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quinta-feira, 16 de junho de 2011

Risco de o Brasil deixar de pagar dívidas é menor do que o dos Estados Unidos, diz Mantega

Daniel Lima e Yara Aquino
Repórteres da Agência Brasil

Brasília - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje (15) que o risco de o Brasil deixar de pagar suas dívidas é menor do que o dos Estados Unidos. “Pela primeira vez na história, o risco do Brasil é menor do que o risco dos Estados Unidos”, destacou Mantega, em entrevista à imprensa depois de café da manhã com a presidenta Dilma Rousseff e os governadores de estados do Nordeste e do Norte, no Palácio do Planalto.
Mantega se referiu ao risco avaliado no mercado do Credit Default Swap (CDS), uma espécie de seguro usado por investidores como proteção contra o risco de o devedor não ter condições de quitar suas obrigações. “Então, quem tem medo de que possa haver um não cumprimento, um não pagamento, faz o seguro [CDS]”, ressaltou.
Ele lembrou que atualmente existe um volume de mais de US$ 70 trilhões nesse tipo de operação. Segundo dados divulgados por Mantega, atualmente, quando se faz um seguro sobre a dívida brasileira, paga-se menos do que no caso da dívida norte-americana.
O ministro disse ainda que está feliz com a notícia porque ela representa a solidez da economia brasileira e a confiança dos investidores sobre o Brasil. “A presidenta Dilma ficou satisfeita pelo fato de o Brasil ter um risco menor do que os EUA. Isso mostra que estamos praticando um política econômica correta”, disse.

Edição: Juliana Andrade
15/06/2011 – 13h11

Risco de o Brasil deixar de pagar dívidas é menor do que o dos Estados Unidos, diz Mantega - Age

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mantega prevê aumento de até 14% para o mínimo em 2012

BRASÍLIA – O salário mínimo poderá ter aumento “de 13% ou 14%” em 2012, sem pressionar a inflação, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Aumento do salário mínimo não é inflacionário. Tem sido absorvido pela economia”, neste e em governos anteriores, comentou ele.  Segundo Mantega, ano que vem, o salário deverá incorporar o ganho real do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, uma vez que este ano teve a influência do PIB negativo de 2009, por causa da crise financeira internacional. “Temos que ter cuidado com a Previdência, mas o déficit previdenciário está diminuindo”, por conta do aumento do emprego. “Mas é suportável, sim, dar aumento para o salário mínimo”, continuou. Ao encerrar audiência de quatro horas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro comentou que o excesso de dólares que entra no país deriva do excesso de liquidez no mercado internacional. Ele mencionou medidas que o governo tem adotado para minimizar a valorização do real, como a taxação com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Nenhuma medida está descartada. Em matéria de câmbio usaremos as medidas que forem necessárias. Os mercados são muito criativos. Você fecha uma porta, eles acham outra. Mas temos respondido, sim, fechando portas”, disse ele aos parlamentares. Mantega também comentou que a despeito da guerra cambial, “cair no protecionismo seria um retrocesso”. (Azelma Rodrigues | Valor).

maio 3rd, 2011 | Autor: Jussara Seixas

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Mantega prevê aumento de até 14% para o mínimo em 2012

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tucanos torcem pela hiper-inflação. Vão se dar mal

Saiu na capa e na pág. A3 do Valor:
O superávit fiscal do Governo está uma beleza !
“Superávit fiscal do 1º. trimestre fica perto de R$ 40 bi.”
É o dobro, o DOBRO de 2010.
É o equivalente a um terço da meta prevista para todo o ano.
Por que ?
Porque as empresas brasileiras faturam horrores:
“Com lucro das empresas em alta, arrecadação bate recorde”
A arrecadação com o lucro das empresas e o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, tudo somado, dá um aumento de 20% em relação ao  mesmo trimestre o ano assado.
Que horror !

Navalha

NAVALHA

Recomenda-se a leitura do artigo de Delfim Netto na pág. 2 de Folha (*): “Gradualismo”.
Delfim mostra que há um “otimismo exagerado” do Governo em relação à inflação.
E um “pessimismo exagerado” de alguns analistas do mercado financeiro.
(Aqui, Delfim prega uma armadilha. O que ele chama de “alguns analistas do mercado financeiro” são, também, os notáveis colonistas (**) de Economia do PiG (***), onde se destaca, como sempre, a urubóloga. Ou seja, o que os bancos pensam é o que os colonistas (**) dizem. Aliás, Delfim é autor de célebre frase – no Brasil, jornalismo de economia não é um nem outro. Depois, ele negou a autoria.)
Delfim mostra que o mercado financeiro quer um tratamento de choque.
Ou seja, juro na veia !
Corte de gastos !
Ou seja, redução de gastos para tomar dinheiro do pobre.
“Quem ‘calibra’ para reduzir o crescimento a 3% poderá acabar reduzindo-o para -1%.”
Diante desses riscos, é claro que a estratégia do Governo – cuidadosa – parece ser melhor, diz ele.
Delfim ainda não sabia provavelmente da arrecadação fulgurante do 1º. trimestre.
O que confirma a análise de Delfim: a situação fiscal – as contas do Governo – está longe de ser um desastre.
Como pintam o “mercado” e seus porta-vozes no PiG (***).
Ou seja, amigo navegante, a estratégia do PSDB vai mal.
Não vai haver hiper-inflação.
E os estádios e aeroportos ficarão prontos – apesar do IPEA.
O que sobra ao PSDB ?
O Papa, o aborto (no Chile pode) e a Chevron.
E não é pouco !

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Tucanos torcem pela hiper-inflação. Vão se dar mal - Conversa Afiada

domingo, 30 de janeiro de 2011

Salário mínimo, juros, juras e o outro lado da moeda

Publico os artigos de Quintino Severo, secretário-geral da CUT e Wagner Gomes, presidente da CTB, reproduzidos pelo Blog do Miro.
Altamiro Borges
domingo, 30 de janeiro de 2011
Mínimo de R$ 580: entre juros e juras

Reproduzo artigo de Quintino Severo, secretário-geral da CUT:
Início de governo, mobilização das centrais sindicais nas ruas, abertura de negociação. Entre juros e juras, o sindicalismo brasileiro coloca na mesa a sua pauta, reivindicada pela classe trabalhadora: manutenção da política de valorização do salário mínimo, reajuste da tabela do Imposto de Renda e aumento dos benefícios dos aposentados.
Deixando clara a nossa posição: os R$ 580 como poderoso instrumento de desenvolvimento, crescimento e expansão; a correção da tabela para que as conquistas salariais obtidas ao longo de 2010 não sejam surrupiadas pelo leão da Receita – já que a defasagem desde 1995 ultrapassa os 60%, onerando mais quem recebe menos. E mais: o aumento real para os oito milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo.
Os ventos que sopram da equipe econômica do governo embaralham o jogo, entoando uma velha e conhecida cantilena: falta de recursos, riscos inflacionários, “fazer mais com menos”. O que foi enfaticamente negado no palanque é agora afirmado, sem o mínimo pudor, abaixo dele. E a pauta dos derrotados volta como onda, amplificada pela mesma mídia que se alinhou ao demotucanato, a fim de envelhecer o novo governo. Entre vais e vens, se confirma a máxima repetida à exaustão por Frei Betto: governo é como feijão, só funciona à base de pressão..
Diante do impasse, é necessário esclarecer alguns pontos, para que eventuais equívocos, como o do ministro Guido Mantega, não se transformem num grave tropeço. Pior, em trapaça. Afinal, o eleitor votou em Dilma Rousseff para aprofundar as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e não para que sua administração se perca nos descaminhos do arrocho fiscal, do corte de investimentos públicos e do aumento real zero para o mínimo. Abdicar deste Norte, como pretendem alguns, seria como quebrar a bússola, o que em tempos de ventos especulativos e nuvens internacionais carregadas de emissão de dólares, equivaleria a condenar o barco – e sua tripulação – às agruras do rochedo neoliberal.
Mais do que uma figura de linguagem, estamos falando com a autoridade de quem contribuiu para a construção política que garantiu ao Brasil dar o passo pela opção correta: em defesa do seu próprio mercado, da manutenção de direitos, da ampliação de salários. Esta foi a receita que tornou possível ao nosso país ser um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela. Ou não?
Reconhecida como elemento chave no fortalecimento do mercado interno, a política de valorização do salário mínimo, ao elevar o poder de compra e distribuir renda, alavancou salários e empregos, criando condições para que o país não naufragasse, transformando em “marolinha” a crise financeira internacional. Ou não?
Para não nos estendermos sob as óticas em disputa, é preciso apontar a grave injustiça da política dos dois pesos e muitas medidas com que nos atacam. Com que autoridade o Executivo pode negar os R$ 580 e fazer cálculos do impacto de cada mísero real de aumento para a Receita em milhões, se o destinado ao pagamento de juros se conta na casa dos muitos bilhões de reais, se o recente aumento de 0,5% na Selic significou a não construção de 380 mil moradias? Mais juros, menos empregos. E a lógica irracional dos mais altos juros reais do mundo consome expectativas, diminui perspectivas, sinaliza inseguranças e retrações.
Com que autoridade o Legislativo pode deixar de referendar a política de valorização do salário mínimo e os R$ 580, se no último dia de votação efetiva na Câmara o plenário aprovou o projeto de aumento de 61,83% nos salários dos próprios parlamentares, que alcança a módica quantia de R$ 26.723,13? Esse é o mesmo valor do salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que serve como teto do funcionalismo público, mais de 50 vezes superior ao mínimo atual. Vale lembrar que o dinheiro que jorra para a folha do Legislativo tem a mesma fonte, que agora dizem estar seca para beneficiar a 47 milhões de pessoas que dependem do salário do mínimo.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na sua Nota Técnica 94 intitulada “Inflação e juros: é necessário mudar o rumo do debate”, lembra que “nos últimos anos, especialmente a partir de 2004, a economia brasileira cresceu num ritmo mais intenso que o das duas décadas anteriores” e que “a taxa média de crescimento dobrou em relação ao período anterior”.
Esse resultado, informa o Dieese, “esteve apoiado no aumento do valor real do salário mínimo, nos programas de transferência de renda para os mais pobres e na expansão do crédito. Nesses anos houve permanente elevação do consumo das famílias e da taxa de investimento. Contudo, a sustentação do crescimento vai depender, em grande medida, da contínua elevação dos salários reais, do consumo e do investimento doméstico”.
Que estas palavras ecoem e abram caminho para a voz das ruas – e das urnas - na mesa de negociação.

Salário mínimo: o outro lado da moeda

Reproduzo artigo de Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), publicado no sítio da Agência Sindical:
O governo da presidente Dilma Rousseff convive em seus primeiros dias com duas “verdades” que soam como absolutas, embora uma delas esteja muito distante dessa definição. A primeira mostra que é preciso cortar os gastos públicos, como forma de se conter a inflação e colocar as contas do governo federal nos eixos; a outra evoca o fato de que a política de valorização do salário mínimo foi uma das responsáveis pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, a despeito da crise internacional que ainda assombra diversos países.
Diante de tais “dogmas”, como deveria agir o governo recém-instalado no Palácio do Planalto para definir o valor do salário mínimo para 2011? Por que interromper a política iniciada durante o governo Lula? Por que a falta de diálogo com a classe trabalhadora em torno dessa questão?
A imprensa vem noticiando nos últimos dias que as centrais sindicais têm sido muito duras com o novo governo, mas não é esse o ponto crucial do debate. O fato é que a proposta de reajuste para R$ 545,00 está na contramão daquilo que foi colocado em prática – com sucesso – nos últimos anos. É frustrante acompanhar o ressurgimento da tese de que os salários deterioram as contas públicas, especialmente porque esse ideário não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma foi eleita – ao contrário, fazia parte do discurso da oposição.
Estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo. É nesse universo que está um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira, responsável pelas excelentes perspectivas para o curto, médio e longo prazos do país.
Setores do governo argumentam que o reajuste para R$ 545,00 corresponde ao valor acordado com as centrais sindicais, a partir da fórmula que utiliza a variação do Produto Interno Bruto e a inflação anual. Esse é um viés bastante discutível, pois não é essa a expectativa criada por um governo comprometido com o desenvolvimento do país. O PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva, que não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.
Essa discussão não pode ser encerrada por meio de uma medida provisória, conforme demonstra a equipe econômica do novo governo. É preciso mais diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais em geral. Se as centrais sindicais hoje pressionam por um reajuste maior do salário mínimo, isso é mero reflexo do que anseia a classe trabalhadora do país, setor que apoiou em massa a continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e viu em Dilma Rousseff a líder ideal para conduzir o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento.

Altamiro Borges: Salário mínimo: o outro lado da moeda

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Pochmann critica retorno do "ajuste fiscal"

Blog do Miro
Altamiro Borges
sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Reproduzo entrevista concecida ao jornalista Anselmo Massad, publicada na Rede Brasil Atual:
O economista Marcio Pochmann criticou a decisão do governo federal de promover corte de gastos públicos anunciada na segunda-feira (6) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega. Em entrevista à Rede Brasil Atual, o presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) sustentou que a redução da taxa de juros permitiria um alívio maior e mais rápido sobre as contas públicas sem riscos de produzir retração econômica.
Para Pochmann, o Brasil fez uma escolha política de colocar o desenvolvimento nacional como tema central. Isso significou, substituir a "monotemática que perdurou nos anos 1990 do arrocho fiscal", diz ele. A volta do discurso de que é necessário reduzir as despesas – incluindo investimentos em obras de infraestrutura do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e eventualmente de programas sociais – pode ter efeitos ruins no longo prazo.
"A questão central do Brasil diz respeito a enfrentar os nós do desenvolvimento que não são apenas de ordem fiscal", constatou o presidente do Ipea. "Questões importantes são os riscos da situação cambial e monetária que fazem o Brasil perder competitividade em setores de maior valor agregado. Assim, empurra o país a ser cada vez mais uma economia de bens primários, ancorada em produtos de menor valor agregado", criticou.
Pochmann reconheceu que há um "espaço permanente" para melhorar a qualidade dos gastos públicos e da arrecadação – abandonando o padrão regressivo em que os mais pobres pagam proporcionalmente mais tributos. Porém, ele teme cortes verticais e seus impactos sobre o nível de investimento em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Confira os principais trechos da entrevista.
Como o sr. vê a decisão anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de se promover cortes de gastos públicos?
O Brasil fez uma escolha nesta década de colocar como tema central o desenvolvimento nacional, substituindo a monotemática que perdurou nos anos 1990 do arrocho fiscal – ou ajuste fiscal. E demonstrou, a nosso modo de ver, que a busca do crescimento econômico foi fundamental para a reversão das fragilidades em termos de financas públicas. Quando o crescimento tornou-se um compromisso político, houve melhoras generalizadas, sobretudo no quadro fiscal de endividamento do setor público. Ao mesmo tempo, houve um fortalecimento dos investimentos públicos.
Isso não encerra as dificuldades de arrecadação e de gasto públicos. De um lado, pode-se melhorar a arrecadação, porque infelizmente a tributação é regressiva, são os pobres que mais impostos pagam imposto no país. De outro lado, há espaço permanente para melhorar o gasto, porque há ineficiências. Mas não me parece o mais acertado colocar o ajuste fiscal como questão central do Brasil.
Qual seria a questão central?
A questão central do Brasil diz respeito a enfrentar os nós do desenvolvimento que não são apenas de ordem fiscal. Questões importantes são os riscos da situação cambial e monetária que fazem o Brasil perder competitividade em setores de maior valor agregado. Assim, empurra o país para ser cada vez mais uma economia de bens primários, ancorada em produtos de menor valor agregado.
Mantega prometeu cortes de um modo diferente dos ajustes fiscais que frearam a economia na década de 1990, apesar de incluir obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Há algum tipo de corte que evitaria retração?
O procedimento de cortes de gastos podem ser inteligentes. Sempre há espaço para isso, não sendo um corte vertical – digamos, 10% de tudo. Há rubricas que poderiam ser limitados com um manejo mais inteligente, mas todo corte de investimento é uma dificuldade a mais para o crescimento a médio e longo prazos. Especialmente em um país cuja taxa de investimento é ridiculamente baixa, inferior a 20% (do PIB).
O Brasil precisa aumentar sua taxa de investimento (em relação ao volume do PIB), de modo que não me parece uma decisão acertada cortar investimento. Pode ajudar no curto prazo, mas comprometer no longo prazo. Em relação ao custeio, houve aumento, mas proporcionalmente ao PIB não foi significativo. Cortar o gasto social seria também um problema. Um dos êxitos do Brasil é ter colocado os investimentos sociais como indutores do próprio desenvolvimento nacional. É a distribuição da renda que fortalece a expansão do mercado interno brasileiro.
O corte de despesas e investimentos contribuiria para redução de juros?
Por que os juros são altos no Brasil? A hipótese novamente recuperada é de que há problemas de ordem fiscal que fazem com que o Brasil precise de juros mais altos para atrair recursos para pagar o déficit público. Por outro lado, toda vez em que o juros são altos, há um custo fiscal maior, que onera demasiado os títulos públicos, impondo um custo de gestão da dívida além do necessário. A experiência recente do Brasil demonstrou que ajuste fiscal nos moldes dos anos 1990 não permitiram reduzir a taxa de juros. A redução real foi feita sem esse tipo de ajuste fiscal, justamente na opção pelo crescimento da economia nacional.
Mas para definir o nível de juros, se leva em conta a inflação...
Cortar investimento é uma decisão que pode significar justamente perder uma forma de administrar a inflação. A melhor maneira de enfrentá-la é aumentar a capacidade produtiva do país. Ao cortar investimento, a capacidade cresce menos e, portanto, a possibilidade de o país continuar crescendo fica limitada.
Mas há margem para cortes de despesas públicas?
A maior eficiência do gasto público é no pagamento do serviço da dívida. A melhor forma de fazer ajuste fiscal é reduzir a taxa de juros. Assim, precisa de menos receita pública para comprometer com a dívida.
O sr. menciona o câmbio e situação monetária como questões centrais para o Brasil enfrentar. Como isso poderia ser feito?
Esse é um dos constrangimentos que os países não desenvolvidos estão vivendo. Países que não conseguem controlar sua moeda estão submetidos a essa divisão internacional do trabalho que faz com que países que manejam melhor suas moedas sejam mais competitivos em bens de maior valor agregado. Os demais sofrem um processo de valorização e tornam-se menos capazes de exportar produtos de maior valor agregados (como os industriais), permitindo competitividade apenas em setores historicamente garantidos. É um problema colocado hoje e que se manterá para os próximos anos e exigirá uma estratégia de médio e longo prazos. Parte diz respeito à própria política monetária.
Quanto maior o diferencial no Brasil em relação à taxa de juros internacional, maiores os atrativos de recursos estrangeiros virem para cá, forçando uma valorização do real. Há espaço de manejo e experiências internacionais que poderiam ser adotadas. Vizinhos como o Chile adotam mecanismos que tornam burocraticamente mais difícil a entrada e saída de capital especulativo. O Brasil tem possibilidade de incrementar a política macroeconômica com o objetivo de evitar a valorização da nossa moeda.
Por outro lado, há acertos internacionais que vão demandar mais tempo, que dizem respeito ao quadro de decadência que os Estados Unidos estão vivendo. Mas aí é a concertação internacional. Precisaria reunir mais força de países que sofrem com isso, mas há oportunidade de medidas mais ousadas no campo interno.

Altamiro Borges: Pochmann critica retorno do "ajuste fiscal"

domingo, 28 de novembro de 2010

Confronto inevitável

CartaCapital
Mino Carta 26 de novembro de 2010 às 17:29h

E quando Meirelles disse “ou ele ou eu” teria selado definitivamente o seu destino. Por Mino Carta

E quando Meirelles disse “ou ele ou eu” teria selado definitivamente o seu destino
Um velho amigo comentou dias atrás: “Ele se meteu em uma enrascada sem saída quando disse: ou ele, ou eu, como Golbery”. Bom assunto para um almoço pacato. Comparava o chefe da Casa Civil de três ditadores, Castello Branco, Geisel e Figueiredo, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se prepara a deixar seu posto para Alexandre Tombini, diligente funcionário do próprio banco do qual é o atual diretor de Normas.
O impasse para Golbery deu-se logo após a desastrada operação que resultou na tragicomédia do Riocentro, a 1º de maio de 1981. A bomba explodiu no colo do terrorista de Estado que a carregava de carro, destinava-se a provocar uma hecatombe em meio a um espetáculo musical que reunia 20 mil pessoas. Felizmente, uma apenas foi para o Além, quem sabe o Inferno, enquanto o que dirigia o veículo ficou gravemente ferido. O inspetor Clouseau não se sairia melhor.
O humor negro do episódio não haveria de abrandar a profunda irritação que tomou conta do chefe da Casa Civil de João Baptista Figueiredo. Logo depois de ser informado a respeito do evento, caminhou até o gabinete presidencial e exigiu a demissão imediata do comandante do I Exército, sediado na Vila Militar do Rio, o general Gentil Marcondes, primeiro responsável por uma missão de inauditas dimensões criminosas, da qual ele teria de estar necessariamente a par.
Na visão de Golbery, era nítido o propósito da operação fracassada, inserida em um programa de atentados em escalada, que já haviam visado bancas de jornais no Rio e em São Paulo, a sede da OAB nacional e as oficinas da Tribuna da Imprensa. Pretendia-se precipitar um clima de tensão extrema, de sorte a implodir o plano da chamada abertura e a justificar a permanência dos militares no poder. Quer dizer, depois de Figueiredo, previsto como o derradeiro ditador, viria outro da casta fardada, e ele já tinha nome, o general Octávio Medeiros, chefe do SNI e protetor do general Gentil.
Uma guerra surda eclodiu dentro do Palácio do Planalto, a cheirar cada vez mais a quartel, o comandante do I Exército ficou onde se encontrava, o inquérito sobre a tragicomédia debandou para a farsa, e foi então que Golbery impôs: ou Medeiros, ou eu. Figueiredo optou por aquele. Assim como Dilma Rousseff escolheu Mantega e, portanto, Tombini.
É o pensamento do velho amigo, também sábio. Está claro que enredo e protagonistas são bem diversos daqueles, mas a chave da compreensão da saída de Meirelles aí estaria. De todo modo, o confronto era inevitável, em um caso e noutro. Há na imprensa quem se esforce para provar que Mantega foi escolha de Lula, bem como a dos demais da equipe econômica. É do conhecimento até do mundo mineral, contudo, que, desde a composição do primeiro gabinete de Lula presidente, Meirelles foi indicado por ele, e depois, anos a fio, por ele mantido a despeito das críticas crescentes, partidas de conselheiros importantes e de largos setores do empresariado, às políticas rígidas do BC.
A autonomia do presidente do banco é reivindicação teoricamente aceitável. Assim se dá em outros países reconhecidamente democráticos, onde se enxerga o presidente do Banco Central como alto funcionário a serviço do Estado e não deste ou daquele governo, estável na função independentemente dos resultados eleitorais, personagem imanente, digamos assim, em lugar de contingente. No Brasil atual, a ideia de Meirelles é impraticável.
De fato, ou Mantega ou Meirelles. CartaCapital não se surpreendeu com a escolha final da presidente eleita, e aqui manifesta seu apreço pela decisão. E sabe que Tombini chega com o aval da presidente e do seu futuro ministro da Fazenda. No mais, é perfeitamente possível que meu velho e sábio amigo esteja certo: na hora azada, o aut-aut de Meirelles foi a gota decisiva. O mesmo amigo murmura: “É um bancário que deu certo”.

Mino Carta
Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

A maior virtude de Tombini: não é banqueiro

Conversa Afiada
Publicado em 24/11/2010

Tombini: um técnico ! Aleluia !
Saiu no Estadão:
‘É o momento adequado para encerrar a missão’, diz Meirelles
Ele confirmou que deixará a presidência do BC; fontes do governo dão como certa a nomeação de Tombini para o cargo, mas o atual dirigente alegou que ainda não há indicação oficial
24 de novembro de 2010 |
Adriana Fernandes, Célia Froufe e Fernando Nakagawa, da Agência Estado
BRASÍLIA – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou nesta quarta-feira, 24, que deixará o cargo. “Acredito que um profissional deve iniciar e concluir sua missão na hora certa”, disse ele, durante entrevista coletiva na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Meirelles lembrou que regras prudenciais aconselham que um presidente do BC não fique mais do que dois mandatos à frente da autoridade monetária, o que, no Brasil, coincide com o mandato do presidente da República. “É o momento adequado para encerrar a missão.”
Sobre Alexandre Tombini:
Gaúcho de Porto Alegre hoje com 46 anos, Tombini tomou posse como concursado no Banco Central em 1995, mas tem cargos de chefia no governo desde setembro de 1991, primeiro no Ministério da Fazenda, depois na Casa Civil e finalmente no BC.
Ao longo desse período, participou de ao menos três episódios que ajudaram a definir a atual linha de atuação do Banco Central: a implantação do Plano Real, a elaboração do sistema de metas de inflação e a regulação do sistema financeiro -este último um assunto muito em voga depois da crise internacional.
Na área acadêmica, tem graduação em economia pela Universidade de Brasília e é PhD pela de Illinois, nos Estados Unidos. Lecionou por dois anos letivos na mesma instituição em que colou grau, de 1994 a 1995.
Ele também tem passagem pela representação brasileira no Fundo Monetário Internacional (FMI), de 2001 a 2005, em Washington, EUA.
De Itamar a Lula
O papel de Tombini na implantação do Plano Real veio na forma de negociador externo. Em 1994, na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, ele reduziu restrições às importações (processo que ele herdou do governo Collor) e ajudou a costurar a Tarifa Externa Comum (TEC) dos países do Mercosul – Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
“Ele fez a ligação entre a TEC e o Plano Real”, diz um colega de ministério à época, lembrando que a abertura comercial foi “uma das pernas” do projeto de estabilização da economia.
Quatro anos mais tarde, em 1999, Tombini, no BC, desenhou o sistema de metas de inflação junto com o economista Sérgio Werlang, então diretor de Assuntos Econômicos da instituição. Foi nessa época que ele participou da formulação da estrutura regulatória do sistema financeiro que o País tem hoje.

NAVALHANavalha

Em boa hora, a presidente Dilma Rousseff restabeleceu uma tradição: presidente do Banco Central é técnico.
Não deve ser banqueiro.
Os governos do regime militar fundaram e deram, na prática, autonomia – como têm hoje – ao Banco Central.
E mandavam para lá técnicos: nunca, um banqueiro.
Denio Nogueira, Rui Leme, Ernâne Galvêas, Paulo Lira, Carlos Langoni e Affonso Pastore.
Se, depois, foram servir a banqueiros, são outros quinhentos.
Não sentaram lá na condição de banqueiros.
Como Armínio Fraga, operador do George Soros.
Como Henrique Meirelles, que chegou lá como presidente mundial do BankBoston.
E como tal se portou, em boa parte de seu governo.
Lula quase mandou Meirelles embora.
E deveria ter mandado.
Foi logo após a crise do Lehmann Brothers, quando, contra todas as indicações técnicas, Meirelles aumentou os juros.
Luiz Gonzaga Belluzzo e Alexandre Tombini quase tomaram o lugar dele.
E é uma pena que isso não tenha acontecido.
Agora, recentemente, Meirelles deu uma de Alan Greenspan, clique para ler.
Justificou que o PanAmericano tenha quebrado sob os bigodes dele, com a mesma explicação que o Greenspan deu para explicar por que não impediu a quebra dos bancos americanos: porque confiou na capacidade de auto-regulação dos acionistas controladores (rsrsrsrs).
Por alguns dias, quando deu um ultimato à Dilma (“só fico para ser independente”), Meirelles pousou – ao lado do PiG (*) – de salvador da Pátria.
O Estadão e o “mercado” chegaram a “peitar a Dilma” – clique aqui para ler.
É outro salvador da Pátria que a Dilma manda para casa (o outro o Padim Pade Cerra).
Outra revolução silenciosa da presidente Dilma Rousseff seria mandar para o Ministério das Comunicações o primeiro ministro que não fosse “assim” com Globo. Alguém que não chamasse o Senador Evandro Guimarães de “Evandro”.

Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
A maior virtude de Tombini: não é banqueiro | Conversa Afiada

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Meirelles e o BC: “mercado” peita a Dilma

Conversa Afiada
Publicado em 22/11/2010

Na foto do Bessinha, a “reportagem” do Estadão. Que fedor !

Saiu no Estadão online:

Juro futuro sobe com aposta na saída de Meirelles e inflação
Diretor de Normas do BC, Alexandre Tombini, aparece como o nome mais cotado para o cargo
Rosangela Dolis, da Agência Estado
SÃO PAULO – As projeções de juros a partir dos contratos futuros de depósito interfinanceiro (DI) negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F) ampliaram as altas no início da tarde e fecharam o pregão regular, às 16 horas, perto das máximas do dia. O movimento de alta ocorreu desde cedo e ganhou força à tarde, sempre em reação às dúvidas sobre a permanência de Henrique Meirelles na presidência do Banco Central no governo Dilma Rousseff, em meio a um cenário mostrado pela pesquisa Focus do BC da persistente elevação das expectativas de inflação no mercado financeiro.
“A leitura de uma provável saída de Meirelles é que as medidas necessárias para combater a pressão inflacionária corrente e a futura, detectada pela pesquisa Focus, podem não ser tomadas”, comentou um operador. Além disso, há a avaliação de que Dilma vai centralizar a política monetária no Planalto, e para isso já estaria prevendo desvincular em algum momento do seu governo o status de ministro do cargo de presidente do Banco Central.
(…)

NAVALHANavalha

A “reportagem” é um conjunto vazio.
1) Quem disse que os juros futuros subiram por causa da saída do Meirelles?
2) Quem disse que a alta da inflação é “persistente” ? Estamos a caminho da hiper-inflação ?
3 ) Quem é o “operador” anônimo que “comenta” ? Um operador de telemarketing ? O editor de Economia do Estadão ? Alguém “comprado” ? Alguém “vendido” ?
4) Quem disse que a Dilma vai centralizar a política monetária no Planalto ?
5) Quem disse que presidente do Banco Central tem que ser Ministro ? Isso foi uma acrobacia do Lula para livrar o Meirelles de uma grave denuncia do Ministério Público (de evasão fiscal).  O quim-dim de Iaiá do PiG (*), o Arminio Fraga não foi Ministro. E daí ?
Ou seja, trata-se de uma típica “reportagem” do PiG (*).
Não tem nada dentro.
Se tiver, cheira mal.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Meirelles e o BC: “mercado” peita a Dilma | Conversa Afiada

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Meirelles começa a carreira de colonista do PiG

Conversa Afiada
Publicado em 19/11/2010

A seleção do Globo é pior do que a do Mano Menezes

Saiu no Estadão online:
Meirelles vê risco de bolha nos ativos e excesso de crédito

Cynthia Decloedt, da Agência Estado
FRANKURT – O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse ter visto “algum risco” de bolha no preço dos ativos e excesso de liquidez no crédito, em consequência do fluxo de entrada de capital. “Estamos tratando de tais questões vigorosamente para evitar desequilíbrios domésticos e bolhas de ativos”, disse.
Meirelles previu ainda que o déficit em conta corrente do Brasil poderá ampliar-se fortemente para US$ 67 bilhões no próximo ano, de cerca de US$ 39 bilhões este ano. O comentário foi feito durante a 6ª Conferência de Bancos Centrais em Frankfurt.

Navalha

NAVALHA

Essas declarações podem ser lidas assim:
Se eu sair, a vaca vai para o brejo.
Segundo a abalizada opinião do Globo, na primeira página de hoje, Meirelles diz que só fica se tiver autonomia.
O que é uma trapaça dele ou do Globo.
Se Meirelles ficar, a Dilma fica fraca.
Se sair, fica fraco o substituto.
Ministra, Dilma foi contra o “jurismo” do Meirelles.
Mantega sempre divergiu do Meirelles.
Logo, é possível que Meirelles dance.
E começa aqui, em Frankfurt, a carreira de colonista (*) do PiG (**).
Carreira que perseguem vários ex-diretores do Banco Central do Meireles: servem ao Governo Lula, arrumam um bom emprego nos bancos e se tornam críticos ferozes da política do Governo Lula que recém ajudaram a formular.
Viva o Brasil !
Hoje, em Frankfurt, Meirelles pode ter começado a carreira de colonista (*) do Globo.
Outro que nos agredirá com um português de Word.
Na companhia da urubóloga Miriam Leitão e do medalhão Antonio Palocci.
Clique aqui para ler “Gilmar, Gaspari e Palocci, outro medalhão”.

Paulo Henrique Amorim
(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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Mantega fica para aprofundar austeridade

Conversa Afiada
Publicado em 19/11/2010

É assim que o Serra ia derrubar os juros

Claudia Safatle, na pág. A2 do Valor de hoje, expõe o programa de trabalho da presidente Dilma Rousseff, com Guido Mantega na Fazenda.
É um programa severo, como a presidente.
Enquanto o candidato do antiaborto, José Serra, dizia que ia cortar os juros “por indução”, Dilma fará, agora, com Mantega, o que tinha prometido: cortar os juros com corte de gastos.
Diz a Safatle.
Mantega terá que reduzir a dívida interna líquida para 30% do PIB até 2014.
Hoje, ela está em 41%.
Com esse aperto, ela conseguirá chegar ao fim do mandato com juros reais de 2%.
E assim, segundo Delfim Netto, tomará a melhor decisão para combater a valorização do Real: reduzir os juros.
Ou seja, a política da “indução” parece ficar restrita aos métodos do Felipão no Palmeiras.
Outro ponto que a Safatle menciona: o Governo Dilma vai passar a usar o critério do déficit “nominal” para as contas públicas, o que significa aprofundar ainda mais a austeridade.
O conceito atual – “operacional” – menospreza os juros que o Tesouro paga pela divida publica.
O déficit nominal, hoje, é de 2,36%.
E Mantega, segundo Safatle, acredita que pode zerar esse déficit antes de 2014.
Já no ano que vem, Dilma poderá anunciar que o centro da meta da inflação cairá de 4,5% para 4%.
Outro sinal de aprofundamento da austeridade.
Ou seja, o Henrique Meirelles não é hoje o que o Armínio Fraga foi em 2002.
O guardião da austeridade.
O Brasil pode viver sem o Meirelles, como viveu sem o Fraga.
(Como dispensou a “austeridade” do Palocci…)
A nova etapa da crise – o vazamento de US$ 600 bilhões – exige olhar para o varejo (IOF, quarentena) e para o atacado.
O atacado é o déficit e a queda de juros.
O resto é “indução”.
Em tempo: diz o Globo na primeira página que o Henrique Meirelles só fica se tiver autonomia. É uma trapaça do Globo. Se o Meirelles fica – o que seria desaconselhável -, a Dilma é fraca. Se o Meirelles sai, fraco é o substituto dele. São as artimanhas do Golpe.
Paulo Henrique Amorim

Mantega fica para aprofundar austeridade | Conversa Afiada

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

PiG (*) perdeu: Mantega fica. Palocci não vai para a Fazenda

Conversa Afiada
Publicado em 18/11/2010

O desenvolvimentista derrotou o colonista (**) do Globo

Saiu no UOL:

Dilma convida Mantega a ficar na Fazenda, e ele aceita
NATUZA NERY
DE BRASÍLIA
A presidente eleita, Dilma Rousseff, fez nesta quinta-feira o convite para que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, continue à frente do cargo a partir de janeiro do ano que vem, como a Folha informou hoje (íntegra somente para assinantes do jornal e do UOL).
Segundo a Folha apurou, o ministro aceitou o convite.
A conversa, inicialmente prevista para ontem, ocorreu hoje na Granja do Torto e durou cerca de duas horas e meia.
(…)

NAVALHA

NavalhaA permanência de Guido Mantega é um prêmio a uma administração bem sucedida.
Mantega comandou a Economia no Governo Lula durante o período em que houve mais crescimento e mais inclusão.
A ida de Palocci era o sonho de consumo de todas as listas do PiG (*) e especialmente da Veja.
Clique aqui para ler: “Lula não quer Palocci. E Cardozo ?”
E aqui para ler: “Gilmar, Gaspari e Palocci, outro medalhão…”
Palocci significaria um retorno à primeira fase do Governo Lula.
Foi quando Palocci e Henrique Meirelles, presidente do BankBoston, avalizavam o presidente temido pelo Mercado e satanizado pelo Novo Messias, José Serra, na campanha de 2002.
Palocci e Meirelles eram um FHC light.
Mantega e Dilma foram os ministros que com Carlos Lessa, no BNDES, mais criticaram a dupla neoliberal de esquerda.
No meio da tempestade da desvalorização do dólar seria um risco tirar o Mantega, que liderou a política anti-cíclica do Governo Lula, e botar no lugar o Palocci que, segundo as colunas que escreve no Globo, parece concordar com a colega Miriam Leitão.
Dilma 1 x 0 PiG (*).
Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (*) que combatem na milícia para derrubar o presidente Lula. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

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terça-feira, 16 de novembro de 2010

G-20 dá aval para país controlar entrada de dólares especulativos

Viomundo - O que você não vê na mídia
16 de novembro de 2010 às 11:05

12/11/2010 -

Brasil pressionou por introdução de cláusula, mas, até agora, só elevou IOF

do Monitor Mercantil

O comunicado assinado pelos líderes do G20 admite o uso de controle de capitais por países emergentes que enfrentem a valorização indesejada de suas moedas em razão do aumento do fluxo de recursos externos, exatamente o caso do Brasil.
O dispositivo foi incluído por pressão da delegação brasileira, com a intenção de legitimar medidas defensivas que começaram a ser adotadas pelo governo mês passado e que podem ser ampliadas, caso a pressão pela alta do real continue.
“Isso é absolutamente inédito”, celebrou o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, após a conclusão da cúpula.
A expressão controle de capitais, porém, não consta do texto, no qual foi substituída pelo eufemismo “medidas macroprudenciais”.
Mas, na prática, o efeito é o mesmo: permitir que países levantem barreiras contra a entrada indesejada de capital externo, especialmente o de caráter especulativo.
A medida defensiva tem o objetivo de amenizar a apreciação da moeda local e impedir que surjam “bolhas”, em razão da alta artificial do preço de ações ou commodities.
Até pouco tempo, o uso de controle de capitais era um anátema para o pensamento único que controla a economia internacional. Enquanto vários analistas progressistas ouvidos pelo MM nos últimos anos recomendavam esse caminho, os neoliberais insistiam em defender o fim das barreiras para o fluxo de recursos.
A situação começou a mudar, porém, após a crise asiática de 1997. Com a crise de 2008, que foi seguida, este ano, pelo aumento da liquidez internacional, com a consequente valorização das moedas dos países emergentes, cresce a pressão pelo controle de capitais.
Enquanto o Brasil lançou mão de medidas cosméticas, com o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre aplicações de estrangeiros em renda fixa, outros países já controlam a entrada de dólares especulativos.

G-20 dá aval para país controlar entrada de dólares especulativos | Viomundo - O que você não vê na mídia

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O G20 contra a guerra cambial

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, sex, 12/11/2010 - 07:59

Mantega: líderes comprometem-se em não agravar desequilíbrio econômico | Valor Online

Agência Brasil
SEUL – Os líderes políticos mundiais se comprometeram hoje a buscar soluções para acabar com a guerra cambial e evitar o agravamento do desequilíbrio da economia. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, alertou, porém, que a crise não acabou, mas que as negociações feitas durante a Cúpula do G-20 (que reúne as maiores economias do mundo) avançaram. Mantega advertiu que a política do "salve-se quem puder" é contraproducente.
“A guerra cambial [não acabou]. Mas a partir deste documento [definido hoje nas reuniões da cúpula], poderemos usar instrumentos para acabar com essa guerra. Esta política do 'salve-se quem puder' acaba sendo contraproducente. É melhor recuar [muitas vezes] e não permitir que a guerra vá adiante”, disse o ministro ao fazer um balanço sobre o G-20.

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva, Barack Obama, dos Estados Unidos, Hu Jintao, da China, entre outros líderes mundiais, como a primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, assinaram o documento final da cúpula com uma série de compromissos. Um deles é que, no próximo semestre, será apresentada uma espécie de balanço econômico de cada país. De acordo com Mantega, inicialmente a China resistiu à ideia.
“Quando for feito o monitoramento das transações correntes, a questão cambial também vai ser analisada”, afirmou o ministro. Mantega disse ainda que houve “amplo entendimento” entre os países. “Há um esforço em buscar o desenvolvimento mundial. A cúpula coloca recomendações para que caminhemos nessa direção, principalmente na questão do desequilíbrio de moedas e câmbio”, disse.
O ministro destacou que, na reunião do próximo semestre, serão apresentadas propostas sobre eventuais medidas que devem ser adotadas para evitar o desequilíbrio global. “Os ministros das Finanças deverão sugerir, até o fim do primeiro semestre de 2011, as medidas que devem ser adotadas para evitar o desequilíbrio. Os chineses queriam um prazo maior”, acrescentou.
(Agência Brasil)
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