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terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Por dentro da Privataria Tucana

Serra usou arapongas pagos com dinheiro público para espionar adversários. Investigando as privatizações de FHC, uma grande lavanderia de dinheiro surge com nomes do círculo mais próximo a Serra.

O objetivo deste artigo e de demais que pretendo publicar é revelar para quem ainda não leu ou não conseguiu comprar o livro, as graves acusações comprovadas pela obra investigativa, “A Privataria Tucana”, que devem servir de base para uma CPI, já com assinaturas suficientes de mais de Deputados, coletadas pelo Deputado Federal Protógenes Queiróz em 21 de dezembro último. Protógenes foi o delegado da Polícia Federal, responsável pela operação Satiagraha que prendeu o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas. O mesmo banqueiro foi solto graças á intervenção do então Presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, amigo de Serra. Dantas será personagem de destaque no livro.

A Guerra entre Serra e Aécio pela candidatura à Presidência
Amaury Ribeiro Jr. é um jornalista investigativo com muitos prêmios em sua carreira e que chegou a sobreviver a um atentado quando denunciou traficantes envolvidos com assassinatos de jovens nos arredores de Brasília. Em dezembro de 2007, enquanto se recuperava do tiro no abdômen, da cirurgia e da depressão pós-traumática, foi chamado pelo jornal o Estado de Minas, do mesmo conglomerado do Correio Braziliense em que trabalhava. Seu trabalho seria descobrir quais eram os arapongas que vasculhavam a vida do governador mineiro pelo PSDB, Aécio Neves, em seus roteiros amorosos na cidade do Rio de Janeiro. Aécio seria vigiado e seguido por homens de Serra que queria eliminar o concorrente à candidatura à Presidência da República no PSDB. Com um dossiê em mãos contra seu rival tucano, Serra teria chantageado Aécio para abandonar a disputa. Tais informações partiram, na época, da própria assessoria do governo mineiro ao jornal, que conforme Amaury, é Aecista de corpo e alma.

Os arapongas de Serra (pagos com dinheiro público) e o jogo sujo contra adversários dentro e fora do PSDB
Com a pauta em mãos, Amaury buscou informações com seu amigo Idalberto Matias de Araújo, o agente Dadá, do Serviço de Inteligência da Aeronáutica (Cisa), que já o havia ajudado no caso dos traficantes em Brasília. Dadá apurou que o trabalho de campo da campanha serrista para complicar Aécio era chefiado por um homem da Agencia Brasileira de Inteligência (Abin) Luiz Fernando Barcellos. Conta Amaury: “Conhecido como ´agente Jardim´, Barcellos teria sido levado para o grupo de inteligência de Serra pelo deputado Marcelo Itagiba (PSDB/RJ)2, também delegado da Polícia Federal e casado com uma prima do tucano Andrea Matarazzo1, amigo de Serra há muitos carnavais.”
A informação de Dadá veio do delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo das Graças Sousa, que na campanha eleitoral de 2010 foi personagem trazido pelo imprensa serrista para desqualificar as informações bombásticas que o livro de Amaury traria a público. O delegado
trabalhara com Barcellos (Agente Jardim) no núcleo de inteligência que Serra montara com dinheiro público quando ministro da Saúde, dentro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Na época de Serra Ministro, Itagiba2 comandava o núcleo, a princípio para investigar os laboratórios acusados de fraudar os medicamentos genéricos. Porém, era pretexto para bisbilhotar funcionários do Ministério, como publicou a imprensa naqueles anos, o que levou à demissão do agente do extinto Serviço Nacional de Informação (SNI) por Serra conforme Diário Oficial da União da época. O próprio Ministro de FHC, o tucano Paulo Renato, foi alvo de Serra.

As privatizações e os esquemas de lavagem de dinheiro
Amaury entregou ao jornal Estado de Minas um relatório sobre o funcionamento da inteligência
da campanha de Serra, porém, decidiu aprofundar as investigações. Foi quando retomou ao tema pelo qual já se debruçara antes, inclusive quando escrevia para a IstoÉ e para a sucursal de O Globo em São Paulo: “a Era das Privatizações, sob a égide do presidente Fernando Henrique Cardoso, particularmente os negócios que se deram na área das telecomunicações.” Amaury fez “uma varredura em cartórios de títulos e documentos, além de juntas comerciais de São Paulo e do Rio”. Conseguiu mapear como o ex-diretor da área internacional do Banco do
Brasil, Ricardo Sergio de Oliveira, e outros “alunos” com presença expressiva de tucanos paulistas, tratavam as empresas e o dinheiro no Brasil e nos paraísos fiscais do Caribe.

Além do tesoureiro de campanha de Serra, surge seu genro no esquema
Ricardo Sergio, ex-tesoureiro das campanhas eleitorais de Serra e de FHC, operava o dinheiro de forma que ele saía do país como se tratasse de investimentos em empresas estrangeiras e voltava para o Brasil, após passar por paraísos fiscais, também como investimentos externos em empresas nacionais, driblando os órgãos fiscalizadores, tratando-se de uma lavagem, ou melhor, internação de dinheiro. Apesar de parecer se tratar de origens e destinos diferentes, nas duas pontas da operação estava Ricardo Sérgio. Era dessa forma também que atuava a quadrilha da “advogada Jorgina de Freitas, que ganhou notoriedade por fraudar a Previdência Social em mais de R$ 1 bilhão”. Também por documentos da Junta Comercial de São Paulo, na Justiça e nos cartórios de títulos, e documentos da cidade, Amaury encontrou em 2008, novo personagem: Alexandre Bourgeois, genro de Serra, usando a metodologia “bolada pelo ex-tesoureiro do sogro”. Logo após a privatização das empresas de telecomunicações, Bourgeois abriu no mesmo paraíso fiscal, duas empresas offshores, que operavam no mesmo escritório utilizado por Ricardo Sergio nas Ilhas Virgens Britânicas.

Serra e Aécio apresentam as armas: os jornais paulistas e mineiros
O autor de “A privataria tucana” chamou de tolice sua iniciativa de telefonar para a assessoria de imprensa do governador paulista, buscando seu pronunciamento sobre o assunto. Serra tentou barrar a matéria quando ainda estava sendo apurada. Ao descobrir que era conduzida pelo Estado de Minas, “Serra quis falar com a direção do jornal e com a irmã do governador Andrea Neves, sem sucesso”, procurando então, diretamente a Aécio, para aparar arestas. Apesar de ter aparentemente  funcionado, era necessário aplacar “o comando do jornal mineiro, inconformado com a arapongagem de Itagiba e com o artigo ´Pó pará, governador´, plantado pela entourage de Serra em O Estado de S. Paulo, para desgastar o governador mineiro”. Em fevereiro de 2009, o falecido colunista Mauro Chaves, ironizou a intenção de Aécio definir por prévias no PSDB quem seria o candidato. O jornal Serrista dispensou o protocolo e disparou um torpedo para derrubar a pré-candidatura de Aécio.
Divergindo da linha conservadora do jornal, o artigo insinuava uma suposta ligação de Aécio ao “Pó” (cocaína) para expô-lo, “de modo vulgar e dissimulado, o comportamento do rival de Serra e enviar -lhe um recado muito claro”.

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Serra ataca por meio do Estadão e…

O jornal Estado de Minas não engoliu o artigo do Estadão “Pó pará, governador”, ainda mais por acusar as relações entre os jornais mineiros e Aécio, comparando com São Paulo, onde Serra e e outros tucanos seriam, segundo o responsável pelo artigo, “cobrados” pelos jornalões de São Paulo. Por vingança e indignados, os mineiros repeliram “a arrogância de lideranças politicas que, temerosas do fracasso a que foram levados por seus próprios erros de avaliação, pretendem dispor do sucesso e do reconhecimento nacional construído pelo governador
Aecio Neves” já no início do editorial ”Minas a reboque, não!”, do Estado de Minas, em março de 2010, rejeitando um eventual papel subalterno de Aécio para enfrentar Dilma Rousseff.

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Aécio retruca pelo Estado de Minas: “Minas a reboque, não!”

Cenas dos próximos capítulos: a filha, o primo e ex-sócios de Serra
Muitos outros personagens e maneiras de ganhar dinheiro surgem nos capítulos do livro que revela bastidores do episódio que, segundo o autor,foi um “assalto ao patrimônio público do país por meio das privatizações”. Mais sobre “a filha Veronica Serra, seu genro Alexandre Bourgeois, seu primo politico Gregório Marin Preciado, seus muitos sócios, seus amigos e seus
colaboradores. E outros tucanos de altos poleiros.”

1 “De 1999 a 2001, foi ministro-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência da República durante o governo de Fernando Henrique Cardoso e embaixador do Brasil em Roma, entre 2001 e 2002. Em 2005, entrou na administração municipal de São Paulo como subprefeito da Sé na gestão de José Serra, Assumiu também, em 2006, a Secretaria Municipal de Serviços, como subprefeito da Sé e secretário (de Coordenação das Subprefeituras) na gestão de Gilberto Kassab. A partir de 2008, manteve-se apenas como secretário até o início de setembro de 2009, quando teve seu pedido de demissão aceito por Kassab. Atualmente é Secretário de Cultura do Estado de São Paulo, do Governo Geraldo Alckmin.” (Wikipédia) – foi acusado pelos movimentos sociais, incluindo pelo militante Padre Júlio Lancelotti de promover políticas de higienização social.
2 Marcelo Itagiba foi acusado na CPI das Milícias “de ter feito campanha na favela Rio das Pedras, em Jacarepaguá, durante sua gestão como Secretário de Segurança Pública, com apoio do grupo paramilitar que controla a região. O relatório final da CPI apontou que a ação das milícias cresceu enormemente durante sua gestão como Secretário de Segurança Pública.” (Wikipédia)

quinta-feira, 9 de junho de 2011

As avaliações apressadas

Palocci: é a política, estúpido! E agora, Dilma?


publicada quarta-feira, 08/06/2011 às 17:26 e atualizada quinta-feira, 09/06/2011 às 11:43
por Rodrigo Vianna
A queda de Palocci gerou debates acalorados na internet. Recapitulemos. O principal ministro do governo, acuado por denúncias de ter enriquecido 20 vezes enquanto exercia o mandato de deputado federal pelo PT, manteve-se calado por 20 dias. Quando resolveu falar, escolheu: entrevista exclusiva para a Globo.
O meio é a mensagem. Muita gente discutiu os argumentos do ministro naquela entrevista, as explicações, o tom “sóbrio”. O recado principal ali era outro: Palocci indicou que tinha (e tem) aliados poderosos no “establishment”. O meio é a mensagem. Falar à Globo – com exclusividade – é uma forma de dizer: eu sigo forte entre aqueles que mandam ou imaginam que mandam no Brasil. Isso era fundamental para que Palocci se sentisse mais “protegido” ao sair do governo.
Na segunda-feira, veio a decisão da Procuradoria Geral da República (PGR): o procurador não enxergou motivos (jurídicos) para investigar Palocci. Em alguns blogs e no twitter, choveram conclusões apressadas: “aí está a prova de que os detratores de Palocci estavam errados, ele é inocente, não há sequer indícios contra o ministro”. Espalharam-se ataques contra o jornalista Ricardo Kotscho, que havia escrito no blog dele, no dia da entrevista pra Globo:  “Palocci escolheu a guilhotina”. Kotscho errou feio, diziam alguns. Errou??
Outros blogueiros (entre eles esse escrevinhador), que escolheram o caminho da crítica (política) a Palocci, foram acusados de “traidores” e “oportunistas”. Um certo stalinismo de botequim espalhou-se por aí: quem não defende o governo unilateralmente é “traidor”. Hehe. Nessa, eu não caio.
Quem achou que a decisão da PGR era uma “vitória definitiva” de Palocci, desculpe-me, mas não entende muito de política. Palocci permaneceu no cargo durante mais de 20 dias justamente com esse objetivo: usar o cargo para evitar estragos maiores (especialmente na área judicial). Na segunda-feira, diante das conclusões apressadas dando conta da ”vitória jurídica” de Palocci, escrevi no twitter o que me parecia o óbvio ululante: a questão era – e continua a ser – política.
Agora que Palocci caiu, alguns blogueiros e tuiteiros que respeito muito dizem que “o governo acabou”. Bobagem…
Esse é um governo em disputa – ainda mais agora, com o rearranjo de forças. De minha parte, acho que o problema de Dilma não foi a queda de Palocci, mas sua nomeação numa função tão importante. Quando digo que a questão era, e é, política, refiro-me justamente a isso: a escolha de Palocci simbolizava a escolha de um nome completamente comprometido com o mundo financeiro e o grande capital. Em 2003, Lula precisava de um nome assim. FHC entregara o país à beira da bancarrota. Palocci cumpriu essa tarefa. Depois, foi derrubado pela soberba – no vergonhoso episódio do caseiro.
Dilma não precisava e não precisa disso. Ah, mas foi o Lula que indicou Palocci. E daí? Lula é um ser iluminado que não erra? Sigo a entender que Lula foi o melhor presidente da República, ao lado do Getúlio Vargas dos anos 50. Nem por isso deixaram (Vargas e Lula) de cometer erros.
A escolha de Palocci para a Casa Civil soma-se a outras escolhas da presidente Dilma – que apontam num rumo claro: o governo caminhou alguns graus rumo ao centro, na comparação com o segundo mandato de Lula – que foi razoavelmente avançado, um governo social-democrata clássico.
A saída de Palocci pode abrir caminho para um novo arranjo. Ninguém espera um governo “socialista” ou de “esquerda” na gestão Dilma. Claro está que a correlação de forças no Brasil exige acordos. Mas quem vai estar ao leme? Quem vai ter a hegemonia do processo? Num texto recente, escrevi sobre os risco das últimas escolhas de Dilma. Dizem por aí que as pesquisas já mostrariam certa queda no apoio à presidenta. Por conta do desgaste gerado pelo caso Palocci no noticiário. Isso é conjuntural. Mais grave pra mim é a corrosão de longo prazo: setores de esquerda sentem-se longe desse governo que prometia ser a continuidade de Lula.
O portal “Sul21″, que tem certa proximidade editorial com o governador petista Tarso Genro (RS), é muito claro na avaliação da queda de Palocci: “Soberba x Prestação de Contas”. Blogueiros como Idelber Avelar e Renato Rovai também escreveram texto curtos e precisos sobre o significado da queda de Palocci. Nenhum deles pode ser apontado como “traidor”, “oportunista”, ou  “agente infiltrado do PIG”.
A ideia de que a queda de Palocci significa a “capitulação” de Dilma ao PIG é simplista. Foi Dilma quem tentou um acordo com a velha imprensa, no início do mandato: foi à “Folha”, à Globo, e deu sinais indiretos de que não iria avançar na “Ley de Medios” preparada por Franklin Martins. Escolhas. Palocci, no centro do governo, certamente tinha muito a ver com essas escolhas.
Essas escolhas criaram certo mal-estar entre gente que apoiou e/ou votou em Dilma durante a dura batalha de 2010. A queda de Palocci pode ser o símbolo de uma fase nova no governo.
O PT e o governo, se deixaremde lado o medo e os acertos “por cima”, podem usar o episódio Palocci contra a oposição. Se Palocci caiu por “enriquecer sem explicações convincentes”, o que dizer de Aécio e sua frota de carros na rádio? O que dizer da filha de Serra?
Não é por outro motivo que Serra (e muitos tucanos) ficaram ao lado de Palocci nesse episódio. Palocci era uma ponte com os tucanos e o empresariado atucanado.
A ponte ruiu. Isso não quer dizer que o governo Dilma vai avançar nas áreas onde tropeça e cede ao conservadorismo (Cultura, Relações Internacionais, Meio Ambiente). Mas a chance existe.
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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Faltou Aécio Neves na lista da Folha

Por Rodrigo Vianna, no blogEscrevinhador:
Nas últimas semanas, militantes de esquerda, blogueiros, lideranças políticas e sindicais concentraram-se num (saudável) processo de crítica ao governo Dilma e às atitudes recentes da direção do PT. Aqui no Escrevinhador, procuramos alimentar esse debate – o que gerou reação irada de alguns leitores que preferiam a “defesa firme” do governo. Recuso-me a seguir por esse caminho do “apoio incondicional”, e lembro que a crítica dura pode ser uma ótima forma de colaborar com o país – ainda que ninguém tenha me pedido colaboração alguma.

De todo jeito, a crítica ao governo não significa esquecer quem está do outro lado. E um bom exemplo é a reportagem de capa na “Folha” desse domingo. Em letras garrafais, o jornal anuncia a lista de congressistas que são donos de rádios e TVs, ou que mantêm parentes na direção das emissoras. Trata-se de assunto importante, sem dúvida. Mas é curioso que a “Folha” tenha “esquecido” um nome na lista!
Ora, há pouco mais de um mês o Brasil ficou sabendo que Aécio Neves, o impulsivo e notívago líder da oposição, é dono de uma rádio em Minas. A própria “Folha” fez matéria sobre o fato. Descobriu-se que o carro conduzido por Aécio, quando ele foi parado numa blitz da lei seca no Rio, estava em nome da tal rádio. E descobriu-se, ainda, que a rádio de Aecim é dona de uma estranha frota de carros de luxo. A oposição ao PSDB em Minas desconfia de repasse de recursos públicos para a rádio, e tenta abrir uma CPI. Quem não se lembra pode ler reportagem da “Folha” aqui.
Agora, a “Folha” traz uma lista enorme de deputados e senadores do chamado “baixo clero”, donos de rádios e TVs. Ótimo!
Mas e o Aécio? Cadê? Por que não está na lista?
O jornal pode se eximir, dizendo que “apenas” reproduziu a lista – que está sendo preparada pelo próprio governo federal, numa tentativa de moralizar o setor. Ora, nesse caso a “Folha” é que devia lembrar o leitor sobre a existência da rádio de Aécio, estranhando que o nome dele não esteja na tal lista! Não se trata de qualquer um: é o líder da oposição!
Outra observação: a “Folha” não deu destaque para o fato de, depois de 8 anos de governo Lula, não haver nenhum parlamentar do PT dono de rádio ou TV! Imagine se houvesse um? Unzinho só? Viraria manchete. Mas Aécio (que tem rádio), esse passa longe da reportagem de domingo no jornal de maior circulação do país.
O moralismo seletivo continua a ser a regra na “Folha”, na “Veja”, no ”Estadão”, em “O Globo”.
Claro que os jornais cumprem seu papel ao divulgar o estranho enriquecimento de Palocci. Não há do que reclamar no caso isolado. Mas salta aos olhos que não se faça o mesmo com a filha do Serra! Quem pagou a casa onde vive a família Serra no Alto de Pinheiros, em São Paulo? Por que Verônica Serra multiplicou o patrimônio de sua empresa em 50 vezes, como se lê aqui?
Não faço aqui qualquer acusação contra Verônica. Mas não é curioso esse moralismo seletivo que poupa a família Serra e a rádio do Aécio, enquanto tenta emparedar o Palocci?
Por essas e outras (quem não se lembra da “ficha falsa” de Dilma na “Folha”, do pé na bunda de Lula na “Veja”, e das armações de Ali Kamel – o jornalista da bolinha de papel - na Globo?), todo mundo que acompanha as comunicações no Brasil estranhou quando Dilma tentou fazer de conta que isso tudo não existe, e adotou a tática de “normalizar” relações com a velha mídia: foi à festa da “Folha”, fez omelete na Globo e mandou recados de que “o clima precisava melhorar de parte a parte”.
Dilma errou feio (também) nessa estratégia. Como diria Mané Garrincha, faltou combinar com os russos!
Sob comando de Otavinho Frias, Ali Kamel (o jornalista) e da turma barra pesada da Abril, os russos seguem a adotar a tática de sempre: tentaram “matar” Dilma na capa de “Época” essa semana, livraram a cara de Aécio na capa da “Folha”, e seguiram a bater em Palocci.
O governo deve ter apreendido algo nesse episódio. Os russos continuam sendo os russos. Palocci, aliás, é daqueles que se dão bem com os russos. Dilma poderia aproveitar a crise, mandar Palocci tomar chopp no Pinguin em Ribeirão Preto, e voltar a tratar os russos como eles são. Pra isso, seria preciso adotar outro tom.
A Dilma precisa ser aquela Dilma do primeiro debate do segundo turno. A Dilma que não ouve marqueteiros nem Paloccis - e faz a boa e velha política.
Do contrário, ela continuará sendo “morta” toda semana pela “Época”, enquanto a turma do Kamel e do Otavinho seguirá a pavimentar o caminho para que Aécio (ou outro da turma dele) avance em 2014.
Nada mudou quanto a isso. A não ser o fato de que a direção do PT parece ter-se encantado com os rapapés do poder e esquecido de um detalhe: mesmo moderadíssimo, mesmo cheio de ministro consultores, o PT e o lulismo não frenquentam as reuniões do Country Clube no Rio e nem tomam whisky com os ricaços no Clube Harmonia em São Paulo. Por isso, Palocci e outros da mesma cêpa são vistos pela elite como arrivistas, como gente que se lambuza porque nunca antes comeu mel.
Bem que Dilma poderia aproveitar a deixa pra se livrar da turma que está toda lambuzada.

Altamiro Borges- Faltou Aécio Neves na lista da Folha

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PSDB sepulta o serrismo

Por André Barrocal, no sítio Carta Maior:
“Contem comigo para qualquer problema, para qualquer necessidade de presença, eu estarei lá. Sou um ativista político desde minha juventude. Estou nessa luta há muitas décadas e, se deus quiser, permanecerei nela durante muitas décadas ainda (….) Antes de ser um oficial da política, eu sou um soldado.”

Com estas palavras - um apelo para não ser ignorado -, José Serra, ex-governador de São Paulo, terminou sua participação na convenção nacional que o PSDB realizou neste sábado (28/05) para eleger uma nova direção. Derrotado duas vezes ao tentar virar presidente da República, o discurso de Serra encerrou mais um fracasso.
A convenção destinava-se justamente a sepultar a hegemonia serrista e paulista no tucanato. Ao mesmo tempo, buscava evitar um racha no ninho, o que exigirá do PSDB tonificar uma instância partidária inoperante nos últimos tempos, o Conselho Político, em cuja direção, a contra-gosto e com muita resistência, Serra foi assentado.
Daqui para frente e de olho na sucessão da presidenta petista Dilma Rousseff em 2014, os tucanos entregam-se à liderança do senador Aécio Neves (MG), cuja missão será reiventar um partido e um ideário derrotados mais vezes do que Serra na luta pela Presidência da República.
“Não podemos ter dois comandos. Sairemos daqui com um comando só”, dizia, ao chegar à convenção, o líder da bancada adversária de Dilma na Câmara dos Deputados, Paulo Abi-Ackel (PSDB), aliado mineiro do senador mineiro. E qual será o discurso, a linha do partido daqui em diante, com Aécio à frente? “Ah, é o artigo do Fernando Henrique”, contou Abi-Ackel.
Linha FHC: classe média e moralismo
O deputado referia-se a um texto polêmico publicado numa revista no início de abril, no qual ex-presidente esforça-se para salvar o PSDB e a oposição em geral da falta de rumos. Nele, FHC diz que “uma oposição que perde três disputas presidenciais não pode se acomodar com a falta de autocrítica”. E defende, entre outras coisas, que os adversários de Dilma não devem “disputar com o PT influência sobre os 'movimentos sociais' ou o 'povão'”, mas, sim, buscar a “nova classe média”.
Para o sociólogo, os tucanos precisam explorar as redes sociais, a mídia tradicional e as universidades para discursar a favor de mais saúde, educação, ecologia, direitos humanos, enfim, por um “papel crescente do estado”, o que não estaria em “contradição com economia mercado”. Mas, ressalva FHC, sem deixar de lado o núcleo das campanhas tucanas perdedoras em 2006 e 2010, porque “seria erro fatal imaginar, por exemplo, que o discurso 'moralista' é coisa de elite à moda da antiga UDN”.
Pois não faltou, na convenção tucana, a retórica 'moralista' pregada pelo ex-presidente, graças à enrascada em que se encontra o chefe da Casa Civil, ministro Antonio Palocci, por conta de seu enriquecimento à base de consultorias. “Devemos sair às ruas, de cabeça erguida, e dizer: 'somos sérios, somos éticos e sabemos fazer'”, disse na convenção o desde já presidenciável Aécio Neves.
“Crise ética”, foi a definição do caso Palocci dada pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. “Escândalo”, chamou FHC. “Águas da corrupção”, classificou o presidente reeleito do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE).
Não foi exatamente a opinião manifestada por um deputado cassado que compareceu à festa tucana mesmo sem ter carteirinha do PSDB. Para o presidente do PTB, Roberto Jefferson, não há motivo para CPI do Palocci. Nem mesmo para fazer comparações com o “mensalão”, cuja suposta existência o deputado denunciou depois que um aliado dele empregado nos Correios, Mauricio Marinho, fora gravado recebendo propina.
'Aécio presidente!'
Ao chegar à convenção, Jefferson parecia um pop-star, posando para fotos com militantes tucanos, que também se entretiam com músicas à espera do início do encontro. "Brasil, urgente, Aécio presidente!”, era uma delas. “Brasil, urgente, Perillo presidente!”, dizia outra, aludindo ao governador de Goiás, Marconi Perillo. Até um genérico “1, 2, 3, 4, 5, mil, queremos um tucano presidente do Brasil!”.
Ninguém gritava “Serra presidente”, evidência de que o ex-governador paulista é página virada no partido, mesmo com os mais de 40 milhões de votos obtidos na última eleição.
O capital político de Serra serviu, no entanto, para impedir que ele fosse escanteado por completo do novo comando tucano. Os tucanos contam com algum tipo de colaboração dele na próxima eleição. Daí que o encontro deste sábado começou com mais de duas horas de atraso. Desde a véspera, a elite tucana tentava encontrar uma composição dos dirigentes que garantisse a hegemonia de Aécio, mas que permitisse ao menos dar um prêmio de consoloção a Serra.
Os três cargos mais importantes da estrutura partidária ficaram com simpatizantes ou aliados declarados de Aécio. O presidente Sérgio Guerra, que pelas costas já fez referências desabonadoras a Serra, reelegeu-se. A secretaria-geral terá o deputado mineiro Rodrigo de Castro, abertamente apoiador de Aécio. E o comando do Instituto Teotônio Vilela, órgão formulador dos tucanos, foi entregue ao ex-senador Tasso Jereissatti (CE), que até hoje guarda rancor contra Serra pela disputa de ambos pela candidatura presidencial tucana em 2002.
Para Serra, restou controlar o Conselho Político, que os tucanos dizem que vão tentar revitalizar daqui para frente.
Além do objetivo de superar o serrismo e, ao mesmo tempo, esconder os problemas internos atrás da retórica de “unidade”, o PSDB usou a convenção para tentar enfrentar a sensação de fragilidade dos adversários do governo dentro do Congresso. É a menor bancada oposicionista desde o fim da ditadura militar. Valeu até apelar para um suposto fenômeno mundial. “Há controvérsias sobre o enfraquecimento da oposição. A oposição não está fragilizada só no Brasil”, disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR).

Altamiro Borges- PSDB sepulta o serrismo

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Festinha do PSDB

FERNANDO DE BARROS E SILVA

SÃO PAULO – Vista de perto, a crise dos tucanos é ainda mais constrangedora. Estive anteontem na convenção do partido. As palavras de ordem mais ouvidas na entrada do evento eram “Brasil, urgente, Marconi presidente!”. Repetida entre apitaços pela militância amarelinha de Goiás, a gritaria contratada não deixava de ser um retrato do ponto a que chegou o PSDB.
Horas antes da convenção, já na madrugada de sábado, Serra, de São Paulo, ameaçava não ir a Brasília. Havia convencido Alckmin e FHC a acompanhá-lo no boicote. Do outro lado, Sérgio Guerra e Aécio Neves insistiam em dar a presidência do ITV (Instituto Teotônio Vilela) a Tasso Jereissati.
Assim foi feito. Mas não sem uma nova discussão a portas fechadas entre os caciques, da qual Serra saiu direto para a convenção na condição de presidente do conselho político que o partido inventou para acomodá-lo. Não se pode dizer que o grupo de Aécio ganhou a disputa interna de lavada porque o tal conselho recebeu atribuições maiores (na definição de alianças e candidaturas, por exemplo) do que havia sido previsto inicialmente.
O que chama atenção nisso tudo é o caráter cada vez mais paroquial da fogueira das vaidades entre os tucanos. No meio da crise envolvendo Palocci, na semana em que o governo escancarou a debilidade da sua articulação política, o PSDB esteve se engalfinhando para… saber quem vai controlar o ITV. “Brasil, urgente, Marconi presidente!”.
Como se fosse possível animar o encontro, havia no salão um grupo de batucada com meia dúzia de meninotas sambando descalças. Eram as representantes do “povão”.
No final, depois do teatro dos discursos que exaltaram a “unidade do partido”, Aécio pegou o microfone e puxou um “Parabéns a Você” em homenagem a FHC, que fará 80 anos em junho. Todos cantaram meio sem jeito. Fiquei com a sensação de que, se houvesse um bolo ali, a tucanada iria disputar no tapa para ver quem apagava as velinhas.

Festinha do PSDB « Blog da Dilma

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domingo, 22 de maio de 2011

De onde saíram as informações sobre a empresa de Palocci?

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“Alegando um ‘OFF’ de duas pessoas que tiveram ‘acesso’ aos documentos da empresa Projeto, a Folha pode ter reconhecido um crime. (…) A suspeita recai sobre a secretaria de fazenda do governo municipal de São Paulo, onde fica localizada a sede da empresa de Palocci, e é administrada por Kassab, que até alguns meses atrás era filiado ao DEM, que faz oposição ao Governo Dilma. A partir dos valores recolhidos de ISSQN é possível se chegar a arrecadação de uma empresa, pois a alíquota do ISSQN para atividades de consultoria é fixada em 5%. O problema que esses valores são protegidos por sigilo e é crime revelar para quem quer que seja, inclusive a imprensa.”

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Jornalismo mafioso:Folha

maio 22nd, 2011 | Autor: Betania

Jornalismo mafioso: Folha quebrou ilegalmente sigilo de empresa de Palocci?
Postado por LEN às 5:18 pm Adicionar comentários .mai 20
2011.O jornal Folha de São Paulo no afã de criar uma crise no governo Dilma Rousseff vem promovendo ataques diários ao ministro da Casa Civil Antonio Palocci. O “crime” de Palocci segundo a Folha foi o de prestar consultoria e empresas privadas através de sua empresa enquanto era deputado Federal.

Não há crime previsto no código penal de um deputado federal possuir uma empresa e ter negócios com a iniciativa privada. Palocci por ter sido ministro da fazenda aumentou o seu capital profissional e tornou-se objeto de desejo de muitas empresas pelo conhecimento adquirido no período em que desempenhou as funções de ministro. Outros ex-ministros da Fazenda e ex-presidentes do Banco Central tiveram em pouco tempo enriquecimento maior e não foram alvo de cobranças pelo jornalismo partidário que a empresa dos Frias pratica.

O problema que parece que a Folha ultrapassou o sinal da legalidade ao tentar estender o “escândalo” que criou e hoje publicou informações que só poderia saber em caso de uma quebra ilegal de sigilo fiscal como a informação que a empresa de Palocci faturou 20 milhões no ano de 2010. Alegando um “OFF” de duas pessoas que tiveram “acesso” aos documentos da empresa Projeto, a Folha pode ter reconhecido um crime. Afinal, onde diabos alguém pode ter acesso a documentos sigilosos sem cometer crime, afinal nem Palocci nem a empresa revelaram qualquer dado referente ao seu faturamento.

A suspeita recai sobre a secretaria de fazenda do governo municipal de São Paulo, onde fica localizada a sede da empresa de Palocci, e é administrada por Kassab, que até alguns meses atrás era filiado ao DEM, que faz oposição ao Governo Dilma. A partir dos valores recolhidos de ISSQN é possível se chegar a arrecadação de uma empresa, pois a alíquota do ISSQN para atividades de consultoria é fixada em 5%. O problema que esses valores são protegidos por sigilo e é crime revelar para quem quer que seja, inclusive a imprensa.

A Folha de São Paulo, que foi beneficiada por contratos que somam 27 milhões de Reais pela secretaria de educação do Governo do Estado de São Paulo, administrado há 16 anos pelo PSDB, costuma praticar jornalismo chapa-branca para governos tucanos e no ano passado tentou criminalizar o governo federal pela quebra de sigilo de tucanos paulistas conseguidos a mando do Jornal Estado de Minas por conseqüência da guerra entre José Serra e Aécio Neves pela candidatura a presidência da república.

Na ocasião, o enriquecimento misterioso de Verônica Serra (Filha do candidato tucano) e do vice-presidente do PSDB Eduardo Jorge não atiçou curiosidade na redação do jornal que preferiu tratar o caso como um ataque a reputação, sem se importar com os valores e motivos para que os suspeitos enriquecessem tão rapidamente.

O jornal Folha de São Paulo deve respostas de como acessou as informações que hora divulga sob pena de tornar o crime de acesso a dados sigilosos algo banal. Até que ponto um jornal pode cometer crimes para informar? Se a Folha obteve dados de forma ilegal tem que mostrar como e quem os forneceu.

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Jornalismo mafioso-Folha

sábado, 21 de maio de 2011

Eleição já é com lista fechada. Pelos empresários

O dono da Projeto e o grande eleitor

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É o que se deduz do excelente artigo de Maria Inês Nassif, no blog do Nassif:

O escândalo Palocci, por Inês Nassif
O escândalo Palocci e as miçangas
Por Maria Inês Nassif
Para o Blog Luis Nassif Online
Até o momento, mesmo com todos os revezes de sua vida pública, a imagem de Antonio Palocci, titular da Casa Civil, que emerge das denúncias de que teria aumentado o seu patrimônio pessoal em 20 vezes de 2006 a 2010, está longe de ser a de um ministro enfraquecido. É o retrato de corpo inteiro de um político muito forte. Palocci não tem poder apenas porque isso foi conferido a ele pela presidente da República, Dilma Rousseff, mas pela capacidade de se investir do papel de fiador de governos petistas, principalmente junto ao mercado. No governo de Luiz Inácio Lula da Silva, foi o fiador de um candidato eleito considerado pelo mercado como um incendiário; no governo Dilma, de uma presidente com um passado revolucionário que carregava a tiracolo um ministro da Fazenda, Guido Mantega, nada ortodoxo, e optou por tirar do Banco Central outro “fiador” do mercado, Henrique Meirelles.
No governo Lula, Palocci não caiu porque se viu envolvido em denúncias. Enquanto eram apenas elas, foi suficientemente poupado pelo mercado, pelos jornais e também pela oposição. Caiu devido a um excesso seu, depois de já ter retomado o controle sobre seu destino no Congresso. Depois de sair-se muito bem em uma ida ao Legislativo para prestar esclarecimentos, sua assessoria divulgou o sigilo bancário de um caseiro, a testemunha do caso. Se esse excesso não tivesse acontecido, é provável que tivesse continuado no governo, inclusive fortalecido, numa conjuntura em que o presidente estava frágil e o PT sob fogo cruzado. Seria, pelo menos naquele momento, um ministro forte sustentando um presidente fraco. Palocci não voltou para o governo antes de ter sido absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) mas, já nessa condição e ainda na campanha eleitoral de Dilma, colocou-se – e foi colocado – novamente como o grande interlocutor do partido junto ao poder econômico. A manutenção de Guido Mantega na pasta da Fazenda foi um aceno, para o partido, de que a presidenta não abandonaria a opção desenvolvimentista representada pelo titular da pasta. A escolha de Palocci como “gerente”, todavia, deu a ele o espaço de articulador e mediador junto a setores empresariais e financeiros.
Palocci ocupou todos os espaços de poder conferidos à Casa Civil: não há um assunto de governo, hoje, que não seja acompanhado pelo ministro. Não interessa para esses setores, que têm uma forte ascendência também sobre os partidos de oposição, que se mude a relação de poder dentro de um governo cujos espaços divide com a esquerda, ou que desapareça do cenário um político pragmático, que tem bom trânsito a empresários e a partidos mais conservadores da base aliada, além de uma certa simpatia da oposição. Se cair, será por seus excessos, não pelo zelo da oposição em defenestrá-lo.
O primeiro excesso já ocorreu. Em sua defesa, partiu para o ataque. Sua nota, em que nomeia ex-ministros que ficaram ricos depois que saíram do governo, é uma saída à La caseiro: uma aposta de que tem apoio de quem interessa do lado de fora do governo, e de quem consegue fazer isso prevalecer dentro do Congresso e do próprio núcleo de poder; a certeza de que a intimidação pode levar adversários ao corner. Como grande gerente da máquina de governo, conseguiu, por exemplo, traduzir isso em votos na Câmara para evitar sua convocação para prestar esclarecimentos. Confiante em sua própria capacidade de reverter uma situação contrária, apela com naturalidade ao discurso de que se todos fazem – ganham dinheiro depois que saem do governo –, ele também tem esse direito.
É uma situação que pouco contribui para a discussão de sistema político do país. Um debate de reforma política que abrir mão de entender por que é tão normal ex-dirigentes governamentais da área econômica acumularem fortunas depois que saem de cargos públicos será uma discussão sobre miçangas. O que é hoje, segundo o ministro, um padrão normal de relações, onde fatalmente um homem forte de governo se torna rico quando volta para a planície, é também um elemento importantíssimo de análise das causas da corrupção no Brasil. O discurso oficial, assumido pelos jornais e pela opinião pública, é o de que a classe política é intrinsicamente corrupta: faz parte da sua natureza ruim o político tirar proveito de seu mandato. O problema é bem mais amplo. Na verdade, num sistema onde transitam grandes vantagens privadas, a corrupção é um negócio que interessa tanto ao corruptor, como ao corrupto. Para os setores que têm interesses econômicos no governo, é uma situação muito mais cômoda arcar com os ônus de financiar campanhas políticas e contratar consultorias de quem tem informações de governo do que defender, por exemplo, o financiamento público de campanha. Num sistema político que é movido a dinheiro privado, esses recursos não apenas financiam partidos, mas escolhem nas agremiações quem vai representá-lo. O financiamento privado é uma terceirização da atividade partidária. O dinheiro mantém nos partidos homens fortes, cujos erros são relativizados, e todo o sistema político na defensiva, ao jogar para os representantes eleitos a responsabilidade exclusiva das mazelas morais da democracia.
Eleição já é com lista fechada. Pelos empresários - Conversa Afiada

Mino: Palocci, privilégio e predação. E Cerra e Aécio … mudos

Atirar a primeira pedra ? Quem ? Eu ? Não !

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Na Carta Capital desta semana, editorial de Mino Carta, na pág. 16, diz assim, a certa altura:
“De outra natureza ainda é o caso do Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci, de características tipicamente nativas, de uma sociedade do privilégio vocacionado para a predação. O ex-ministro da Fazenda milita em uma categoria que no Brasil apresenta dimensões e tonelagens excepcionais.”
“Estabelecidas solidas cabeças de ponte dentro dos gabinetes governistas, venderam a peso de ouro conselhos abastecidos pela chamada inside information.”
“O próprio Palocci incumbe-se de desfiar um rosário de nomes ilustres que o precederam neste gênero de atividade. Sustenta, impávido, a seguinte tese: se eles pecaram, por que não eu ?”
A reportagem de capa de Cynara Menezes e Sergio Lírio tem o título “Ele se ri de que ?”, ao lado de uma foto de Palocci a rir, com a presidenta em primeiro plano.
“A aparente alegria do Chefe da Casa Civil talvez tenha explicação no quase estrondoso silencio a cercar o escândalo que o envolve”.
Cerra e Aécio são um capítulo desta reportagem, merecedores de foto interessante e a legenda: “Um tucanato passivo é o aspecto mais surpreendente  do o episódio. Quem não tiver pecado atire a primeira pedra”.
Como se sabe, Cerra disse sobre Palocci: “Bons rendimentos promovem uma variação patrimonial”.
(Ele é um jenio !)
Clique aqui para ler “Alckmin agasalha concorrência do Cerra para o metrô”.
E Aécio: “Não é nossa intenção desestabilizar o Governo”.
(E dirigiu-se célere ao bafômetro, provavelmente.)
A Carta lembra: o caseiro Francenildo, sim, quase desestabilizou o Governo em 2005.
Paulo Henrique Amorim

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Folha e Globo querem lulismo sem Lula!

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Folha e Globo querem lulismo sem Lula! Querem Vale tucana, mas perdem todas!

publicada terça-feira, 05/04/2011 às 18:59 e atualizada terça-feira, 05/04/2011 às 18:53

por Rodrigo Vianna

A estratégia da velha mídia parece cada vez mais evidente: dianta da força de Lula (que tem o carisma e a história recente) e de Dilma (que tem o poder e o apoio de Lula), procura-se fraturar o lulismo. A idéia é abrir uma cunha entre os dois.

A operação está clara desde os primeiros dias do governo Dilma:

- elogios à postura de “estadista” de Dilma (“discreta”) em contraposição ao “populismo” de Lula;

- elogios à forma como Dilma conduziu a política econômica (aumento de juros, freio nos salários, corte de gastos), de forma “responsável”, em contraposição à “gastança” de Lula;

- elogios à “nova política externa” de Patriota, em contraposição à dupla Amorim/Lula.

Editoriais elogiosos foram a face visível dessa operação. A face invisísel são conversas ocorridas nos bastidores – conversas que têm como objetivo aproximar Dilma da velha mídia (por isso, ela foi à festa da “Folha”, por isso ela almoçou com a direção da Globo depois de participar do Ana Maria Braga).

Dilma mandou o recado: quero normalizar as relações com vocês.  A velha mídia aceitou a sinalização. Vê com bons olhos o movimento, porque em algum momento precisará da força do governo para se contrapor à grana das teles. Sem apoio político, Globo+Abril+Uol não fazem frente às teles. Por isso, o jogo está sendo jogado, com suavidade. Aceita-se Dilma, e tenta-se vender a idéia de que Dilma é um lulismo melhorado. É um lulismo sem Lula.

Ok. Mas a velha mídia não brinca em serviço: enquanto afaga Dilma, ataca Lula. 

A matéria de “Época” foi apenas o ensaio do que virá por aí. Sem o poder, imaginam os barões da velha mídia, Lula não terá como reagir. Imaginam, também, que Dilma não saírá em defesa do líder, deixará que ele se defenda sozinho.

A estratégia é descontruir Lula agora. Tolerar Dilma. Mais à frente, se necessário, parte-se contra Dilma. Aécio estará à espreita, preparado para entrar no jogo.

A movimentação na oposição mostra que a vez será de Aécio em 2014. Os outros sofrem…

- Serra está sob pressão. Alckmin quer empurrá-lo para a Prefeitura em 2012. Se aceitar, Serra terá contra si a pecha de assumir mandato e largar pelo caminho (como fez em 2006, largando a Prefeitura para concorrer ao governo). Se não concorrer, não terá máquina para se contrapor ao alckmismo em São Paulo.

- Alckminn tem que lutar pela sucessão em 2014; enfrentará PT e ainda Kassab (que pode fazer jogo duplo – apoio do lulismo e do serrismo por baixo do pano).

Aécio é quem tem a casa mais arrumada. Anastasia é bom gestor, afinado com Aécio. Não há disputa em Minas.

Resta a Aécio convencer a classe dominante brasileira de que ele pode gerir o país. Há quem não goste do jeito “collorido” do mineiro – afeito às festas e às aventuras amorosas.

Se Aécio se mostrar confiável, terá o apoio da velha mídia. Do contrário, o plano parece ser capturar Dilma para um lulismo sem Lula.

Os colunistas de jornal acreditam tanto nisso que chegaram a brigar para manter Agnelli (desafeto de Lula) na Vale. Como seria impossível, contentaram-se em “nomear” Tito Martins para o cargo. A”Folha” deu como certo que ele era o nome para comandar a mineiradora no lugar do Agnelli.

Dilma agiu por outros caminhos. Nomeou Murilo Ferreira para o cargo. Parece que a família Marinho e os Frias não mandam como gostariam no governo de Dilma.

Eles queriam lulismo sem Lula e dilmismo sem Dilma. Não terão nem um nem outro.

Leia outros textos de Palavra Minha

quarta-feira, 9 de março de 2011

WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010

 

Serra se cercou de um conjunto de jornalistas, para jornalistas, políticos sem conhecimento mínimo sobre o jogo político, meros torcedores sem capacidade de análise prospectiva, sem discernimento para entender sua (do Serra) própria incapacidade analítica, e, com eles, criou um mundo virtual. Machado de Assis se esbaldaria com essa versão contemporânea de "O alienista". – Luis Nassif

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WikiLeaks e o sanatório geral da campanha de 2010

Enviado por luisnassif, qua, 09/03/2011 - 15:17

Os novos documentos do WikiLeaks, sobre as eleições de 2010, mostram o enorme despreparo do corpo diplomático norte-americano em acessar as fontes corretas.

Os diplomatas se deixaram envolver pelo coro da velha mídia como um leitor classe média desinformado.  Nenhuma visão estratégica, nenhuma discernimento para separar torcida de análise e a inacreditável ingenuidade de considerar Diogo Mainardi como “renomado colunista político” – apenas um repassador de recados e de dossiês de Serra, utilizado por ele para atacar inimigos e jornalistas.

Mas dá uma boa ideia de como a vontade se impõe sobre os fatos e gera erros rotundos de análise.

Até agora é o melhor documento sobre a loucura que tomou conta da velha mídia, indo comer nas mãos de Serra. Uma fantasia na qual se meteu uma dúzia de jornalistas, julgando que com seus veículos à mão - em uma fase de transição em quase todos eles - se tornariam os novos donos do Brasil.

Serra se cercou de um conjunto de jornalistas, para jornalistas, políticos sem conhecimento mínimo sobre o jogo político, meros torcedores sem capacidade de análise prospectiva, sem discernimento para entender sua (do Serra) própria incapacidade analítica, e, com eles, criou um mundo virtual. Machado de Assis se esbaldaria com essa versão contemporânea de "O alienista".

Quando se deu conta de que os fatos não batiam com as análises, a corte de Serra passou a espancar os fatos resultando na campanha jornalística mais irracional da história recente do país. Só restaram escândalos diários para suprir os erros de análise.

Em seu “Ciência e Demência” Olavo de Carvalho traça um cenário clássico desse tipo de piração coletiva de intelectuais  e subintelectuais, quando os fatos teimam em desmentir suas teses. Por não pode abrir mão da teoria - porque ela os consagrou - passam a desenvolver teses para provar que os fatos não existem, são meras alucinações.

Por exemplo, Serra – cuja incapacidade de análise política hoje em dia é uma unanimidade (especialmente no seu partido) – diz a Mainardi, durante um almoço, que Marina Silva seria a vice de seus sonhos, porque tem uma história bonita como a de Lula. Pronto. A embaixada informa que Mainardi reproduziu todos os argumentos de Serra em sua coluna na Veja – aliás, foi um dos pontos ridículos da campanha, na qual um colunista sem familiaridade com a política recebe a receita do bolo de Serra e se propõe a ser o padrinho de uma chapa presidencial impossível. Era o poder que emanava de quem considerava estar falando com Deus.

Desde meados de 2009, qualquer analista político competente sabia que Aécio jamais aceitaria ser vice de Serra. Esse quadro ficou óbvio em dezembro, quando Aécio anunciou oficialmente sua desistência de qualquer tentativa de impor seu nome – a presidente ou a vice – e  lançou sua campanha para senador. Ainda se poderia acreditar nele para presidente, jamais para vice de seu verdugo.

No entanto, a embaixada se baseia em “insiders” – Mainardi e Merval Pereira (!) – para sustentar que Aécio aceitaria ser vice, sim.  Aécio anuncia formalmente estar fora da disputa. Mas a embaixada, em conversa com o notável analista político Mainardi, sustenta que ele irá aguardar até... março para aceitar a indicação para vice.

Qual a outra grande fonte da embaixada que confirma a informação? O delegado Marcelo Itagiba, claro. No início de 2010, também garantiu que Aécio terminaria vice de Serra. O brilhante Itagiba é mais contundente: se Aécio perceber que a vitória de Serra não está assegurada, aí ele aceitará ser o vice. Só um completo alienado poderia supor um Aécio indo para o sacrifício por Serra.

Ou seja, um conjunto de pessoas intimamente ligadas a Serra, despidas de qualquer capacidade mais profunda de análise, comendo na mão de Serra e tratando como análises definitivas o que não passava de sonhos desconjuntados e impossíveis do próprio Serra. E essa loucura tornou-se o fio condutor da cobertura da velha mídia.

Por aí dá para entender a maluquice da velha mídia de jogar todas suas fichas no desastre político de Serra. Eles acreditavam piamente no que escreviam sobre as possibilidades de Serra porque só no final da campanha perceberam que estavam nas mãos de um alienado.

Muitas vezes escrevi como esse desequilíbrio da informação era um dos principais fatores do custo Brasil, por conduzir a erros decisões empresariais e políticas. No episódio em si, as maiores vítimas foram os próprios jornais.

Quando sai das fontes midiáticas e passa a falar com deputados, como Otávio Leite Rio (PSDB-RJ) e Rodrigo Maia (DEM-RJ) os relatos ganham um pouco mais de consistência. Eles mostram a quase impossibilidade de Aécio aceitar a vice candidatura ou de Marina apoiar Serra no segundo turno.

Mais posts sobre o WikiLeaks:

No Blog Gonzum

No Maria Frô

imagem: da adaptação em quadrinhos de "O Alienista" de Machado de Assis, feita por Gabriel Bá e Fábio Moon.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Lindberg desmascara Aécio com a lei delegada

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O senador Lindbergh Farias (PT/RJ), na sessão de 4ª feira, desmascarou o colega de senado Aécio Neves (PSDB/MG), membro da oposição que fazia uma celeuma por causa da palavra "decreto", escrita na lei que fixa o salário mínimo até 2015, como se fosse um ato autoritário contra o Congresso.
Lindbergh enquadrou Aécio: "Falar em esvaziamento do parlamento, é falar em lei delegada..."
Aécio, quando governador, arrancou da Assembléia Legislativa mineira, autorização para governar no início por lei delegada. É uma carta branca dada pelos deputados estudais para o governador editar leis sem precisar da aprovação do legislativo.
Aécio ouvir tudo calado. É esse o grande timoneiro tucano para 2014?

Os Amigos do Presidente Lula: Lindberg desmascara Aécio com a lei delegada

domingo, 12 de dezembro de 2010

Cerra x Aécio: não quero mais te olhar na cara

Conversa Afiada

Saiu no Vermelho:

A divergência entre Serra e Aécio: “não quero olhar na sua cara!”
Um telefonema entre Aécio Neves e José Serra, líderes da oposição, uma semana antes de ocorrer o segundo turno, deu a síntese da ópera: “Depois das eleições, não quero olhar na sua cara!”, ouviu-se de um dos lados.

Com os resultados obtidos nos últimos pleitos e mantida a ressaca, o caminho do caos está indicado no PSDB. “A coisa está mais feia do que parece. O partido tem uma espécie de ‘pecado original’, de erros de origem, que depois da eleição de Fernando Henrique, não conseguiu superar”, dispara o cientista político José Augusto Guilhon de Albuquerque, da Universidade de São Paulo (USP

O partido nasceu de facções regionais, que não convergiam necessariamente por questões ideológicas. Segundo Guilhon, em vez de um processo de convergência das diferentes dissidências, com uma identidade desenhada, o quadro se agravou durante o período de oposição e viveu uma espécie de déjà vu na última eleição presidencial. “Como ocorreu nas derrotas de Serra e Geraldo Alckmin, há alguns anos, o PSDB entrou fragmentado nas eleições. Ciscou mais para fora do que para dentro”, explica. Ou seja, em nenhum momento conseguiu se unir. Não houve ação conjunta em torno de uma candidatura.

“Se essa fragmentação não se consertar agora, no início do governo Dilma, ela só vai aumentar”, conclui o cientista. “Porque na oposição os interesses locais e regionais tendem a não coincidir.”

O fato é que Serra se julgou no direito de concorrer, e se deu mal. “O maior erro foi a escolha do candidato, que representava uma opção velha, antiga, e que não apresentou durante a campanha nenhuma proposta nova ou capaz de se apresentar como alternativa ao atual governo”, sentencia Carlos Ranulfo Félix de MeIo, professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele sugere que Aécio poderia ter aparecido com outra abordagem, outro discurso, ou mesmo como “fator surpresa”. “Não estou dizendo que venceria. Mas a verdade é que Serra se revelou um candidato frágil”, define Melo.

Entretanto, o caminho do senador mineiro não está livre com a “aposentadoria” de Serra. Ou seja. o fracasso paulista e o sucesso alheio não implicariam, imediatamente, na indicação do neto de Tancredo Neves para próximo candidato a presidente. Quatro anos, em se tratando de política, é quase uma eternidade. “Por enquanto, não é hora de pensar em nomes. Há tarefas a serem cumpridas”, despista José Henrique Reis Lobo, presidente do Diretório Municipal do PSDB em São Paulo e um dos coordenadores dos trabalhos de Serra e Alckmin na campanha paulista.

Além do poderio de Lula fica óbvio que o eixo SP-MG é corresponsável pela derrota nacional do PSDB, de acordo com a opinião do sociólogo Bruno Speck, do Departamento de Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “Essa posição entre Minas e São Paulo ficou muito óbvia. O lado que venceu internamente perdeu externamente.”
O futuro incerto
Pode-se afirmar que o partido, dentro desse ambiente, já estaria perdendo as eleições de 2014? “É impossível fazer uma avaliação desse tipo”, afasta Speck, que faz uma ressalva: “Qualquer candidatura que se esboce será objeto da mesma fragmentação, da mesma coalizão de vetos que Alckmin e Serra sofreram nas campanhas”.

Os políticos ligados a Aécio Neves falam em “refundação”. Mas há bastante água para rolar debaixo da ponte. É preciso considerar, por exemplo, a recriação de novas bandeiras ou a definição de Gilbero Kassab (DEM), prefeito de São Paulo, aliado de Serra, que prepara sua ida para o PMDB de Michel Temer. A tendência é que seja realizado um trabalho de reforço nas bases partidárias, a partir do primeiro semestre de 2011, conforme explicou o deputado federal Luiz Paulo Vellozo (PSDB- ES), após deixar a esvaziada reunião da Executiva Nacional do partido, em Brasília, em 18 de novembro: “Temos que organizar os diretórios municipais em todos os 5.600 municípios do Brasil, e trabalhar em uma agenda vinculada ao poder local”.

Do total de oito governadores do PSDB eleitos, apenas dois comparecem à reunião: Teotônio Vilela, de Alagoas, e Anchieta Júnior, de Roraima. Aécio Neves continuava em viagem. Arthur Virgílio (AM) e Álvaro Dias (PR) não participam do evento por problemas de saúde. Naquele mesmo fim de semana, José Serra iria ao show do Paul McCartney, no estádio do Morumbi, acompanhado do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Mandar o recado para as bases, que é uma mensagem social-democrata para quem faz política nas cidades, para os jovens e mulheres, sindicalistas e empreendedores”, acrescenta Vellozo. Esse trabalho de regionalização do partido deve ultrapassar as barreiras do Sul e do Sudeste do país, na visão da senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), que coordenou a agenda do candidato Serra na campanha. Ela prega a transformação priorizada nos estados onde a derrota foi maior. “Precisamos melhorar, principalmente, com os nordestinos, ainda distantes e desconhecedores dos nossos ideais.”

Antônio Imbassahy, presidente do PSDB-BA, concorda com a tese da senadora. Segundo ele, é preciso “lutar contra a deficiência que o atual governo fixou no Nordeste, e mostrar aos nordestinos propostas para o desenvolvimento real da região”.

Na eleição presidencial, o PSDB venceu nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, e, portanto, sai fortalecido com os resultados de 2010. “Mais forte do que entrou”, segundo o sociólogo Bolívar Lamounier, autor do livro “Os Partidos e as Eleições no Brasil”, em coautoria com Fernando Henrique Cardoso. Ele relembra que as pesquisas anunciaram uma vitória arrasadora de Lula-Dilma logo no primeiro turno. Mesmo com os problemas internos e a influência do atual presidente, a diferença foi menor. “Falavam em 15 ou 20 pontos de vantagem. O que não aconteceu. A eleição chegou ao segundo tempo. E a diferença ficou em 12 pontos”, pondera.

A única certeza a respeito do resultado das eleições é que Serra saberá atuar nos próximos anos, mesmo sem um mandato eletivo. Bruno Speck acha que “a carreira política de Serra passou o pico. Ou ele se retira da construção eleitoral, ou disputa a próxima eleição municipal” -algo que é pouco provável. O ex-governador de São Paulo teria se irritado com as especulações de que voltaria à prefeitura, ainda que isso pudesse dar a ele elementos para disputar, por exemplo, o Senado em 2014. “Os cargos executivos se esgotaram para ele”, conclui Speck.

“Naturalmente, o PSDB não vai poder dispensar a experiência de Serra; Tasso [Jereissati], [Arthur] Virgílio e Fernando Henrique, que não precisam de mandato”, segue Nárcio Rodrigues, incluindo o ex-candidato ao clube dos políticos que já viveram o seu tempo. “Serão sempre muito bem recebidos, como um partido que tem realmente neles grandes conselheiros. Sempre serão levados em consideração e têm contribuições a dar.”
Descer do salto alto
Em meio a uma série de compromissos pessoais e uma agenda apertada, o “sacerdote” tucano Fernando Henrique Cardoso – único presidente da República do partido e que derrotou Lula por duas ocasiões, em 1994 e 1998 -, analisou o ambiente. “Estive ontem [21/11] com Serra no estádio do Morumbi, assistindo ao show do Paul McCartney, e ele estava de muito bom humor”, disse.

Para FHC, o PSDB deve descer do salto alto, por ter perdido três vezes a Presidência da República, e deve se articular com a sociedade, o que é uma “preocupação predominante”. Com a vitória em estados importantes -dentre os quais, São Paulo, Minas Gerais e Paraná – seria preciso haver coordenação do conjunto dos governadores para exprimir uma unidade de pensamento.

“Temos que estar atentos à questão democrática. Acreditar que haja uma espécie de renascimento. Por um lado, do populismo baseado na imagem do Lula, e por outro, uma espécie de fúria sindicalista corporativa para ocupar espaços.” Seria preciso, segundo ele, “insistir na ligação com as políticas sociais, quase todas originárias do meu período. É preciso evitar essa ideia de que o PT é do povo, e nós, das elites. Nunca vi elite ter 44% dos votos”, indica o ex-presidente.

Sobre a fundação do partido, em 1988, FHC nega que a ideia tenha surgido em torno de projetos pessoais. E lembra que poderia ter sido presidente do Congresso pelo PMDB, mas abandonou a sigla, abrindo mão do poder. “Ulysses Guimarães insistiu comigo: ‘Por que você vai embora? Pode se tornar presidente do Senado’. E eu era líder. Havia uma expressão muito usada, de que o PMDB era um ‘partido-ônibus’. Uma geleia geral. O PSDB foi criado para ter uma distinção frente a essa coisa.”

Fernando Henrique acredita, porém, que houve unidade total na campanha de 2010. “Diziam que o Lula era arrasador, porque tinha 80% de aprovação. Mas na hora de a onça beber água, não é bem assim. Podia ter perdido.”

E a partir de agora, quem será o candidato? “É muito difícil saber. Eu não tinha a menor chance de ser presidente até virar Ministro da Fazenda. E eu nem queria ser. Mas fui duas vezes”, explica FHC. “Aécio saiu muito bem dessa campanha, se elegeu senador, elegeu o governador, se comportou direito, é jovem, tem carisma. Tem condições.” E o ex-presidente fala com a autoridade de ser o único tucano que já chegou lá. “Só eu não fui derrotado. Todos já foram derrotados.”

E o que Mário Covas, falecido fundador e um dos maiores ícones do PSDB, diria sobre a atual situação do partido? “Covas sempre teve uma frase”, relembra Fernando Henrique. “‘Antes de mais nada, precisa ter unidade’. Ele sempre achou isso.” Pelo visto, Covas estava mesmo certo.
Fonte: Revista Rolling Stones

Clique aqui para ler “FHC: PSDB precisa calçar as sandálias da humildade”.

Cerra x Aécio: não quero mais te olhar na cara | Conversa Afiada

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aécio detona FHC e aborto do Serra

Conversa Afiada

Tucanos e demos: um caso de amor

Saiu no Jornal O Globo:

Aécio: antecipar nome do PSDB é ‘tática suicida’
O senador eleito Aécio Neves (PSDB-MG) disse nesta segunda-feira que a proposta defendida pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso de que o próximo candidato tucano à Presidência seja escolhido em 2012 é uma “tática suicida e amadora”. Em entrevista ao programa “Roda Viva”, da TV Cultura, Aécio repetiu que o PSDB precisa passar por uma “refundação”, outro ponto de discordância entre os dois.

- Eu acho que nós não podemos nos precipitar. Em 2012 talvez até já tenha um encaminhamento natural, e as coisas, quando caem naturalmente, caminham melhor. Mas você antecipar muito a indicação de um candidato é uma tática suicida e amadora. Eu não tenho vocação para a primeira e não tenho mais o direito de exercer a segunda. Então, é dar tempo ao tempo – afirmou Aécio.

Logo após o término da eleição, Fernando Henrique defendeu, pela primeira vez, a tese de antecipação para 2012 da escolha do presidenciável de 2014.

- O PSDB não pode ficar enrolando até o final se é A, B, C ou D. Dentro de dois anos, temos de decidir quem é esse ‘é’ e tem de ser de todo mundo, tem de ser coletivo – argumentou.

Aécio defendeu nesta segunda-feira que a indicação do nome do partido para a Presidência da República ocorra após as eleições municipais e ao término do processo de reestruturação do partido:

- Focarmos agora em candidatura presidencial é uma bobagem. Você pode achar que hoje eu sou uma alternativa, mas, daqui a dois anos, pode ter uma melhor. Vamos cuidar de construir um projeto para o país.

O senador mineiro admitiu que vai insistir no termo “refundação” do PSDB. O termo causou polêmica quando dito pela primeira vez, após a eleição. A ala paulista do partido vê a expressão como um primeiro passo dos tucanos mineiros para tentar assumir o comando da legenda. FH chegou a dizer que ela era “muito forte”:

- Alguns colocam algum obstáculo ou um pé atrás nessa coisa da refundação. Eu vou insistir nesse termo porque tem que ser algo profundo.

Depois de uma temporada de férias no exterior, o mineiro desembarcou em São Paulo nesta segunda-feira pela manhã para um almoço com o governador eleito Geraldo Alckmin (PSDB) em busca de apoio para essa “refundação”. À noite, ele se encontraria com FH.

Aécio propõe um novo programa partidário para o PSDB – o atual é de 1988 -, mudança no comando da legenda nos estados onde os tucanos tiveram desempenho pífio e a criação de um núcleo de inteligência vinculado à direção nacional, composto por técnicos, para abastecer o partido de informações sobre o governo, orientando, assim, a atuação na oposição. Alckmin mostrou-se favorável.

- Estamos juntos para ajudar a reorganizar o partido. O partido foi fundado no final da década de 80. É importante atualizar o seu programa – disse o governador eleitor de São Paulo.

Aécio afirmou que o partido, equivocadamente, se aproximou de setores conservadores da sociedade nas eleições deste ano durante a discussão sobre temas polêmicos, como a legalização do aborto , e, segundo ele, é preciso voltar a ser um partido social-democrata e de centro-esquerda:

- Eu confesso que foi um retrocesso – disse.

Confira a entrevista de Aécio no Roda Viva:

Aécio detona FHC e aborto do Serra | Conversa Afiada

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Aécio vai para cima de Serra. Rachou !

Conversa Afiada
Publicado em 25/11/2010

Mal comparando ...

Saiu no Estadão, pág. A10:
“Disputa pelo poder abre crise interna no PSDB”
“Nárcio Rodrigues, presidente da seção mineira do partido, sai em defesa de Aécio Neves e avisa: os tucanos de São Paulo ‘vão ter que nos engolir’.”
Nárcio prosseguiu:
“Fomos extremamente respeitosos à fila, concordando que em 2006 era a vez de Geraldo Alckmin (SP), e, em 2010, de Serra (SP). Agora (2014) é a nossa vez (de Aécio)”.

 

NAVALHA

Navalha

Tudo se trava em torno da palavra “refundação”.
Aécio disse que é preciso promover a “refundação” do PSDB.
O que, em mineirês, significa, tirar o PSDB de São Paulo.
O presidente do PSDB de São Paulo, Reis Lobo, não gostou da “refundação”.
Ele repetiu o que já tinha dito o Farol de Alexandria – clique aqui para ler o imperdível obituário que Mino Carta fez de Fernando Henrique.
Fernando Henrique tinha dito que a palavra “refundação” é muito forte.

Rsrsrsrsrs

A Maria Inês Nassif já tinha dito que o “paulistismo” ia derrotar Serra.
E o Mino, que descreveu o ódio do Serra, avisou que é preciso tirar a oposição e o PSDB de São Paulo.
A propósito: no segundo turno, Dilma deu uma surra no Serra, em Minas: 58% a 41%.

Clique aqui para ler “Serra vai ao Senado e leva o ódio na mala”.

Clique para ler “Serra não vai largar o osso”.

E aqui para ler “Aécio pode ter perdoado Serra. Mas, Minas, não !”.

Paulo Henrique Amorim

Aécio vai para cima de Serra. Rachou ! | Conversa Afiada

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Aécio dá um chega pra lá no FHC

Conversa Afiada
Publicado em 24/11/2010

O FHC e o Serra, embaixo da batina: não dá para ver nada

O Conversa Afiada publica e-mail do amigo navegante Stanley Burburinho, o reparador de iniquidades (quem será Stanley Burburinho ?):

Aécio reage às declarações de FHC contra refundação tucana
Ex-governador e senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves reagiu, nesta terça-feira (23), às declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na noite passada. FHC criticou a expressão “refundação” do PSDB, lançada por Aécio, que tem claras intenções de assumir a liderança da legenda e defende mudanças profundas na direção do partido. FHC o corrigiu, dizendo que o termo é “muito forte”.
“Todos os partidos, num certo sentido, estão todo o tempo se renovando. Mas refundação acho que é uma expressão muito forte”, disse FHC após palestra em um fórum do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), na capital mineira.

A interlocutores, Aécio teria dito que a situação dos tucanos ficará cada vez mais difícil na medida em que os principais líderes da agremiação não percebem a extensão dos resultados das urnas, em outubro último.

Ao contrário do que os principais críticos da candidatura derrotada de José Serra têm apregoado, FHC tenta encerrar a disputa que dividiu a principal legenda da direita no país. Questionado se Aécio não teria mais condições de vencer Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência da República do que Serra, FHC desconversou:

“Eu tenho uma ligação muito profunda com o Serra e o Aécio. Então para mim é sempre difícil falar sobre qualquer um dos dois”, disse.

Em Minas Gerais, onde Aécio foi eleito com uma margem histórica de votos, capaz de garantir a vitória do governador Antonio Anastasia (PSDB), José Serra perdeu com uma margem de mais de 3 milhões de votos para Dilma Rousseff.


Briga interna e busca de filiados

A troca de farpas entre Aécio e a “turma do Serra” começa a deixar clara a disputa interna do PSDB.

Para tentar evitar um confronto aberto com consequências irreversíveis, é possível que o senador Sérgio Guerra (PE) seja mantido na presidência do PSDB na convenção de maio próximo, tendo em vista seu bom trânsito com as duas alas tucanas.

Em entrevista recente ao jornal Estado de S. Paulo, Guerra disse que, após amargar a terceira derrota consecutiva na disputa presidencial, o PSDB avalia agora que o partido precisa de uma base de filiados “real”, “de verdade”. “O PSDB precisa ter filiados vivos, ativos, participantes”, disse o presidente da legenda.
Guerra afirmou que, sem um quadro “seguro” de filiados, o partido nem sequer pode pensar em prévias partidárias para as eleições presidenciais de 2014.
“Falar de prévias sem filiados é conversa fiada”, completou.

Cauteloso para não alimentar mais polêmica interna, o senador evita falar sobre a sucessão. “É uma completa dor de barriga, uma cólica desnecessária começar a discutir como será 2014″, desconversou.

Já sobre a “refundação” do PSDB, Guerra preferiu usar o termo “reestruturação”. “A primeira coisa é encontrar canais de comunicação com os setores que votaram em nós. E nesse aspecto a capacidade do PSDB é mínima. Isso pressupõe atualização do programa, no qual se confirme sua história e que tenha capacidade de lançar novas propostas para que a diferenciação entre o que somos e o que é o PT fique evidente e para que se tenha a confirmação de uma identidade firme, sem vacilação. Uma reestruturação organizacional pressupõe a confirmação do partido em todos os municípios e, de maneira especial, onde se mostrou fraco”, disse Guerra.

Com agências

Aécio dá um chega pra lá no FHC | Conversa Afiada

Abdelmassih pega 278 anos. Gilmar deixa ele solto

Conversa Afiada
Publicado em 23/11/2010

Abdelmassih e Gilmar, unidos para sempre

Extraído do G1:

Roger Abdelmassih é condenado a mais de 200 anos de prisão

Ex-médico foi acusado de estupros de pacientes em clínica de São Paulo. Ele era um dos mais renomados especialistas em reprodução assistida.

Do G1 SP, com informações da TV Globo
O médico Roger Abdelmassih, de 66 anos, que teve seu registro profissional cassado, foi condenado nesta terça-feira (23) a 278 anos de prisão pela juíza Kenarik Boujikian Felippe, da 16ª Vara Criminal de São Paulo. Ele foi acusado de 56 estupros de pacientes em sua clínica, localizada em uma área nobre da capital paulista. Abdelmassih pode recorrer da decisão em liberdade. O advogado dele, José Luís de Oliveira Lima, disse que o cliente ficou “abalado” com a decisão e que vai recorrer. Foram três condenações por estupro, houve sete absolvições e as outras foram por atentado violento ao pudor.
Abdelmassih, um dos mais renomados especialistas em reprodução assistida do Brasil, com um luxuoso escritório na Avenida Brasil, chegou a ficar preso de 17 de agosto a 24 de dezembro de 2009. O então presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu ao médico o direito de responder o processo em liberdade. Por causa dessa liminar, que ainda não tem uma decisão definitiva, o condenado poderá aguardar em liberdade.
(…)

Abdelmassih pega 278 anos. Gilmar deixa ele solto | Conversa Afiada

Nota do Portal Politikei: O currículo do Gilmar – Protógenes, ex-delegado da Polícia Federal prendeu duas vezes o poderoso banqueiro Daniel Dantas que conseguiu duas vezes habeas corpus no Supremo pelo Ministro Gilmar Mendes. Gilmar também é aquele que recebeu um telefonema de Serra e não queria que as pessoas votassem com um documento só. O nome do banqueiro solto duas vezes por Gilmar está ligado a escândalos de corrupção e de favorecimento nas privatizações de FHC. O jornalista Amaury Ribeiro Jr., que confirmou à Polícia Federal ter levantado documentos sobre Serra, a pedido de Aécio, promete publicar em 2011 um livro sobre as “privatarias” da era FHC, Daniel Dantas e suas ligações com Serra, sua filha e seu tesoureiro de campanha, Ricardo Sérgio. Amaury é o pivô do desespero de Serra sobre “quebras de sigilo” na campanha de 2010. Recentemente Protógenes foi condenado pela justiça que alega que ele praticou excesso na prisão de Dantas. Dantas está solto. Abdelmassih também.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

TUCANOS EM PÉ DE GUERRA:Aécio reage às declarações de FHC contra refundação tucana

Blog da Dilma
novembro 23rd, 2010 | Autor: Jussara Seixas

Por Redação, de Belo Horizonte

Ex-governador e senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves reagiu, nesta terça-feira, às declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso na noite passada. FHC disse que expressão “refundação” do PSDB, lançada por Aécio, que tem claras intenções de assumir a liderança da legenda e defende mudanças profundas na direção do partido. FHC o corrigiu, dizendo que o termo é “muito forte”.
– Todos os partidos, num certo sentido, estão todo o tempo se renovando. Mas refundação acho que é uma expressão muito forte – disse FHC após palestra em um fórum do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), na capital mineira.
A interlocutores, Aécio teria dito que a situação dos tucanos ficará cada vez mais difícil na medida em que os principais líderes da agremiação não percebem a extensão dos resultados das urnas, em outubro último. Ao contrário do que os principais críticos da candidatura derrotada de José Serra têm apregoado, FHC tenta encerrar a disputa que dividiu a principal legenda da direita no país. Questionado se Aécio não teria mais condições de vencer Dilma Rousseff (PT) na disputa pela Presidência da República do que Serra, FHC desconversou:
– Eu tenho uma ligação muito profunda com o Serra e o Aécio. Então para mim é sempre difícil falar sobre qualquer um dos dois.
Em Minas Gerais, onde Aécio foi eleito com uma margem histórica de votos, capaz de garantir a vitória do governador Antonio Anastasia (PSDB), José Serra perdeu com uma margem de mais de 3 milhões de votos para Dilma Rousseff.
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TUCANOS EM PÉ DE GUERRA:Aécio reage às declarações de FHC contra refundação tucana