Estava tentando entender e não entendia a barulheira feita pela mídia para desgastar Lula agora, perto do Natal e depois das eleições. Não parecia ter muito sentido gastar munição agora, quanto foi oportuno o Big Brother STF.
Desde que passei a entender como funcionava a grande mídia nacional e suas relações com a oposição, comecei a prestar atenção em seus movimentos histéricos, e tentar entender seus motivos. Assim foi em 2009 quando fizeram um enorme coro pelo “Fora Sarney”. Nunca antes visto, nem depois. Matei a charada quando soube que o governo anunciaria no dia 31 de agosto, o marco regulatório para a exploração do pré-sal. Sarney como Presidente do Senado conduziria a votação. As empresas de petróleo estavam de olho e a oposição queria manter o formato de exploração anterior em que o lucro iria para as empresas exploradoras sem risco nenhum no caso de explorar o pré-sal. Dito e feito. Como a mídia e a oposição não conseguiu tirar o Sarney para tomar a Presidência do Senado, depois que o marco regulatório passou como queria o governo, nunca mais lembraram do maranhense. Como se soube depois, pelos vazamentos do Wikileaks, Serra prometera à empresa norte-americana Chevron, que se fosse Presidente em 2010 voltaria atrás no modelo de exploração aprovado por Lula.
Hoje pode parecer natural o interesse de desgastar o Lula após o fracasso do Ibope na novela do STF que terminou os últimos capítulos com baixa audiência. Mas esse auê, agora, bem no finalzinho do ano não fazia muito sentido. Pareciam dar tiro para cima. Mas eles não costumam fazer isso, apesar da coleção de fracassos na última década.
Algumas peças começaram a se encaixar. Como disse Eduardo Guimarães em seu blog, pode haver o interesse de desgastar Lula justamente para aproveitar o momento em que Dilma aparece pela primeira vez à sua frente em pesquisa espontânea de votos para 2014. Ou seja, o primeiro motivo seria o isolamento de Dilma. Desgatar Lula e deixar a Dilma para depois.
Mas tem mais.
Há o desgaste evidente do até então “competente” governador Geraldo Alckmin, que teve sua popularidade e os índices ótimo e bom reduzidos de 40 para 29%, enquanto a mídia evita usar o termo “PCC” e se aprofundar no tema violência em São Paulo onde todas as madrugadas morrem assassinados policiais, criminosos ou jovens inocentes, vítimas de uma guerra resultante da acomodação oportunista do Governador que hoje lhe escapa às mãos. Focar na indicação de Rosemary reduz o risco de São Paulo sair da falta de controle tucana. Além disso, os microfones voltados para o Ministro Cardoso, não perguntam mais nada sobre São Paulo.
Também, havia o risco de se incluir nas investigações e depoimentos da CPI, jornalistas como o Policarpo da Veja, sempre útil para os esquemas de Cachoeira e para criar crises contra o governo. O que eles diriam? Mas jornalistas como Boris Casoy blindaram colegas da grande máfia, apesar de achar “um absurdo” que os acusados da operação Porto Seguro não deponham.
Mas o mais importante, talvez a peça principal desse Puzzle, seja o fato noticiado nesta segunda. Após repercutir por dias as críticas cara-de-pau de FHC a Lula e Dilma, foi dada a cobertura de imprensa para o lançamento, por FHC, do nome de Aécio Neves para 2014. Agora sim, tudo faz sentido. Quer dizer, quase tudo. Pode ser só impressão minha, mas há algo estranho na forma como parte da Polícia Federal tem agido. O tempo confirmará ou não se exagero em minha estranheza. Outra coisa que não faz sentido para mim é a postura do governo Dilma e do PT de não reagir a tanta pancada. Se for uma estratégia, espero que tenham sucesso.
segunda-feira, 3 de dezembro de 2012
O que quer a “grande” mídia para o Natal
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Prof. Alckmin dá aula de democracia no Jornal Nacional
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Alckmin sabe negociar e tem comando sobre a polícia de SP como demonstrou em 2006 para Marcola e para o PCC. Na época ele já dava aulas de democracia para a tv americana NBC como no imperdível vídeo ao final.
E não é só isso! Essa gente branca e bonita, tendo o Serra como exceção, sabe o que é administrar. Em São Paulo, essa terra de gestão tucana há mais de duas décadas, todos sabem, é a locomotiva do país. Aqui, até o crime é mais organizado. E o Mestre Alckmin não deixou barato no JN. Passou um pito na molecada fumeta da USP: "Que negócio é esse de quebrar o patrimônio do povo paulista, uma das melhores universidades da América do Sul".
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domingo, 16 de outubro de 2011
Carandiru II: o que SP esconde. E põe a culpa no PCC
Marcola, o grande herói chuíço (*)
Por sugestão do amigo navegante Paulo Donizetti, o Conversa Afiada publica este relato espantoso sobre como funciona a Chuíça (*), depois de 17 anos de governo tucano.
O Conversa Afiada recomenda a leitura do texto sobre a Aula Magna de Caco Barcellos, quando denunciou o racismo da Polícia e da Justiça.
Crimes e omissão em SP
Processos de familiares de mortos pela PM em 2006 são encerrados sem apuração. Entidades querem federalizar investigação, mas não conseguem falar com Alckmin
Por Leandro Melito
Entre 12 e 20 de maio de 2006, 493 pessoas foram mortas por arma de fogo, segundo dados do Conselho Regional de Medicina. A organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) é responsabilizada pela execução de 43 policiais militares, carcereiros e um bombeiro durante uma onda de rebeliões em presídios e ataques a prédios públicos. A movimentação, atribuída à facção criminosa, terminou no dia 15 de maio, supostamente após reunião entre Marcos Willians Camacho, o Marcola, líder da organização, e a cúpula do governo paulista.
“A partir de então a polícia paulista iniciou violento revide”, afirma a ONG Justiça Global no documento intitulado São Paulo sob Achaque, elaborado em parceria com a Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard, nos Estados Unidos. Segundo o relatório, as situações da maioria das mortes ocorridas entre os dias 15 e 20 em nada pareciam com casos de legítima defesa. O estudo aponta 122 homicídios com indícios de execução praticados por policiais no período.
Passados cinco anos, a maior crise da segurança pública de São Paulo ainda não foi apurada. Não existe sequer um relatório oficial do Estado que detalhe esses episódios. Em maio passado, a secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, ministra Maria do Rosário, pediu ao governador Geraldo Alckmin uma audiência para discutir a transferência, para a esfera federal, das investigações das mortes durante a operação da PM. Até agora ele não se manifestou.
As apurações desses crimes foram arquivadas sem os devidos esclarecimentos, salvo nos casos que envolvem a morte de agentes públicos. Das mortes praticadas por policiais em supostos confrontos, apenas seis oficiais foram denunciados ou indiciados. A Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), departamento de elite de investigação de homicídios no Brasil, esclareceu mais de 85% dos casos em que as vítimas foram agentes públicos e elucidou a autoria de apenas 13% das ocorrências de homicídio com suspeita de participação de policiais.
Sandra Carvalho, diretora adjunta da Justiça Global, diz não se tratar, na maioria dos casos, de arquivamento por falta de provas. “Na verdade, não foram feitas investigações mais detalhadas e exaustivas”, afirma, apontando a falta de proteção adequada para que as testemunhas pudessem depor. “Muitas delas foram sistematicamente ameaçadas, cerceadas. O estado deveria ter criado condições para que pudessem depor em segurança”, avalia. Para James Cavallaro, presidente do conselho da ONG, a participação do alto escalão da polícia paulista pode ter atrapalhado as investigações. “Há indícios de envolvimento não só de policiais dos níveis baixos e intermediários, mas de autoridades de alta patente, o que dificultaria o esclarecimento dos crimes como um todo”, avalia.
É devido à ineficácia do governo estadual em apontar os responsáveis pelos crimes que os pesquisadores defendem a federalização do processo. “Dialogamos com o estado de São Paulo e com várias instituições ao longo desses cinco anos”, afirma Fernando Ribeiro Delgado, da Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard. “Não obtivemos uma resposta satisfatória em basicamente nenhum ponto dessa pesquisa. Por isso decidimos encaminhar o caso ao governo federal e ao Congresso Nacional, para que seja instalada uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), e para que o Ministério Público Federal investigue.”
Impunidade
Uma das vítimas da ação policial foi o gari Edson Rogério Silva dos Santos, de 29 anos, filho de Débora Maria Silva. Débora é coordenadora do movimento Mães de Maio, organizado entre as mães que tiveram filhos executados por policiais militares na Baixada Santista em maio de 2006. “A gente viu muitas falhas nos inquéritos e o Ministério Público Estadual não apresentou resposta para nós”, afirma. Segundo o estudo da ONG Justiça Global, a investigação policial sobre o caso de Edson não ouviu testemunhas e não colheu provas importantes, como as fitas das câmeras de segurança do posto de gasolina onde ele teria sido assassinado.
João Inocêncio de Freitas também teve o filho morto em maio de 2006. Dispensado mais cedo do colégio, junto com os demais alunos, Matheus Andrade de Freitas foi com Ricardo Porto, seu colega de classe, a uma pizzaria na rua onde morava. Ambos foram executados. João critica o arquivamento do processo e a tentativa do estado de criminalizar seu filho. “Como o inquérito não andava, a gente foi saber o que estava acontecendo. Sem apurar nada, eles arquivaram”, relata. “O relatório do delegado dizia que meu filho foi morto por dívida de droga e que o outro menino tinha morrido por queima de arquivo. Nós fomos ao 5º Distrito e fizemos nosso depoimento. O promotor corrigiu o relatório e disse que havia indícios da atuação de grupos de extermínio, policiais. Só que depois o caso foi arquivado. Ninguém fez nada.”
Francisco Gomes, pai de Paulo Alexandre Gomes, desaparecido desde maio daquele ano, compara a situação à ditadura. “A impunidade daquele tempo é a mesma até hoje. A ditadura agora é disfarçada de democracia. Fazem o que querem, e fica por isso mesmo”, diz.
Em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, em 29 de agosto passado, Débora Maria Silva reivindicou, na presença da ministra Maria do Rosário, a federalização da investigação dos crimes. “O governo do estado não quer tocar no assunto, mas isso nós exigimos. Mataram nossos filhos e desapareceram com eles. Alguém tem de ser responsabilizado. Se a gente não aponta os algozes dos nossos filhos, apontamos o estado como um todo”, sentenciou. Débora exige que as autoridades se reúnam em Santos, onde têm sido constantes os crimes praticados por grupos de extermínio.
Na ocasião, Maria do Rosário afirmou que um impasse com o governo do estado estaria impedindo o avanço do processo de federalização desses crimes. “Pedi uma reunião com o governo estadual sobre a situação dos grupos de extermínio e as Mães de Maio. Já tem três meses (completados em agosto) e eu ainda estou aguardando. Não gostaria de fazer a reunião em Santos sem antes me reunir com o governo paulista para trabalharmos juntos alguns caminhos.”
Em julho passado, uma reunião do Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, presidido pela ministra, decidiu encaminhar à Procuradoria-Geral de Justiça do Estado de São Paulo um pedido de reabertura das investigações sobre as mortes em maio de 2006, assim como sua federalização.
“Queremos dialogar mais com o governo e com a Procuradoria para que essas investigações sejam reabertas. Aprovamos uma série de procedimentos com o governo federal para transferir essas apurações para a Polícia Federal. Esses crimes não podem ficar impunes”, disse a ministra.
Segundo Rosário, a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH) já encaminhou dois pedidos de audiência ao governo de São Paulo para tratar do tema. Ambos continuam sem resposta. Durante a audiência em São Paulo ela reforçou o pedido à secretária de Justiça do governo estadual, Eloísa Arruda. “Acredito que essa audiência vai nos possibilitar abrir esse caminho com o governador”, afirmou. Na primeira semana de outubro, o impasse permanecia.
Os crimes de maio de 2006 aconteceram um mês após a saída de Alckmin para concorrer às eleições presidenciais. Ele estava à frente do governo estadual havia seis anos. Em seu lugar assumiu o vice, Cláudio Lembo. O governo federal deu os primeiros passos para federalizar a investigação ainda na gestão de Paulo Vannucchi à frente da SEDH, quando foi aprovada a criação de uma comissão especial para levantar informações que justificassem a transferência desses crimes para o âmbito federal.
Caso isso venha a acontecer, será o segundo caso de transferência de competência no Brasil após a Constituição de 1988. O primeiro crime contra os direitos humanos federalizado foi o assassinato do defensor público Manoel Mattos, que investigava a atuação de grupos de extermínio na Paraíba.
(*) Chuíça é o que o PiG de São Paulo quer que o resto do Brasil ache que São Paulo é: dinâmico como a economia Chinesa e com um IDH da Suíça.
Carandiru II- o que SP esconde. E põe a culpa no PCC - Conversa Afiada
segunda-feira, 4 de julho de 2011
PCC cria "franquia" para vender droga em SP
Governador Geraldo Alckmin (PSDB)
Foi nas duas gestões de Alckmin que o PCC ganhou força. A facção se espalhou pelas cadeias e passou a praticar atosterroristas nas ruas de São Paulo.O PCC promoveu pelo menos 62 ataques contra as forças de segurançae matou Machado Dias, juiz-corregedor de Presidente Prudente. José Serra (PSDB) tem o habito de declarar em todas as eeições que disputa, que ele acabou com o PCC. A matéria publicado hoje na Folha,desmenete o tucano, candidato á prefeito de São Paulo
PCC
A facção criminosa PCC montou um "esquema empresarial" de venda de drogas no Estado de São Paulo que inclui o cadastro dos pontos de venda e registros em livros-caixa.O sistema, que tem até o pagamento de "franquias" para o traficante manter os pontos de vendas, foi descoberto pela Polícia Civil de São Sebastião através de escutas telefônicas, no inquérito que desmontou quadrilhas no litoral norte paulista.
As escutas captaram conversas em que traficantes tratam os pontos de "lojinha" e "biqueira" e citam como funciona o cadastro. O inquérito desmontou uma refinaria de cocaína em Ubatuba.
As informações sempre passavam por um preso, tratado como "MP", chefe da facção no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Caraguatatuba (SP).Segundo as investigações, o ponto de venda é "registrado" no nome de uma pessoa ou família, que paga "franquia" de R$ 300 a R$ 500 por mês para a facção.
Com o registro da facção, o traficante pode depois "terceirizar" o ponto de venda para outra pessoa ou vendê-lo, mas sempre após autorização do crime organizado.Existe ainda o compromisso de que as "bocas" só podem comprar drogas dos esquemas do PCC, que tem hoje forte atuação no Paraguai, segundo a Polícia Federal.Em contrapartida, o "franqueado" tem a garantia de segurança e de que ninguém tentará tomar o ponto, como ocorre em favelas do Rio. Se o dono da "boca" é preso, alguém indicado por ele assume, e o negócio continua.
O inquérito conclui que a rede do PCC funciona ao estilo das máfias, com fornecedores exclusivos, venda de segurança e garantia de ajuda, quando um "cliente" -o pequeno traficante- é preso.
As investigações chefiadas pelo delegado André Luiz Costilhas apontam um duplo comando no esquema, de dentro do CDP e fora da prisão. Entre seis e dez casas, além de veículos, foram comprados pela quadrilha no litoral norte.O inquérito reforça que o crime organizado consegue manter seus negócios normalmente, mesmo dentro da prisão, e que vem aumentando o nível de organização da facção, que criou um modelo copiado por todas as suas células no Estado.
Um dos meios de fazer caixa são em sorteios. Em Ubatuba, os policiais apreenderam cartelas de rifas de um Vectra e um Polo, que seriam sorteados pelo bando.
Os Amigos do Presidente Lula- PCC cria -franquia- para vender droga em SP
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
A morte do Prefeito tucano de Jandira
| Apu Gomes/Folhapress |
Corrupção, PCC e PSDB
No rastro do assassinato do prefeito de Jandira, Braz Paschoalin (PSDB), executado com tiros pelo PCC na manhã do dia 11, a polícia chegou ontem a mais um suspeito, o empresário Pedro Roberto Galvão, de 43 anos. Ele seria um dos mandantes do crime, juntamente com o ex-secretário municipal de Habitação, Wanderlei Lemes de Aquino, detido desde quinta-feira.
Galvão foi levado ao Setor de Homicídios da Delegacia Seccional de Carapicuíba no início da tarde. À noite, a Justiça decretou a prisão temporária do empresário, que é o sexto alvo do inquérito - além dele e de Aquino, quatro pistoleiros estão detidos.
Estabelecido com pequena empreiteira da área de sinalização de trânsito, Galvão também se dedica à exploração de máquinas caça níqueis, segundo a polícia. Ele é conhecido na cidade como "Pedro das Maquininhas" e é muito próximo a Aquino.
A polícia tem duas frentes de investigação sobre os motivos da execução do prefeito. Uma linha revela desavenças graves entre Paschoalin e Aquino, que teria perdido poder e espaço na administração. A outra mostra suposta parceria do tucano com empresários do jogo. Ele teria rompido com um grupo.
A suspeita sobre Aquino ganha força, segundo a polícia, porque o prefeito o ameaçou de demissão em um momento em que o então secretário manipulava recursos públicos. Na última sexta-feira, ele iria despachar ordem de serviço para reconstrução de 120 casas de condomínios populares ao custo de R$ 7,19 milhões - dinheiro repassado pelo governo federal.
Hoje, a Câmara de Jandira vota o orçamento para 2011. Vários vereadores estão sob investigação por envolvimento em suposto esquema de propinas. Em 2008, eles teriam recebido R$ 200 mil cada para aprovarem as contas de Paschoalin, rejeitadas pelo Tribunal de Contas do Estado
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010
Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo
Viomundo - O que você não vê na mídia
9 de dezembro de 2010 às 22:50
Comando Vermelho e PCC estão juntos em São Paulo
Fatima Souza, repórter policial
Traficantes do CV teriam recebido apoio de bandidos do PCC em São Paulo
Desde a sexta-feira, 27 de novembro, estou recebendo informações de que muitos bandidos do CV — Comando Vermelho – que fugiram do morro do Alemão atravessaram a divisa e estão em São Paulo, onde foram recebidos pelos “irmãos” do PCC – Primeiro Comando da Capital. As duas facções criminosas mantem relações cordiais há mais de oito anos.
Trocam armas por drogas e, quando a situação fica “difícil” para alguém do PCC em São Paulo, o CV dá guarida no morro do Alemão, no Rio. E vice-versa: se o apuro for de alguém do CV ele deixa o Rio e é recebido pelo PCC em São Paulo. Situação como esta aconteceu quando o Juiz “Machadinho” foi assassinado pelo PCC, no interior de São Paulo.Um dos bandidos, “Ferrugem” (que foi quem atirou no Juiz) foi para o Rio de Janeiro e lá, no morro do Alemão, foi recebido pelos integrantes do CV e ficou escondido por lá. Desta vez não foi diferente.
A polícia do Rio, durante três dias, ficou avisando que iria invadir o Morro do Alemão.
Deu tempo suficiente para que muitos traficantes fugissem para outros morros cariocas, ou simplesmente deixassem a cidade maravilhosa rumo à Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. A maioria deles para São Paulo, onde a facção é mais forte. Nos outros estados também foram recepcionados por representantes do PCC.
A primeira ação conjunta de PCC e CV aqui em São Paulo, segundo informações que recebi, foi o tiroteio ocorrido na Rodovia Raposo Tavares, que terminou com três policiais feridos. Os bandidos, que estavam em um carro blindado, após perseguição dispararam com fuzis e metralhadoras contra a polícia e depois saíram correndo por uma mata próxima à Rodovia.
Apesar das buscas intensas (utilizando até o helicóptero Águia) a Polícia Militar não conseguiu capturar ninguém. O carro blindado foi abandonado na pista e dentro dele havia coletes à prova de balas. Não se sabe o que pretendiam fazer os bandidos do PCC/CV com tantas armas, munição e coletes. A Polícia Rodoviária Federal está agora na divisa entre São Paulo e Rio de Janeiro, tentando impedir que mais bandidos cariocas entrem em São Paulo.
A informação de que o CV está em São Paulo foi confirmada através de uma carta que nós conseguimos com exclusividade. A cópia do documento, em papel timbrado da Secretaria de Segurança Pública, sob o título “Alerta”, confirma as informações que recebemos há vários dias.
Fátima Souza: PCC recebe fugitivos do Rio em São Paulo | Viomundo - O que você não vê na mídia
domingo, 28 de novembro de 2010
Lembrem-se dos crimes de maio
Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, dom, 28/11/2010 - 14:05
Uma das páginas mais vergonhosas de São Paulo foi desenhada nos dias que se seguiram aos ataques do PCC na cidade.
Durante alguns dias, a polícia paulista - sob o comando de um Secretário de Segurança alucinado e de um governador interino - saiu atrás de vingança. Até as transmissões de rádio da polícia foram silenciados, para que o crime se consumasse sem testemunhas.
Mais de 400 pessoas foram assassinadas sumariamente, muitas sem histórico policial.
Restaram um blog relatando a indignação de mães de rapazes executados (Blog Mães de Maio) e uma série extraordinária do jornal A Tribuna, de Santos, feita pelo repórter Renato Santana, que mostro a seguir.
São Paulo - gopverno do Estado, MInistério Público, imprensa, sociedade civil - deve ao país a apuração desses crimes.
Clicando em MENU -> FULL SCREEN é possível ler em tela inteira.
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Lembrem-se dos crimes de maio | Brasilianas.Org
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Vitória arrasadora do Rio no Alemão cria constrangimento
Publicado em 28/11/2010
O ordinário blogueiro entrevista Fuzileiros Navais
A retomada do território do Alemão pelas forças da Lei durou das 8h da manhã às 9h30 da manhã deste domingo.
Foram cerca de 1200 homens e carros anfíbios, blindados, e helicópteros numa ação coordenada pelo exemplar policial federal José Mariano Beltrame, Secretário de Segurança do Rio.
Os traficantes tinham fugido da Vila Cruzeiro para o Alemão.
As 44 saídas do Alemão foram fechadas.
Os traficantes ficaram presos lá dentro.
E as forças do delegado Beltrame, aos poucos, identificarão os criminosos e as áreas em que armazenavam drogas e armamento.
Este ordinário blogueiro entrevistou Beltrame para o Domingo Espetacular, e ele informou que tropas federais manterão a ocupação do Alemão e da Vila Cruzeiro até que novos policiais militares sejam formados e possam instalar as UPPs.
Nunca dantes na história deste país houve uma ação tão extensa, maciça e fulminantemente eficaz quanto esta no Rio de Janeiro.
A vitória de Sérgio Cabral e Beltrame cria inevitáveis constrangimentos.
Mostra, de forma escancarada, que nenhum governante pode mais fechar os olhos, sentar em cima das mãos, conciliar, ou fazer acordo secreto com o crime organizado.
O Rio de Janeiro era e é uma área de forte consumo e tráfico de droga.
Mas não é a única.
E um dia e, um dia, a casa cai.
O crime organizado vai para a rua, queima ônibus, atira em postos da polícia, tranca ruas e cospe na cara do governante.
Sérgio Cabral e Beltrame demonstraram que é possível enfrentar o crime organizado.
Só não enfrenta quem fez acordo com ele ou dele tem medo.
Paulo Henrique Amorim
Vitória arrasadora do Rio no Alemão cria constrangimento | Conversa Afiada
sábado, 27 de novembro de 2010
Beltrame para DG da Polícia Federal. Em SP ninguém usa cocaína ou crack
Conversa Afiada
Publicado em 26/11/2010
Beltrame re-instalou o Estado
O delegado Beltrame ganhou a batalha.
Ele não acabou com o tráfico nem com o crime organizado no Rio – o que é impossível.
Mas, ele botou o tráfico para correr.
E as milícias também correram, apesar do apoio que elas deram, nas eleições, ao Marcelo Lunus Itagiba, braço direito e esquerdo do Padim Pade Cerra.
Beltrame ganhou a batalha porque pôs para funcionar a ideia que o governador Sérgio Cabral trouxe da Colômbia: as Unidades Policiais Pacificadoras.
Beltrame expulsou os traficantes das favelas.
Pôs para correr.
E quando os traficantes reagiram, ele foi para cima dos traficantes, com a ajuda do Presidente Lula.
O tráfico no Rio perdeu espaço, está desarticulado.
Assim como as milícias, uma etapa superior da organização do crime.
Clique aqui para ler interessante artigo de Claudio Beato, na pág. 3 da Folha (*):
Beltrame ganhou a principal batalha, que foi o conceito: re-instalar o Estado na área criminosa.
O Estado tem que governar.
Com a fuga dos traficantes e a re-ocupação do espaço criminoso, surgirão problemas sérios.
Para onde vão os traficantes foragidos ?
Numa entrevista à RecordNews, o senador Marcelo Crivella chamou a atenção deste ordinário blogueiro para o deslocamento dos traficantes das favelas ocupadas pelas UPPs para cidades próximas ao Rio.
Beltrame vai ter que ir atrás deles lá, também.
Como desarticulou as milícias fora do Rio.
(Será essa a razão para o Marcelo Lunus Itagiba não se re-eleger deputado federal ?)
Também muito importante: a relação republicana que Sérgio Cabral manteve com Beltrame.
Não há no Governo Sérgio Cabral nomeação política de chefe de delegacia ou de comando da Polícia Militar.
E a população do Rio gosta do trabalho do Beltrame.
O que ajudou a re-eleger Sérgio Cabral.
Beltrame também vai atrás de criminoso do colarinho branco.
E aí, de novo, ele esbarra em interesses políticos que começam a se afligir com a ação destemida do Secretário de Segurança do Rio.
Dilma já disse que vai ampliar o conceito de UPPS pelo Brasil afora.
Dilma poderia devolver à Polícia Federal a característica republicana, que se foi para Portugal, no avião com Paulo Lacerda.
(Uma das – poucas – páginas cinzentas do Governo Lula.)
O substituto de Lacerda, Luiz Fernando Corrêa, foge de crime do colarinho branco como foge do áudio grampo.
E se dedica a perseguir o ínclito delegado Protógenes Queiroz.
Clique aqui para ler “Delegados federais aplaudem Mercadante quando elogia Protógenes – frente do Corrêa ”.
Já ouvi dizer que a Dilma vai nomear o Ministro da Justiça e o Diretor Geral da Polícia Federal.
Ou seja, o Ministro da Justiça NÃO vai nomear o DG da Polícia Federal.
É da cota dela.
Foi o que fez o Dr Tancredo.
Quando chamou o sábio Fernando Lyra para Ministro da Justiça já disse, ali, no ato, quem ia ser o DG da Polícia Federal.
O Diretor Geral da Policia Federal é importante para combater o crime.
Mas, o DG da Polícia Federal também pode chantagear, constranger o Presidente da República.
O Fernando Henrique Cardoso poderia dar um bom depoimento sobre isso, numa das suas 674 entrevistas semanais ao PiG (**).
Não há notícia de que Beltrame tenha constrangido o Governador do Rio.
Nem tenha ameaçado à la Henrique Meirelles, o novo entrevistado de prateleira do PiG (**): só fico com autonomia !
Beltrame hoje representa o policial de que os cidadãos se orgulham.
Como foi Paulo Lacerda.
Em tempo: sobre a cobertura do PiG (**) paulista à caça aos traficantes no Rio.
O amigo navegante poderia responder às seguintes perguntas, por favor ?
Onde se consome mais automóvel ? No Rio ou em São Paulo ?
Onde se consome mais pizza aos domingos ? No Rio ou em São Paulo ?
Onde se consome mais camisinha nos fins de semana ? No Rio ou em São Paulo ?
E onde se consome mais cocaína ?
No Rio, dirão os membros do PiG (**).
Em São Paulo, por esse raciocínio, ninguém consome crack nem cocaína.
Da mesma forma que nenhuma tucana de São Paulo fez ou fará aborto.
Por isso, não há traficantes nem cenas de “guerra” em São Paulo.
É uma área santificada, uma gigantesca Cidade do Vaticano, governada pelo Padroeiro de Aparecida, com as bênçãos do Padim Pade Cerra.
É assim, amigo navegante ?
Não.
É porque, no Rio, o Cabral e o Beltrame combatem o tráfico.
Em São Paulo, o tráfico se consorciou com o Estado.
Como diz o especialista na matéria, o traficante colombiano Abadía, a melhor maneira de acabar com o tráfico em São Paulo é fechar a delegacia que combate o tráfico, o Denarc.
Por isso, São Paulo não tem caveirão nem UPP.
Paulo Henrique Amorim
(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Beltrame para DG da Polícia Federal. Em SP ninguém usa cocaína ou crack | Conversa Afiada
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
José Serra promete segurança, mas veja como ele deixou SP: Facção criminosa PCC, é investigada por compra de hospital
Os Amigos do Presidente Lula:
segunda-feira, 11 de outubro de 2010
O Ministério Público de São Paulo está investigando a suspeita de que um empresário acusado de ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) tenha comprado um hospital em Santo André (ABC) para lavar dinheiro obtido com o tráfico de drogas.
O empresário de Mauá Gildásio Siqueira Santos, 39 anos, é sócio do Hospital Santos Dumont, segundo contrato social assinado em 17 de julho de 2008, ao qual o Agora teve acesso.
Segundo depoimentos de testemunhas à Justiça, Santos adquiriu o hospital e o plano de saúde Prima, que operava no Santos Dumont, com a promessa de que pagaria ao ex-dono R$ 600 mil -- R$ 90 mil, dois terrenos, dois apartamentos, uma Pajero e um Golf.
Dívida de R$ 1,2 mi ligou empresário a suposto líder
O empresário Gildásio Siqueira Santos, o Gil, devia cerca de R$ 1,2 milhão em 2007 ao preso W.R.C., o Rabugento, apontado como líder local da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no ABC, segundo denúncia da Promotoria oferecida à Justiça contra ambos em maio daquele ano.
A denúncia, à qual a reportagem teve acesso, também diz que despesas pessoais da mulher de Rabugento, além das do próprio preso, eram pagas com dinheiro levantado com a venda de combustível adulterado feita sob o comando de Santos.
Constam ainda da acusação, oferecida por promotores do Gaeco (grupo responsável por investigar o crime organizado) ABC, que o casal já morou em um apartamento pertencente ao empresário, localizado na avenida São Pedro, na Praia Grande (71 km de SP), litoral de São Paulo.Jornal Agora
Serra esconde PCC
Questionado sobre ataques do PCC, Serra cita melhora na segurança em SP
por Jair Stangler
Seção: ELEIÇÕES
02.agosto.2010 16:16:58
André Mascarenhas
O candidato do PSDB à Presidência, José Serra, evitou hoje comentar diretamente os ataques do PCC contra alvos da Polícia Militar, no fim de semana, em São Paulo. Ao ser questionado se temia o uso político do episódio por adversários durante a campanha, o tucano citou dados do governo que mostram uma “continuidade da melhora das condições da segurança” no Estado de São Paulo.
O candidato do PSDB, da entrevista na Liberdade, em São Paulo
“Não tenho todos os elementos nesse momento. Os dados da segurança em São Paulo mostram a continuidade da melhora das condições de segurança, que começou no final da década passada, com o (ex-governador Mário) Covas, prosseguiu de maneira muito firme e impressionante durante o (governo de Geraldo) Alckmin e que se manteve no nosso governo”, afirmou durante coletiva na Associação Cultural e Assistencial da Liberdade (Acal), no bairro da Liberdade, em São Paulo.
De acordo com o tucano, há uma “tendência decrescente” do crime no Estado. Serra citou a redução na taxa de homicídios no segundo trimestre de 2010, e usou dados de junho para comparar a situação da segurança em São Paulo a de países desenvolvidos. “Nos últimos meses, (a taxa) chegou a cair a uma taxa inferior a 10 (homicídios por cem mil habitantes), que é uma taxa que se observa em países mais desenvolvidos.”
PCC cresceu durante governo tucano e reduziu homicídios em SP
Um debate entre pesquisadores promovido pelo Estadão tenta entender o fenômeno PCC que se organizou nos anos tucanos mediante o descontrole das políticas carceráreas e a desintegrada ação dentre as polícias paulistas.
Universidade vai a periferias e prisões para tentar entender o PCC
'Estado' promoveu debate entre 4 pesquisadores que fizeram teses e dissertações sobre organização criminosa
24 de janeiro de 2010
Bruno Paes Manso - O Estadao de S.Paulo
Professor do Departamento de Sociologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Gabriel Feltran, de 34 anos, começou a estudar as periferias de São Paulo interessado nas mudanças sociais. Durante as pesquisas, que viraram tese de doutorado premiada ano passado pela Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais, foi impossível deixar de falar sobre o Primeiro Comando da Capital, sempre presente nas conversas.
A antropóloga Karina Biondi, de 32 anos, atualmente faz doutorado na UFSCar. Começou a estudar o PCC depois que o marido foi preso, em 2003. Durante as visitas, fez pesquisas de campo cujo material deu origem à dissertação Junto e Misturado: uma etnografia do PCC, que em março será publicada em livro pela Editora Terceiro Nome. O marido dela, depois de cinco anos preso à espera de julgamento, foi inocentado.
A dissertação da socióloga Camila Nunes, A igreja como refúgio e a Bíblia como esconderijo: religião e violência na prisão, concluída na USP, também virou livro (Editora Humanitas). Agora, ela finaliza doutorado com base em pesquisas em presídios paulistas. O antropólogo Adalton Marques, de 27 anos, defende sua dissertação em Antropologia na USP em fevereiro, chamada Crime, proceder, convívio-seguro - um experimento antropológico a partir de relações entre ladrões. Na semana passada, eles travaram com o Estado o debate abaixo:
Qual é o tamanho do PCC e que papel exerce?
Camila - É difícil dimensionar o tamanho do PCC, mas de acordo com minhas pesquisas em unidades prisionais, o PCC tem influência em cerca de 90% das 147 prisões paulistas. Essa influência é um tanto quanto diversificada em cada uma das unidades, a depender das relações que se estabelece com a administração do local, na qual se estabelecem seus limites. No Estado, há 6 ou 7 unidades que são controladas por outros grupos ou que são chamadas "neutras" designando, assim, a inexistência das chamadas "facções". Essas unidades, contudo, não permitem a entrada de presos que pertencem às facções e para elas são transferidos os presos que anteriormente ficavam no "seguro". Ou seja, se um preso que se encontra numa penitenciária controlada pelo PCC sente-se ameaçado e pede "seguro", ele provavelmente será transferido para uma dessas unidades "neutras".
Gabriel - Do lado de fora das prisões a lógica é exatamente a mesma. Ouço relatos de que "agora é tudo PCC", referindo-se ao "mundo do crime" nas periferias há alguns anos. Mas ao olhar os detalhes, aparecem situações curiosas. Por vezes, o PCC está mesmo onde não há um "irmão". Por exemplo, um ponto de venda de maconha e cocaína, numa das favelas em que estudo, não é gerenciado por nenhum "irmão" (os outros pontos são). No entanto, quem gerencia esse ponto, uma pessoa respeitada na favela, lida bem com a presença do PCC e diz também concordar com "a lei" dos "irmãos". Não saberia dizer o quanto casos como esse são frequentes, e também me surpreenderia se alguém soubesse fazê-lo, mesmo entre os integrantes da facção.
Adalton - Considero um equívoco pensar o PCC a partir de quantificação dos "batizados", bem como de mensuração da extensão dos efeitos provocados por suas ações. O PCC não é somente um aglomerado de membros e de ações. Antes, se trata de um conjunto singular de enunciados, forte (o que não quer dizer necessariamente violento) o bastante para afirmar a "paz dos ladrão" - "ladrões" são os "considerados" como tais, é claro - e a "disposição pra bater de frente com os polícia" e "pra quebrar cadeia", fugir. Imprescindível dizer que a efetuação dessas coisas não depende da presença de "batizado". Mais decisivo que a mensuração de extensões, é perceber que isso que se chama PCC se efetua nos quatro cantos da cidade.
Karina - Minha pesquisa revelou que o PCC tem dois grandes papéis nas prisões: ao mesmo tempo em que regula a relação entre os prisioneiros, é uma instância representativa da população carcerária frente ao corpo de funcionários das prisões. O número de "irmãos" é desconhecido até por eles próprios. Surpreenderia-me saber que algum deles tem esse controle, já que um "irmão sequer conhece todos os seus outros "IRMÃOS".
Marcola é o chefe? Quais mudanças ele implantou?
Karina - Não só Marcola não exerce esse papel, como não existe no PCC uma forma de liderança que pressuponha uma hierarquia piramidal, uma estrutura rígida ou formas de mando e obediência. Isso porque, com a saída do Geleião (ex-líder do PCC), Marcola promoveu a inserção da "igualdade" ao lema e às práticas do PCC que, com isso, sofreu profundas transformações, dentre elas a extinção de lideranças sobre os demais integrantes. Essas transformações - que não param de acontecer - são como antídotos a quaisquer manifestações de mando ou de qualquer relação que venha a ferir o princípio de "igualdade".
Camila - O PCC mudou bastante. Houve uma racionalização do seu modo de operar. Nos primeiros anos de existência, quando havia a necessidade de expansão e conquista de territórios, além do discurso de necessidade de união da população carcerária para lutar contra a opressão do Estado, era necessária a imposição de seu domínio a partir da demonstração da violência explícita contra aqueles que rejeitavam ou eram recalcitrantes em aceitar esse domínio. Por isso, na década de 1990 - até o início dos anos 2000 -, assistia-se cenas grotescas de violência no sistema carcerário, muitas delas protagonizadas pelo PCC, que fazia questão de explicitar sua capacidade de imposição da violência física, especialmente durante as muitas rebeliões do período. Essa explicitação da violência era importante para demonstrar o seu poder para os presos e para o Estado. A partir de 2003, 2004, o PCC alcança uma relativa hegemonia no sistema prisional - e, talvez, em algumas atividades fora dele - o que torna o exercício expressivo da violência física, como punição aos "traidores", desnecessária.
Adalton - Houve uma mudança decisiva entre o final do ano de 2002 e o início de 2003. Geleião e Cesinha, os dois últimos fundadores vivos, foram "escorraçados" - essa é a palavra usada - pelos presos e mandados para o seguro. Diz-se que Marcola teve um papel decisivo tanto para mostrar aos presos a situação a que se submetiam quanto na guerra travada contra os dois fundadores. É comum ouvir que Marcola bateu de frente com os fundadores e recebeu apoio total da população carcerária. Desde então, foi extirpada a posição política do fundador, bem como a figura de general. Foi eliminada por completo a diferença entre os fundadores e "irmãos". Já não mais haveria diferenças absolutas entre os relacionados ao PCC, mas só diferenças de "caminhadas".
O que mudou dentro e fora das prisões com a facção?
Gabriel - Há muitas evidências empíricas de que o PCC pode ter interferido diretamente na queda dos homicídios. Durante pesquisa de campo, quando se comenta por que não morrem mais jovens como antes, as explicações oferecidas são três: "porque já morreu tudo"; "porque prenderam tudo" e "porque não pode mais matar", a mais recorrente. Levei bastante tempo para compreender essas três afirmações, entender que elas me falavam de uma modificação radical na regulação da violência - e do homicídio - nas periferias de São Paulo. E que essa regulação tem a ver com a presença do PCC. Quando me dizem na favela "porque não pode mais matar", está sendo dito que um princípio instituído nos territórios em que o PCC está presente é que a morte de alguém só se decide em sentença coletiva, e legitimada por uma espécie de "tribunal" composto por pessoas respeitadas do "Comando". Esses julgamentos, conhecidos como "debates", podem ser muito rápidos ou extremamente sofisticados, teleconferências de celular de sete presídios. Eles produzem um ordenamento interno ao "mundo do crime", que vale tanto dentro quanto fora das prisões. Evidente que a hegemonia do PCC nesse mundo facilitou sua implementação. Com esses debates, aquele menino que antes devia matar um colega por uma dívida de R$ 5 para ser respeitado agora não pode mais matar.
Karina - São muitas as mudanças que ocorreram nas prisões após o nascimento do PCC: diminuição no número de homicídios e das agressões entre prisioneiros, fim do consumo de crack e de abusos sexuais, não se vende mais espaço na cela, não se troca favor com agentes penitenciários em benefício próprio em detrimento de outros, não se fala palavrões. Mas é importante lembrar que essas mudanças não são frutos de leis, decretos ou imposições. Suas propostas nascem de amplos debates e são expandidas e adotadas paulatinamente, não sem resistências e diferenciações na condução dessas políticas. É muito comum uma unidade prisional funcionar de forma diferente de outras, principalmente no que diz respeito a mudanças ainda não tão cristalizadas.
Camila - A mudança fundamental foi a criação de uma instância de regulação das relações sociais na prisão. O PCC se constituiu como instância reguladora, de imposição e controle do cumprimento das regras, assim como de punição aos transgressores. Não se tratava mais de um domínio baseado puramente na violência e na ameaça e nem mais era uma dominação individualizada: trata-se agora de um grupo, organização. A regulação das relações sociais passou a ser mais "institucionalizada", menos dependente de indivíduos e, portanto, mais estável.
Por que os ataques? Como acabar com o PCC?
Karina - Os ataques de 2006 desencadearam um grande movimento autorreflexivo no PCC. De acordo com essas reflexões, os ataques foram reações às provocações do governo de São Paulo, cuja finalidade seria a de mostrar sua força e, assim, conseguir pontos na corrida eleitoral em andamento à época. Essa é a análise que os próprios protagonistas dos ataques elaboraram, não cabe a mim questioná-la. Nesse mesmo movimento reflexivo, avalia-se que os ataques não foram a melhor maneira para chamar a atenção dos cidadãos para o que ocorria no interior das prisões. De lá para cá, vêm-se buscando outras formas de articulação e diálogo, com pouco sucesso, entretanto. Afinal, como criminosos podem se articular, mesmo que para reivindicar o cumprimento da Lei de Execuções Penais, sem que constituam uma "organização criminosa"? Se novos ataques ocorrerão, não é possível prever. Isso depende de inúmeros fatores, muitos deles sequer previsíveis.
Gabriel - Representaram uma manifestação de força da facção frente às forças policiais, que estabelece novos parâmetros para a negociação. Ouvi no campo que há negociação entre PCC e funcionários do Estado e polícias. Ela se dá em bases distintas depois de uma demonstração como a de 2006. Mas os ataques também demonstraram o que significa colocar em xeque a força do Estado: os eventos contabilizaram 493 mortos em uma semana. Cerca de 50 mortes foram atribuídas ao PCC, cento e poucas oficialmente à polícia. Mais de 200 mortes permaneceram sem sequer hipótese investigativa. Se outros ataques vão ocorrer seria futurologia, não há como dizer. Estava em campo em maio de 2006 e não consegui prever os eventos. As causas desses eventos são complexas e dependem de negociações às quais temos pouco acesso. No entanto, não me surpreenderia se voltassem a ocorrer, já que os atores principais seguem em cena.
Camila - Não sei como acabar com o PCC mas de uma coisa tenho certeza: o aumento da repressão dentro e fora das prisões, a carta branca que parece ter a polícia para matar na periferia e outras formas mais de desrespeito aos direitos da população pobre da periferia e dos presos são elementos que fortalecem o PCC, conferem legitimidade ao seu domínio, enquanto enfraquece cada vez mais a confiança nas instituições públicas de segurança.
Alckmin foi o grande responsável pelo crescimento do PCC
Do texto original no Youtube:
Entre os dias 12 e 20 de maio de 2006, a semana dos ataques do PCC, 492 pessoas foram mortas por armas de fogo no estado de São Paulo. A polícia admite 126 mortes em confronto direto e a Ouvidoria encaminhou para investigação outros 71 casos de autoria desconhecida. Os laudos de muitos dos 295 restantes nunca foram divulgados, porém sabe-se que a maioria não tinha antecedentes criminais, e eram negros ou pardos, e pobres. Tudo indica a presença de grupos de extermínio comandados pela polícia.
Um massacre sem precedentes e, até hoje, sem esclarecimentos.
E a mídia silenciou. Foi tudo acobertado?
Confira um trecho da reportagem "Mean Streets of São Paulo" realizada pela Produção do Programa Dateline, do canal SBS da Austrália, que causou comoção naquele país, e tire as suas próprias conclusões – quem é o verdadeiro culpado?
São Paulo Sob Ataque – documentário sobre o PCC e o desgoverno tucano
Os anos tucanos de governo em São Paulo com uma polícia totalmente desarticulada entre si e com o sistema carcerário permitiu um crescimento da organização criminosa que provou sua força em maio de 2006.
O Discovery Channel realizou o documentário que relata os acontecimentos que se desenvolveram dentro e fora das prisões, da polícia e do Estado.
terça-feira, 21 de setembro de 2010
Amigo de Geraldinho do Vale vai levar a autogestão dos presídios a Brasília
Blog TIA CARMELA E O ZEZINHO:
QUADRILHA: Geraldinho do Vale prestigiou festa junina
promovida pelos amigos do futuro deputado
da autogestão prisional.O Mais Preparado dos Brasileiros, o futuro presidente Zezinho, já com vitória assegurada nas eleições, agora empenha-se em eleger seus aliados.
O maior beneficiário da generosidade do Presidente de Nascença é seu assessor para assuntos religiosos, Geraldinho do Vale. O carismático político pindamonho-udenista tem circulado pelo estado em companhia do Mais Competente dos Gestores.
A principal promessa de campanha é o prosseguimento e ampliação da autogestão prisional, implantada por Geraldinho do Vale e aperfeiçoada pelo Presidente de Nascença durante sua temporada no governo estadual, período chamado pelos paulistas de “Os Anos Mais Felizes de Nossas Vidas“.
CIRCULANDO COM DESENVOLTURA: O eclético empreendedor da autogestão
prisional adaptou-se bem à UDN e aos adesivos azuis e amarelos.A autogestão dos presídios paulistas é uma inovação que demonstra toda a capacidade de gestão da UDN. Gerenciada pelo sr. Marcos Camacho, dinâmico empreendedor do ramo de comércio, serviços e transporte de valores, a autogestão das cadeias permitiu muito mais conforto para os detentos paulistas, além de facilitar a continuidade de suas atividades profissionais através do teletrabalho.
O sucesso da nova forma de gerir os presídios é tão expressivo que o povo paulista quer levá-la para todo o Brasil.
Para isso, as lideranças da UDN estão empenhadíssimas na eleição do sr. Ney Santos, importante executivo da corporação responsável pela autogestão dos presídios. O jovem político do Partido Çocial Cristão (PÇC-SP), apoiador da candidatura de Geraldinho do Vale, deve ser um dos representantes da UDN paulista no Congresso Nacional.
Até os blogues sujos do PT, como o Esquerdopata, foram obrigados a reconhecer a importância dessa aliança histórica e estão divulgando a candidatura do sr. Ney Santos:
Apoiador de primeira hora do pres. Zezinho e de Geraldinho do Vale, o sr. Santos quer levar toda a sua experiência na operação de Presídios Comunitários Cooperados para o resto do Brasil e da América Latina.
Consta que já iniciou essa nobre missão, tendo feito contatos na Colômbia e no Complexo do Alemão.
A autogestão prisional em SP tem fortalecido
a cidadania e a democracia.Comentário da tia Carmela
O Zezinho nunca soube escolher bem os amiguinhos. Basta ver ele andando pra cima e pra baixo, até hoje, com o Reinaldinho Cabeção. E parece que isso é de família, porque a filha dele tem uma amiga meio esquisita, também…
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Vídeo mostra Alckmin com candidato preso, acusado de ligação com PCC
Os Amigos do Presidente Lula:
segunda-feira, 20 de setembro de 2010
Vídeo mostra Alckmin com candidato preso, acusado de ligação com PCC
Vídeo mostra Geraldo Alckmin (PSDB/SP) lançando a candidatura de Ney Santos a deputado Federal em 2010.
A polícia prendeu o candidato, suspeito de ligações com o PCC, e a justiça apreendeu bens de origem suspeita, inclusive uma Ferrari avaliada em R$ 1,4 milhão.
Ex-presidiário acusado por assalto a carro forte, o candidato apresenta uma fortuna estimada de R$ 50 milhões, incompatível com a atividade econômica. Há a suspeita de lavagem de dinheiro para a facção criminosa PCC.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
PCC perdeu divulgação, não a força | Viomundo - O que você não vê na mídia
PCC perdeu divulgação, não a força | Viomundo - O que você não vê na mídia![]()
Fátima Souza, repórter, autora do livro PCC, a facção, diz: “O PCC não perdeu força, ele perdeu divulgação”. Primeira parte da entrevista.
Democracia: Alckmin manda negociadores