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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Deus (ou a chuva ?) alaga São Paulo, de novo

Conversa Afiada

A culpa é do Lula

Desde as 19h desta terça feira, São Paulo alagou com o transbordamento do rio Tamanduateí.
Clique aqui para ter uma pálida ideia no G1.
Como se sabe, os governantes de São Paulo têm o hábito de não limpar o leito dos rios.
O Rio Tietê, por exemplo, não merece uma limpeza há três anos.
É obra de Deus, ou da chuva, como se sabe.
No Rio, não…
Lá, a culpa é do Lula.
O alagamento fez piorar o que até nas férias já é u desastre: o tráfego na ciade.
É a Chuiça (*) num momento de glória !
Clique aqui para ler Cerra não vai poder mais acusar Deus.

Paulo Henrique Amorim

(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.

Deus (ou a chuva ?) alaga São Paulo, de novo | Conversa Afiada

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Quem disse que ninguém faz nada?

Conversa Afiada

O Minha Casa, Minha Vida no Alemão. É pouco ?

Depois de estabelecer que em São Paulo é obra de Deus e no Rio é culpa de Lula e do Cabral, o PiG (*) se compraz com a irreversibilidade da catástrofe (no Rio).
Faz parte desta ideologia de satanização do Rio torná-lo incompatível com a Copa do Mundo, a Olimpíada e o simples funcionamento cotidiano.
Não fosse o Rio reduto do Lula, da Dilma e do Cabral.
Não há dúvida de que, em última instância, o maior responsável pelo que aconteceu no Rio e em São Paulo são os governadores.
Padim Pade Cerra e Sérgio Cabral.
No Rio, Sérgio Cabral deve à sociedade explicar por que destinou à Fundação Roberto Marinho dinheiro para a chuva.
Quem jamais dará explicações – não fosse ele o nosso Putin – é o Padim Pade Cerra.
Também ele fez um favorzinho à Globo, quando agasalhou o terreno numa área comercial nobre da cidade de São Paulo há 11 anos invadido pela Globo.
Mas, quem disse que ninguém faz nada ?
Segundo o jornal O Globo de hoje, na página 11, desde que houve a tragédia no Morro do Bumba, em Niterói, Sérgio Cabral criou um “plano diretor de remoção”.
Apenas 7 das 92 prefeituras do Estado aderiram ao plano.
Mas 7 já é um começo.
Faz parte deste plano o programa Morar Seguro, que depende do mapeamento das prefeituras, e de R$ 1 bilhão.
O Governo do Estado já aplicou no Morar Seguro R$ 400 milhões em Angra, Niterói e municípios da Baixada.
Em Angra, 800 unidades residenciais estão para ser concluídas e abrigar 800 famílias retiradas de áreas de risco.
É pouco.
Clique aqui para ler “Falta um Beltrame na serra do Rio”.
Mas, a tragédia não é inevitável e nem irremediável.
O mesmo O Globo que, com a Rede Globo, logo no primeiro dia, botou a culpa no Lula, na página 20, trata de um programa da prefeitura chamado Morar Carioca, lançado ontem no morro onde fica a primeira favela do Rio, a da Providência.
Ali haverá um teleférico, um plano inclinado e mil unidades habitacionais para famílias retiradas de áreas de risco.
O Morar Carioca vai ao Chapéu Mangueira, Babilonia, Pedreira, Chapadão e Turano.
Há 40 mil famílias na cidade do Rio ainda em áreas de risco.
Mas, quem disse que ninguém faz nada ?
No Estadão, a Presidenta Dilma Rousseff cogita aumentar de R$ 130 mil para R$ 170 mil o teto para financiamento do Minha Casa, Minha Vida.
O objetivo é acelerar o programa em cidades como Rio e São Paulo, onde o preço do terreno é mais caro e, portanto, o apartamento também.
Quem disse que ninguém faz nada ?
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Quem disse que ninguém faz nada? | Conversa Afiada

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo

Viomundo - O que você não vê na mídia
9 de dezembro de 2010 às 22:50

Comando Vermelho e PCC estão juntos em São Paulo

Fatima Souza, repórter policial

Traficantes do CV teriam recebido apoio de bandidos do PCC em São Paulo

Desde a sexta-feira, 27 de novembro, estou recebendo informações de que muitos bandidos do CV — Comando Vermelho –  que fugiram do morro do Alemão atravessaram a divisa e estão em São Paulo, onde foram recebidos pelos “irmãos” do PCC – Primeiro Comando da Capital. As duas facções criminosas mantem relações cordiais há mais de oito anos.
Trocam armas por drogas e, quando a situação fica “difícil” para alguém do PCC em São Paulo, o CV dá guarida no morro do Alemão, no Rio. E vice-versa: se o apuro for de alguém do CV ele deixa o Rio e é recebido pelo PCC em São Paulo. Situação como esta aconteceu quando o Juiz “Machadinho” foi assassinado pelo PCC, no interior de São Paulo.
Um dos bandidos, “Ferrugem” (que foi quem atirou no Juiz) foi para o Rio de Janeiro e lá, no morro do Alemão, foi recebido pelos integrantes do CV e ficou escondido por lá. Desta vez não foi diferente.
A polícia do Rio, durante três dias, ficou avisando que iria invadir o Morro do Alemão.
Deu tempo suficiente para que muitos traficantes fugissem para outros morros cariocas, ou simplesmente deixassem a cidade maravilhosa rumo à Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A maioria deles para São Paulo, onde a facção é mais forte. Nos outros estados também foram recepcionados por representantes do PCC.
A primeira ação conjunta de PCC e CV aqui em São Paulo, segundo informações que recebi, foi o tiroteio ocorrido na Rodovia Raposo Tavares, que terminou com três policiais feridos. Os bandidos, que estavam em um carro blindado, após perseguição dispararam com fuzis e metralhadoras contra a polícia e depois saíram correndo por uma mata próxima à Rodovia.
Apesar das buscas intensas (utilizando até o helicóptero Águia) a Polícia Militar não conseguiu capturar ninguém. O carro blindado foi abandonado na pista e dentro dele havia coletes à prova de balas. Não se sabe o que pretendiam fazer os bandidos do PCC/CV com tantas armas, munição e coletes. A Polícia Rodoviária Federal está agora na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, tentando impedir que mais bandidos cariocas entrem em São Paulo.
A informação de que o CV está em São Paulo foi confirmada através de uma carta que nós conseguimos com exclusividade. A cópia do documento, em papel timbrado da Secretaria de Segurança Pública, sob o título “Alerta”, confirma as informações que recebemos há vários dias.

Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo | Viomundo - O que você não vê na mídia

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Um tucano a menos no ninho do Serra

Os Amigos do Presidente Lula
terça-feira, 30 de novembro de 2010

A reunião promovida ontem pelo diretório regional do PSDB no Rio para discutir o desempenho tucano nas eleições de outubro terminou em crise. O ex-governador Marcello Alencar propôs ao prefeito de Duque Caxias, José Camilo Zito, que deixe a presidência estadual. Ele reclamou que Zito não se empenhou para eleger José Serra presidente e Fernando Gabeira (PV) governador. O prefeito também teria estreitado relações com o governador reeleito Sérgio Cabral (PMDB). Após as críticas, Zito afirmou que dificilmente permanecerá no cargo e não descarta deixar o partido.
Zito afirmou que entregaria sua carta de renúncia ontem. Mas voltou atrás após pedido do vice-presidente regional, Márcio Fortes. A decisão será tomada em 15 dias. Marcello afirmou estar decepcionado com Zito, que tem mandato de presidente até abril. O ex-governador foi o maior defensor da entrada do prefeito no partido e de sua permanência no comando.
- Estou surpreso. Estive empenhado em eleger Serra. Não podem me culpar de seu desempenho pífio. Sugerir tirar dois meses de licença para a campanha e não quiseram. Respeito o Marcello, mas o tempo dele passou. Será difícil eu permanecer na presidência e ficarei no partido até o prazo que a legislação determinar - sentenciou Zito.
O mal estar tomou conta do ninho após a executiva regional decidir apoiar Gabeira. Zito defendeu Serra, mas foi contra o verde, a quem acusou de discriminá-lo. Serra obteve no segundo turno pouco mais de 25% dos votos em Duque de Caxias. Já Gabeira não chegou a 14% no primeiro turno na cidade.
Após a reunião, os tucanos reagiram à crise defendendo mudanças no partido, como a formação de novos quadros.O PSDB tem que parar de ficar só discutindo e falando de nomes. Precisa é repensar sua ideologia disse a vereadora Andrea Gouvêa Vieira.O PSDB tem agora é que fazer frente à política de um partido único que domina o Rio - acrescentou o deputado Otávio Leite.

Os Amigos do Presidente Lula: Um tucano a menos no ninho do Serra

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Folha também acha traficantes a que Estadão deu fuga

Conversa Afiada
Publicado em 29/11/2010

Itagiba: as milícias perderam seu herói

O UOL, clique aqui para ler, mostra que o líder do tráfico na Baixada Fluminense morreu em combate no Complexo do Alemão.
Um dos argumentos do PiG (*) para desqualificar a vitoriosa operação é simular que os chefões fugiram.
Clique aqui para ler “Estadão dá fuga a traficantes” e clique aqui para ler “Beltrame acha os traficantes do Estadão”.
A urubóloga Miriam Leitão disse na CBN – clique aqui para ler “CBN considera Lula, Sérgio Cabral e Beltrame uns idiotas” – que o problema agora são as milícias.
As milícias perderam a colaboração daquele que entusiasticamente apoiaram na última eleição.
Marcelo Lunus Itagiba, braço direito e esquerdo do Serra, não se reelegeu deputado federal.
As milícias são hoje combatidas como nunca e para o PiG depois de Beltrame acabar com as milícias terá que enfrentar Átila, o rei dos Hunos, o Cão do Terceiro Livro, as Bestas do Apocalipse e, todos esses vencidos, Osama Bin Laden.
Para o PiG (*) de São Paulo, o Rio jamais vencerá.
Ainda mais se o Governador e o prefeito apoiarem Lula e a Dilma.
Os traficantes do Alemão são hoje uma força em extinção.
Como o PiG (*).

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Folha também acha traficantes a que Estadão deu fuga | Conversa Afiada

Não é sobre drogas. É sobre território e armas, estúpido



Com o teleférico, o trabalhador do Alemão vai dormir duas horas a mais. Que horror !

Conversa Afiada
Publicado em 29/11/2010

Uma conversa com o excelente policial delegado Beltrame neste sábado à tarde, na Secretaria de Segurança, no prédio da Central do Brasil, no Rio, deixa muito claro o que está por trás da vitoriosa estratégia dele.
Ele combate o tráfico de drogas, sim.
Mas, isso é secundário.
Sempre haverá consumo de drogas e sempre haverá uma forma ilícita de atender a esse consumo.
O problema do Rio, diz Beltrame, é que uma parte do território nacional – o complexo do Alemão – não podia ficar mais sob o controle do terror e da ditadura dos traficantes.
Não se pode imaginar que o Estado brasileiro entrasse ou controlasse a integridade de seu território – menos o complexo do Alemão.
Trata-se de uma questão de Segurança Nacional, que transcende os hábitos dos mauricinhos da classe média.
Esse pessoal que agride homossexual com lâmpada fosforescente.
Sempre haverá alguém para levar droga a esse tipo de consumidor.
O consumidor de crack é outra questão.
É uma questão de política social agressiva, como a que o Padim Pade Cerra jamais montou.
E, do centro de São Paulo, em direção à Av. Paulista, as ruas se tornaram um espetáculo degradante de miseráveis que se destroem com as pedras de crack e se deitam na primeira pilastra que encontram.
E os mauricinhos seguem em frente, protegidos pelo vidro fumê do automóvel.
A batalha contra o crack começa na UPP.
Clique aqui para ler no G1: “Alemão terá UPP até primeiro semestre de 2011, diz Cabral”.
Clique aqui para ler no UOL: “Exército ficará no Alemão até UPP chegar, diz Cabral”.
O Padim Pade Cerra jamais entendeu isso.
Como o Fernando Henrique jamais entendeu quando era presidente: lavou as mãos.
Ele dizia que o crime é problema dos Estados e não do Governo Federal.
Foi preciso o Lula botar o Jobim para trabalhar e entregar os anfíbios da Marinha e os blindados do Exercito no Alemão, para desmoralizar  o “Estado Mínimo” do FHC e do Serra.
A prioridade do Beltrame e do Sérgio Cabral é o Estado.
A integridade do território nacional.
E, com isso, levar cidadania aos bairros pobres: escola, saúde, habitação, transporte.
Agência de banco.
Energia elétrica que não seja gato.
Esgoto sanitário.
É tomar conta do pedaço.
Como me disse um policial, no alto de um blindado: estamos devolvendo a eles o que é deles.
Clique aqui  para ler “Beltrame passa com um anfíbio por cima do PiG de São Paulo”.
Clique aqui para ler “Beltrame para diretor geral da Polícia Federal – é uma forma de a PF voltar a ser Republicana”.
Três anos atrás esse ordinário blogueiro foi fazer uma reportagem no Alemão.
Viu que os caveirões não podiam subir por causa das barricadas de concreto, e porque os traficantes derramavam gasolina no asfalto: os caveirões derrapavam e não seguiam adiante.
E, há três anos, viu também as obras de alguns projetos do PAC.
O PAC estava empacado, como diz o PiG (*).
Neste último fim de semana encontrei lá, prontos e em uso.
Prédios de apartamentos do Minha Casa Minha Vida.
A escola “Jornalista Tim Lopes”.
E uma Unidade de Pronto Atendimento de Saúde.
O PAC devidamente desempacado, para desespero do PiG (*).
Também vi no alto do morro, uma laje azul: o teleférico, que se inaugura ainda no Governo Lula.
Que vai levar o morador do alto do morro à estação de metrô.
O trabalhador vai dormir duas horas a mais, por dia.
São cinco estações de teleférico dentro do Alemão.
Como já existe no Pavão-Pavãozinho.
Um horror !
Prioridade do Beltrame também é desarmar o tráfico.
Não deixar o tráfico subjugar os moradores.
Ameaçar a cidade.
Fechar os túneis.
Matar inocentes.
Arma, só nas mãos do Estado ou daqueles que a Lei considera aptos a portá-las.
Um problema é a Lei de Execuções Penais.
O crime vem de fora do Estado do Rio, me disse o Beltrame.
Sim, das mulheres e advogados que vão visitar criminosos nos presídios de segurança máxima e, sob a proteção da Lei de Execuções Penais, trazem mensagens para os morros.
Ordens para atacar a Polícia.
O Obama manda no Bronx.
No Bronx não tem traficante armado, pronto para enfrentar a polícia e Nova York.
Mas, tem muito mauricinho que cheira.
Como em todo lugar do mundo.
Só na elite branca de São Paulo é que ninguém cheira nem faz aborto.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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domingo, 28 de novembro de 2010

Os estraga-prazeres de nossa sociedade “perfeita”

Se não fossem esses malvados …

Viomundo - O que você não vê na mídia
29 de novembro de 2010 às 1:29

Locatelli e os estraga-prazeres de nossa sociedade “perfeita”

por Roberto Locatelli, em comentário no blog

Essa conversa de que “é preciso prender os bandidos” é cortina de fumaça. O que é preciso é combater o crime. Qual é a diferença? É uma diferença de visão entre esquerda e direita. Maluf passou décadas dizendo, com aquela voz anasalada: – No meu governo, os bandidos iam para a cadeia. Eu ponho a ROTA (1) na rua para prender os bandidos.
Zé Bolinha de Papel e os seus pares vivem dizendo que vão aumentar a segurança aumentando o número de policiais “nas ruas”. A questão é que a direita nos tenta passar a visão de que a sociedade é perfeita e que os bandidos são uma espécie de alienígenas que sentem prazer em cometer roubos e assassinatos. Os filmes estadunidenses nos impingem “ad nauseum” essa ótica. Os quadrinhos também. Por que os irmãos Metralha são bandidos? Porque são malvados por natureza, segundo a lógica dos gibis.
Ou seja, a sociedade é uma engrenagem maravilhosa e linda, com cada cidadão feliz e contente, seja ele rico, pobre ou miserável. Então, uns sujeitos desajustados e malvados resolvem atrapalhar tudo, entrando numa vida de crimes. Temos que matá-los ou prendê-los, e seremos felizes para sempre. Assim, basta chamar o Capitão Nascimento e matar os bandidos. Os que não forem mortos, que sejam trancafiados e que se jogue a chave fora.
A parte que está faltando dessa história é que o crime é produto da sociedade capitalista, já doente nessa fase de decadência imperialista.
Assim: * O bandido suborna o policial; * O adolescente de classe média alta – aquele mesmo que espanca homossexuais – compra maconha, cocaína e ecstasy dos traficantes; * O pobre se presta a ser “mula” ou trabalhar na produção de drogas por não ver outra perspectiva; * Alguns juízes são ligados aos grandes criminosos, que não estão nas favelas, mas no Leblon e em Higienópolis, em suas mansões. Estes, por sua vez, são os chefes dos chefes que moram nas favelas.
A solução passa por: * Dar uma vida digna aos policiais. Eles não podem usar botas com sola furada, como uma reportagem mostrou anos atrás; * Intensificar as políticas sociais, que dão perspectiva aos que não tinham perspectiva; * Fazer obras de infraestrutura nas comunidades carentes, impedindo que as favelas sejam um Estado paralelo. Isso está sendo feito no Rio, mas de modo muito embrionário; * Aumentar os efetivos da Polícia Civil, que vai atrás dos grandes criminosos, dos peixes grandes.
Nesses episódios de violência no Rio, há um cérebro por trás. De quem? Prender os peixes pequenos ajuda, sim, mas pegar os grandes traficantes – que não moram na favela, repito – é fundamental.
O governador Cabral tem feito algumas coisas boas, como as obras do PAC nas favelas e as UPPs. Mas faltou material humano de qualidade. Muitos policiais, infelizmente, devido aos salários baixíssimos, se deixam levar pela tentação de ganhar dinheiro fazendo parte de milícias ou se vendendo ao tráfico. Por que Cabral não preparou esse material humano antes? Além disso, Cabral – e todos os governadores – não ataca a questão central: quem são os cabeças? Em quais bairros “nobres” eles moram? E, por fim, uma questão FUNDAMENTAL: é preciso descriminalizar as drogas.
E, por favor, nada de falsos moralismos.
Cigarro é droga pesada e está legalizado. Álcool é droga pesada e está legalizado. Cafeína é droga pesada – é da família dos alcalóides – e está legalizada. Toma-se cafezinho em qualquer barzinho de esquina, nas barbas da polícia!! Aliás, até eles consomem essa droga pesada! Sou contra o uso de drogas, inclusive as legalizadas. Mas sou contra a criminalização das drogas. Acho que seria muito melhor que as drogas hoje ilegais fossem produzidas regularmente como as drogas já legalizadas. E que a sociedade seja informada e discuta os efeitos ruins dessas drogas.
Mas essa legalização demorará muito, pois os traficantes são contra, a polícia é contra, os juízes são contra e os políticos são contra. Continuaremos seguindo assim: as drogas são consumidas, geram dinheiro, que financia armas, as quais geram violência.

(1) ROTA – polícia ostensiva e violenta que atuou em São Paulo nas décadas de 80 e 90.

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Vitória arrasadora do Rio no Alemão cria constrangimento

Conversa Afiada
Publicado em 28/11/2010

O ordinário blogueiro entrevista Fuzileiros Navais

A retomada do território do Alemão pelas forças da Lei durou das 8h da manhã às 9h30 da manhã deste domingo.
Foram cerca de 1200 homens e carros anfíbios, blindados, e helicópteros numa ação coordenada pelo exemplar policial federal José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança do Rio.
Os traficantes tinham fugido da Vila Cruzeiro para o Alemão.
As 44 saídas do Alemão foram fechadas.
Os traficantes ficaram presos lá dentro.
E as forças do delegado Beltrame, aos poucos, identificarão os criminosos e as áreas em que armazenavam drogas e armamento.
Este ordinário blogueiro entrevistou Beltrame para o Domingo Espetacular, e ele informou que tropas federais manterão a ocupação do Alemão e da Vila Cruzeiro até que novos policiais militares sejam formados e possam instalar as UPPs.
Nunca dantes na história deste país houve uma ação tão extensa, maciça e fulminantemente eficaz quanto esta no Rio de Janeiro.
A vitória de Sérgio Cabral e Beltrame cria inevitáveis constrangimentos.
Mostra, de forma escancarada, que nenhum governante pode mais fechar os olhos, sentar em cima das mãos, conciliar, ou fazer acordo secreto com o crime organizado.
O Rio de Janeiro era e é uma área de forte consumo e tráfico de droga.
Mas não é a única.
E um dia e, um dia, a casa cai.
O crime organizado vai para a rua, queima ônibus, atira em postos da polícia, tranca ruas e cospe na cara do governante.
Sérgio Cabral e Beltrame demonstraram que é possível enfrentar o crime organizado.
Só não enfrenta quem fez acordo com ele ou dele tem medo.
Paulo Henrique Amorim

Vitória arrasadora do Rio no Alemão cria constrangimento | Conversa Afiada

A batalha do Rio

Coisas da Política - JBlog - Jornal do Brasil

25/11/2010 - 12:07 | Enviado por: coisasdapolitica

Por Mauro Santayana
É um engano identificar a batalha do Rio – e de outras grandes cidades – como mero confronto entre a polícia e delinquentes, traficantes, ou não. Embora a conclusão possa chocar os bons sentimentos burgueses, e excitar a ira conservadora, é melhor entender os arrastões, a queima de veículos, os ataques a tiros contra alvos policiais, como atos de insurreição social. Durante a rebelião de São Paulo, o governador em exercício, Cláudio Lembo, considerado um político conservador, mais do que tocar na ferida, cravou-lhe o dedo, ao recomendar à elite branca que abrisse a bolsa e se desfizesse dos anéis.
O Brasil é dos países mais desiguais do mundo. Estamos cansados do diagnóstico estatístico, das análises acadêmicas e dos discursos demagógicos. Grande parcela das camadas dirigentes da sociedade não parece interessada em resolver o problema, ou seja, em trocar o egoísmo e o preconceito contra os pobres, pela prosperidade nacional, pela paz, em casa e nas ruas. Não conseguimos, até hoje (embora, do ponto de vista da lei, tenhamos avançado um pouco, nos últimos decênios) reconhecer a dignidade de todos os brasileiros, e promover a integração social dos marginalizados.
Os atuais estudiosos da Escola de Frankfurt propõem outra motivação para a revolução: o reconhecimento social. Enfim, trata-se da aceitação do direito de todos participarem da sociedade econômica e cultural de nosso tempo. O livro de Axel Honneth, atual dirigente daquele grupo (A luta pelo reconhecimento. Para uma gramática moral do conflito social) tem o mérito de se concentrar sobre o maior problema ético da sociedade contemporânea, o do reconhecimento de qualquer ser humano como cidadão.
A tese não é nova, mas atualíssima. Santo Tomás de Aquino foi radical, ao afirmar que, sem o mínimo de bens materiais, os homens estão dispensados do exercício da virtude. Quem já passou fome sabe que o mais terrível dessa situação é o sentimento de raiva, de impotência, da indignidade de não conseguir prover com seus braços o alimento do próprio corpo. Quem não come, não faz parte da comunidade da vida. E ainda “há outras fomes, e outros alimentos”, como dizia Drummond.
É o que ocorre com grande parte da população brasileira, sobretudo no Rio, em São Paulo, no Recife, em Salvador – enfim em todas as grandes metrópoles. Mesmo que comam, não se sentem integrados na sociedade nacional, falta-lhes “outro alimento”. Os ricos e os integrantes da alta classe média, que os humilham, a bordo de seus automóveis e mansões, são vistos como estrangeiros, senhores de um território ocupado. Quando bandos cometem os crimes que conhecemos (e são realmente crimes contra todos), dizem com as labaredas que tremulam como flâmulas: “Ouçam e vejam, nós existimos”.
As autoridades policiais atuam como forças de repressão, e não sabem atuar de outra forma, apesar do emplastro das UPPs.
Na Europa, conforme os analistas, cresce a sensação de que quem controla o Estado e a sociedade não são os políticos nem os partidos, escolhidos pelo voto, mas, sim, o mercado. Em nosso tempo, quem diz “mercado”, diz bancos, diz banqueiros, que dominam tudo, das universidades à grande parte da mídia, das indústrias aos bailes funk. E quando fraudam seus balanços e “quebram”, o povo paga: na Irlanda, além das demissões em massa, haverá a redução de 10% nas pensões e no salário mínimo – entre outras medidas – para salvar o sistema.
A diferença entre o que ocorre no Rio e em Paris e Londres é que, lá, o comando das manifestações é compartido entre os trabalhadores e setores da classe média, bem informados e instruídos. Aqui, os incêndios de automóveis e os ataques à polícia são realizados pelos marginalizados de tudo, até mesmo do respeito à vida. À própria vida e à vida dos outros.

Coisas da Política - JBlog - Jornal do Brasil - A batalha do Rio