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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Funcionários públicos - baderneiros!!

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Kassab e suas prioridades – foto: Marco Godoy/Sindsep

Recebi um e-mail com o texto abaixo, bem interessante, que vale a divulgação. A imagem é um recorte da foto é do colega jornalista do SINDSEP, Marco Godoy.

Amigos leitores!

Estava eu, passando pela rua Vergueiro ontem, quando me deparei com uma cena inusitada. Um bando de de baderneiros, arruaçando na avenida com faixas, cartazes e apitos.
Atentei para alguns rostos e me pareceram familiares alguns deles. Notei se tratar dos funcionários da SVMA que lutam por aumento nos salários e condições melhores de trabalho.
Ora bolas! Um absurdo essa manifestação? Querem aumento de salário?O prefeito não já aumentou em 0,01%? Querem mais que isso?
Funcionários estão sempre descontentes né? A sobrecarga de funções, o excesso de deliberação, falta de gente, tudo isso faz parte. Funcionário público tem que valer por dois mesmo. Melhor, se dividir em 3. Tem de servir o estado, a população e sua própria família. Esta deve vir por último.
Ainda têm a ousadia de querer comparar seu aumento de salário com o do Kassabão. Se o Kassab teve aumento de quase 100% esse ano, é por sua luta incessante contra a corrupção e por sua história política. Ele foi... foi... foi vereador!! Mesmo que ninguém lembre, foi sim um vereador em 1995. Ah, e nao podemos esquecer que foi secretario do Pitta. Tá certo que aumentou seu patrimonio na época em mais de 300%, mas foi graças a sua competência. Tanto que um grande desembargador mandou pararem com um processo que queria saber como ele tranformou a competência em recurso financeiro.
O Kassab aumentou seu patrimonio de meros 100 mil, para 5 milhoes em apenas 10 anos de dedicação à vida pública. Um gênio! Precisa desse aumento de salário para se equiparar a sua condição financeira.
Não posso deixar de me revoltar com o descalabro desses servidores, em criticar o aumento de 250% dos secretários. É uma ofensa!!
Nossos secretários estão lá por formação acadêmica, por capacidade técnica. Jamais ocupariam um cargo técnico por amizade, esquema ou qualquer coisa dessas. Estão lá por pura competência técnica. Afinal, é um cargo importante. Não vemos muito suas ações, porque não temos a mesma capacidade intelectual para interpretar suas ações. Mas estão lá, incansavelmente trabalhando.
No mais, acho essa greve descabida. Afinal, os servidores tem tudo que precisam para servir a sociedade. Um mesa, uma cadeira, uma garrafa de café, e são tão bem considerados, que possuem um acúmulo de funções nos seus cargos. Jamais São Paulo valorizou tanto seus amados servidores como nessa gestão.

Silvano - Projeto Mais Verde

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Embaixador dos EUA apóia a redução de reserva legal da Amazônia tal qual Rebelo

Viomundo – O que você não vê na mídia 
Em telegrama, embaixador é favorável à redução de reserva legal

por  Natalia Viana, no blog CartaCapital/WikiLeaks

O Código Florestal, cuja proposta de alteração volta à plenária da Câmara hoje, foi tema de um telegrama escrito pelo embaixador americano no Brasil, Thomas Shannon, em fevereiro deste ano.

Nele, Shannon transmite uma visão favorável à redução da reserva legal – uma das principais propostas do projeto de lei de de autoria de Aldo Rebelo.

O PL prevê reduzir a proporção da propriedade que deve manter a vegetação nativa (por exemplo, na Amazônia ela cairia de 80% para 50% da propriedade), além de extinguir a exigência da reserva legal para pequenas propriedades. O projeto também anistia quem não preservou e ocupou indevidamente encostas e beiras de rios.

A bancada ruralista no Congresso pressiona pela votação do projeto ainda este ano, enquanto o governo quer deixar para o próximo. O líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT/SP) colocou o pedido de urgência na tramitação em votação, mas garantiu que a votação do projeto em si só sai no próximo ano.

Foco na Amazônia

O telegrama enviado por Shannon às 19:01 do dia 10 de fevereiro deste ano começa com um apanhado histórico sobre a legislação para depois entrar em detalhes sobre a questão da reserva legal.  O foco  é a Amazônia. Segundo Shannon, se justifica a decisão do governo Lula de postergar a aplicação da lei – que prevê multas e sanções para os fazendeiros que não respeitarem a reserva legal. “Não é nenhuma surpresa que o governo tenha evitado transformar milhões de fazendeiros em criminosos que poderiam perder suas terras; especialmente em face das eleições de outubro de 2010″.

Ele duvida que o governo consiga efetivamente aplicar a lei – e prevê que pode haver violência se o fizer.

“Se o governo quiser com seriedade penalizar um grande número de donos de terra em violação ao Código Florestal, pode esperar uma dura oposição e possivelmente até um combate violento como aqueles que aconteceram na cidade de Tailândia no ano passado, depois que o governo fiscalizou madeireoso ilegais em Novo Progresso, onde mesmo pesquisadores brasileiros vistos como ‘xeretas’  foram expulsos”. Na ocasião, protestos de madeireiros interromperam uma operação de fiscalização ralizada pelo Ibama e a Secretaria do Meio Ambiente do Pará.

Shannon se reuniu com um representante da Confederação Nacional da Agricultura, de quem não cita o nome, e comenta que as propostas para reduzir para 50% a reserva legal “possibilitariam que uma grande quantidade de fazendeiros que não conseguem se sustentar economicamente respeitando a reserva de 80% possam seguir a lei”.

Para ele é uma “infelicidade” que projetos como o Zoneamento Ecológico-Econômico, que autoriza a redução de até 50% da área para fins de recomposição de reserva legal, não possam ser adotados mais amplamente. Ao mesmo tempo, o diplomata reconhece o progresso do governo no combate ao desmatamento e elogia ações no sentido de regularizar a situação fundiária da região norte. “Nunca tendo sido implamentada,  (a reserva legal) serviu principalmente como ponto de disputa entre os fazenderios e  ambientalistas, enquanto outras políticas menos controversas têm sido eficazes em reduzir as taxas de desmatamento na Amazônia”, conclui Shannon. “Se as taxas de desmatamento continuarem a cair, então o movimento ambientalista pode mostrar mais fexibilidade em um compromisso mais pragmático em relação ao Código Florestal quando o tema voltar à pauta em 2011″, aposta o embaixador.

Embaixador dos EUA apóia a redução de reserva legal da Amazônia tal qual Rebelo | Viomundo - O que você não vê na mídia

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Via Campesina rechaça proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal

Viomundo – O que você não vê na mídia
da Página do MST

Diante da pressão da bancada ruralista para aprovar neste ano o relatório do deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB), que flexibiliza o Código Florestal, os movimentos que compõem a Via Campesina Brasil reafirmam a sua posição pela manutenção da legislação vigente e contra o relatório em discussão.

“A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro. Rechaçamos a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por desmatamentos”, afirma nota com a posição oficial da Via Campesina.

Abaixo, a nota da Via Campesina Brasil

A Via Campesina Brasil reafirma a sua posição pela manutenção do atual Código Florestal Brasileiro.

Rechaçamos a proposta de alteração apresentada pelo deputado Aldo Rebelo, que incorpora as grandes pautas dos ruralistas, como redução da Área de Preservação Permanente e a anistia das multas por desmatamentos.

O Código Florestal é uma legislação inovadora, que está pautada pela utilização sustentável da floresta. Ao contrário do que dizem os ruralistas e seus aliados, o Código Florestal não cria áreas improdutivas, intocadas.

Ele apenas define que, acima dos interesses privados e do lucro, está o interesse de toda a sociedade brasileira para que a floresta seja usada de forma sustentável.

A Via Campesina defende um amplo pacote de políticas públicas e programas que possibilitem a utilização sustentável das áreas de preservação permanente e de reserva legal.

Desde 2009, apresentamos como propostas assistência técnica capacitada para o manejo florestal comunitário; crédito e fomento para desenvolvimento produtivo diversificado; recuperação das áreas degradadas com sistemas agroflorestais; planos de manejo madeireiro e não-madeireiro simplificados; canais de comercialização institucional que viabilizem a produção oriunda das florestas.

Para quem produz alimento, que são os agricultores camponeses, quilombolas e indígenas, o Código Florestal não é um problema, mas sim a ausência do Estado em sua correta implementação.

Para o latifúndio do agronegócio, que se utiliza da monocultura, de quantidades gigantescas de agrotóxicos e de trabalho escravo, o Código Florestal é um empecilho, que deve ser destruído assim como as florestas da Amazônia, da Caatinga e do Cerrado.

É fundamental lembrarmos que a proposta apresentada pelo deputado Aldo Rebelo é apoiada somente pelos ruralistas.

Além da oposição de partidos como PT, PV e PSol, o relatório do deputado foi rechaçado por todos os grandes movimentos sociais do campo brasileiro, pelas principais entidades de pesquisa acadêmica do país e por inúmeras organizações e intelectuais.

Em mais um esforço para a destruição do Código Florestal, deputado Aldo está pressionando os líderes dos partidos a dar caráter de urgência ao seu relatório, colocando-o para votação imediata.

É evidente a manobra do deputado e da bancada ruralista, que visa apenas evitar o debate aprofundado da sociedade. Querem no apagar das luzes de seus mandatos imprimir um golpe fatal contra o meio ambiente e toda a sociedade brasileira, em uma atitude totalmente antidemocrática.

Conclamamos toda a sociedade e, em especial, às organizações aliadas da luta da Via Campesina, a enviarem correios eletrônicos para todos os deputados federais, exigindo que haja mais tempo para o debate desse tema tão importante e tão polêmico.

A mobilização social é fundamental, pois com o encerramento do ano essa votação pode acontecer a qualquer momento, a partir desta terça-feira, dia 14 de dezembro.

Digamos não ao pedido de urgência para o relatório do deputado Aldo Rebelo!

Via Campesina Brasil
Associação Brasileira dos Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF
Conselho Indigenista Missionário – CIMI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Federação dos Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
Movimento dos Atingidos por Barragens – MAB
Movimento das  Mulheres Camponesas – MMC
Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA
Movimentos dos Pescadores e Pescadoras Artesanais
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Pastoral da Juventude Rural – PJR

Via Campesina rechaça proposta de Aldo Rebelo para o Código Florestal | Viomundo - O que você não vê na mídia

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Só a imprensa brasileira não viu

Man made fires to clear the land for cattle or crops in Sao Felix Do Xingu Municipality, Para, Brazil - June 2009 BBC: The figures suggest scenes like these are getting rarer in the Amazon

Os Amigos do Presidente Lula
O  jornal britânico "Guardian" postou matéria escrita por Tom Phillips a Manaus, com a manchete: "Desmatamento do Brasil está no menor nível em décadas", isso "graças às ações do governo Lula e ao impacto da crise financeira global". A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chamou os dados de "fantásticos", os melhores "na história da Amazônia". A matéria está também na  BBC etc.

Os Amigos do Presidente Lula: Só a imprensa brasileira não viu

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Desmatamento na Amazônia cai 14% e alcança menor taxa em 22 anos, diz Inpe

dezembro 1st, 2010 | Autor: Jussara Seixas

Entre agosto de 2009 e julho de 2010, a Amazônia perdeu 6.450 quilômetros quadrados (km²) de floresta. É a menor taxa anual de desmate registrada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), desde o início do levantamento, em 1988. A área desmatada equivale ao tamanho do Distrito Federal ou a quatro vezes o da cidade de São Paulo. O número foi divulgado hoje (1°) pelo diretor do Inpe, Gilberto Câmara, e representa uma queda de 14% em relação ao ano passado, quando o desmatamento atingiu 7,6 mil km² da Amazônia Legal. “É um número auspicioso, é uma redução de 14% em relação ao ano anterior, que já teve uma redução significativa”, avaliou Câmara. A taxa é calculada pelo Projeto de Monitoramento do Desflorestamento na Amazônia Legal (Prodes), que utiliza satélites para observação das áreas que sofreram desmatamento total, o chamando corte raso.
O desmatamento anual ficou acima do esperado pelo governo, que projetava uma taxa de 5 mil km². Segundo Câmara, o Inpe registrou redução significativa do desmatamento nos três estados que tradicionalmente lideram o ranking de derrubadas: Mato Grosso, Pará e Rondônia. Com a taxa de anual de 6 mil km², o Brasil se aproxima da meta de reduzir o desmatamento da Amazônia em 80% até 2020. Pelo cronograma, assumido em compromisso internacional, daqui a dez anos, o país chegará a uma taxa anual de 3,5 mil km² de desmate. O governo já cogita antecipar o cumprimento da meta para 2016. De acordo com o Inpe, a margem de erro da estimativa anual de desmatamento é de 10%, ou seja, pode resultar em uma variação de 645 km² para ou mais ou para menos quando os dados forem consolidados.

Desmatamento na Amazônia cai 14% e alcança menor taxa em 22 anos, diz Inpe

domingo, 28 de novembro de 2010

Encontro com blogueiros: nomeações, vetos e copa do mundo

Os Amigos do Presidente Lula
quinta-feira, 25 de novembro de 2010

No encontro do presidente Lula com blogueiros no Palácio do Planalto, Túlio Vianna, do Blog de mesmo nome, de assuntos jurídicos, perguntou sobre o descompasso entre o perfil conservador de muitos ministros nomeados pelo Presidente, diferente de sua ideologia e de seu governo. Ele perguntou se o novo ministro a ser indicado seria mais progressista:

O twitteiro Albero Porem Júnior, peguntou se a infra-estrutura para Copa e Olimpíadas não estão atrasadas e se dá tempo:

A internauta Natali perguntou se o presidente vai permitir o novo Código Florestal que destruirá nossa meta de clima. O presidente disse que negociará, e se preciso tem a convicção de que Dilma vetará o que fugir aos acordos negociados:

Os Amigos do Presidente Lula: Encontro com blogueiros: nomeações, vetos e copa do mundo

sábado, 20 de novembro de 2010

Kassab, Robin Hood às avessas


Reeditado em 22/11/1 às 21:31
Mesmo com um orçamento com crescimento de 22% previsto para 2011, Kassab decidiu cortar gastos (valores absolutos) em gestão ambiental, agricultura e regiões mais pobres da cidade. Os valores podem ser conferidos abaixo no trecho obtido do site do Vereador Donato do PT. Kassab parece não ter aprendido nada nestas eleições. Enquanto o debate que definiu a eleição nacional girou em torno de questões como meio ambiente, agricultura familiar e distribuição de renda, o Prefeito prefere a contra-mão. Numa versão às avessas de Robin Hood, optou por ampliar gastar em Subprefeituras de regiões centrais, retirando receita das periferias. Parece apostar para as próximas eleições, em parte do eleitorado de classe média, e contando com votos daqueles que apóiam a estudante de direito Mayara que prega no twiter afogar nordestinos. Ou espera votos daqueles que educam filhos para a homofobia e para a agressão a outros jovens com lâmpadas fluorescentes. Esquece-se dos mais pobres e que parte deles ascendeu à classe C.
DESPESAS
Nas despesas entram todos os investimentos que a Prefeitura fará no próximo ano. Por exemplo com hospitais, escolas, pagamentos de funcionário, etc.
Há muitas discrepancias nos investimentos. Áreas que sofreram grandes reduções e outras áreas grandes aumentos.
Chama a atenção, os investimentos em meio ambiente. Os recursos para gestão ambiental caíram de R$ 423.000.000,00 para R$ 351.234.000,00, uma redução de mais de 17%. Os recursos para a agricultura, caíram de R$ 15.780.000,00 para R$ 11.784.000,00, queda de mais de 25%. A Secretaria do Meio Ambiente sofreu um corte de mais de 12% em seu orçamento total.
Outra área que sofreu cortes drásticos fora os investimentos em acessibilidade. A Secretaria da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida sofreu redução de quase 15%.
Demonstração de que a Prefeitura não prioriza as pessoas que mais precisam de atenção nem o meio ambiente. Está preocupada em fazer obras. Vejamos por exemplo os índices de crescimento no orçamento da Secretaria de Infra-estrutura Urbana e Obras, cujo orçamento subiu de R$ 369.707.541,00 para R$ 1.578.023.009,00, aumento de 326,8% em relação ao ano de 2010. O mesmo aconteceu com a Secretaria de Desenvolvimento Urbano, subiu de R$ 60.116.017,00 para R$ 286.878.092,00, aumento de 377,2%.
Outro dado que chama a atenção, são os investimentos nas Subprefeituras, ou seja, nos bairros da cidade. Ve-se que os orçamentos das Subprefeituras das regiões mais pobres da cidade, como as Subprefeituras de M’Boi Mirim, Campo Limpo, Capela do Socorro, Cidade Ademar e Itaim Paulista  foram os que mais sofreram redução. Já os orçamentos das Subprefeituras das regiões centrais da cidade, como Vila Mariana, Mooca e Pinheiros, sofreram aumentos.

Subprefeituras das regiões mais pobres tiveram orçamento reduzido.

Senadora do latifúndio e desmatamento dá palestra a juízes

Viomundo - O que você não vê na mídia
19 de novembro de 2010 às 20:42

Kátia Abreu faz palestra em encontro de juízes patrocinado pela CNA

por Conceição Lemes

De 11 a 13 de novembro, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) realizou, em Aracaju (SE), o IV Encontro Nacional de Juízes Estaduais, cujo tema foi “Justiça e Desenvolvimento Sustentável”.
O IV Enaje arrecadou R$ 1,05 milhão em patrocínios. Um, em particular, chamou-nos a atenção. Os R$ 100 mil pagos pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), comandada pela senadora Kátia Abreu (DEM-TO).

Kátia Abreu, segundo reportagem de Leandro Fortes em CartaCapital, é a rainha do latifúndio improdutivo:
Com a espada da lei nas mãos, e com a aquiescência de eminências do Poder Judiciário, ela tem se dedicado a investir sobre os trabalhadores sem-terra. Acusa-os de serem financiados ilegalmente para invadir terras Brasil afora.
Foram ações do poder público que lhe garantiram praticamente de graça extensas e férteis terras do Cerrado de Tocantins. E mais: Kátia Abreu, beneficiária de um esquema investigado pelo Ministério Público Federal, conseguiu transformar terras produtivas em áreas onde nada se planta ou se cria. Tradução: na prática, a musa do agronegócio age com os acumuladores tradicionais de terras que atentam contra a modernização capitalista do setor rural brasileiro.

Kátia Abreu é processada também por ter desmatado ilegalmente 776 hectares sem autorização Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). Por isso, recebeu multa de R$ 77 mil, até hoje não aplicada porque recorreu à Justiça. Embora já tenha vendido as terras, continua respondendo ao processo, pois a multa é intransferível.
Curiosamente, foi uma das palestrantes do IV Enaje, que reuniu 600 juízes do Brasil inteiro. Falou no painel “Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável”.
Considerando 1) as denúncias de desmatadora e grileira que pesam sobre Kátia, 2) a criminalização que faz dos movimentos sociais do campo, 3) o lobby do latifúndio e 4) o fato de o poder judiciário ser atualmente um dos gargalos da reforma agrária no Brasil, a parceria CNA/AMB levanta dúvidas.
A avaliação de que o Judiciário é um dos entraves à reforma agrária é do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST. Explica-se. O governo desapropria áreas consideradas improdutivas. Seus proprietários entram com recurso. A Justiça normalmente aceita. Cria-se um impasse. O governo já expropriou a terra, mas o caso fica parado na Justiça e as famílias acampadas, à espera da decisão final.

Reportagem de Phydia de Athayde e Rodrigo Martins, também publicada em CartaCapital , reforça a avaliação do MST:

A região do oeste paulista é simbólica por potencializar alguns entraves à reforma agrária no País. No caso, o conservadorismo do Judiciário somado ao excesso de recursos ajuizados pelos proprietários. Valdez Farias, procurador-geral do Incra, diz que o estado de São Paulo é especialmente problemático nesse ponto porque, diferentemente de outras áreas, todos os recursos possíveis são aplicados.

AMB: “JUÍZES NÃO SÃO INFLUENCIADOS ASSIM COMO REPÓRTERES NÃO SÃO PELA PUBLICIDADE”

O Viomundo questionou então a Associação dos Magistrados Brasileiros:

1) O tema do IV Enaje foi desenvolvimento sustentável. Não configuraria conflito de interesses o patrocínio da CNA?

2) Desenvolvimento sustentável envolve propriedade da terra. O patrocínio da CNA não poderia gerar na cabeça dos juízes uma boa vontade em relação aos latifundiários em detrimento de movimentos dos trabalhadores rurais sem terra?

3) A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, tem ações na Justiça nas áreas agrária e ambiental.  É compatível, ético, uma ré fazer palestra para juízes que podem um dia julgá-la?

4) Os recursos arrecadados com o patrocínio foram destinados a quê? Pagou despesas de juízes?

A AMB, por intermédio da assessoria de imprensa, respondeu-nos por email:

1) O convite à senadora Kátia Abreu para o painel Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável deveu-se à representação da entidade junto ao tema.  Destacamos que o painel não foi unilateral. Havia outro palestrante Raul do Valle, advogado especializado em meio ambiente e assessor jurídico da ONG Instituto Socioambiental (ISA) com ponto de vista oposto.

2) Os patrocínios são dados à entidade e não aos juízes individualmente. Da mesma forma que repórteres não são influenciados pela publicidade veiculada nos jornais em que trabalham, os juízes não são influenciados por patrocinadores de eventos. Além disso, durante o encontro eles ouviram pontos de vista divergentes.

3) A senadora estava representando um setor produtivo da sociedade, da qual é presidente, e o assunto se ateve ao tema proposto. Naquele auditório ela não estava participando de um julgamento, e sim de um debate cujo o tema foi Código Florestal e Desenvolvimento Sustentável. Se verdadeira, a premissa da pergunta proibiria os juízes de ter contato com qualquer pessoa em qualquer local, visto que todos estão sujeitos a sofrer processos. É como achar que o juiz deve viver isolado.

4) Os recursos foram aplicados na organização e infra-estrutura do evento. Cada juiz pagou sua própria despesa, como passagem, hospedagem e, inclusive,  inscrição. Além da CNA, várias outras entidades patrocinaram o evento.

JUÍZA DORA MARTINS: “INSUSTENTÁVEL A DEFESA DO IV ENAJE”

Diz a velha máxima: À mulher não basta ser só honesta; tem de parecer honesta.  Por isso, ouvimos também a Associação de Juízes pela Democracia (ADJ).

“A questão dos patrocínios é bastante passível de crítica. Afinal, juízes têm de ser éticos e independentes, sem se influenciar pelo peso de suas ideologias”, afirma a juíza Dora Martins, da AJD. “Além de éticos, têm ainda a obrigação funcional de mostrar e não expor a imagem da Justiça a interpretações dúbias.”

“Não creio que os juízes fiquem de mãos e consciência amarradas só por conta do patrocínio. Porém, publicamente, isso depõe contra a  imagem do Poder Judiciário”, diz Dora Martins.” A partir do momento em que no nosso sistema, capitalista, impera o poder do ‘poder’ e do dinheiro, fica insustentável a defesa de um evento como IV Enaje, do jeito que foi elaborado.”

“De modo algum, os juízes que porventura estiveram no tal evento são passíveis de crítica ou qualquer forma de acusação no seu desempenho funcional”, salienta Dora Martins. “Porém, parece-me desnecessário a exposição da magistratura nacional a esse tipo de situação, evitável,  e que, trazida ao conhecimento público, permite ser interpretada de todos (e qualquer) os modos.”

“A independência judicial é o bem mais caro que todo juiz deve ter, zelar e lutar”, arremata.  “Tudo o que possa colocar isso em risco deve ser afastado, evitado e rejeitado.A transparência é outra virtude a ser buscada no exercício dos poderes do Estado, inclusive no poder Judiciário.”

Kátia Abreu faz palestra em encontro de juízes patrocinado pela CNA | Viomundo - O que você não vê na mídia

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Um desabafo pelo meio ambiente

Publico aqui o relato e desabafo da navegante Ligia Mara ao comentar a postagem Aterro é construído em área protegida que publiquei discutindo a notícia do Jornal da Tarde. A reportagem denunciava uma área protegida da Mata Atlântica em São Mateus, Zona Leste sendo transformada em aterro por empresa contratada por Kassab.

Ligia Mara Mencarelli comentou:
Sou integrante do GEAL - Grupo de Educação Ambiental no Local. O grupo tem como objetivo ensinar a importância da preservação do meio ambiente em parques, APAS e demais áreas verdes às pessoas. O grupo se reúne mensalmente para a prática. Somos moradores da Zona Leste e o Morro do Cruzeiro tornou-se nosso santuário. Quando nosso destino é o Morro, fazemos o trajeto, de 18 km na caminhada. Em 22/08 fomos a mais uma de nossas visitas, pois temos como hábito recolher todo o lixo, que lá encontramos. Quando lá chegamos, a decepção foi total. O desmatamento foi intenso. Acredito que as pessoas não estavam conscientes do que seria realizado ali. Achávamos que o CTL não atingiria a Nascente do Rio Aricanduva. A nascente maravilhosa havia se tornado um pequeno veio, que teimava em sair da terra, em meio a montanhas de terra e árvores arrancadas, raízes e cobertura superficial, queimadas. A pergunta é: Quem ganhou com isso? O problema do lixo pode ter sido resolvido por um pequeno espaço de tempo. E a nascente? Não tem importância? Encontrar uma nascente de água potável, em pleno século XXI é comum? Como explicar aos jovens, que por vezes ensinamos a importância da preservação, que a Prefeitura compactua com tamanho crime? Por que não investir em coleta seletiva e educação da população, para que o problema do lixo possa ao menos ser minimizado? Volto a perguntar: se é que alguém pode me responder, quem ganhou com isso?

Morro do Cruzeiro, segundo ponto mais alto de SP, fica a 500 metros do novo aterro (Foto: J.F. Diório/AE)
Morro do Cruzeiro, segundo ponto mais alto de SP, fica a 500 metros do novo aterro (Foto: J.F. Diório/AE)
Marici Capitelli