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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Kassab oferece 0,02% ao funcionalismo

Para sindicato da categoria, prefeito burla Constituição na “cara dura”

Por: Suzana Vier, Rede Brasil Atual

Publicado em 23/04/2012, 15:10

Última atualização em 24/04/2012, 08:44

Kassab oferece 0,02% ao funcionalismoGilberto Kassab usa "cara-dura" para propor reajuste ao funcionalismo e provoca trabalhadores (Foto: CC/Robson Fonseca/Flickr)
São Paulo – Projeto de lei encaminhado pelo prefeito Gilberto Kassab (PSD) à Câmara Municipal de São Paulo reajusta o salário do funcionalismo público municipal em 0,01% retroativo a maio de 2011 e mais 0,01% a partir de maio de 2012, chegando a 0,02%. O PL 155/2012 foi publicado noDiário Oficial da Cidade na quinta-feira (19). Segundo ofício do prefeito, os índices propostos se justificam em virtude de medidas de “valorização dos servidores públicos municipais” em 2010 e 2011.

Para o secretário de Assuntos Jurídicos do Sindicato dos Trabalhadores na Administração Pública e Autarquias do município de São Paulo (Sindisep), João Batista Gomes, o governo municipal “burla na cara dura o artigo 37 da Constituição Federal, que exige reajuste salarial anual”. “Em 2011 não houve reajuste salarial e ele quer propor agora 0,01% para aquele ano e o mesmo percentual para 2012, diante de perdas que já chegam a 47%”, disse. A data-base da categoria é 1º de maio.

Segundo Gomes, as medidas citadas por Kassab como valorização de algumas categorias, “dizem respeito a anos passados, foram pontuais, sem atender ao conjunto dos trabalhadores, e excluem os aposentados”.

Após reunião na tarde de hoje (23), o Sindsep decidiu enviar carta aos vereadores paulistanos cobrando no mínimo a reposição da inflação de 2011 e 2012, pelo ICV (Índice do Custo de Vida) do Dieese: 7,33% referente ao período de maio de 2010 a abril de 2011 e 5%, previsto para o período seguinte até abril de 2012, que ainda não está fechado.

O projeto de lei de revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos municipais será avaliado pelas comissões permanentes da Casa Legislativa da capital paulista e passará por duas votações até a sanção pelo prefeito.

SINDSEP EXIGE, NO MÍNIMO, A REPOSIÇÃO DA INFLAÇÃO ANUAL

Do site do SINDSEP

Publicado quarta-feira, 25 de abril de 2012

O Sindsep protocolou nesta tarde oficio aos vereadores de São Paulo (clique aqui para ver o ofício) sobre o Projeto de Lei 0155/2012. O projeto traz o famigerado reajuste de 0,01% a partir de maio de 2011 e 0,01% a partir de maio de 2012.
UMA PROVOCAÇÃO!
Uma comissão de diretores participou da reunião de líderes dos partidos, presidida pelo Presidente Police Neto, o oficio foi distribuido aos vereadores e o Presidente Police Neto se comprometeu que na proxima reunião (pois nessa não havia tempo por conta do inicio da sessão) que o Sindsep terá um espaço para apresentar seu pleito, o que foi acatado por todos os lideres presentes.
O Sindsep entende que como até o momento o governo não se digna a responder a nossa pauta de reivindicação protocolada em 20/01/2012, mas envia esse PL para Câmara, o que resta é a alternativa de tentar uma emenda, um substitutivo que garanta no mínimo a inflação de 2011 e de 2012. Nossas perdas são 47% mas como a lei eleitoral impede reajustes acima da inflação  a partir de agora, o Sindsep apresenta a proposta de, no mínimo, a reposição da inflação deste período.
Foi acertado ainda que será realizada audiência pública para discutir o PL 155/2012 e que será convocado o Secretário de Planejamento Rubens Chammas que se comprometeu em montar comissão para mudar a atual lei salarial e até agora nada aconteceu.
Fique de olho, envie e-mails, telefone para os vereadores pedindo que acatem a emenda ou substitutivo e fique atento, pois o Sindsep fará convocação para lotarmos a Câmara Municipal.
Continuaremos percorrendo os gabinetes para protocolar o ofício com todos os vereadores.

sábado, 11 de junho de 2011

Reajuste no funcionalismo: análise no STF é suspensa

O voto do do ministro Marco Aurélio (leia) reconhece aos autores, o direito de indenização pelo não recebimento de revisão geral anual de vencimentos. Conforme os advogados dos servidores de São Paulo, ao não corrigir salários pela inflação anual, há descumprimento da Constituição. O procurador do Estado de São Paulo, em defesa da administração paulista, afirma que garantir direito a indenização, seria como aprovar a revisão de salários por meio judicial. Segundo o ministro Marco Aurélio, há desprezo do executivo para com o comando constitucional, e pela omissão, o estado deve indenizar, pois se o estado não agiu, responde pela “incúria, pela deficiência ou ineficiência”. A ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha pediu vista dos autos.

Notícias STF
Quinta-feira, 09 de junho de 2011

Análise de indenização por falta de revisão anual em vencimentos é suspensa

Após o voto do ministro Marco Aurélio (leia a íntegra) reconhecendo o direito de os autores do Recurso Extraordinário (RE) 565089 serem indenizados por não terem recebido revisão geral anual em seus vencimentos, a ministra Cármen Lúcia Antunes Rocha pediu vista dos autos. O julgamento do recurso teve início nesta quinta-feira (9), no Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF).
No recurso, os autores – servidores públicos civis de São Paulo – afirmam que não buscam obter, na justiça, qualquer espécie de reajuste ou aumento nos vencimentos, mas apenas uma indenização pelas perdas inflacionárias sofridas nos últimos anos, por conta da omissão do Estado de São Paulo, que, desrespeitando o disposto no artigo 37, inciso X, da Constituição Federal, não concedeu a revisão geral anual para os servidores públicos estaduais. No RE, os autores lembram que o STF já reconheceu, no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2492, a mora legislativa do governo paulista sobre o tema, o que seria bastante para caracterizar a omissão, fazendo surgir daí a obrigação de indenizar.
Durante o julgamento, além do advogado dos autores do RE e do procurador do Estado de São Paulo, falaram como interessados a Associação Nacional de Defesa dos servidores Públicos (Andesp), a Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) e o Sindicato dos Policiais Federais no Estado de Santa Catarina (Sinpofesc).
As manifestações convergiram para o mesmo ponto: de que a revisão geral anual é um direito do servidor público, que tem como intuito corrigir monetariamente os vencimentos, evitando a corrosão do seu valor de compra pela inflação. A lógica da revisão é de que o servidor tenha garantia de que ao menos poderá comprar o mesmo numero de carrinhos de supermercado que comprava no ano anterior, exemplificou o advogado dos autores.
De acordo com o advogado dos recorrentes, se não for reconhecido direito a indenização por conta da não aplicação da revisão anual, estará se homenageando quem dolosamente descumpre carta da República.
Para mostrar a importância do tema, ele fez menção ao caso dos mais de 400 bombeiros militares, aquartelados no Rio de Janeiro, que estariam exatamente lutando para terem direito à revisão geral anual.

São Paulo
O procurador do Estado de São Paulo disse que, no seu entender, afirmar que a não aplicação da revisão geraria direito a indenização, seria como aprovar a própria revisão, por meio judicial, o que não seria possível. De acordo com ele, a revisão tem que ser remetida à lei, senão estaria se criando uma espécie de reajuste automático, com base em índices oficiais. Para o procurador, isso traria prejuízo para todos, tanto para administração quanto para os próprios recorrentes.

Voto do relator
Em seu voto, o ministro Marco Aurélio ressaltou que os autores do recurso não buscavam nenhuma forma de ganhar aumentos. Buscam, apenas, a indenização pelo descumprimento de um dever jurídico, de um comando constitucional, pelo Estado de São Paulo, explicou.
Segundo o ministro, a revisão geral anual está assegurada na Carta Política, no artigo 37, X. Para ele, correção monetária não é ganho, nem lucro, nem vantagem. O reajuste, disse o ministro, é um componente essencial do contrato do servidor com a administração pública. Além disso, é uma forma de resguardar os vencimentos dos efeitos perversos da inflação.
Assim, nem mesmo a alegação de eventual impacto financeiro negativo nas contas públicas justificaria a inobservância do dispositivo constante do artigo 37, X, da Constituição, asseverou o ministro Marco Aurélio.

Comando e sanção
Ao tratar da possibilidade de indenização, o ministro explicou que, enquanto o comando diz o que se deve fazer, a sanção diz o que acontece se o comando não for respeitado. Comando e sanção, no entender do ministro, são inseparáveis.
Para o ministro Marco Aurélio, o quadro demonstra desprezo do executivo para com o comando constitucional, quanto ao que garantido aos servidores públicos. Havendo omissão, disse, o estado deve indenizar quando demonstrado que, existindo obrigação de agir, e possibilidade de evitar lesão, ocorreu fato danoso. Se o estado não agiu, disse o ministro, responde pela incúria, pela deficiência ou ineficiência.
Afirmando entender que o Estado de São Paulo solapou direito dos servidores públicos ao negar a revisão geral anual, o ministro votou pela procedência do pedido, impondo ao Estado de São Paulo o dever de indenizar os autores do recurso.

MB/AD

sexta-feira, 10 de junho de 2011

STF pode garantir reajustes anuais ao funcionalismo

  Folha
O STF iniciou nesta quinta (9) o julgamento de uma ação que pode resultar na garantia de reajustes anuais para servidores federais, estaduais e municipais.
Relator do processo, o ministro Marco Aurélio Mello reconheceu o direito do funcionalismo à reposição das perdas impostas pela inflação.
Disse que a correção monetária anual dos contracheques dos servidores públicos está prevista no inciso 10o do artigo 37 da Constituição.
A despeito disso, realçou o ministro, estabeleceu-se um “círculo vicioso” nas esferas “federal, estadual e municipal”.
No dizer do ministro, os governantes mantêm “os olhos fechados” para o texto constitucional, descumprindo-o.
A ação é movida por servidores públicos de São Paulo. Está submetida, porém, ao princípio da “repercussão geral”.
Significa dizer que a decisão do Supremo valerá para todos os servidores do país, inclusive os do Poder Judiciário. Coisa de 10 milhões de pessoas.
O julgamento não foi concluído porque a ministra Cármen Lucia, primeira a se pronunciar depois da leitura do voto do relator, pediu vista dos autos.
Os servidores de São Paulo, Estado governado pelo PSDB há 16 anos, reivindicam no STF uma indenização pelos reajustes que não receberam nos últimos anos.
Marco Aurélio não se limitou a deferir o pedido. Decidiu que a indenização terá de ser paga com juros e correção monetária.
Para ele, ao sonegar ao funcionalismo a reposição dos indices de inflação, o Poder Público aufere “vantagem indevida”.
Algo que, diante do poderio do Estado, aproxima-se do “facismo”. O ministro acrescentou:
“Não se pode adotar entendimento que implique supremacia absoluta do Estado, em conflito com o regime democrático e republicano”.
O Judiciário não tem poderes para obrigar União, Estados e municípios a conceder reajustes salariais.
Porém, o ministro fez uma distinção entre reajuste e reposição inflacionária.
“Correção monetária não é acréscimo, não é ganho, é mera reposição com o escopo de preservar o valor” do salário, disse ele.
Marco Aurélio serviu-se de emenda aprovada sob FHC para justificar a concessão do pedido feito pelos servidores do Estado governado pelo tucano Geraldo Alckmin.
Lembrou que a redação do inciso 10o do artigo 37 da Constituição, que prevê os reajustes anuais, foi fixada por uma reforma administrativa de 1998.
O ministro reproduziu trecho da justificativa enviada ao Legislativo por Clóvis Carvalho, à época o chefe da Casa Civil de Fernando Henrique Cardoso.
O auxiliar de FHC escreveu que os objetivos da reforma eram: “recuperar o respeito e a imagem do servidor público perante a sociedade; estimular o desenvolvimento profissional dos servidores e; por fim, melhorar as condições de trabalho”.
E Marco Aurélio: “Vê-se, então, que a reforma administrativa veio para melhorar as condições do servidor”. Daí a sua interpretação do texto constitucional.
O julgamento será retomado quando Cármen Lucia devolver o processo ao plenário do Supremo. Não há, por ora, data prevista.
- Serviço: Aqui, a íntegra do voto de Marco Aurélio Mello.
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Escrito por Josias de Souza às 06h01

Folha Online - Blogs - Josias de Souza

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Delfim: Dilma controlou a inflação. Procura-se outro Golpe

Saiu na Agência Brasil:

Inflação está sob controle, diz Delfim Netto
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O economista e ex-Ministro da Fazenda Antônio Delfim Netto disse hoje (9), em São Paulo, que o Brasil não corre o risco de perder o controle da inflação. Segundo Delfim, a inflação para este ano não passará de 6%. “Acho que vamos chegar ao final do ano com uma inflação de 5,5% ou 5,7%”.
“Sou um crente. Não se pode provar nada disso: nem que ele (governo) vá perder o controle, nem que ele vai ganhar o controle. O comportamento dele é óbvio, ele está agindo com todos os instrumentos que tem para trazer a inflação para a meta”, disse Delfim.
Para o economista, a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de ajustar a taxa básica de juros (Selic) para 12,25% ao ano foi correta. “Os juros altos são simplesmente um processo de defesa. Os juros reais no Brasil são muito altos e os instrumentos que eles dispõem são esses: medidas macroprudenciais e juros”. Durante sua palestra, Delfim chamou os juros altos do Brasil de “escândalo”.
Segundo ele, o problema na economia do país é o da eficiência no setor público. “O que atrapalha o Brasil são os enormes gastos do governo”, criticou. “É, portanto, um problema de gestão. Isso é o que é o mais importante. A presidenta Dilma entendeu isso e vem insistindo na ideia de recuperar a gestão”.
Delfim também defendeu a ministra do Planejamento. “A ministra Miriam Belchior também é outro grande avanço. São profissionais, não tem ideologia nenhuma e, se tiveram no passado, isso morreu. Hoje estão em busca de eficácia”.

Delfim- Dilma controlou a inflação. Procura-se outro Golpe - Conversa Afiadaimage

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Acabou a crise da inflação. Como o PiG (*) vai derrubar a Dilma ?

E ainda tinha a urubóloga

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Saiu no Estadão online a informação da Agência Nacional de Petróleo sobre a queda do preço do etanol em todo País.

Em São Paulo, quartel general do PiG (*), o etanol no mês caiu 4%.
Já de manhã, a pesquisa Focus do Banco Central indica que a expectativa do “mercado” para a inflação cai há três semanas.
E olha que o “mercado”, ou seja, os economistas das maiores instituições financeiras do País que participam da Focus, costuma chutar a inflação para cima e forçar o Banco Central a elevar os juros.
Isso deu certo quando o presidente do BankBoston, Henrique Meirelles, acumulava a função de presidente do Banco Central.
Hoje, não há ninguém do “mercado” na diretoria do Banco Central.
A pirueta da pesquisa Focus hoje faz menos efeito.
Como o PiG (*) tentará derrubar a Dilma, sem a crise da hiperinflação ?
Os filhos do Roberto Marinho já trataram de “matá-la” na capa da revista Época.
Sobra agora o Tony Palocci que, a cada dia, solapa a estabilidade e a credibilidade da Presidenta.
Mas, por motivos óbvios, o PiG (*) bate leve no Palocci.
Tão leve quanto bate no Ricardo Teixeira.
Paulo Henrique Amorim
(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

Acabou a crise da inflação. Como o PiG (-) vai derrubar a Dilma - - Conversa Afiada

terça-feira, 24 de maio de 2011

Inflação menor pela 3ª semana

A previsão da Globo era outra!

Mercado reduz previsão de inflação pela 3ª semana, aponta Focus

O mercado reduziu pela terceira vez consecutiva a previsão para a inflação oficial neste ano –o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo)–, passando de 6,31%, na semana passada, para 6,27% nesta segunda-feira. Para 2012, a projeção de inflação se manteve inalterada em 5%.

As informações são do boletim Focus divulgado pelo BC nesta segunda-feira.

maio 24th, 2011 | Autor: Jussara Seixas
Mercado reduz previsão de inflação pela 3ª semana, aponta Focus

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terça-feira, 3 de maio de 2011

Mantega prevê aumento de até 14% para o mínimo em 2012

BRASÍLIA – O salário mínimo poderá ter aumento “de 13% ou 14%” em 2012, sem pressionar a inflação, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega. “Aumento do salário mínimo não é inflacionário. Tem sido absorvido pela economia”, neste e em governos anteriores, comentou ele.  Segundo Mantega, ano que vem, o salário deverá incorporar o ganho real do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2010, uma vez que este ano teve a influência do PIB negativo de 2009, por causa da crise financeira internacional. “Temos que ter cuidado com a Previdência, mas o déficit previdenciário está diminuindo”, por conta do aumento do emprego. “Mas é suportável, sim, dar aumento para o salário mínimo”, continuou. Ao encerrar audiência de quatro horas na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o ministro comentou que o excesso de dólares que entra no país deriva do excesso de liquidez no mercado internacional. Ele mencionou medidas que o governo tem adotado para minimizar a valorização do real, como a taxação com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). “Nenhuma medida está descartada. Em matéria de câmbio usaremos as medidas que forem necessárias. Os mercados são muito criativos. Você fecha uma porta, eles acham outra. Mas temos respondido, sim, fechando portas”, disse ele aos parlamentares. Mantega também comentou que a despeito da guerra cambial, “cair no protecionismo seria um retrocesso”. (Azelma Rodrigues | Valor).

maio 3rd, 2011 | Autor: Jussara Seixas

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Mantega prevê aumento de até 14% para o mínimo em 2012

A inflação não vai voltar. É tudo terrorismo dos bancos e do PiG

O "processo civilizatório" chega a Suape. (O Agnelli civiliza na China !)

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Os bancos e seus Navy Seals no PiG (*) desencadearam (como diria a manchete de hoje da Folha(**) ) uma ofensiva contra o Banco Central.
Como sabe, pela primeira vez em muitos anos a diretoria do Banco Central da Presidenta não tem nenhum banqueiro.
O Banco Central sem banqueiro anunciou que vai combater a inflação – baixa, para padrões internacionais – com juros, a longo prazo, e com medidas que hoje se chamam de “macro-prudenciais”.
Por exemplo, controlar o volume do credito disponível, reduzir a alavancagem – coisas de que os Medici, em Florença, já conheciam.
Porém, isso se conflita com a Teologia Neoliberal, que prega juro na veia !
A Teologia dos bancos e seus Navy Seals, que pregam na televisão do PiG – tevê aberta, especialmente muito cedo ou na alta madrugada (que ninguém vê), e na fechada (que ninguém vê).
Hoje, no Valor, na pág. A2, Delfim Netto que, enquanto dorme entende mais de Economia do que todos os Teólogos e seus Navy Seals acordados, trata da estratégia do Governo e do Banco Central para combater a inflação.
Ele enfatiza:
- o Banco Central vai ajustar os juros de forma “suficientemente prolongada”, o que deve angustiar os banqueiros e seus diretores, de olho nos bônus gordos;
- os números do Orçamento indicam que o Governo vai MESMO controlar as despesas de custeio;
(Logo, as despesas de investimento, como as obras do PAC – a conclusão da Norte-Sul e da Transnordestina – ou o dinheiro do Bolsa Família e do Pronatec, nisso não se toca ! Pobre vai ter qualificação – que horror !)
- Delfim desconfia que ocorra hoje no Brasil uma mudança importante no mercado de trabalho. Um horror !, amigo navegante ! Os salários aumentaram porque aumentou a demanda de mão de obra. Um horror ! Assim não dá !
São aqueles filhos de cortadores de cana e de pescadores que foram para escola técnica e hoje trabalham nos estaleiros de Suape, em Pernambuco.
Um horror !
- “… a mudança na estrutura da oferta e da demanda de mão de obra produzidas pelo processo civilizatório que estamos vivendo … não pode ser corrigida apenas pela taxa de juros, ” explica Delfim, de forma mais educada.
Ou seja, amigo navegante, o “processo civilizatório” – que deu comida, alimentação, qualificação e salário aos pobres – tem que ser interrompido.
Com um choque de juros.
Para derrubar a economia.
E arrochar o salário.
É a Teologia Neoliberal dos bancos e seus Navy Seals do PiG (*).
Tchurma que perdeu as três últimas eleições.
Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

A inflação não vai voltar. É tudo terrorismo dos bancos e do PiG - Conversa Afiada

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Tucanos torcem pela hiper-inflação. Vão se dar mal

Saiu na capa e na pág. A3 do Valor:
O superávit fiscal do Governo está uma beleza !
“Superávit fiscal do 1º. trimestre fica perto de R$ 40 bi.”
É o dobro, o DOBRO de 2010.
É o equivalente a um terço da meta prevista para todo o ano.
Por que ?
Porque as empresas brasileiras faturam horrores:
“Com lucro das empresas em alta, arrecadação bate recorde”
A arrecadação com o lucro das empresas e o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, tudo somado, dá um aumento de 20% em relação ao  mesmo trimestre o ano assado.
Que horror !

Navalha

NAVALHA

Recomenda-se a leitura do artigo de Delfim Netto na pág. 2 de Folha (*): “Gradualismo”.
Delfim mostra que há um “otimismo exagerado” do Governo em relação à inflação.
E um “pessimismo exagerado” de alguns analistas do mercado financeiro.
(Aqui, Delfim prega uma armadilha. O que ele chama de “alguns analistas do mercado financeiro” são, também, os notáveis colonistas (**) de Economia do PiG (***), onde se destaca, como sempre, a urubóloga. Ou seja, o que os bancos pensam é o que os colonistas (**) dizem. Aliás, Delfim é autor de célebre frase – no Brasil, jornalismo de economia não é um nem outro. Depois, ele negou a autoria.)
Delfim mostra que o mercado financeiro quer um tratamento de choque.
Ou seja, juro na veia !
Corte de gastos !
Ou seja, redução de gastos para tomar dinheiro do pobre.
“Quem ‘calibra’ para reduzir o crescimento a 3% poderá acabar reduzindo-o para -1%.”
Diante desses riscos, é claro que a estratégia do Governo – cuidadosa – parece ser melhor, diz ele.
Delfim ainda não sabia provavelmente da arrecadação fulgurante do 1º. trimestre.
O que confirma a análise de Delfim: a situação fiscal – as contas do Governo – está longe de ser um desastre.
Como pintam o “mercado” e seus porta-vozes no PiG (***).
Ou seja, amigo navegante, a estratégia do PSDB vai mal.
Não vai haver hiper-inflação.
E os estádios e aeroportos ficarão prontos – apesar do IPEA.
O que sobra ao PSDB ?
O Papa, o aborto (no Chile pode) e a Chevron.
E não é pouco !

Paulo Henrique Amorim

(*) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é,  porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.
(**) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (***) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.
(***) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.
Tucanos torcem pela hiper-inflação. Vão se dar mal - Conversa Afiada

domingo, 30 de janeiro de 2011

Salário mínimo, juros, juras e o outro lado da moeda

Publico os artigos de Quintino Severo, secretário-geral da CUT e Wagner Gomes, presidente da CTB, reproduzidos pelo Blog do Miro.
Altamiro Borges
domingo, 30 de janeiro de 2011
Mínimo de R$ 580: entre juros e juras

Reproduzo artigo de Quintino Severo, secretário-geral da CUT:
Início de governo, mobilização das centrais sindicais nas ruas, abertura de negociação. Entre juros e juras, o sindicalismo brasileiro coloca na mesa a sua pauta, reivindicada pela classe trabalhadora: manutenção da política de valorização do salário mínimo, reajuste da tabela do Imposto de Renda e aumento dos benefícios dos aposentados.
Deixando clara a nossa posição: os R$ 580 como poderoso instrumento de desenvolvimento, crescimento e expansão; a correção da tabela para que as conquistas salariais obtidas ao longo de 2010 não sejam surrupiadas pelo leão da Receita – já que a defasagem desde 1995 ultrapassa os 60%, onerando mais quem recebe menos. E mais: o aumento real para os oito milhões de aposentados e pensionistas que ganham acima do mínimo.
Os ventos que sopram da equipe econômica do governo embaralham o jogo, entoando uma velha e conhecida cantilena: falta de recursos, riscos inflacionários, “fazer mais com menos”. O que foi enfaticamente negado no palanque é agora afirmado, sem o mínimo pudor, abaixo dele. E a pauta dos derrotados volta como onda, amplificada pela mesma mídia que se alinhou ao demotucanato, a fim de envelhecer o novo governo. Entre vais e vens, se confirma a máxima repetida à exaustão por Frei Betto: governo é como feijão, só funciona à base de pressão..
Diante do impasse, é necessário esclarecer alguns pontos, para que eventuais equívocos, como o do ministro Guido Mantega, não se transformem num grave tropeço. Pior, em trapaça. Afinal, o eleitor votou em Dilma Rousseff para aprofundar as mudanças iniciadas pelo presidente Lula e não para que sua administração se perca nos descaminhos do arrocho fiscal, do corte de investimentos públicos e do aumento real zero para o mínimo. Abdicar deste Norte, como pretendem alguns, seria como quebrar a bússola, o que em tempos de ventos especulativos e nuvens internacionais carregadas de emissão de dólares, equivaleria a condenar o barco – e sua tripulação – às agruras do rochedo neoliberal.
Mais do que uma figura de linguagem, estamos falando com a autoridade de quem contribuiu para a construção política que garantiu ao Brasil dar o passo pela opção correta: em defesa do seu próprio mercado, da manutenção de direitos, da ampliação de salários. Esta foi a receita que tornou possível ao nosso país ser um dos últimos a entrar na crise e um dos primeiros a sair dela. Ou não?
Reconhecida como elemento chave no fortalecimento do mercado interno, a política de valorização do salário mínimo, ao elevar o poder de compra e distribuir renda, alavancou salários e empregos, criando condições para que o país não naufragasse, transformando em “marolinha” a crise financeira internacional. Ou não?
Para não nos estendermos sob as óticas em disputa, é preciso apontar a grave injustiça da política dos dois pesos e muitas medidas com que nos atacam. Com que autoridade o Executivo pode negar os R$ 580 e fazer cálculos do impacto de cada mísero real de aumento para a Receita em milhões, se o destinado ao pagamento de juros se conta na casa dos muitos bilhões de reais, se o recente aumento de 0,5% na Selic significou a não construção de 380 mil moradias? Mais juros, menos empregos. E a lógica irracional dos mais altos juros reais do mundo consome expectativas, diminui perspectivas, sinaliza inseguranças e retrações.
Com que autoridade o Legislativo pode deixar de referendar a política de valorização do salário mínimo e os R$ 580, se no último dia de votação efetiva na Câmara o plenário aprovou o projeto de aumento de 61,83% nos salários dos próprios parlamentares, que alcança a módica quantia de R$ 26.723,13? Esse é o mesmo valor do salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), que serve como teto do funcionalismo público, mais de 50 vezes superior ao mínimo atual. Vale lembrar que o dinheiro que jorra para a folha do Legislativo tem a mesma fonte, que agora dizem estar seca para beneficiar a 47 milhões de pessoas que dependem do salário do mínimo.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), na sua Nota Técnica 94 intitulada “Inflação e juros: é necessário mudar o rumo do debate”, lembra que “nos últimos anos, especialmente a partir de 2004, a economia brasileira cresceu num ritmo mais intenso que o das duas décadas anteriores” e que “a taxa média de crescimento dobrou em relação ao período anterior”.
Esse resultado, informa o Dieese, “esteve apoiado no aumento do valor real do salário mínimo, nos programas de transferência de renda para os mais pobres e na expansão do crédito. Nesses anos houve permanente elevação do consumo das famílias e da taxa de investimento. Contudo, a sustentação do crescimento vai depender, em grande medida, da contínua elevação dos salários reais, do consumo e do investimento doméstico”.
Que estas palavras ecoem e abram caminho para a voz das ruas – e das urnas - na mesa de negociação.

Salário mínimo: o outro lado da moeda

Reproduzo artigo de Wagner Gomes, presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), publicado no sítio da Agência Sindical:
O governo da presidente Dilma Rousseff convive em seus primeiros dias com duas “verdades” que soam como absolutas, embora uma delas esteja muito distante dessa definição. A primeira mostra que é preciso cortar os gastos públicos, como forma de se conter a inflação e colocar as contas do governo federal nos eixos; a outra evoca o fato de que a política de valorização do salário mínimo foi uma das responsáveis pelo bom momento econômico vivido pelo Brasil, a despeito da crise internacional que ainda assombra diversos países.
Diante de tais “dogmas”, como deveria agir o governo recém-instalado no Palácio do Planalto para definir o valor do salário mínimo para 2011? Por que interromper a política iniciada durante o governo Lula? Por que a falta de diálogo com a classe trabalhadora em torno dessa questão?
A imprensa vem noticiando nos últimos dias que as centrais sindicais têm sido muito duras com o novo governo, mas não é esse o ponto crucial do debate. O fato é que a proposta de reajuste para R$ 545,00 está na contramão daquilo que foi colocado em prática – com sucesso – nos últimos anos. É frustrante acompanhar o ressurgimento da tese de que os salários deterioram as contas públicas, especialmente porque esse ideário não fez parte do programa com o qual a presidente Dilma foi eleita – ao contrário, fazia parte do discurso da oposição.
Estudos do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) demonstram que 47 milhões de pessoas são diretamente beneficiadas pelo aumento do salário mínimo. É nesse universo que está um dos principais pilares de sustentação do crescimento da economia brasileira, responsável pelas excelentes perspectivas para o curto, médio e longo prazos do país.
Setores do governo argumentam que o reajuste para R$ 545,00 corresponde ao valor acordado com as centrais sindicais, a partir da fórmula que utiliza a variação do Produto Interno Bruto e a inflação anual. Esse é um viés bastante discutível, pois não é essa a expectativa criada por um governo comprometido com o desenvolvimento do país. O PIB negativo de 2009 foi um ponto fora da curva, que não pode servir de pretexto para interromper o ciclo de crescimento real dos salários.
Essa discussão não pode ser encerrada por meio de uma medida provisória, conforme demonstra a equipe econômica do novo governo. É preciso mais diálogo com a sociedade e com os movimentos sociais em geral. Se as centrais sindicais hoje pressionam por um reajuste maior do salário mínimo, isso é mero reflexo do que anseia a classe trabalhadora do país, setor que apoiou em massa a continuidade do projeto iniciado pelo presidente Lula e viu em Dilma Rousseff a líder ideal para conduzir o Brasil a um novo patamar de desenvolvimento.

Altamiro Borges: Salário mínimo: o outro lado da moeda

domingo, 28 de novembro de 2010

Confronto inevitável

CartaCapital
Mino Carta 26 de novembro de 2010 às 17:29h

E quando Meirelles disse “ou ele ou eu” teria selado definitivamente o seu destino. Por Mino Carta

E quando Meirelles disse “ou ele ou eu” teria selado definitivamente o seu destino
Um velho amigo comentou dias atrás: “Ele se meteu em uma enrascada sem saída quando disse: ou ele, ou eu, como Golbery”. Bom assunto para um almoço pacato. Comparava o chefe da Casa Civil de três ditadores, Castello Branco, Geisel e Figueiredo, com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se prepara a deixar seu posto para Alexandre Tombini, diligente funcionário do próprio banco do qual é o atual diretor de Normas.
O impasse para Golbery deu-se logo após a desastrada operação que resultou na tragicomédia do Riocentro, a 1º de maio de 1981. A bomba explodiu no colo do terrorista de Estado que a carregava de carro, destinava-se a provocar uma hecatombe em meio a um espetáculo musical que reunia 20 mil pessoas. Felizmente, uma apenas foi para o Além, quem sabe o Inferno, enquanto o que dirigia o veículo ficou gravemente ferido. O inspetor Clouseau não se sairia melhor.
O humor negro do episódio não haveria de abrandar a profunda irritação que tomou conta do chefe da Casa Civil de João Baptista Figueiredo. Logo depois de ser informado a respeito do evento, caminhou até o gabinete presidencial e exigiu a demissão imediata do comandante do I Exército, sediado na Vila Militar do Rio, o general Gentil Marcondes, primeiro responsável por uma missão de inauditas dimensões criminosas, da qual ele teria de estar necessariamente a par.
Na visão de Golbery, era nítido o propósito da operação fracassada, inserida em um programa de atentados em escalada, que já haviam visado bancas de jornais no Rio e em São Paulo, a sede da OAB nacional e as oficinas da Tribuna da Imprensa. Pretendia-se precipitar um clima de tensão extrema, de sorte a implodir o plano da chamada abertura e a justificar a permanência dos militares no poder. Quer dizer, depois de Figueiredo, previsto como o derradeiro ditador, viria outro da casta fardada, e ele já tinha nome, o general Octávio Medeiros, chefe do SNI e protetor do general Gentil.
Uma guerra surda eclodiu dentro do Palácio do Planalto, a cheirar cada vez mais a quartel, o comandante do I Exército ficou onde se encontrava, o inquérito sobre a tragicomédia debandou para a farsa, e foi então que Golbery impôs: ou Medeiros, ou eu. Figueiredo optou por aquele. Assim como Dilma Rousseff escolheu Mantega e, portanto, Tombini.
É o pensamento do velho amigo, também sábio. Está claro que enredo e protagonistas são bem diversos daqueles, mas a chave da compreensão da saída de Meirelles aí estaria. De todo modo, o confronto era inevitável, em um caso e noutro. Há na imprensa quem se esforce para provar que Mantega foi escolha de Lula, bem como a dos demais da equipe econômica. É do conhecimento até do mundo mineral, contudo, que, desde a composição do primeiro gabinete de Lula presidente, Meirelles foi indicado por ele, e depois, anos a fio, por ele mantido a despeito das críticas crescentes, partidas de conselheiros importantes e de largos setores do empresariado, às políticas rígidas do BC.
A autonomia do presidente do banco é reivindicação teoricamente aceitável. Assim se dá em outros países reconhecidamente democráticos, onde se enxerga o presidente do Banco Central como alto funcionário a serviço do Estado e não deste ou daquele governo, estável na função independentemente dos resultados eleitorais, personagem imanente, digamos assim, em lugar de contingente. No Brasil atual, a ideia de Meirelles é impraticável.
De fato, ou Mantega ou Meirelles. CartaCapital não se surpreendeu com a escolha final da presidente eleita, e aqui manifesta seu apreço pela decisão. E sabe que Tombini chega com o aval da presidente e do seu futuro ministro da Fazenda. No mais, é perfeitamente possível que meu velho e sábio amigo esteja certo: na hora azada, o aut-aut de Meirelles foi a gota decisiva. O mesmo amigo murmura: “É um bancário que deu certo”.

Mino Carta
Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br

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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Sader: A via brasileira

Viomundo - O que você não vê na mídia
23 de novembro de 2010 às 14:03

22/11/2010

por Emir Sader, no seu blog em Carta Maior

image Havia dois horizontes para as elites brasileiras: o Estado de bem estar social europeu ou o dinamismo e a afluência ao consumo dos EUA. O primeiro estava identificado com civilização e com estabilidade. O segundo, com dinamismo e modernização.
O getulismo tinha sido nosso modelo de bem estar social, com o Estado assumindo responsabilidade sobre o desenvolvimento econômico e os direitos dos trabalhadores. Foi sempre repudiado pelas elites que, mesmo beneficiadas pela expansão industrial propiciada pelos governos, manteve sempre repúdio a Getúlio, por não se considerar representada politicamente nele. O modelo de aliança de classes que Getúlio representava, com expansão do mercado interno e base popular de apoio, nunca foi digerido nem sequer pela burguesia industrial.
Mesmo JK – claramente mais moderado no estilo de liderança política -, além da hegemonia econômica que passou a estar em mãos do capital estrangeiro, com a instalação do parque automobilístico, nunca foi de agrado, por exemplo do grande empresariado paulista. (JK ficou em terceiro lugar nas eleições de 1955, atrás de Adhemar de Barros e do candidato udenista, Juarez Távora.)
O governo Jango já se instalou quando o impulso econômico apresentava sinais de esgotamento, com uma grande pugna redistributiva entre trabalhadores e grande empresariado tomando conta do cenário político e refletindo-se em brote inflacionário. A resolução do conflito se deu pela via violenta (“A burguesia prefere um fim com violência do que uma violência sem fim”, dizia Marx no XVIII Brumário.). O modelo instalado cortou bruscamente o processo de distribuição de renda com expansão do mercado internacional, favorecendo a acumulação de capital centrada no consumo da alta esfera do mercado e na exportação. O arrocho salarial e a intervenção em todos os sindicatos produziu uma lua de mel para o grande capital nacional e internacional, que nunca ganhou tanto como na ditadura.
O eixo de referência da elite se unificava em torno do modelo norteamericano de livre comércio, de competição, de crescimento com exclusão social e concentração de renda, de dinamismo do capital internacionalizado. O tema do bem estar social desapareceu, o desenvolvimento foi assimilado à expansão do grande capital internacionalizado, o mercado interno de consumo popular ficou deprimido.
A redemocratização foi atropelada pela crise de 1979/1980, quando a economia deixou de crescer –praticamente pela primeira vez desde 1930 -, e a crise da dívida fez a economia funcionar em função da exportação para arrecadar recursos para pagar a divida – multiplicada pela crise. Desenvolvimento e bem estar social ficaram relegados.
A década neoliberal enterrou de vez o desenvolvimento, promovendo a estabilidade monetária a objetivo central. A democratização não trouxe nem retomada da expansão econômica, nem melhoria social da massa da população. O neoliberalismo institucionalizou essa tendência, na expectativa que o controle da inflação se refletiria nas condições sociais da população. O que foi imediatamente verdade, até que esse impulso se esgotou, a economia, por sua vez, foi jogada na maior recessão dos últimos tempos e a situação social do povo voltou a se degradar fortemente.
A social democracia tinha chegado ao governo na era da sua conversão ao neoliberalismo – a começar pela França e pela Espanha, referencias centrais dos tucanos. Não trouxe o Estado de bem estar social, mas o modelo mais mercantilista que tínhamos conhecido.
Com o governo Lula, a superação da crise foi feita mediante um novo modelo, que foi sendo construído aos poucos. Que incorporou o consenso nacional de controle da inflação, mas não fez dele o centro do modelo, apenas uma de suas dimensões. A especificidade do novo modelo foi a retomada do crescimento econômico estruturalmente articulado com a expansão do mercado interno do consumo de massas, requerendo portanto políticas sociais e papel indutor do crescimento e da garantia dos direitos sociais pelo Estado. O Brasil vai construindo assim seu próprio caminho de desenvolvimento histórico.

Sader: A via brasileira | Viomundo - O que você não vê na mídia

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

O crescimento brasileiro, segundo a OCDE

 

Brasilianas.Org
Enviado por luisnassif, qui, 18/11/2010 - 14:29

Da BBC Brasil

OCDE prevê dois anos de forte expansão para o Brasil

Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil

A economia brasileira deverá continuar registrando uma forte expansão nos próximos dois anos, mas o país poderá ter uma inflação mais alta do que a prevista, afirma a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em um relatório divulgado nesta quinta-feira.
No estudo Perspectivas Econômicas da OCDE, publicado semestralmente e que analisa as principais tendências mundiais para os próximos dois anos, a organização nota que a economia mundial "continua se reerguendo, mas os progressos se tornaram mais hesitantes".
"O crescimento, bem mais dinâmico nos mercados emergentes, permanece fraco e desigual na maior parte dos países da OCDE", diz a organização.
A organização acrescenta que, apesar da previsão de expansão, o Brasil - que não é membro da OCDE - permanece "vulnerável" à eventual desaceleração do crescimento na China e nos países ricos.
A OCDE, que agrupa a maioria dos países considerados desenvolvidos, afirma que a retomada do crescimento econômico mundial continua, mas em um ritmo mais lento no curto prazo.

Explosão do consumo
Segundo as previsões da organização, após uma desaceleração momentânea a partir do segundo trimestre deste ano, o PIB do Brasil deverá registrar em 2010 um aumento de 7,5%, graças ao forte consumo interno, que "explodiu" no período que antecedeu as eleições presidenciais.
O lançamento de grandes projetos de infraestrutura deve contribuir para estimular novamente as taxas de crescimento nos próximos anos.
Em 2011, a economia brasileira deverá crescer 4,3% e, em 2012, o aumento deverá ser de 5%, prevê a OCDE.
Para a OCDE, o PIB americano deverá crescer 2,7% em 2010 e 2,2% no próximo ano. Em 2012, a previsão é de aumento de 3,1%.
A economia da zona do euro deverá aumentar apenas 1,7% neste ano e também em 2011 e 2% em 2012, segundo a organização.
Já a economia chinesa deverá crescer 10,5% neste ano e 9,7% em 2011 e também em 2012, prevê a OCDE.

Inflação
Mas a inflação deverá se manter levemente acima de 4,5%, que é o centro da meta fixada pelo Banco Central brasileiro, afirma a organização com sede em Paris.
O objetivo fixado pela autoridade monetária brasileira é de que a inflação anual de 2010 e 2011, medida pelo IPCA, seja de 4,5%, com tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
"A desaceleração da atividade econômica, o recuo dos preços dos alimentos e a valorização significativa do real contribuíram para controlar a inflação", diz o estudo.
Mas esses efeitos que permitiram controlar a alta dos preços não devem durar, na avaliação da OCDE.

'Medidas rigorosas'
"A inflação poderia ser mais alta do que a prevista se medidas para impedir a valorização do real forem tomadas e os preços dos produtos básicos continuarem a aumentar. Em um tal cenário, medidas de estabilização mais rigorosas deveriam ser tomadas para evitar um desvio das metas de inflação", recomenda a OCDE.
"O aperto monetário deveria ser retomado assim que possível para reprimir as pressões inflacionárias que estão se acentuando", afirma a OCDE.
A organização diz ainda que as medidas de estímulo econômico adotadas para enfrentar a recessão mundial "deveriam ser totalmente abandonadas" para afrouxar as pressões inflacionárias.
No relatório, a OCDE afirma também que as entradas maciças de capital estrangeiro reforçaram o real, mas que, no futuro, esses fluxos podem tornar a economia brasileira mais vulnerável às flutuações de investimentos a curto prazo e também sujeita a reviravoltas no apetite dos investidores por risco.

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