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domingo, 3 de junho de 2012

O dedo do Lula

Do Blog do Emir Sader

A sociedade brasileira teve sempre a discriminação como um dos seus pilares. A escravidão, que desqualificava, ao mesmo tempo, os negros e o trabalho – atividade de uma raça considerada inferior – foi constitutiva do Brasil, como economia, como estratificação social e como ideologia.
Uma sociedade que nunca foi majoritariamente branca, teve sempre como ideologia dominante a da elite branca, Sempre presidiram o país, ocuparam os cargos mais importantes nas FFAA, nos bancos, nos ministérios, na direção das grandes empresas, na mídia, na direção dos clubes – em todos os lugares em que se concentra o poder na sociedade, estiveram sempre os brancos.
A elite paulista representa melhor do que qualquer outro setor, esse ranço racista. Nunca assimilaram a Revoluçao de 30, menos ainda o governo do Getúlio. Foram derrotados sistematicamente pelo Getulio e pelos candidatos que ele apoiou. Atribuíam essa derrota aos “marmiteiros”- expressão depreciativa que a direita tinha para os trabalhadores, uma forma explicita de preconceito de classe.
A ideologia separatista de 1932 – que considerava São Paulo “a locomotiva da nação”, o setor dinâmico e trabalhador, que arrastava os vagões preguiçosos e atrasados dos outros estados – nunca deixou de ser o sentimento dominante da elite paulista em relação ao resto do Brasil. Os trabalhadores imigrantes, que construíram a riqueza de Sao Paulo, eram todos “baianos” ou “cabeças chatas”, trabalhadores que sobreviviam morando nas construções – como o personagem que comia gilete, da música do Vinicius e do Carlos Lira, cantada pelo Ari Toledo, com o sugestivo nome de pau-de-arara, outra denominação para os imigrantes nordestinos em Sao Paulo.
A elite paulista foi protagonista essencial nas marchas das senhoras com a igreja e a mídia, que prepararam o clima para o golpe militar e o apoiaram, incluindo o mesmo tipo de campanha de 1932, com doações de joias e outros bens para a “salvação do Brasil”- de que os militares da ditadura eram os agentes salvadores.
Terminada a ditadura, tiveram que conviver com o Lula como líder popular e o Partido dos Trabalhadores, para o qual canalizaram seu ódio de classe e seu racismo. Lula é o personagem preferencial desses sentimentos, porque sintetiza os aspectos que a elite paulista mais detesta: nordestino, não branco, operário, esquerdista, líder popular.
Não bastasse sua imagem de nordestino, de trabalhador, sua linguagem, seu caráter, está sua mão: Lula perdeu um dedo não em um jet-sky, mas na máquina, como operário metalúrgico, em um dos tantos acidentes de trabalho cotidianos, produto da super exploração dos trabalhadores. O dedo de uma mão de operário, acostumado a produzir, a trabalhar na máquina, a viver do seu próprio trabalho, a lutar, a resistir, a organizar os trabalhadores, a batalhar por seus interesses. Está inscrito no corpo do Lula, nos seus gestos, nas suas mãos, sua origem de classe. É insuportável para o racismo da elite paulista.
Essa elite racista teve que conviver com o sucesso dos governos Lula, depois do fracasso do seu queridinho – FHC, que saiu enxotado da presidência – e da sua sucessora, a Dilma. Tem que conviver com a ascensão social dos trabalhadores, dos nordestinos, dos não brancos, da vitória da esquerda, do PT, do Lula, do povo.
O ódio a Lula é um ódio de classe, vem do profundo da burguesia paulista e de setores de classe média que assumem os valores dessa burguesia. O anti-petismo é expressão disso. Os tucanos são sua representação política.
Da discriminação, do racismo, do pânico diante das ascensão das classes populares, do seu desalojo da direção do Estado, que sempre tinham exercido sem contrapontos. Os Cansei, a mídia paulista, os moradores dos Jardins, os adeptos do FHC, do Serra, do Gilmar, dos otavinhos – derrotados, desesperados, racistas, decadentes.

Carta Maior - Blog do Emir Sader - O dedo do Lula

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Repúdio ao orgulho hetero!

Jovens orgulhosos na Paulista

Blog Articulação Jovem

Manifestação de Repúdio e Lamento à Notícia Abaixo!!!!!

O assunto sobre o qual hoje venho a postar minhas reflexões é extremamente importante. Eu gostaria realmente que alguém me mostrasse as estatísticas sobre quantos heterossexuais foram agredidos nas ruas em razão de sua opção sexual. Quantos hetero foram discriminados em um processo de seleção de emprego? Quantas mães foram constrangidas por seus filhos manifestarem sua heterossexualidade? (as vezes tenho vontade de usar o termo heterossexualismo, também. Afinal de contas, não se faz uma defesa ridícula para se usar o termo “ismo”? Com argumentos lingüísticos e semânticos à ocultar preconceitos internos que se deliciam ao ver gays serem definidos com a mesma expressão que definimos alcoolismo, botulismo, vitalismo e outras doenças? Agora, diferente dos homofóbicos de plantão EU tenho consciência.)

O debate do “ismo” é para um outro dia, até porque se discute SEXUALIDADE e não sexualismo, assim sendo, HETEROSSEXUALIDADE E HOMOSSEXUALIDADE.

De repente acordamos de manhã e observamos que na cidade de  São Paulo foi criada uma votação simbólica que aprovou (seja lá o que isso for)  a criação do dia do ORGULHO HETERO. Pôxa! A inocência só é invocada quando para sustentar posturas negativas. Obviamente manifestações de orgulho hetero sãopreconceituosas porque apenas foram criadas para se opor e minar atitudes pró inclusão! A diferença está no sentido das manifestações! Examinaremos o que dizem os defensores, entre eles, o infame vereador Carlos Apolinário naturalmente do DEM (porque somente desses partidos vêm atos desse tipo, inclua-se aí o PSDB que tenta se mostrar progressista com a falácia e quimera do Diversidade Tucana):

Apolinário afirmou que o projeto não é contra os gays, e sim uma forma de se manifestar contra os “excessos e privilégios” destinados à comunidade homossexual, como a realização da Parada LGBT. Excesso e privilégios? Como assim? Os homossexuais compõe hoje uma minoria discriminada no cotidiano! A legislação já defende os heterossexuais com o casamento, pensão, aposentadoria etc. Nenhum hetero é constrangido, humilhado ou ignorado em delegacias! Em compensação, o cidadão homossexual paga os mesmos impostos e tem os mesmos deveres de um cidadão comum, porém não recebe o mesmo amparo legal e proteção social! Ou seja, as manifestações LGBT são legítimas porque objetivam a promoção da IGUALDADE (sim, isso mesmo!) entre tipos de cidadãos que são tratados de modo diferente pela sociedade.

Agora, quando a intencionalidade é atacar os LGBT, tapa-se os olhos e nega-se que o senso comum aceita um tipo de cidadão e massacra o outro.

Conclusão: O Dia do orgulho hetero não é necessário, não porque se censure afirmações de heterossexualidade, e sim porque tais afirmações já acontecem todos os dias no senso comum da sociedade (hetero não é minoria que precisa ser protegida por não ter os mesmo direitos, pôxa!). O que se procura é a paridade entre as orientações sexuais.

A Parada LGBT não é privilégio, tão pouco a união estável e a criminalização da homofobia. Essa história de privilégio é retórica para se influenciar heterossexuais que não conheçam as lutas LGBT, a reproduzir bobagens ou acreditar que os gays organizam secretamente uma revolução para dominar o mundo! (qualquer semelhança com o medo colocados nos alemães de que os judeus tinham uma teoria conspiratória não é mera coincidência!)

Agora o que me entristece é quando a religião é usada para se manipular opiniões ou justificar posturas quando não se tem argumento plausível para se defender o preconceito. Perceberam que quando acabam os argumentos lógicos sempre surge um : -Deus fez o homem pra mulher blá blá blá?

Vejamos: Se aprovada, o dia do orgulho hetero será no período natalino. (porque será, heim?) O texto estabelece que caberá à prefeitura paulistana “conscientizar e estimular a população a resguardar a moral e os bons costumes”. ( de novo, o mesmo papo!  Deixando subentendido que todos os homossexuais necessariamente são imorais e de maus costumes.)

Espero, MESMO, que os heterossexuais não homofóbicos consigam identificar o que está por detrás de um dia do orgulho hetero e deixe a defesa disso somente aos neuróticos esquizofrênicos ( ops! esquizofrenia é psicose! rs…rs…rs…) e fundamentalistas recalcados, que tentam através de seus discursos e argumentos pueris levantar o ódio ao diferente, o que gera invariavelmente: humilhações, espancamentos, agressões e legislações desiguais.

Oswaldo Mammana Neto

Conselheiro Estadual – APEOESP

Coletivo Estadual de Juventude -APEOESP/ Coordenação- Capital

Blog Articulação Jovem: coletivojovem.wordpress.com

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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Veja condenada por estimular o ódio

Por Altamiro Borges
Em abril último, a revista Veja – talvez seguindo as orientações do Departamento de Estado dos EUA – fez estardalhaço com uma reportagem sobre “A rede do terror no Brasil”. Deu capa e várias páginas sobre a presença de “grupos terroristas islâmicos no território nacional”, mas não apresentou provas concretas para justificar as suas graves acusações. A “reporcagem” informava apenas que teve acesso a documentos sigilosos da CIA, a central terrorista dos EUA, e de outros órgãos policiais.
Agora, na quinta-feira (30), a juíza Cláudia Maria Pereira Ravacci, da 35ª Vara Cível de São Paulo, condenou o panfleto colonizado da famiglia Civita por estimular o ódio e o preconceito religioso, tentando associar o islamismo ao terrorismo. Segundo informa a repórter Mariana Ghirello, do sítio Última Instância, a revista será obrigada a dar o mesmo espaço e destaque para uma reportagem sobre a cultura islâmica. Cabe recurso, mas a revista Veja saiu novamente com a sua imagem danificada.
“Reporcagem” ofensiva e tendenciosa
A ação judicial exigindo direito de resposta foi movida pela União Nacional das Entidades Islâmicas, que congrega 16 entidades. Segundo o advogado da entidade, Adib Abdouni, a matéria da Veja é “ofensiva e tendenciosa” e “fere o sentimento religioso islâmico”, que tem mais de 1 bilhão de seguidores no mundo. A partir de denúncias sem consistência, ela generaliza a crítica, insinuando que todo islâmico é terrorista e que o território brasileiro serve de base de operação para grupos anti-estadunidenses.
O objetivo do direito de resposta é “desvincular a idéia de terrorismo junto à fé professada pelos mulçumanos... As ofensas contidas no texto impugnado causam lesão aos direitos da coletividade mulçumana, dando ensejo ao direito de resposta reivindicado”, comemora o advogado.
“De acordo com a petição, houve uma audiência reservada na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, na Câmara dos Deputados, na qual o ministro da Justiça afirmou que as informações publicadas eram falsas. A União alega que no Brasil a Constituição Federal assegura a liberdade de crença e religiosa”, informa repórter.

Altamiro Borges- Veja condenada por estimular o ódio

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quinta-feira, 30 de junho de 2011

Eu tenho medo é dos mascarados

Recebi um e-mail alertando para refletir quanto à apologia que se está fazendo ao homossexualismo. Conta com o vídeo de um gênio mascarado e que se diz polêmico porque xinga deputados ao denunciar o risco do “kit gay” para nossos filhos que podem “mudar de lado”. O brilhante anônimo tem a mesma profundidade polêmica de Datena sem a coragem de mostrar a cara, talvez porque não ganhe 1,3 milhões por mês. Não vou divulgar o nickname e nem o vídeo do infeliz porque não vou dar ibope para campanhas homofóbicas “travestidas” de apelos pela normalidade e pela moralidade.
Lembrei de outros mascarados da história. Em especial daqueles que saíam queimando negros nos EUA e que quando já estavam sumindo, reapareceram nos anos de 1950 quando a lei contra segregação foi aprovada por lá.
Achei impressionante alguém falar de moralidade nos dias de hoje. Moralidade heterossexual, Bolsonaro? Deve ser a moralidade dos programas de domingo, com bundas dançantes. A sexualidade hetero e machista exacerbada é moral e normal. Aí pode.
Outra palavrinha bacana: “normal”.  “Pô meurmão, vou ensiná meus filho que ser gay é normal, cumpade?” Lembrou-me o Traficante Viado, personagem de Paulinho Serra dos Dez Necessários(quem quiser ver, vá ao youtube). O mascarado do vídeo homofóbico  contra o kit gay, tem a sexualidade tão bem definida que tem medo de ser contaminado pelo vírus do homossexualismo. Ele acha que seus filhos vão virar gays se assistirem a um vídeo educativo e descobrirem, pasmem, existem homossexuais. O disfarçado demagogo defende a educação explorando a fantasia dos desavisados que ficam a imaginar seus pequerruchos sendo obrigados a brincar com a Barbie nas escolas, quando se fala em educar para a tolerância. Ele se acha normal porque não é gay.
Normal é ser homem, branco e heterossexual. Eu tenho medo desses mascarados que aparecem nos momentos que minorias “anormais” defendem direitos. Pensei no penoso percurso traçado pelas mulheres que podem votar no Brasil não faz nem oitenta anos. Os homens não saíram mascarados às ruas e nem precisaram da internet para garantir o anonimato que o aconchego do lar lhes permitiu para ocultar seu machismo na privacidade doméstica. Afinal, em briga de marido e mulher ninguém mete a colher. Mulheres não precisaram ser espancadas na Av. Paulista para homens dizerem quem é que manda. Isso acontecia e acontece nas casas. Quantas mulheres de olhos roxos e braços quebrados não ouviram que o normal era a mulher servir ao marido, inclusive sexualmente. Até pouco mais de três décadas, publicitários sem máscaras divulgavam por aí o que era normal. O normal muda, e sempre teremos mascarados para incitar o ódio e impor sua normalidade. Desses devemos ter medo.

Para ilustrar o conceito de normalidade pregado pelo vigilante com máscara, algumas propagandas que pregavam o que era o “normal” para as mulheres.

Que gata esse cara ganhou com sua calça bacana!

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Mulheres e volantes...

Mostre a elas. Esse mundo é dos homens

.

Para os homens que acham que mulheres e carros ou se conserta ou é melhor trocar

Essa marca de eletrodomésticos (Chef) diz que faz tudo, mas cozinhar
- é para isso que as mulheres foram feitas

O marido descobriu que ela estava usando outra marca de café.

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Ela não estava bem limpinha para ele

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domingo, 26 de junho de 2011

Bispo de Guarulhos vomita machismo

Por Altamiro Borges
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos (SP) que ficou famoso nas eleições do ano passado por financiar, ilegalmente, panfletos apócrifos contra a candidata Dilma Rousseff, não tem cura mesmo. Ele precisa urgentemente ser exorcizado! Em entrevista ao jornal Valor, o “apóstolo” do ódio e do preconceito voltou a vomitar contra o direito da mulher ao aborto mesmo em caso de estupro:
“Vamos admitir até que a mulher tenha sido violentada, que foi vítima… É muito difícil uma violência sem o consentimento da mulher, é difícil”, comenta. O bispo ajeita os cabelos e o crucifixo. “Já vi muitos casos que não posso citar aqui. Tenho 52 anos de padre… Há os casos em que não é bem violência… [A mulher diz] “Não queria, não queria, mas aconteceu…”, diz. “Então sabe o que eu fazia?” Nesse momento, o bispo pega a tampa da caneta da repórter e mostra como conversava com mulheres. “Eu falava: bota aqui”, pedindo, em seguida, para a repórter encaixar o cilindro da caneta no orifício da tampa. O bispo começa a mexer a mão, evitando o encaixe. “Entendeu, né? Tem casos assim, do “ah, não queria, não queria, mas acabei deixando”.
Processo urgente
Repugnante! No ano passado, milhões de panfletos acusando Dilma Rousseff de ser “abortista” e de “matar criancinhas” foram apreendidos numa gráfica no Cambuci, no centro da capital paulista. O dono da empresa confessou que o pedido havia sido feito por agentes do bispo de Guarulhos. Apesar do crime eleitoral, nada foi feito contra Dom Bergonzini. Em sermões e entrevistas, ele continuou sua pregação odiosa e mentirosa em favor do candidato tucano José Serra.
Agora, ele volta ao ataque, desprezando a própria legislação brasileira que garante o direito ao aborto em caso de estupro. As suas declarações até que mereceriam um processo, desta vez das entidades feministas que defendem os direitos das mulheres. Não dá para ficar passivo diante da campanha de ódio deste bispo. Como já foi dito, ele precisa urgentemente ser exorcizado!

terça-feira, 17 de maio de 2011

IBGE: negro se identifica cada vez mais como negro

Pereira Nunes: o auto reconhecimento dos negros e indígenas aumentou

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Extraído do Blog do Planalto:

Brasil cresce mais em cidades de médio porte, diz presidente do IBGE
No programa “Brasil em Pauta” desta terça-feira (17/5), o diretor-presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, avaliou que uma das grandes informações positivas levantadas pelo Censo 2010 é que o processo de expansão demográfica do Brasil já não está mais concentrado nas grandes cidades brasileiras – como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre – mas se estendendo por uma quantidade importante de cidades de médio porte em todo o país, o que traz mais oportunidades de emprego para a sociedade. Um exemplo disso é a cidade de Rio das Ostras, que do ano 2000 para o ano de 2010 triplicou sua população, e foi o município que mais cresceu em todo o país.
Por outro lado, Pereira Nunes avalia como negativo o fato de o Brasil ainda ter cerca de 16 milhões de pessoas que vivem em uma faixa de renda considerada de extrema pobreza. O diretor-presidente do IBGE afirmou que o primeiro passo em relação à população brasileira considerada de extrema pobreza foi exatamente a identificação de cidadãos nessas condições de vida. Segundo ele, as informações coletadas pelo IBGE foram repassadas ao Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), que está avaliando os dados e elaborando um programa voltado para esse grupo.
Mas o diretor-presidente do IBGE revela que embora se esteja falando de 16 milhões de pessoas em situação de extrema pobreza, essa pobreza não é homogênea no Brasil, pois em cada lugar ela tem características diferentes: no Maranhão é de uma natureza, na periferia de São Paulo é de outra, em Brasília é de outra natureza. E o que o governo federal está fazendo – não o IBGE, ressalta – é analisar as características socioeconômicas de cada um dos grandes grupos (analfabetos, idosos, sem acesso à saneamento etc) para estabelecer políticas públicas específicas.
Uma outra questão revelada pelo Censo, ao longo dos anos, é o processo cada vez maior de autoreconhecimento do brasileiro em relação à sua cor. Segundo Pereira Nunes, se compararmos o Censo de 2000 com o censo de 2010, houve um aumento da proporção da população que se declarou negra, assim como da que se declarou como indígena. Para se ter ideia, 1,2 milhão não declarou a sua própria cor no Censo de 2000. Esse número caiu para apenas 60 mil pessoas em 2010.
“Isso não quer dizer que a população desse grupo esteja crescendo mais que os demais, não. É simplesmente porque está havendo cada vez mais um autoreconhecimento de cada agrupamento específico (…) ou seja, cada qual se reconhecendo cada vez mais como um cidadão na própria sociedade.”
A questão da idade do brasileiro também é um fator, de acordo com o diretor-presidente do IBGE, que daqui para a frente também passará a fazer parte da agenda de todas as discussões de planejamento da sociedade brasileira para o futuro. A população brasileira está, proporcionalmente, apresentando um número maior de pessoas com mais idade, explicou.
“Só para se ter uma ideia, encontramos no Censo de 2010 cerca de 24 mil pessoas com mais de cem anos de idade.”
Na avaliação dele, a população está envelhecendo por dois motivos que são concomitantes: o cidadão está vivendo cada vez mais, a expectativa de vida está aumentando, e a taxa de fecundidade (dada pelo número médio de filhos que a mulher brasileira tem) está caindo, ou seja, estão nascendo menos crianças.
Pelos dados do IBGE, em 2000 o Brasil tinha 50 milhões de crianças de zero a 14 anos de idade; já em 2010 esse número caiu para 45 milhões. Ou seja, uma queda absoluta de 5 milhões em um país que aumentou – em termos absolutos – em 21 milhões de brasileiros: “Éramos 169 milhões em 2000, e somos 190 milhões em 2010″, esclarece Pereira Nunes. Nesse sentido, deverá haver uma mudança significativa no planejamento da sociedade, explica ele.
“Se eu olho para as próximas décadas eu vejo uma sociedade onde cada vez mais a atenção ao idoso, à saúde, a Previdência Social, o mercado de trabalho, tudo isso terá que levar em consideração uma sociedade envelhecida.”
Em relação à identificação do número atual de homossexuais no país, o diretor-presidente do IBGE explicou que houve a oportunidade de o cidadão responder sobre a sua relação de parentesco com a pessoa de referência do domicílio. Mas o modelo adotado pelo IBGE não conta o total da população que se declara espontaneamente homossexual mas, sim, os casais do mesmo sexo. “Em termos de casais do mesmo sexo, o que nós encontramos no Brasil foi exatamente o número de 60 mil pessoas nessa situação.”
Os dados apurados pelo IBGE sobre analfabetismo (número de pessoas com mais de 15 anos que declaram não saber ler ou escrever) identificaram um índice de 9,6% em 2010. Segundo Nunes, se hoje a taxa de analfabetismo é de 9,6%, cinquenta, quarenta anos atrás essa taxa era de 50% da população. O que aconteceu, explica o diretor do IBGE, é que essas pessoas de antigamente ingressaram no mercado de trabalho, constituíram família, envelheceram, e ainda hoje são os mesmos que compõem o contingente muito grande de analfabetos, ou seja, os que no passado eram jovens e analfabetos, são hoje os idosos e analfabetos.
Então, a taxa de analfabetismo de idosos no Brasil chega a 26% da população, de cada quatro pessoas com mais de 65 anos de idade, quase uma delas é analfabeta, explica Nunes. Já o analfabetismo da população em idade jovem, até 19 anos, por exemplo, é de 2%, o que significa que para o jovem e para a criança de hoje o acesso à escola está universalizado, e o desafio é outro.
“O desafio que o Brasil tem daqui para a frente não é abrir portas para colocar crianças na escola. As portas já existem. O que precisa é fechar as portas para impedir a evasão escolar e garantir um bom ensino para cada criança brasileira.”
De acordo com Pereira Nunes, o Censo 2010 – do ponto de vista do trabalho de campo, da contagem da população, e do tratamento dos dados – já está concluído. O documento pode ser baixado pela internet no endereço www.ibge.gov.br . A partir de agora, cada um dos temas será aprofundado, com análise do perfil da população, da família e de outros fatores. O diretor-presidente do IBGE informou também que daqui para a frente o Instituto fará uma série de publicações, e chamou a atenção para uma que, especificamente, será muito importante para o planejamento urbano das grandes cidades brasileiras: a que vai identificar, em cada bairro do município, as condições de habitação do cidadão. Pereira Nunes explicou que além de fazer perguntas sobre o cidadão e seu domicílio, o IBGE também estuda o entorno da localidade onde o cidadão habita, para saber se tem iluminação publica, saneamento básico, calçamento, arborização, e acessos para a mobilidade de pessoas portadoras de deficiência.
Na avaliação dele, “trata-se de uma série de informações que servem para o planejamento urbano, e para que o governo local possa tomar medidas para melhorar as condições de vida da população.”
Essas informações serão divulgadas pelo IBGE dentro de algumas semanas. Mas antes de divulgar, o Instituto vai discutir com os gestores de cerca de 375 prefeituras onde foram encontradas situações de habitação não adequadas (que são chamadas de aglomerados subnormais), para que eles conheçam a leitura feita pelo IBGE. “Mas isso não significa dizer que se a prefeitura discordar da leitura do IBGE, o IBGE vai mudar, não”, explicou.
“Se a prefeitura discordar e provar que o dado do IBGE não é como a gente está lendo, a gente vai rever. Não necessariamente a revisão implicará em refazer o trabalho que foi feito.”
IBGE- negro se identifica cada vez mais como negro - Conversa Afiada

domingo, 15 de maio de 2011

Crônica “primária” de um Churrascão diferenciado

Puta que pariu / É a elite/ Mais tosca do Brasil !!

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Posted by eduguim on 14/05/11

O verso acima era declamado por mais de mil pessoas que se espremiam diante do shopping  no meio da tarde de um sábado nublado – e esfriando – depois do sol que dera palhinha por volta das 12 horas, quando cheguei ao local do Churrascão da Gente Diferenciada e não encontrei ninguém que me parecesse que participaria de algo assim tão “popular”.

No boulevard que precede os corredores tomados por brilhos, luzes, cheiros e sons que embriagam o endinheirado consumidor do asséptico e verdejante bairro paulistano de Higienópolis para depois depená-lo, senhores maduros, gordos e engravatados riem em duas, três mesas, fazendo-me pensar por que estariam vestidos assim num sábado. Outras mesas eram ocupadas por casais, senhoras e até crianças e adolescentes, mas os maduros predominavam.

Olho para um lado, para o outro, e nada. Ninguém diferenciado. Eram todos iguais na cor da pele, nos perfumes fortes, na aparência bem-nutrida, enfim. Não posso negar que, por alguns momentos, senti-me em Paris. Lembrei-me de um café em Saint Germains des Pres…

Pensei na internet. Deve ter informação. Só que não uso esses telefones que, além de tudo, fazem até chamadas e nos quais se pode navegar na rede. Mas estava em um shopping e todo shopping tem lan-houses… Certo? Errado. Nesse não tem. E por que teria, ora, se todos, ali, andam pelos corredores do shopping e nas ruas olhando seus aparelhinhos mágicos?

Contudo, estava na República de Higienópolis e, ali, até os balcões de informações são… diferenciados – ou seriam iguais aos dos países que aquele bairro-estado emula? Enfim, sei que a garota me disse que NÃO havia lan-houses no shopping ou naquela região (?!), mas que a uns MIL metros dali, na rua Maria Antonia, encontraria. E imprimiu o mapa para mim (!).

É um bairro mais igual, entendem? É o contrário do conceito de “diferenciado”.

Fui até lá e, assim que entro no Twitter, o Luis Nassif me manda uma mensagem dizendo que estava ali “com as menininhas” e doido pra comer churrasco, mas não tinha nada. Deixo-lhe uma mensagem pedindo que me ligue. Ele liga e diz que tem compromisso, lamentando não ter encontrado o churrasco.

Penso que está na hora de voltar. Ficarei até duas e meia e, se não aparecer ninguém, vou ao Sujinho comer bisteca de boi e tomar uma cachacinha Seleta, que as mais famosas não cabem no meu bolso. Saio a passos largos, já suando e maldizendo o blazer que vesti no começo da manhã, quando fazia frio e saí de casa para ir ao Churrascão.

Alvíssaras!, tem gente lá na frente falando com a imprensa. Estão ao lado de um carro da RedeTV! Aproximo-me e algumas pessoas vêm falar comigo. Alguns membros do Movimento dos Sem Mídia, leitores que conheço e várias pessoas simpáticas que não conhecia. A maioria, porém, não conheço. Todos ainda muito tímidos. Eu, inclusive.

Fiquei pensando, naquele momento: como faremos isso aqui? Esse pessoal tão… civilizado e fleumático vai se “horrorizar”.

Ando entre os grupos de pessoas conversando. Vai chegando cada vez mais gente. Uma rede de tevê me pára e pede para dar entrevista, como fazia sem parar. Não guardei o nome porque o afluxo crescente de pessoas começou a surpreender. Daqui a pouco chegam a Band e o SBT. Já havia quase umas duzentas pessoas, no local.

Aí a polícia apareceu, bem como o CET. Chegam manifestantes, chega polícia, chega imprensa… E vão chegando.

Mas os grupos de pessoas só dão entrevista e mais entrevista. Ouço um engraçadinho que não quis se misturar dizer que tinha mais jornalista que manifestante. O sangue sobe. Vou ao centro dos manifestantes e grito: Quem quer metrô, aqui?! Aquela massa crescente acorda e brada: Nós! E fica esperando eu dizer mais.

As câmeras se voltam e começo a discursar, com as mãos ao lado da boca numa tentativa de amplificar a voz. Surpreendentemente, ecoou forte. A repórter enfia o microfone na cara e começa a fazer perguntas que respondo não para ela, mas para as pessoas, que assoviam, gritam frases bem-humoradas.

Paro de falar e a manifestação amaina. Em alguns segundos, porém, mais alguém começa a falar. Daí chega o humorista Celso Mim com um capacete de obras “reprimindo” a manifestação como se fosse um funcionário do metrô, dando bronca nos manifestantes. Alguns parecem acreditar, de início.

Quando os discursos e palavras de ordem já proliferavam, ouve-se a batucada lá longe, mas avançando pela avenida Higienópolis. Parecia que jogavam confete. Sambavam, cantavam. Um dos cânticos era mais ou menos assim, se me lembro:

Se esta rua fosse minha / Eu mandava ladrilhar / Com Pedrinhas de Brilhante / Para o meu metrô passar

Alguém aparece com churrasco. Agora está cheio de jovens bem-humorados. Maduros, idosos e até crianças diferenciados. Somos muitos. A avenida Higienópolis está tomada. Não passam mais carros. Das imensas sacadas dos prédios, moradores do bairro, imóveis e aparentemente em silêncio, observam a tudo.

Passo a me esgueirar entre a multidão. Encontro gente que conheço e que não conheço e me conhece e eis que, de repente, vejo, diante de mim, dois colunistas da Folha de São Paulo.

São Fernando de Barros e Silva e Sergio Malbergier, aquele que andou escrevendo sobre o direito dos ricos de não quererem metrô na porta deles. Abro-lhes um sorriso como se fossem velhos amigos e, para minha surpresa, percebo que me reconhecem, apesar de jamais termos nos visto pessoalmente.

– Eu conheeeço você – digo a Barros e Silva, em tom jocoso –, e você também – estendo o cumprimento a Malbergier.

Digo que li o texto de Malbergier e que estava “um primor”. Ele sorri, simpático, como se não ligasse para a ironia. Barros e Silva, porém, fecha a cara, aproxima-se e diz:

– Olha, eu respeito você, Eduardo, mas as suas posições são primárias…

Respondo:

– Eu acredito que você pensa assim, mas não são as minhas posições que são primárias, são as suas que são muito avançadas, próprias para Londres, Paris, Amsterdam…

Barros e Silva franze ainda mais o cenho, percebo os dentes trincando, dá-me as costas, empina o queixo e diz, sem se voltar: “Está vendo como você é primário?”. E sai andando.

Comento com Malbergier: “Ele está zangado, né?”. E ele, sorridente: “Está zangado”.

Bato no braço dele, despedindo-me, e dizendo que acho positivo que tenham ido até lá. E caio no meio da galera.

Dali, a manifestação começa a se mover com batucadas e jovens à frente. Avançam em direção à avenida Angélica. Dobram à direita e começam a subi-la. Ocupam as duas pistas. Olho para a avenida e, diante de nós, está vazia de veículos até onde a vista enxerga. Nos prédios em volta as pessoas se debruçam nas janelas e sacadas. Policiais e agentes da CET parecem nervosos…

Peço ao comandante da operação que me diga o número estimado de manifestantes. Ele tasca 600. Digo que ele só pode estar brincando. Havia mais de mil pessoas fácil, ali. Saio meio zangado, batendo o pé, e nem agradeço. Depois reflito que o oficial não teve culpa. Estava cumprindo ordens.

Vejam o que acham

Enfim, foi mágico para este coração cinqüentão de um homem que cresceu em um país em que fazer um ato daquele significava ser espancado e até preso e torturado, quando não assassinado. E o mais lindo foi ver os jovens exigindo direitos, pregando igualdade com calma, bom humor, pacificamente.

Pena que a grande imprensa não contará direito o que aconteceu em São Paulo nesta tarde fria de maio, mas a internet contará a verdade. Fotos, vídeos e relatos, não faltarão. Não carecia, portanto, que me prendesse a isso. Queria passar ao meu leitor as “primárias” impressões deste “primário” blogueiro sobre essa incrível festa da democracia.

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Abaixo, um dos primeiros vídeos. Só pra dar gostinho na sua boca, leitor.

Churrasco de linguiça (Aurora) no Higienópolis

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Detalhes imperdíveis, narrados pela Conceição Oliveira, autora das fotos que aparecem acima (para ver mais, vá ao blog da Maria Frô):

Policial para manifestante: Quem é que lidera isso aí?

Resposta: O povo.

Policial: !?!

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Da Conceição: O bom de manifestação em Higienópolis é que aqui a gente não apanha! (Diante da Prefeitura, numa manifestação contra as enchentes em São Paulo, ela foi afogada em gás pimenta)

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Repórter de importante emissora, narrando diante da câmera o evento:

“Tem linguiça, carne e abobrinha”.

Virando-se para um presente, em nome da verdade factual: “Aquilo é abobrinha, mesmo?”

Para saber mais, vá ao blog da Conceição Oliveira.

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Churrasco de linguiça (Aurora) no Higienópolis - Viomundo - O que você não vê na mídia

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional

O separatismo paulista reascendido.
“A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a ver com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados.” – Emir Sader

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Blog do Emir no site Carta Maior

A discriminação no Brasil é étnica, social e regional

O processo de ascensão social de massas, inédito no Brasil, volta a promover formas de discriminação. A política – de sucesso comprovado – de cotas nas universidades, a eleição de um operário nordestino para Presidente da República – igualmente de sucesso inquestionável -, a ascensão ao consumo de bens essenciais que sempre lhes foram negados – fenômeno central no Brasil de hoje -, provocaram reações de discriminação que pareciam não existir entre nós.
A cruel brincadeira de repetir um mote das elites – “O Brasil não tem discriminação porque os negros conhecem o seu lugar” – mostra sua verdadeira cara quando essas mesmas elites sentem seus privilégios ameaçados. Setores que nunca se importavam com a desigualdade quando seus filhos tinham preparação sistemática para concorrer em melhores condições às vagas das universidades públicas, passaram a apelar para a igualdade na concorrência, quando os setores relegados secularmente no Brasil passaram a ter cotas para essas vagas.
Professores universitários – incrivelmente, em especial antropólogos, que deveriam ser os primeiros a lutar contra a discriminação racial -, músicos – significativa a presença de músicos baianos, que deveriam ser muito mais sensíveis que os outros à questão negra -, publicaram manifesto contra a política de cotas, em nome da igualdade diante da lei do liberalismo.
A vitória da Dilma, por sua vez, provocou a reação irada e ressentida de vozes, especialmente da elite paulistana, contra os nordestinos, por terem sido os setores do país que pela primeira vez são atendidos em seus direitos básicos. Reascendeu-se o espírito de 1932, aquele que orientou o separatismo paulista na reação contra a ascensão do Getúlio e de suas politicas de democratização econômica e social do Brasil. Um ranço racista, antinordestino, aflorou claramente, dirigidos ao Lula e aos nordestinos, que vivem e constroem o progresso de São Paulo, e aos que sobreviveram à pior miséria nacional no nordeste e hoje constroem uma região melhor para todos.
A discussão sobre o metrô em Higienópolis tem a vem com a apropriação privilegiada dos espaços urbanos pelos mais ricos que, quando podem, fecham ilegalmente ruas, se blindam em condomínios privados com guardas privados. A rejeição de pessoas do bairro – 3500 assinaturas – à estação do metrô expressava o que foi dito por alguns, sentido por todos eles, de impedir que seja facilitado o acesso ao bairro – a que mesmo seus empregados particulares tem que chegar tomando 2 ou 3 ônibus -, com a alegação que chegariam camelôs, drogas (como se o consumo fosse restrito a setores pobres), violência, etc.
Nos três tipos de fenômeno, elemento comum é a discriminação. Étnica, contra os negros, na politica de cotas; contra os nordestinos, nas eleições; na estação do metrô, contra os pobres.
Os três níveis estão entrelaçados historicamente. Fomos o último país a terminar com a escravidão, por termos passado de colônia à monarquia e não à república. Adiou-se o fim da escravidão para o fim do século. No meio do século XIX foi elaborada a Lei de Terras, que legalizou a propriedade – via grilagem, em que em papel forjado é colocado na gaveta e o cocô do grilo faz parecer antigo. Quando terminou finalmente a escravidão, todas as terras estavam ocupadas. Os novos cidadãos “livres” deixaram de ser escravos, mas não foram recompensados nem sequer com pedaços de terra. Os negros livres passaram a se somar automaticamente à legião de pobres no Brasil.
O modelo de desenvolvimento, por sua vez, concentrador de investimentos e de renda, privilegiou o setor centro sul do Brasil, abandonando o nordeste quando se esgotou o ciclo da cana de açúcar. Assim, nordestino, esquematicamente falando, era latifundiário ou era pobre. Esse mesmo modelo privilegiou o consumo de luxo e a exportação como seus mercados fundamentais, especialmente com a ditadura militar e o arrocho salarial.
A discriminação dos negros, dos nordestinos e dos pobres foi assim uma construção histórica no Brasil, vinculada às opções das elites dominantes – em geral brancas, ricas e do centro-sul do pais. A discriminação tem que ser combatida então nas suas três dimensões completamente interligadas: étnicas, regionais e sociais. O fato do voto dos mais pobres (que inclui automaticamente os negros) e dos nordestinos estar na base da eleição e reeleição do Lula e na eleição da Dilma, com os avanços sociais correspondentes, só acirram as reações das elites. Discriminações que tem que ser combatidas com politicas publicas, com mobilizações populares e também com a batalha no plano das idéias.

domingo, 8 de maio de 2011

O que Cerra diz do STF e o casamento gay ? Na paz do Cenhor !

"Eu vetarei essa lei!", na paz do Cenhor!

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O Padim Pade Cerra foi candidato a Presidente em 2010.
(Já tinha sido derrotado em 2002.)
Agora, pode ser candidato a tudo: prefeito, governador, Presidente e a Rei da Bogúncia.
Ele é candidato, ponto.
Na campanha de 2010, recorreu àquilo que Ciro Gomes chamou de “calhordice”: a exploração do tema do aborto, numa tentativa de atribuir à adversária a defesa do aborto ilegal.
Desmoralizou-se quando uma aluna da mulher, Monica, disse que Monica contou em aula ter feito aborto no Chile – quando eram casados.
Porém, foi numa cerimônia religiosa no Paraná – clique aqui para ver o vídeo inacreditável – que o Padim Pade Cerra manifestou-se, ele mesmo, publicamente, depois de saudar a todos na paz o Senhor e de ler a Bíblia – a favor do fundamentalismo religioso.
Tratava-se de uma solenidade da Assembléia de Deus – que discrimina fiéis homossexuais.
Não fica claro no vídeo, mas é provável que Cerra se tenha comprometido, ali, a vetar a lei: “eu vetarei essa lei”.
Deve ser um projeto de lei que autorize a união gay.
O Supremo acaba de tomar decisão corajosa e de forma unânime.
Pena que não tenha feito o mesmo ao arbitrar Justiça numa causa igualmente relevante para os brasileiros: a revisão da Lei da Anistia.
O Supremo decidiu.
O que o principal (?) líder da oposição tem a dizer ?
Ele que se vestiu de Padim Pade Cerra e cortejou os fundamentalistas religiosos – como o Bispo de Guarulhos – em busca dos votos da extrema direita.
Cerra é o Papa, o aborto e a Chevron.
O que não é pouco.
Ele contém todo o ideário e a prática da extrema direita brasileira, como demonstrou o professor Wanderley Guilherme dos Santos, na Carta Capital.
Uma vez, este ansioso blogueiro elaborou um Manual de Perguntas que poderiam ser feitas ser feitas ao Cerra, na campanha.
Agora, sugere incluir essa pergunta: o Cenhor (é com “c” mesmo, revisor, “C” de Cerra) concorda com a decisão do Supremo que considerou legal a união dos gays ?
O Conversa Afiada saúda o candidato na Paz do Cenhor !
Clique aqui para votar no “Sim e Não, com Paulo Henrique Amorim”.
Em tempo: este Conversa Afiada acredita que o Padim Pade Cerra e o Farol de Alexandria acreditem em Deus tanto quanto na monogamia.
Paulo Henrique Amorim

O que Cerra diz do STF e o casamento gay - Na paz do Cenhor ! - Conversa Afiada

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Jean Willys, homossexual e cristão, quer a PL 122

Mello na votação do STF: Brasil é o campeão mundial de homofobia

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A pedidos, no dia em que o STF se renova, sacode a poeira obscurantista (que anistiou os torturadores com a anistia à Lei da Anistia), o Conversa Afiada republica texto do deputado federal Jean Willys extraído do site Brasília Eu Vi, de Leandro Fortes:

 

A trincheira de Jean Wyllys

Por Leandro Fortes
Jean Wyllys de Matos Santos é um sujeito tranquilo, bem humorado, que defende idéias sem alterar a voz, as mais complexas, as mais simples, baiano, enfim. Ri, como todos os baianos, da pecha da preguiça, como assim nomeiam os sulistas um sentimento que lhes é desconhecido: a ausência de angústia. Homossexual assumido, Jean cerra fileiras no pequeno e combativo PSOL, a única trincheira radical efetivamente ativa na política brasileira. E é justamente no Congresso Nacional que o deputado Jean Wyllys, eleito pelos cidadãos fluminenses, tem se movimentado numa briga dura de direitos civis, a luta contra a homofobia.
Cerca de 200 homossexuais são assassinados no Brasil, anualmente, exclusivamente por serem gays. Entre eles, muitos adolescentes.
Mas o Brasil tem pavor de discutir esse assunto, inclusive no Congresso, onde o discurso machista une sindicalistas a ruralistas, em maior ou menor grau, mas, sobretudo, tem como aliado as bancadas religiosas, unidas em uma cruzada evangélica. Os neopentecostais, como se sabe, acreditam na cura da homossexualidade, uma espécie de praga do demônio capaz de ser extirpada como a um tumor maligno. O mais incrível, no entanto, não é o medievalismo dessa posição, mas o fato de ela conseguir interditar no Parlamento não só a discussão sobre a criminalização da homofobia, mas também o direito ao aborto e a legalização das drogas. Em nome de uma religiosidade tacanha, condenam à morte milhares de brasileiros pobres e, de quebra, mobilizam em torno de si e de suas lideranças o que há de mais lamentável no esgoto da política nacional.
Jean Wyllys se nega a ser refém dessa gente e, por isso mesmo, é odiado por ela. Contra ele, costumam lembrar-lhe a participação no Big Brother Brasil, o inefável programa de massa da TV Globo, onde a debilidade humana, sobretudo a de caráter intelectual, é vendida como entretenimento. Jean venceu uma das edições do BBB, onde foi aceito por ser um homossexual discreto, credenciado, portanto, para plantar a polêmica, mas não de forma a torná-la um escândalo. Dono de um discurso política bem articulado, militante da causa gay e intelectualmente superior a seus pares, não só venceu o programa como ganhou visibilidade nacional. De repórter da Tribuna da Bahia, em Salvador, virou redator do programa Mais Você, de Ana Maria Braga, mas logo percebeu que isso não era, exatamente, uma elevação de status profissional.
Na Câmara dos Deputados, Jean Wyllys, 36 anos, baiano de Alagoinhas, tornou-se a cara da luta contra a homofobia no Brasil, justamente num momento em que se discute até a criminalização do bullyng. Como se, nas escolas brasileiras, não fossem os jovens homossexuais o alvo principal das piores e mais violentas “brincadeiras” perpetradas por aprendizes de brucutus alegremente estimulados pelo senso comum. Esses mesmos brucutus que, hoje, ligam para o gabinete do deputado do PSOL para ameaçá-lo de morte.
Abaixo, a íntegra de uma carta escrita por Jean ao Jornal do Brasil, por quem foi acusado, por um colunista do JB Wiki (seja lá o que isso signifique), de “censurar cristãos”. O texto é uma pequena aula de civilidade e História. Vale à pena lê-lo:
Em primeiro lugar, quero lembrar que nós vivemos em um Estado Democrático de Direito e laico. Para quem não sabe o que isso quer dizer, “Estado laico”, esclareço: O Estado, além de separado da Igreja (de qualquer igreja), não tem paixão religiosa, não se pauta nem deve se pautar por dogmas religiosos nem por interpretações fundamentalistas de textos religiosos (quaisquer textos religiosos). Num Estado Laico e Democrático de Direito, a lei maior é a Constituição Federal (e não a Bíblia, ou o Corão, ou a Torá).
Logo, eu, como representante eleito deste Estado Laico e Democrático de Direito, não me pauto pelo que diz A Carta de Paulo aos Romanos, mas sim pela Carta Magna, ou seja, pelo que está na Constituição Federal.  E esta deixa claro, já no Artigo 1º, que um dos fundamentos da República Federativa do Brasil é a dignidade da pessoa humana e em seu artigo 3º coloca como objetivos fundamentais a construção de uma sociedade livre, justa e solidária e a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação. A república Federativa do Brasil rege-se nas suas relações internacionais pelos princípios da prevalência dos Direitos Humanos e repúdio ao terrorismo e ao racismo.
Sendo a defesa da Dignidade Humana um princípio soberano da Constituição Federal e norte de todo ordenamento jurídico Brasileiro, ela deve ser tutelada pelo Estado e servir de limite à liberdade de expressão. Ou seja, o limite da liberdade de expressão de quem quer que seja é a dignidade da pessoa humana do outro. O que fanáticos e fundamentalistas religiosos mais têm feito nos últimos anos é violar a dignidade humana de homossexuais.
Seus discursos de ódio têm servido de pano de fundo para brutais assassinatos de homossexuais, numa proporção assustadora de 200 por ano, segundo dados levantados pelo Grupo Gay da Bahia e da Anistia Internacional. Incitar o ódio contra os homossexuais faz, do incitador, um cúmplice dos brutais assassinatos de gays e lésbicas, como o que ocorreu recentemente em Goiânia, em que a adolescente Adriele Camacho de Almeida, 16 anos, que, segundo a mídia, foi brutalmente assassinada por parentes de sua namorada pelo fato de ser lésbica. Ou como o que ocorreu no Rio de Janeiro, em que o adolescente Alexandre Ivo, que foi enforcado, torturado e morto aos 14 anos por ser afeminado.
O PLC 122 , apesar de toda campanha para deturpá-lo junto à opinião pública, é um projeto que busca assegurar para os homossexuais os direitos à dignidade humana e à vida. O PLC 122 não atenta contra a liberdade de expressão de quem quer que seja, apenas assegura a dignidade da pessoa humana de homossexuais, o que necessariamente põe limite aos abusos de liberdade de expressão que fanáticos e fundamentalistas vêm praticando em sua cruzada contra LGBTs.
Assim como o  trecho da Carta de Paulo aos Romanos que diz que o “homossexualismo é uma aberração” [sic] são os trechos da Bíblia em apologia à escravidão e à venda de pessoas (Levítico 25:44-46 – “E, quanto a teu escravo ou a tua escrava que tiveres, serão das gentes que estão ao redor de vós; deles comprareis escravos e escravas…”), e apedrejamento de mulheres adúlteras (Levítico 20:27 – “O homem ou mulher que consultar os mortos ou for feiticeiro, certamente será morto. Serão apedrejados, e o seu sangue será sobre eles…”) e violência em geral (Deuteronômio 20:13:14 – “E o SENHOR, teu Deus, a dará na tua mão; e todo varão que houver nela passarás ao fio da espada, salvo as mulheres, e as crianças, e os animais; e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, tomarás para ti; e comerás o despojo dos teus inimigos, que te deu o SENHOR, teu Deus…”).
A leitura da Bíblia deve ensejar uma religiosidade sadia e tolerante, livre de fundamentalismos. Ou seja, se não pratica a escravidão e o assassinato de adúlteras como recomenda a Bíblia, então não tem por que perseguir e ofender os homossexuais só por que há nela um trecho que os fundamentalistas interpretam como aval para sua homofobia odiosa.
Não declarei guerra aos cristãos. Declarei meu amor à vida dos injustiçados e oprimidos e ao outro. Se essa postura é interpretada como declaração de guerra aos cristãos, eu já não sei mais o que é o cristianismo. O cristianismo no qual fui formado – e do qual minha mãe, irmãos e muitos amigos fazem parte – valoriza a vida humana, prega o respeito aos diferentes e se dedica à proteção dos fracos e oprimidos. “Eu vim para que TODOS tenham vida; que TODOS tenham vida plenamente”, disse Jesus de Nazaré.
Não, eu não persigo cristãos. Essa é a injúria mais odiosa que se pode fazer em relação à minha atuação parlamentar. Mas os fundamentalistas e fanáticos cristãos vêm perseguindo sistematicamente os adeptos da Umbanda e do Candomblé, inclusive com invasões de terreiros e violências físicas contra lalorixás e babalorixás como denunciaram várias matérias de jornais: é o caso do ataque, por quatro integrantes de uma igreja evangélica, a um centro de Umbanda no Catete, no Rio de Janeiro; ou o de Bernadete Souza Ferreira dos Santos, Ialorixá e líder comunitária, que foi alvo de tortura, em Ilhéus, ao ser arrastada pelo cabelo e colocada em cima de um formigueiro por policiais evangélicos que pretendiam “exorcizá-la” do “demônio”.
O que se tem a dizer? Ou será que a liberdade de crença é um direito só dos cristãos?
Talvez não se saiba, mas quem garantiu, na Constituição Federal, o direito à liberdade de crença foi um ateu Obá de Xangô do Ilê Axé Opô Aforjá, Jorge Amado. Entretanto, fundamentalistas cristãos querem fazer uso dessa liberdade para perseguir religiões minoritárias e ateus.
Repito: eu não declarei guerra aos cristãos. Coloco-me contra o fanatismo e o fundamentalismo religioso – fanatismo que está presente inclusive na carta deixada pelo assassino das 13 crianças em Realengo, no Rio de Janeiro.
Reitero que não vou deixar que inimigos do Estado Democrático de Direito tente destruir minha imagem com injúrias como as que fazem parte da matéria enviada para o Jornal do Brasil. Trata-se de uma ação orquestrada para me impedir de contribuir para uma sociedade justa e solidária. Reitero que  injúria e difamação são crimes previstos no Código Penal. Eu declaro amor à vida, ao bem de todos sem preconceito de cor, raça, sexo, idade e quaisquer outras formas de preconceito. Essa é a minha missão.
Jean Wyllys (Deputado Federal pelo PSOL Rio de Janeiro)
Jean Willys, homossexual e cristão, quer a PL 122 - Conversa Afiada

segunda-feira, 4 de abril de 2011

BLOGUEIRO LIMPINHO DA GLOBO DÁ APOIO A DEPUTADO RACISTA

O tocador-de-jazz e Mestre em Proeminências VentraisRicardo Noblat, titular de afamado blog homiziado no portal do “jornal” O Globo, acaba de publicar um artigo de sua própria lavra (uma raridade naquele cabungo eletrônico) em que faz acalorada defesa do capitão-do-mato Jair Bolsonaro.
Invocando a tolerância, o barrigueiro-mor da Famiglia Marinho sustenta que o deputado tem todo o direito de cometer o crime que quiser e manifestar o preconceito que lhe der na telha. Para Noblablablat, existe o “fascismo do bem”, expressão que cunhou para justificar seu apreço à liberdade de expressão – e com a qual intitula seu troçulho. 

Tape o nariz e clique aqui para ler.

Cloaca News- BLOGUEIRO LIMPINHO DA GLOBO DÁ APOIO A DEPUTADO RACISTA

Cloaca News

quinta-feira, 31 de março de 2011

DEPUTADO RACISTA DOBROU PATRIMÔNIO ENTRE DOIS MANDATOS

As declarações de bens do pústula Jair Messias Bolsonaro apresentadas à Justiça Eleitoral revelam um dado assombroso: entre as eleições de 2006 e 2010, o patrimônio oficial do abjeto parlamentar cresceu 90,5%. A informação está na página Excelências, da ONG Transparência Brasil.  

CLOACA NEWS: DEPUTADO RACISTA DOBROU PATRIMÔNIO ENTRE DOIS MANDATOS

Cloaca News

quarta-feira, 30 de março de 2011

Cotista de Medicina responde a Bolsonaro

O Conversa Afiada publica e mail e fotomontagem da Maiara:

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Sr. Bolsonaro,
Venho atraves deste e-mail exercer o meu Direito de Resposta relativo as suas afirmações no programa CQC.
hhttp://www.conversaafiada.com.br/video/2011/03/29/preta-gil-vai-processr-bolsonaro-nao-nao-somos-racistas/
Sou cotista de medicina com muito orgulho, graças ao presidente Lula.
Caso o senhor tenha o infortunio de sofrer um acidente algum dia e cair nas minhas mãos em um pronto socorro, terei o maior prazer em atendê-lo, pois só vendo o senhor viver é que terei a certeza de que continuará sofrendo ao ver a diversidade de raças e a prosperidade do povo mestiço brasileiro.
Vai um presente para o senhor. Imprima, coloque numa moldura e se delicie olhando para os seus herois, por que os nossos… os nossos são outros e o senhor sabe muito bem quem são.
Maiara Silva
Ps. “Favor não confundir com aquela Mayara das eleições, a afogadora de nordestinos.”

Conversa Afiada - Cotista de Medicina responde a Bolsonaro

Jair Bolsonaro e o racismo dos canalhas

“Teria que, necessariamente, ser uma pessoa infame, vil, abjeta, velhaca e desprezível. Pois bem, meus amigos e amigas, existe uma palavra que, de acordo com o dicionário, contém todos esses significados: canalha.”

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Jair Bolsonaro e o racismo dos canalhas

Reproduzo artigo de Wevergton Brito, publicado no sítio Vermelho:
Certa vez, em conversa com uma amiga, ela me relatava em cores vivas exemplos de preconceitos que atingem a mulher negra. De classe média alta, executiva, casada com um professor universitário branco, quando se dirige ao setor reservado aos clientes exclusivos de um banco privado é comum aparecer um funcionário com a advertência de que aquele espaço é para clientes especiais. Em uma dessas ocasiões, ao mostrar o cartão que provava sua condição de cliente especial, ouviu que “não pode ser cartão de terceiros”.
Por ocasião de sua lua de mel na Bahia, ao voltar da praia para o quarto em que estava hospedada (o marido não quis descer naquela manhã) foi parada por um segurança que a acusou de ser “garota de programa”. Ao contrário de outras mulheres negras que sofrem esse tipo de agressão e reagem à altura, minha amiga tem uma reação de pânico. Começa a tremer e sente uma imensa fragilidade.
Esses dois exemplos são até suaves para as pequenas e grandes humilhações cotidianas que sofrem as mulheres negras, atingindo sua auto-estima, e muitas vezes provocando depressão, angústia, síndrome do pânico, etc.
Para essas mulheres, o todo poderoso diretor de Jornalismo da Rede Globo, Ali Kamel, que afirma não existir racismo no Brasil, chega a ser motivo de chacota, tão distante da realidade são suas observações que acabam, queira ou não Ali Kamel, servindo para perpetuar o racismo, pois se ele não existe entre nós, então não existe motivo para combatê-lo, já que não se combate o que não existe.
Mesmo sem existir racismo no Brasil, pelo menos de acordo com Ali Kamel, assistimos declarações como as do Senador do DEM, Demóstenes Torres, que por ocasião da discussão sobre cotas no Senado, afirmou que nas senzalas não havia estupro, havia, isso sim, “sexo consensual” entre senhores e escravas. Ou seja, para o senador “democrata” a escrava era perfeitamente livre para se negar a deitar com o seu “dono”!
Ontem, no entanto, o escondido, hipócrita e sujo racismo brasileiro veio à tona de forma nua e crua. O deputado federal Jair Bolsonaro (PP) vem a público afirmar que seus filhos jamais namorariam uma negra, pois “foram bem educados”. Ou seja, na doentia visão de Jair Bolsonaro, as negras são seres inferiores e degeneradas que só mereceriam a atenção de pessoas que não tivessem acesso a uma educação que os prevenisse contra essa convivência perniciosa.
Assim que, estarrecido, li e assisti as declarações de Jair Bolsonaro, pensei em como estavam se sentindo as milhões de mulheres negras, as milhões de mães de família, atingidas em sua dignidade. Pensei na própria nação brasileira, também ferida em sua honra, pois milhões de brasileiras que constroem e sustentam a nação foram cruelmente ofendidas. Busquei em minha memória uma palavra que descrevesse uma pessoa que, em pleno século 21, pensa desta maneira. Teria que, necessariamente, ser uma pessoa infame, vil, abjeta, velhaca e desprezível.
Pois bem, meus amigos e amigas, existe uma palavra que, de acordo com o dicionário, contém todos esses significados: canalha. Não posso me furtar, portanto, a dizer a verdade: Jair Bolsonaro é um canalha, pois um racista pode até não assaltar o próximo, no sentido de ser ladrão, mas sem dúvida merece cada um dos epítetos que o dicionário atribui à palavra canalha.
Agora nos resta agregar outro adjetivo ao deputado federal Jair Bolsonaro, que é o de criminoso. O racismo é crime previsto em lei e não existe imunidade parlamentar que permita a qualquer um ofender a honra de toda uma nação.
São necessárias ações em todos os campos, tanto no Congresso quanto na justiça. A impunidade, neste caso, será tão grave e gritante quanto a própria vil agressão.

ÍNTEGRA DA REPRESENTAÇÃO DOS DEPUTADOS CONTRA O DESPREZÍVEL CAPITÃO-DO-MATO

CLOCA NEWS:

Os parlamentares infra-assinados vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência representar contra o deputado JAIR BOLSONARO pelas razões de fato e de direito na seguinte:

REPRESENTAÇÃO DOS FATOS

Na noite de 28 de março de 2011 foi ao ar o programa da TV Bandeirantes entitulado CQC – Custe o Que Custar, no qual foi veiculada uma entrevista com o Deputado Jair Bolsonaro no quadro do CQC denominado “O povo quer saber”.  No decorrer da entrevista, o referido parlamentar, ao ser indagado pela artista e promotora Preta Gil “se seu filho se apaixonasse por uma negra, o que você faria?” Eis a resposta literal do entrevistado: “ô Preta, eu não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja, eu não corro esse risco porque meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o seu” (!).

Esta resposta caracterizada por evidente cunho racista culminava uma série de afirmações em desapreço a diversos grupos sociais e em apologia a graves violações de direitos humanos, no decorrer de toda a referida entrevista.

Na realidade tem sido recorrentes as manifestações de cunho racista proferidas pelo Sr. Jair Bolsonaro nesta Casa e fora dela, contra diversos grupos sociais e organizações defensoras de direitos humanos, dentre as quais a própria Comissão de Direitos Humanos e Minorias, da qual ele é membro suplente por designação do partido a que é filiado, o PP.

DO DIREITO

A difusão de conteúdos ideológicos por meio da mídia eletrônica é de conhecido poder de multiplicação, principalmente quando se trata de programa que conta com significativa audiência, como o CQC.  O Sr. Jair Bolsonaro ao utilizar-se de um espaço midiático para propagar atos que configuram crimes, extrapola a liberdade de expressão para ofender a dignidade, a autoestima e a imagem não só da pessoa que fez a pergunta naquele momento, mas de toda a sociedade, uma vez que os direitos e princípios constitucionais ofendidos pertencem à toda a sociedade.

A Lei 7.716, de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, inclui, no seu Art. 20, “que praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” é crime passível de reclusão de um a três anos e multa.

Essa Lei decorre de tratados internacionais de que o Brasil é signatário. A Constituição Cidadã é explícita ao repudiar o racismo como prática social, considerando-o como crime imprescritível e inafiançável.  O Art. 1º da Carta Magna, que define como um dos fundamentos da República Federativa do Brasil “III – a dignidade da pessoa humana.”

O Art. 3º, que enumera os objetivos fundamentais da República, contempla “IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Já o Art. 4º , que estabelece os princípios pelos quais se regem as relações internacionais do país, VIII – repúdio ao terrorismo e ao racismo (…).

O Art. 5º da Constituição Cidadã, por sua vez, define que “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza (…). O mesmo Artº 5º, em seu Inciso XLII, prevê que “a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei.

A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, com base no Recurso Especial 157805/DF, prevê que “Incitar, consoante a melhor doutrina é instigar, provocar ou estimular e o elemento subjetivo consubstancia-se em ter o agente vontade consciente dirigida a estimular a discriminação ou preconceito racial. Para a configuração do delito, sob esse prisma basta que o agente saiba que pode vir a causá-lo ou assumir o risco de produzi-lo (dolo direto ou eventual).”

Por sua vez, o Código Penal, define o crime de injúria no Art. 140, estabelecendo que se trata de injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade ou o decoro. O § 3º da mesma lei,estabelece que “se a injúria consiste na utilização de elementos referentes a raça, cor etnia, religião, origem ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência, a pena é de reclusão de um a três anos e multa.

Ante o exposto, requerem os representantes se digne V. Excelência determinar, em respeito aos princípios da Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Carta Magna de 1988 e da Lei vigente, a instauração do devido procedimento contra o Deputado JAIR BOLSONARO, para que seja:

1)    Avaliada se a conduta do Deputado Jair Bolsonaro configura efetivamente a prática do crime de racismo;

2)    Determinadas providências para requisição de vídeo tape do programa CQC à TV Bandeirantes exibido na noite de 28 de março de 2011 para melhor exame do caso;

3)    Determinadas providências para requisição de transcrições de discursos do referido deputado nos quais se demonstram as práticas recorrentes de injúrias, ofensas à dignidade e incitação da discriminação e preconceitos, inclusive contra a Comissão de Direitos Humanos e Minorias;

4)    Encaminhe à Corregedoria e, posteriormente, ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar abertura de processo sobre eventual quebra de decoro parlamentar.

Brasília(DF), 29 de março de 2011

Manuela d’Ávila (PCdoB-RS) – presidenta da Comissão de Direitos Humanos e Minorias

Brizola Neto (PDT-RJ)

Chico Alencar (PSol-RJ)

Domingos Dutra (PT-MA)

Édson Santos (PT-RJ)

Emiliano José (PT-BA)

Érika Kokay (PT-DF)

Fernando Ferro (PT-PE)

Ivan Valente (PSol-SP)

Jandira Feghali (PCdoB-RJ)

Jean Wyllys (PSol-RJ)

Luiz Alberto (PT-BA)

Luiz Couto (PT-PB)

Marina Santanna (PT-GO)

Perpétua Almeida (PCdoB-AC) 

Para apoiar a manifestação, escreva para a Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara (cdh@camara.gov.br).

Cloaca News

terça-feira, 29 de março de 2011

Secretário considerava Kassab “apêndice” do PSDB

Na foto, o apêndice e seu ex-secretário

Andrea Matarazzo foi Subprefeito da Sé e Secretário (Coordenação das Subprefeituras) de Kassab. Ficou reconhecido por sua política de descer o pau nos ambulantes e banir os pobres do centro. Um higienista social. Para o serrista Matarazzo, Kassab era um “apêndice” em uma administração controlada pelo PSDB. Foi o que revelaram mais documentos do Wikileaks.

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No Wikileaks, serrista diz que Kassab é 'apêndice' do PSDB em SP

Não mais que um "apêndice" em uma administração controlada essencialmente pelo PSDB. É assim que, segundo telegramas vazados pelo site Wikileaks, o atual secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, se referiu ao prefeito da capital, Gilberto Kassab (sem partido), em conversa com o cônsul-geral dos Estados Unidos, Thomas White, em 22 de outubro de 2007. O site "Agência Pública", parceiro do Wikileaks no Brasil, foi o primeiro a reportar o conteúdo das mensagens, na tarde de ontem.

Descrito como um "autopromotor, satisfeito e confortável com a autoridade lhe é atribuída pelo prefeito e pelo governador e desfruta claramente do seu exercício", Matarazzo então ocupava a secretaria de coordenação das subprefeituras. É identificado como "amigo e colega" do então governador, José Serra (PSDB). "Matarazzo age como chefe de fato de uma cidade de 11 milhões de habitantes e um orçamento de mais de US$ 10 bilhões", descreve White em um dos telegramas. Matarazzo teria comentado com White que 80% dos cargos da prefeitura eram controlados pelo PSDB.

Matarazzo pretendia, até o fim daquele ano, acabar com o sistema de licenças para vendedores ambulantes e acreditava que a cidade não precisava dos camelôs: "É uma máfia!" Segundo o telegrama, Matarazzo classificou os camelôs em dois tipos: receptadores empregados pelo PCC e contrabandistas ligados ao chinês Law Kim Chong.

No plano nacional, a avaliação de Matarazzo era de que o então Presidente Lula trabalharia para se manter no poder, fosse emplacando uma emenda constitucional ou propondo um plebiscito. No primeiro caso, poderia até contar com o apoio do PSDB, desde que o mandato presidencial fosse esticado para cinco anos e não houvesse mais reeleição. Caso não desse certo, Matarazzo acreditava que Lula apoiaria à sua sucessão Ciro Gomes (PSB), a quem se referiu como "patologicamente insano, doente". Contactada, a assessoria do secretário informou que ele estava em um evento e não poderia atender à reportagem.

Não é a primeira vez que Matarazzo aparece na correspondência da diplomacia americana vazada pelo Wikileaks. No começo deste mês, telegramas davam conta de um encontro com o cônsul Christopher McMullen, em 2006. Matarazzo teria então afirmado que Alckmin seria membro da Opus Dei, prelazia conservadora da Igreja Católica. O secretário confirmou o encontro, mas negou a afirmação.