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segunda-feira, 25 de julho de 2011

Auto-regulação da mídia não funciona

Por José Dirceu, em seu blog:
Há pelo menos cinco décadas a Grã Bretanha vive uma experiência de amor e ódio com seus tablóides, os principais infratores do código de conduta dos jornalistas. Suas reportagens de capa estampam detalhes indiscretos, quando não picantes, dos ricos e famosos. E, se por um lado, as tiragens da imprensa marrom superam os dois milhões de exemplares, de outro, o país tentou várias fórmulas para coibir os excessos dessa imprensa, renovando suas fórmulas institucionais para fazê-lo. Apesar das várias tentativas, o assunto mais uma vez vem à tona e suscita a discussão da regulação dos meios de comunicação e a concentração de poderes nas mãos de poucos e poderosos conglomerados do setor.
Na prática, a imprensa no Reino Unido é objeto de auto-regulação há mais de 50 anos. A primeira experiência nesse sentido foi a criação de um conselho voluntário de imprensa – o Press Council - em 1953. Na década de 1980, apesar da atuação do conselho, o excesso dos tablóides sensacionalistas foi questionado no Parlamento. Ao invés de novos controles legais, a opção encontrada na House of Commons, equivalente à nossa Câmara dos Deputados, foi a criação de uma nova Comissão Queixas da Imprensa ou Press Complaints Commission (PCC), uma espécie de ouvidoria do setor, composto por jornalistas e representantes da sociedade civil, para substituir o antigo conselho, de caráter de regulação profissional.
Àquela ocasião, a PCC teve a missão de colocar ordem na mídia, defendendo tanto a ética do jornalismo, quanto a liberdade de imprensa. Entre suas ações esteve a publicação de um Código de Conduta dos Editores, acordado entre jornais e revistas. Todos os editores e publishers da Grã Bretanha foram chamados a se submeter ao novo código e a financiar a PCC, via o Press Standards Board of Finance (PRESSBOF), criada desde 1971 pela indústria da publicidade, também auto-regulada.
Modelo esgotado
Com escândalos recorrentes os jornais ingleses estão, mais uma vez, sob os holofotes. Há consenso de que o frágil modelo da PCC esteja esgotado. A Comissão, formada em 1991, exatamente para coibir as práticas dos tablóides ingleses, não tem o poder de impor multas aos órgãos de imprensa nos casos de abusos, ou sequer de cassar o registro de seus profissionais, nos casos de delitos graves. Suas sanções são meramente morais. Seu modelo equivale ao de uma ouvidoria que baseia suas ações em “acordos de cavalheiros”, celebrados entre colegas de profissão. Em seu conselho estão os poderosos editores do Sunday Mirror, Tina Weaver, Ian MacGregor, do Sunday Telegraph, e Peter Wright, Mail on Sunday. Bem ao estilo inglês, costuma resolver as reclamações do público de forma discreta.
A incapacidade de a PCC fazer frente às práticas dos tablóides e dos poderosos grupos de mídia como o de Rupert Murdoch, que detém 37% do mercado editorial doméstico, além de participação no controle de emissoras de TV e de TV a cabo, levou vários parlamentares a questionarem as bases da regulação da imprensa. As críticas à tíbia atuação da PCC vão de David Cameron, premier britânico, ao líder trabalhista Ed Miliband.
Cameron, que foi apoiado por Murdoch em sua eleição, agora dirige suas acusações para a Comissão, acusando-a de ausente. “A forma como a imprensa está sendo regulada hoje não está funcionando”, disse Cameron. Miliband, por sua vez, a descreveu como um “poodle sem dentes”, incapaz, portanto, de coibir o ímpeto de seus investigados.
Acordos ineficazes
Em boa parte, o questionamento do modelo da comissão, presidida pela baronesa Tory peer Buscombe desde 2008, dá-se, principalmente pelo fato de o News of The World – tablóide pivô da crise do grupo de Murdoch – ter sido investigado pela PCC desde 2009. Na ocasião, o relatório final da comissão sobre os excessos do tablóide eximiu o jornal das acusações. Pior. Alegou que as revelações sobre as práticas da publicação de Rupert Murdoch “não corresponderam às dramáticas denúncias” das quais foi alvo.
O fato é que a auto-regulação da imprensa demonstrou claramente os seus limites. Acordos de cavalheiros não têm sido efetivos para coibir práticas ilegais de grupos, pouco afeitos a convenções. Quem põe o dedo na ferida é trabalhista Ed Miliband. Para ele “tal concentração de poder nas mãos de uma pessoa (no caso específico, Rupert Murdoch) é algo prejudicial e que leva a abusos de poder dentro de sua organização”. Ele defende que o país deva prestar atenção sempre que uma pessoa detiver mais de 20% do mercado de imprensa”. Seus comentários, de tão sábios, aplicam-se ao outros países. Lá, como cá, o assunto merece a atenção dos cidadãos e dos legisladores.

http://altamiroborges.blogspot.com/2011/07/auto-regulacao-da-midia-nao-funciona.html

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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

As confusões sobre a propriedade cruzada

Reproduzo artigo de Venício A. de Lima, publicado no Observatório da Imprensa:

A chamada "revolução digital" provocou uma reviravolta no mundo das comunicações. Uma única tecnologia – por exemplo, a fibra ótica – possibilita a transmissão, vale dizer a distribuição para consumidores, tanto de sons como de textos e de imagens. Diluíram-se as fronteiras entre as telecomunicações e a radiodifusão, por exemplo.
Além disso, jornalistas multimídia produzem conteúdo noticioso para rádio, jornal, revistas, televisão e portais na internet. Daí porque se fala na "convergência de mídias", expressão que tem por base as mudanças tecnológicas que permitem, por exemplo, que um "consumidor" escute rádio, veja TV, assista filmes, leia jornais e revistas em um único "receptor" – por exemplo, um computador pessoal.
Há, no entanto, uma diferença fundamental: emissoras de rádio e televisão, assim como operadoras de telefonia fixa e móvel, continuam sendo um serviço público, concedido pela União a grupos privados, para exploração sob determinadas condições e por prazo determinado. Os jornais, revistas e portais na internet, apesar de manterem a natureza de serviço público, não dependem de concessões do poder público.
Já a propriedade cruzada é um conceito da economia política do setor. No Brasil, ela tem sido historicamente a base sobre a qual se consolidaram os oligopólios privados de mídia. Um mesmo grupo, no mesmo mercado, controla diferentes mídias – concessões públicas ou não, em níveis local, e/ou regional e/ou nacional. Essa é a história da formação e consolidação, para ficar apenas em dois exemplos, dos dois principais grupos privados brasileiros de comunicações: os Diários Associados e as Organizações Globo.
Acresce à propriedade cruzada – que nunca foi de fato regulamentada no Brasil – a ausência de controle do Estado sobre a formação de redes (networks), tanto de rádio quanto de televisão.
A exceção é o Brasil
No mundo democrático, a propriedade cruzada no mercado de comunicações é sempre controlada. Nos Estados Unidos a Federal Communications Commission (FCC) começou a regulação quando de sua criação em 1934. O Brasil é uma exceção.
Apesar de o parágrafo 5º do artigo 220 da Constituição ser explícito ao consignar que "os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio", não há regulamentação sobre o assunto.
O fato, aliás, é um dos objetos da Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão (ADO) nº 10 [originalmente Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) nº 4475], da lavra do jurista Fábio Konder Comparato, que trata especificamente da "omissão legislativa inconstitucional em regular a proibição de monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social". Lembra a ADO que...
"(...) para ficarmos apenas no terreno abstrato das noções gerais, pode haver um monopólio da produção, da distribuição, do fornecimento, ou da aquisição (monopsônio). Em matéria de oligopólio, então, a variedade das espécies é enorme, distribuindo-se entre os gêneros do controle e do conglomerado, e subdividindo-se em controle direto e indireto, controle de direito e controle de fato, conglomerado contratual (dito consórcio) e participação societária cruzada. E assim por diante. Quem não percebe que, na ausência de lei definidora de cada uma dessas espécies, não apenas os direitos fundamentais dos cidadãos e do povo soberano em seu conjunto, mas também a segurança das próprias empresas de comunicação social, deixam completamente de existir? Em relação a estas, aliás, de que serve dispor a Constituição Federal que a ordem econômica é fundada na livre iniciativa e na garantia da livre concorrência (art. 170), se as empresas privadas de comunicação social não dispõem de parâmetros legais para agir, na esfera administrativa e judicial, contra o monopólio e o oligopólio, eventualmente existentes no setor? [grifo meu; ver, neste Observatório, "Três boas notícias"].
Parece claro, portanto, que a concentração da propriedade nas comunicações, fundada na propriedade cruzada, não pode ser justificada pela "convergência de mídias".
Propriedade cruzada se refere à oligopolização do mercado, vale dizer, à negação do mercado livre de idéias, tão caro à ideologia liberal. A propriedade cruzada, na prática, significa menos vozes, menos pluralidade, menos diversidade. Um atentado à liberdade de expressão. De fato, uma forma disfarçada de censura.
"Convergência de mídias" se refere a um avanço tecnológico provocado pela digitalização cujas conseqüências, por óbvio, não estão acima da pluralidade, da diversidade e nem da universalidade da liberdade de expressão.
A manchete do Estadão
Nesse contexto, e tendo em vista os esclarecimentos já prestados pelo ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, o que resta de intrigante são as razões de fundo da manchete de primeira página do Estado de S.Paulo de quinta-feira (27/1) e da matéria assinada por três jornalistas – um dos quais o diretor de Redação: "Convergência de mídias leva governo a desistir de veto à propriedade cruzada".
Além do Estadão, quem estaria interessado em confundir "convergência de mídias" com propriedade cruzada? E, mais importante: quem estaria interessado em colocar na agenda pública a precária hipótese aventada por um conselheiro da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), fonte da matéria, como se aquela opinião pudesse constituir uma decisão de governo em matéria que, de fato, é constitucional?
***
PS: Três complementos ao artigo publicado na edição 626 do Observatório, "Barack Obama recua, concentração aumenta":
1- À exceção de um commissioner, a FCC que decidiu sobre a compra da NBCU pela Comcast foi nomeada por Barack Obama. A exceção é Michael J. Coops, cujo mandato está vencido desde 30 de junho de 2010 e que, curiosamente, foi o único que votou contra a decisão;
2. Tanto o CEO da Comcast, Brian Roberts, quanto o CEO da NBCU, Steve Burke, são importantes financiadores de candidatos do Partido Republicano; e
3. Uma das primeiras medidas do comando do novo grupo Comcast/NBCU depois da decisão da FCC foi a confirmação da demissão do comentarista político "liberal" Keith Olbermann, da MSNBC.

Altamiro Borges: As confusões sobre a propriedade cruzada

Blog do Miro

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

As agruras da banda larga

Blog do Miro
Altamiro Borges

Reproduzo artigo de João Brant, publicado no jornal Brasil de Fato:
Todos sabem que a internet em banda larga no Brasil é cara, lenta e para poucos. Apenas 27% das residências são conectadas à banda larga, isso considerando como "largas" conexões a partir de 256 kbps. O Brasil é um dos países em que o serviço é mais caro, tanto em valores absolutos como se considerado o poder aquisitivo da população. E a velocidade ofertada é mentirosa, como denunciam as próprias letras miúdas do contrato – as empresas só garantem 10% da velocidade contratada.
Se pensarmos que a internet viabiliza o acesso a diversos serviços, amplia o acesso ao mercado de trabalho e fortalece a diversidade informativa e cultural, o problema é grave. Concorrência quase não existe; na maioria dos casos, o serviço é prestado só pela operadora de telefonia fixa. Na longa distância, o quadro é ainda pior. Algumas prefeituras tentam oferecer serviço gratuito para a população, mas se veem frente ao controle da rede de longa distância por operadoras privadas monopolistas, que cobram quanto querem.
Para enfrentar esse quadro, o governo desenhou um Plano Nacional de Banda Larga. A principal ação prevista é a reativação da Telebrás, que passa a coordenar o uso das redes de fibra ótica de várias empresas da administração indireta (Eletronorte, Chesf, Petrobras etc.). Ela vai ofertar capacidade de tráfego de longa distância para provedores locais. A expectativa é que essa ação gere competição e abra espaço para milhares de pequenos provedores prestarem o serviço diretamente.
Mas e naquelas cidades em que não há provedores interessados ou não há oferta adequada? A Telebrás diz que nestes casos, e só nesses, vai ofertar o serviço diretamente ao cidadão. Não deveria ser assim. Onde o custo de implementação é mais baixo e há mais usuários dispostos a pagar, a Telebrás não entra. Onde ela vai ter de investir milhões para se instalar e há um mercado pouco lucrativo, ela entra para cobrir as 'falhas de mercado'. É uma concessão injustificável. Banda larga deve ser um serviço público universal, barato e de qualidade para garantir o direito fundamental dos cidadãos a comunicação.

Altamiro Borges: As agruras da banda larga

domingo, 23 de janeiro de 2011

Governo abre diálogo com rádio comunitária

Assista ao vídeo ao final para entender o que é o monopólio das comunicações no Brasil e o que é preciso ser rompido. Conheça as 11 famílias que controlam rádio, tv e imprensa.

Blog do Miro

Altamiro Borges: Governo abre diálogo com rádio comunitária

Reproduzo artigo de Débora Zampier, publicado na Rede Brasil Atual:
Brasília - O secretário executivo do Ministério das Comunicações, Cézar Alvarez, se reuniu neste sábado (22) com representantes da Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) para discutir reivindicações do setor. Alvarez tomou conhecimento das principais questões levantadas no dia de encerramento do 7º Congresso Nacional da Abraço, realizado durante esta semana em Brasília.
Foi a primeira vez em 14 anos que o governo federal estabeleceu um canal de diálogo com a associação e o tom foi de conciliação. "Há uma determinação expressa da presidente Dilma Rousseff ao ministro Paulo Bernardo no sentido de trabalhar a relação com rádios comunitárias - com a Abraço em particular como uma das maiores [entidades representativas] do setor - dentro de uma qualificação da radiodifusão como um todo", disse Alvarez.
O secretário garantiu que as rádios comunitárias terão espaço no Ministério das Comunicações, mas não definiu nada sobre a criação de uma subsecretaria para atender o setor. A proposta de criação de uma subsecretaria foi aprovada na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), em dezembro de 2009.
Apesar da indefinição quanto à subsecretaria, Alvarez garantiu que os radiodifusores comunitários terão espaço na elaboração do marco regulatório da comunicação. "Ele ainda está em fase de estudo no Executivo e ainda tem muitas etapas de debate com a sociedade e com o Legislativo antes de ser implementado".
Uma das principais reivindicações que surgiram durante a reunião é o tratamento diferenciado da potência e da altura das antenas das rádios comunitárias, atendendo a variações urbanísticas e de relevo das cidades. Segundo a Lei da Radiodifusão Comunitária, a potência das rádios é limitada em 25 watts e a antena não pode superar 30 metros de altura.
A Abraço pede uma potência dez vezes maior. Alvarez admitiu que a questão pode ser discutida. "Temos que trabalhar com essa questão da diversidade social e regional do Brasil", afirmou. Os representantes da Abraço também cobraram medidas para que a verba de publicidade do governo também seja distribuída às rádios. O representante do ministério disse não ter uma posição sobre o assunto, mas prometeu estudá-lo.
Entre as reivindicações estão ainda a descriminalização das rádios comunitárias, o fim das ações de agentes de fiscalização e policiais nas emissoras e anistia de multas e também, para quem foi condenado por instalar uma rádio sem amparo legal. "No Rio de Janeiro, é preciso deixar de tratar as rádios comunitárias em favelas como se estivessem a serviço dos traficantes", disse o congressista fluminense Adel Moura.
O secretário executivo do ministério pediu que as denúncias sejam relatadas com documentação completa para averiguação de responsabilidades. Uma nova reunião com os radiodifusores comunitários deve acontecer em 30 dias.

Vídeo Levante Sua Voz

Levante sua voz from Intervozes on Vimeo.

TV Brasil é alternativa à mídia privada

Veja ao final como sintonizar a TV Brasil (na tv e na internet).

Blog do Miro
Altamiro Borges:

Reproduzo artigo de Jacson Segundo, publicado no Observatório do Direito à Comunicação:
Mesmo com índices de audiência ainda baixos se comparados com as emissoras comerciais abertas, a TV Brasil, carro-chefe da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), tem se mostrado uma alternativa cultural e informativa para muitas pessoas. Ela é a televisão nacional que mais exibe filmes brasileiros, produções independentes e tem uma elogiada programação infantil.
É a única que mantém um programa de crítica de mídia (Observatório da Imprensa) e tem uma janela direta para os telespectadores, por meio do quadro Outro Olhar, em que qualquer cidadão pode ter seu vídeo exibido em horário nobre pelo telejornal da emissora. Também talvez seja um dos únicos canais que privilegia o continente africano, com produções que falam da África e um correspondente de jornalismo na região.
"Quem assiste percebe que ali há um certo oásis na TV”, diz o jornalista e ouvidor-geral da EBC, Laurindo Leal Lalo Filho. Segundo Lalo, as maiores audiências e elogios da TV Brasil vêm dos conteúdos que o telespectador não encontra em outras emissoras. É o caso da programação infantil, que tem os índices de audiência mais elevados da TV. E seguindo a mesma lógica, de ser complementar, que fez com que a empresa começasse a transmitir jogos do campeonato brasileiro da série C este ano.
Jornalismo
Como ainda não é um órgão totalmente autônomo do governo federal, desde o nascimento a EBC tem sofrido críticas de alguns setores sobre sua possível falta de isenção em relação ao Executivo. Mas, concretamente, esses casos não têm chegado à Ouvidoria da empresa. O ouvidor-geral Laurindo Leal afirma que a questão do jornalismo governista não aparece nas reclamações dos telespectadores. “Passamos o período eleitoral sem grandes problemas”, relata.
O maior volume de reclamações que chegam aos ouvidos de Lalo não é referente ao que acontece no país. “O mais problemático é a cobertura internacional. Ela repete muitas vezes as posições das agências internacionais. No jornalismo é a grande reclamação”, sentencia.
No entanto, mesmo que não se transformem em reclamações formais, não é difícil assistir a matérias nos jornais da TV Brasil que têm enfoque quase idêntico aos feitos nos telejornais comerciais. Talvez isso aconteça pela dificuldade dos profissionais da empresa em diferenciar o jornalismo da emissora das televisões estatais e privadas.
É por esse motivo que o Conselho Curador aprovou em junho de 2010 um parecer cobrando que seja produzido um novo manual de jornalismo – em substituição ao Manual da Radiobrás - para guiar todos seus veículos. O prazo para confecção do material se encerra em 15 de junho deste ano. Para auxiliar nessa reflexão, o Conselho Curador também pretende realizar um seminário internacional sobre jornalismo público neste semestre.
O Conselho Curador, que é o órgão que representa a sociedade na EBC, também tem começado a olhar com mais cuidado a programação da TV, fazendo análises mais densas sobre as qualidades e falhas dos conteúdos exibidos. No ano passado, os conselheiros se dividiram em grupos temáticos para tornar a avaliação dos programas mais precisa. Além disso, o Conselho tem contratado acadêmicos para contribuir nesse processo com pesquisas.
Os 15 representantes da sociedade no Conselho são dos poucos que têm acesso aos índices de audiência da TV Brasil, já que a direção da empresa não divulga esses números. Segundo a presidente do Conselho, Ima Vieira, é possível verificar que a audiência cresceu nos últimos três anos, mas ainda é necessário atingir muito mais gente do que se atinge atualmente. “Não podemos desprezar esse indicador, pois embora nossa missão não seja fazer comunicação para todos ao mesmo tempo, não podemos produzir conteúdo para ninguém ver”, avalia Ima.
Participação social
O trabalho do Conselho vai além de monitorar os veículos da EBC. Sua atuação perpassa todos outros setores da empresa e sua existência é um principais elementos que distinguem uma TV pública das privadas e estatais. Para o ouvidor Laurindo Leal, a dinâmica do Conselho tem evoluído. “Hoje ele atua. Tem câmaras setoriais, se reune para discutir temáticas, produz documentos, solicita informações”, elogia Lalo.
De fato, quando foi criado, em 2007, o Conselho era mais fechado. Nem as atas das reuniões eram públicas. Além disso, a primeira gestão, presidida pelo economista Luiz Gonzaga Beluzzo, teve 19 dos seus 22 membros indicados pelo presidente da República. Outros dois pelo Congresso e um pelos trabalhadores da EBC.
Em 2009, quando o mandato de alguns conselheiros se encerrou, o processo de escolha foi um pouco diferente. Foram abertas indicações feitas pela sociedade para que o presidente Lula definisse os nomes. Mesmo assim, essas indicações ainda passaram pelo filtro do Conselho e pela escolha do presidente.
Se depender da posição da presidente do órgão, é possível que a próxima eleição de conselheiros seja ainda mais aberta à sociedade. “Acredito que é possível discutir mecanismos que garantam uma participação mais direta da sociedade na escolha e nomeação dos próximos conselheiros”, opinou Ima Vieira.
Para Ima, o Conselho também deve permear mais as decisões da EBC. Ela também defende que os responsáveis pelas diretorias diretamente ligadas ao conteúdo deveriam ser aprovados ou no mínimo referendados pelo órgão, já que é ele o responsável por zelar pela área finalística da empresa.
Além de garantir a autonomia e a independência do Conselho Curador existem outras maneiras de aumentar a incidência da população nos rumos da EBC. Uma delas é a realização de audiências públicas. Outra é o fortalecimento da Ouvidoria da empresa que, além do ouvidor-geral, conta com três ouvidores-adjuntos: um para a Agência Brasil, um para as oito rádios da EBC e outro para a TV Brasil.
Na Agência Brasil existe um canal em que o leitor pode postar seu comentário. Da mesma forma existe um programa que debate as reclamações e sugestões dos ouvintes das rádios. Apenas a TV ainda não conta com um espaço público para a Ouvidoria. A promessa desse programa é antiga e, segundo Lalo, ele só ainda não foi ao ar por falta de condições operacionais. “Já tem até material gravado. Estamos dependendo de acertos finais”, garantiu. Ele terá 15 minutos de duração e será exibido semanalmente.

Altamiro Borges: TV Brasil é alternativa à mídia privada

 

Canais Abertos e Parabólicas
Rio de Janeiro - RJ
Canal 2 – Analógico
Canal 41 – Digital
Brasília - Distrito Federal
Canal 2 – Analógico
Canal 15 – Digital
São Paulo – SP
Canal 62 Analógico
Canal 63 – Digital
São Luis – MA
Canal 2 – Analógico
Se você tem parabólica analógica
Satélite C –2
Freq. – 3750
Banda L – 1.400
Polarização: Horizontal
Se você tem parabólica digital
Satélite C-2
Freq. – 3656
Banda L: 1494
Polarização: Vertical
Symbol Rate: 3930 – FEC: ¾

Por Assinatura

  • NET
    São Paulo – 4 (analógico)
    Brasília – 16 (analógico e digital)
    Rio de Janeiro – 18 (analógico e digital)
    São Luís – 3 (analógico)
    Curitiba - 3 (digital)
    Belo Horizonte – 3 (digital)
    Porto Alegre – 3 (digital)
    Maceió – 6 (analógico)
    Florianópolis – 2 (digital)
    Goiânia – 21 (analógico)
    João Pessoa – 73 (analógico)
    Manaus – 4 (digital)
    Campo Grande – 15 (analógico)
    São José do Rio Preto – 24 (analógico)
    Sertãozinho – 96 (analógico)
    Valinhos – 96 (analógico)
    Marília – 96 (analógico)
    Botucatu – 96 (analógico)
    Jaú – 98 (analógico)
    Cubatão – 12 (analógico)
    Campinas – 5 (digital)
    Santos – 4 (digital)
    Ribeirão Preto – 4 (digital)

Assistir Online:
http://www.tvbrasil.org.br/webtv/

Site:
http://www.tvbrasil.org.br/

  • SKY
    Em todo o Brasil –
    Canal 116
  • OI TV
    Rio de Janeiro e Minas Gerais – Canal 900
  • TELEFÔNICA
    Cobertura Nacional – Canal 695

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

2010: ano dos blogs sujos e do Sujinho;

ano da bolinha, da Dilma e da nova direita

Escrevinhador
por Rodrigo Vianna

Esse foi dos anos mais duros – e mais ricos – na minha vida de jornalista, blogueiro e cidadão.

Fui a Johannesburgo, no meio de 2010, cobrir a Copa do Mundo. Adorei ver de perto a engrenagem do futebol – essa mega empresa mundial. E adorei, sobretudo, conhecer a África – ainda que de forma limitada, com as lentes embaçadas pelo espetáculo da bola.

Muitas lembranças boas ficaram.

Uma tarde de rugby no Soweto – o bairro negro tomado pelos torcedores brancos! Negros abriram suas casas para os brancos – muitos nunca tinham pisado ali. Cena inusual. Emoção verdadeira.

Depois, a  boa conversa com a bailarina que, durante o apartheid, dava aula de dança para negros e brancos, desafiando o regime racista. Detalhe: a bailarina era judia, ouvira do pai o que significava viver em guetos. Resistiu com a dança.

A visita ao Cabo da Boa Esperança, ou Cabo das Tormentas. As histórias de navegantes portugueses sempre me emocionam. Mar bravio, terrível. Paisagem maravilhosa. E a Cidade do Cabo tão linda. Quero voltar pra lá em breve.

Foram 50 dias longe de casa. E antes disso o ano já tinha sido cheio. De coisas boas. E de alguns sustos na vida familiar (já superados).

No primeiro semestre, fundamos o Centro de Estudos Barão de Itararé. Idéia do Altamiro Borges. Quando ele me ligou, no fim de 2009, com o convite para que eu entrasse na diretoria do Barão, cheguei a desdenhar: “Mas, Miro, pra que outra entidade na área de comunicação?” Ele me convenceu. E o Barão já fez muito. Foi no lançamento do instituto que surgiu a idéia de organizar um Encontro Nacional de Blogueiros. Idéia do Azenha – que viu esse movimento florescer nos Estados Unidos. E nós botamos em prática aqui no Brasil.

Foi uma delícia organizar o encontro. Primeiro, pelas reuniões. Todas elas no glorioso “Sujinho”, o bar-restaurante paulistano. Serra deve ter ficado sabendo, por isso resolveu chamar (acusar?) os blogueiros de ”sujos”. Assumimos o apelido, como uma medalha!

Mas o melhor foi ver o evento acontecer em São Paulo, no mês de agosto. 300 e tantos blogueiros de 19 estados. Uma trabalheira organizar isso tudo. Mas uma delícia conhecer tanta gente boa.

Logo depois,a pauleira da eleição. A mais suja da história: e aí a culpa não foi nossa. Era bola cantada. O embate entre Serra e Aécio já fora sujíssimo (todo mundo conhece os bastidores: dossiês, ameaças, “pó parar, governador” etc e tal). Quando Dilma disparou nas pesquisas, em agosto, era só esperar. Serra não decepcionou quem conhecia a fama dele – desde os anos 80. Foi uma campanha tensa, a mexer com os nervos e o estômago de qualquer um.

Tive a o orgulho e a felicidade de participar das batalhas – ajudando a desmontar farsas, e a iluminar um pouco o caminho: a bolinha de papel, o aborto, a gráfica dos panfletos…

Naquele sábado em que os panfletos foram encontrados em São Paulo, passei a madrugada com mais dois companheiros internéticos fuçando arquivos e documentos que ajudaram a descobrir a verdade: a gráfica pertencia à irmã de um dos coordenadores de campanha de Serra. Foi furo nosso, da blogosfera, e o Escrevinhador deu a história em primeira mão!

Tenho orgulho também de ter dito, três semanas antes do primeiro turno, que a bala de prata não era uma só. Mas uma sequência de balas.  Dilma – que se preparara pra responder aos ataques sobre o passado de guerrilheira – não percebera o trabalho sujo feito nas igrejas, nos púlpitos, no boca a boca que disseminou o medo e o ódio religioso. Aqui no blog, gastei o verbo falando sobre isso. É a força da internet. Leitores de várias partes do país me avisavam: olha, a coisa está feia nas igrejas. Simplesmente registrei e dei o alerta. Mas a campanha de Dilma só acordou na última semana do primeiro turno, quando o estrago já estava feito.

Aí veio o segundo turno. Horrível. Mas com momentos hilários – como a tentativa de Serra de virar um Lacerda. Em vez de tiro no pé, levou bolinha de papel na cabeça. De todo jeito, foi tiro no pé.

A vitória de Dilma foi importante. Histórica. Todos os grandes jornais alinhados com o adversário, a Globo com o adversário… E Dilma ganhou. Derrotou Serra, derrotou a direita religiosa. Mas derrotou também Ali Kamel, Otavinho e o bando tresloucado de colunistas de “Veja”, “Estadão” e adjacências.  

O que não deve nublar a verdade: o PT tentou ganhar sem fazer política. Tentou ganhar no embalo da popularidade de Lula. Quem politizou a eleição de 2010 foi Serra. Pela direita. Obrigando (?!) Dilma a buscar apoio da militância no segundo turno.

O Brasil conheceu uma nova direita. Parte da velha classe média tem medo e raiva – e a velha imprensa espelha esse setor. Mas a nova classe média – gestada na era Lula – nasceu já conservadora. A médio prazo, a equação pode não fechar para a esquerda. Isso ficou claro na campanha dominada por aborto, bispos, padres, pastores e reuniões com milicos de pijama. 

O PT mostrou-se uma máquina eleitoral: cada vez mais afastado do “voto de opinião” e das antigas bases. Elegeu bancada forte, com apoio do prestígio de Lula. Mas abriu mão de sustentar valores de esquerda. Essa omissão (ou opção) pode custar caro mais tarde. Mas esse é tema para outros textos…

Novembro ainda foi mês cheio de emoções: a entrevista de Lula aos blogueiros foi histórica. Um marco que muitos não entenderam. “O Globo” entendeu, e desceu o sarrafo, passou recibo com chamada em primeira página. Algo se moveu na comunicação.

Tive a alegria, também, de ver uma série de reportagens sobre sítios clandestinos de tortura ser premiada pelo Movimento de Direitos Humanos, de Porto Alegre. Foi trabalho árduo: começou antes da Copa, e enquanto eu estava na África correndo atrás do Dunga uma equipe grande da TV Record seguia apurando e produzindo -com destaque para Luiz Malavolta e Tony Chastinet.

No mesmo ano, o trabalho na TV me deu a alegria de ir à Copa e de recontar um pedaço perdido da história da ditadura. Nada mal. Sem falar em mais uma meia dúzia de séries de reportagens especiais e de entrevistas (na “Record News”) das quais – quase sempre – só tenho motivos para orgulho.

2010 foi também o ano em que passei a escrever para a revista “Caros Amigos”. Estreei a coluna “Tacape” no mês em que meu ídolo -o doutor Sócrates – era capa da revista. E o mais curioso: o “colega de página” era Fidel Castro. Que responsa!

Cheguei a dezembro quase sem gás. Tirei uma semanade férias no Uruguai. Visitei as ruas, os cafés e as livrarias de Montevidéu, conheci praias lindas e travei de novo contato com a prosa e a poesia de Mario Benedetti. Um respiro, ao lado de minha mulher. 

Quando voltei ao Brasil, havia se instalado um pandemônio na blogosfera. Tiroteio geral. Mais desgaste… A crise passou, felizmente. Mas o ano não terminou.

Descanso agora em São Paulo - a cidade está estranhamente vazia, uma delícia. Mas, no dia 30, pego o avião pra cobrir a posse de Dilma e a despedida de Lula – para a Record. De lá, pretendo atualizar o blog com as impressões do dia primeiro de janeiro. A era Lula acabou. Acabou? tenho dúvidas…

Obrigado a todos os leitores que fizeram o Escrevinhador explodir de audiência em 2010. Especialmente em outubro – quando passamos de 1 milhão de “páginas vistas” e batemos em 600 mil visitantes. O blog saiu do ar duas vezes: uma por ataque de hackers; a outra por execesso de tráfego!

Obrigado aos que me ajudam a fazer o blog, especialmente ao Leandro Guedes e à Juliana Sada – além dos colunistas e amigos mais próximos.  

2010 foi intenso. Só comparável a 1989, quando eu ainda era um estudante e militante nas ruas – sem internet, com mais esperanças e também com mais ilusões. Daquela vez, senti o gosto da derrota. Dessa vez, sinto-me vitorioso – como tantos brasileiros. Mas sem ilusões. O que talvez seja uma vantagem.

Até 2011. É logo ali!

Escrevinhador#more-5801

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

A blogosfera progressista está em crise?

Blog do Miro
Por Altamiro Borges

Nos últimos dias, uma acalorada polêmica tomou conta da chamada blogosfera progressista. Aparentemente, tudo começou com um artigo publicado no excelente blog de Luis Nassif com críticas sectárias ao movimento feminista. Diante das reações, algumas civilizadas e outras também sectárias, o próprio Nassif explicou que o texto não era de sua autoria, mas sim de um dos inúmeros colaboradores do seu blog, e reconheceu o erro na publicação e no tratamento dado à polêmica deflagrada. O clima, porém, já estava carregado, cheio de adjetivações e troca de farpas.
O que poderia ser um rico debate sobre o crônico machismo na sociedade – um debate sempre tão necessário, até para os que se dizem feministas desde criancinha – desembocou numa preocupante “crise da blogosfera progressista”. Visões pouco generosas, desagregadoras, chegaram a insinuar que a blogosfera progressista seria machista por natureza. No twitter, alguns babacas da direita nativa, que nunca tiveram qualquer preocupação com a questão de gênero, aproveitaram para festejar a divisão deste jovem movimento. No próprio campo progressista, alguns manifestaram o seu desânimo com as “baixarias”.
Garantir a unidade na diversidade
Em férias, um justo direito conquistado pelo proletariado, acompanhei à distância a encarniçada polêmica. Fiquei triste com o sectarismo, o que só confirma que ainda vamos apanhar muito para superar a nossa cultura autoritária, mas não caí no ceticismo. Sou daqueles que acha que o movimento da blogosfera progressista está dando apenas os seus primeiros passos. Ele ainda precisará comer muito arroz e feijão para definir melhor seus princípios, seus objetivos, sua abrangência e suas ações. Nesta longa caminhada, ele cometerá muito erros. Visões diferenciadas e até mesmo vaidades ficarão expostas.
Estas diferenças não me preocupam. A riqueza deste movimento está exatamente na sua diversidade. O desafio é exercitar a nossa cultura democrática e unitária, tendo como objetivo maior garantir a unidade na diversidade. O que une a blogosfera progressista hoje não são visões totalizantes, nem as posturas diante do atual governo ou as preferências partidárias. O que nos une é o desejo de construir outra mídia, mais democrática, crítica e compartilhada, que se contraponha a ditadura midiática. O que nos une são valores e lutas contra qualquer tipo de opressão – de gênero, étnicas, regionais, de classe.
Golaços da blogosfera progressista
Só com muita amplitude e generosidade, sem temores às polêmicas e às críticas, será possível construir um forte movimento da blogosfera progressista. Com esta postura, que norteou os trabalhos da comissão organizadora do primeiro encontro nacional em agosto passado – e que contou com a inestimável ajuda de Luis Nassif –, o jovem movimento dos blogueiros progressistas marcou dois golaços em 2010. Erros foram cometidos, até por inexperiência e desarticulação, mas eles não devem ofuscar ou minimizar os expressivos avanços deste incipiente movimento neste curto período.
Pela primeira vez na história, mais de 330 blogueiros, twitteiros e outros internautas que estavam dispersos, que nem se conheciam, participaram de um encontro nacional e aprovaram bandeiras unitárias de luta – contra o AI-5 Digital, por um plano universal de banda larga, por um novo marco regulatório da comunicação, em apoio à Adin do jurista Fábio Konder Comparato. Há consenso de que o encontro de agosto foi um marco histórico. Após intenso debate, a plenária definiu manter o adjetivo “progressista” até o próximo encontro, e aprovou uma forma mais horizontal de organização, sem hierarquias.
A vitalidade dos “blogs sujos”
O segundo golaço foi a entrevista coletiva com o presidente Lula. Ela garantiu maior legitimidade a este movimento coletivo e democratizante. Não teve nada de “chapa-branca”, como rosnou a velha mídia. Evidenciou que há uma mudança em curso, com o nascimento de uma nova mídia, que deverá ter papel mais protagonista no país. Diferentemente do encontro, no qual houve unanimidade nos elogios, a entrevista gerou certas críticas – algumas justas e outras exageradas. Para as próximas entrevistas, novos mecanismos, mais democráticos e transparentes, precisarão ser adotados. A vida vai nos ensinando.
Estes dois golaços se somaram ao trabalho árduo e corajoso de muitos internautas, que há mais tempo vêem mostrando a vitalidade da blogosfera. Não é para menos que a guerrilha informativa travada por estes combatentes, antigos e novos, virou notícia na batalha presidencial. Serra, amigo da mídia golpista, ficou irritado com o que ele adjetivou pejorativamente de “blogs sujos”. Já o presidente Lula, que foi vítima do cerco midiático, estrelou um vídeo incentivando a blogosfera. Nos jornalões e revistonas, alguns colunistas de aluguel destilaram seu veneno ciumento contra a blogosfera.
Olhando para o futuro
Este precário balanço é o que explica meu otimismo com a blogosfera progressista. Ela só tende a crescer. Se conseguir criar maior sinergia, mantendo sua rica diversidade – sem verticalismos artificiais e disputas mesquinhas – ela vai se multiplicar, florescendo em milhares de blogs, adquirir melhor qualidade e conquistar maior audiência e influência na sociedade. Ele será um dos protagonistas na luta estratégica pela efetiva democratização da comunicação no Brasil. Com o tempo, encontrará as formas para se auto-sustentar e adquirir maior visibilidade. Só os nossos erros podem inviabilizar estes avanços.
Alguns estados já perceberam esse potencial “revolucionário” e estão se movimentando, de forma ampla e unitária, para enraizar a blogosfera progressista. Reuniões, debates e outras iniciativas estão se multiplicando no país. Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, entre outros, estão olhando para o futuro. Não querem se perder em briguinhas desnecessárias, em demarcações sectárias, em disputas aparelhistas. Querem travar a boa polêmica, o bom embate de idéias e projetos. O desafio agora é trilhar esse caminho. Conforme o definido em agosto, o desafio agora é realizar massivos encontros estaduais até abril e um encontro nacional ainda mais representativo em maio.

Altamiro Borges: A blogosfera progressista está em crise?

domingo, 12 de dezembro de 2010

O mundo, depois de Julian Assange

A Queda da Bastilha

Blog do Miro
Altamiro Borges
sábado, 11 de dezembro de 2010

Reproduzo artigo de Mauro Santayana, publicado no sítio do Jornal do Brasil:
“Todos os que sabem escrever e manipular um computador são cidadãos, que são mais que jornalistas.”
O presidente Lula e o primeiro-ministro Putin tiveram o mesmo discurso, ontem [9/12], em defesa de Julian Assange, embora com argumentos diferentes. Lula foi ao ponto: Assange está apenas usando do velho direito da liberdade de imprensa, de informação. Não cabe acusá-lo de causar danos à maior potência da História, uma vez que divulga documentos cuja autenticidade não está sendo contestada. Todos sabem que as acusações de má conduta em relacionamento consentido com duas mulheres de origem cubana, na Suécia, são apenas um pretexto para imobilizá-lo, a fim de que outras acusações venham a ser montadas, e ele possa ser extraditado para os Estados Unidos.
O que cabe analisar são as consequências políticas da divulgação dos segredos da diplomacia ianque, alguns deles risíveis, outros extremamente graves. Ontem [9/12], em Bruxelas, o chanceler russo Sergei Lavrov comentava revelações do WikiLeaks sobre as atitudes da Otan com relação a seu país: enquanto a organização, sob o domínio de Washington, convidava a Rússia a participar da aliança, atualizava seus planos de ação militar contra o Kremlin, na presumida defesa da Polônia e dos países bálticos. Lavrov indagou da Otan qual é a sua posição real, já que o que ela publicamente assume é o contrário do que dizem seus documentos secretos. Moscou foi além, ao propor o nome de Assange como candidato ao próximo Prêmio Nobel da Paz.
O exame da história mostra que todas as vezes que os suportes da palavra escrita mudaram, houve correspondente revolução social e política. Sem Guttenberg não teria havido o Renascimento; sem a multiplicação dos prelos, na França dos Luíses, seria impensável o Iluminismo e sua consequência política imediata, a Revolução Francesa.
A constatação do imenso poder dos papéis impressos levou a Assembleia Constituinte aprovar o artigo XI da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, logo no início da Revolução, em agosto de 1789. O dispositivo do núcleo pétreo da Constituição determina que todo cidadão tem o direito de falar, escrever e imprimir com toda liberdade. As leis punem os que, mentindo, atingem a honra alheia. A liberdade de imprensa, sendo dos cidadãos, é da sociedade. Das sociedades nacionais e, em nossa época de comunicações eletrônicas e livres, da sociedade planetária dos homens.
É surpreendente que, diante dessa realidade irrefutável, jornalistas de ofício queiram reivindicar a liberdade de imprensa (vocábulo que abarca, do ponto de vista político, todos os meios de comunicação) como monopólio corporativo. A internet confirma a intenção dos legisladores franceses de há 221 anos: a liberdade de expressão é de todos, e todos nós somos jornalistas. Basta ter um endereço eletrônico. As pesadas e, relativamente caras, máquinas gráficas do passado são hoje leves e baratíssimos notebooks, e de alcance universal.
É sempre citável a observação de Isidoro de Sevilha, sábio que marcou o sétimo século, a de que “Roma não era tão forte assim”. Bradley Manning e Julian Assange estão mostrando que Washington – cujo medo é transparente em seus papéis diplomáticos – não é tão poderosa assim. É interessante registrar que o nome de Santo Isidoro de Sevilha está sendo sugerido, por blogueiros católicos, como o padroeiro da internet.
Os jornalistas devem acostumar-se à ideia de renunciar a seus presumidos privilégios. Todos os que sabem escrever e manipular um computador são cidadãos, e ser cidadão é muito mais do que ser jornalista. São esses cidadãos que, na mesma linha de Putin e Lula, se mobilizam, na ágora virtual, para defender Assange, da mesma forma que se mobilizaram em defesa da mulher condenada à morte por adultério. O mundo mudou, mas nem todos perceberam essa mudança.

Altamiro Borges: O mundo, depois de Julian Assange

sábado, 4 de dezembro de 2010

Entrevista a correspondentes estrangeiros: “Imprensa internacional é fiel aos fatos”

Blog do Planalto
Sexta-feira, 3 de dezembro de 2010 às 14:38

Presidente Lula, entre o governador Sérgio Cabral e o ministro Franklin Martins, durante entrevista a correspondentes estrangeiros, no Rio. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após oito anos, o presidente Lula voltou a conceder uma entrevista a correspondentes estrangeiros que atuam no Brasil, para falar sobre política, economia, esportes, combate à violência e o futuro pós-Presidência. O encontrou foi realizado na manhã desta sexta-feira (3/12) num hotel da zona sul do Rio de Janeiro e o presidente aproveitou para elogiar a cobertura do Brasil feita pelos jornalistas estrangeiros, afirmando que as reportagens publicadas pelos veículos internacionais são bastante fiéis ao que está acontecendo no País atualmente – com bom acompanhamento da evolução política, econômica e social.
Certamente nós não resolvemos todos os problemas brasileiros, mas nós demos passos extraordinários para resolver problemas que pareciam insolúveis, pareciam crônicos e que ninguém iria consertar, nós começamos a consertar. E eu acho que hoje o grau de otimismo, eu acredito que é o mais extraordinário de qualquer país do mundo hoje. Acho que não tem mais ninguém, no mundo, mais otimista que os brasileiros.
Coube à presidente da Associação dos Correspondentes de Imprensa Estrangeira (ACIE), Mery Galanternyck, a primeira questão. Ela perguntou sobre os planos do presidente Lula a parir de 2011, quando deixará a Presidência da República. Lula recordou que durante entrevista concedida a blogueiros, no Palácio do Planalto, utilizou o termo “desencarnar” para explicar que iria se afastar das atividades políticas por uns meses para só depois retomar o trabalho e, deste modo, ajudar a presidente Dilma Rousseff naquilo que for necessário.
Eu já estou sendo convidado para inaugurar obra. Eu não sou mais presidente. Teve um companheiro que falou: “Presidente, embora o senhor não seja presidente, em fevereiro vai inaugurar tal obra, o senhor não quer vir?”. Eu não posso ir. Querer, eu quero, mas eu não posso. Então, por isso que eu utilizei a palavra “desencarnar”. Eu quero me livrar do mandato presidencial para poder voltar a ser o Lula que eu era antes de ser presidente da República. É isso.
Ouça abaixo a íntegra da entrevista aos jornalistas estrangeiros.


Baixar audio em mp3: 2.74Mb

Depois, Lula foi indagado por Thomas Mills (ARD), da Alemanha, sobre pontos altos e decepções nos dois mandatos. Lula explicou, então, que não gostaria de ficar respondendo sobre os pontos positivos e os negativos de sua administração. Segundo Lula, após deixar o comando do Brasil “é como se você estivesse colocando água num recipiente para decantar”. E continuou:
Você vai passar por um processo de decantação e você vai se dar conta de coisas importantes que você fez e de coisas importantes que você deixou de fazer. Então, eu acho que nós não conseguimos fazer tudo o que nós queríamos fazer, mas eu acho que nós fizemos mais do que em qualquer outro momento da história deste país. Acho que nós fizemos muito em todas as áreas, muito, muito, muito. Eu, se for comparar com outros governantes, não existe comparação, e eu quero que a Dilma, quando tomar posse, ela comece a comparar o governo dela com o meu e ela faça muito mais, porque aí nós vamos acreditar que é possível cada vez fazer mais e cada vez fazer melhor.
O jornalista Igor Varlamov (agência Itar-Tass), da Rússia, aproveitou o tema do dia e o gosto de Lula pelo futebol. Ele indagou sobre a escolha da Fifa por Rússia e Catar para sedes, respectivamente, das Copas do Mundo de 2018 e 2022. “Vai ser muito interessante, quando terminar a Copa do Mundo aqui, a final aqui no Rio de Janeiro, saber que o Brasil estará se preparando para ir jogar em Moscou numa época do ano em que a Rússia está muito bonita, muito verde, nada de neve, nada de frio, e eu achei extraordinário e achei sabedoria da Fifa – e possivelmente tenha a ver com todo o debate que nós fizemos para a Copa do Mundo no Brasil e para as Olimpíadas – é que é preciso decentralizar a Copa do Mundo”, disse.
Então, acho que a Rússia é um país grande, nunca tinha feito uma Copa do Mundo, é justo que a Rússia faça a Copa do Mundo. Portanto, eu dou os parabéns à Fifa por ter escolhido a Rússia, e também o Catar. Fazer uma Copa do Mundo naquela região do mundo, que muitas vezes aparece na imprensa apenas a violência no Oriente Médio ou a quantidade de petróleo. Quem conhece o Catar como eu conheço e alguns de vocês conhecem, sabe que embora seja um país pequeno, eles têm poderio econômico para realizar uma Copa do Mundo excepcional.
Ainda na entrevista, Lula falou sobre a operação das tropas federais e do estado do Rio no morro do Alemão, o apoio dos Estados Unidos à indicação da Índia para o Conselho de Segurança da ONU, bem como os vazamentos recentes de telegramas de representaces diplomaticas dos Estados Unidos por ONG estrangeira. Segundo ele, a relação entre Brasil e Estados Unidos foi boa com todos os últimos presidentes das duas nações e será mantida com a presidente Dilma Rousseff. Porém, Lula pediu que o governo norte-americano deve dar mais atenção aos países da América Latina e América do Sul.
Na última parte da entrevista, Lula falou dos investimentos que acontecem no Brasil bem como as obras de infraestrutura. O presidente brasileiro detalhou, por exemplo, empreendimentos no setores de refino de petróleo, de ferrovias e de petróleo e energia. Na avaliação do presidente, os números mostram “o volume e a envergadura da solidez do desenvolvimento da economia brasileira. Ou seja, as coisas estão prontas, e vocês podem ter certeza, eu espero que vocês fiquem muito tempo sendo correspondentes aqui no Brasil, de preferência no Rio de Janeiro. Agora, com o Rio de Janeiro mais pacificado, vocês vão poder andar mais na praia, sem ter nenhuma preocupação”.
E dizer para vocês que esse é o cartão de garantia que a companheira Dilma Rousseff terá para o período do seu governo. Ela vai pegar o Brasil andando a 120 por hora, ela não está com o carro parado no estacionamento, com a bateria estragada, não. Ela está com o carro andando a 120 por hora. Se ela quiser, ela pode apertar um pouquinho o acelerador, chegar a 140, 150, se ela quiser ela vai a 120, e só não pode sair da pista, porque as coisas estão andando bem. Então é esse o Brasil, companheiros, que nós entregaremos à companheira Dilma Rousseff, ao povo brasileiro, no dia 31 de dezembro: um Brasil sólido, um Brasil com perspectiva de se transformar nos próximos seis anos na quinta economia mundial.

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Regulação da mídia será prioridade para Dilma

Em entrevista às rádios comunitárias, Lula garantiu que Dilma priorizará o debate sobre a regulação dos meios de comunicação.

Blog do Planalto
Quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 às 12:01

Ativistas, preparem-se! Vem aí debate sobre regulação dos meios de comunicação

Os ativistas da comunicação no Brasil devem se preparar para um importante debate que vai ganhar corpo a partir do ano que vem: a mudança na regulação dos meios de comunicação do País. O alerta foi dado pelo presidente Lula nesta quinta-feira (2/12) no Palácio do Planalto, em Brasília (DF) em entrevista coletiva a oito rádios comunitárias. Segundo informou, o Ministério das Comunicações do governo Dilma Rousseff vai priorizar esse debate, com ampla participação da sociedade, porque a legislação brasileira é ultrapassada e não reflete o mundo altamente tecnológico e conectado à internet que temos hoje. A discussão está na mesa:

O novo Ministério está diante de um novo paradigma de comunicação. Quero alertar vocês porque esse debate vai ser envolvente, tem muita gente contra e muita gente a favor. Certamente, o governo não vai ganhar 100% e quem é contra não vai ganhar 100%. Eu peço que vocês se preparem para esse debate. Se a gente fizer um bom debate conseguiremos encontrar um caminho do meio. Esse será o papel do novo Ministério de Comunicações.

Lula expressou a vontade de se dedicar às discussões a respeito do Marco Regulatório das Comunicações após o fim do mandato, já que, segundo disse, poderá ter um discurso que não podia ter na função de presidente da República. Ele disse que como militante político exercerá um papel centralizador dos debates da sociedade brasileira para politizar a questão do marco regulatório e “resolver a história das telecomunicações de uma vez”. Para isso, ΅é preciso ter força política” e embasamento, para vencer “o monopólio”que existe atualmente nas comunicações.
Na opinião do presidente, é preciso mudar urgentemente o padrão da comunicação brasileira, que não reflete a pluralidade do País e não contribui para a difusão da diversidade cultural. Lula disse que não é mais possível que uma pessoa que mora na região Norte, por exemplo, só tenha acesso à programação de São Paulo e do Rio de Janeiro. Na opinião dele, “sem querer tirar nada de ningúem”, é preciso que se dê a oportunidade para que moradores do Sudeste tenham acesso às informações de todo o País e para que todas as regiões estejam em contato com sua própria cultura.

A democracia tem uma mão para ir e uma para voltar. Por isso é que nós trabalhamos a necessidade que você tenha uma programação regional para uma interação mais forte. Acho que poderemos avançar.

Ouça aqui a íntegra da entrevista:


Baixar audio em mp3: 2.74Mb

Baixar arquivo mp3

Durante a entrevista, que durou pouco mais de uma hora, o presidente falou sobre o preconceito que existe na política brasileira que o vitimou “a vida inteira” e que o assustou durante a campanha presidencial. Lula ressaltou, entretanto, que acredita que prevalecerá o bom senso e que está certo de que Dilma Rousseff fará mais e melhor, porque encontrou um País muito mais desenvolvido e com a economia em amplo crescimento.

O que eu vi nessa campanha me assustou. Eu sempre fui vítima de preconceito, carreguei a vida inteira, e o preconceito deixa marcas profundas, quase que incuráveis. Eu não tinha noção de que eles seriam capazes de fazer uma campanha tao preconceituosa quanto fizeram com a Dilma… apenas porque era uma mulher candidata. Mas podem ficar certos de que a Dilma não veio de onde eu vim, mas ela vai para onde eu fui.

Participaram da entrevista com o presidente Lula as rádios Maria Rosa, de Curitibanos (SC); Heliópolis, de São Paulo (SP); Líder Recanto, do Recanto das Emas (DF); Oito de Dezembro, de Vargem Grande Paulista (SP); Santa Luzia, de Santa Luzia (MG); Cidade, de Ouvidor (GO), Fercal, de Sobradinho (DF) e Comunitária Integração, de Santa Cruz do Sul (RS). A entrevista foi transmitida ao vivo pelo Blog do Planalto e também por diversos outros blogs do País.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Só a imprensa brasileira não viu

Man made fires to clear the land for cattle or crops in Sao Felix Do Xingu Municipality, Para, Brazil - June 2009 BBC: The figures suggest scenes like these are getting rarer in the Amazon

Os Amigos do Presidente Lula
O  jornal britânico "Guardian" postou matéria escrita por Tom Phillips a Manaus, com a manchete: "Desmatamento do Brasil está no menor nível em décadas", isso "graças às ações do governo Lula e ao impacto da crise financeira global". A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, chamou os dados de "fantásticos", os melhores "na história da Amazônia". A matéria está também na  BBC etc.

Os Amigos do Presidente Lula: Só a imprensa brasileira não viu

terça-feira, 30 de novembro de 2010

TSE: web ultrapassa jornal, revista e rádio nas eleições 2010

Blog da Dilma
novembro 30th, 2010 | Autor: Jussara Seixas

Nara Alves, iG São Paulo

A internet ultrapassou o jornal impresso, revista e rádio como principal meio de informação utilizado por eleitores para se informar sobre política e candidatos no último pleito, em outubro, de acordo com pesquisa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Até as últimas eleições, em 2008, o uso da internet era limitado. Com a reforma eleitoral, pela primeira vez a legislação brasileira consentiu o uso de sites, blogs e redes sociais, como Orkut, Facebook e Twitter, ao longo da campanha, e até mesmo no dia da votação.A internet, no entanto, ainda aparece em terceiro lugar como principal fonte de informação dos eleitores entrevistados, com 9,9% da preferência. Em primeiro lugar está a televisão, com 56,6% da preferência. Em segundo lugar, com 18,4%, a conversa com amigos e parentes, segundo a pesquisa do TSE.
A Rede Globo permanece na liderança entre as emissoras, com 79% dos telespectadores que se procuram o meio como fonte de informação. Em seguida aparece a Rede Record com 60,4%. O SBT teve 37,8% da audiência dos eleitores e a Rede Bandeirantes, 25,6%.
Somente 18,8% dos entrevistados disseram que debates entre os candidatos na televisão e no rádio contribuíram para a decisão. Outros 15,5% declararam que programas de candidatos na TV contribuíram para a escolha. Questionados especificamente sobre a fonte de informação utilizada para se decidir quanto ao segundo turno, 44,2% afirmaram que já estavam decididos pessoalmente.
O levantamento foi realizado com 2 mil pessoas em 24 Estados nas cinco regiões do País. Um sorteio aleatório selecionou 136 municípios dentro desse universo para entrevistar as pessoas logo após o segundo turno das eleições, entre os dias 3 e 7 de novembro. A margem de erro de 2,2% para mais ou para menos.
Os entrevistados tinham entre 16 e 70 anos, com variação de escolaridade entre a 4ª séria do ensino fundamental e o ensino superior completo. A maioria dos entrevistados – 32% – declarou ter o ensino médio completo. As informações são do TSE.

TSE: web ultrapassa jornal, revista e rádio nas eleições 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

Ayres Britto: Judiciário ameaça liberdade de imprensa. Ela tem primazia

Conversa Afiada
Publicado em 27/11/2010

A liberdade de imprensa tem primazia. Alô, alô, Gilmar !

Saiu no Estadão:

Judiciário é a maior ameaça à liberdade de imprensa hoje, diz Ayres Britto
por Jair Stangler
O ministro Carlos Ayres Britto, do Supremo Tribunal Federal, declarou nesta sexta-feira, 26, que o Poder Judiciário é, hoje, a maior ameaça à liberdade de imprensa em nosso País. O ministro participou na tarde desta sexta do Seminário Cultura de Liberdade de Imprensa, promovido pela TV Cultura. Também participaram do evento o ministro Franklin Martins e o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso.
“Não perco oportunidade de cortar na própria carne”, continou Ayres Britto. “Há nichos que parecem vigorar no passado. A lei de imprensa foi sepultada pelo STF e uma parte do Judiciário parece não entender isso”, completou. O ministro concordou que constituem censura decisões como a que proibiu o jornal ‘O Estado de S.Paulo’ de publicar reportagens sobre a Operação Boi Barrica, da Polícia Federal, que investiga o empresário Fernando Sarney, filho de José Sarney.
Ayres Britto comentou ainda a decisão do STF que derrubou os dispositovos da Lei Eleitoral (9.504/1997). “O humor é o tipo de crítica mais sarcástico, mais cáustico. E a gente disse o quê? É plena a liberdade de imprensa, inclusive em época de eleição. Conseguimos emplacar a ideia de que o humor a sátira são atividades tipicamente de imprensa”, afirmou.

Para Ayres Britto, não pode haver outra lei sobre liberdade de imprensa além da própria Constituição. “Para a nossa Constituição, a liberdade de imprensa não conhece meio termo, não é uma liberdade pela metade. Ou é total ou não é liberdade de imprensa”, afirmou.

“Há um regime constitucional sobre a liberdade de imprensa, a Constituição é a lei orgânica sobre liberdade de imprensa. Nenhuma outra lei pode ter a pretensão de conformar a liberdade de imprensa, a não ser pontualmente. Direito de resposta, direito de indenização, participação de empresas estrangeiras, tudo isso é matéria lateralmente de imprensa, mas não é o núcleo duro. Onde se afirma o núcleo duro da liberdade de imprensa, não pode haver lei. Não pode haver lei dispondo sobre o tamanho e a extensão da liberdade de imprensa, e sua duração”, acrescentou.

De acordo com o ministro, a liberdade de imprensa se antagoniza com outros bens de personalidades como o direito à intimidade, à imagem, à vida privada e à honra. “Não há como conciliar esses blocos sem uma precedência cronológica de um sobre o outro. Os países que se orgulham do patamar elevado de civilização, esses países chegaram a uma conclusão: a liberdade de imprensa tem precedência, tem primazia, seja qual for o debate físico ou tecnológico”, afirma. “O outro bloco incide a posteriori, no plano das responsabilizações. dizer o contrário, é defender a censura prévia. Nenhum poder pode dizer o que o jornalista pode ou não pode escrever, isso é rechaçado radicalmente pela Constituição”, completa.

Ao longo de sua fala, o ministro Ayres Britto fez uma defesa apaixonada do jornalismo. ”Quem forma a opinião pública, por definição, é a imprensa. É o locus do pensamento crítico, que é um pensamento elaborado, racionalmente urdido. A imprensa cumpre o papel de buscar a essência das coisas, tem uma função emancipadora, é irmã siamesa da democracia. No mundo inteiro, mantém uma relação de unha e carne com a democracia. A imprensa é serviente da democracia, e a democracia é a meninas dos olhos da Constituição, o valor mais alto”, afirmou.

Navalha

NAVALHA

O Ministro Ayres Britto acaba de dar um recado ao ex-Supremo Ministro Supremo Presidente Gilmar Dantas (*).
Gilmar tem a mania de processar jornalista.
É o que faz com Leandro Fortes e a Carta Capital.
E contra este ordinário blogueiro.
Já perdeu uma.
Perderá as outras.
Leia na aba “Nao me calarão”.
Clique aqui para ver por que ele perde de 10 a 0 da corajosa juiza que condenou Roger Abdelmassih.
E aqui para votar na trepidante enquete “por que Dantas e Abdelmassih ganham liminar e você não”.

Paulo Henrique Amorim
(*) Clique aqui para ver como um eminente colonista do Globo se referiu a Ele. E aqui para ver como outra eminente colonista da GloboNews e da CBN se refere a Ele.

Ayres Britto: Judiciário ameaça liberdade de imprensa. Ela tem primazia | Conversa Afiada

Imprensa e governo: o papel de cada um

Blog do Miro
Altamiro Borges
sábado, 27 de novembro de 2010

Reproduzo artigo de Ricardo Kotscho, publicado no blog Balaio do Kotscho:
Quando ocupava a sala da Secretaria de Imprensa, no Palácio do Planalto, onde hoje trabalha meu amigo Franklin Martins, no início do primeiro mandato do presidente Lula, costumava dizer aos amigos, meio brincando, meio a sério, que só tinha dois problemas ali: o governo e a imprensa, um reclamando o tempo todo do outro.
Desde o primeiro dia, ficou claro para mim que é muito difícil conciliar os interesses destas duas instituições de naturezas, tempos e interesses tão diversos. Instalado do outro lado do balcão, assisti à gincana promovida pelos meus colegas repórteres em busca de notícias negativas sobre o governo, certamente uma demanda de suas redações, que simplesmente não assimilaram e não se conformaram com a vitória de Lula e a mudança de mãos do poder, depois de mais de 500 anos.
A competição entre os profissionais que fazem a cobertura do Palácio do Planalto, por vezes pertencentes à mesma empresa, é feroz, implacável, ainda mais com a proliferação naquela época, começo de 2003, do jornalismo online e dos canais e emissoras de notícias, que a todo momento precisavam entrar no ar ao vivo, de preferência com alguma novidade.
Lembrei-me daqueles primeiros tempos de Brasília enquanto ouvia o ministro Franklin Martins, que na época era o homem mais importante do jornalismo da TV Globo em Brasília, na abertura do Seminário sobre Liberdade de Imprensa, em boa hora promovido pela TV Cultura, na manhã de quinta-feira, em São Paulo.
Um a um, Franklin foi espantando os fantasmas acenados pelos donos da mídia para assustar a platéia toda vez que alguém procura discutir qualquer medida de regulação dos meios de comunicação social, até hoje regidos por uma legislação dos anos 60 do século passado, quando ainda não existia nem TV a cores, e celular, internet, essas coisas todas então, então, nem pensar. O ministro lembrou que sequer o capítulo da Constituição de 1988 referente à Comunicação Social foi até hoje regulamentado.
Depois de defender a refundação do Ministério das Comunicações para transformá-lo num centro formulador de políticas e descartar uma por uma todas as “ameaças” à liberdade de imprensa no país, garantindo que ela não corre nenhum risco, Martins defendeu um debate com a sociedade sobre um marco regulatório para o setor, até para defender a radiodifusão brasileira diante do vertiginoso crescimento das empresas de telecomunicações no país. Acontece que a mídia brasileira se recusa a discutir a mídia.
Nenhum representante patronal estava presente ao seminário, como constantei na breve fala que fiz em seguida, durante a mesa de debate da qual participei, com a moderação da jornalista Monica Teixeira, junto com Sergio Dávila, editor-executivo da Folha, e do professor Demétrio Magnoli. É difícil e seria até meio redundante falar depois de Franklin Martins porque ele é um jornalista apaixonado pela profissão como eu e que se sabe se expressar muito bem, ao contrário deste que vos escreve.
Em todo caso, já que estava lá mesmo, li o meu “improviso”, que reproduzo abaixo, mostrando as dificuldades no relacionamento entre imprensa e governo, que seria bem melhor cada um se limitasse a cumprir o seu papel sem transformar as divergências, que são naturais, numa guerra permanente.

Liberdade de imprensa para quem?

Sempre que se discute liberdade de imprensa - e nunca se discutiu tanto como agora - faço uma pergunta. Em primeiro lugar, precisamos saber de qual liberdade de imprensa estamos falando. Liberdade de imprensa para quem?
•Diante do espanto da platéia, iniciei com esta pergunta a palestra que fiz em seminário promovido pela ANJ, a Associação Nacional de Jornais, entidade patronal da mídia impressa, faz uns dois ou três anos, em Brasília.
•Não se trata de garantir liberdade apenas para a imprensa, quer dizer, para as empresas e para os jornalistas.
•Quando se fala em liberdade de imprensa devemos falar, em primeiro lugar, na liberdade de imprensa como um direito que a sociedade tem à informação, assim como à água encanada e à energia elétrica.
•Aí cabe perguntar novamente: que tipo de informação, com que grau de qualidade, credibilidade e honestidade?
•A melhor resposta para esta questão crucial da liberdade de imprensa e de expressão está num estudo apresentado recentemente pela consultora Eve Salomon, da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, a Unesco.
•Salomon estudou, coisa que poucos entre nós costumam fazer, a situação do sistema de radiodifusão brasileira, ao longo de um ano, com o objetivo de propor diretrizes para uma nova regulação de mídia. A que está em vigor data dos anos 60 do século passado.
•Em entrevista a Lisandra Paraguassu, do Estadão, a consultora afirma: “Regular não é censurar, e as diferentes visões políticas precisam ser protegidas”.
•Com toda clareza, Salomon responde à pergunta que fiz acima. Abre aspas: “A regulação, quando feita da maneira correta, é uma maneira de proteger a liberdade de expressão”, fecha aspas, diz ela, ao contrário do que temem os porta-vozes da velha mídia.
•Abre aspas novamente: “Isso não é apenas para garantir o direito de dizer o que você quer, mas também o direito dos cidadãos de receber o que eles precisam para operar em uma democracia. É preciso respeitar a privacidade das pessoas, não transmitir mensagens de ódio, é preciso respeitar as crianças e garantir que as notícias sejam acuradas. Esses são os princípios básicos que estamos propondo para o Brasil, nada mais”, fecha aspas.
•Nem precisaria de mais nada, acrescento eu. Acontece que nós vivemos num país em que os donos da mídia simplesmente se recusam a discutir qualquer regulação, qualquer marco regulatório. Não admitem sequer discutir a autorregulamentação proposta pela ANJ, algo que já existe no setor de publicidade há mais de 30 anos. Não aceitam, simplesmente, qualquer regra ou limite para a sua atividade. Neste seminário, por exemplo, não há nenhum representante dos proprietários dos meios de comunicação.
•Toda vez que se tenta discutir as regras do jogo da comunicação social em defesa dos direitos de informação da sociedade, as entidades patronais e seus colunistas de estimação, saem logo gritando: “Fogo na floresta! Isto é censura! É o controle social da mídia! Querem acabar com a liberdade de imprensa!”.
•Desde a posse do presidente Lula, há quase oito anos, ouço esta mesma ladainha, e eu faço outra pergunta a vocês: qual foi a iniciativa concreta implantada pelo governo federal para cercear a liberdade de imprensa neste período?
•Bastaria pegar agora qualquer jornal ou revista, abrir os blogs, sintonizar qualquer emissora de rádio ou televisão, para ver que a imprensa tem a mais absoluta liberdade de expressão - e até abusa dela frequentemente, com informações muitas vezes erradas, manipuladas e incompletas, sem falar em graves ofensas pessoais ao presidente da República.
•Sempre que afirmo isto, tem alguém na platéia que levanta o braço para contestar. E a censura ao Estadão? E a expulsão do Larry Rother? Então, já vou logo respondendo: a censura no Estadão não tem nada a ver com o governo federal. É um absurdo, uma aberração, eu também acho. Mas é uma decisão do Judiciário, envolvendo um processo que corria em segredo de Justiça. Daí a dizer que, por causa disso, existe censura à imprensa no Brasil é uma aberração maior ainda.
•Quanto ao tal do Larry Rother, houve inicialmente um grave erro do governo, sim, mas que, graças a Deus e ao Márcio Thomás Bastos, com a minha ajuda, não se concretizou.
•O resto fica no campo dos medos, das ameaças e dos fantasmas que ressurgem toda vez que o assunto entra em pauta.
•Para ganhar tempo e dar mais espaço ao debate com vocês, já vou logo respondendo também à questão levantada pelo tema da palestra de amanhã (hoje, sexta-feira) com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
•“A liberdade de imprensa corre risco no Brasil?”.
•Não, a meu ver a liberdade de imprensa não corre nenhum risco no Brasil neste momento e até onde a minha vista alcança.
•A sociedade brasileira, sim, corre sérios riscos de não ser informada corretamente quando a sua grande imprensa assume o papel de partido de oposição, como admitiu publicamente a presidente da ANJ, Judith Brito, e demite os colaboradores que não seguem o pensamento único dos seus donos.
•Partido é partido, imprensa é imprensa e governo é governo. Assim como a imprensa não deve tomar partido, também não é papel do governo ser ombudsman da imprensa. A jovem democracia brasileira agradeceria se cada instituição se limitar a cumprir o papel que lhe cabe.

Altamiro Borges: Imprensa e governo: o papel de cada um

A crítica de Dora Kramer à coletiva aos blogueiros

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qui, 25/11/2010 - 08:54

O artigo de Dora Kramer no Estadão - criticando a entrevista de Lula aos blogueiros - lembra em tudo a reação dos diversos setores do país com a ascensão de novos personagens invadindo a sua praia. Pega-se qualquer motivo para criticar, com um tom superior tipo "olha quem está querendo invadir nossa seara".
Foi assim que ela resolveu ensinar direito ao jovem blogueiro que tem se destacado por seu conhecimento jurídico - mesmo tendo posições um tanto radicais.

Confira o trecho da crítica (íntegra do artigo aqui):
Nas entrevistas tradicionais, em que não há seleção ideológica, não se vê, por exemplo, o entrevistado precisar corrigir o entrevistador que estranha o fato de as indicações ao Supremo Tribunal Federal não terem deixado a Corte com "a cara do governo Lula".
"Graças a Deus o Supremo não ficou com a cara do governo", respondeu o presidente a um rapaz que se identificou como representantes de um "blog jurídico", ensinando-lhe, em seguida, algo sobre a independência dos poderes inerente à República.

Uma pergunta é relevante pela resposta que arranca. No caso, a pergunta permitiu a Lula esclarecer compromissos republicanos de seu governo nas indicações ao Supremo.
Até pouco tempo atrás Dora não conhecia essa linha de pensamento de Lula. Se conhecesse, certamente não escrevia o que escreveu em 15 de outubro do ano passado, sob o título "Uma Nação de cócoras":
Lula controla o Congresso, indicou quase todos (7 dos 11) ministros do Supremo Tribunal Federal, fez a Petrobras retroceder aos tempos de controle político e agora quer dar um chega para lá em Roger Agnelli, porque o presidente da Vale não lhe presta a reverência exigida.
É por essas e muitas outras que o presidente da República vocifera contra os “excessos” do Tribunal de Contas da União. À exceção de seu ex-ministro das Relações Insti­­­tucionais José Múcio Monteiro, Lula não conseguiu emplacar uma indicação ao TCU.

Graças à pergunta do Túlio Vianna, Dora corrigiu o que pensava sobre as indicações de Lula ao Supremo.
Tomo emprestada uma frase de efeito de Dora:
Cada um fala com quem quer, mas respeito, inclusive aos fatos, é bom e todo mundo gosta.

Só assisti o início da entrevista. Mas pela matéria do Estadão - "A blogueiros, Lula crítica mídia antiga", a entrevista trouxe as seguintes novidades, impensáveis em uma coletiva convencional de Brasília:
* Sua opinião sobre a Internet como fator moderador da velha mídia.
* Sua opinião sobre o capital estrangeiro na mídia. Um dos temais mais controversos do momento - que envolve diretamente interesses da velha mídia - e só se soube a opinião de Lula em uma coletiva de "blogueiros sujos".
* a posição do governo em relação aos arquivos sobre o Araguaia.
* o pior momento de seu governo, quando durante um mês a velha mídia tentou explorar politicamente o acidente com a TAM em Congonhas. Quem desarmou a farse foi a blogosfera, inclusive marcando definitivamente Ali Kamel como o "testador de hipóteses"
* sua posição clara em relação ao Plano Nacional de Direitos Humanos.

Por razões inexplicadas, a reportagem não colocou suas gozações sobre a bolinha de papel que afundou a testa de José Serra.

O primeiro comentário colocado debaixo do artigo de Dora foi o seguinte:

Bad Streaming
Comentado em: Militância digital
25 de Novembro de 2010 | 8h47

Jornalismo é negocio como outro qualquer. Grupos de midias estão defendendo o seu, independente do interesse do país. Ninguém votou no Estadão/Folha/Veja/Globo como donos da verdade. Não são e nunca tiveram compromisso com isso. E por mim tudo bem. É direito deles. Colunistas apenas repetem o que os donos do jornal lhes permite fazer. Ta ai a Maria Rita q não nos deixa mentir. Nesse contexto os blogues fazem um contra ponto interessante com relação as noticias dos jornalões. Existem blogueiros comprados? Sim, provavelmente. Mas não todos, e estes incomodam pacas. A farsa da bolinha de papel veio de uma pessoa comum. A hipocrisia da esposa do Serra sobre aborto veio do Face Book. Em outros tempos só saberiamos anos depois da eleição. Quem le apenas os meios convencionais recebe a noticia pela metade e fica mal informado. Hj os blogues fazem um papel importante ao acesso as informações, queira a Dora Kramer ou não.

A crítica de Dora Kramer à coletiva aos blogueiros | Brasilianas.Org

O jornalismo Chapa Branca da elite

O casal 45 entrevista seu candidato. Show de parcialidade. Quem é chapa branca, cara pálida?

Além do ridículo episódio do rolo de fita criado pelo Especialista em efeitos especiais da Globo, Molina (deveriam ter contratado o Hans Donner), outro momento marcante da campanha da emissora para José Serra foi a entrevista ao seu candidato feito pelo casal 45 do Jornal Nacional. Servindo de escada, todas as perguntas foram direcionadas para permitir a Serra a crítica à adversária. A pauta era a mesma da propaganda do tucano. Serra interrompeu várias vezes Fátima Bernardes e recebeu o pedido de desculpas de Bonner porque o tempo tinha acabado. A serviço da Casa Grande, o casal entrevistou Dilma com os mesmos temas dirigidos a Serra, mas dessa vez foram críticas à adversária da emissora.
Já denunciamos inúmeras vezes pela blogosfera as relações vicerais de parte da mídia oligopólica do eixo Rio-SP, mais especificamente a Globo (emissora), o Globo (jornal), o Estadão, a Folha, a Veja (Abril). Chamamos de PIG (Partido da Imprensa Golpista), mas poaderíamos chamar de Globosfera. Funcionaram em uma tabelinha semanal entre notícias e denúncias que retro-alimentavam editais, manchetes e chamadas e trocavam passes com a própria propoganda de tv de Serra. Uma orquestra  com um descaramento antes nunca visto. Somente o Estadão, no final, assumiu seu candidato. Outros não tiveram coragem. A Globo não pode. É uma concessão pública.
A presença da blogosfera”, denominada por Serra como “blogs sujos”, contra a Globosfera, assumiu ter lado sempre. Nunca escondemos. Não se trata da verdade, ou de um lado da verdade, mas de um contraponto que reagiu na mesma intensidade, mas sem o mesmo poder, em que esse oligopólio da mídia tentou de forma baixa, tecer golpes contra o governo e sua candidata porque defende grupos da elite econômica do país e seus respectivos candidatos. Somos de esquerda, e vamos defender propostas, candidatos e governos alinhados com uma política voltada para o desenvolvimento com desconcentração da renda. E só isso não basta. Queremos a democratização dos meios de comunicação com regulação da mídia e banda larga acessível para toda a população. Queremos uma sociedade politizada, a partir da necessária reforma política com fortalecimento dos partidos. Queremos o Brasil tornando-se potência mundial com espaço de liderança na política externa em torno de um novo modelo pacífico e sustentável de relações entre países e com o meio ambiente. É claro que o Governo Lula e sua continuidade representam melhor o atendimento a essas demandas, uma vez que o legado de FHC versa um alinhamento com a prática neo-liberal que se mostrou capaz de atender interesses apenas de quem concentra renda e acumula capital.
Esses “blogs sujos” que cresceram em importância no ano eleitoral, foram substimados de início pela velha mídia. Na medida em que cresceram em milhões a audiência tornaram-se incômodos, mas mereceram raras citações em jornais. Ao realizar um primeiro Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em agosto, com masi de 350 presentes de 19 Estados, ficou claro o tamanho dessa rede e a distribuição da informação além dos blogs mais conhecidos. Mesmo depois das eleições, tentou-se diminuir a relevância do papel que exerceram os blogs e as redes sociais como ferramentas de comunicação que afetaram os debates e as conversas mesmo daqueles que não navegam pela rede. Mas Lula, ao aceitar a proposta de uma entrevista com blogueiros progressistas, reconheceu o papel que tiveram na eleição.
Aí sim, a blogosfera teve espaço na mídia velha. Claro para tomar cassetada. O Globo chamou de blogueiros “chapa-branca”. Justo o Globo, questionando a independência de jornalistas. Mas como diria Brizola, se a Globo elogiar, é melhor fazer diferente. Apesar do clima amistoso da entrevista feita pelos blogueiros, ficou claro pelas perguntas, que não se deixou de perguntar ou criticar os pontos que mereceram destaque na linha (de esquerda) defendinda pela blogosfera. Lula foi questionado sobre não tera avançado na regulação da mídia, na redução da jornada para 40 horas semanais, na reforma política. Coisas que com certeza defendemos que se faça. Demandas que os blogueiros cobraram de Dilma. Bandeiras que o PIG, ou a Globosfera nunca vão defender enquanto forem “chapa-branca” das elites econômicas de nossa sociedade.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Projeto do tucano Eduardo Azeredo censura até divulgação de pesquisas eleitorais

Os Amigos do Presidente Lula
quinta-feira, 25 de novembro de 2010

A Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado aprovou projeto de Eduardo Azeredo (PSDB-MG) que, entre outras mudanças, estabelece regras mais duras para a realização de pesquisas eleitorais próximas às eleições
Pelo projeto, as pesquisas realizadas 30 dias antes do pleito têm que ouvir pelo menos 0,01% do eleitorado nacional, o que equivale a cerca de 13 mil eleitores. A maioria das pesquisas ouve, em média, 4.000 brasileiros.A regra também vale para as eleições municipais e pode entrar em vigor em 2012 se o projeto for aprovado até meados do ano que vem.
Segundo Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, a regra de ouvir pelo menos 0,01% do eleitorado "praticamente inviabiliza, do ponto de vista financeiro, a realização de pesquisas".

"CENSURA INDIRETA"
Para ele, trata-se de uma "forma indireta de censurar esses levantamentos".
Paulino afirma que, do ponto de vista técnico, a medida é inócua. "Não é o número de entrevistas que garante a qualidade da pesquisa. Se o processo amostral for inadequado, aumentar o número de entrevistas só vai potencializar possíveis erros."Ele lembra que, no segundo turno das eleições presidenciais, os institutos acertaram o resultado, dentro da margem de erro, ouvindo em média 0,004% do eleitorado (menos de 6.000 eleitores).Procurado, o Ibope não se manifestou porque a diretora do instituto, Márcia Cavallari, não foi localizada.

OUTROS PONTOS
O projeto também endurece as regras para a inauguração de obras públicas durante o período eleitoral, ao ampliar de três para quatro meses antes do pleito a proibição para que agentes públicos realizem inaugurações.O projeto reúne mais de 60 artigos rejeitados pela Câmara durante as discussões da minirreforma eleitoral.
O objetivo de Azeredo é garantir a aprovação das mudanças no Senado. Se os deputados modificarem o projeto, ele retorna para nova análise dos senadores.O texto seguiu para análise da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que vai analisá-lo em caráter terminativo (sem a necessidade de ser votado em plenário).Outra mudança permite oficialmente o veto à participação de "nanicos" nos debates realizados em rádio, televisão ou internet.Com informações da Folha

Os Amigos do Presidente Lula: Projeto do tucano Eduardo Azeredo censura até divulgação de pesquisas eleitorais