídia, do Centro de Tradições Nordestinas e outras entidades ligadas ao movimento negro, nordestino e de direitos humanos, foi feito um ato contra o racismo no Estado.
O plenário da Câmara, que comporta 500 pessoas sentadas, no auge do evento teve todos os assentos ocupados pelo público e algumas pessoas ainda tiveram que ficar em pé. Boa parte dos presentes era de membros do MSM, pelo que há que cumprimentar essas pessoas.
Devido ao fato de o signatário deste blog ter ocupado a mesa de debates ao lado de autoridades como os vereadores petistas Francisco Chagas e Ítalo Cardoso, e também do representante da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Centro de Tradições Nordestinas (CTE), faltam mais fotos inclusive da mesa. Quem tiver fotos do evento para enviar a este blog, elas serão publicadas.
Surpreendentemente, o presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, enviou mensagem oficial da entidade de apoio ao ato. Além disso, a equipe do programa CQC, da tevê Bandeirantes, também cobriu o evento.
A fala deste blogueiro ao público presente foi no sentido de que a sociedade deve atentar para o fato de que o racismo anti-nordestinos não se resume à jovem estudante de Direito que veiculou mensagens ofensivas àquela parcela dos brasileiros oriunda do Nordeste, sendo uma postura generalizada entre as classes média-alta e alta de São Paulo.
O Movimento dos Sem Mídia também pediu punição exemplar dos praticantes de racismo e sugeriu ao vereador Francisco Chagas, autor de representação contra 94 pessoas que enviaram mensagens racistas por meio de redes sociais, que inclua na ação junto ao Ministério Público os signatários do manifesto racista “São Paulo para os paulistas”, que segue na internet.
Uma boa notícia: o Ministério Público Federal acolheu a representação do vereador Francisco Chagas e decretou segredo de Justiça nas investigações. Ou seja: todos os racistas que veicularam mensagens contra o povo nordestino na internet serão investigados pelo crime também em nível federal.
Apesar do boicote da imprensa em geral, o ato público contra o racismo teve um peso político bastante significativo porque mostrou que a sociedade dispõe de meios para reagir contra essa praga ideológica inclusive do ponto de vista legal, bem como em termos de mobilização de entidades que se mostram dispostas a atuar com firmeza contra esse tipo de crime.
Mais importante do que o ato, porém, será a fiscalização dos processos abertos contra os racistas. Não se aceitará que saiam impunes e haverá instrumentos para garantir que isso não ocorra, até porque as manifestações de intolerância e preconceito em São Paulo só fazem crescer.
Contudo, a indiferença da imprensa em relação ao racismo não é o mais grave. Veículos como a Folha de São Paulo chegaram a publicar textos de apologia ao racismo. Dois artigos foram publicados nesse sentido pelo jornal na 5ª e na 6ª feira da semana passada. O Movimento dos Sem Mídia estuda a possibilidade de tais textos terem infringido a lei.

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

(***) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

O PiG reforça o preconceito contra o nordestino | Conversa Afiada

Xenofobia, homofobia. Até onde vai a intolerância ?

Conversa Afiada
Publicado em 15/11/2010


Ontem em São Paulo: intolerância se aprende na escola

Saiu no Agora (único jornal de São Paulo que presta), pág. A-6.

Jovens espancam quatro em ataques na Avenida Paulista.

Polícia apura homofobia em três ataques cometidos por cinco jovens de classe média.
Os “atacantes” moram com os pais em bairros de classe média e classe média alta e estudam em colégios particulares.
Eles deram socos e usaram lâmpadas fluorescentes.
Um dos “atacados” é homossexual.
Uma das vítimas disse na delegacia que enquanto batiam, os jovens gritavam “bicha, você é v… está com o namorado ?”.
Os “atacados” vinham ou iam para o trabalho.
O ataque foi às 3h da manhã de ontem.

Navalha

NAVALHA

Segundo o Agora (único jornal que presta em São Paulo), este é o terceiro caso de intolerância em São Paulo de outubro para cá.
A intolerância vai por degraus.
A ordem dos degraus não altera a intensidade da intolerância.
Cabem nela os homossexuais, os pobres, os nordestinos, os que defendem o aborto, os judeus, os muçulmanos – os diferentes.
A melhor maneira de aprender a odiar o “diferente” é estudar em escolas em que só há “iguais”.
É assim que terminam políticas para desconstruir a escola pública em benefício da escola particular: em intolerância, a fase inicial do racismo.
A nova onda de intolerância começou no segundo turno desta eleição, quando o candidato José Serra e seus brucutus na internet trouxeram para a sala de jantar o vaso sanitário da patologia social brasileira.
Clique aqui para ler sobre como Serra criou a Direita Cristã no Brasil.
Serra montou no dragão da maldade.
Não ganhou a eleição.
Mas vai tentar ganhar de novo.
Só tem um problema.
O dragão da maldade é ingovernável.
Pode derrubar o cavaleiro (de novo).
Clique aqui para ler sobre a entrevista do professor Durval Albuquerque Jr. A respeito do preconceito contra o nordestino.

Paulo Henrique Amorim

Xenofobia, homofobia. Até onde vai a intolerância ? | Conversa Afiada

Emir Sader: Pactos de elite na história brasileira

Viomundo - O que você não vê na mídia
15 de novembro de 2010 às 11:21

15/11/2010

por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

Tivemos a proclamação da República mais de seis décadas depois da independência, porque esta nos levou de Colônia à Monarquia pelas mãos do monarca português, que ainda nos ofendeu, com as palavras – que repetíamos burocraticamente na escola- “antes que algum aventureiro o faça”. Aventureiros éramos nós, algum outro Tiradentes, ou algum Bolívar, Artigas, Sucre, San Martin O´Higgins, que lideraram revoluções de independência nos seus países, expulsando os colonizadores em processos articulados dos países da região.
Foi o primeiro pacto de elite da nossa história, em que as elites mudam a forma da dominação, para imprimir continuidade a ela, sob outra forma política. Neste caso, impôs-se a monarquia. Tivemos dois monarcas descendentes da família imperial portuguesa, ao invés da República, construindo estados nacionais independentes, expulsando os colonizadores ao invés do “jeitinho” da conciliação.
Como sempre acontece com os pactos de elite, o povo é quem paga o seu preço. Enquanto nos outros países do continente, as guerras de independência terminaram imediatamente com a escravidão, esta se prolongou no Brasil, fazendo com que fossemos o último país a terminar com ela, prolongando-a por várias décadas mais. Nesse intervalo de tempo foi proclamada a Lei de Terras, de 1850, que legalizou – mediante a grilagem, aquela falcatrua em que o documento forjado é deixado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer um documento antigo – todas as terras nas mãos dos latifundiários. Assim, quando finalmente terminou a escravidão, não havia terras para os escravos, que se tornaram livres, mas pobres, submetidos à exploração dos donos fajutos das terras.
Dessa forma, a questão colonial se articulou com a questão racial e com a questão agrária. Esse pacto de elite responde pelo prolongado poder do latifúndio e pela discriminação contra a primeira geração de trabalhadores no Brasil, os negros que, trazidos à força da África vieram para produzir riquezas para a nobreza européia como classe inferior. Desqualificava-se ao mesmo tempo o negro e o trabalho.
A República foi proclamada como um golpe militar, que a população assistiu “bestializada”, segundo um cronista da época, sem entender do que se tratava – o segundo grande pacto de elite, que marginalizou o povo das grandes transformações históricas.

Emir Sader: Pactos de elite na história brasileira | Viomundo - O que você não vê na mídia

domingo, 14 de novembro de 2010

Gilson Caroni: Olurun Eke e a república incompleta

Viomundo - O que você não vê na mídia
14 de novembro de 2010 às 12:36
por Gilson Caroni Filho, em Carta Maior

Ao incluir o Dia da Consciência Negra no calendário escolar, a lei 10.639, de 9 de janeiro de 2003, não propiciou apenas um resgate da história dos povos negros. Foi bem além. Ensejou a necessidade de um novo olhar sobre culturas que, ao contrário da postulação ocidental, não colocam a questão da Verdade, de conteúdos absolutos e inarredáveis, de essências escondidas atrás de formas ou aparências. Sua riqueza é de outra ordem. E talvez este seja o significado mais profundo do dia 20 de novembro: memória e resistência como possibilidades históricas.

Para os que estudam a cultura afro-brasileira, é importante registrar a dinâmica de suas origens. Nelas, observamos uma espécie de culto da forma pela forma, algo como a valorização das dimensões plásticas. Seus mitos, rituais, danças, jogos e orações não remetem a quaisquer referências que lhes sejam exteriores, não expressam “outra coisa”, não são aparências de uma essência. Portanto não podem ser “decifrados”, “interpretados” ou “descobertos”, como ainda pretendem algumas de nossas teorias da cultura, herdeiras do ranço etnocêntrico do velho colonizador.

É o que apreciamos na aparentemente inconciliável visão de mundo que parece existir em alguns poetas negros, como Solano Trindade (1908-1974). Em versos como “A minha bandeira/ É da cor de sangue/ Olurun Eke/ Da cor da revolução/ Olurun Eke“, há uma estranheza que parece apontar para ausência de sentido lógico. Pura ilusão. O que lemos são instantes culturais, sínteses de uma vida vivida, de um artista ao sentir a realidade trágica do que é ser negro, também no Brasil.

Na verdade, do ponto de vista dos afro-descendentes, as expressões artísticas são mais para serem percebidas sensorialmente, vistas com a Alma, do que para serem “entendidas”. Existe, portanto, uma defasagem entre aquilo que se quer dizer de um lado, e o que se consegue transmitir na realidade. É exatamente neste espaço que o negro brasileiro consegue criar as coisas mais bonitas de sua produção simbólica e de maior valor para sua negritude.

Ser negro no Brasil de 2010 é, culturalmente, assumir a Alma Popular: é pensar a partir do ponto de vista do povo. É, sobretudo, estabelecer sintonia ideológica com as classes sociais que foram exploradas durante nossos 510 anos de história. O grande saque que se iniciou com a invasão portuguesa, por causa do pau-brasil, continuou e prosperou até depois da Independência, sempre a beneficiar os brancos. Consolidou-se com a Abolição/Proclamação da República, e continua até os nossos dias.

No terceiro milênio, da perspectiva do negro, a paz, objetivo perseguido por toda a espécie humana, passa necessariamente pela resolução dos problemas que o grande saque, ocidental e cristão, criou para a negritude. No Dia da Consciência Negra, é preciso repudiar a História do Brasil como um suceder de arranjos, combinações, “jeitinhos” em que o conflito nunca aparece ou, se vem à tona, é considerado como “coisa externa à nossa gente”.

O processo de desestruturação do mito da “democracia racial” no campo teórico tem avançado muito nos últimos anos. Já no terreno social e da luta política, apesar das políticas públicas implementadas recentemente, o atraso ainda é considerável. Por isso, é necessário resgatar a memória histórica dos negros, em todos os tempos e sentidos. Olurun Eke, para que a República seja proclamada em definitivo.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil
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